O choque cultural continua para Helga enquanto ela e os demais Desafiantes de Yuvalin atravessam Valkaria. Além disso, a desigualdade e os dramas sociais estão cada vez mais aparentes.
Mal saímos no meio daquele mundaréu de gente, de cacofonias e cheiros estranhos, passando por aquela praça que passei ontem, vozes extremamente harmoniosas e bonitas chamaram a atenção de um grupo grande de outras pessoas. E da gente também. Eram clérigas de Marah cantando e dançando no meio da praça.
Os meninos ficaram doidos. Leah começou a rosnar (?) para o Kroll quando ele viu uma outra moreau leoa no meio das clérigas. Pela primeira vez, vimos nosso amigo suar a vera. A coisa ficou, ainda, mais complicada quando, de repente, elas começaram a se despir. Isso mesmo, elas ficaram nuas no meio da praça enquanto riam, cantavam e dançavam.
Eu olhei meio confusa para os lados, pensando se isso era algo realmente comum em cidades grandes. Sei lá! Vai que as pessoas simplesmente ficam nuas nas ruas e isso é algo normal em absoluto. Eu sou uma jovem do interior, nunca vi nada parecido.
Entretanto, aparentemente, não era algo tão comum assim, porque várias pessoas que estavam assistindo ao show começaram a gritar que o que elas faziam era um absurdo e um atentado ao pudor. Eu fiquei, sinceramente, aliviada. Não queria seguir o ritual.
Não tardou para que a guarda intervisse. Eles chegaram a bater nelas com bastões de guarda para dispersar o show. As moças saíram catando as roupas e rindo, como se fossem ninfas. Foi uma cena chocante e surreal. Perguntei ao Toshinori, que estava sorridente e extasiado, se era sempre assim em Valkaria. Ele deu a resposta mais vaga possível. Era a tal da liberdade.
Puxei o cercadinho para que continuássemos a jornada. Queríamos chegar logo à fazenda da família do Toshinori. O show tinha acabado mesmo, era mais que hora de seguir.
Conforme avançamos, as casas foram ficando, digamos, mais feias. Tudo começou a ficar bem irregular, ruas começaram a ficar estreitas. Nos deparamos com um prédio enorme de pedra, a Rocha Cinzenta, prisão onde estariam reunidos os piores criminosos do Reinado.
Aos poucos, as casas deram lugar a barracos e as ruas, a vielas. Uma explosão aconteceu de um lado do caminho e me deu um susto, mas era só um goblin todo chamuscado tentando construir alguma coisa. Estávamos na Favela dos Goblins.

Em alguns becos, vimos cenas deploráveis de pessoas jogadas nas ruas. Usuários de entorpecentes, provavelmente, achbuld. Muito triste ver os caminhos terríveis que a liberdade também pode levar.
A engenhosidade dos goblins, por outro lado, era cheia de itens inusitados. Vimos casas feitas inteiramente de portas, outras feitas de tudo aquilo que sobra de uma engenhoca, até mesmo uma casa que, simplesmente, ganhou rodas e saiu pela rua, quase nos atropelando. O goblinzinho teve a audácia de pronunciar alguma expressão que eu acredito ter sido um xingamento. Ao que Toshinori respondeu à altura.
Pelo que o paladino falou, a casa dele na fazenda era para apoiar os goblins que viviam na região. Então, ele mandou chamar o governante de nome engraçado que eu não gravei, empregado responsável por todo o serviço da fazenda.
O tal goblin apareceu depois de um tempo, enquanto andávamos, com as mãos nos flancos e uma cara fechada. Até ver Toshinori. Ele até chorou e gritou de emoção ao ver nosso amigo. O paladino abraçou-o bem forte e o pobrezinho quase ficou sem ar, saudando com saudade e alegria. Eles conversaram por alguns momentos e, depois, nos apresentou.
Aproveitei para perguntar, é claro, se ele sabia sobre os podres de Toshinori. Ele ia falar algo, mas o paladino não deixou o goblin continuar. E, então, eles começaram a nos conduzir à frente, rumo à fazenda. O cheiro da favela era péssimo, porém, eles disseram que o bairro melhorou muito.
Ache estranho ou não, na mesma viela onde estávamos, que devia ser uma principal da favela porque era mais larga, nos deparamos com outro grupo de aventureiros. Só que eles eram bem pouco discretos e estavam rindo de tudo e fazendo uma bagunça no lugar. Chutaram uma poça de lama para atingir uma criancinha goblin e, simplesmente, riram. Bom, a criancinha também riu deles depois.
Quem eles pensavam que eram? Toshinori tentou intimidá-los e, de repente, surgiram vários goblins enormes e bugbears empunhando armas e falando algo no idioma deles que eu não compreendi, mas percebi que era uma grave ameaça. Batendo sua arma no chão, o paladino gritou para que os aventureiros deixassem as coisas e partissem, para que as coisas não piorassem para o lado deles. Eu fiquei com medo.
Eles não quiseram deixar seus pertences, obviamente, apesar da ameaça. Então, Toshinori pegou a camiseta da criança goblin, suja de lama, e tentou esfregar na cara deles. Mas eles não deixaram e pediram para deixá-los apenas ir embora. A gangue de goblins enormes e outros seres gritou mais alguma coisa ininteligível e meu amigo nos incentivou a, simplesmente, deixar para lá e irmos embora, como se não tivéssemos visto nada.
Como eu não entendi do que se tratava, só aceitei a recomendação do nosso paladino e o segui. O único que parecia ter entendido também era Stefan e ele estava ansioso para sair dali. Alguns segundos depois, um barulho altíssimo de armas disparando foi ouvido e, então, entendi do que se tratava. Não me dignei nem a olhar para trás.
Estava assustada e Stefan tentou me convencer de que aquilo era natural. Definitivamente, não era. Mata-se apenas para sobreviver, para se alimentar e quando há uma ameaça com quem não se consegue resolver na conversa. Não é natural matar só porque fizeram algo de que não se gostou.
Continuamos andando, eu em reflexões. Preferia viver na pequena Yuvalin, ao lado de Goro e em situações menos absurdas que as que presenciei em Valkaria. Definitivamente, eu não servia para morar em uma cidade tão grande.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/tGEzr0s2uoE
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Até breve!
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