Épico e aquático – O encontro mais que esperado

Helga Iris, a sereia druida, está quase que, literalmente, com o coração na mão e parece que isso a fez se desviar do caminho que retornava à cidade para um lugar que já preocupava consideravelmente os membros do grupo.


Um turbilhão de pensamentos me invadiu naquela caminhada pelo bosque. Muitos pensamentos e pensamento nenhum. Um vazio. Provavelmente, esse foi o motivo de eu ter guiado o grupo para tão longe e ter parado logo naquele lugar.

Minha vida em Villent com minha mãe adotiva e eu em nossa sala de estar, ela sentada na poltrona e eu no chão, bem à frente dela. O fogo crepitando na lareira e Silena contando histórias de aventuras para mim, aventuras que ela mesma deve ter tido com seu noivo Zemo, antes de ele falecer.

Meus amigos Kaito Sakurauchi e Anya Davenport que brincavam de aventureiros comigo quando éramos crianças. Zora West e seu melhor amigo Filipe, o Corcel Negro. Sylas Mooncrest e seu pai, Lord Aether Mooncrest, que tentaram matar Kaito e eu com emboscadas na saída das aulas por ele ser tamuraniano e eu, uma sereia.

Momentos engraçados, como quando tentei me transformar em uma borboleta, sem sucesso. Momentos difíceis, como quando me despedi de Silena para me tornar aventureira. Minha chegada a Yuvalin, Rei Joss e os amigos do Rio Panteão, nossa primeira missão como Desafiantes de Yuvalin, a perda do Noah para os mortos-vivos.

Meus encontros com Goro, nosso primeiro beijo, nossa primeira noite juntos, depois de ele me pedir em namoro. O resgate da Noah e meu resgate por ela, nossa convivência, nossas conversas. As descobertas sobre meus pais e sobre mim mesma, o treinamento em Nitamu-ra.

Minha vida passava diante dos meus olhos. Eu poderia morrer a qualquer momento por causa daquele coração atrelado ao meu. Como aventureira, eu estava suscetível à morte. Já era praxe. Mas, naquele instante, eu me sentia ainda mais vulnerável, muito mais próxima do Reino de Allihanna para o descanso eterno. Não via nada. Não ouvia nada.

Quando finalmente parei, foi como se tivesse despertado de um sonho ruim. Olhei para todos os lados, me perguntando como tínhamos ido parar ali. Ao me dar conta do que fiz, eu pedi desculpas ao grupo por ter guiado todos ao lugar errado. Não sabia o que fazer. Edward e eu trocamos confirmações sobre ser o tal casebre que tínhamos falado tantas vezes dos sonhos dele e das visões com a espada de matéria vermelha de Sir Starkey.

O casebre

Para o nobre, estar ali era um sinal do destino ou de alguma coisa grande. Se isso pudesse me ajudar a resolver a maldição com o coração, eu ficaria aliviada. Perguntei se iríamos entrar no casebre, fosse para investigar ou dormir, então, os meninos pediram apenas para investigar antes. Melhor evitar mais armadilhas.

Enquanto isso, Stefan me alertou sobre o ferimento grave do minotauro. Era um paradoxo bem complicado: um minotauro, que, no geral, era uma criatura estúpida e inescrupulosa, porém completamente envolto na cultura tamuraniana, não apenas pelos seus trajes, mas pelos seus modos também. Me reconectei com o mundo real e com a minha deusa, suplicando para que ela o curasse através das minhas mãos e assim aconteceu.

Reparei pegadas no chão que levavam até o casebre, pedaços de roupa rasgada presas em árvores e no chão e madeira quebrada. Além disso, senti que havia alguma ameaça dentro do casebre e, imediatamente, meus dois corações começaram a bater disparados. Algo podia dar muito errado e eu alertei o grupo. Falei que precisávamos nos preparar e esperar o pior.

Estávamos muito cansados, queríamos descansar. A ideia do Toshinori era dormir no casebre, mas se tinha alguma ameaça, não seria uma boa ideia. Stefan acreditava que poderíamos esperar o melhor. Ficamos um certo tempo discutindo sobre o que fazer, como bons Desafiantes de Yuvalin que somos. Tomamos umas essências de mana e cuidamos para que todos estivessem prontos para enfrentar o que quer que fosse encontrado no casebre.

Toshinori pediu para que Stefan usasse apenas a adaga, para não haver problemas novamente, caso ele portasse sua pistola. Até levantou a camisa do Joseph como provas de seus crimes passados. Mas eu simplesmente respondi que confiava no Stefan. O paladino quase caiu no chão depois disso.

Olha, sejamos sinceros. O Toshinori tem estado bem esquisito nos últimos dias, sentindo medo, evitando a todo custo uma briga. Muito estranho. E o maluco tem sido cada vez mais útil. Se o mundo estava de cabeça para baixo, por que eu não confiaria no kliren que não traiu a gente com a namorada maluca? Ele parecia estar querendo ajudar de verdade.

