Épico e aquático – Apresento meus amigos ao meu pai

Helga, finalmente, está diante de Sir Anthony Starkey, também conhecido como seu pai e, agora, muitas coisas precisam ser ditas. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris, e dos Desafiantes de Yuvalin.


Allihanna me deu forças para agir naquele momento porque eu mesma estava completamente em choque. Sir Starkey também estava em choque, deu para notar quando ele me chamou de Liara, que era provavelmente o nome da minha mãe. Ele disse que eu me parecia muito com uma pessoa que ele conheceu. Então, né?!

Ele largou a espada, se aproximou, ficou analisando meu rosto, meus cabelos. De forma impressionante, algumas pétalas daquela rosa em seu olho direito começaram a cair, como se ele estivesse chorando. Mais alto que eu, ele me perguntou qual era meu nome e me chamou de pequena. E me pediu um abraço.

Eu fiquei meio assustada porque ele parecia ter absoluta certeza de que eu realmente era filha dele. Tudo bem que eu já cheguei falando isso, mas ele nem pestanejou – se é que isso era possível. Eu também tinha essa certeza. Ele estava de braços abertos diante de mim e eu o abracei. Eu me senti em casa, me senti segura.

Eu chorava, assim como ele perdia as pétalas da rosa. A armadura era gelada, não havia calor no abraço, mas a sensação era a mesma que eu tinha quando estava junto do Goro: lar. O perfume das rosas contribuía para que eu, que não cresci cercada de flores, apenas de ervas curativas, me sentisse plena e tivesse a confirmação de que tinha meu pai abraçado a mim.

Pétalas caíam dos olhos de Sir Starkey

Ainda abraçados, ouvi sua voz imponente, voz de cavaleiro, perguntar se os meninos eram meus amigos. Então, eu mesma quis nos apresentar como um grupo de aventureiros, só ressaltei que o minotauro havia acabado de chegar. Ele, sabiamente, disse que era para tomarmos cuidado com o caçador de Oni. Mais filha dele seria impossível com esse tipo de pensamento.

Sir Starkey me perguntou como eu soube que ele deveria ser meu pai e como havíamos chegado até ele. Expliquei que essa história era longa e comecei a narrar sobre todo o percurso: a execução de minha mãe logo após ter dado a luz por minha causa, minha criação pela minha família adotiva em Villent, a busca pela minha origem para ser uma boa líder do grupo.

Falei sobre as informações recolhidas por Edward com seu pai acerca do paradeiro de Sir Starkey, nossa missão passando pela região, nosso encontro com o Barão Lazam e seu pedido para entregarmos a espada no túmulo. Então, apesar de não conseguir parar de tagarelar quando fico nervosa, parei refletindo sobre tudo o que eu tinha dito porque estava levemente confusa com o fato de meu pai estar e não estar morto.

Ele levou uma de suas mãos apenas de ossos ao seu crânio, exatamente sobre a rachadura que havia na testa, onde, provavelmente, sofreu o golpe que o fez morrer. Ele estava confuso também sobre o tempo que havia dormido – ou morrido, sei lá. Se ele estava confuso… poxa… 

Meu pai e Edward começaram a conversar sobre a espada de matéria vermelha. Eu fiquei encantada quando o Cavaleiro das Rosas desembainhou aquela espada bastarda que a gente conhecia por causar ojeriza e que, em suas mãos, se tornava uma espada absolutamente normal e linda. Era mágica! Não era uma espada normal. Bom, a gente já sabia que não era por ser de matéria vermelha, mas era encantada, entende?

Ele agradeceu por termos levado sua filha até ele e, então, percebeu que estava falando da espada e agradeceu por termos levado até ele suas duas filhas: a espada e eu. Cavaleiros!

Recebemos também seu convite para entrarmos no casebre com a ressalva de não repararmos em sua amada morta na sala. Ok. Se eu podia lidar com meu pai na versão osteon, o que seria velar um corpo de uma desconhecida no meio da sala de casa?

Stefan perguntou pelo nome dela e qual não foi o espanto geral quando meu pai disse que o nome da sua amada de vestes vermelhas morta no meio da sala era Cassandra. Percebendo nossa expressão confusa, o cavaleiro explicou o que aconteceu. Quando ele despertou de seu sono de morte, estava nos braços da amada que chorava, ela havia entregue tudo para a deusa da noite, Tenebra, em troca dele. Ela estava morta agora e com um buraco no lugar do coração.

Opa!

Ele a protegia ali, mantendo o corpo dela dentro de uma cúpula de vidro na sala do casebre. Tudo o que sobrou para dedicar à deusa foi o corpo que mercenários tentam roubar todos os dias, enviados por um necromante.

Opa!

Ao mesmo tempo em que Stefan ainda divagava sobre acreditar que a tal Cassandra era a mesma Cassandra que nós vimos morrer no meio da tempestade rubra em Yuvalin, a que era esposa do seu amigo Drrrun, Edward foi um pouco mais sensato nesse momento e chamou a atenção de meu pai para um assunto mais sério. O kliren ainda interrompeu Ed, muito empolgado para falar sobre a meio-dragão. Stefan estava peculiarmente insuportável naquele momento e o Edward precisou silenciá-lo.

Assim como Edward sugeriu, achei por bem estarmos protegidos dos ouvidos alheios que queriam roubar o corpo de Cassandra para conversar sobre o tal assunto sério que precisávamos tratar. Então, entramos no casebre e vimos a cúpula de vidro com a Cassandra lá dentro em seus vestidos vermelhos.

E foi nesse instante que pareceu que eu tinha voltado ao início da adolescência. Joseph entrou por último na casa e acredito que ele não estava na conversa lá fora porque entrou fazendo perguntas idiotas sobre tirar a Cassandra da cúpula e reclamar que meu pai chamou ele de mascote. De repente, todos do grupo foram se apresentar de fato. Que vergonha!

Tentei intervir antes que a coisa desandasse, apresentando um por um. O Kroll estava meio emburrado, mas não sei se esse era seu natural desde que voltamos das férias ou se ele estava pior. Ele travou uma discussão que parecia infindável com meu pai sobre a pronúncia de sua raça: morrÔ ou morEAU. Graças a Toshinori, a discórdia foi interrompida quando ele disse que, apesar de ele e Edward não conseguirem enxergar mais que 5 palmos à frente, eles eram bem normais. Apresentei também o cavaleiro vindo de Bielefeld.

Stefan disse que era gente boa, fazendo um sorriso super esquisito. Então, nos entreolhamos todos e eu cochichei no que deveria ser o ouvido do meu pai dizendo que o Stefan sabe ser bem insuportável. Ele concordou, mas disse que o inventor tinha um sorriso bonito.

Apresentei Toshinori, falando sobre seus cabelos azuis e que era um paladino de Valkaria. Meu pai gostou de conhecer um companheiro de devoção e rolou aquela piadinha de que devotos de Valkaria se reconhecem também pelo fato de nunca saberem sobre tantos filhos por aí. Eu não sabia era onde me esconder depois dessa.

O Joseph fez algum comentário sobre o Toshinori não ter filhos porque ele não era muito de dar conta do recado, o que piorava, em muito, a minha situação de apresentar meus amigos para o meu pai. Percebi que o paladino começou a se desarmar, tirar a mochila e que o bardo começou a batucar em seu tambor, algo iria acontecer e eu não queria nem ver. Apresentei rapidamente o bardo e tentei mudar de assunto para me apresentar, contando o que tinha acontecido depois que eu nasci.

