Épico e aquático – A cidade barulhenta

Helga e os Desafiantes têm um desafio enorme: atravessar Valkaria. Nem eles têm noção da bagunça que pode ser isso. Mas eles têm uma missão, é bom sempre lembrar isso.


Nós fomos tapeados – para variar. Era meio óbvio que em Valkaria isso aconteceria. Me surpreendo, na verdade, por ter sido tão pouco. Dado o nosso histórico, qual a chance de não sermos tapeados, pelo menos, umas 200 vezes em apenas um dia?

Dessa vez, foram crianças. Quem suspeitaria? Tanta gente se esbarrando em mim e em todos nós, só senti minha mochila ficando mais leve, moedas estalando no chão e crianças correndo e gritando. Perdemos valores consideráveis, no entanto, era praticamente impossível alcançar os ladrões com aquela quantidade absurda de gente que eu nunca tinha visto em toda a minha vida.

O bairro Mercado da barulhenta Valkaria

Kroll e Joseph tentaram correr atrás dessas crianças benditas, mas sem muito sucesso. Ainda demorou um tempão até nos encontrarmos outra vez. Consegui colocar o pessoal de volta ao cercadinho na loja Império Bélico. Tive uma leve discussão com Stefan, também para não perder o costume, sobre as razões de ir para aquela loja e sobre nos separarmos no Mercado. Como sempre, Stefan sabendo ser bem insuportável. Ele disse querer itens, mas foi direto ao ponto quando perguntou sobre o leilão em Aslothia.

O anão ferreiro da loja não fazia ideia e não queria saber qualquer coisa sobre aquele lugar. Aproveitei para perguntar se, mesmo que ele não fizesse negócios por aquelas bandas, alguém que ele conhecia faria. O anão respondeu que um longo passeio pelo Mercado nos faria conhecer. Isso não ajudou muito.

O que não ajudou muito também foi Toshinori querendo empurrar as pedras de aço-rubi para o anão. Stefan, ainda, conseguiu ofendê-lo com a menção de que Zakharov estaria mais evoluída que o nosso anfitrião. O anão se sentiu desafiado a mostrar suas belezuras a todo o grupo e eu tentava, sem sucesso, fazer os meninos focarem na nossa missão. Não fazíamos ideia de quando aconteceria o leilão, então, não podíamos mais perder tempo.

O arsenal era, realmente, diferenciado. Fiz questão de lembrá-los sobre a total responsabilidade deles em recuperar suas armas, caso perdessem. Ainda mais sem dinheiro, depois do causo com as crianças. Joseph, inclusive, estava do lado de fora, tocando e cantando para tentar recuperar algum valor.

Nos encaminhamos para uma taverna, a Boca Cheia. Jantamos juntos e, antes de eu me alojar em algum canto, passeei por uma praça próxima, a fim de encontrar algum pássaro que pudesse levar mais uma carta para Goro. Queria contar brevemente sobre as últimas notícias: o encontro com meu pai e nossa chegada a Valkaria.

Com tantas pessoas mendigando comida nas praças, eu tive medo de dormir ao relento e precisei fazer crescer árvores frutíferas para que essas pessoas não avançassem em mim. Encontrei um pombo que me pediu apenas grãos para fazer o serviço e enviei a carta. Mas confesso que descansei um grande nada na taverna. Pensei em dormir no telhado, mas o taverneiro não deixaria. Muito barulho do lado de fora, aquela cidade nunca dormia. Me senti como se estivesse tentando dormir abraçada à forja central de Yuvalin.

Com saudade do quarto do Goro, de manhã, apesar das grandes olheiras que eu tinha no rosto, os meninos pareciam ter dormido como reis. Acredite se quiser, foi Stefan quem pagou a estadia de todos. Após o café da manhã, saímos novamente para aquela muvuca desenfreada, para chegarmos à casa dos pais de Toshinori.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/tGEzr0s2uoE

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Até breve!

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Épico e aquático – Pétalas de rosas

O ritmo de batalha dos Desafiantes de Yuvalin é sempre frenético. Principalmente, quando a vida de um dos integrantes está em risco. Ainda mais quando alguém que ela ama está morrendo pela segunda vez.


Ouvi sons como lanças caindo e atingindo alguém que caiu. Provavelmente, Stefan. Além disso, vi que o Kroll ficou preso nas plantas que eu tinha encantado para enredar nossos inimigos. Um deles atirou com um arco na direção dos meninos, mas acho que errou porque não ouvi nenhum som imediatamente. Mas o outro acertou o minotauro.

Ouvi o Toshinori gritar que eu não precisava me preocupar mais porque os Desafiantes estavam ali. Me debati e tentei me desamarrar, mas as cordas estavam muito bem amarradas, então, me arrastei pelo chão. Vi Hyoda e Kroll tentando se desvencilhar das gavinhas e, em pensamento, desfiz o encantamento, liberando as plantas e meus aliados.

O  tambor do Joseph soou e Toshinori pulou por cima do bárbaro e do minotauro, pousando diante dos nossos inimigos, bem de frente pra nós. Ao ver isso, Lazam me puxou pelo cabelo e pôs uma adaga no meu pescoço. Senti o corte doloroso e o sangue começar a escorrer. Eu suava frio e arfava. Meu pai estava morrendo e eu seria a próxima. O barão gritou para que todos se afastassem. Fechei meus olhos e fiz preces. Só ouvia os barulhos de armas e sentia o corte, os braços amarrados. E o calor de uma bola de fogo que atingiu os meninos.

Quando abri os olhos, Toshinori e Hyoda estavam no chão. No entanto, o bárbaro em fúria destruiu por completo um dos inimigos, em vez de me ajudar. Mas eu entendo, é claro. Era uma bola de fogo. O Kroll tem memórias ruins disso. Enquanto isso, outro mercenário atirou no crocodilo.

Toshinori gritou para que Kroll mordesse o biomante que estava brilhando. Mas ele mesmo não conseguiu bater no mago. Eu estava em desespero. Completo desespero. Uma adaga cortando meu pescoço, meus amigos se batendo e meu pai morrendo – DE NOVO.

Enquanto o minotauro se aproximava de mim, o barão puxou a adaga e enfiou no meu peito. Olhei o sangue brotando e, felizmente, não foi um corte profundo. Só não deu tempo de pensar em nada porque ouvi um tiro. No susto, fechei os olhos e ouvi os gritos de Lazam. Stefan poderia ter me matado, mas conseguiu acertar o barão. Momentos em que o Stefan sabe ser bem insuportável, mas é extremamente útil.

Muitos gritos pairavam no ar daquela caverna. Gritos de dor do barão, dos seus servos, dos meus amigos. De repente, o chão ao redor do caixão onde estava Sir Starkey brilhou mais forte, no entanto, sua voz cessou e a caixa parou de se sacudir.

Em fúria, Kroll desceu seu machado sobre o biomante, atravessando o campo de força ao redor do mago. O biomante caiu, jorrando sangue. Hyoda levantou suas katanas em chamas ao meu lado, jogou o Lazam na parede de trás e cortou o corpo do hynne em vários pedaços. O fogo era tão intenso que, até mesmo, as amarras que me prendiam se soltaram.

Eu gritei enlouquecida para que tirassem meu pai do caixão. Me desvencilhei das amarras e supliquei por um milagre a Allihanna e aqueles raios de luz emanaram do meu corpo ao encontro de todos os que estavam feridos na sala.

Nos preparamos para arrancar meu pai daquela caixa horrorosa que o prendia. Todos batemos juntos com nossas armas ou mãos. O campo de força se desfez, as correntes caíram e a luz no chão se apagou. Corri para tirar a tampa do caixão, abri e vi meu pai totalmente sem vida lá dentro. Ele parecia qualquer outro esqueleto dentro de uma tumba, sem nem uma rosa para presentear seu rosto.

Comecei a chorar como uma criança, gritando para que meu pai voltasse. Desespero total. Perdi alguém que não sabia que tinha logo após ter encontrado. Enquanto eu gritava, suplicante, uma rosa nasceu no lugar do olho direito de meu pai e um movimento, como de alguém que respira profundamente, alongou seu tórax por um instante.

Meu coração saltava nessa mistura de sentimentos e um sorriso dele dizendo que ainda precisava se acostumar a não respirar me fez voltar a chorar como uma criança, mas, dessa vez, de profunda alegria. Nos abraçamos, mesmo ele ainda dentro do caixão. Por longos segundos, fomos só nós dois, pai e filha, emocionados.

