Que bom que as pessoas ainda leem (Diário de um Livro)

Em meio ao caos diário e as ofertas tecnológicas que esse mundo nos oferece, ainda é possível encontrar pessoas que ignoram um pouco tudo isso e imergem em outros mundos. Certo dia, no trem, aproveitei para ler um pouco o livro que há muito deixara pela falta de tempo – aquela desculpa que todos acreditam que existe, mas que facilmente prova-se o contrário.

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Interessante que, apresar de estar com tantas pessoas falantes ao redor, vendedores ambulantes é aquele medo de perder a estação, não foi difícil entrar na história, estar em outro lugar e viver todas as emoções que uma boa leitura proporciona. Mais interessante ainda foi notar que eu não era a única ali, naquele vagão. Haviam muitos na minha frente, poderia ser difícil ver. Mas eu vi. Havia uma garota lendo A garota no trem – coincidência? – e um rapaz estava lendo um outro livro, bem ao lado dela.

Tinham, também, pessoas lendo seus livros ou apostilas acadêmicas no celular. O mundo digital, ao contrário do que muitos pensam, não destruiu por completo a necessidade e capacidade das pessoas se interessarem por leitura. Fato é que, se tivermos o mesmo livro nas versões impressa e digital, havendo necessidade, vamos continuar a leitura de uma na outra.

Fiquei feliz por ver pessoas que se interessam pela leitura e aproveitam seu tempo para isso. A literatura nos tira desse caos e nos leva a experimentar um dia menos chato, menos triste, menos sem imaginação. Recursos não faltam! Que tal aproveitar aquele tempo que gastamos olhando qualquer coisa nas redes sociais para ler?

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Aline Gomes

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Diário de um livro

Se o seu livro pudesse escrever um diário, contando tudo o que você e ele fizeram juntos, como isso seria? Livros são seres inanimados, não têm vida. Mas e se ele pudesse contar as memórias que viveu ao seu lado. Uma experiência que o Qual é a das quintas? traz neste post é o Diário de um livro. É o descobrimento do mundo por um livro que pode estar em suas mãos agora. A vida de um leitor na visão do seu livro.

“Querido diário,

Hoje saí da prateleira. Meu leitor me colocou em uma mochila e saímos de casa. Sei que saímos por causa do movimento e porque quando eu saí da bolsa, nós estávamos em um lugar diferente. Os humanos chamam esse lugar de estação de trem. Fiquei muito feliz de conhecer esse lugar. Me senti muito chique nas mãos do meu leitor, todos olhavam para mim. Alguns olhavam por cima dos ombros do meu leitor… eu devo ser muito importante.

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Depois de passear no trem (vi tantos lugares diferentes), meu leitor me fechou. Passei o resto do dia fechado, dentro daquela mochila. Quando vi, já estávamos em casa. Não sei se meu leitor gosta muito de mim. Passei a maior parte do tempo fechado hoje. Mas quando eu pensei que ele ia me deixar de vez, passei algumas horas com ele no finzinho da noite, já na cama. Rimos muito. Troquei de posição na mão dele várias vezes. Depois de várias horas juntos, nós fomos dormir.

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Quando acordei, meu leitor não estava em casa. Acho que ele me esqueceu. Devia estar muito ocupado com outras coisas. Ontem, eu o vi mexendo em um aparelhinho pequeno boa parte do dia. Volta e meia ele parava de me ler para mexer naquilo. Deve ser muito interessante. Só encontrei meu leitor tarde da noite. Ele folheou algumas das minhas páginas, parecia estar procurando algo e me fechou outra vez.

No terceiro dia com o leitor, nós passamos o dia inteiro juntos. Fomos à praia. Nunca tinha ido. Ficamos em uma cobertura top. Ele cuida muito bem de mim: imagina que ele limpou as mãos todas as vezes que íamos nos divertir juntos. Achei que ele fosse me trocar por aquele lugar lindo, mas eu parecia mais interessante. Me sinto importante agora. Acredita que eu ouvi ele e várias outras pessoas conversando sobre mim? Ele fez vários comentários, todo mundo quis ver como eu era.

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E meu último dia com o meu leitor chegou. Ficamos tão pouco tempo juntos. Ele gosta muito de mim, eu sei. Mas eu já voltei para a estante. Vivemos momentos muito legais. Quando ele foi se despedir de mim, eu vi que os olhos dele se encheram de lágrimas, mas ele sorriu. Fico tão feliz porque o fiz feliz. Foi uma viagem e tanto. Espero que todos os meus amigos tenham a mesma sorte que eu. E que ele também adore passear com eles. Mas o que eu mais quero é que ele nunca se esqueça de mim.

Livro.”

Aline Gomes

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