Os Desafiantes de Yuvalin

Meu pai falou que meus companheiros eram peculiares, mas pareciam muito bons para mim. Estávamos conversando enquanto o caos se instaurava no resto da sala, como o Joseph ser arremessado janela afora pelo Toshinori, o Stefan estava limpando o mosquete e o restante do pessoal queria beber algo envelhecido o suficiente, que fora trazido pelos mercenários.

Entretanto, meu pai e eu tínhamos assuntos a tratar. Primeiramente, ele pediu desculpas. Falou sobre sua paixão pela minha mãe, sobre como ela era bonita, sobre como ficou triste quando descobriu que minha mãe biológica era casada e que decidiu partir diante do fato, após duas semanas de romance. Seu pedido de desculpas foi porque, se ele soubesse que eu já existia no ventre de Liara, minha mãe biológica, ele jamais teria partido.

Falei que não havia o que se desculpar, a culpa não era dele, mas daquele povo que se diziam meus irmãos e que só atrapalharam minha vida. Passado é passado e nós não podemos voltar para mudar, dizia meu pai sobre tudo o que nos levou pelo caminho que trilhamos desde então. Mas podíamos aproveitar o tempo que tínhamos adiante.

Ele queria aproveitar o tempo que agora possuía para ver sua filha se tornar uma aventureira poderosa. Sir Starkey se ofereceu também para fazer parte dos Desafiantes de Yuvalin, se o aceitássemos. Ele só pedia uma coisa em troca: que acabássemos com a tramoia do tal necromante.

Foi então que eu comecei a explicar a problemada toda que nos fez chegar ao casebre: a cripta, a tumba aberta, o coração sobre o símbolo de Tenebra e… que eu estava amaldiçoada, como o insuportável do Stefan fez questão de me interromper para contar ao meu pai.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs

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Até breve!

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Épico e aquático – O encontro mais que esperado

Helga Iris, a sereia druida, está quase que, literalmente, com o coração na mão e parece que isso a fez se desviar do caminho que retornava à cidade para um lugar que já preocupava consideravelmente os membros do grupo.


Um turbilhão de pensamentos me invadiu naquela caminhada pelo bosque. Muitos pensamentos e pensamento nenhum. Um vazio. Provavelmente, esse foi o motivo de eu ter guiado o grupo para tão longe e ter parado logo naquele lugar.

Minha vida em Villent com minha mãe adotiva e eu em nossa sala de estar, ela sentada na poltrona e eu no chão, bem à frente dela. O fogo crepitando na lareira e Silena contando histórias de aventuras para mim, aventuras que ela mesma deve ter tido com seu noivo Zemo, antes de ele falecer.

Meus amigos Kaito Sakurauchi e Anya Davenport que brincavam de aventureiros comigo quando éramos crianças. Zora West e seu melhor amigo Filipe, o Corcel Negro. Sylas Mooncrest e seu pai, Lord Aether Mooncrest, que tentaram matar Kaito e eu com emboscadas na saída das aulas por ele ser tamuraniano e eu, uma sereia.

Momentos engraçados, como quando tentei me transformar em uma borboleta, sem sucesso. Momentos difíceis, como quando me despedi de Silena para me tornar aventureira. Minha chegada a Yuvalin, Rei Joss e os amigos do Rio Panteão, nossa primeira missão como Desafiantes de Yuvalin, a perda do Noah para os mortos-vivos.

Meus encontros com Goro, nosso primeiro beijo, nossa primeira noite juntos, depois de ele me pedir em namoro. O resgate da Noah e meu resgate por ela, nossa convivência, nossas conversas. As descobertas sobre meus pais e sobre mim mesma, o treinamento em Nitamu-ra.

Minha vida passava diante dos meus olhos. Eu poderia morrer a qualquer momento por causa daquele coração atrelado ao meu. Como aventureira, eu estava suscetível à morte. Já era praxe. Mas, naquele instante, eu me sentia ainda mais vulnerável, muito mais próxima do Reino de Allihanna para o descanso eterno. Não via nada. Não ouvia nada.

Quando finalmente parei, foi como se tivesse despertado de um sonho ruim. Olhei para todos os lados, me perguntando como tínhamos ido parar ali. Ao me dar conta do que fiz, eu pedi desculpas ao grupo por ter guiado todos ao lugar errado. Não sabia o que fazer. Edward e eu trocamos confirmações sobre ser o tal casebre que tínhamos falado tantas vezes dos sonhos dele e das visões com a espada de matéria vermelha de Sir Starkey.

O casebre

Para o nobre, estar ali era um sinal do destino ou de alguma coisa grande. Se isso pudesse me ajudar a resolver a maldição com o coração, eu ficaria aliviada. Perguntei se iríamos entrar no casebre, fosse para investigar ou dormir, então, os meninos pediram apenas para investigar antes. Melhor evitar mais armadilhas.

Enquanto isso, Stefan me alertou sobre o ferimento grave do minotauro. Era um paradoxo bem complicado: um minotauro, que, no geral, era uma criatura estúpida e inescrupulosa, porém completamente envolto na cultura tamuraniana, não apenas pelos seus trajes, mas pelos seus modos também. Me reconectei com o mundo real e com a minha deusa, suplicando para que ela o curasse através das minhas mãos e assim aconteceu.

Reparei pegadas no chão que levavam até o casebre, pedaços de roupa rasgada presas em árvores e no chão e madeira quebrada. Além disso, senti que havia alguma ameaça dentro do casebre e, imediatamente, meus dois corações começaram a bater disparados. Algo podia dar muito errado e eu alertei o grupo. Falei que precisávamos nos preparar e esperar o pior.

Estávamos muito cansados, queríamos descansar. A ideia do Toshinori era dormir no casebre, mas se tinha alguma ameaça, não seria uma boa ideia. Stefan acreditava que poderíamos esperar o melhor. Ficamos um certo tempo discutindo sobre o que fazer, como bons Desafiantes de Yuvalin que somos. Tomamos umas essências de mana e cuidamos para que todos estivessem prontos para enfrentar o que quer que fosse encontrado no casebre.

Toshinori pediu para que Stefan usasse apenas a adaga, para não haver problemas novamente, caso ele portasse sua pistola. Até levantou a camisa do Joseph como provas de seus crimes passados. Mas eu simplesmente respondi que confiava no Stefan. O paladino quase caiu no chão depois disso.

Olha, sejamos sinceros. O Toshinori tem estado bem esquisito nos últimos dias, sentindo medo, evitando a todo custo uma briga. Muito estranho. E o maluco tem sido cada vez mais útil. Se o mundo estava de cabeça para baixo, por que eu não confiaria no kliren que não traiu a gente com a namorada maluca? Ele parecia estar querendo ajudar de verdade.

Os meninos começaram a se aproximar, fiquei um pouco atrás acompanhando. Enquanto eles retornavam, Stefan tropeçou e fez um barulho discreto, mas que pareceu ser o suficiente para atrair a atenção de quem habitava o casebre.

De repente, só ouvimos uma risada vinda de dentro e alguém tentando defender o local e sua amada de invasores e mercenários. Naturalmente, não éramos os primeiros a tentar se aproximar. Qual não foi meu maior susto, o maior da vida, maior que o do coração. Fiquei estarrecida com o que eu vi. Só ouvia o som das batidas dos corações.