Meu pai saiu do caixão e caiu. Ele não conseguia ficar de pé. As pernas não funcionavam mais. Se arrastando, ele foi até o corpo estraçalhado do barão, fechou os olhos do ex-amigo e disse que não havia outro jeito, ele merecia o fim pelo que fez. Sir Starkey suspirou mais uma vez, nos agradeceu e perguntou quem iria carregá-lo a partir daquele momento.

Stefan se adiantou, mas não em resposta proativa. Ele convidou o Caique para se juntar a nós – claro que com o objetivo de carregar meu pai. Mas ele respondeu que tinha uma dívida com o vilarejo. Eu não tinha dimensão do que tinha acontecido naquela noite do lado de fora, mas imaginava que, para os meninos estarem ali, o vilarejo poderia estar devastado.

O jovem Caique

Os meninos, principalmente o paladino, queriam o dinheiro do barão. UM ABSURDO. O dinheiro era do vilarejo e eu apoiava por completo que Caique se colocasse a favor do seu povo. Eu argumentei contra Stefan e, até mesmo, Toshinori que o vilarejo precisava ser bem cuidado após o ocorrido, o povo não devia pagar pelo que Lazam fez.

Meu pai analisava o jovem loiro junto de nós. Perguntou sobre a história de Caique e disse que via honra no jovem. Ele não se lembrava de onde era exatamente, mas que o próprio barão havia cuidado dele desde bem pequeno. Sir Starkey puxou sua espada para sagrá-lo cavaleiro, afinal, como Edward salientou, para reger um vilarejo, era necessário ter um título como esse.

Eu ajudei meu pai a se levantar e o segurei para que ele pudesse fazer o ritual de sagrar Caique um cavaleiro. Stefan me ajudou, fazendo uma cadeira para que meu pai sentasse. Após a bênção a Caique, o jovem se levantou e puxou sua espada em um ato pomposo de um novo cavaleiro. Imediatamente aquela espada ficou em chamas e nós olhamos espantados para aquilo. Ele nos contou depois que só sabia que todas as espadas que tocava tinham o mesmo efeito em suas mãos.

Caique nomeou Hyoda como seu auxiliar, já que, prontamente, o minotauro se disponibilizou a ajudar o vilarejo. Também aproveitei aquele momento, depois da entrega daquela cadeira, para agradecer o Stefan. Fiquei um pouco confusa com o fato de ele estar sendo bem útil ultimamente. Além disso, comentei sobre a gente conversar depois sobre algo permanente para permitir que meu pai se locomovesse.

Assim que saímos da caverna e passamos pela porta da capela, meu pai, simplesmente, caiu com a cadeira esfacelada. Hyoda começou a carregá-lo e encontramos Joseph conversando com uma criança. Estava amanhecendo e pude ver ao redor com clareza como tinha sido aquela noite. Haviam corpos e muita bagunça ao redor do castelete. Abracei meu pai e me certifiquei de que o minotauro estava dando apoio a ele. Então, comecei a conversar com as pessoas para consolá-las e a curar os feridos com pequenos milagres de Allihanna.

Também fiz nascer algumas plantas que serviram para ajudar meus aliados a tratar do enterro dos corpos, ao menos como uma homenagem a eles. Passamos todo aquele dia ajudando no que podíamos ali no vilarejo. Toshinori liderou um emocionado discurso fúnebre, mesmo que a maior parte dos mortos não fosse muito chegada aos habitantes do local.

Caique também fez um discurso emocionado e que, finalmente, despertou algum interesse dos moradores de Ermo Esquecido, uma vez que, ao que parece, a nobreza morta naquela noite se importava bem pouco com as pessoas do vilarejo. O jovem trocou o nome do vilarejo para Ermo Lembrado e anunciou que promoveria mudanças significativas ali a partir daquele momento.

É difícil explicar tudo o que eu estava sentindo. Meu pai e eu estávamos juntos agora, eu estava cumprindo minha missão como aventureira e sob a bênção da deusa. Não foi uma noite de festa, foi uma noite de alívio e de recomeços. Muitos estavam traumatizados, outros tinham esperanças de que somente agora a vida iria melhorar. Eu acreditava que a jornada estava apenas começando.

Divaguei sozinha antes de dormir por alguns minutos. Então, meu pai se juntou a mim, trazido por Edward. Dormi nos jardins, sob as estrelas. Meu pai acariciava meus cabelos e eu, que tinha chorado como criança pela possível perda dele, era consolada por ele mesmo como uma criança no colo de seu pai.


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Épico e aquático – A maldição

Os Desafiantes de Yuvalin ainda estão na cripta onde Sir Starkey estáva enterrado e, agora, a Helga tem um baita problemão para resolver e não sabe nem por onde começar.


A silhueta era um minotauro. Ele gritava pedindo ajuda. Hyoda fora preso enquanto caçava um oni, uma espécie de demônio. Stefan me pediu para que eu consagrasse a área a Allihanna, assim, aquela contenção arcana, a parede mágica profanada, se desfaria. E assim aconteceu.

Hyoda caiu de joelhos, ofegante assim que a barreira se desfez. Ele estava há muito tempo preso ali, mas não se lembrava de nada a não ser que havia um necromante junto com o oni. Stefan já ofereceu a ele participar dos Desafiantes de Yuvalin, assim, sem cerimônia, mesmo sem ter condições de fazer isso. Eu só esperava que ele estivesse em paz e não trouxesse nenhuma surpresa desagradável.

Hyoda

Decidimos avançar. Voltar para a outra sala e descer as escadas para o outro lado. Lentamente, os meninos foram à frente e tudo era escuridão, apesar do símbolo sagrado de Valkaria que Toshinori portava, enquanto descíamos. Nos deparamos com um corredor com tochas e grades dos dois lados.

Eram celas com as grades entreabertas. Analisei os ossos dos corpos espalhados em cada uma, ossos de kliren – até brinquei com o Stefan dizendo que aqueles deviam ser parentes dele e não meus – e ossos humanos. Avançamos.

No final do corredor, havia uma mesa. Um livro e um coração estavam sobre ela. Resolvi investigar o coração, ele estava sobre o símbolo de Tenebra desenhado na mesa. Todos estavam tentando entender o que significava aquilo, conjecturando e consultando seus próprios deuses.

Aquele poderia ser o coração do meu pai que, agora, estaria dedicado à deusa da Noite. Os escritos ao lado do coração estavam borrados, mas eu tinha ciência de que poderia ter uma magia muito forte envolvida ali. No ímpeto de tentar entender e descobrir se aquele coração era do meu pai ou não, fui analisar mais de perto e toquei.

Imediatamente, o coração pulsou em minhas mãos. Bateu como se estivesse vivo, dentro de um corpo vivo. Meu corpo inteiro tremeu, senti o coração sincronizar suas batidas com as do meu próprio. Assustada, larguei o coração sobre a mesa. Mas o som dos pulsos do coração retumbavam em meus ouvidos e não vi e nem ouvi mais nada depois disso.

Quando voltei a mim, vi que os meninos estavam em batalha e o Hyoda estava arfando e ferido. Me concentrei em uma oração a Allihanna e abençoei meus aliados. Como se fosse um perfume em vapor, parecia uma leve explosão emanando de mim, a bênção de Allihanna impregnou na pele dos meninos.

Depois disso, voltei minha atenção ao coração, tentando controlar meus batimentos cardíacos sincronizados a ele. De costas para os meninos, só ouvia eles lutando contra sabe-se lá o que. Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, eu precisava regularizar minha respiração e diminuir os batimentos.

Stefan, no auge da sua inteligência obtusa, teve uma péssima ideia. Ele apontou a sua arma para o coração como ameaçando, caso nossos inimigos avançassem para o grupo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Olhei para ele com uma cara de poucos amigos, dizendo e, praticamente, implorando, para que ele não fizesse essa besteira. O lembrei de que, se ele atirasse, o grupo perderia a Helga.

Claro, o coração estava sincronizado ao meu. Se acelerasse, o meu acelerava também. Eu estava ofegante e suplicando com o olhar para Stefan. Podia não saber exatamente o que tinha acontecido, mas tinha certeza que, se algo acontecesse ao coração, o meu também sofreria.

De repente, senti garras rasgando minhas costas, mas, apesar de eu enrijecer minha pele, ainda me machuquei bastante. Nesse momento, eu percebi, então, que estava me sentindo muito mais fraca do que deveria com aquele golpe. Como se o coração tivesse absorvido minha vida, talvez até a metade dela.

Eu sentia dor e o horror percorria todos os cantos do meu corpo. Precisava controlar o desespero, porque isso significava diminuir os batimentos que estavam extremamente acelerados. Meus olhos estavam embaçados, eu estava tonta e sangrando.

