Muita emoção toma conta do dia de homenagens aos cidadãos de Yuvalin após a passagem da Tempestade Rubra. Confira mais um capítulo do diário de Helga Iris, a sereia Druida.
Respirei fundo e comecei:
Povo de Yuvalin, vocês que me receberam tão bem, vocês que nos receberam tão bem aqui, somos um povo diverso nessa cidade. Somos várias raças, fazemos coisas diferentes, trabalhamos em coisas diferentes.
Mas algo nos une: a vontade de permanecer aqui, a vontade de agirmos uns pelos outros. Isso não mudou!
Hoje, estamos tristes. Hoje, nós estamos arrasados diante de tudo o que aconteceu. Mas nós precisamos olhar para frente! Nós precisamos nos lembrar destes que foram, com carinho, com amor, com respeito.
Nós precisamos olhar para frente! Olhar para o horizonte e ver que há mais, há mais para acontecer, há mais para celebrarmos, há mais coisas para vivermos. E viver em homenagem a estes que foram.
Vamos celebrar a vida em homenagem a estes que nos deixaram! Viva por você e por este seu amigo, seu vizinho, seu líder, seu parente, seu cônjuge, seu filho. Viva por ele com amor e dedicação total.
Porque hoje nós devolvemos esses cidadãos ao coração da cidade, mas nós vamos continuar fazendo essa cidade bater com o nosso coração.
Apesar do improviso, acho que fiz uma homenagem digna aos que se foram. Logo depois de deixar o palco, a forja já estava trabalhando e tocando as batidas do coração. Choro e lamento por todo lado.
Rei Joss fez uma aparição em um dos cantos do Parque quando olhei, acenou para mim confirmando minha fala e, simplesmente, desapareceu quando uma pessoa passou na sua frente.
Edward também discursou logo em seguida e eu ouvi o Stefan gritando “Morte à Tormenta”, com coro de Toshinori.
As velas viraram balões e os cidadãos soltaram no céu. O cinzento dia de Yuvalin se tornou colorido com tantos balõezinhos. Aquele arco-íris era um símbolo de que após a tempestade viria a bonança. Era o que todos nós desejávamos ardentemente.
Senti um abraço vindo por trás enquanto eu observava o céu iluminado. Apesar do primeiro sobressalto, percebi que era Goro e ele me falou ao pé do ouvido que o seu mestre sempre havia amado o arco-íris. Ficamos abraçados em silêncio por um tempo apenas observando as luzes no céu e as cinzas que subiam da forja.
Quando já começávamos a sair, Ezequias confirmou que precisávamos encontrar o artefato, mas que ele entendia que deveria ficar pela cidade. Nós confirmamos que continuaríamos e que ele estaria conosco mesmo que não presencialmente.
Saí abraçada com Goro, tentando consolá-lo. Ele estava silencioso até chegarmos em uma casinha simples no Distrito da Bigorna. Ele morava junto com seu mestre e, apesar de não ter a arquitetura tamuraniana, a mobília da casa foi totalmente inspirada para que tivesse um pouquinho da terra deles lá. Era como se eu tivesse entrado em um portal para Tamu-ra.
Ele tinha o olhar vago, sentou-se e falou sobre a restauração da Kanpeki. A história deles se misturava à da loja. Eu disse a ele que continuar o trabalho lá seria honrar o legado de seu mestre. Ele se aproximou de mim e, segurando muito forte a minha mão, pediu encarecidamente que eu tomasse muito cuidado, que ele não aguentaria perder mais alguém importante para ele.
Depois de um tempo em silêncio eu respondi que meu trabalho de ajudar a cidade incluía correr riscos. Mas eu faria o máximo possível para mantê-lo vivo e me manter viva também. Por outro lado, ele me respondeu que não saberia se ele mesmo conseguiria se manter vivo se me perdesse.
Ruborizei, é óbvio. Principalmente, depois de ele completar dizendo que sua vida talvez perdesse total sentido já que ele perdeu seu mestre, mas que, a partir daquele momento, eu era a pessoa mais importante para ele.
E, então, de repente, ele se ajoelhou e pegou minha mão. É extremamente difícil descrever o que eu senti quando o vi fazendo aquilo. Meu coração disparou e só não suei em bicas porque isso não é muito comum para sereias, nossa troca de ar é um pouco diferente com as guelras e escamas.
Ele beijou minha mão e me pediu em namoro. Era difícil organizar todas as emoções. me limitei a responder que sim. Chamam de borboletas no estômago ou talvez eu estivesse feliz e chocada ao mesmo tempo. Sei que, dentro de mim, eu ria como uma criança ouvindo histórias de seu avô.
Ele se levantou ao ouvir minha resposta e me deu um beijo arrebatador. Um beijo molhado, sincero e de esperança. Ao nos afastarmos, ele colocou meu cabelo por trás das orelhas e disse que me deixaria descansar, mas para que eu voltasse no dia seguinte. Eu respondi algo, como sempre estaria lá por ele, nem lembro direito. Foi tanta emoção que minhas pernas estavam bambas. Meus joelhos tremiam e acho que fiquei levemente tonta.
Ele colocou a mão sobre o meu colo e disse que sempre estaria junto comigo, no meu coração. Coloquei minhas mãos sobre a dele e acenei com a cabeça, concordando. Um conflito se apoderou de mim naquele momento. Eu não queria ir embora, queria ficar ali com ele, queria que o tempo parasse para nós, ali. No entanto, não descansar, e ao ar livre, poderia comprometer tudo o que seria feito na missão no dia seguinte.
Então, eu decidi ficar.
Foi uma noite mágica. Além do misto de emoções que eu estava sentindo por todo aquele dia e tudo o que fizemos juntos ali, foi como ver um arco-íris diferente do que vimos à tarde. Eu estava eufórica, estava nas nuvens.
Era a primeira vez que me entregava a um homem e consegui notar que Goro também estava descobrindo o corpo de uma mulher. E que honra ser o meu corpo.
Nossa primeira noite juntos foi tão bela, tão carinhosa e totalmente mágica. Fomos, sem dúvida, abençoados por nossos deuses.
Mesmo que isso trouxesse consequências para meu desempenho na missão nas minas no dia seguinte, eu não mudaria absolutamente nada. Foi perfeito!
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
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