Os meninos começaram a se aproximar, fiquei um pouco atrás acompanhando. Enquanto eles retornavam, Stefan tropeçou e fez um barulho discreto, mas que pareceu ser o suficiente para atrair a atenção de quem habitava o casebre.

De repente, só ouvimos uma risada vinda de dentro e alguém tentando defender o local e sua amada de invasores e mercenários. Naturalmente, não éramos os primeiros a tentar se aproximar. Qual não foi meu maior susto, o maior da vida, maior que o do coração. Fiquei estarrecida com o que eu vi. Só ouvia o som das batidas dos corações.

Eis que saiu pela porta do casebre ninguém mais e ninguém menos que um cavaleiro em armadura e espada puídas e enferrujadas. O cavaleiro era um esqueleto com rosas em seus olhos e presas ao restante da armadura escura e um belo topete cobria seu crânio. Seria impossível não o identificar. Eu não podia acreditar! Fiquei sem ar, de boca aberta, devia estar completamente pálida.

Aquele era Sir Anthony Starkey, o meu pai.

Sir Anthony Starkey

Edward logo se apressou em chamá-lo pelo nome e dizer que trouxera alguém importante para ele conhecer e também lançou sobre a grama revirada a espada bastarda de matéria vermelha, para que não houvesse conflitos. Quando Sir Starkey viu a espada, ele ficou pasmo – como se isso fosse possível. Sua expressão deveria ser igual à minha naquele momento.

Ignorando tudo o que havia ao meu redor, qualquer fala, qualquer sinal de um dos integrantes do grupo ou fosse o que fosse, eu avancei até onde o cavaleiro pudesse me ver com mais clareza e me apressei em dizer:

– A gente veio trazer esta espada para você. Oi, pai!


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – A maldição

Os Desafiantes de Yuvalin ainda estão na cripta onde Sir Starkey estáva enterrado e, agora, a Helga tem um baita problemão para resolver e não sabe nem por onde começar.


A silhueta era um minotauro. Ele gritava pedindo ajuda. Hyoda fora preso enquanto caçava um oni, uma espécie de demônio. Stefan me pediu para que eu consagrasse a área a Allihanna, assim, aquela contenção arcana, a parede mágica profanada, se desfaria. E assim aconteceu.

Hyoda caiu de joelhos, ofegante assim que a barreira se desfez. Ele estava há muito tempo preso ali, mas não se lembrava de nada a não ser que havia um necromante junto com o oni. Stefan já ofereceu a ele participar dos Desafiantes de Yuvalin, assim, sem cerimônia, mesmo sem ter condições de fazer isso. Eu só esperava que ele estivesse em paz e não trouxesse nenhuma surpresa desagradável.

Hyoda

Decidimos avançar. Voltar para a outra sala e descer as escadas para o outro lado. Lentamente, os meninos foram à frente e tudo era escuridão, apesar do símbolo sagrado de Valkaria que Toshinori portava, enquanto descíamos. Nos deparamos com um corredor com tochas e grades dos dois lados.

Eram celas com as grades entreabertas. Analisei os ossos dos corpos espalhados em cada uma, ossos de kliren – até brinquei com o Stefan dizendo que aqueles deviam ser parentes dele e não meus – e ossos humanos. Avançamos.

No final do corredor, havia uma mesa. Um livro e um coração estavam sobre ela. Resolvi investigar o coração, ele estava sobre o símbolo de Tenebra desenhado na mesa. Todos estavam tentando entender o que significava aquilo, conjecturando e consultando seus próprios deuses.

Aquele poderia ser o coração do meu pai que, agora, estaria dedicado à deusa da Noite. Os escritos ao lado do coração estavam borrados, mas eu tinha ciência de que poderia ter uma magia muito forte envolvida ali. No ímpeto de tentar entender e descobrir se aquele coração era do meu pai ou não, fui analisar mais de perto e toquei.

Imediatamente, o coração pulsou em minhas mãos. Bateu como se estivesse vivo, dentro de um corpo vivo. Meu corpo inteiro tremeu, senti o coração sincronizar suas batidas com as do meu próprio. Assustada, larguei o coração sobre a mesa. Mas o som dos pulsos do coração retumbavam em meus ouvidos e não vi e nem ouvi mais nada depois disso.

Quando voltei a mim, vi que os meninos estavam em batalha e o Hyoda estava arfando e ferido. Me concentrei em uma oração a Allihanna e abençoei meus aliados. Como se fosse um perfume em vapor, parecia uma leve explosão emanando de mim, a bênção de Allihanna impregnou na pele dos meninos.

Depois disso, voltei minha atenção ao coração, tentando controlar meus batimentos cardíacos sincronizados a ele. De costas para os meninos, só ouvia eles lutando contra sabe-se lá o que. Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, eu precisava regularizar minha respiração e diminuir os batimentos.