Quando o minotauro golpeou o tal fantasma e o mandou pelos ares, finalmente, o coração começou a se acalmar e a bater mais sincronizado e com certa harmonia ao meu. Stefan olhou para mim e me explicou o que aconteceu: um ritual. Havia um fio mágico ligando os dois corações e que, realmente, se o coração morresse, eu também morreria, a menos que o necromante, criador da maldição, informasse como desfazer. Tudo isso de acordo com o livro que ele leu.

Ele continuou falando várias coisas sobre ter um ponto positivo na maldição e que havia um mapa para um lugar onde esse tal necromante poderia ter ido. Eu estava incrédula. Era como se aquela sala fosse inundada pelo frio das uivantes. Frio, horror e dor.

Coração

A Leah, namoradinha do Kroll, se aproximou com as garras à mostra, mas, antes de tocar o coração, guardou-as. Pegou o coração com as mãos e me disse que eu deveria cuidar dele muito bem. Ela começou a se afastar e pediu para que eu me afastasse também, cada uma para um lado da sala. Então, eu desmaiei.

Acordei com a Leah dizendo que eu não deveria me afastar do coração em hipótese alguma. Peguei um baú pequeno que tinha na mochila e coloquei o coração lá dentro. Tranquei e guardei de volta na mochila. Fiz tudo isso com extremo cuidado.

Joseph chamou nossa atenção para uma corrente de ar que ele sentiu no canto da sala e, depois, me abraçou para me consolar. Quando vi, Stefan estava com uma chave de osso outra vez. Apesar de eu saber que ele tinha usado o osso da minha parente, percebi que ele estava sendo útil para o grupo. Ele abriu uma porta oculta na parede para a saída da cripta.

Hyoda pediu ajuda para derrotar o necromante, mas meio que não tínhamos muita escolha, eu precisava me ver livre da maldição. Decidimos ir de volta para o vilarejo, no entanto, eu, que guiava o grupo, levei-os para um caminho diferente. Só reparei nisso quando olhei para frente e vi uma grande rocha branca e um casebre puído logo abaixo. O mesmo casebre que me apareceu em visão quando eu toquei a espada dentro do túmulo do meu pai. O mesmo dos sonhos do Edward.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/svCMxSdvJrA

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Épico e aquático – Apenas nada e escuridão

Helga descobriu mais uma parte da história de seu pai, mas parece que ainda tem muita coisa para descobrir. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, na Jornada Heróica Coração de Rubi.


O espanto misturado com choro do barão me deixou até um pouco constrangida. Fiquei até com vergonha de ter contado que eu era a filha de Sir Starkey. Ele me abraçou, disse que eu era linda e que realmente tinha traços muito parecidos com meu pai. Agradeci pelas informações e lamentei não o ter conhecido antes de sua morte. Eu mesma fiz questão de levar a espada até a cripta, deixando sobre o túmulo dele.

Lazam prometeu me contar histórias sobre meu pai, pedindo apenas que fôssemos até à cripta para prestar essa homenagem e trouxéssemos, como garantia, uma urna. Ainda nos entregou dinheiro para ajudar.

Toshinori sugeriu que eu pedisse aos deuses uma oportunidade de eu ouvir as últimas palavras do meu pai, mas eu não achei uma boa ideia. Uma parte do grupo queria vender a espada, porque ela deveria valer muito dinheiro, outros acreditavam que ela poderia ser útil em batalha. Eu só queria ir prestar minha homenagem.

Falei ao grupo que, se eles não quisessem me acompanhar, tudo bem. Eu iria de qualquer forma. Então, finalmente, todos concordaram em irmos juntos. Seguimos com as carroças até certo ponto, mas, depois, o caminho se estreitou e ficou difícil seguir com elas. Só sei que, a partir de um determinado momento, eu só andei pelo meio do bosque, ignorando tudo, inclusive as discussões de uma missão normal dos Desafiantes de Yuvalin.

Sem desviar do caminho e nem prestar atenção em qualquer outra coisa

Seguindo por uma trilha na floresta, visualizei uma pedra com um brasão logo à frente. O brasão da família Lazam estava incrustado nesta pedra. Nos aproximamos, Stefan investigando para ver se encontrava armadilhas. Ele disse que poderíamos encontrar coisas que não gostaríamos e que seria interessante nos prepararmos. Pedi, então, que todos ficassem atentos, já que eu estaria focada em conhecer e me despedir do meu pai.

A grande pedra era uma porta contendo, também, um símbolo de Valkaria. Abri a porta e comecei a descer pelas escadas. Curiosamente, as tochas se acenderam assim que começamos a descer. Era uma sala com muitas zonas escuras e de penumbra, iluminada apenas pelas tochas da escada e por Toshinori, com seu símbolo sagrado. Pedi para que ele guardasse a jóia por um instante e consagrei toda a área à Allihanna para nos auxiliar em caso de ficarmos em apuros.

À frente, diversas urnas, flores mortas e teias de aranha. Provavelmente, poderíamos levar qualquer uma das urnas para o senhor Lazam, como prova do nosso serviço. Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta que havia do lado direito. Assim que entrei, vi cinco tumbas com os nomes de alguns parentes escritos sobre elas: Sir Lohrin Starkey, Lady Yubatel Starkey, Lady Bethaniel Starkey, Sir John Smitherin, Sir Anthony Starkey.

O que chamou a atenção, não só minha, mas de todos, é que a tumba do meu pai estava aberta. Me apavorei com o que quer que poderia ter acontecido ali. Stefan se aproximou para analisar do lado de fora e moveu a tampa bem devagar. De repente, um baque silencioso e um som de pedras caindo em profusão do lado de fora. Do lado de dentro da tumba, absolutamente nada. Estava vazia.

Eu estava estarrecida. Estava difícil pensar. Só vi Stefan se encaminhando para a tumba de Lady Yubatel, investigando e mostrando que o osso da bacia dela tinha um pedaço faltando no formato de uma chave. Depois disso, ele começou a investigar tumba por tumba. Eu só estava tentando assimilar tudo e com a mente a mil pensando o que eu poderia fazer nessa situação toda.

Pedi respeito aos meus parentes, uma vez que o inventor estava remexendo em armaduras e ossos dentro das tumbas. O Stefan sabe ser bem insuportável! Aos poucos, todos nós começamos a investigar também, com todo cuidado e, com reverência e respeito, analisei os corpos. Havia ossos faltando de costela, pés, braços, cada um de uma parte diferente. O único, porém, que tinha uma chave recortada de um dos ossos era, realmente, de Lady Yubatel.

Na tumba do meu pai só tinha poeira, teias de aranha, resquícios de fluidos de algum morto já secos, mas nenhum sinal do meu pai. Seu corpo, provavelmente, foi roubado dali. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa com o grupo, algo muito estranho aconteceu. Mais que o que já tinha acontecido naquele dia, ou em toda a minha vida. Minha mente foi sugada para algum lugar, o tempo congelou, e vi um casebre todo ruído no meio de algumas árvores. Exatamente o que Edward tinha compartilhado comigo dos seus sonhos.

Quando voltei a mim, todos me olhavam espantados. Estava com uma das mãos encostada sobre a borda do túmulo e continuava segurando a espada do meu pai. Eu olhava de Edward para o Stefan tirando a espada da minha mão e caindo dentro do túmulo. Briguei com o kliren para que ele tivesse mais respeito pelo meu pai.

Edward, então, nos perguntou sobre as visões. E compartilhei que era a mesma coisa que ele via nos seus sonhos. Logo, ele entrou também no túmulo – quanta falta de respeito desse povo – se ajoelhou e tocou na espada mais uma vez. Ele pareceu ter um ataque e me explicou o que viu: o momento em que meu pai morreu, lutando ao lado de uma mulher loira de vestes vermelhas contra mercenários.

Nosso nobre saiu do túmulo já fazendo um pedido para ficar com a espada. Eu estava muito confusa com tudo o que estava acontecendo. Só sabia que não havia motivo para deixar a espada ali sobre um túmulo vazio. No entanto, me apressei a falar meio que em coro com Toshinori: precisávamos sair daquela cripta primeiro.

Iniciamos um longo processo para tentar sair. Não havia mais escada na outra sala, só pedras e mais pedras umas sobre as outras impedindo qualquer passagem. Já estávamos perdendo o ar, Joseph corria de um lado para o outro só para ajudar a ter bastante falta de ar. Ele desmaiou, eu revirei os olhos e toquei em sua testa para acalmá-lo.

