Épico e aquático – Nossos dias de folga – Parte 2

Helga Iris, a sereia druida, partiu em uma aventura pessoal para descobrir mais sobre si mesma. E você acompanha o desenrolar dessa história neste post.


O Rio Villent é um velho conhecido. Meu local de nascimento, onde vivi boas e não tão boas histórias. Dei um mergulho profundo e senti ainda mais força e determinação em conquistar meus objetivos.

Zakharov. Rio Villent: Descendo a leste de Rhond

Qual não foi minha surpresa ao encontrar nadando por ali meu amigo Rei Joss. Ele estranhou eu estar por ali e eu expliquei que procurava pela minha história, minha origem, para me tornar uma líder e uma aventureira melhor. Quando ele soube que eu fui escolhida como líder dos Desafiantes de Yuvalin, ele disse que reconhecia em mim o perfil de liderança e que se sentia muito orgulhoso por isso.

Pedi alguns conselhos, pois, para mim, ele é um grande líder para nossa raça, e recebi vários, inclusive para continuar ao lado de Ezequias Heldret, pois Joss o conheceu. Apesar de parecer meio maluco, ele dizia que Ezequias tinha visão e um espírito bom e sincero de liderança. Depois de um tempo, já em terra, caminhando e conversando, nos despedimos, pois ele tinha assuntos a resolver ali no rio e eu precisava continuar minha jornada.

Precisei fazer algumas acrobacias para conseguir achar o local onde fui deixada por minha mãe biológica e encontrada por Silena. Uma espécie de gruta, com apenas uma entrada de luz no alto. Havia muitos animais e fui recebida por um grupo de castores que me levaram ao seu ancião, que soube imediatamente se tratar de Zéfiro.

O castor já tinha pelos grisalhos e estava cego, mas me recebeu como alguém da família, quando mencionei ser a criança encontrada à beira do rio. Ele falou que sempre foi um grande amigo tanto de Silena como de minha mãe biológica, que também era druida. Ela costumava contar histórias para ele e também sobre meu pai, que era um guerreiro muito belo e honesto.

Realmente, meus pais biológicos se apaixonaram de forma arrebatadora e isso era proibido, uma vez que minha mãe era casada com o rei tritão do clã. Meu pai biológico precisou ir embora antes de saber que minha mãe estava grávida e ela, sabendo que seria morta quando descoberta, me escondeu para que eu sobrevivesse.

Com muita dificuldade, Zéfiro se lembrou de um nome, o nome do meu pai: Sir Starkey, cavaleiro de Hongari. Mal sei descrever como me senti grata por receber aquelas informações do castor tão amigo da minha mãe. Com grande emoção iniciei minhas palavras de gratidão e perguntei se poderia fazer algo por eles e Zéfiro apenas me pediu que não contasse sobre aquele refúgio que estávamos a ninguém. Ele disse que viu em mim o mesmo espírito amoroso e especial que minha mãe tinha e me despediu feliz, com um abano de rabo.

Difícil descrever todas as sensações que percorriam meu corpo no retorno para Rhond, para reencontrar Edward e Toshinori. Eu estava eufórica com todas as informações. Já havia descoberto tantas coisas sobre mim nessa viagem e, ainda, existia uma possibilidade de encontrar meu pai.

Foi difícil até explicar para Ed as respostas que recebi. Primeiro, porque tomei um susto quando vi os dois imundos, isso depois de eles terem lutado um contra o outro em uma arena. Depois, por toda a emoção que eu sentia. Fui, ainda, mais faladeira no retorno para Yuvalin.

Conduzindo a carroça, aproveitei para perguntar se Edward conheceu ou ouviu falar de Sir Starkey. Ele disse não ter conhecido, mas que, talvez, seu pai conhecesse e se disponibilizou para escrever para ele pedindo informações. Mais uma vez, impossível descrever minha gratidão e ansiedade para que o retorno desta carta viesse.

Edward me alertou sobre o que aconteceu com Hongari e que, se meu pai tivesse sobrevivido, provavelmente estaria refugiado em algum lugar. Além disso, que ele deveria estar servindo a algum nobre na região naquela época. Mas eu estava confiante.

Onde ficava Hongari

Aproveitei minha passada em Rhond também para encontrar um presente especial para Goro. Por tudo o que ele fez por mim – e pela equipe, é claro -, eu precisava recompensá-lo de alguma forma. Vi uma lojinha de artesanato, com produtos de Tamu-ra. Era o que eu precisava.