Eis que saiu pela porta do casebre ninguém mais e ninguém menos que um cavaleiro em armadura e espada puídas e enferrujadas. O cavaleiro era um esqueleto com rosas em seus olhos e presas ao restante da armadura escura e um belo topete cobria seu crânio. Seria impossível não o identificar. Eu não podia acreditar! Fiquei sem ar, de boca aberta, devia estar completamente pálida.

Aquele era Sir Anthony Starkey, o meu pai.

Sir Anthony Starkey

Edward logo se apressou em chamá-lo pelo nome e dizer que trouxera alguém importante para ele conhecer e também lançou sobre a grama revirada a espada bastarda de matéria vermelha, para que não houvesse conflitos. Quando Sir Starkey viu a espada, ele ficou pasmo – como se isso fosse possível. Sua expressão deveria ser igual à minha naquele momento.

Ignorando tudo o que havia ao meu redor, qualquer fala, qualquer sinal de um dos integrantes do grupo ou fosse o que fosse, eu avancei até onde o cavaleiro pudesse me ver com mais clareza e me apressei em dizer:

– A gente veio trazer esta espada para você. Oi, pai!


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Épico e aquático – A maldição

Os Desafiantes de Yuvalin ainda estão na cripta onde Sir Starkey estáva enterrado e, agora, a Helga tem um baita problemão para resolver e não sabe nem por onde começar.


A silhueta era um minotauro. Ele gritava pedindo ajuda. Hyoda fora preso enquanto caçava um oni, uma espécie de demônio. Stefan me pediu para que eu consagrasse a área a Allihanna, assim, aquela contenção arcana, a parede mágica profanada, se desfaria. E assim aconteceu.

Hyoda caiu de joelhos, ofegante assim que a barreira se desfez. Ele estava há muito tempo preso ali, mas não se lembrava de nada a não ser que havia um necromante junto com o oni. Stefan já ofereceu a ele participar dos Desafiantes de Yuvalin, assim, sem cerimônia, mesmo sem ter condições de fazer isso. Eu só esperava que ele estivesse em paz e não trouxesse nenhuma surpresa desagradável.

Hyoda

Decidimos avançar. Voltar para a outra sala e descer as escadas para o outro lado. Lentamente, os meninos foram à frente e tudo era escuridão, apesar do símbolo sagrado de Valkaria que Toshinori portava, enquanto descíamos. Nos deparamos com um corredor com tochas e grades dos dois lados.

Eram celas com as grades entreabertas. Analisei os ossos dos corpos espalhados em cada uma, ossos de kliren – até brinquei com o Stefan dizendo que aqueles deviam ser parentes dele e não meus – e ossos humanos. Avançamos.

No final do corredor, havia uma mesa. Um livro e um coração estavam sobre ela. Resolvi investigar o coração, ele estava sobre o símbolo de Tenebra desenhado na mesa. Todos estavam tentando entender o que significava aquilo, conjecturando e consultando seus próprios deuses.

Aquele poderia ser o coração do meu pai que, agora, estaria dedicado à deusa da Noite. Os escritos ao lado do coração estavam borrados, mas eu tinha ciência de que poderia ter uma magia muito forte envolvida ali. No ímpeto de tentar entender e descobrir se aquele coração era do meu pai ou não, fui analisar mais de perto e toquei.

Imediatamente, o coração pulsou em minhas mãos. Bateu como se estivesse vivo, dentro de um corpo vivo. Meu corpo inteiro tremeu, senti o coração sincronizar suas batidas com as do meu próprio. Assustada, larguei o coração sobre a mesa. Mas o som dos pulsos do coração retumbavam em meus ouvidos e não vi e nem ouvi mais nada depois disso.

Quando voltei a mim, vi que os meninos estavam em batalha e o Hyoda estava arfando e ferido. Me concentrei em uma oração a Allihanna e abençoei meus aliados. Como se fosse um perfume em vapor, parecia uma leve explosão emanando de mim, a bênção de Allihanna impregnou na pele dos meninos.

Depois disso, voltei minha atenção ao coração, tentando controlar meus batimentos cardíacos sincronizados a ele. De costas para os meninos, só ouvia eles lutando contra sabe-se lá o que. Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, eu precisava regularizar minha respiração e diminuir os batimentos.

Stefan, no auge da sua inteligência obtusa, teve uma péssima ideia. Ele apontou a sua arma para o coração como ameaçando, caso nossos inimigos avançassem para o grupo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Olhei para ele com uma cara de poucos amigos, dizendo e, praticamente, implorando, para que ele não fizesse essa besteira. O lembrei de que, se ele atirasse, o grupo perderia a Helga.

Claro, o coração estava sincronizado ao meu. Se acelerasse, o meu acelerava também. Eu estava ofegante e suplicando com o olhar para Stefan. Podia não saber exatamente o que tinha acontecido, mas tinha certeza que, se algo acontecesse ao coração, o meu também sofreria.

De repente, senti garras rasgando minhas costas, mas, apesar de eu enrijecer minha pele, ainda me machuquei bastante. Nesse momento, eu percebi, então, que estava me sentindo muito mais fraca do que deveria com aquele golpe. Como se o coração tivesse absorvido minha vida, talvez até a metade dela.

Eu sentia dor e o horror percorria todos os cantos do meu corpo. Precisava controlar o desespero, porque isso significava diminuir os batimentos que estavam extremamente acelerados. Meus olhos estavam embaçados, eu estava tonta e sangrando.

Quando o minotauro golpeou o tal fantasma e o mandou pelos ares, finalmente, o coração começou a se acalmar e a bater mais sincronizado e com certa harmonia ao meu. Stefan olhou para mim e me explicou o que aconteceu: um ritual. Havia um fio mágico ligando os dois corações e que, realmente, se o coração morresse, eu também morreria, a menos que o necromante, criador da maldição, informasse como desfazer. Tudo isso de acordo com o livro que ele leu.

Ele continuou falando várias coisas sobre ter um ponto positivo na maldição e que havia um mapa para um lugar onde esse tal necromante poderia ter ido. Eu estava incrédula. Era como se aquela sala fosse inundada pelo frio das uivantes. Frio, horror e dor.

Coração

A Leah, namoradinha do Kroll, se aproximou com as garras à mostra, mas, antes de tocar o coração, guardou-as. Pegou o coração com as mãos e me disse que eu deveria cuidar dele muito bem. Ela começou a se afastar e pediu para que eu me afastasse também, cada uma para um lado da sala. Então, eu desmaiei.

Acordei com a Leah dizendo que eu não deveria me afastar do coração em hipótese alguma. Peguei um baú pequeno que tinha na mochila e coloquei o coração lá dentro. Tranquei e guardei de volta na mochila. Fiz tudo isso com extremo cuidado.

Joseph chamou nossa atenção para uma corrente de ar que ele sentiu no canto da sala e, depois, me abraçou para me consolar. Quando vi, Stefan estava com uma chave de osso outra vez. Apesar de eu saber que ele tinha usado o osso da minha parente, percebi que ele estava sendo útil para o grupo. Ele abriu uma porta oculta na parede para a saída da cripta.

