Épico e aquático – Pétalas de rosas

O ritmo de batalha dos Desafiantes de Yuvalin é sempre frenético. Principalmente, quando a vida de um dos integrantes está em risco. Ainda mais quando alguém que ela ama está morrendo pela segunda vez.


Ouvi sons como lanças caindo e atingindo alguém que caiu. Provavelmente, Stefan. Além disso, vi que o Kroll ficou preso nas plantas que eu tinha encantado para enredar nossos inimigos. Um deles atirou com um arco na direção dos meninos, mas acho que errou porque não ouvi nenhum som imediatamente. Mas o outro acertou o minotauro.

Ouvi o Toshinori gritar que eu não precisava me preocupar mais porque os Desafiantes estavam ali. Me debati e tentei me desamarrar, mas as cordas estavam muito bem amarradas, então, me arrastei pelo chão. Vi Hyoda e Kroll tentando se desvencilhar das gavinhas e, em pensamento, desfiz o encantamento, liberando as plantas e meus aliados.

O  tambor do Joseph soou e Toshinori pulou por cima do bárbaro e do minotauro, pousando diante dos nossos inimigos, bem de frente pra nós. Ao ver isso, Lazam me puxou pelo cabelo e pôs uma adaga no meu pescoço. Senti o corte doloroso e o sangue começar a escorrer. Eu suava frio e arfava. Meu pai estava morrendo e eu seria a próxima. O barão gritou para que todos se afastassem. Fechei meus olhos e fiz preces. Só ouvia os barulhos de armas e sentia o corte, os braços amarrados. E o calor de uma bola de fogo que atingiu os meninos.

Quando abri os olhos, Toshinori e Hyoda estavam no chão. No entanto, o bárbaro em fúria destruiu por completo um dos inimigos, em vez de me ajudar. Mas eu entendo, é claro. Era uma bola de fogo. O Kroll tem memórias ruins disso. Enquanto isso, outro mercenário atirou no crocodilo.

Toshinori gritou para que Kroll mordesse o biomante que estava brilhando. Mas ele mesmo não conseguiu bater no mago. Eu estava em desespero. Completo desespero. Uma adaga cortando meu pescoço, meus amigos se batendo e meu pai morrendo – DE NOVO.

Enquanto o minotauro se aproximava de mim, o barão puxou a adaga e enfiou no meu peito. Olhei o sangue brotando e, felizmente, não foi um corte profundo. Só não deu tempo de pensar em nada porque ouvi um tiro. No susto, fechei os olhos e ouvi os gritos de Lazam. Stefan poderia ter me matado, mas conseguiu acertar o barão. Momentos em que o Stefan sabe ser bem insuportável, mas é extremamente útil.

Muitos gritos pairavam no ar daquela caverna. Gritos de dor do barão, dos seus servos, dos meus amigos. De repente, o chão ao redor do caixão onde estava Sir Starkey brilhou mais forte, no entanto, sua voz cessou e a caixa parou de se sacudir.

Em fúria, Kroll desceu seu machado sobre o biomante, atravessando o campo de força ao redor do mago. O biomante caiu, jorrando sangue. Hyoda levantou suas katanas em chamas ao meu lado, jogou o Lazam na parede de trás e cortou o corpo do hynne em vários pedaços. O fogo era tão intenso que, até mesmo, as amarras que me prendiam se soltaram.

Eu gritei enlouquecida para que tirassem meu pai do caixão. Me desvencilhei das amarras e supliquei por um milagre a Allihanna e aqueles raios de luz emanaram do meu corpo ao encontro de todos os que estavam feridos na sala.

Nos preparamos para arrancar meu pai daquela caixa horrorosa que o prendia. Todos batemos juntos com nossas armas ou mãos. O campo de força se desfez, as correntes caíram e a luz no chão se apagou. Corri para tirar a tampa do caixão, abri e vi meu pai totalmente sem vida lá dentro. Ele parecia qualquer outro esqueleto dentro de uma tumba, sem nem uma rosa para presentear seu rosto.

Comecei a chorar como uma criança, gritando para que meu pai voltasse. Desespero total. Perdi alguém que não sabia que tinha logo após ter encontrado. Enquanto eu gritava, suplicante, uma rosa nasceu no lugar do olho direito de meu pai e um movimento, como de alguém que respira profundamente, alongou seu tórax por um instante.

Meu coração saltava nessa mistura de sentimentos e um sorriso dele dizendo que ainda precisava se acostumar a não respirar me fez voltar a chorar como uma criança, mas, dessa vez, de profunda alegria. Nos abraçamos, mesmo ele ainda dentro do caixão. Por longos segundos, fomos só nós dois, pai e filha, emocionados.