Stefan, no auge da sua inteligência obtusa, teve uma péssima ideia. Ele apontou a sua arma para o coração como ameaçando, caso nossos inimigos avançassem para o grupo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Olhei para ele com uma cara de poucos amigos, dizendo e, praticamente, implorando, para que ele não fizesse essa besteira. O lembrei de que, se ele atirasse, o grupo perderia a Helga.

Claro, o coração estava sincronizado ao meu. Se acelerasse, o meu acelerava também. Eu estava ofegante e suplicando com o olhar para Stefan. Podia não saber exatamente o que tinha acontecido, mas tinha certeza que, se algo acontecesse ao coração, o meu também sofreria.

De repente, senti garras rasgando minhas costas, mas, apesar de eu enrijecer minha pele, ainda me machuquei bastante. Nesse momento, eu percebi, então, que estava me sentindo muito mais fraca do que deveria com aquele golpe. Como se o coração tivesse absorvido minha vida, talvez até a metade dela.

Eu sentia dor e o horror percorria todos os cantos do meu corpo. Precisava controlar o desespero, porque isso significava diminuir os batimentos que estavam extremamente acelerados. Meus olhos estavam embaçados, eu estava tonta e sangrando.

Quando o minotauro golpeou o tal fantasma e o mandou pelos ares, finalmente, o coração começou a se acalmar e a bater mais sincronizado e com certa harmonia ao meu. Stefan olhou para mim e me explicou o que aconteceu: um ritual. Havia um fio mágico ligando os dois corações e que, realmente, se o coração morresse, eu também morreria, a menos que o necromante, criador da maldição, informasse como desfazer. Tudo isso de acordo com o livro que ele leu.

Ele continuou falando várias coisas sobre ter um ponto positivo na maldição e que havia um mapa para um lugar onde esse tal necromante poderia ter ido. Eu estava incrédula. Era como se aquela sala fosse inundada pelo frio das uivantes. Frio, horror e dor.

Coração

A Leah, namoradinha do Kroll, se aproximou com as garras à mostra, mas, antes de tocar o coração, guardou-as. Pegou o coração com as mãos e me disse que eu deveria cuidar dele muito bem. Ela começou a se afastar e pediu para que eu me afastasse também, cada uma para um lado da sala. Então, eu desmaiei.

Acordei com a Leah dizendo que eu não deveria me afastar do coração em hipótese alguma. Peguei um baú pequeno que tinha na mochila e coloquei o coração lá dentro. Tranquei e guardei de volta na mochila. Fiz tudo isso com extremo cuidado.

Joseph chamou nossa atenção para uma corrente de ar que ele sentiu no canto da sala e, depois, me abraçou para me consolar. Quando vi, Stefan estava com uma chave de osso outra vez. Apesar de eu saber que ele tinha usado o osso da minha parente, percebi que ele estava sendo útil para o grupo. Ele abriu uma porta oculta na parede para a saída da cripta.

Hyoda pediu ajuda para derrotar o necromante, mas meio que não tínhamos muita escolha, eu precisava me ver livre da maldição. Decidimos ir de volta para o vilarejo, no entanto, eu, que guiava o grupo, levei-os para um caminho diferente. Só reparei nisso quando olhei para frente e vi uma grande rocha branca e um casebre puído logo abaixo. O mesmo casebre que me apareceu em visão quando eu toquei a espada dentro do túmulo do meu pai. O mesmo dos sonhos do Edward.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/svCMxSdvJrA

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

A Grande Fuga: absolute cinema de Oliver Parker

Meu estoque de lencinhos de papel acabou! Se você não dava nada pelo filme A Grande Fuga (The Great Escaper), drama dirigido por Oliver Parker, vou me esforçar nas próximas linhas para tentar mudar sua opinião.

Drama não é meu gênero favorito de filmes, mas esse tem todos os atributos para ser um filmaço. Começo falando sobre o enredo que é baseado no caso real de Bernard Jordan (Michael Caine), um veterano da Segunda Guerra Mundial, que foge da casa de repouso onde mora com sua esposa Irene Jordan (Glenda Jackson) para participar da comemoração do 70º aniversário do desembarque do Dia D na Normandia.

Bernard Jordan

A história também é construída em cima de muitos flashbacks, trazendo algumas cenas do Dia D e o romance juvenil do casal, para situar o espectador e levar ao ápice dramático da narrativa.

Além disso, algo que eu, particularmente, gosto muito, e o filme abusa desse recurso com maestria, são as cenas tão bem escritas e dirigidas que não precisam nem de falas. A própria atuação e o jogo de ângulos e cores já traduz o sentimento e tudo o mais para quem assiste.

Os atores que, em sua maioria, já são (literalmente) veteranos entregam tudo em seus papéis. Você vê o personagem do filme em questão e não a sombra de outros no lugar dele. O que, até onde se sabe, é o último filme da carreira de Michael Caine se tornou uma despedida com chave de ouro. Excelente aposentadoria, Caine!

Glenda Jackson, John Standing, Danielle Vitalis, Victor Oshin e Wolf Kahler também se destacam pela atuação dramática – e até divertida em algumas cenas – trazendo veracidade àquilo que a história se propõe a narrar.