Hyoda pediu ajuda para derrotar o necromante, mas meio que não tínhamos muita escolha, eu precisava me ver livre da maldição. Decidimos ir de volta para o vilarejo, no entanto, eu, que guiava o grupo, levei-os para um caminho diferente. Só reparei nisso quando olhei para frente e vi uma grande rocha branca e um casebre puído logo abaixo. O mesmo casebre que me apareceu em visão quando eu toquei a espada dentro do túmulo do meu pai. O mesmo dos sonhos do Edward.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/svCMxSdvJrA

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Até breve!

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Épico e aquático – Apenas nada e escuridão

Helga descobriu mais uma parte da história de seu pai, mas parece que ainda tem muita coisa para descobrir. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, na Jornada Heróica Coração de Rubi.


O espanto misturado com choro do barão me deixou até um pouco constrangida. Fiquei até com vergonha de ter contado que eu era a filha de Sir Starkey. Ele me abraçou, disse que eu era linda e que realmente tinha traços muito parecidos com meu pai. Agradeci pelas informações e lamentei não o ter conhecido antes de sua morte. Eu mesma fiz questão de levar a espada até a cripta, deixando sobre o túmulo dele.

Lazam prometeu me contar histórias sobre meu pai, pedindo apenas que fôssemos até à cripta para prestar essa homenagem e trouxéssemos, como garantia, uma urna. Ainda nos entregou dinheiro para ajudar.

Toshinori sugeriu que eu pedisse aos deuses uma oportunidade de eu ouvir as últimas palavras do meu pai, mas eu não achei uma boa ideia. Uma parte do grupo queria vender a espada, porque ela deveria valer muito dinheiro, outros acreditavam que ela poderia ser útil em batalha. Eu só queria ir prestar minha homenagem.

Falei ao grupo que, se eles não quisessem me acompanhar, tudo bem. Eu iria de qualquer forma. Então, finalmente, todos concordaram em irmos juntos. Seguimos com as carroças até certo ponto, mas, depois, o caminho se estreitou e ficou difícil seguir com elas. Só sei que, a partir de um determinado momento, eu só andei pelo meio do bosque, ignorando tudo, inclusive as discussões de uma missão normal dos Desafiantes de Yuvalin.

Sem desviar do caminho e nem prestar atenção em qualquer outra coisa

Seguindo por uma trilha na floresta, visualizei uma pedra com um brasão logo à frente. O brasão da família Lazam estava incrustado nesta pedra. Nos aproximamos, Stefan investigando para ver se encontrava armadilhas. Ele disse que poderíamos encontrar coisas que não gostaríamos e que seria interessante nos prepararmos. Pedi, então, que todos ficassem atentos, já que eu estaria focada em conhecer e me despedir do meu pai.

A grande pedra era uma porta contendo, também, um símbolo de Valkaria. Abri a porta e comecei a descer pelas escadas. Curiosamente, as tochas se acenderam assim que começamos a descer. Era uma sala com muitas zonas escuras e de penumbra, iluminada apenas pelas tochas da escada e por Toshinori, com seu símbolo sagrado. Pedi para que ele guardasse a jóia por um instante e consagrei toda a área à Allihanna para nos auxiliar em caso de ficarmos em apuros.

À frente, diversas urnas, flores mortas e teias de aranha. Provavelmente, poderíamos levar qualquer uma das urnas para o senhor Lazam, como prova do nosso serviço. Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta que havia do lado direito. Assim que entrei, vi cinco tumbas com os nomes de alguns parentes escritos sobre elas: Sir Lohrin Starkey, Lady Yubatel Starkey, Lady Bethaniel Starkey, Sir John Smitherin, Sir Anthony Starkey.

O que chamou a atenção, não só minha, mas de todos, é que a tumba do meu pai estava aberta. Me apavorei com o que quer que poderia ter acontecido ali. Stefan se aproximou para analisar do lado de fora e moveu a tampa bem devagar. De repente, um baque silencioso e um som de pedras caindo em profusão do lado de fora. Do lado de dentro da tumba, absolutamente nada. Estava vazia.

Eu estava estarrecida. Estava difícil pensar. Só vi Stefan se encaminhando para a tumba de Lady Yubatel, investigando e mostrando que o osso da bacia dela tinha um pedaço faltando no formato de uma chave. Depois disso, ele começou a investigar tumba por tumba. Eu só estava tentando assimilar tudo e com a mente a mil pensando o que eu poderia fazer nessa situação toda.

Pedi respeito aos meus parentes, uma vez que o inventor estava remexendo em armaduras e ossos dentro das tumbas. O Stefan sabe ser bem insuportável! Aos poucos, todos nós começamos a investigar também, com todo cuidado e, com reverência e respeito, analisei os corpos. Havia ossos faltando de costela, pés, braços, cada um de uma parte diferente. O único, porém, que tinha uma chave recortada de um dos ossos era, realmente, de Lady Yubatel.

Na tumba do meu pai só tinha poeira, teias de aranha, resquícios de fluidos de algum morto já secos, mas nenhum sinal do meu pai. Seu corpo, provavelmente, foi roubado dali. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa com o grupo, algo muito estranho aconteceu. Mais que o que já tinha acontecido naquele dia, ou em toda a minha vida. Minha mente foi sugada para algum lugar, o tempo congelou, e vi um casebre todo ruído no meio de algumas árvores. Exatamente o que Edward tinha compartilhado comigo dos seus sonhos.

Quando voltei a mim, todos me olhavam espantados. Estava com uma das mãos encostada sobre a borda do túmulo e continuava segurando a espada do meu pai. Eu olhava de Edward para o Stefan tirando a espada da minha mão e caindo dentro do túmulo. Briguei com o kliren para que ele tivesse mais respeito pelo meu pai.

Edward, então, nos perguntou sobre as visões. E compartilhei que era a mesma coisa que ele via nos seus sonhos. Logo, ele entrou também no túmulo – quanta falta de respeito desse povo – se ajoelhou e tocou na espada mais uma vez. Ele pareceu ter um ataque e me explicou o que viu: o momento em que meu pai morreu, lutando ao lado de uma mulher loira de vestes vermelhas contra mercenários.

Nosso nobre saiu do túmulo já fazendo um pedido para ficar com a espada. Eu estava muito confusa com tudo o que estava acontecendo. Só sabia que não havia motivo para deixar a espada ali sobre um túmulo vazio. No entanto, me apressei a falar meio que em coro com Toshinori: precisávamos sair daquela cripta primeiro.

Iniciamos um longo processo para tentar sair. Não havia mais escada na outra sala, só pedras e mais pedras umas sobre as outras impedindo qualquer passagem. Já estávamos perdendo o ar, Joseph corria de um lado para o outro só para ajudar a ter bastante falta de ar. Ele desmaiou, eu revirei os olhos e toquei em sua testa para acalmá-lo.

Ficamos um bom tempo discutindo sobre formas de encontrar uma saída. Stefan rodou a sala inteira apalpando as paredes, até sacar uma de suas engenhocas e transformar a cerâmica de uma das urnas em uma chave. Mas não adiantou. Ainda, tive que acalmar Toshinori que estava desesperado. Um paladino desesperado! Enquanto tentava aquietar os ânimos na sala, percebi que o inventor voltou aos túmulos e usava sua engenhoca.

Entendi tudo! Ele estava fazendo a chave com um osso de um dos meus antepassados. O Stefan sabe ser bem insuportável! O paladino, ainda, tentou argumentar dizendo ser necessário. Eu estava estarrecida. Voltei diante dos túmulos para pedir perdão pelos meus amigos.