Ficamos um bom tempo discutindo sobre formas de encontrar uma saída. Stefan rodou a sala inteira apalpando as paredes, até sacar uma de suas engenhocas e transformar a cerâmica de uma das urnas em uma chave. Mas não adiantou. Ainda, tive que acalmar Toshinori que estava desesperado. Um paladino desesperado! Enquanto tentava aquietar os ânimos na sala, percebi que o inventor voltou aos túmulos e usava sua engenhoca.

Entendi tudo! Ele estava fazendo a chave com um osso de um dos meus antepassados. O Stefan sabe ser bem insuportável! O paladino, ainda, tentou argumentar dizendo ser necessário. Eu estava estarrecida. Voltei diante dos túmulos para pedir perdão pelos meus amigos.

Assim que retornei à sala, vi Stefan usando a tal chave e uma porta se abriu do outro lado. Pelo menos, foi útil. Que ser maníaco criaria por prazer uma passagem secreta que só é aberta usando uma chave feita dos ossos da bacia de alguém? Esse questionamento só passou pela minha cabeça, pelo visto, porque todos correram logo para atravessar a porta.

Uma chave feita de osso

O primeiro, é claro, foi o paladino, descobrindo armadilhas. Nada novo sob o sol – ou sob as masmorras. Seu grito de dor ecoou por todos os cantos daquela e ele desabou ao meu lado com olhar suplicante. Respirei fundo e fiz uma prece à minha deusa que me concedesse, mais uma vez, a sua graça sobre os ferimentos de Toshinori.

Sem mais armadilhas, o inventor avançou por aquele corredor que era uma escada descendo irregular até mais uma porta, que se abriu para uma câmara. Uma bacia esquisita no centro e uma escada para cada lado: uma subindo e uma descendo. Fiz uma prece a Allihanna para que me orientasse caso houvesse alguma armadilha ou ameaça por perto. Nada. Nenhum arrepio na espinha. Nada.

Para se ter uma noção de como são os Desafiantes, discutimos até sobre se deveríamos pegar a escada que subia ou a que descia. Com um ótimo argumento, Joseph convenceu-nos a subir. Aproveitei para falar que depois queria saber como ele copiava minhas magias.

Subimos e entramos em uma outra sala com uma espécie de parede mágica, brilhante com escritos arcanos. Quando Toshinori entrou, porém, sentimos algo muito estranho, como se algo abençoado guerreasse com algo profanado. Foi quando consegui ver uma silhueta escura, alta e de chifres por trás da parede bruxuleante.


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Até breve!

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Épico e aquático – Respostas começam a surgir

Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.

O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.

Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.

Carrasco de Lena

Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.

O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.

Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.

Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?

Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!

Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.

Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.

Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.

Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.

Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.

No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.

O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.

Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.

Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.

Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.

A espada

Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.

Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.

No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.

Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.

Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.

Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.

Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.

Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.

Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

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Até breve!

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Épico e aquático – Encontros bem aleatórios

A viagem rumo ao tal leilão continua no navio e os Desafiantes de Yuvalin têm alguns encontros bem aleatórios pela frente.


Saí correndo do quarto, me segurando para não cair com o balanço do navio, depois daquela explosão. Cheguei no convés gritando para todos para descobrir o que estava acontecendo. Aparentemente, o alarde todo era porque ladrões abordaram o barco sorrateiramente.

Tomei um susto quando uma aura translúcida em formato de lobo cobriu o Kroll, com um sorriso cheio de dentes. Ele já estava batendo – e eliminando – os bandidos. Eu podia ver bem pouco no escuro, mas a cena de um carinha sendo cortado ao meio foi bem clara para mim.

Do meu lado, tinha um outro carinha tremendo e olhando para mim em desespero. Gritei para a equipe para que eles cuidassem dos ladrões enquanto eu procurava por problemas. Com “problemas” eu quero dizer Stefan. Pelo tamanho do barulho que eu ouvi, era ele. Só que, no escuro, eu precisava encontrá-lo ainda.

Não foi tão difícil, a propósito, uma vez que o capitão gritava xingamentos contra alguém que tinha destruído parte do navio. Não foi difícil adivinhar. Eles estavam próximos ao leme. Subi correndo as escadas naquela direção e encontrei o inventor balbuciando palavras ininteligíveis, com os olhos revirados, enquanto o capitão continuava gritando impropérios.

A batalha no convés já estava animada e eu tinha que acalmar o capitão e cuidar do louco. Ouvi o alaúde do Joseph, os gritos de ordens do Edward e um uivo de lobo. Por uns instantes, gelei imaginando que a Noah estivesse no barco. Essa sensação deu um nó na minha cabeça, até eu me lembrar do Kroll.

Fumaça no navio com a batalha contra os ladrões

Ó minha deusa! Ó Allihanna, roguei por paciência enquanto tocava a testa do Stefan, purificando-o da sua loucura. Pedi paciência porque se ela me concedesse forças, eu acabaria com o inventor. Saí de perto dele para visualizar o resto da batalha no convés do navio.

Tudo estava sob controle. Desci as escadas e encontrei um ladrãozinho imobilizado, pelos menos, na proa, implorando para que não o matássemos. Então, os meninos começaram a interrogar e eu me aproximei do grupo. Como ele só foi ali para roubar a gente mesmo, a gente tomou de volta o que ele roubou e mais algumas coisinhas interessantes.

Kroll levantou o machado porque, aparentemente, ele teria sido roubado por um dos gatunos. Edward tentou controlar a situação para não matar o ladrão. Nisso, Toshinori começou a reclamar com o Stefan porque ele explodiu parte do navio. Eu cruzei os braços e fiquei assistindo a equipe decidir, primeiro, que assunto queriam priorizar e, depois, o que fazer com o prisioneiro.

Finalmente, o golem de vidro, Vitrúvio, saiu de sua cabine e perguntou o motivo de tanta algazarra, estranhamente bem-humorado. Ele não queria mais uma boca para alimentar no barco, então, eu perguntei sobre a existência de um calabouço, apenas para que o ladrão não fosse arremessado na água. Então, ele pegou o gatuno, colocou-o sobre os ombros e desceu as escadas para dentro do navio. Só ouvimos uma risada sua, bem baixinha, depois de alguns segundos.

Retornei aos meus aposentos, concluí a carta para Goro e chamaria alguns pássaros pela manhã para enviar para ele e Silena. Depois do incidente, só queria relaxar mais um pouco e li mais uma parte daquele livro que o Edward trouxe de sua viagem, aquela quando ele perdeu um olho. Fugindo das Águas de Sempre me chamou a atenção pelo título, mas, definitivamente, esse autor não conseguiu encaixar bem o enredo e ficou faltando algo relevante para tornar a história marcante. Se eu não tiver nada para fazer depois, talvez termine de ler. Naquela noite, bastou ler por cinco minutos e eu apaguei.

Pela manhã, senti que as águas por onde passávamos já eram diferentes. Deixamos o Rio Panteão e entramos em território deheoni, pelo Rio Nerull. Mesmo nascida no Reino de Deheon, não me senti em casa, porque nesse rio eu nunca nadei. Estava bem longe de Villent, aliás. É óbvio que eu não ia perder a oportunidade de conhecer mais profundamente essas águas. Antes que Azgher estivesse pouco acima do horizonte, já tinha dado um longo passeio e conhecido vários peixes e outros animais.

A divisa entre Zakharov e Deheon

Retornei ao navio completamente renovada e serena e me sentei encostada à amurada na proa, apreciando a paisagem e reverenciando Allihanna por toda sua glória e majestade. Aos poucos, um a um dos meus companheiros surgiram no convés e trocamos algumas amenidades matinais. Toshinori e Edward tinham o péssimo hábito de urinar na água sobre a ponta da proa, enquanto tinham conversas mais íntimas. Eles passaram bastante tempo juntos, não é?

Em algum momento daquela manhã, Edward me contou individualmente que ele estava tendo um sonho de forma bem corriqueira, o mesmo sonho. Ele me perguntou se eu poderia orientá-lo sobre o que fazer ou se conseguiria interpretar, já que eu estava mais ligada à sabedoria dos deuses.

Falei que sonhos não eram minha especialidade, mas que eles poderiam ter diversos significados. Expliquei que sonhos poderiam ser reflexos de sua própria mente tentando criar possibilidades de coisas que não aconteceram, ou que poderiam ser lembranças, ou que poderiam ser sinais dos deuses, uma visão, um recado enviado por alguém. Como ele estava em busca de ser um guardião da realidade, ele tinha a bênção de vários deuses, o que talvez pudesse significar um sinal. Aconselhei para que ele buscasse ter contato com os deuses, afinal, eles não estavam tão distantes que não pudessem responder a quem os buscasse.