A mensagem do filme traduz sentimentos de quem viveu muito, perdeu muito e aproveitou cada momento de sua vida no pós-guerra, e que não esqueceu os horrores vividos. Horrores esses que atormentam e trazem lembranças difíceis à tona diversas vezes, além de serem responsáveis por comportamentos extremos nos personagens, como alcoolemia, violência, doenças e mágoas.

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite, para assistir comendo pipoca e brigadeiro no sofá, enrolado na coberta, com a caixinha de lenços do lado e abraçando uma pelúcia (ou seu pet, ou alguém que você ame abraçar).

Michael Caine e Glenda Jackson

É uma pena que muitas pessoas não se interessem por esse tipo de filme que marca tanto a experiência de vida e propõe reflexões profundas. Eu sugiro que você assista e tire suas próprias conclusões. Se você realmente gosta de cinema, não deveria esquecer obras de arte como A Grande Fuga.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/21/a-grande-fuga-absolute-cinema-de-oliver-parker/

Cyberpunk 2077: Phantom Liberty, a DLC que salvou uma empresa e um universo

Cyberpunk 2077: Phantom Liberty é uma Downloadable Content (DLC) lançada em setembro de 2023, a primeira e única DLC paga de um dos jogos mais controversos da década em vários aspectos, tanto positivos, quanto negativos que até mesmo prejudicaram a indústria de jogos por inteiro.

Essa DLC envolve conceitos que não foram explorados pelo jogo original, mas foram citados e era algo que os fãs esperavam ver com mais afinco, principalmente após o anime Cyberpunk: Edgerunners.

Com sua trama envolvendo questões político-diplomáticas, além de elevar a um outro patamar de jogos do gênero de RPG, inserindo elementos de terror, e de expandir ainda mais os combates frenéticos com a furtividade como uma das opções mais interessantes para se jogar, traz mais evidências mecânicas que estavam na geladeira, como a perseguição de veículos, uma “polícia do mal” e, até mesmo, poderes que outrora não tínhamos visto no jogo-base.

Cyberpunk 2077: Phantom Liberty

Essa DLC acompanha a trama de dois personagens muito bem escritos, talvez alguns dos mais complexos do jogo-base. Songbird é uma trilha-redes habilidosa possuindo um poder que, até mesmo pro(s) seu(s) personagem(ns), é algo impensável, como uma guardiã da presidente dos Novos Estados Unidos da América. Solomon Reed, interpretado por ninguém menos que Idris Elba, é um soldado veterano sob um disfarce há 7 anos após o fim da guerra corporativa e que foi dado como morto em ação por sua tropa.

A trama envolve algo muito simples de se entender, porém complexo ao se desenrolar. Como já é sabido, na campanha você (V) adquire um bio-chip capaz de mesclar a sua própria personalidade e memórias com a de um ex-terrorista e ex-rockstar, Johnny Silverhand. Por instantes, isso é jogado fora, porque Songbird simplesmente hackeia esse biochip e entra em contato com você, te oferecendo um serviço irrecusável: salvar a presidente dos NEUA de um acidente aéreo iminente.

No entanto, esse acidente acontece no pior lugar possível, o lugar em que Night City não é como nós a conhecemos no jogo-base e, sim, Dogtown, uma cidade dominada por um desertor que basicamente criou uma ditadura em meio à cidade mais libertária do planeta.

É impressionante como eles não só mantiveram o aspecto cinematográfico das cenas de ação e de impacto do jogo principal, como expandiram mais ainda, principalmente, as cenas de investigação. Quase numa realidade Cyberpunk de 007, você consegue ficar extremamente imerso na história e, a todo instante, se coloca numa rua bifurcada, onde você decide entre se jogar de um vale ou mergulhar numa banheira de tubarões famintos, uma qualidade espetacular deste universo.

Junto desta expansão, tivemos uma atualização de jogabilidade que realizou uma revolução em todo o aspecto mecânico de Cyberpunk, que para mim melhorou ainda mais algo que já era bom e satisfatório. Porém, agora há mais alternativas além das construções já conhecidas do jogo-base.

Além disso, tivemos uma nova árvore de habilidades, com modificações diretamente ao Relic que acrescentaram mecânicas diferentes e que expandem ainda mais como se joga Cyberpunk 2077.

De toda forma, essa é uma expansão que é irrecusável, não só irrecusável como essencial para experiência completa de Cyberpunk 2077. Eu nem chamaria de expansão, mas sim obrigação de consumir esse produto maravilhoso.

Jogue sem medo e sem receios! Definitivamente, o jogo não só está consertado, como está muito melhor. Como no processo de avaliação do Qual é a das quintas? eu preciso indicar um dia da semana e um horário, é óbvio que avalio como uma sexta-feira à noite: maravilhoso e a melhor parte possível da semana.