Assim que retornei à sala, vi Stefan usando a tal chave e uma porta se abriu do outro lado. Pelo menos, foi útil. Que ser maníaco criaria por prazer uma passagem secreta que só é aberta usando uma chave feita dos ossos da bacia de alguém? Esse questionamento só passou pela minha cabeça, pelo visto, porque todos correram logo para atravessar a porta.

Uma chave feita de osso

O primeiro, é claro, foi o paladino, descobrindo armadilhas. Nada novo sob o sol – ou sob as masmorras. Seu grito de dor ecoou por todos os cantos daquela e ele desabou ao meu lado com olhar suplicante. Respirei fundo e fiz uma prece à minha deusa que me concedesse, mais uma vez, a sua graça sobre os ferimentos de Toshinori.

Sem mais armadilhas, o inventor avançou por aquele corredor que era uma escada descendo irregular até mais uma porta, que se abriu para uma câmara. Uma bacia esquisita no centro e uma escada para cada lado: uma subindo e uma descendo. Fiz uma prece a Allihanna para que me orientasse caso houvesse alguma armadilha ou ameaça por perto. Nada. Nenhum arrepio na espinha. Nada.

Para se ter uma noção de como são os Desafiantes, discutimos até sobre se deveríamos pegar a escada que subia ou a que descia. Com um ótimo argumento, Joseph convenceu-nos a subir. Aproveitei para falar que depois queria saber como ele copiava minhas magias.

Subimos e entramos em uma outra sala com uma espécie de parede mágica, brilhante com escritos arcanos. Quando Toshinori entrou, porém, sentimos algo muito estranho, como se algo abençoado guerreasse com algo profanado. Foi quando consegui ver uma silhueta escura, alta e de chifres por trás da parede bruxuleante.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/svCMxSdvJrA

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Até breve!

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Épico e aquático – Respostas começam a surgir

Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.

O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.

Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.

Carrasco de Lena

Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.

O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.

Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.

Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?

Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!

Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.

Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.

Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.

Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.

Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.

No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.

O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.

Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.

Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.

Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.

A espada

Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.

Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.

No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.

Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.

Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.

Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.

Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.

Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.

Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

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Até breve!

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O gato do sofá saiu de casa

Meu erro foi não ter levado uma lasanha ou pizza para o cinema! QUE POSER! Garfield – Fora de Casa é mais um clássico memorável, cheio de referências e muita fome. Apesar de tardia, essa crítica é para encorajar você que ainda não assistiu ao longa correr para o cinema (ou streaming, quando ele já tiver saído de cartaz).

Cartaz Garfield

A mais nova animação de um dos gatos mais divertidos dos quadrinhos, dirigida por Mark Dindal, traz muita risada e emoção. A história é envolvente, com personagens novos e os já amados vivendo uma aventura que parece ter saído de algum livro policial.

Garfield (Chris Pratt) e Odie (Gregg Berger e Harvey Guillén) se veem em apuros dignos de uma segunda-feira quando Jinx (Hannah Waddingham) os sequestra para atrair a atenção de Vic (Samuel L. Jackson), pai desaparecido do gato laranja. O que ela quer? Tem cara de vingança, cheiro de vingança, som de vingança, mas ela diz que não é vingança.

Para desespero de Jon (Nicholas Hoult), pai, filho e o cachorro saem em busca de pagar a dívida de Vic (que, por sinal, é beeeeeeeem grande): eles deveriam roubar leite da Fazenda Lactose, lugar que tem um passado para Jinx e Vic. Eles se veem, então, diante de um desafio considerável, principalmente quando falamos de um gato como Garfield, um gato doméstico acostumado aos maiores luxos que um humano pode conceder.

Uma das frases mais icônicas do filme, em relação a este blog, pelo menos, foi quando o Garfield fala que, se estava dando tudo errado, deveria ser segunda-feira, e outro responde que, na verdade, era uma quinta-feira. Qual é a das quintas?

Além de um elenco de peso, toda a equipe da produção é premiadíssima. A combinação dos fatores faz com que o filme tenha referências super atuais, um humor muito mais contextualizado com a realidade e, além disso, uma quebra de quarta parede notável. A própria animação é uma arte, trazendo um show de ambientação, iluminação, figurino, explosões e um 3D belíssimo.

Olha que fofuuuura essa carinha…

É comédia, ação, drama, é sobre família e para toda a família. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite, com certeza! Vale a pena dedicar minutos de vida cercado de pizza e lasanha e doces para assistir a Garfield – Fora de Casa.

Épico e aquático – Encontros bem aleatórios

A viagem rumo ao tal leilão continua no navio e os Desafiantes de Yuvalin têm alguns encontros bem aleatórios pela frente.


Saí correndo do quarto, me segurando para não cair com o balanço do navio, depois daquela explosão. Cheguei no convés gritando para todos para descobrir o que estava acontecendo. Aparentemente, o alarde todo era porque ladrões abordaram o barco sorrateiramente.

Tomei um susto quando uma aura translúcida em formato de lobo cobriu o Kroll, com um sorriso cheio de dentes. Ele já estava batendo – e eliminando – os bandidos. Eu podia ver bem pouco no escuro, mas a cena de um carinha sendo cortado ao meio foi bem clara para mim.

Do meu lado, tinha um outro carinha tremendo e olhando para mim em desespero. Gritei para a equipe para que eles cuidassem dos ladrões enquanto eu procurava por problemas. Com “problemas” eu quero dizer Stefan. Pelo tamanho do barulho que eu ouvi, era ele. Só que, no escuro, eu precisava encontrá-lo ainda.

Não foi tão difícil, a propósito, uma vez que o capitão gritava xingamentos contra alguém que tinha destruído parte do navio. Não foi difícil adivinhar. Eles estavam próximos ao leme. Subi correndo as escadas naquela direção e encontrei o inventor balbuciando palavras ininteligíveis, com os olhos revirados, enquanto o capitão continuava gritando impropérios.

A batalha no convés já estava animada e eu tinha que acalmar o capitão e cuidar do louco. Ouvi o alaúde do Joseph, os gritos de ordens do Edward e um uivo de lobo. Por uns instantes, gelei imaginando que a Noah estivesse no barco. Essa sensação deu um nó na minha cabeça, até eu me lembrar do Kroll.

Fumaça no navio com a batalha contra os ladrões

Ó minha deusa! Ó Allihanna, roguei por paciência enquanto tocava a testa do Stefan, purificando-o da sua loucura. Pedi paciência porque se ela me concedesse forças, eu acabaria com o inventor. Saí de perto dele para visualizar o resto da batalha no convés do navio.

Tudo estava sob controle. Desci as escadas e encontrei um ladrãozinho imobilizado, pelos menos, na proa, implorando para que não o matássemos. Então, os meninos começaram a interrogar e eu me aproximei do grupo. Como ele só foi ali para roubar a gente mesmo, a gente tomou de volta o que ele roubou e mais algumas coisinhas interessantes.

Kroll levantou o machado porque, aparentemente, ele teria sido roubado por um dos gatunos. Edward tentou controlar a situação para não matar o ladrão. Nisso, Toshinori começou a reclamar com o Stefan porque ele explodiu parte do navio. Eu cruzei os braços e fiquei assistindo a equipe decidir, primeiro, que assunto queriam priorizar e, depois, o que fazer com o prisioneiro.

