Helga, finalmente, está diante de Sir Anthony Starkey, também conhecido como seu pai e, agora, muitas coisas precisam ser ditas. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris, e dos Desafiantes de Yuvalin.
Allihanna me deu forças para agir naquele momento porque eu mesma estava completamente em choque. Sir Starkey também estava em choque, deu para notar quando ele me chamou de Liara, que era provavelmente o nome da minha mãe. Ele disse que eu me parecia muito com uma pessoa que ele conheceu. Então, né?!
Ele largou a espada, se aproximou, ficou analisando meu rosto, meus cabelos. De forma impressionante, algumas pétalas daquela rosa em seu olho direito começaram a cair, como se ele estivesse chorando. Mais alto que eu, ele me perguntou qual era meu nome e me chamou de pequena. E me pediu um abraço.
Eu fiquei meio assustada porque ele parecia ter absoluta certeza de que eu realmente era filha dele. Tudo bem que eu já cheguei falando isso, mas ele nem pestanejou – se é que isso era possível. Eu também tinha essa certeza. Ele estava de braços abertos diante de mim e eu o abracei. Eu me senti em casa, me senti segura.
Eu chorava, assim como ele perdia as pétalas da rosa. A armadura era gelada, não havia calor no abraço, mas a sensação era a mesma que eu tinha quando estava junto do Goro: lar. O perfume das rosas contribuía para que eu, que não cresci cercada de flores, apenas de ervas curativas, me sentisse plena e tivesse a confirmação de que tinha meu pai abraçado a mim.
Ainda abraçados, ouvi sua voz imponente, voz de cavaleiro, perguntar se os meninos eram meus amigos. Então, eu mesma quis nos apresentar como um grupo de aventureiros, só ressaltei que o minotauro havia acabado de chegar. Ele, sabiamente, disse que era para tomarmos cuidado com o caçador de Oni. Mais filha dele seria impossível com esse tipo de pensamento.
Sir Starkey me perguntou como eu soube que ele deveria ser meu pai e como havíamos chegado até ele. Expliquei que essa história era longa e comecei a narrar sobre todo o percurso: a execução de minha mãe logo após ter dado a luz por minha causa, minha criação pela minha família adotiva em Villent, a busca pela minha origem para ser uma boa líder do grupo.
Falei sobre as informações recolhidas por Edward com seu pai acerca do paradeiro de Sir Starkey, nossa missão passando pela região, nosso encontro com o Barão Lazam e seu pedido para entregarmos a espada no túmulo. Então, apesar de não conseguir parar de tagarelar quando fico nervosa, parei refletindo sobre tudo o que eu tinha dito porque estava levemente confusa com o fato de meu pai estar e não estar morto.
Ele levou uma de suas mãos apenas de ossos ao seu crânio, exatamente sobre a rachadura que havia na testa, onde, provavelmente, sofreu o golpe que o fez morrer. Ele estava confuso também sobre o tempo que havia dormido – ou morrido, sei lá. Se ele estava confuso… poxa…
Meu pai e Edward começaram a conversar sobre a espada de matéria vermelha. Eu fiquei encantada quando o Cavaleiro das Rosas desembainhou aquela espada bastarda que a gente conhecia por causar ojeriza e que, em suas mãos, se tornava uma espada absolutamente normal e linda. Era mágica! Não era uma espada normal. Bom, a gente já sabia que não era por ser de matéria vermelha, mas era encantada, entende?
Ele agradeceu por termos levado sua filha até ele e, então, percebeu que estava falando da espada e agradeceu por termos levado até ele suas duas filhas: a espada e eu. Cavaleiros!
Recebemos também seu convite para entrarmos no casebre com a ressalva de não repararmos em sua amada morta na sala. Ok. Se eu podia lidar com meu pai na versão osteon, o que seria velar um corpo de uma desconhecida no meio da sala de casa?
Stefan perguntou pelo nome dela e qual não foi o espanto geral quando meu pai disse que o nome da sua amada de vestes vermelhas morta no meio da sala era Cassandra. Percebendo nossa expressão confusa, o cavaleiro explicou o que aconteceu. Quando ele despertou de seu sono de morte, estava nos braços da amada que chorava, ela havia entregue tudo para a deusa da noite, Tenebra, em troca dele. Ela estava morta agora e com um buraco no lugar do coração.
Opa!
Ele a protegia ali, mantendo o corpo dela dentro de uma cúpula de vidro na sala do casebre. Tudo o que sobrou para dedicar à deusa foi o corpo que mercenários tentam roubar todos os dias, enviados por um necromante.
Opa!
