Depois do impacto da traição de Ràthania, Helga está diante de uma pergunta: o que fazer agora?
Eu saí tão devastada da loja do Ezequias que andei pela cidade sem rumo pelo que eu acredito terem sido horas. Coitada da Noah por me aguentar nesse período. Edward só havia me dito que precisava viajar e que levaria Toshinori. Não estava em condições de argumentar, todos precisavam de um tempo para respirar, realmente.
Todos nos entendemos meio que inconscientemente de que tiraríamos umas férias, pelo menos até Ed e Toshinori retornarem. Eles estavam em busca do favor de todos os deuses do Panteão. Alguns já lhes eram favoráveis, mas outros não eram facilmente encontrados em Zacharov.

Joseph, agora, tinha um jornal para tocar e outros instrumentos para aprender. Kroll precisava de tempo para treinar na arena, ficar mais forte e mais certeiro. Stefan, pelo olhar marejado, precisava ficar sozinho. Provavelmente, consertaria o K, como prometido, e também consertaria um pouco a própria mente (se é que isso é possível), trabalhando em invenções.
Vagando por Yuvalin, vi várias cenas bem conhecidas e comuns, como um menino que arremessa pedras e um casal de anões vendendo cacarecos. No entanto, nada me chamava a atenção ou me comovia. Eu estava alheia a tudo. Devo ter parado algumas vezes para deixar Noah descansar, dar água a ela e fazer carinho em seu pelo macio. Só que eu não sentia nada, nem cansaço, apenas culpa e desolação.
Sei que, no final daquela tarde, estava entrando na casa do Goro. Me joguei num monte de almofadas na sala. Ele me recebeu de braços abertos, o seu lindo sorriso e uma xícara de chá. Me entregou a xícara e ficou me olhando enquanto eu olhava para o nada, provavelmente com uma expressão aterradora para ele.
Tirou minhas botas e começou a fazer massagem nos meus pés. Eu só balbuciava que nada fazia sentido e que deveria ter previsto. Ele, sem entender nada, levantou e foi fazer outro chá. Disse que seria um calmante dessa vez. E me perguntou o que tinha acontecido.
Comecei a contar todo o absurdo que aconteceu na noite anterior. Falei até que eu deveria ter impedido Ràthania de andar com a gente. Então, ele me questionou sobre o que eu faria se ele próprio resolvesse participar das nossas aventuras. Fiquei reflexiva. Afinal, que espécie de líder também seria se impedisse que um membro da equipe fosse proibido de ter sua companheira por perto.
Foi então que travamos uma conversa sobre o peso da liderança e o fato de não podermos prever o que aconteceria, nem assumir sozinho a culpa. Ele falou que eu precisava de um banho e até brincou comigo sobre nunca ter visto minha cauda. Disse que deveria saber como é e como funciona para quando tivéssemos filhos.
Filhos? Cedo demais para falar sobre isso! Ele percebeu minha expressão, graças aos deuses. Percebeu, inclusive algo que eu, como druida, não tinha reparado. Ele me mostrou Noah e comentou que ela já estava formando a família dela. Eu fiquei pasma. Estava tão distraída com os acontecimentos que não reparei que ela estava esperando filhotinhos.
Tive um momento de me sentir ainda mais culpada que tudo, mas essa notícia fez toda a nuvem de tristeza e desânimo esmaecer. Simplesmente, me esqueci de todos os problemas e corri para fazer carinho nela. Ela virou de barriga para cima e ficamos ali alguns minutos nessa sintonia entre druida e companheiro animal.
Conversamos, ela e eu, sobre como foram os dias antes de nos encontrarmos naquele fatídico dia da tempestade. Bom, ela conheceu o lobo do Trovão da Tormenta antes da gente se encontrar. Ela sentia que eram mais de 2 filhotes. Estava tão feliz por ela! Meu humor mudou completamente.