Finalmente, o golem de vidro, Vitrúvio, saiu de sua cabine e perguntou o motivo de tanta algazarra, estranhamente bem-humorado. Ele não queria mais uma boca para alimentar no barco, então, eu perguntei sobre a existência de um calabouço, apenas para que o ladrão não fosse arremessado na água. Então, ele pegou o gatuno, colocou-o sobre os ombros e desceu as escadas para dentro do navio. Só ouvimos uma risada sua, bem baixinha, depois de alguns segundos.

Retornei aos meus aposentos, concluí a carta para Goro e chamaria alguns pássaros pela manhã para enviar para ele e Silena. Depois do incidente, só queria relaxar mais um pouco e li mais uma parte daquele livro que o Edward trouxe de sua viagem, aquela quando ele perdeu um olho. Fugindo das Águas de Sempre me chamou a atenção pelo título, mas, definitivamente, esse autor não conseguiu encaixar bem o enredo e ficou faltando algo relevante para tornar a história marcante. Se eu não tiver nada para fazer depois, talvez termine de ler. Naquela noite, bastou ler por cinco minutos e eu apaguei.

Pela manhã, senti que as águas por onde passávamos já eram diferentes. Deixamos o Rio Panteão e entramos em território deheoni, pelo Rio Nerull. Mesmo nascida no Reino de Deheon, não me senti em casa, porque nesse rio eu nunca nadei. Estava bem longe de Villent, aliás. É óbvio que eu não ia perder a oportunidade de conhecer mais profundamente essas águas. Antes que Azgher estivesse pouco acima do horizonte, já tinha dado um longo passeio e conhecido vários peixes e outros animais.

A divisa entre Zakharov e Deheon

Retornei ao navio completamente renovada e serena e me sentei encostada à amurada na proa, apreciando a paisagem e reverenciando Allihanna por toda sua glória e majestade. Aos poucos, um a um dos meus companheiros surgiram no convés e trocamos algumas amenidades matinais. Toshinori e Edward tinham o péssimo hábito de urinar na água sobre a ponta da proa, enquanto tinham conversas mais íntimas. Eles passaram bastante tempo juntos, não é?

Em algum momento daquela manhã, Edward me contou individualmente que ele estava tendo um sonho de forma bem corriqueira, o mesmo sonho. Ele me perguntou se eu poderia orientá-lo sobre o que fazer ou se conseguiria interpretar, já que eu estava mais ligada à sabedoria dos deuses.

Falei que sonhos não eram minha especialidade, mas que eles poderiam ter diversos significados. Expliquei que sonhos poderiam ser reflexos de sua própria mente tentando criar possibilidades de coisas que não aconteceram, ou que poderiam ser lembranças, ou que poderiam ser sinais dos deuses, uma visão, um recado enviado por alguém. Como ele estava em busca de ser um guardião da realidade, ele tinha a bênção de vários deuses, o que talvez pudesse significar um sinal. Aconselhei para que ele buscasse ter contato com os deuses, afinal, eles não estavam tão distantes que não pudessem responder a quem os buscasse.

O senhor Vitrúvio também chegou ao convés e entrou em um duelo musical com Joseph. A música foi até legal e eu solfejei uma melodia junto, mas bem baixinho, enquanto olhava a vida marinha abaixo.

Nesses dias no barco, tive que conciliar também o humor dos meus amigos, pois Toshinori estava abstêmio e Joseph nem aguentava mais tocar o próprio alaúde. Stefan sugeriu que o bardo, que também sabia criar algumas coisas, fizesse cerveja para o paladino. Mas o gnomo não entendeu o recado e não fez.

Perto das Quedas de Hynn, retornei ao navio porque o barulho era muito alto e a correnteza estava bem forte. Bem a tempo de impedir de desviarmos nosso caminho para uma caverna que TALVEZ tivessem dragões. Os meninos estavam muito empolgados para ir até lá e é óbvio que eu disse que na volta a gente passaria por lá. Estava curiosa para saber se Edward conhecia algo sobre o lugar, já que ele era meio-dragão. Mas, infelizmente, nenhum parente dele.

As águas próximas ao Bosque dos Trolls estavam meio turvas e espessas. Assim, achei melhor ficar no barco até a situação melhorar. Ao longe, numa das margens, algo se moveu de uma pedra entrando na água. Foi muito rápido! Não deu para identificar o que era, mas eu já fiquei alerta para caso tivéssemos um encontro perigoso. No entanto, não vi e nem senti mais nada.

De repente, uma criatura alaranjada com um tentáculo para frente, meio espinhoso, apareceu no convés. O carrasco de Lena era uma salamandra imensa, com couro rugoso, pernas atarracadas e cauda muito grossa. Ficava lambendo o focinho o tempo todo. Ele estava pronto para comer algo, mas desde que não fôssemos nós esse algo, estava tudo bem.


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Épico e aquático – Uma nova aventura

Ezequias tem uma nova missão para os Desafiantes de Yuvalin e algo totalmente diferente e, provavelmente, perigoso está diante de Helga.


Ezequias disse que sabia o que estava fazendo nos enviando para o leilão, já tirando uma carta de crédito em branco da gaveta e colocando em minhas mãos. Estremeci igual a um bambu movido pelo vento. Ainda perguntei se ele tinha certeza do que estava fazendo. Ele respondeu que confiava na nossa capacidade de negociação.

Agradeci a confiança e disse que essa missão seria uma questão de honra. E de honra, eu agora estava um pouco mais por dentro. Só precisávamos planejar toda a viagem. O que demandou uma grande negociação entre os Desafiantes de Yuvalin, porque alguns queriam passar pela Supremacia Purista. Fora de cogitação!

Ezequias sugeriu descermos até Selentine, porque teria um comerciante da cidade que nos daria uma carona pelo rio. Dali, partiríamos para Valkaria e, de lá, para Wynlla e, pelo mar, chegaríamos a Aslothia. Eu gostei muito da ideia, porque teríamos bastante água pelo caminho e seria menos fácil sermos abatidos no caminho.

A discussão era sobre como sair de Yuvalin e chegar a Aslavi

A namorada do Kroll… digo, Leah, barbaramente rasgou o mapa que Ezequias tinha colocado sobre a mesa, de Aslothia até os Ermos Púrpuras, alegando que estariam perto de casa. Mas esse era um caminho que seria maior.

Finalmente, consegui convencer a equipe a fazer o trajeto mais rápido e menos perigoso, que também foi o que o Ezequias sugeriu. A leoa parecia que ia me comer com os olhos, mas eu estava serena e decidida. Ela também quase quebrou o braço bom do inventor – não fiquei desesperada por isso.

Stefan queria passar pela Supremacia Purista para saber mais sobre o seu passado e ir até à Caverna do Saber, dedicada a Tanna-Toh (Deusa do Conhecimento). Entretanto, decidimos ir pelo caminho mais rápido e voltarmos, talvez, por onde fosse mais interessante. Inclusive, atender o desejo dos bárbaros de fazer um favor ao mundo eliminando alguns puristas.

Depois de roteiro resolvido, precisava dar a notícia a quem dividia a vida comigo. Saí da Guilda direto para a Kanpeki, para conversar com o Goro. Edward também tinha algo a tratar com ele e, então, seguimos juntos até a loja.

Eu não gosto de atrapalhar o serviço do Goro, mas não poderia deixar para depois, então, o chamei para seu escritório. Quando falei sobre a viagem a Aslothia, ele arregalou os olhos de espanto, pois era nada mais e nada menos que a terra dos mortos. Expliquei que era uma missão do Ezequias e me comprometi a escrever para ele sempre que conseguisse.