Escrito por: João Pedro Souza

Assassino por acaso e diversão garantida

Acredite se quiser, Assassino por Acaso (dirigido por Richard Linklater) é um filme baseado em um caso real. Essa crítica começa justamente apontando o espanto que eu tive quando apareceu na telona que Gary Johnson e o mundo ao redor dele realmente existiram. Mas, apesar de eu começar pelo meio do texto, os próximos parágrafos devem seguir uma linha para fazer sentido na sua cabeça – ou não.

Com lançamento em 12 de junho no Brasil, o filme conta a história de um professor universitário de filosofia, Gary Johnson (Glen Powell), que leva uma vida invisível e sem graça. Mesmo provocando seus alunos a pensarem e viverem intensamente, ele usa roupas simples, vive com seus dois gatos (ID e EGO) e dirige um carro popular. Como um passatempo bem diferente, ele presta serviços de inteligência para a polícia. Mesmo assim, sem nenhum tipo de aventura.

Poster

Tudo muda, no entanto, quando Jasper (Austin Amelio), que representa um assassino de aluguel para capturar as mentes por trás dos assassinatos e resolver os casos da polícia, é afastado de seu cargo. A única pessoa que sobrou para cobrir a ausência do colega foi Gary, que começa a ir muito bem nos disfarces. Bem até demais.

Essa é uma comédia de ação que entrega além do que foi prometido, graças a um roteiro bem feito, cheio de falas boas num timing perfeito, e à atuação impecável de Glen Powell, Adria Arjona, que interpreta Maddy Masters – a responsável por fazer Gary quebrar o protocolo como assassino de aluguel, e todo o elenco.

Além disso, a proposta do filme contextualiza muito bem as questões filosóficas levantadas pelo Gary em sala de aula e os momentos em que ele interpreta uma vida completamente diferente para a polícia na solução dos casos. Os espectadores podem acompanhar a evolução do personagem nesse encadeamento e imergir totalmente na história.

Essa evolução acontece não apenas na forma como o personagem age, mas é demonstrada também por meio do seu figurino muito bem planejado pela produção do filme. Ao longo da trama, você pode notar a transformação em cada caso e na própria vida do personagem.

Assassino por Acaso (Hit Man em inglês) é um filme que envolve quem assiste na expectativa de ver o personagem principal se desvencilhar das próprias mentiras enquanto lida com as mentiras dos outros, o que traz à tona uma pegada de agente secreto muito bem-humorada.

Ron (Gary) e Maddy

Possivelmente, esse não será um blockbuster, mas tem tudo para fazer um certo sucesso. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. São quase duas horas muito bem aproveitadas de vida em que você se envolve tanto com a história que nem nota que esse tempo passou.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/07/assassino-por-acaso-e-diversao-garantida/

Divertida Mente 2: uma grande e emocionante ideia

As emoções têm novas emoções em Divertida Mente 2 (Inside Out 2). Já os espectadores podem agendar sua próxima sessão de terapia para contar o que aprenderam com o novo filme da Pixar. Já separou o lencinho para levar para o cinema?

A Pixar parece ter acertado a mão dessa vez com as continuações de sucessos. Havia um temor real e natural de que as continuações já estavam se tornando um desperdício de energia, criatividade e dinheiro. Mas Divertida Mente 2 surpreende com uma história boa e coerente com o que milhões de pessoas já se identificaram, pelo menos, uma vez na vida.

Com estreia em 20 de junho no Brasil, o filme é da Pixar e Walt Disney Pictures, dirigido por Kelsey Mann e com roteiro de Dave Holstein e Meg LeFauve.

De forma bem-humorada, o filme é um espetáculo de realidade que ensina, mais uma vez, que cada sentimento precisa ter seu espaço e tempo. Com a Riley entrando na puberdade, todos os sentimentos ficam à flor da pele e nem eles sabem o que fazer dentro da cabeça dela. São muitas mudanças, inclusive, com a chegada de novas emoções: Ansiedade, Invej(inh)a, Vergonha e Tédio – deitado no sofá sem largar o celular um segundo sequer.

Novas emoções

No primeiro filme, temos emoções com descrições muito claras e objetivas, como a infância é. Agora, elas precisam lidar com a complexidade de um novo estágio da vida da protagonista. Além disso, os novos sentimentos chegaram para ficar e todos precisam aprender a coexistir pacificamente, ou as consequências podem ser desastrosas.

A dublagem brasileira dá um banho de contexto e memes atuais, afinal, temos uma adolescente em cena. É tão bem feito que você consegue nem se lembrar de quem são as vozes, com uma atuação que casa muito bem com cada personagem.

A animação, é claro, é um espetáculo à parte, com traços, coloração, 3D, tudo contribuindo para uma ambientação completa das cenas, trazendo sentimento para os momentos-chave do filme. A engenhosidade com que tudo é construído dentro da mente da Riley contribui para uma imersão completa nos cenários e na trajetória dos 5 personagens já conhecidos que são, simplesmente, expulsos de seus postos para dar lugar aos novos (por livre e espontâneo chute mesmo).

