Chegou a hora do julgamento que vai definir o futuro de Yuvalin e, consequentemente, dos Desafiantes.
Naquela manhã, nos encontramos na Guilda dos Mineradores. A área estava extremamente movimentada. Fomos recepcionados pela oficial Helena preocupada com esses aventureiros que defenderiam Ezequias. Então, nos apresentamos como esses aventureiros. Ela se assustou com isso e com o fato de acusarmos Rodford Vahrim não só de corrupção, mas de associação à Supremacia Purista.
A oficial argumentou justamente que a Guilda, comandada por Rodford, teria fornecido as armas a favor do Reinado e contra os puristas. Stefan tentou contra-argumentar com a ideia de infiltrados em Yuvalin e Joseph apresentou a carta com o selo da Guilda como prova. Mas ela parecia irredutível e o bardo nos contou, depois que ela saiu, que a oficial parecia saber mais do que queria nos contar ou que ela não queria se envolver no caso.
As testemunhas e a multidão que iria assistir ao julgamento começaram a se dirigir para o tribunal e nós fomos informados que o Ezequias já estava nos esperando. O juiz entrou no tribunal, o Conselho da Guilda também estava presente. Eram eles que deveríamos convencer com nossos argumentos.
O primeiro a falar foi Toshinori. Ele convidou Goro para ser testemunha, que contou sobre as cobranças extras que a Guilda sempre fazia e que, pela honra dele e de seu mestre, nunca se curvaram a isso, sendo importunados por bandidos, como os que enfrentamos em nossa missão na oficina. Ele e Toshinori falaram sobre a nossa honra e pediram por justiça.
A argumentação do Joseph foi profundamente emocional, dizendo que, em nossa última missão, a liderança da Guilda teria enviado puristas para nos matar e quase conseguiram ceifar a vida de Stefan, – dizia ele – um grande amigo. Apresentou como prova as cartas que encontramos com prisioneiros e na bota de Zelin.
Edward, imponente, se apresentou contando a razão pela qual estava em Yuvalin: veio quando soube que estavam tramando a morte de Ezequias. Ele não conhecia qualquer uma das testemunhas, mas, como nobre, ele atraiu a atenção do Conselho com seus argumentos. E, então, foi a minha vez.
Me dirigi ao centro do tribunal, diante do juiz e sobre o símbolo de Khalmyr, deus da justiça. Olhei para todos e fiz uma reverência. Me apresentei e disse estar com o coração apertado por todas as atrocidades que a Supremacia Purista tem feito no Reinado.
Minha testemunha foi ninguém mais e ninguém menos que o próprio Peter Vahrim, filho do acusado. Ele, melhor que qualquer outro, sabe o que é sofrer nas mãos de um purista dentro da própria casa. Afinal, até onde sabemos, o “Senhor P.” tem uma enorme facilidade em se apaixonar por não humanas.
Ao pedir que a testemunha falasse, argumentei sobre todo o mal que o Rodford pudesse ter feito contra o filho e – pasme – ele começou a chorar. Apenas por dizer que eu o via como uma pessoa que via seus sonhos se esvaírem por causa do pai.
Ele começou a falar sobre sua certeza de que o pai teria envolvimento com puristas e Rodford o interrompeu, brigando e gritando. Eu pedi silêncio e o juiz também pediu ordem, diante dos xingamentos que Rodford declarava sobre o próprio filho. Com muita tranquilidade, Peter se virou para o pai e disse que Rodford estava tão nervoso que parecia ter algo a esconder afinal.
Encerrei, assim, minha arguição, com muitos cochichos ouvidos por todo o salão e diversos olhares repulsivos para Rodford. E eu estava simplesmente aliviada. Exceto, é claro, porque logo depois de mim quem falaria era o Stefan. Então, um arrepio de medo passou pela minha nuca quando ele saiu do meu lado para se dirigir ao tribunal.
E ele já começou falando besteira, dizendo que Yuvalin forneceu armas para o exército purista durante as Guerras Artonianas. Meus olhos se arregalaram e eu comecei a fazer preces a Allihanna com mais fervor.
Ele também disse que as armas da cidade foram também para nos libertar da ameaça purista, mas já era tarde, Stefan já tinha falado besteira. Mas isso não foi o pior! Ele disse que a Supremacia Purista estava tentando se vingar de Yuvalin pelo fornecimento de armas para o Reinado. Além disso, para surpresa geral, argumentou que a própria mulher de capuz vermelho que teria nos atacado na viagem estava ali no tribunal, acompanhando tudo. O que foi um erro terrível, uma vez que quem estava no tribunal era a Cassandra, mulher do Drrrun e não aquela mulher. O Strefan sabe ser bem insuportável.
Como se não bastasse tudo isso, o Kroll não quis se levantar e fazer sua argumentação. Durante o recesso que o juiz declarou, até o Ezequias saiu de onde estava para vir tentar estimular o crocodilo. Mesmo assim, ele elogiou a todos que se dispuseram a falar, antes de voltar para a sala reservada.
