Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.
Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.
O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.
Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.
Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.
O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.
Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.
Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?
Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!
Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.
Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.
Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.
Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.
Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.
No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.
O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.
Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.
Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.
Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.
Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.
Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.
No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.
Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.
Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.
Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.
Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.
Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.
Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/uqVwn0GmeYc
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

