Algo de errado não está certo em Yuvalin e, agora, Helga e os Desafiantes de Yuvalin precisam lidar com um inimigo extremamente poderoso: a Tempestade Rubra.
É doloroso pensar no quanto a Tormenta é capaz de destruir sonhos e a vida em Arton. Mais do que nunca, combatê-la é uma questão de honra, de amor ao próximo e a si mesmo.
Foi como se os sonhos acabassem todos de uma vez, lavados pela chuva de céu vermelho. Chuva de sangue. Tormenta.
Os animais não estavam normais, o Distrito do Carvão estava mais silencioso que o normal e, conforme eu entrava mais na cidade, tudo estava profundamente silencioso, ninguém nas ruas. Isso não era Yuvalin. Foi quando o primeiro trovão soou no céu. Uma luz amarela deu lugar a um céu vermelho. Em seguida, veio a chuva. Ácida. Ferrosa. Sangue.
E, então, Yuvalin se tornou um caos completo.
Comecei a ouvir gritos e risos de desespero. O que era silêncio, se tornou uma cacofonia trágica. Apesar de o Distrito do Carvão ser mais calmo, eu sabia que, quanto mais próximo à forja central, mais intensa deveria estar a chuva rubra e, é claro, o caos.
Mergulhei no canal e entrei na cidade. A água parecia um filtro para aquele céu vermelho. Lembrei-me das histórias que Goro contou sobre a chegada da Tormenta em Tamu-ra e fui tentar encontrar um abrigo na cidade. O primeiro lugar que eu pensei em ir, é claro, foi a Kanpeki.
As lojas ainda estavam fechadas e eu vi o desespero, muita gente correndo e gritando. Uma senhora se jogou no rio como quem quer se afogar, gritando sobre como era lindo: “Oh Aharadak!”. Sim, o deus da Tormenta. Ela, claramente, estava se corrompendo e eu, num ato de desespero, puxei minha maleta de medicamentos e tentei fazer algo, mas era inútil. Ela já estava corrompida e nenhuma solução mundana transformaria aquele quadro.
Levantei a cabeça e senti o cheiro mais forte. Vi pessoas corrompidas, com carapaças, desfiguradas. Todas gritavam e corriam e arrastavam outras pessoas para um lado da cidade. Os olhos humanos têm muita dificuldade até de aguentar uma visão como essa.
Saí do rio e fui procurar a equipe na Guilda dos Mineradores. Nas proximidades, muitos desses seres corrompidos estavam em uma grande balbúrdia. Um deles se aproximou de mim e de Stefan, que já estava lá também procurando pela equipe. O ser montava um lobo e era difícil aguentar olhar para ele por muito tempo. Ruivo, braços vermelhos, mas ele parecia ser diferente dos outros.
Ele disse que queria acabar logo com a Tormenta. Stefan e eu conversamos com ele. Eu ainda estava confusa, perguntei suas intenções, mas nem conseguimos falar muito, pois um bando de corrompidos partiu para cima de nós. Me protegi, pois sabia que meus ataques seriam inúteis, no entanto, Stefan e o ser corrompido montado no lobo, com sua espada flamejante, lutaram contra o bando. Ele estava do nosso lado, então. Usei magia para tentar nos proteger no meio de toda aquela bagunça.
Era difícil, porque a chuva estava ficando mais forte e densa e já começava a afetar nossos corpos, menos o tal lefou montado no lobo. Trovão da Tormenta, como ele se autointitulou.
Enquanto enfrentávamos os cultistas de Aharadak, um guarda de Yuvalin, Fletcher, nos avisou para irmos à praça. As ordens eram de todos os aventureiros irem para lá, no Distrito da Bigorna. Stefan me olhou, perguntando se iríamos para a tal praça, e eu concordei, dizendo que se era onde estavam as pessoas que precisavam de ajuda, sim, deveríamos ir para lá. Lutávamos andando pelo caminho, pois não podíamos parar e muitos cultistas estavam nos atacando.
