Helga decidiu passar suas férias aprendendo a ser uma líder melhor, mas também quer passar um tempo a mais com Goro e Noah, como uma família. Largar tudo e viver isso para sempre é algo realmente tentador para ela.
Qual não foi a minha surpresa quando encontrei Ezequias Heldret, meu chefe, na Guilda dos Mineradores, com um largo sorriso no rosto, trabalhando como um louco com seus três braços. Sim! Além dos olhos vermelhos e dos dedos das mãos maiores que o normal, ele tinha um terceiro braço saindo das suas costas.
Ele percebeu que eu estava olhando e me disse que estava sendo de grande ajuda, só escondia porque nem todos aceitariam tão facilmente algo tão… aberrante. Me contou também, já puxando com seu terceiro braço um envelope, que a carta do pai do Edward tinha chegado. Eu gelei!
Mesmo com muita insistência de Ezequias pela sua curiosidade, eu disse que jamais poderia abrir a carta. Ela era destinada a Edward e não a mim. Então, finalmente, ele guardou a carta em uma gaveta e eu fui direto ao assunto.
Expliquei que me sentia uma péssima líder depois de tudo o que aconteceu e que queria ajuda dele para me transportar até Nitamu-ra. Ele disse que seria um pouco difícil encontrar um mago com esse poder, mas que ia mandar chamar um que ele conhecia em Rhond. Levaria mais ou menos uma semana para que o seu mensageiro alcançasse o mago e ele chegasse a Yuvalin.
Agradeci imensamente a disponibilidade de Ezequias e também me coloquei à disposição dele para ajudá-lo, já que ficaria na cidade pelo menos mais uma semana. Então, combinamos que eu o ajudaria em algumas tarefas simples durante aquela semana e eu poderia aproveitar meu tempo também com Goro e Noah juntos.
Ah como eu me sentia feliz e despreocupada naqueles dias! Sentia, é claro, que faltava um pouco de aventura. Era estranho ter tanta paz assim. Não vivia isso desde que deixei Villent.
Mais ou menos na hora do almoço, corri até a loja para contar a Goro sobre o combinado com Ezequias. Ele ficou radiante por saber que estaríamos juntos alguns dias mais. Fomos almoçar juntos e, ainda, brincamos um pouco com a Noah em uma praça antes de voltarmos ao trabalho.
Ao retornar à noite para casa, o pensamento de que eu poderia abandonar tudo para viver assim para sempre tentou me dominar de novo. Passei o dia em expectativa para encontrar meu namorado em sua casa aconchegante, conversarmos, jantarmos, brincarmos e dormirmos juntos. Seu carinho e aconchego, nossos momentos de intimidade. Tudo isso era bom demais.
Por ele, é claro que seria assim. Eu sei que ele tinha medo de eu sair em uma aventura e não retornar. Quanto mais tempo passávamos juntos, mais eu tinha esse medo também. Mas eu decidi afastar os pensamentos que me deixavam ansiosa com o futuro e viver cada segundo dessa vida.
A casa começou a ter um pouco mais de mim. Em um determinado momento, Goro olhou para a sala e ficou preocupado se teria espaço para nós além das plantas. Eu disse que nem eram tantas assim, mas tentei maneirar. Afinal, a casa era dele e não minha. E outra: quem cuidaria de Astrid, Julie, Sylvie, Josephine e Vix na minha ausência? Antes de viajar, levei-as para o Distrito do Carvão, para que elas vivessem sua liberdade em plenitude. E sobrevivessem sem mim.
Finalmente, chegou o dia da viagem. Do mesmo jeito que fizemos na semana anterior, Goro apoiou sua testa na minha, segurou minhas mãos e disse que eu sempre teria um lar para retornar. Nos beijamos longamente e saímos com Noah animada à frente, como uma família feliz.
Na Guilda, encontrei um elfo bem idoso, com uma barba branca, robes, chapéu e um cajado. Ele perguntou se era eu a menina, ao que Ezequias respondeu para o senhor Nicodemus que eu era uma mulher e não uma menina. Ele se apresentou e me perguntou o que eu queria.