Meu coração estava dolorido. Porque eu estaria longe não só do Goro, mas da Noah também. Sim! Ela deveria ganhar os filhotinhos nos próximos dias e o próprio Goro falou que seria um risco para ela e para nós seguir viagem assim. Mais uma vez, ele me desejou boa sorte e pediu que eu apenas retornasse para ele.

Me abraçou, me beijou e eu já quase vertia lágrimas. Desde que começamos a namorar e eu passei a ficar mais tempo em sua companhia, sabia que chegaria o momento em que precisaria ir para mais longe e para uma aventura mais perigosa. Mas era uma separação que eu confesso não estar preparada.

“Que Lin-Wu te acompanhe! E Allihanna nunca te deixe!”, Goro me disse. Também prometi trazer souvenirs para ele. Coitado do Edward pediu a um Goro triste marcar suas costas com o símbolo de mais três deuses. Fiquei na oficina até o final do expediente e fomos para casa – já que a viagem seria no dia seguinte.

Foi uma despedida doce, cheia de carinho e urgência. Jantamos juntos, à meia luz. Conversei com a Noah sobre o que aconteceria no dia seguinte e que ela ficaria em casa para ter um parto tranquilo. Ela não queria desgrudar de mim um instante, mas sossegou depois que Goro e eu fizemos carinho nela até que ela adormecesse.

Já nós dois… bom, também fizemos carinho um no outro até dormir. Acho que foi a nossa melhor noite juntos. Era tanto amor que não cabia na gente! Só queríamos que o tempo parasse e pudéssemos permanecer para sempre naquele momento.

Mas o dia da partida chegou e, para não se sentir tão sozinha, Noah foi fazer companhia a Goro na Kanpeki. Seria bom, disse ele, para que eu estivesse sempre nas suas lembranças. Como meu trajeto era para o outro lado da cidade, me despedi, finalmente, deles, na porta de casa. Aquele abraço que, acho, durou muitos minutos.

Devo ter regado várias plantas no caminho para o Porto Vahrim, onde encontrei os Desafiantes de Yuvalin. Nossa carona era um tal de Vitrúvio, um golem de vidro muito engraçado, ou metido a piadista. Informamos que éramos os enviados de Ezequias. Entrei no navio e deixei as minhas coisas em uma cabine, porém, pretendia passar parte da viagem na água. Descer o Rio Panteão seria um grande prazer.

Logo nas primeiras horas de viagem, Joseph resolveu cantar no convés e os marujos o acompanhavam. Enquanto isso, eu estava na água, brincando e cantando com os peixes, mas era muito mais uma respiração deles me acompanhando do que cantando propriamente dito.

Para minha tristeza (e raiva), o inventor quis testar como seria me chamar para o navio, em caso de necessidade. Então, ele atirou para o alto, fazendo um estrondo e espantando todos os animais. Eu pulei para o barco e dei um tapa na cara dele. O Stefan sabe ser bem insuportável!

No entanto, ele não foi o único insuportável. Toshinori e eu travamos algumas ofensas sobre a forma como ele acreditava que deveria me chamar. A tripulação achou que ia sair briga de verdade. Por fim, pedi que fossem mais criteriosos quando fossem me chamar. Assim, voltei para a água. Como sereia e não peixe, precisava retornar ao navio volta e meia para restabelecer minha temperatura corporal, me alimentar e tudo o mais humano que eu deveria fazer. Até porque as águas do Rio Panteão são extremamente geladas.

Viagem pelo Rio Panteão

Em uma das vezes que estava no convés, avistamos a Fortaleza de Destrukto, uma paisagem bem tamuraniana. Enquanto o capitão do navio discorria sobre a história da Fortaleza e falava sobre o sumo-sacerdote do antigo Deus da Guerra, meus pensamentos foram longe. Me recordei de sua filha, a sumo-sacerdotisa de Allihanna, que dispunha de algo que eu realmente almejava, como líder e aventureira.

Fiquei bastante tempo pensando sobre isso. Um artefato criado pela própria Deusa que concede algumas bênçãos especiais. Lisandra da Galrasia, porém, não é apenas a arquidruida suprema de Allihanna — é a mais poderosa entre todos os sumo-sacerdotes. Ela merece ter a Coroa de Allihanna. Por que eu mereceria ter?

O Rio Panteão naquela altura já é bem largo e o pôr do sol, apesar de gélido, foi impressionante. Aquela tarde e início de noite era um culto à minha deusa e celebrei a beleza do mundo natural e o encontro de Allihanna com Oceano. A natureza é o maior altar para cultuá-la. Entreguei nossa missão em suas mãos, louvando sua bondade em todos os momentos comigo ao longo da minha vida.

Mais tarde, tive algum tempo para ir aos meus aposentos e escrever. Escrevi no meu diário e também uma carta para Silena e outra para Goro. Não cheguei a concluir a carta para meu namorado, pois um estrondo muito forte sacudiu todo o barco.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/D1K2TGdVNww e https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

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Épico e aquático – Notícias da família

Os Desafiantes de Yuvalin retornaram das férias e há muito o que conversar. Confira o relato da sereia druida Helga Iris deste encontro e todas as novidades dos amigos.


Nos encontramos, finalmente, na taverna Foice e Martelo para matar a saudade e saber sobre as novidades. Edward e Toshinori tinham acabado de chegar de viagem e, para nossa grande surpresa, Ed usava um tapa-olho sobre onde o olho esquerdo deveria estar.

Toshinori usava um manto do fascínio quando chegou, falando que a bênção dos deuses estava sobre nós. Stefan, que eu estava preocupada com relação aos efeitos que a traição de Ràthania lançaram sobre ele, estava entretido e fascinado com a primeira edição do jornal do Joseph, o Meia-Hora de Yuvalin.

Minha preocupação era que o Kroll não estava conosco ainda, porque, da última vez que chegamos das “férias” e alguém não estava, o que veio a seguir foi caótico. Mas o pensamento foi rapidamente afastado quando o paladino, me vendo em trajes e postura tamuranianos, se dirigiu a mim com um sotaque e cumprimentos comuns no Império de Jade.

Foice e Martelo, a taverna dos trabalhadores

Toshinori comentou que eu devia estar mais próxima de Goro agora então e eu confirmei, mas não apenas dele, mais próxima de mim mesma, de quem eu sou. Falei que passei um tempo estudando e me conhecendo, ainda ofereci um saquê. Ele quis misturar o saquê com a cerveja, o que não deu muito certo.

Então, perguntei para eles como foram os últimos três meses para cada um. Toshinori falou que ele e Edward conseguiram a bênção de mais três deuses na última viagem deles e que o olho perdido de Ed era um detalhe sem tanta importância diante de tudo o que conquistaram.

Enquanto falávamos sobre as aventuras e desventuras do nobre e do paladino, a porta da taverna se abriu para a passagem do nosso bárbaro. Mas ele não estava sozinho. Logo atrás dele entrou uma moreau leão. Era tudo o que a gente precisava! Com certeza!

A entrada deles silenciou a taverna. Todos olhavam para as criaturas imponentes que adentravam. Menos Joseph que, desde que chegamos, não parava de escrever e reclamar com seu funcionário do jornal chamado Phillip. Ele apenas se dignou a levantar os olhos e cumprimentar a estranha como “namorada do Kroll” e, depois, retomou suas tarefas de dono do jornal.