Com a Ansiedade no controle da mente da protagonista, tudo tem uma GRANDE chance de dar errado. O que me trouxe à clara reflexão da importância do equilíbrio entre as emoções em uma época quando todos estão extremamente ansiosos, deixando que essa personagem pequena e laranja tome conta. Os efeitos podem ser terríveis se não tratados e equilibrados com o retorno de todas as demais emoções em seus devidos lugares. Todas elas são importantes no lugar certo.

Por dentro da mente da Riley

O filme é recheado de piadas bem feitas e encaixadas também nos seus devidos lugares, algumas dão até uns sustos na gente. A evolução da história é emocionante, mas não me fez chorar como no primeiro filme. ALERTA DE SPOILER: sem mortes de personagens fofos e super apegáveis, nessa produção você se identifica mais com a história, reflete mais e tenha, talvez, um pouco de Nostalgia (outra emoção MARAVILHOSA), mas é menos chorável.

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. Me surpreendi e convido você a se divertir – MUITO -, refletindo sobre os rumos que os seus próprios sentimentos têm levado você, mas sem te deixar na deprê… talvez, só um pouco ansioso haha’ brincadeirinha.Ah! Muito importante: tem cena pós-créditos, ok? Bem divertida, aliás. Fique até o final.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/12/divertida-mente-2-uma-grande-e-emocionante-ideia/

Épico e aquático – Apenas nada e escuridão

Helga descobriu mais uma parte da história de seu pai, mas parece que ainda tem muita coisa para descobrir. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, na Jornada Heróica Coração de Rubi.


O espanto misturado com choro do barão me deixou até um pouco constrangida. Fiquei até com vergonha de ter contado que eu era a filha de Sir Starkey. Ele me abraçou, disse que eu era linda e que realmente tinha traços muito parecidos com meu pai. Agradeci pelas informações e lamentei não o ter conhecido antes de sua morte. Eu mesma fiz questão de levar a espada até a cripta, deixando sobre o túmulo dele.

Lazam prometeu me contar histórias sobre meu pai, pedindo apenas que fôssemos até à cripta para prestar essa homenagem e trouxéssemos, como garantia, uma urna. Ainda nos entregou dinheiro para ajudar.

Toshinori sugeriu que eu pedisse aos deuses uma oportunidade de eu ouvir as últimas palavras do meu pai, mas eu não achei uma boa ideia. Uma parte do grupo queria vender a espada, porque ela deveria valer muito dinheiro, outros acreditavam que ela poderia ser útil em batalha. Eu só queria ir prestar minha homenagem.

Falei ao grupo que, se eles não quisessem me acompanhar, tudo bem. Eu iria de qualquer forma. Então, finalmente, todos concordaram em irmos juntos. Seguimos com as carroças até certo ponto, mas, depois, o caminho se estreitou e ficou difícil seguir com elas. Só sei que, a partir de um determinado momento, eu só andei pelo meio do bosque, ignorando tudo, inclusive as discussões de uma missão normal dos Desafiantes de Yuvalin.

Sem desviar do caminho e nem prestar atenção em qualquer outra coisa

Seguindo por uma trilha na floresta, visualizei uma pedra com um brasão logo à frente. O brasão da família Lazam estava incrustado nesta pedra. Nos aproximamos, Stefan investigando para ver se encontrava armadilhas. Ele disse que poderíamos encontrar coisas que não gostaríamos e que seria interessante nos prepararmos. Pedi, então, que todos ficassem atentos, já que eu estaria focada em conhecer e me despedir do meu pai.

A grande pedra era uma porta contendo, também, um símbolo de Valkaria. Abri a porta e comecei a descer pelas escadas. Curiosamente, as tochas se acenderam assim que começamos a descer. Era uma sala com muitas zonas escuras e de penumbra, iluminada apenas pelas tochas da escada e por Toshinori, com seu símbolo sagrado. Pedi para que ele guardasse a jóia por um instante e consagrei toda a área à Allihanna para nos auxiliar em caso de ficarmos em apuros.

À frente, diversas urnas, flores mortas e teias de aranha. Provavelmente, poderíamos levar qualquer uma das urnas para o senhor Lazam, como prova do nosso serviço. Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta que havia do lado direito. Assim que entrei, vi cinco tumbas com os nomes de alguns parentes escritos sobre elas: Sir Lohrin Starkey, Lady Yubatel Starkey, Lady Bethaniel Starkey, Sir John Smitherin, Sir Anthony Starkey.

O que chamou a atenção, não só minha, mas de todos, é que a tumba do meu pai estava aberta. Me apavorei com o que quer que poderia ter acontecido ali. Stefan se aproximou para analisar do lado de fora e moveu a tampa bem devagar. De repente, um baque silencioso e um som de pedras caindo em profusão do lado de fora. Do lado de dentro da tumba, absolutamente nada. Estava vazia.