O senhor Vitrúvio também chegou ao convés e entrou em um duelo musical com Joseph. A música foi até legal e eu solfejei uma melodia junto, mas bem baixinho, enquanto olhava a vida marinha abaixo.

Nesses dias no barco, tive que conciliar também o humor dos meus amigos, pois Toshinori estava abstêmio e Joseph nem aguentava mais tocar o próprio alaúde. Stefan sugeriu que o bardo, que também sabia criar algumas coisas, fizesse cerveja para o paladino. Mas o gnomo não entendeu o recado e não fez.

Perto das Quedas de Hynn, retornei ao navio porque o barulho era muito alto e a correnteza estava bem forte. Bem a tempo de impedir de desviarmos nosso caminho para uma caverna que TALVEZ tivessem dragões. Os meninos estavam muito empolgados para ir até lá e é óbvio que eu disse que na volta a gente passaria por lá. Estava curiosa para saber se Edward conhecia algo sobre o lugar, já que ele era meio-dragão. Mas, infelizmente, nenhum parente dele.

As águas próximas ao Bosque dos Trolls estavam meio turvas e espessas. Assim, achei melhor ficar no barco até a situação melhorar. Ao longe, numa das margens, algo se moveu de uma pedra entrando na água. Foi muito rápido! Não deu para identificar o que era, mas eu já fiquei alerta para caso tivéssemos um encontro perigoso. No entanto, não vi e nem senti mais nada.

De repente, uma criatura alaranjada com um tentáculo para frente, meio espinhoso, apareceu no convés. O carrasco de Lena era uma salamandra imensa, com couro rugoso, pernas atarracadas e cauda muito grossa. Ficava lambendo o focinho o tempo todo. Ele estava pronto para comer algo, mas desde que não fôssemos nós esse algo, estava tudo bem.


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Épico e aquático – Uma nova aventura

Ezequias tem uma nova missão para os Desafiantes de Yuvalin e algo totalmente diferente e, provavelmente, perigoso está diante de Helga.


Ezequias disse que sabia o que estava fazendo nos enviando para o leilão, já tirando uma carta de crédito em branco da gaveta e colocando em minhas mãos. Estremeci igual a um bambu movido pelo vento. Ainda perguntei se ele tinha certeza do que estava fazendo. Ele respondeu que confiava na nossa capacidade de negociação.

Agradeci a confiança e disse que essa missão seria uma questão de honra. E de honra, eu agora estava um pouco mais por dentro. Só precisávamos planejar toda a viagem. O que demandou uma grande negociação entre os Desafiantes de Yuvalin, porque alguns queriam passar pela Supremacia Purista. Fora de cogitação!

Ezequias sugeriu descermos até Selentine, porque teria um comerciante da cidade que nos daria uma carona pelo rio. Dali, partiríamos para Valkaria e, de lá, para Wynlla e, pelo mar, chegaríamos a Aslothia. Eu gostei muito da ideia, porque teríamos bastante água pelo caminho e seria menos fácil sermos abatidos no caminho.

A discussão era sobre como sair de Yuvalin e chegar a Aslavi

A namorada do Kroll… digo, Leah, barbaramente rasgou o mapa que Ezequias tinha colocado sobre a mesa, de Aslothia até os Ermos Púrpuras, alegando que estariam perto de casa. Mas esse era um caminho que seria maior.

Finalmente, consegui convencer a equipe a fazer o trajeto mais rápido e menos perigoso, que também foi o que o Ezequias sugeriu. A leoa parecia que ia me comer com os olhos, mas eu estava serena e decidida. Ela também quase quebrou o braço bom do inventor – não fiquei desesperada por isso.

Stefan queria passar pela Supremacia Purista para saber mais sobre o seu passado e ir até à Caverna do Saber, dedicada a Tanna-Toh (Deusa do Conhecimento). Entretanto, decidimos ir pelo caminho mais rápido e voltarmos, talvez, por onde fosse mais interessante. Inclusive, atender o desejo dos bárbaros de fazer um favor ao mundo eliminando alguns puristas.

Depois de roteiro resolvido, precisava dar a notícia a quem dividia a vida comigo. Saí da Guilda direto para a Kanpeki, para conversar com o Goro. Edward também tinha algo a tratar com ele e, então, seguimos juntos até a loja.

Eu não gosto de atrapalhar o serviço do Goro, mas não poderia deixar para depois, então, o chamei para seu escritório. Quando falei sobre a viagem a Aslothia, ele arregalou os olhos de espanto, pois era nada mais e nada menos que a terra dos mortos. Expliquei que era uma missão do Ezequias e me comprometi a escrever para ele sempre que conseguisse.

Meu coração estava dolorido. Porque eu estaria longe não só do Goro, mas da Noah também. Sim! Ela deveria ganhar os filhotinhos nos próximos dias e o próprio Goro falou que seria um risco para ela e para nós seguir viagem assim. Mais uma vez, ele me desejou boa sorte e pediu que eu apenas retornasse para ele.

Me abraçou, me beijou e eu já quase vertia lágrimas. Desde que começamos a namorar e eu passei a ficar mais tempo em sua companhia, sabia que chegaria o momento em que precisaria ir para mais longe e para uma aventura mais perigosa. Mas era uma separação que eu confesso não estar preparada.

“Que Lin-Wu te acompanhe! E Allihanna nunca te deixe!”, Goro me disse. Também prometi trazer souvenirs para ele. Coitado do Edward pediu a um Goro triste marcar suas costas com o símbolo de mais três deuses. Fiquei na oficina até o final do expediente e fomos para casa – já que a viagem seria no dia seguinte.

Foi uma despedida doce, cheia de carinho e urgência. Jantamos juntos, à meia luz. Conversei com a Noah sobre o que aconteceria no dia seguinte e que ela ficaria em casa para ter um parto tranquilo. Ela não queria desgrudar de mim um instante, mas sossegou depois que Goro e eu fizemos carinho nela até que ela adormecesse.

Já nós dois… bom, também fizemos carinho um no outro até dormir. Acho que foi a nossa melhor noite juntos. Era tanto amor que não cabia na gente! Só queríamos que o tempo parasse e pudéssemos permanecer para sempre naquele momento.

Mas o dia da partida chegou e, para não se sentir tão sozinha, Noah foi fazer companhia a Goro na Kanpeki. Seria bom, disse ele, para que eu estivesse sempre nas suas lembranças. Como meu trajeto era para o outro lado da cidade, me despedi, finalmente, deles, na porta de casa. Aquele abraço que, acho, durou muitos minutos.

Devo ter regado várias plantas no caminho para o Porto Vahrim, onde encontrei os Desafiantes de Yuvalin. Nossa carona era um tal de Vitrúvio, um golem de vidro muito engraçado, ou metido a piadista. Informamos que éramos os enviados de Ezequias. Entrei no navio e deixei as minhas coisas em uma cabine, porém, pretendia passar parte da viagem na água. Descer o Rio Panteão seria um grande prazer.

Logo nas primeiras horas de viagem, Joseph resolveu cantar no convés e os marujos o acompanhavam. Enquanto isso, eu estava na água, brincando e cantando com os peixes, mas era muito mais uma respiração deles me acompanhando do que cantando propriamente dito.

Para minha tristeza (e raiva), o inventor quis testar como seria me chamar para o navio, em caso de necessidade. Então, ele atirou para o alto, fazendo um estrondo e espantando todos os animais. Eu pulei para o barco e dei um tapa na cara dele. O Stefan sabe ser bem insuportável!

No entanto, ele não foi o único insuportável. Toshinori e eu travamos algumas ofensas sobre a forma como ele acreditava que deveria me chamar. A tripulação achou que ia sair briga de verdade. Por fim, pedi que fossem mais criteriosos quando fossem me chamar. Assim, voltei para a água. Como sereia e não peixe, precisava retornar ao navio volta e meia para restabelecer minha temperatura corporal, me alimentar e tudo o mais humano que eu deveria fazer. Até porque as águas do Rio Panteão são extremamente geladas.

Viagem pelo Rio Panteão

Em uma das vezes que estava no convés, avistamos a Fortaleza de Destrukto, uma paisagem bem tamuraniana. Enquanto o capitão do navio discorria sobre a história da Fortaleza e falava sobre o sumo-sacerdote do antigo Deus da Guerra, meus pensamentos foram longe. Me recordei de sua filha, a sumo-sacerdotisa de Allihanna, que dispunha de algo que eu realmente almejava, como líder e aventureira.

Fiquei bastante tempo pensando sobre isso. Um artefato criado pela própria Deusa que concede algumas bênçãos especiais. Lisandra da Galrasia, porém, não é apenas a arquidruida suprema de Allihanna — é a mais poderosa entre todos os sumo-sacerdotes. Ela merece ter a Coroa de Allihanna. Por que eu mereceria ter?