Quando Goro chegou com o chá, eu ainda estava abaixada conversando com Noah. Falei que ia procurar entender o que fazer daquele momento em diante. Queria ser uma pessoa melhor, uma líder melhor. Talvez, estudar algo sobre o assunto, ler bastante. Ele me levantou e me conduziu até a banheira onde eu tomaria um banho muito relaxante e tranquilizador. Tudo o que eu precisava naquele momento!
Assim que eu entrei na banheira, ele se espantou com a forma como a cauda se formou. A ponta da cauda roxa refletia em seu rosto, porque estávamos à meia luz no quarto. Ele me perguntou se eu sentia seu toque, mas logo se afastou com o rosto ruborizado, afugentando alguma ideia que eu não consegui descobrir.
Voltou do seu escritório/biblioteca, o cômodo ao lado do quarto, trazendo alguns livros. Segundo ele, esses livros foram escritos por mestres tamuranianos que poderiam ser úteis para me ajudar a me entender melhor como líder. Afinal, Tamu-ra é conhecida por seus senseis, sua sabedoria e toda a cultura em volta.
Bom, como meu tamuraniano estava bem enferrujado, 3 dos 4 livros meio que passaram direto pelos meus olhos, porque não entendia muito. Mas eu fiquei muito feliz com as descobertas feitas naqueles livros. O quarto livro era de um exímio líder e sua trajetória de aprendizado. Eu realmente estava gostando do que lia. Minha jornada era bem parecida com a desse sensei.
Estava sozinha ali, na banheira, Noah e Goro me deixaram para que eu relaxasse, me entretendo com os livros. Era impressionante como ele já estava nos transformando em uma família com o casal e um animal. Ainda estou tentando me acostumar com isso.
Durante o jantar, eu já estava bem mais animada e descansada. Acho que Goro percebeu isso e ficava olhando para mim, às vezes, com aquela cara de bobo. Eu também fazia isso de vez em quando, enquanto conversávamos sobre milhões de coisas. Parecia até que eu não tinha vivido tamanho infortúnio apenas um dia antes.
Foi quando um pensamento me assaltou: e se eu abrisse mão de tudo para viver isso? Goro, Noah e eu, em paz, numa casinha. Desviei logo esse pensamento. No entanto, ele voltava vez ou outra durante a noite.
Goro colaborava bastante com isso, me pedindo para ficar junto dele, não viajar tão cedo em nova aventura. Era difícil não ceder a isso. Passei a noite em seus braços, desfrutando do prazer da sua companhia. Até deixar a cama na manhã seguinte foi custoso.
Tomamos o nosso café juntos e expliquei ao Goro que, depois de ler aquele livro, eu gostaria de ir para Nitamu-ra a fim de treinar com algum sensei sobre autoconhecimento e liderança. Ele sorriu para mim. O sorriso mais doce que quase me fez desistir. Me disse que apoiava minha ideia e que me esperaria de volta o mais depressa possível. Nele eu sempre encontraria um lar, ele me dizia.
Ah, eu estava lutando comigo mesma. Dei um beijo nele cheio de carinho e saudade que eu já sentia. Aquele beijo com sentimento de medo de nunca mais vê-lo e de conforto por saber que ele era um lar para mim.
Goro me contou sobre um ou outro que ele conhecia e que ainda deviam estar na cidade. Falou, inclusive, sobre um mago que poderia me ajudar a retornar. Falei que eu iria até Ezequias para pedir ajuda de alguém que me transportasse até Nitamu-ra. A viagem terrestre ou aérea seria bem longa e cansativa. Seria muito melhor, apesar de bem caro, a ajuda de um mago tanto para ir, como para voltar.
Ele sugeriu que eu deixasse a Noah, já que ela esperava filhotinhos, mas ela mesma não quis ficar, se escondendo atrás de mim. Eu não queria deixá-la, não por enquanto. Queria aproveitar mais um tempo com ela, só nós duas, antes dos bebês chegarem.
Então, saímos juntos de casa, como uma linda família feliz: o casal e a Noah toda serelepe passeando pela rua. Deixei Goro na loja e fui com Noah para a Guilda dos Mineradores.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/aL8vgoQNOSk
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Até breve!
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