Ta com frio? É o “aquecimento global”…

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Nesse tempo gelado dos últimos dias, falar de aquecimento global parece a última coisa provável. Mas há uma questão sobre o aquecimento global que não fala só sobre o aquecimento em si. O autor H. G. Wells, em seu livro História Universal, nos conta sobre as variações climáticas:

“Entre as causas de variação climatérica, é preeminente o fato de não girar a Terra em volta do Sol num perfeito círculo. A sua órbita é como uma roda achatada; de um modo grosseiro, elíptica (ovoelíptica), estando o Sol mais próximo de uma das extremidades da elipse que da outra. Acha-se em uma posição de certo modo equivalente a um dos focos da elipse. A forma dessa órbita não se conserva porém a mesma, sendo vagarosamente deformada pelas atrações dos outros planetas; em certas épocas será aproximadamente circular e, em outras, mais ou menos elíptica. Quando a elipse se aproxima do círculo, o seu foco se faz mais central; quando a órbita atinge a forma mais elíptica, a posição do Sol se afasta o máximo do meio ou, para usar a expressão de astrônomo, o Sol se torna mais excêntrico.

Quando a órbita se torna quase circular é óbvio que a Terra receberá todo o ano a mesma quantidade de calor do Sol; quando a órbita está mais deformada, haverá, em cada ano, duas estações: a primeira ao achar-se a Terra mais próxima do Sol (esta fase é chamada de periélio), recebendo relativamente grande quantidade de calor; e a segunda, ao achar-se mais distante do Sol (afélio), recebendo, por conseguinte, menos calor.

Durante as épocas em que a órbita é quase circular haverá, portanto, o mínimo de diferença de clima, e, quando a órbita estiver no seu máximo de excentricidade, haverá uma época de frio, com grandes extremos de temperatura nas estações. Estas mudanças de clima da Terra são devidas à variação das forças de tração dos diversos planetas. Sir Robert Ball declarou-se incapaz de calcular o ciclo regular de mudanças da órbita, mas o prof. G.H.Darwin assegurou que é possível calcular um ciclo, entre a maior e a menor excentricidade, em cerca de 200.000 anos.

Tal mudança na forma da órbita terrestre é uma das causas da mudança do clima do mundo. Há outras a serem consideradas.

Como todo mundo sabe, a mudança das estações é devida ao fato de a Terra achar-se inclinada em ângulo agudo sobre o plano de sua órbita. Se a Terra estivesse certa e direita, de modo que o Equador estivesse em ângulo reto sobre a órbita, não haveria mudança nas estações. O Sol estaria sempre perpendicular ao Equador, e o dia e anoite seriam ambos, exatamente, de doze horas em todo ano e por toda a parte. É aquela inclinação que causa as diferenças das estações e o comprimento desigual dos dias, no verão e no inverno.

Há, segundo Laplace, uma variação possível de quase três graus (de 22,6′ a 24,5′) nesta inclinação do Equador sobre a órbita, e quando essa diferença é máxima a diferença entre verão e inverno é também máxima. Evidentemente quando o ângulo estiver no seu mínimo, o clima do mundo, mantidas as demais condições, terá o máximo de uniformidade.

Terceiro importante fator é a chamada Precessão dos Equinócios, isto é, um lento oscilar do pólo da Terra a cada 25.000 anos. Quando observamos o topo girante de um pião no momento em que está “dormindo’, percebemos que o seu eixo faz um lento movimento circular. É exatamente o que se dá com o eixo da Terra. O pólo norte, portanto, não aponta sempre para o mesmo ponto norte entre as estrelas: traça um círculo nos céus a cada 25.000 anos.

São três, pois, os sistemas de mudanças, todos se processando independentemente um do outro – precessão dos equinócios, a mudança da obliquidade do equador sobre a órbita, e as mudanças de excentricidade da própria órbita. Cada sistema tende por si mesmo a produzir períodos de uniformidade e períodos de grandes contrastes climatéricos e todos esses sistemas de mudanças influem uns sobre os outros.

Ora sucedendo, ao mesmo tempo que a órbita esteja circular, o Equador, na sua inclinação menor sobre o plano da órbita terrestre, e a primavera e o outono, no periélio e no afélio, então todas as causas conspiram para tornar o clima quente e uniforme; haverá um mínimo de diferença entre verão e inverno. Quando, por outro lado, a órbita estiver no seu máximo de inclinação excêntrica, o Equador no máximo de inclinação e, ainda, o verão e o inverno, no afélio e periélio, então o clima estará em seus extremos e o inverno no seu máximo rigor.

Haverá no inverno grandes acumulações de gelo e neve; o calor do quente e breve verão refletir-se-á no espaço através das brancuras da neve mas será desproporcionado para a tarefa de fundir o gelo do inverno, antes que a Terra gire de novo a sua fria posição no afélio. A Terra acumulará frio enquanto durar esta conspiração de condições extremas.

Assim muda e oscila, perpetuamente, o clima de nosso planeta, conforme três sistemas de influência se reúnem com tendência comum para o calor ou para o frio, ou se contradizem e se anulam entre si”.

O clima na Terra, como dito antes, oscila constantemente. Uma vez que houvera a Era do Gelo e o gelo derreteu, isso pode acontecer novamente: primeiro congela outra vez e derrete. Isso sempre vai acontecer. Portanto, aquecimento global é algo absolutamente relativo e não significa que seja real. Mas que há uma mudança climática, acabei de explicar pra você o porquê. Espero que seja útil.

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