O futuro de Yuvalin está nas mãos dos Desafiantes! E a sereia druida, Helga Iris, tem muito com o que se preocupar agora. Confira a primeira parte desse novo capítulo da aventura.
Talvez, fosse só um delírio coletivo. Mas o peso da liderança dos Desafiantes de Yuvalin começou a me afetar naquela noite. Nada de sono tranquilo, apenas um senso de responsabilidade, temor e um frio na barriga.
Uma coruja grande, com a penugem marrom-clara, estava no galho mais baixo da árvore onde costumo dormir, no distrito do carvão, em Yuvalin. Os olhos da coruja eram tão penetrantes, impossível desviar a atenção dela.
Então, ela falou comigo. Falou bastante, aliás. A própria deusa se materializou em meu sonho, se transformando na coruja, trazendo versos de sabedoria e iluminando minha mente para entender o que estava diante de mim. A natureza é sábia.
Algo dentro – e fora – de mim mudou. Eu estava diferente. Ao acordar, notei minhas escamas mais perceptíveis. Todos olhavam para mim, intrigados, e perguntando o que havia acontecido. Me limitei a dizer que havia sonhado com Allihanna. Ainda não me sentia preparada para dizer que aceitava o que havíamos conversado na noite anterior.
Stefan já acordou sendo insuportável, voltando à sua personalidade normal. Eu perguntei quem era o outro, porque achei mais são. Mas ele não se lembrava de nada depois que foi atingido por aquela mão gigante. Tudo o que ele lembrava era um sonho em que ele estava no meio de pessoas humanas, em uma sala, e um símbolo de um leopardo preto em algum lugar. Mas não conseguia distinguir nada.
Expliquei para ele nosso plano de voltar à Yuvalin com os prisioneiros e buscarmos possíveis testemunhas para um julgamento com Rodford como réu de corrupção, traição e posicionamento ao lado da Supremacia Purista.
Ezequias já estava com tudo pronto para partirmos no Ford. A viagem foi longa e um tanto desconfortável, apesar da boa música do Joseph, mas finalmente chegamos – fazendo barulho e atraindo a atenção de todo o povo.
Já paramos em frente à Guilda e tiramos os prisioneiros do carro. Ezequias esbravejava afrontando Rodford que apareceu a uma janela no segundo andar, pálido como uma vela. O professor acusou o presidente da Guilda a plenos pulmões, diante da cidade inteira, e o desafiou ao julgamento.
O burburinho era muito audível, ninguém havia feito isso antes. Dentro da Guilda, acompanhando Ezequias, encontramos o juiz, cercado por guarda-costas-muros. O julgamento estava marcado para o dia seguinte e o professor parecia muito confiante, dizendo que nós éramos excelentes advogados. O juiz, já de cabelos brancos, nos analisou com o olhar e disse que deveríamos estar certos do que fazíamos, porque as consequências dos nossos atos nos custariam muito caro, como a expulsão da cidade.
Depois que o juiz saiu e o Ezequias respirou aliviado, nós colocamos Ezequias contra a parede para entender que história era aquela de expulsão. Ele inspirava confiança no nosso trabalho e, rapidamente, nos perguntou sobre as testemunhas. Enquanto isso, alguns de nós já estavam desesperados para ter dicas com Edward de como tentar convencer bem as pessoas em um tribunal, afinal, ele é um nobre.
Ezequias precisava ficar em uma sala da Guilda, enquanto corríamos atrás do tempo para convencer as testemunhas. Antes de sairmos, procuramos pela oficial Helena, mas, pelo horário, ela já tinha saído do trabalho. Stefan e Toshinori foram atrás do Galyx e também encontraram com o boticário Rafu. Enquanto isso, Joseph e Edward procuraram pelo Peter Vahrim, filho de Rodford. E Kroll e eu fomos à Kanpeki procurar pelo Goro Okazaki. Cheguei a sugerir que fôssemos até à oficina do Drrrun, mas Stefan não achou interessante.
Entrar na Kanpeki foi difícil. Mestre Muramune e Goro mantiveram o altar em homenagem ao Noah e isso me deu um nó na garganta. Depois de, rapidamente, respirar fundo, meus olhos se voltaram para o Goro e, no momento que o vi, em uma fração de segundo, parei de pensar e esqueci o que fui fazer lá na Kanpeki.

Com muita dificuldade, comecei a balbuciar a razão de eu estar ali. Que vergonha! Apresentei Kroll a Goro e ele, fatalmente, tomou um susto ao ver um outro jacaré andando comigo. Como em um estalo, desatei a falar, fazendo mais um pedido: para que ele testemunhasse. Ele disse se sentir honrado por fazer parte disso e elogiou os Desafiantes. Sem que eu pedisse, o próprio Goro convenceu o Mestre Muramune a testemunhar a nosso favor.
Eu corei, como na primeira vez que conversei com Goro, e agradeci, sem nem palavras para expressar minha gratidão. Ele fez um movimento de gratidão, no estilo dos tamuranianos, e nós imitamos. Bem, o Kroll tentou, mas ele quase bateu com a cabeça na mesa. Timidamente, me despedi do Goro e saímos da Kanpeki.
Como já estava tarde, saí da cidade e fui dormir. Precisava realmente descansar antes do julgamento. Seria um dia difícil e tudo poderia dar errado. Allihanna, me ajude!
Esse julgamento vai definir as coisas em Yuvalin. Não perca a segunda parte dessa história e veja como será o futuro dos Desafiantes de Yuvalin.
Até breve!
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