Depois do nosso encontro que não foi um encontro (óbvio), em que ouvi sua história e me encantei mais ainda por ele… quer dizer, por sua trajetória de vida, achei um item que, eu esperava, seria uma forma de demonstrar meu carinho. Era um incensário com detalhes em preto, branco e vermelho e um desenho bem bonito de um dragão.

Combinamos de nos encontrar na taverna Foice e Martelo, junto com os Desafiantes, para um saquê e uma noite divertida entre amigos. Antes de ele chegar já estávamos quase todos reunidos, brindando com outros moradores da cidade e conversando sobre nosso tempo de folga.

Joseph me contou que resolveu abrir um jornal e que estava fazendo uma campanha para colocá-lo em funcionamento. E nós, Edward, Toshinori e eu, comentamos sobre a nossa jornada e descobertas. E Kroll passou seus dias de folga treinando e fez um amigo. Só quem não estava ali era Stefan, esse era um momento de muita tranquilidade, na verdade.

Eis que surge aquela maga, aliada de Zelin, que nos atacou com a bola de fogo. Todos nos agitamos e avançamos para cima dela, mas, antes que conseguíssemos, uma magia se desfez e ela não era a maga, mas outra mulher, que se apresentou como Ràthania. Logo depois, apareceu a razão de ela estar ali: Stefan.

Ele chegou tentando apaziguar a confusão – acredite se quiser – argumentando que eles queriam descobrir uma nova habilidade de ilusão. Ela chamou o Stefan de “amor” e ele a chamou de “momorada”, com um beijinho de esquimó. Eu achei aquilo impossível. Se tinha como piorar, conseguiu. Toshinori me ofereceu uma bebida mais forte, eu precisava disso.

Para não dizer que foi um infortúnio completo, dava para perceber que o Stefan estava sofrendo com a quantidade de loucura nesse relacionamento. Estranhamente, isso me encheu de certo prazer. Decidi ser melhor amiga da Ràthania, seria divertido.

Stefan e Ràthania

Do nada, as portas da taverna se abriram e entrou um minotauro muito grande que parou diante da nossa mesa e gritou “DESAFIAAANTES”, já apontando os chifres. Eu simplesmente tentei sair da reta dele, mas ele agradeceu. Bateu com a cabeça na mesa e disse que nós salvamos a fazenda de seu pai, olhos cheios de lágrimas. Assustada estava, assustada continuei.

Ele nos desafiou para um torneio de vira-caneco, que eu declinei, preferindo me manter apenas com hidromel, enquanto aguardava Goro chegar. Eles já começavam a passar vergonha e eu já deixei avisado que não curaria ninguém naquela noite. Foi um vexame e tanto para os que participaram, mas Kroll pareceu se manter intacto.

Toshinori já procurou uma parceira e, quando eu ameacei sair da mesa para procurar pelo Goro, ele entrou na taverna e me arrebatou. Sentou ao meu lado e começamos a conversar sobre nossos últimos dias animadamente. Apesar de perceber os olhos de estranhamento do restante da equipe por ver o Goro ao meu lado e tão à vontade conversando, nada mais atraiu minha atenção na noite além da conversa com meu convidado.

Depois de um tempo conversando com ele, me confidenciou que não saí dos pensamentos dele. Éramos os rostos vermelhos como a Tormenta. Ele me perguntou pelo presente quando mencionei a loja de Rhond. Entreguei, então, a caixinha preta com detalhes dracônicos e tamuranianos. Ele agradeceu na língua natal e pegou na minha mão, dizendo que gostaria de sair mais vezes comigo. Ele se virou para Toshinori que tinha voltado desanimado e abatido para a mesa e falou palavras de sabedoria para ele que também fizeram meu rosto ruborizar.

Goro me acompanha até o Distrito do Carvão, como o cavalheiro que ele é. Encantada, eu dei um beijinho na bochecha dele na despedida e, pronto, éramos quase a própria Tempestade Rubra. Ele pareceu feliz e sorridente e eu, é claro, estava radiante. Sabe-se lá quando nos veremos de novo, pois há muito trabalho agora com Ezequias, mas mal posso esperar pelo próximo encontro.


Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

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