A noite chegou para os Wayne de Gotham

Sabe aqueles livros que a gente compra ou pega sem ter muita certeza se vai ser uma boa ideia ler? Não porque eles não sejam bons, mas porque podem não ser a nossa cara, nosso tipo de leitura que cativa e faz a gente ir até o fim.

Essa foi a sensação que eu tive quando peguei Wayne de Gotham na prateleira da editora Leya, na Bienal do Livro de 2017, no Rio de Janeiro. Pensei: “vou ler primeiro os outros livros que acho que vou gostar mais e deixo esse por último”. Ainda fiz uma votação nos stories do Instagram para ver se leria esse ou outro primeiro. Decidi ler os dois ao mesmo tempo (recomendo a experiência pelo menos uma vez na vida). Terminei Wayne de Gotham primeiro pelos seguintes motivos.

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Primeiro, ele me surpreendeu. Tracy Hickman, o autor, soube montar a trama de um jeito que instiga você a querer saber mais sobre o submundo de Gotham, a família Wayne, os crimes e vilões. Além disso, os detalhes de cada passagem, desde o que os personagens principais pensam até a forma como socos e pontapés foram desferidos contra os antagonistas, são riquíssimos e chamam a atenção. Claro que, se você é do tipo que sofre lendo, por exemplo, O Senhor dos Anéis pela quantidade de detalhes, pode ficar levemente nervoso com isso (fique tranquilo, é bem menos que LOTR).

Segundo, é possível explorar mais que o Batman encurralando vilões e dando fim a grandes crimes na cidade. O livro fica indo e voltando na história da família Wayne que, por vezes, se confunde com a própria história de Gotham. A escuridão é parte integrante de tudo, o passado é obscuro, o presente também, as motivações. Grandes revelações são feitas, gerando aquela levantada de sobrancelha diante de cada uma. Você pode amar e odiar o personagem, mudando de opinião em questão de segundos.

Terceiro, é uma leitura inteligente. Bruce Wayne é um cara inteligente e permite, por seus pensamentos, nos fazer refletir sobre alguns assuntos da nossa própria vida e sociedade. Você pode não concordar com ele, tem total direito de fazê-lo, mas não desmereça suas considerações. Afinal, ele é o Batman! (Desculpa se isso foi um spoiler para você, mas… né?!)

Aquele livro que eu achei que ficaria acumulando poeira na estante se tornou um livrão, a medida que fui me debruçando sobre ele. Não tive muitas oportunidades para ler os quadrinhos do Batman, infelizmente. Apelei mais para o visual nas animações quando era mais nova. Ainda assim, sabendo um pouco mais que o básico, a leitura me permitiu adentrar a história do cruzado encapuzado e compreender seus medos, sua dor e sua vida.

Por isso, digo que você pode ler sem se sentir tão poser e aprender um pouco mais. Principalmente, se você admira o herói de longe, como eu. Boa leitura!

Aline Gomes

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