Pela bondade dos deuses, ao virar uma esquina, encontramos os demais Desafiantes de Yuvalin. Estávamos todos ali reunidos no meio daquela bagunça. Óbvio que eles estranharam nosso novo colega. Kroll já estava preparado para atacar, mas estacou quando Stefan confirmou que o Trovão estava ao nosso lado. Precisei confirmar, porque o Stefan nem sempre é confiável.
De repente, do alto de uma árvore um cultista se jogou para cima de mim com uma adaga. Só que ele foi interrompido ainda no ar e atirado e arrastado no chão por uma mancha branca e cinzenta. Era um lobo que o atacou e arrancou partes do seu corpo para me defender. Mas não era um lobo qualquer, era a Noah. Ela me encontrou e me defendeu.
Não pude esconder meu alívio e alegria em ser encontrada por ela. Comecei a fazer carinho em sua cabeça, ela sorria e arfava, se espreguiçou perto de mim, pediu mais carinho e abanou o rabo. Conversei um pouco com ela, rapidamente. Disse que a protegeria com a minha vida e ela também me protegeria. Mas precisávamos continuar o caminho.
Falei com o pessoal que deveríamos ir até a tal praça para ajudar as pessoas que estavam a caminho. Enquanto todos confirmávamos que realmente faríamos isso, Stefan foi até àquela placa que dizia apontar para o que se queria ver, ela estava a poucos metros de onde nos encontramos.
Quando a seta parou, houve um clarão e vimos uma silhueta, uma silhueta grávida com uma adaga nas mãos. Era Cassandra, a mulher do Drrrun, e ela gritava “Oh grande Aharadak! Muito obrigada!”. Ela enfiou a adaga na própria barriga e arrancou seu bebê. Em seguida, se jogou do alto onde estava.
Foi uma cena aterradora! Eu me desesperei e acho que a equipe toda. Queria curá-la, mas estava muito longe. Corremos para encontrá-la, e o bebê, e a vimos morta, estatelada no chão. A Noah cheirou e lambeu o bebê e ouvi uma tosse bem baixinha. Ela ficava olhando para o bebê e para mim para que eu fizesse algo.
Joseph chegou para me ajudar, pegou o bebê e eu identifiquei que ela só não respirava. Fiz uma prece a Allihanna e minhas mãos brilharam sobre o bebê. Imediatamente ele começou a chorar e eu chorei junto, emocionada e aliviada. Uma anã viu a cena e veio nos ajudar, levando o bebê para dentro de uma casa, enquanto os moradores daquela área apenas nos incentivavam: “Vão, Desafiantes! Vinguem-nos!”
Olhei ao redor para ver se a equipe estava toda reunida. Stefan estava afastado, analisando o local do incidente da Cassandra. Com gritos, um homem tentava proteger a própria família, gritando para que não chegássemos perto nem deles e nem de Cassandra. Então, partimos para a praça.
Quanto mais nos aproximávamos da praça, mais alto ouvíamos gritos em uníssono de um idioma muito antigo, de louvor: “Seja engrandecido, ó grande Aharadak!”. Tudo parecia um grande funeral, com música e os gritos.
A praça estava lotada. Muitas pessoas pareciam estar lá por vontade própria, mas outras estavam sob ameaça. Mais à frente, em um grandioso palco feito de matéria vermelha, estava um homem, tocando violino.
Ele emitia fumaça, sua pele era meio aberta. É até difícil descrever. Ele gritou nos desejando boas-vindas e exaltando Aharadak. Apontou para Joseph e, imediatamente, ele foi arrastado em direção ao palco, com uma pressão muito forte que todos nós pudemos sentir.
Muitos cultistas avançaram para cima do restante de nós. Pude observar em alguns deles características que se assemelhavam muito a de pessoas que eu conhecia. Percebi, depois de alguns segundos, que aquele grupo de aventureiros que desapareceu dias atrás e que não fomos procurar, eles haviam sucumbido à Tormenta. Inclusive o tal minotauro, de quem eu nunca gostei muito.
Estávamos cercados pelos asseclas da Tormenta e, enquanto isso, ainda precisávamos combater o ex-cunhado de Joseph, que estava no palco: Hermanoteu.
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
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