Aproveitei para agradecer ao Goro a sua disponibilidade. Ele disse estar honrado em ajudar o nosso grupo e ter certeza e fé em Lin-Wu de que seríamos vitoriosos nessa jornada. Depois, o Joseph me pediu que eu ensaiasse com o Kroll suas falas para ele tentar falar no retorno do recesso. Enquanto isso, o bardo iria até à Pombo de Ouro, tentar convencer a chef Rizzelena a testemunhar também no tribunal.
Fui o mais didática possível com o Kroll. Toshinori – e até o Stefan – me ajudaram a ensaiar com ele para chamar o boticário Rafu para testemunhar. E, quando a sessão foi retomada, o crocodilo começou a falar sobre seu relacionamento com o Ezequias e chamou o Rafu.
O boticário atestou nossa honra e coragem, tocando seus tambores e com a fala cantante. Inclusive, disse que a cidade perderia muito se nós fôssemos expulsos. Mesmo assim, o Conselho não deu muito crédito à fala do Kroll.
Edward retornou para o centro do tribunal, argumentando que acredita que havia uma célula purista na região, uma vez que, desde que ele chegara a Yuvalin, enfrentou algumas situações contra puristas. Falou sobre sua honra como nobre e sobre os nossos prisioneiros que se identificaram como puristas. Isso gerou uma espécie de comoção no juri, até mesmo um cidadão gritou para que prendessem Rodford.
Fui chamada mais uma vez e tenho completa certeza de que não fui bem. Chamei Rizzelena para atestar a importância de haver pessoas de raças diferentes co-habitando em Yuvalin e o quanto era danoso ter puristas em nosso meio. Ela falou sobre o sofrimento do povo élfico com os puristas ser tão terrível quanto o que passaram no passado com o fim do seu reino.
Após minha argumentação, o Conselho se reuniu para trazer o veredicto. Nesse intervalo, Toshinori saiu do tribunal e retornou com um discurso, a princípio, meio estranho. Ele elogiou a equipe – até o Stefan -, falando das habilidades de cada um que ele valorizava. E, então, o que eu temia aconteceu.
Toshinori continuou seu discurso dizendo que o grupo precisava de algo que o unisse, que o mantivesse de pé. Ele puxou de sua bolsa uma espécie de coroa de ramos, em formato de tridente, e colocou sobre a minha cabeça, falando que estava me tornando a líder dos Desafiantes de Yuvalin.
Tomei um susto tão grande. Cheguei a gaguejar argumentando que não havíamos conversado sobre isso, mas eles disseram que haviam, sim. Até o Ezequias concordou, mesmo não fazendo parte do grupo. Depois de muita insistência por parte do grupo, eu aceitei.
Ainda com o coração acelerado e a cabeça repassando milhões de pensamentos, precisei me acalmar para ouvir o veredicto, que o juiz trazia de volta à sessão. Impossível se acalmar! O último conselheiro a entrar entregou um documento ao juiz. Nesse instante, uma multidão entrou no tribunal, ansiosa para ouvir.
Silêncio absoluto.
O juiz sentenciou Rodford Vahrim a prisão perpétua pelos crimes como puristas e Ezequias foi inocentado de quaisquer acusações. A multidão foi à loucura: Rodford saindo arrastado para a prisão e soltando impropérios, o povo de Yuvalin gritava palavras de apoio aos Desafiantes de Yuvalin.
Pedindo silêncio, o juiz continuou dizendo que o Conselho decidiu colocar Ezequias Heldret como presidente da Guilda dos Mineradores. Depois disso, foi impossível se fazer silêncio no salão. Começou uma gritaria ensurdecedora e todo o povo se empurrava para fora do tribunal, gritando o nome de Ezequias.
A oficial Helena estava à espreita, na porta de sua sala, esperando para perguntar a nós se houve sucesso em nossa empreitada. O suspiro de alívio dela e, posteriormente, seu grito abafado dentro da sala, me fizeram entender que, de fato, obtivemos sucesso.
Fora da Guilda, o povo em polvorosa agitação, Ezequias iniciou um discurso sobre liberdade e sobre olhar para o futuro, olhar para o céu vermelho e combatê-lo com toda a nossa força: destruir a Tormenta. Retirou seus óculos pela primeira vez diante de todos, revelando olhos vermelhos. Ainda prometeu que Yuvalin seria uma grande produtora de aço rubi, apresentando uma pedrinha retirada das Minas Heldret, com a ajuda dos Desafiantes.
Yuvalin estava em festa. Éramos os aventureiros que conseguiram acabar com um esquema de corrupção na Guilda dos Mineradores. Bardos escreverão sobre nossas aventuras.
Alívio, é claro. Mas um frio na barriga por tudo o que pode acontecer daqui para frente, com certeza deve invadir os Desafiantes de Yuvalin.
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
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