De volta às Minas Heldret, os Desafiantes de Yuvalin têm muito trabalho pela frente, mas têm mais desafios do que emboscadas e batalhas.
Nas Minas Heldret, descemos até o segundo andar. Foi quando finalmente lembrei que não tinha resgatado Noah no dia anterior. Meu coração doeu o mesmo tanto que fui ficando sem ar à medida que descia no elevador.
Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta, sem nenhuma cerimônia. Imediatamente ouvimos e sentimos uma explosão próxima. Parecia que toda a mina ruiria naquele instante e uma pedra rolou e caiu sobre Stefan, mas, aparentemente, sem causar dano. Menos mal, porque não estava com muita vontade de curar o maluco de cara outra vez.
Entramos pela porta em uma sala onde ocorreu uma explosão. Corpos chamuscados, caixas quebradas e fogo nos fizeram recuar para um canto da sala. Continuamos avançando e nos deparamos com outros anões pouco amistosos. Além disso, para variar, Stefan – que sempre sabe ser bem insuportável – começou a balbuciar palavras ininteligíveis.
Toshinori avançou para a sala seguinte e eu só ouvi os gritos dos anões contra ele e dele contra os anões. Fiz uma prece a Allihanna que me concedeu sua graça. Toquei o chão e um brilho roxo emanou, consagrando toda aquela área.
Vi Toshinori sofrendo nas mãos dos anões e decidi cantar para tentar atrair, quem sabe, a atenção de algum ratinho que chamaria a Noah lá fora. As pessoas pararam para me olhar… chamei a atenção e até os anões pararam de bater por um instante com seus machados.
Kroll e Edward entraram na briga com os anões na outra sala também. Como Stefan já estava doidão e arranhando a armadura de Edward com a adaga dele, o nobre avançou depois de derrubar o inventor e gritar que ele era um bobão. Não acho que Stefan tenha entendido porque continuou balbuciando.
Inesperadamente, Joseph acordou de um transe que o acometeu desde que Stefan atirou nele. Isso me assustou por um instante, já que eu estava cuidando dele desde o episódio. Ele se colocou entre o inventor e eu (não sei se era uma boa ideia) e começou a tocar e nos inspirar. Nisso, Stefan, deitado e maluco, ficou cantando junto com a Ràthania, para completar o circo.
Entrei na sala, desviando dos meninos, e evoquei uma magia de curar ferimentos sobre Toshinori, que estava caído e sangrando. Raios roxos saíram das minhas mãos e atravessaram a sala na direção do paladino e pude ver suas feridas estancarem. Assim, ele começou a respirar mais tranquilamente. E eu continuei cantarolando para encontrar a Noah.
Kroll e os anões entraram num embate enquanto eu cantava, então, eu tomei um banho de sangue. Logo em seguida, Edward também gritou para que todos agíssemos porque, certamente, ganharíamos dos anões.
Toshinori se levantou outra vez e me deu mais um banho de sangue, quando matou o anão que estava bem na minha frente.
Ouvi uma música na outra sala, que fascinou o anão que ainda estava vivo, mas logo ela parou e ouvi gritos do Joseph, pois ele se queimou nas chamas da explosão. Assim, o anão piscou algumas vezes e voltou ao normal, olhando furiosamente para o Kroll.
Antes que os anões continuassem seus ataques, fiz mais uma prece a Allihanna a favor do crocodilo e luzes saíram das minhas mãos e fecharam as feridas do Kroll. Eles gritavam e machadavam uns aos outros.
Enquanto Toshinori tentava derrubar um dos anões de um lado, o bardo, mais uma vez, tocou seu alaúde e aquela melodia chamou a atenção dos nossos inimigos, que pararam de gritar e ficaram completamente fascinados.
De repente, ouvi um tiro. A última vez que tinha visto Stefan, ele estava doidão. Daí já imaginei que tudo tinha dado errado outra vez. Qual não foi minha surpresa quando ele acertou bem na cabeça de um dos anões, que caiu morto na minha frente.
O susto foi realmente grande, mas quando vi que era o anão que estava morto e não um membro da equipe, senti um alívio. Assim, consegui passar pelos anões fascinados e atravessar a sala para curar Toshinori outra vez. Senti a magia saindo do meu corpo e curando as feridas do paladino. Aos poucos, sentia minhas forças indo junto com minhas tentativas de cura da equipe.
Só queria que Allihanna continuasse a meu favor e que os meninos conseguissem dar conta logo dos anões.
Pelo que pude observar daquele canto da sala, Toshinori matou um dos anões que ele queria deixar vivo e mais um tiro cortou a música do bardo. Ouvir mais um tiro me deixou desesperada e eu gritei para que o anão ficasse parado e quieto, para que pudéssemos acabar com aquilo e eu tentasse entender o que estava acontecendo.
O anão esbugalhou os olhos, olhando para mim, como que pasmo. Acho que o bárbaro percebeu isso porque, quando vi que tinha dado certo, já estava toda suja de sangue e de pedaços dos órgãos internos do anão. Kroll acabou com o último.
Respirei fundo. Finalmente, apesar do ar pesado das minas. Ezequias estava arrasado, não era necessário haver tantas mortes. Ele olhava para cada um dos anões e para nós com um ar triste, apesar de conseguirmos ver pouco dos olhos vermelhos.
Percebi que Stefan tinha voltado ao que seria mais ou menos normal quando ele falou sobre a Guilda dos Mineradores estar cheia de inimigos e ser necessário, sim, avançar contra eles, pois ele não costumava vacilar contra quem se mostrava inimigo. Os demais rapidamente passaram àquela discussão boba de que, se até contra os amigos ele não vacilava, que dirá contra os inimigos. Eu só observei, concordando, mas sem dizer palavra.
Edward se voltou para o grupo e disse que, a partir do momento em que o Stefan o atacou com a adaga no início ainda da nossa batalha, o nobre não considerava mais o inventor como um aliado. Aquilo me assustou, apesar de eu ter imaginado que em algum momento isso aconteceria.
Tentei apaziguar os ânimos, porque estávamos todos bem alterados por causa da batalha anterior. Pedi que ele reconsiderasse e que todos se manifestassem. Não defendi o Stefan, mas acreditava que todos deveriam ponderar, inclusive após ouvir o próprio inventor maluco.
CONTINUA…
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
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