Meu pai saiu do caixão e caiu. Ele não conseguia ficar de pé. As pernas não funcionavam mais. Se arrastando, ele foi até o corpo estraçalhado do barão, fechou os olhos do ex-amigo e disse que não havia outro jeito, ele merecia o fim pelo que fez. Sir Starkey suspirou mais uma vez, nos agradeceu e perguntou quem iria carregá-lo a partir daquele momento.

Stefan se adiantou, mas não em resposta proativa. Ele convidou o Caique para se juntar a nós – claro que com o objetivo de carregar meu pai. Mas ele respondeu que tinha uma dívida com o vilarejo. Eu não tinha dimensão do que tinha acontecido naquela noite do lado de fora, mas imaginava que, para os meninos estarem ali, o vilarejo poderia estar devastado.

O jovem Caique

Os meninos, principalmente o paladino, queriam o dinheiro do barão. UM ABSURDO. O dinheiro era do vilarejo e eu apoiava por completo que Caique se colocasse a favor do seu povo. Eu argumentei contra Stefan e, até mesmo, Toshinori que o vilarejo precisava ser bem cuidado após o ocorrido, o povo não devia pagar pelo que Lazam fez.

Meu pai analisava o jovem loiro junto de nós. Perguntou sobre a história de Caique e disse que via honra no jovem. Ele não se lembrava de onde era exatamente, mas que o próprio barão havia cuidado dele desde bem pequeno. Sir Starkey puxou sua espada para sagrá-lo cavaleiro, afinal, como Edward salientou, para reger um vilarejo, era necessário ter um título como esse.

Eu ajudei meu pai a se levantar e o segurei para que ele pudesse fazer o ritual de sagrar Caique um cavaleiro. Stefan me ajudou, fazendo uma cadeira para que meu pai sentasse. Após a bênção a Caique, o jovem se levantou e puxou sua espada em um ato pomposo de um novo cavaleiro. Imediatamente aquela espada ficou em chamas e nós olhamos espantados para aquilo. Ele nos contou depois que só sabia que todas as espadas que tocava tinham o mesmo efeito em suas mãos.

Caique nomeou Hyoda como seu auxiliar, já que, prontamente, o minotauro se disponibilizou a ajudar o vilarejo. Também aproveitei aquele momento, depois da entrega daquela cadeira, para agradecer o Stefan. Fiquei um pouco confusa com o fato de ele estar sendo bem útil ultimamente. Além disso, comentei sobre a gente conversar depois sobre algo permanente para permitir que meu pai se locomovesse.

Assim que saímos da caverna e passamos pela porta da capela, meu pai, simplesmente, caiu com a cadeira esfacelada. Hyoda começou a carregá-lo e encontramos Joseph conversando com uma criança. Estava amanhecendo e pude ver ao redor com clareza como tinha sido aquela noite. Haviam corpos e muita bagunça ao redor do castelete. Abracei meu pai e me certifiquei de que o minotauro estava dando apoio a ele. Então, comecei a conversar com as pessoas para consolá-las e a curar os feridos com pequenos milagres de Allihanna.

Também fiz nascer algumas plantas que serviram para ajudar meus aliados a tratar do enterro dos corpos, ao menos como uma homenagem a eles. Passamos todo aquele dia ajudando no que podíamos ali no vilarejo. Toshinori liderou um emocionado discurso fúnebre, mesmo que a maior parte dos mortos não fosse muito chegada aos habitantes do local.

Caique também fez um discurso emocionado e que, finalmente, despertou algum interesse dos moradores de Ermo Esquecido, uma vez que, ao que parece, a nobreza morta naquela noite se importava bem pouco com as pessoas do vilarejo. O jovem trocou o nome do vilarejo para Ermo Lembrado e anunciou que promoveria mudanças significativas ali a partir daquele momento.

É difícil explicar tudo o que eu estava sentindo. Meu pai e eu estávamos juntos agora, eu estava cumprindo minha missão como aventureira e sob a bênção da deusa. Não foi uma noite de festa, foi uma noite de alívio e de recomeços. Muitos estavam traumatizados, outros tinham esperanças de que somente agora a vida iria melhorar. Eu acreditava que a jornada estava apenas começando.

Divaguei sozinha antes de dormir por alguns minutos. Então, meu pai se juntou a mim, trazido por Edward. Dormi nos jardins, sob as estrelas. Meu pai acariciava meus cabelos e eu, que tinha chorado como criança pela possível perda dele, era consolada por ele mesmo como uma criança no colo de seu pai.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://www.youtube.com/watch?v=H1fvTZJNYTM

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Até breve!

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