O Rio Panteão naquela altura já é bem largo e o pôr do sol, apesar de gélido, foi impressionante. Aquela tarde e início de noite era um culto à minha deusa e celebrei a beleza do mundo natural e o encontro de Allihanna com Oceano. A natureza é o maior altar para cultuá-la. Entreguei nossa missão em suas mãos, louvando sua bondade em todos os momentos comigo ao longo da minha vida.

Mais tarde, tive algum tempo para ir aos meus aposentos e escrever. Escrevi no meu diário e também uma carta para Silena e outra para Goro. Não cheguei a concluir a carta para meu namorado, pois um estrondo muito forte sacudiu todo o barco.


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Épico e aquático – Notícias da família

Os Desafiantes de Yuvalin retornaram das férias e há muito o que conversar. Confira o relato da sereia druida Helga Iris deste encontro e todas as novidades dos amigos.


Nos encontramos, finalmente, na taverna Foice e Martelo para matar a saudade e saber sobre as novidades. Edward e Toshinori tinham acabado de chegar de viagem e, para nossa grande surpresa, Ed usava um tapa-olho sobre onde o olho esquerdo deveria estar.

Toshinori usava um manto do fascínio quando chegou, falando que a bênção dos deuses estava sobre nós. Stefan, que eu estava preocupada com relação aos efeitos que a traição de Ràthania lançaram sobre ele, estava entretido e fascinado com a primeira edição do jornal do Joseph, o Meia-Hora de Yuvalin.

Minha preocupação era que o Kroll não estava conosco ainda, porque, da última vez que chegamos das “férias” e alguém não estava, o que veio a seguir foi caótico. Mas o pensamento foi rapidamente afastado quando o paladino, me vendo em trajes e postura tamuranianos, se dirigiu a mim com um sotaque e cumprimentos comuns no Império de Jade.

Foice e Martelo, a taverna dos trabalhadores

Toshinori comentou que eu devia estar mais próxima de Goro agora então e eu confirmei, mas não apenas dele, mais próxima de mim mesma, de quem eu sou. Falei que passei um tempo estudando e me conhecendo, ainda ofereci um saquê. Ele quis misturar o saquê com a cerveja, o que não deu muito certo.

Então, perguntei para eles como foram os últimos três meses para cada um. Toshinori falou que ele e Edward conseguiram a bênção de mais três deuses na última viagem deles e que o olho perdido de Ed era um detalhe sem tanta importância diante de tudo o que conquistaram.

Enquanto falávamos sobre as aventuras e desventuras do nobre e do paladino, a porta da taverna se abriu para a passagem do nosso bárbaro. Mas ele não estava sozinho. Logo atrás dele entrou uma moreau leão. Era tudo o que a gente precisava! Com certeza!

A entrada deles silenciou a taverna. Todos olhavam para as criaturas imponentes que adentravam. Menos Joseph que, desde que chegamos, não parava de escrever e reclamar com seu funcionário do jornal chamado Phillip. Ele apenas se dignou a levantar os olhos e cumprimentar a estranha como “namorada do Kroll” e, depois, retomou suas tarefas de dono do jornal.

Eu fiquei atônita. Como? Ela também pareceu não gostar da ideia de receber aquele título e fechou a cara se aproximando do bardo. Já o Kroll só deu um “oi” para nós. Eu, chocada como estava, que achava ter passado por coisas bem diferentes nas minhas férias, agora percebia que meus dias foram os mais normais de todos. Que novidades eram todas essas?!

O crocodilo parecia mais assustado por me ver do que eu por vê-lo ao lado da leoa. Só porque eu estava vestindo o kimono, prendi meus cabelos em coque e tinha passado uma daquelas maquiagens tamuranianas, nada de mais. Ele disse que eu estava diferente e, bom, é o que acontece quando se passa mais tempo com as pessoas. A gente capta alguns modos delas. Foi o que aconteceu nesses três meses comigo. Expliquei o que tinha feito nas minhas férias, porque, de repente, todos estavam curiosos com a minha nova fisionomia e postura.

Mas, caramba! O Kroll arranjou uma leoa! E o Toshinori caiu no chão quando a leoa meio que empurrou o paladino ao sentar no banco. Ele contou que ela, a Leah, era uma amiga antiga e que trouxe a notícia de que seu pai tinha morrido. Bom, foi o Joseph quem deu o spoiler, o que deixou o crocodilo com raiva do bardo.

Fiquei triste pelo bárbaro. Uma notícia difícil de receber, sem dúvida. Não consigo nem me imaginar recebendo a notícia do falecimento de Silena ou Agenor, nem quero pensar nisso! Mesmo que eles nem sejam meus pais de sangue.

Leah e Kroll

Stefan, até agora, tinha falado bem pouco. Toshinori o abraçou e isso me preocupou mais do que qualquer coisa. O inventor estava bem menos abatido do que quando o vi pela última vez, trabalhando na oficina do Drrrun enquanto eu passeava com Noah há algumas semanas.

Foi então que, finalmente, o kliren começou a abrir o jogo quanto ao que aconteceu nos últimos meses. Se exibindo, como sempre, o que me fez perceber que ele estava bem, ele contou sobre ter consertado o K e adicionado uma pitada de Stefan ao golem, seja lá o que isso signifique. Também contou sobre suas novas engenhocas no braço de metal e seus óculos estranhos.

Leah estava curiosa com relação à nova aparência de Edward e quis informações sobre o que tinha acontecido. Ed contou sobre sua desventura ao trocar seu olho esquerdo pela liberdade de seus companheiros quando caiu em uma emboscada de uma bruxa. Eu também fiquei curiosa sobre o que tinha acontecido na viagem deles a Ahlen.

Já o paladino nos surpreendeu a todos quando disse que sentiu falta de Stefan por ter que conviver durante a viagem com uma criatura que o fez quebrar seus votos ao mentir. Realmente, sentir falta do Stefan é algo anormal, mas compreensível nesse caso. Toshinori me mostrou seu novo manto e que ele o ajudaria a, junto comigo, cuidar dos ferimentos das pessoas e curá-las quando necessário. Eu era toda gratidão!

Expliquei a todos que eu tinha pensado em desistir depois da nossa última aventura e minha decisão de ir aprender a sabedoria dos mestres de Tamu-ra em um lugar menos distante, ali em Nitamu-ra. Falei que eu estava disposta a ser uma líder melhor, que passei um tempo especial ao lado de Goro e trabalhando com Ezequias na Guilda. Também contei sobre a Noah que está esperando filhotinhos.

O inventor também falou sobre sua viagem a Tahafett (estremeci com essa menção) e como o Drrrun retornou de sua viagem a Rhond trazendo alguma novidade que ele queria contar para nós junto de Ezequias. Devia ser algo deveras importante! Marcamos de nos encontrarmos na Guilda dos Mineradores no dia seguinte..

Foi uma festa toda essa conversaria. Muitas novidades! E aproveitamos bem a noite na companhia uns dos outros. Finalmente, Joseph parou de escrever e o tal Phillip saiu correndo da taverna. Mas volta e meia o bardo ia procurar o Stalin, seu marido, eu acho. Toshinori, Kroll e Leah derramaram os canecos, para variar. Já tarde da noite, nos despedimos e voltei para casa para descansar com Goro e Noah.

No dia seguinte, éramos, mais uma vez, uma família feliz passeando pela cidade. Me despedi do Goro na porta da Kanpeki e segui para a Guilda com a Noah, onde nos encontramos com todos, inclusive com um K reformado. Fiquei realmente feliz por vê-lo consertado. Stefan foi bem útil para ele, afinal.

Ao entrarmos na sala do Ezequias, nos deparamos com ele, Drrrun e o terceiro braço do chefe – o Jimmy. Edward ficou estarrecido com o braço grotesco, que foi um acidente no laboratório, lidando com matéria vermelha. Foi uma conversa até meio fofa entre os dois amigos: Ezequias e Edward.

E, então, Ezequias entregou ao Edward um baú, uma caixa onde estava um espólio que era uma espada misturada com matéria vermelha – GROTESCO – e uma carta. A CARTA que devia contar sobre o paradeiro do meu pai. Eu acho que arregalei os olhos e meu coração acelerou. A Noah até começou a se enroscar nas minhas pernas. Não prestei mais atenção nas conversas até que Edward começou a ler a carta em voz alta.