Eu estava estarrecida. Estava difícil pensar. Só vi Stefan se encaminhando para a tumba de Lady Yubatel, investigando e mostrando que o osso da bacia dela tinha um pedaço faltando no formato de uma chave. Depois disso, ele começou a investigar tumba por tumba. Eu só estava tentando assimilar tudo e com a mente a mil pensando o que eu poderia fazer nessa situação toda.

Pedi respeito aos meus parentes, uma vez que o inventor estava remexendo em armaduras e ossos dentro das tumbas. O Stefan sabe ser bem insuportável! Aos poucos, todos nós começamos a investigar também, com todo cuidado e, com reverência e respeito, analisei os corpos. Havia ossos faltando de costela, pés, braços, cada um de uma parte diferente. O único, porém, que tinha uma chave recortada de um dos ossos era, realmente, de Lady Yubatel.

Na tumba do meu pai só tinha poeira, teias de aranha, resquícios de fluidos de algum morto já secos, mas nenhum sinal do meu pai. Seu corpo, provavelmente, foi roubado dali. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa com o grupo, algo muito estranho aconteceu. Mais que o que já tinha acontecido naquele dia, ou em toda a minha vida. Minha mente foi sugada para algum lugar, o tempo congelou, e vi um casebre todo ruído no meio de algumas árvores. Exatamente o que Edward tinha compartilhado comigo dos seus sonhos.

Quando voltei a mim, todos me olhavam espantados. Estava com uma das mãos encostada sobre a borda do túmulo e continuava segurando a espada do meu pai. Eu olhava de Edward para o Stefan tirando a espada da minha mão e caindo dentro do túmulo. Briguei com o kliren para que ele tivesse mais respeito pelo meu pai.

Edward, então, nos perguntou sobre as visões. E compartilhei que era a mesma coisa que ele via nos seus sonhos. Logo, ele entrou também no túmulo – quanta falta de respeito desse povo – se ajoelhou e tocou na espada mais uma vez. Ele pareceu ter um ataque e me explicou o que viu: o momento em que meu pai morreu, lutando ao lado de uma mulher loira de vestes vermelhas contra mercenários.

Nosso nobre saiu do túmulo já fazendo um pedido para ficar com a espada. Eu estava muito confusa com tudo o que estava acontecendo. Só sabia que não havia motivo para deixar a espada ali sobre um túmulo vazio. No entanto, me apressei a falar meio que em coro com Toshinori: precisávamos sair daquela cripta primeiro.

Iniciamos um longo processo para tentar sair. Não havia mais escada na outra sala, só pedras e mais pedras umas sobre as outras impedindo qualquer passagem. Já estávamos perdendo o ar, Joseph corria de um lado para o outro só para ajudar a ter bastante falta de ar. Ele desmaiou, eu revirei os olhos e toquei em sua testa para acalmá-lo.

Ficamos um bom tempo discutindo sobre formas de encontrar uma saída. Stefan rodou a sala inteira apalpando as paredes, até sacar uma de suas engenhocas e transformar a cerâmica de uma das urnas em uma chave. Mas não adiantou. Ainda, tive que acalmar Toshinori que estava desesperado. Um paladino desesperado! Enquanto tentava aquietar os ânimos na sala, percebi que o inventor voltou aos túmulos e usava sua engenhoca.

Entendi tudo! Ele estava fazendo a chave com um osso de um dos meus antepassados. O Stefan sabe ser bem insuportável! O paladino, ainda, tentou argumentar dizendo ser necessário. Eu estava estarrecida. Voltei diante dos túmulos para pedir perdão pelos meus amigos.

Assim que retornei à sala, vi Stefan usando a tal chave e uma porta se abriu do outro lado. Pelo menos, foi útil. Que ser maníaco criaria por prazer uma passagem secreta que só é aberta usando uma chave feita dos ossos da bacia de alguém? Esse questionamento só passou pela minha cabeça, pelo visto, porque todos correram logo para atravessar a porta.

Uma chave feita de osso

O primeiro, é claro, foi o paladino, descobrindo armadilhas. Nada novo sob o sol – ou sob as masmorras. Seu grito de dor ecoou por todos os cantos daquela e ele desabou ao meu lado com olhar suplicante. Respirei fundo e fiz uma prece à minha deusa que me concedesse, mais uma vez, a sua graça sobre os ferimentos de Toshinori.

Sem mais armadilhas, o inventor avançou por aquele corredor que era uma escada descendo irregular até mais uma porta, que se abriu para uma câmara. Uma bacia esquisita no centro e uma escada para cada lado: uma subindo e uma descendo. Fiz uma prece a Allihanna para que me orientasse caso houvesse alguma armadilha ou ameaça por perto. Nada. Nenhum arrepio na espinha. Nada.

Para se ter uma noção de como são os Desafiantes, discutimos até sobre se deveríamos pegar a escada que subia ou a que descia. Com um ótimo argumento, Joseph convenceu-nos a subir. Aproveitei para falar que depois queria saber como ele copiava minhas magias.