Ao mesmo tempo em que Stefan ainda divagava sobre acreditar que a tal Cassandra era a mesma Cassandra que nós vimos morrer no meio da tempestade rubra em Yuvalin, a que era esposa do seu amigo Drrrun, Edward foi um pouco mais sensato nesse momento e chamou a atenção de meu pai para um assunto mais sério. O kliren ainda interrompeu Ed, muito empolgado para falar sobre a meio-dragão. Stefan estava peculiarmente insuportável naquele momento e o Edward precisou silenciá-lo.
Assim como Edward sugeriu, achei por bem estarmos protegidos dos ouvidos alheios que queriam roubar o corpo de Cassandra para conversar sobre o tal assunto sério que precisávamos tratar. Então, entramos no casebre e vimos a cúpula de vidro com a Cassandra lá dentro em seus vestidos vermelhos.
E foi nesse instante que pareceu que eu tinha voltado ao início da adolescência. Joseph entrou por último na casa e acredito que ele não estava na conversa lá fora porque entrou fazendo perguntas idiotas sobre tirar a Cassandra da cúpula e reclamar que meu pai chamou ele de mascote. De repente, todos do grupo foram se apresentar de fato. Que vergonha!
Tentei intervir antes que a coisa desandasse, apresentando um por um. O Kroll estava meio emburrado, mas não sei se esse era seu natural desde que voltamos das férias ou se ele estava pior. Ele travou uma discussão que parecia infindável com meu pai sobre a pronúncia de sua raça: morrÔ ou morEAU. Graças a Toshinori, a discórdia foi interrompida quando ele disse que, apesar de ele e Edward não conseguirem enxergar mais que 5 palmos à frente, eles eram bem normais. Apresentei também o cavaleiro vindo de Bielefeld.
Stefan disse que era gente boa, fazendo um sorriso super esquisito. Então, nos entreolhamos todos e eu cochichei no que deveria ser o ouvido do meu pai dizendo que o Stefan sabe ser bem insuportável. Ele concordou, mas disse que o inventor tinha um sorriso bonito.
Apresentei Toshinori, falando sobre seus cabelos azuis e que era um paladino de Valkaria. Meu pai gostou de conhecer um companheiro de devoção e rolou aquela piadinha de que devotos de Valkaria se reconhecem também pelo fato de nunca saberem sobre tantos filhos por aí. Eu não sabia era onde me esconder depois dessa.
O Joseph fez algum comentário sobre o Toshinori não ter filhos porque ele não era muito de dar conta do recado, o que piorava, em muito, a minha situação de apresentar meus amigos para o meu pai. Percebi que o paladino começou a se desarmar, tirar a mochila e que o bardo começou a batucar em seu tambor, algo iria acontecer e eu não queria nem ver. Apresentei rapidamente o bardo e tentei mudar de assunto para me apresentar, contando o que tinha acontecido depois que eu nasci.
Meu pai falou que meus companheiros eram peculiares, mas pareciam muito bons para mim. Estávamos conversando enquanto o caos se instaurava no resto da sala, como o Joseph ser arremessado janela afora pelo Toshinori, o Stefan estava limpando o mosquete e o restante do pessoal queria beber algo envelhecido o suficiente, que fora trazido pelos mercenários.
Entretanto, meu pai e eu tínhamos assuntos a tratar. Primeiramente, ele pediu desculpas. Falou sobre sua paixão pela minha mãe, sobre como ela era bonita, sobre como ficou triste quando descobriu que minha mãe biológica era casada e que decidiu partir diante do fato, após duas semanas de romance. Seu pedido de desculpas foi porque, se ele soubesse que eu já existia no ventre de Liara, minha mãe biológica, ele jamais teria partido.
Falei que não havia o que se desculpar, a culpa não era dele, mas daquele povo que se diziam meus irmãos e que só atrapalharam minha vida. Passado é passado e nós não podemos voltar para mudar, dizia meu pai sobre tudo o que nos levou pelo caminho que trilhamos desde então. Mas podíamos aproveitar o tempo que tínhamos adiante.
Ele queria aproveitar o tempo que agora possuía para ver sua filha se tornar uma aventureira poderosa. Sir Starkey se ofereceu também para fazer parte dos Desafiantes de Yuvalin, se o aceitássemos. Ele só pedia uma coisa em troca: que acabássemos com a tramoia do tal necromante.
Foi então que eu comecei a explicar a problemada toda que nos fez chegar ao casebre: a cripta, a tumba aberta, o coração sobre o símbolo de Tenebra e… que eu estava amaldiçoada, como o insuportável do Stefan fez questão de me interromper para contar ao meu pai.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/2ticY712FZs
Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.
Até breve!
Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