A carta

Agradeci trêmula quando Edward me entregou a parte que contava sobre o meu pai: Sir Anthony Starkey, o Cavaleiro das Rosas, galanteador que portava uma espada bastarda de matéria vermelha como herança de família, serviu a Sir Lohrin Starkey e à família Lazam em Hongari. Seu paradeiro era desconhecido, mas fora visto uma última vez em Deheon em companhia de uma mulher muito bela.

Meu ouvido zumbiu por alguns minutos até que ouvi Drrrun dizer que Ràthania foi vista em Rhond e que um leiloeiro abriu passagem para ela em Aslavi, Aslothia. Aparentemente, aquilo que ela nos roubou seria leiloado lá e nós, é claro, traríamos a ferramenta artefato de volta a Yuvalin sã e salva – de acordo com Ezequias.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/D1K2TGdVNww

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Até breve!

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Épico e aquático – Em busca de honra – Parte 1

Depois do impacto da traição de Ràthania, Helga está diante de uma pergunta: o que fazer agora?


Eu saí tão devastada da loja do Ezequias que andei pela cidade sem rumo pelo que eu acredito terem sido horas. Coitada da Noah por me aguentar nesse período. Edward só havia me dito que precisava viajar e que levaria Toshinori. Não estava em condições de argumentar, todos precisavam de um tempo para respirar, realmente.

Todos nos entendemos meio que inconscientemente de que tiraríamos umas férias, pelo menos até Ed e Toshinori retornarem. Eles estavam em busca do favor de todos os deuses do Panteão. Alguns já lhes eram favoráveis, mas outros não eram facilmente encontrados em Zacharov.

Assista à side de Toshinori e Edward no Youtube: https://youtu.be/3kPz-cwiAzU

Joseph, agora, tinha um jornal para tocar e outros instrumentos para aprender. Kroll precisava de tempo para treinar na arena, ficar mais forte e mais certeiro. Stefan, pelo olhar marejado, precisava ficar sozinho. Provavelmente, consertaria o K, como prometido, e também consertaria um pouco a própria mente (se é que isso é possível), trabalhando em invenções.

Vagando por Yuvalin, vi várias cenas bem conhecidas e comuns, como um menino que arremessa pedras e um casal de anões vendendo cacarecos. No entanto, nada me chamava a atenção ou me comovia. Eu estava alheia a tudo. Devo ter parado algumas vezes para deixar Noah descansar, dar água a ela e fazer carinho em seu pelo macio. Só que eu não sentia nada, nem cansaço, apenas culpa e desolação.

Sei que, no final daquela tarde, estava entrando na casa do Goro. Me joguei num monte de almofadas na sala. Ele me recebeu de braços abertos, o seu lindo sorriso e uma xícara de chá. Me entregou a xícara e ficou me olhando enquanto eu olhava para o nada, provavelmente com uma expressão aterradora para ele.

Tirou minhas botas e começou a fazer massagem nos meus pés. Eu só balbuciava que nada fazia sentido e que deveria ter previsto. Ele, sem entender nada, levantou e foi fazer outro chá. Disse que seria um calmante dessa vez. E me perguntou o que tinha acontecido.

Comecei a contar todo o absurdo que aconteceu na noite anterior. Falei até que eu deveria ter impedido Ràthania de andar com a gente. Então, ele me questionou sobre o que eu faria se ele próprio resolvesse participar das nossas aventuras. Fiquei reflexiva. Afinal, que espécie de líder também seria se impedisse que um membro da equipe fosse proibido de ter sua companheira por perto.

Foi então que travamos uma conversa sobre o peso da liderança e o fato de não podermos prever o que aconteceria, nem assumir sozinho a culpa. Ele falou que eu precisava de um banho e até brincou comigo sobre nunca ter visto minha cauda. Disse que deveria saber como é e como funciona para quando tivéssemos filhos.

Filhos? Cedo demais para falar sobre isso! Ele percebeu minha expressão, graças aos deuses. Percebeu, inclusive algo que eu, como druida, não tinha reparado. Ele me mostrou Noah e comentou que ela já estava formando a família dela. Eu fiquei pasma. Estava tão distraída com os acontecimentos que não reparei que ela estava esperando filhotinhos.

Tive um momento de me sentir ainda mais culpada que tudo, mas essa notícia fez toda a nuvem de tristeza e desânimo esmaecer. Simplesmente, me esqueci de todos os problemas e corri para fazer carinho nela. Ela virou de barriga para cima e ficamos ali alguns minutos nessa sintonia entre druida e companheiro animal.

Conversamos, ela e eu, sobre como foram os dias antes de nos encontrarmos naquele fatídico dia da tempestade. Bom, ela conheceu o lobo do Trovão da Tormenta antes da gente se encontrar. Ela sentia que eram mais de 2 filhotes. Estava tão feliz por ela! Meu humor mudou completamente.

Quando Goro chegou com o chá, eu ainda estava abaixada conversando com Noah. Falei que ia procurar entender o que fazer daquele momento em diante. Queria ser uma pessoa melhor, uma líder melhor. Talvez, estudar algo sobre o assunto, ler bastante. Ele me levantou e me conduziu até a banheira onde eu tomaria um banho muito relaxante e tranquilizador. Tudo o que eu precisava naquele momento!

Assim que eu entrei na banheira, ele se espantou com a forma como a cauda se formou. A ponta da cauda roxa refletia em seu rosto, porque estávamos à meia luz no quarto. Ele me perguntou se eu sentia seu toque, mas logo se afastou com o rosto ruborizado, afugentando alguma ideia que eu não consegui descobrir.

Voltou do seu escritório/biblioteca, o cômodo ao lado do quarto, trazendo alguns livros. Segundo ele, esses livros foram escritos por mestres tamuranianos que poderiam ser úteis para me ajudar a me entender melhor como líder. Afinal, Tamu-ra é conhecida por seus senseis, sua sabedoria e toda a cultura em volta.

Bom, como meu tamuraniano estava bem enferrujado, 3 dos 4 livros meio que passaram direto pelos meus olhos, porque não entendia muito. Mas eu fiquei muito feliz com as descobertas feitas naqueles livros. O quarto livro era de um exímio líder e sua trajetória de aprendizado. Eu realmente estava gostando do que lia. Minha jornada era bem parecida com a desse sensei.

Estava sozinha ali, na banheira, Noah e Goro me deixaram para que eu relaxasse, me entretendo com os livros. Era impressionante como ele já estava nos transformando em uma família com o casal e um animal. Ainda estou tentando me acostumar com isso. 

Durante o jantar, eu já estava bem mais animada e descansada. Acho que Goro percebeu isso e ficava olhando para mim, às vezes, com aquela cara de bobo. Eu também fazia isso de vez em quando, enquanto conversávamos sobre milhões de coisas. Parecia até que eu não tinha vivido tamanho infortúnio apenas um dia antes. 

Foi quando um pensamento me assaltou: e se eu abrisse mão de tudo para viver isso? Goro, Noah e eu, em paz, numa casinha. Desviei logo esse pensamento. No entanto, ele voltava vez ou outra durante a noite.

Noah, Helga e Goro

Goro colaborava bastante com isso, me pedindo para ficar junto dele, não viajar tão cedo em nova aventura. Era difícil não ceder a isso. Passei a noite em seus braços, desfrutando do prazer da sua companhia. Até deixar a cama na manhã seguinte foi custoso.

Tomamos o nosso café juntos e expliquei ao Goro que, depois de ler aquele livro, eu gostaria de ir para Nitamu-ra a fim de treinar com algum sensei sobre autoconhecimento e liderança. Ele sorriu para mim. O sorriso mais doce que quase me fez desistir. Me disse que apoiava minha ideia e que me esperaria de volta o mais depressa possível. Nele eu sempre encontraria um lar, ele me dizia.

Ah, eu estava lutando comigo mesma. Dei um beijo nele cheio de carinho e saudade que eu já sentia. Aquele beijo com sentimento de medo de nunca mais vê-lo e de conforto por saber que ele era um lar para mim.

Goro me contou sobre um ou outro que ele conhecia e que ainda deviam estar na cidade. Falou, inclusive, sobre um mago que poderia me ajudar a retornar. Falei que eu iria até Ezequias para pedir ajuda de alguém que me transportasse até Nitamu-ra. A viagem terrestre ou aérea seria bem longa e cansativa. Seria muito melhor, apesar de bem caro, a ajuda de um mago tanto para ir, como para voltar.

Ele sugeriu que eu deixasse a Noah, já que ela esperava filhotinhos, mas ela mesma não quis ficar, se escondendo atrás de mim. Eu não queria deixá-la, não por enquanto. Queria aproveitar mais um tempo com ela, só nós duas, antes dos bebês chegarem.

