A batalha ainda significava restaurar a vida de Helga diante da maldição que ligava seu coração ao coração da amada de seu pai falecida. Se os Desafiantes sobrevivessem, ainda teriam que lidar com um ritual para desfazer a maldição.
Nosso paladino, em comunhão com sua deusa, trouxe um pouco de alívio à minha dor, curando alguns ferimentos, e desferiu um golpe com sua arma no Oni. Eu estava no chão, machucada, e vi que Toshinori também tomou um raio daqueles que saía dos olhos da estátua de dragão. Ele urrou de dor, mas permaneceu de pé.
De repente, ouvi mais um tiro. Senti quando a bala passou rente a mim, balançando alguns fios do meu cabelo com o deslocamento do ar. Então, tomei aquele banho de sangue misturado com pedaços de pele e órgãos do inimigo. O Oni se ajoelhou ao meu lado, com o peito aberto e arfando.
Ainda caída, machucada e com medo de uma nova ação do Oni, senti minhas forças começarem a voltar e o Kroll se aproximando. Obviamente, comecei a me preparar para mais um banho de sangue. O ângulo me permitia ver algo muito mais assombroso. O bárbaro espumava fúria e seu machado era uma arma implacável. Após alguns golpes, o inimigo começou a se desfazer, enquanto ainda gritava.
Kroll não sabia muito bem diferenciar uma expressão em fúria de uma de amizade. Com aquele sorriso furioso, me ofereceu amigavelmente três vidrinhos de essência, para que eu pudesse me recuperar mais rápido. Delicadamente, limpei um pouco a gosma sangrenta da boca de dois frascos e tomei. Guardei o outro para um momento futuro. Guardei sujo mesmo.
Um crânio voador de Vladislav veio em nossa direção. Eu consegui resistir ao ataque com um milagre, mesmo caída, mas Toshinori não. Com um grito de dor, ele foi envolvido com uma aura sagrada e correu à frente, enquanto a estátua de dragão lançava uma baforada quente onde os demais do grupo estávamos. Felizmente, o raio não chegou perto o suficiente, coisa de menos de 3 palmos nos pouparam de mais danos.
O bárbaro e o minotauro correram à frente também, sumindo da minha vista. Comecei a correr meus olhos, procurando por algum animalzinho que pudesse ajudar a gente de alguma forma, mas, deitada, não consegui encontrar. Então, levantei quando o Edward passava ao meu lado gritando algumas orientações para os meninos.
Ouvi alguns gritos do Toshinori, brigando com o Kroll, para que ele voltasse a si. O que quer que tenha acontecido depois que os meninos saíram da minha visão, deixou o bárbaro abalado. De repente, me vi sozinha na base da escada de entrada do salão. Todos estavam depois da estátua de dragão.
Andei vagarosamente, carregando o lampião, iluminando para além da estátua. Vi os meninos procurando pelo necromante. Todos tentando encontrar um lugar estratégico para atacar sem serem encontrados pelo inimigo.
Toshinori viu uma escada e, quando ele correu na direção dela, eu também consegui ver. Pelo que ele noticiou a nós, o necromante deveria ter lacaios que estavam descendo aquela escada. Em seguida, ele urrou de dor também, deve ter sido acertado.
Aos poucos, todos avançaram. A maior parte do grupo se escondeu atrás de uma outra pilastra. Eu também andei e fiquei de frente para a escada. Toshinori estava ferido ao lado e Kroll estava tentando subir. Edward estava ao meu lado, Joseph foi atingido pelo crânio também. Até o Hyoda se escondeu atrás de uma pilastra.
A aura que emanava do paladino trouxe, mais uma vez, uma tranquilidade milagrosa para a batalha. Vi que alguns dos seus ferimentos se fecharam e ele continuou sua tentativa de subir as escadas. No entanto, ele e Kroll se atrapalharam um pouco para ver quem subia primeiro.
Fiz um clamor à Allihanna para que o combate fosse logo finalizado e abençoei meus amigos. Um brilho emanou de mim e correu como linhas em direção a cada um dos meninos próximos a mim. Ouvi gritos e barulhos estranhos escada acima, estava meio apavorada, mas confiando que tudo acabaria bem.
Estávamos abaixo de uma espécie de mezanino e o necromante estava lá em cima, provavelmente. Pelos barulhos, Kroll e Toshinori estavam em uma batalha feroz. Descobrimos que era uma mulher, principalmente quando ela gritou implorando para não a matar.
