Helga, finalmente, encontrou seu pai na versão osteon. Agora, ela pode aproveitar o tempo que ainda resta junto dele. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris.
Comecei a falar sobre o que tinha acontecido na cripta até chegar à sala onde estava o coração que eu analisei, tocando nele, para entender do que se tratava. E, então, amaldiçoada. Como um bom grupo de aventureiros, falamos sobre nossa incrível capacidade de fazer besteira sempre, ao que Sir Starkey suspirou – OK – com ar de saudade.
Contei ao meu pai que, assim que ele falou sobre Cassandra ter um buraco no peito, suspeitei de que o coração conectado ao meu fosse o dela e mostrei a ele, tirando do bauzinho. Ele disse não saber se pertencia a ela ou não, óbvio, mas se fosse isso mesmo, elevou o crânio como se olhasse para cima com as rosas no lugar dos olhos e agradeceu a Valkaria, acreditando ser uma grande coincidência.
Também explicamos sobre nossa intenção de já querer matar o necromante. Ele nos sinalizou que era importante saber sobre como desfazer a maldição antes de matá-lo, é claro. Eu já sabia, né? Óbvio!
Tudo o que meu pai sabia sobre o necromante era que ele estava em um lugar próximo, mas não exatamente onde. Mencionei os sonhos de Edward com o casebre e o cavaleiro agradeceu ao nobre por acabar nos conduzindo até ali. Ele agradeceu mais uma vez à sua deusa após uma breve conversa sobre os desejos de Edward e Toshinori de se tornarem guardiões da realidade, protegendo o mundo da Tormenta. Meu pai falou que gostaria muito de ajudá-los a expurgar esse mal de Arton.
Eu estava encantada com a conversa que ele teve com Ed. Ele disse se sentir completo com a espada e com a filha. Fomos interrompidos pela vergonha que o Joseph me fez passar, perguntando se Sir Starkey ainda praticava amor com alguém, como nos velhos tempos. O Joseph sabe ser bem inconveniente.
Como um bom anfitrião, meu pai ofereceu as acomodações decadentes do casebre. Os meninos agradeceram e armaram suas barracas ali na sala mesmo. Eles se dividiram e foram dormir enquanto eu continuava conversando com o cavaleiro.

Falamos sobre muitas coisas. Ele não sentia sono, nem fome, nem quaisquer dessas necessidades físicas de gente viva. Eu estava muito emocionada e empolgada por, finalmente, ter conhecido meu pai biológico. Adoraria tê-lo conhecido em vida, ter passado mais tempo com ele antes, mas parece que os deuses fizeram questão de nos encontrarmos exatamente naquele momento.
Contei a ele sobre Silena e Agenor, inclusive sobre o fato de eu ter sido uma ponte para que os dois se conhecessem e se casassem. Falei sobre meus irmãos, na verdade, os filhos de Silena e Agenor. Zian e Geni, os gêmeos, eram dois pestinhas, mas divertidos, tagarelas, muito inteligentes e parecidos com os pais.
Ele se entusiasmou quando contei sobre minha infância, quando aprendi a conversar com animais, andava muito pelas florestas próximas e comecei a aprender o ofício de Silena também, com chás e algumas magias curativas. Meu pai disse que isso o fez se lembrar ainda mais dos dias que passou com Liara. Assim como eu, ele aprendeu a reverenciar a natureza desfrutando de sua companhia no meio de animais e plantas.
Pelo que entendi, minha mãe era bem diferente dos outros da nossa espécie naquele povoado do rio Villent. Talvez, tenha sido por isso que tudo aconteceu, afinal. Ela era druida, não se comportava como a nobre que era. Ela era rainha do povo da água naquela região. Mas preferia a conexão que toda a natureza oferecia, além da água. Tinha amigos na floresta: animais, dríades, entes, espíritos da natureza. Seu vínculo com Allihanna era muito mais real que qualquer clérigo de Oceano em seu povoado.
Não hesitei em contar o episódio em que fui conhecer meus parentes sanguíneos e toda a decepção que tive. Falei sobre a tragédia iminente contida e também sobre o pouco caso que fizeram de mim no rio Villent. Assim, meu desejo de me tornar aventureira e guerreira da superfície tornou-se evidente, expliquei.