Então, saímos juntos de casa, como uma linda família feliz: o casal e a Noah toda serelepe passeando pela rua. Deixei Goro na loja e fui com Noah para a Guilda dos Mineradores.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/aL8vgoQNOSk

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Até breve!

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Épico e aquático – A traição

Será que os Desafiantes de Yuvalin são páreo para uma abominação rubi? E a ferramenta artefato? Eles não vão encontrar isso nunca? Descubra mais detalhes sobre a história nesse capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


A coisa parecia estar muito mal para o nosso lado. O que quer que fosse a criatura que os meninos lá na frente estavam enfrentando, isso estava machucando meus aliados de verdade.

Edward, gritando, me convocou para cuidar dos ferimentos dele e do Stefan. Joseph saiu do meu lado e começou a tocar seu alaúde élfico, nos deixando mais inspirados a prosseguir. Então, avancei também e entrei na sala. Assim que vi aquele monstro à minha frente, fiz uma prece a Allihanna e aquela energia fluiu de mim tocando meus amigos, como se fossem os próprios dedos da deusa.

Depois que me afastei novamente e que aquela criatura tentou morder Edward, percebi que a cura não foi o suficiente e estendi minhas mãos na sua direção. Assim, um escudo translúcido se formou entre o monstro e Ed. Foi um reflexo para proteger nosso nobre.

Entre o som de armas, escudos e gritos, ouvi um estrondo, como se o monstro rubi tivesse caído sobre uma mesa de pedras. Edward comandava a batalha e gritou mais uma vez para que eu ajudasse como pudesse os feridos.

Os urros do monstro eram terríveis! E, ainda, eram misturados aos sons dos gritos dos meninos, e até da Ràthania incentivando o namorado. Entrei na sala e fiz, novamente, minhas preces e aqueles raios suaves saíram das minhas mãos para curar Edward e Kroll. Vi suas feridas se fecharem rapidamente, enquanto voltava para a porta da sala, saindo de tão perto da criatura medonha. Joseph repetiu seus gestos arcanos, me imitando, e me senti segura ao saber que ele ajudaria no momento necessário.

O monstro avançou sobre o Toshinori, para bater, morder e dilacerar, no entanto, em tempo, refiz a magia que protegeu Edward com um escudo translúcido. Não protegeu muito porque aquele monstro era extremamente forte. Mas foi o suficiente para que ele continuasse vivo.

Stefan pegou sua arma e atirou no monstro. Outro estrondo naquela saleta. A cada ataque nosso, a criatura urrava mais. Kroll pareceu hesitar um pouco, mas virou seu machado na abominação rubi. Por mais incrível que isso possa parecer, começou a jorrar sangue. No último lampejo de vida daquela criatura nas mãos de Kroll, ouvimos um “obrigado” em língua anã. Foi aquele monstro que falou isso? Fiquei chocada.

Toshinori teorizou para o K que, talvez, aquela criatura que agradeceu ser libertada fosse sua mestre, Tallaka. Noah foi cheirar o corpo morto, lambeu, e esperou que eu fosse até ela. Eu decidi, então, analisar bem detalhadamente o corpo do monstro. Stefan também estava analisando, mas para ele próprio, claro. Pelo menos, ele me ajudou.

Era uma combinação de anão, troll, construto. Uma abominação, realmente. Tallaka criou uma quimera, ela havia se perdido na sua busca por suas invenções com aço rubi.

Analisei também os ossos de um corpo que estava ao lado de um cofre. Era, finalmente, Tallaka, como pude perceber pela lógica. Ela deveria ter terminado de criar a criatura e perdeu o controle. A criadora foi morta pela sua própria criação.

K ficou arrasado, mas finalmente pôde descobrir o fim que sua mestra teve. Na medida do que é possível consolar um golem, nós tentamos. Ele agora estaria livre, mas estava perdido, precisava de um tempo sozinho. Então, ele e Joseph foram dar uma volta, alguma coisa sobre sentar próximos, olhando para o buraco.

Enquanto isso, ficamos na sala investigando o que havia lá. Como eu disse, havia um cofre e invoquei uma magia para tentar descobrir se havia alguma ameaça ou armadilha presente no objeto. Como não encontrei nada, nós o abrimos. Entretanto, nem sequer consegui ver o que tinha lá dentro. Eu simplesmente apaguei.

Não sei se era um jacaré ou crocodilo, mas ele sorria para mim. A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi o Kroll o mais delicadamente possível para um bárbaro me acordando. Toshinori sacudia a cabeça, como que acordando também. Edward estava caminhando em direção ao Stefan adormecido. Nem Joseph, nem K e nem Ràthania estavam na sala. O cofre não estava vazio, mas a ferramenta artefato não estava lá.

Todos olhavam para mim procurando respostas. Stefan acordou, olhou tudo ao redor e começou a falar sobre sua querida Ràthania, que ela não era tão confiável como nós acreditávamos. Mas, como Joseph e K não estavam conosco, ele disse que precisávamos encontrá-lo primeiro. Foi quando ouvimos um grito com a voz metálica de K, xingando. Não preciso reproduzir o que ele gritou. Pelo menos, o havíamos encontrado.

Stefan, amarrado como estava, tentou correr em direção ao som. Todos corremos para ver o que tinha acontecido. K continuava xingando e gritando que Ràthania tinha jogado uma bola de fogo nele. Ele estava com um buraco chamuscado no peito.

Eu só estava correndo atrás de todo mundo. Não estava pensando. Tudo era muito distante: as vozes, as luzes. Minha cabeça parecia rodar. Meus sentidos não estavam no seu devido lugar. Todos estavam correndo, discutindo. Falando algo sobre a traição. Ràthania havia nos traído. A culpa era minha. Eu devia ter percebido e impedido. Era tudo o que passava pela minha cabeça.

Ràthania

O paladino se aproximou. Não ouvi direito o que ele falou, só que eu não deveria assumir a culpa. Ele tentou me animar, dizendo que eu era muito útil para o grupo. Entretanto, eu só repetia que eu deveria ter reparado e que ela poderia ter matado alguém. A culpa era minha.

Com os olhos longe, só acenava com a cabeça. Detive minha atenção em K quando ele falou que a última coisa que Ràthania disse foi “Que Nimb te role bons dados”. Stefan encontrou um papel no meio de suas coisas, mas ele amassou, só fechou os olhos e disse que queria “fazer aquela desgraçada sofrer”. Eu concordava, mas estava atônita demais para responder.

Isso me fez despertar um pouco do transe. Convidei K para se juntar a nós efetivamente, agora que ele não tinha mais a sua mestre. Foi quando percebi que ele estava minimamente consertado de suas queimaduras. Noah começou a se arrastar entre as pernas de K e ele ficou notavelmente feliz de ter uma nova família e nos abraçou.

Ele saiu, foi até a sala e retornou com os ossos de Tallaka. O golem fez uma reverência à maestria de Tallaka e a tudo o que ela significou para ele, depois jogou os ossos no buraco. Assim que ele fez isso, saímos das Minas Heldret. Passamos novamente por cima do buraco, encontramos Joseph na porta do elevador e, enquanto subíamos, decidimos ir, Edward e eu, dar a notícia a Ezequias. Os meninos iam procurar por informações de Ràthania.

Fomos para a Guilda dos Mineradores, mas ela estava fechada. Um dos guardas nos disse que Ezequias deveria estar na sua loja, a Minérios Maravilhosos. Era madrugada e a cidade que nunca dorme estava um pouco movimentada, alguns nos cumprimentaram, só que nós não conseguíamos sorrir com alegria.

Ezequias nos recebeu na loja, feliz, animado e querendo notícias. Mas as notícias não eram boas. Expliquei o que havia acontecido e conversamos por um tempo sobre a traição de Ràthania. Infiltrada, a doidinha teria roubado o que estávamos procurando. Se Stefan estava com raiva e triste, ele não estava nos planos dela.

Falamos também sobre K, que trouxemos para a superfície, e sobre Tallaka. Mais uma vez, falei que a culpa era minha. Ezequias ficou nervoso, desesperado porque não tinha, assim como eu, intuído sobre a ladra. Ainda conversamos sobre o pagamento. Alegamos que não cumprimos o combinado, mas ele insistiu como um presente, mesmo com Edward deixando claro que não queria. Nosso chefe agradeceu e estava pensativo sobre os próximos passos.

Recusamos a bebida que ele ofereceu e pedi desculpas mais uma vez. Ele começou a fazer seus planos e nos despedimos. Noah tentou me animar, mas eu estava sem rumo. Completamente perdida.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/50sAeFmyoi4

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Até breve!

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