Subimos e entramos em uma outra sala com uma espécie de parede mágica, brilhante com escritos arcanos. Quando Toshinori entrou, porém, sentimos algo muito estranho, como se algo abençoado guerreasse com algo profanado. Foi quando consegui ver uma silhueta escura, alta e de chifres por trás da parede bruxuleante.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/svCMxSdvJrA

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – Respostas começam a surgir

Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.

O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.

Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.

Carrasco de Lena

Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.

O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.

Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.

Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?

Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!

Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.

Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.

Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.

Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.

Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.

No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.

O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.

Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.

Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.

Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.

A espada

Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.

Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.

No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.

Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.

Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.

Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.

Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.

Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.

Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

O gato do sofá saiu de casa

Meu erro foi não ter levado uma lasanha ou pizza para o cinema! QUE POSER! Garfield – Fora de Casa é mais um clássico memorável, cheio de referências e muita fome. Apesar de tardia, essa crítica é para encorajar você que ainda não assistiu ao longa correr para o cinema (ou streaming, quando ele já tiver saído de cartaz).

Cartaz Garfield

A mais nova animação de um dos gatos mais divertidos dos quadrinhos, dirigida por Mark Dindal, traz muita risada e emoção. A história é envolvente, com personagens novos e os já amados vivendo uma aventura que parece ter saído de algum livro policial.

Garfield (Chris Pratt) e Odie (Gregg Berger e Harvey Guillén) se veem em apuros dignos de uma segunda-feira quando Jinx (Hannah Waddingham) os sequestra para atrair a atenção de Vic (Samuel L. Jackson), pai desaparecido do gato laranja. O que ela quer? Tem cara de vingança, cheiro de vingança, som de vingança, mas ela diz que não é vingança.

Para desespero de Jon (Nicholas Hoult), pai, filho e o cachorro saem em busca de pagar a dívida de Vic (que, por sinal, é beeeeeeeem grande): eles deveriam roubar leite da Fazenda Lactose, lugar que tem um passado para Jinx e Vic. Eles se veem, então, diante de um desafio considerável, principalmente quando falamos de um gato como Garfield, um gato doméstico acostumado aos maiores luxos que um humano pode conceder.

Uma das frases mais icônicas do filme, em relação a este blog, pelo menos, foi quando o Garfield fala que, se estava dando tudo errado, deveria ser segunda-feira, e outro responde que, na verdade, era uma quinta-feira. Qual é a das quintas?

Além de um elenco de peso, toda a equipe da produção é premiadíssima. A combinação dos fatores faz com que o filme tenha referências super atuais, um humor muito mais contextualizado com a realidade e, além disso, uma quebra de quarta parede notável. A própria animação é uma arte, trazendo um show de ambientação, iluminação, figurino, explosões e um 3D belíssimo.

Olha que fofuuuura essa carinha…

É comédia, ação, drama, é sobre família e para toda a família. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite, com certeza! Vale a pena dedicar minutos de vida cercado de pizza e lasanha e doces para assistir a Garfield – Fora de Casa.

E se você reencontrasse seu amigo imaginário?

Você se lembra do seu amigo imaginário da infância? Vocês brincavam juntos, comiam juntos e ele te ajudava nos momentos que você tinha medo. Não se lembra? Pois o filme Amigos Imaginários (IF), com a direção de John Krasinski, chegou aos cinemas para relembrar a gente que a imaginação não precisa se perder quando a gente cresce.

Com um elenco de peso, o longa conta a história de B (Cailey Fleming), de 12 anos, abandonando as aventuras infantis, muito por ter perdido a mãe e ver o pai internado no hospital. Mas ela se depara com algumas pessoas um tanto diferentes no prédio onde a avó mora.

Sua aventura para ajudar os amigos imaginários (MIGIs) perdidos de suas crianças a encontrar outras crianças começa quando ela descobre que pode vê-los, mesmo que ninguém mais veja. Ao lado de Cal (Ryan Reynolds), Blue (Steve Carell) e Blossom (Phoebe Waller-Bridge), B consegue voltar a se aventurar em grandes histórias no mundo fantástico dessas criaturas.

Esse é um filme com alguns pontos fortíssimos. O figurino é um espetáculo, com as roupas dos personagens mudando de acordo com o ambiente de cada cena. A condução da história faz você imaginar junto com a criança, rir e chorar bastante também. É, ao mesmo tempo, muito fofo e muito emocionante!

A trilha sonora colabora com o clima de imaginação, além de, é claro, os gráficos. Todos os personagens, imaginários porém visíveis, são muito bem desenhados e animados. Eles possuem características humanas e, ao mesmo tempo, fantasiosas e com muita expressão própria.

A aventura é divertida, mas também é reflexiva. Cada expressão dos personagens revela detalhes que vão se juntando até formar o panorama total geral num final impactante. Me fez relembrar meu amigo imaginário e querer tê-lo por perto outra vez.

De segunda a sexta, esse filme é uma sexta-feira à noite com toda certeza! Vale a pena ir ao cinema, rir, chorar, imaginar, contar histórias e ter ótimas lembranças da infância.

Já assistiu? Conta pra gente o que achou!