Falei sobre a viagem, meus novos amigos do rio Panteão, minha chegada a Yuvalin, a Guilda dos Mineradores, nossa primeira missão, a perda de Noah, como procurei pela minha origem e como chegamos até ali.
Meu pai gostou quando contei sobre meu relacionamento com Goro. Disse que parecia um rapaz honrado e que isso explicava o motivo de eu me vestir como eu estava. Eu ri e expliquei que tinha ido a Nitamu-ra por influência de Goro. Falei sobre como ele era bom para mim e que eu cheguei a pensar várias vezes em desistir da vida de aventureira para permanecer com ele, formar uma família e ter uma vida pacata. Sir Starkey compreendia isso, é claro.

Lá pelas tantas, apoiei minha cabeça sobre as pernas de meu pai, que estava sentado em uma cadeira esfarrapada. Senti apenas armadura e ossos, entretanto, estava confortável e me sentia em casa. Estava feliz e, depois de algum tempo, acabei adormecendo em seu colo, sem ligar para uma possível dor no pescoço ou nas costas quando acordasse – o que, felizmente, não aconteceu.
Sonhei com Goro. Estávamos muito felizes juntos e eu contava a ele tudo o que tinha acontecido. A maldição nem sequer foi lembrada, só conversávamos sobre as boas notícias. Ele ficava muito contente ao saber sobre meu pai. Nos abraçávamos e ficávamos juntos. Saudade.
Quando acordei pela manhã, percebi algumas pétalas em meu cabelo e kimono. Prova de que meu pai havia chorado. Não ousei perguntar ou mencionar isso, mas eu me sentia abraçada, acalorada com o amor de um pai. Acordei bem como não acontecia desde minha última noite em Yuvalin.
Nos aprontamos para partir e acabar com as investidas do necromante. Os meninos estavam particularmente animados com a possibilidade de bater e matar. Eles inspiravam luta, guerra. Meu pai, por outro lado, disse que precisava ficar no casebre guardando Cassandra, afinal, o necromante poderia mandar mercenários outra vez.
Stefan tinha um mapa, mas estava completamente abatido, o oposto do modo como ele se comportou no dia anterior. Eu agradeci, expressando como eu esperava que esse fosse o comportamento dele naquele dia, o comportamento de um louco. Num dia, o mundo é cor de rosa e, no outro, só dor e tristeza sem qualquer motivo aparente. Depois, descobri que era só dor de cotovelo mesmo.
Comecei a ler o mapa, me situei e senti que, dessa vez, conseguiria guiar o pessoal. Expliquei isso a eles, dizendo que eu estava confiante de que os deuses estariam a nosso favor naquela manhã.
Me despedi do meu pai, dizendo que esperava retornar com o grupo, assim, mostrando que cumprimos a missão e tendo a oportunidade de continuar na companhia dele. Ele me respondeu que o destino não nos teria unido para que eu morresse logo em seguida. Desejou que Valkaria estivesse conosco, eu o abracei e ele pediu que retornasse para ele. Também apelou ao grupo que me protegesse e me pediu que eu protegesse o grupo.
Partimos. Olhei para trás e vi meu pai sentado à porta do casebre, como sentinela, protegendo sua amada. Eu estava particularmente feliz, a tensão da maldição parecia tão pequena. Até brinquei com o Joseph pedindo para que ele inspirasse o Stefan mal-humorado com uma canção. Eu mesma estava quase cantando. Na verdade, cheguei a solfejar uma música que aprendi na casa de treinamento do sensei Kakashi Hatake.
Stefan, além de não ajudar, atrapalhou. Seu mau humor quase me fez perder o caminho de novo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Mas eu estava me sentindo viva e feliz naquele dia, diferente do dia anterior. As besteiras do kliren não me atravancariam.
A floresta ficou mais densa e vimos um paredão de pedra. Pelos meus cálculos ou orientação de Allihanna, entendi que era aquele lugar onde deveríamos chegar. Alertei a todos de que estávamos por perto. Me aproximei o suficiente para tentar detectar alguma ameaça. O tal paredão parecia uma cúpula, vendo melhor, e senti que naquele lugar tinha algo de divino. Fosse o que fosse, se abrigava o necromante, não devia ser um oásis.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/2ticY712FZs
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.