Me aproximei da escada e gritei para que impedissem o Kroll de matar a necromante, pelo menos enquanto não soubéssemos como remover a maldição. Roguei mais uma vez à minha deusa para que o paladino fosse curado dos danos provocados pelos mortos-vivos lacaios da necromante. Então, ele avançou na direção dela.
A arma do Toshinori brilhava e ele derrubou a medusa necromante, batendo nela mais umas duas vezes. Os mortos-vivos se desfizeram naquele momento, o movimento no ar apagou o lampião. Entendi que ela estava desacordada e eu estava levemente desesperada com medo de ela morrer antes de nos contar sobre a dissolução da maldição.
Aparentemente, eu era a única preocupada com isso ali.
Os meninos pareciam estar se divertindo com os despojos da batalha. Já eu estava ansiosa, preocupada e tentando equilibrar a respiração ao mesmo tempo para não disparar o coração. Edward estava aplicando um golpe no Stefan para furar uma orelha do inventor, que encontrou um brinco da sagacidade com a medusa.
Enquanto observava a brincadeira, notei uma porta em um canto do mezanino. Repeti, porém, que precisávamos resolver a questão da maldição antes de avançar. Toshinori estava preocupado mais com as suas feridas do que com quem poderia curá-lo. Ele e Stefan foram checar o quanto a medusa estava presa e desacordada enquanto eu fui tentar acalmar o Kroll, para que ele não matasse a necromante de uma vez.
Eu fazia alguns carinhos na cara dele, como se fosse a Noah, para tentar acalmá-lo. Como uma boa felina, a Leah também quis e se esfregou entre minhas mãos. Então, comecei a fazer carinho com a mão direita no Kroll e, com a esquerda, na Leah. OK.
Stefan me chamou e disse que tinha encontrado a cura. Eu fui tremendo na direção dele e peguei o livro. Antes de celebrar o ritual, no entanto, o inventor abriu a tal portinha e, lá dentro, tinha um meio dragão preso e amordaçado, era um clérigo de Kally. Ao ser solto, correu para matar a medusa, mas Kroll foi mais rápido, mais feroz e mais furioso. Desnecessária a forma de matar alguém que já estava apagada.
Toshinori e Edward foram logo pedir a bênção de Kally, mas Stefan pediu para que ele realizasse o ritual. Como o Stefan estava lúcido e prestativo. Estranho, porém, gostei. Ao contrário do nobre e do paladino, alguém se importava com a minha condição. Acredita que os dois desdenharam e disseram que o que eles precisavam era muito mais importante? Esses dois são muito mais insuportáveis que o Stefan. Pelos deuses!
O clérigo falou que só poderia conceder um dos pedidos e o outro teria que ser pago. Iniciamos um diálogo para tentar ao menos diminuir o valor: ele cobrou T$ 2.000 como uma “oferta” para a causa de seu deus. Conseguimos que ele reduzisse pela metade.
Eu olhei para todos contando moedinhas, negociando o quanto valia a quebra da maldição, e perguntei se era isso que eles estavam dispostos a fazer por mim. Toshinori pegou o coração na minha mão e ofereceu como pagamento. Que insulto à minha pessoa! Absurdo. Tomei de volta e saí andando para procurar alguém do lado de fora que fizesse mais por mim do que meu próprio grupo.
Inacreditável o quanto eu era totalmente sem importância para eles. Quando eu já estava no meio do salão de baixo, Stefan gritou algumas vezes me chamando. Voltei desconfiada e triste, e subi as escadas, olhando de soslaio para todos. Finalmente, o clérigo Arthur começou a realizar o ritual.
O meio dragão começou a desenhar símbolos arcanos no chão e me pediu para me deitar no meio. Eu estava extremamente nervosa, tremia dos pés à cabeça. Se algo desse errado, não teria mais volta. Nem as essências que ele me deu estavam me ajudando a ficar mais tranquila. Precisei de três.
Ele pegou o coração de Cassandra, começou a recitar algumas palavras e, de repente, eu senti uma dor excruciante, como se o meu próprio coração estivesse sendo arrancado. As batidas estavam mais e mais rápidas. O barulho e a dor que aquilo fazia me deixavam tonta e enjoada, até que eu vi o clérigo despedaçar o coração com uma de suas mãos.
Então, eu apaguei.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/liMMQEB7PuY
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Até breve!
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