Quando eu expliquei o que eu queria, ele pegou um caderninho e me disse que seriam 360 tibares. Eu aceitei e ele simplesmente estalou os dedos. Foi como se eu tivesse sido sugada por um redemoinho e, quando abri os olhos, estava em uma rua cheia de arcos e casas de arquitetura tamuraniana. Por um momento, achei que estivesse no próprio Tamu-ra.
Tio Nicodemus solicitou educadamente sua parte, eu paguei e, depois de guardar minha algibeira, ao olhar para onde ele estava, notei que ele tinha desaparecido. Ele é rápido. Não precisei procurar muito. Mesmo falando valkar, todos simpatizavam muito comigo e me respondiam prontamente onde seria a casa de treinamento do sensei autor do livro que eu li, Kakashi Hatake. Rapidamente, já estava na porta da casa e entrei.
Conheci o sensei e expliquei o que eu buscava ali. Fui conduzida até um quarto, onde ficaria alojada. Noah adorou os espaços da casa de treinamento, alguns alunos tinham medo dela, mas outros amavam brincar com ela. Enquanto isso, sua barriguinha ia crescendo e nós estávamos sempre conversando sobre como ela se sentia.
As duas primeiras semanas de treinamento foram pesadas e difíceis. Principalmente, difíceis de entender. Eu limpei janela, chão, coloquei e tirei o kimono. Não parecia fazer sentido algum no começo. Mas depois eu entendi. Entendi sobre paciência e o caminho da sabedoria.
Foram vários dias de meditação e aprendizado de movimentos básicos da cultura tamuraniana. Além disso, com alguns poucos passeios junto com outros alunos, pude aprender a me vestir e me maquiar como uma nativa. Goro ia amar me ver daquele jeito.
Passei dois meses na casa de treinamento. Foi algo gratificante demais. As escolhas dos outros não me dizem respeito. Aprendi a me perdoar, aprendi a como liderar melhor minha equipe. Aprendi também a falar melhor o idioma e a ler tamuraniano.
Quando o treinamento terminou, agradeci profundamente a todos na casa, principalmente, ao sensei Kakashi por sua paciência e sabedoria. Então, saímos Noah e eu, novamente por Nitamu-ra a procura de um mago indicado pelo Goro para fazer a viagem de volta. Não foi difícil encontrar, mas no caminho, aproveitei para comprar uns presentinhos para meu namorado poder matar a saudade de casa.
O mago cobrou o mesmo preço e aconteceu a mesma coisa que na viagem de vinda: um estalo, redemoinho, paguei, pisquei e ele sumiu. Estava em Yuvalin novamente.
Fui ansiosa até a loja, vestida como uma verdadeira tamuraniana, e bati à porta. Quando entrei, Goro ficou extasiado, largou o martelo e disse que deveria estar sonhando. Mandou que os seus auxiliares cuidassem da oficina porque ele iria para casa comigo. Falei com ele algumas coisas em tamuraniano e ele ficou radiante, dizendo que tudo aquilo parecia muito interessante. Noah já estava bem cansadinha, mas eu a tranquilizei, dizendo que ela ficaria quietinha em casa nos próximos dias.
Goro e eu matamos a saudade um do outro com uma noite espetacular. Parece que a saudade deixou a gente com muito mais vontade e prazer pela companhia. Não queríamos nos desgrudar e nada podia atrapalhar esse momento juntos.
Ele quase chegou atrasado na loja no dia seguinte. Para garantir que ele fosse, eu mesma fui junto com ele para assisti-lo trabalhando na parte da manhã. Estávamos apaixonados e felizes. Graças à bondade de Allihanna e de Lin-Wu, pudemos desfrutar do nosso carinho, companheirismo e paixão por muitos dias antes de eu voltar a encontrar os meninos.
Meus dias nessas “férias” foram perfeitos. E, então, chegou a hora de voltar às atividades de aventureira em companhia dos Desafiantes de Yuvalin.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/aL8vgoQNOSk
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Até breve!
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