Eu fiquei atônita. Como? Ela também pareceu não gostar da ideia de receber aquele título e fechou a cara se aproximando do bardo. Já o Kroll só deu um “oi” para nós. Eu, chocada como estava, que achava ter passado por coisas bem diferentes nas minhas férias, agora percebia que meus dias foram os mais normais de todos. Que novidades eram todas essas?!

O crocodilo parecia mais assustado por me ver do que eu por vê-lo ao lado da leoa. Só porque eu estava vestindo o kimono, prendi meus cabelos em coque e tinha passado uma daquelas maquiagens tamuranianas, nada de mais. Ele disse que eu estava diferente e, bom, é o que acontece quando se passa mais tempo com as pessoas. A gente capta alguns modos delas. Foi o que aconteceu nesses três meses comigo. Expliquei o que tinha feito nas minhas férias, porque, de repente, todos estavam curiosos com a minha nova fisionomia e postura.

Mas, caramba! O Kroll arranjou uma leoa! E o Toshinori caiu no chão quando a leoa meio que empurrou o paladino ao sentar no banco. Ele contou que ela, a Leah, era uma amiga antiga e que trouxe a notícia de que seu pai tinha morrido. Bom, foi o Joseph quem deu o spoiler, o que deixou o crocodilo com raiva do bardo.

Fiquei triste pelo bárbaro. Uma notícia difícil de receber, sem dúvida. Não consigo nem me imaginar recebendo a notícia do falecimento de Silena ou Agenor, nem quero pensar nisso! Mesmo que eles nem sejam meus pais de sangue.

Leah e Kroll

Stefan, até agora, tinha falado bem pouco. Toshinori o abraçou e isso me preocupou mais do que qualquer coisa. O inventor estava bem menos abatido do que quando o vi pela última vez, trabalhando na oficina do Drrrun enquanto eu passeava com Noah há algumas semanas.

Foi então que, finalmente, o kliren começou a abrir o jogo quanto ao que aconteceu nos últimos meses. Se exibindo, como sempre, o que me fez perceber que ele estava bem, ele contou sobre ter consertado o K e adicionado uma pitada de Stefan ao golem, seja lá o que isso signifique. Também contou sobre suas novas engenhocas no braço de metal e seus óculos estranhos.

Leah estava curiosa com relação à nova aparência de Edward e quis informações sobre o que tinha acontecido. Ed contou sobre sua desventura ao trocar seu olho esquerdo pela liberdade de seus companheiros quando caiu em uma emboscada de uma bruxa. Eu também fiquei curiosa sobre o que tinha acontecido na viagem deles a Ahlen.

Já o paladino nos surpreendeu a todos quando disse que sentiu falta de Stefan por ter que conviver durante a viagem com uma criatura que o fez quebrar seus votos ao mentir. Realmente, sentir falta do Stefan é algo anormal, mas compreensível nesse caso. Toshinori me mostrou seu novo manto e que ele o ajudaria a, junto comigo, cuidar dos ferimentos das pessoas e curá-las quando necessário. Eu era toda gratidão!

Expliquei a todos que eu tinha pensado em desistir depois da nossa última aventura e minha decisão de ir aprender a sabedoria dos mestres de Tamu-ra em um lugar menos distante, ali em Nitamu-ra. Falei que eu estava disposta a ser uma líder melhor, que passei um tempo especial ao lado de Goro e trabalhando com Ezequias na Guilda. Também contei sobre a Noah que está esperando filhotinhos.

O inventor também falou sobre sua viagem a Tahafett (estremeci com essa menção) e como o Drrrun retornou de sua viagem a Rhond trazendo alguma novidade que ele queria contar para nós junto de Ezequias. Devia ser algo deveras importante! Marcamos de nos encontrarmos na Guilda dos Mineradores no dia seguinte..

Foi uma festa toda essa conversaria. Muitas novidades! E aproveitamos bem a noite na companhia uns dos outros. Finalmente, Joseph parou de escrever e o tal Phillip saiu correndo da taverna. Mas volta e meia o bardo ia procurar o Stalin, seu marido, eu acho. Toshinori, Kroll e Leah derramaram os canecos, para variar. Já tarde da noite, nos despedimos e voltei para casa para descansar com Goro e Noah.

No dia seguinte, éramos, mais uma vez, uma família feliz passeando pela cidade. Me despedi do Goro na porta da Kanpeki e segui para a Guilda com a Noah, onde nos encontramos com todos, inclusive com um K reformado. Fiquei realmente feliz por vê-lo consertado. Stefan foi bem útil para ele, afinal.

Ao entrarmos na sala do Ezequias, nos deparamos com ele, Drrrun e o terceiro braço do chefe – o Jimmy. Edward ficou estarrecido com o braço grotesco, que foi um acidente no laboratório, lidando com matéria vermelha. Foi uma conversa até meio fofa entre os dois amigos: Ezequias e Edward.

E, então, Ezequias entregou ao Edward um baú, uma caixa onde estava um espólio que era uma espada misturada com matéria vermelha – GROTESCO – e uma carta. A CARTA que devia contar sobre o paradeiro do meu pai. Eu acho que arregalei os olhos e meu coração acelerou. A Noah até começou a se enroscar nas minhas pernas. Não prestei mais atenção nas conversas até que Edward começou a ler a carta em voz alta.

A carta

Agradeci trêmula quando Edward me entregou a parte que contava sobre o meu pai: Sir Anthony Starkey, o Cavaleiro das Rosas, galanteador que portava uma espada bastarda de matéria vermelha como herança de família, serviu a Sir Lohrin Starkey e à família Lazam em Hongari. Seu paradeiro era desconhecido, mas fora visto uma última vez em Deheon em companhia de uma mulher muito bela.

Meu ouvido zumbiu por alguns minutos até que ouvi Drrrun dizer que Ràthania foi vista em Rhond e que um leiloeiro abriu passagem para ela em Aslavi, Aslothia. Aparentemente, aquilo que ela nos roubou seria leiloado lá e nós, é claro, traríamos a ferramenta artefato de volta a Yuvalin sã e salva – de acordo com Ezequias.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/D1K2TGdVNww

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Até breve!

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Épico e aquático – Em busca de honra – Parte 2

Helga decidiu passar suas férias aprendendo a ser uma líder melhor, mas também quer passar um tempo a mais com Goro e Noah, como uma família. Largar tudo e viver isso para sempre é algo realmente tentador para ela.


Qual não foi a minha surpresa quando encontrei Ezequias Heldret, meu chefe, na Guilda dos Mineradores, com um largo sorriso no rosto, trabalhando como um louco com seus três braços. Sim! Além dos olhos vermelhos e dos dedos das mãos maiores que o normal, ele tinha um terceiro braço saindo das suas costas.

Ele percebeu que eu estava olhando e me disse que estava sendo de grande ajuda, só escondia porque nem todos aceitariam tão facilmente algo tão… aberrante. Me contou também, já puxando com seu terceiro braço um envelope, que a carta do pai do Edward tinha chegado. Eu gelei!

Mesmo com muita insistência de Ezequias pela sua curiosidade, eu disse que jamais poderia abrir a carta. Ela era destinada a Edward e não a mim. Então, finalmente, ele guardou a carta em uma gaveta e eu fui direto ao assunto.

Expliquei que me sentia uma péssima líder depois de tudo o que aconteceu e que queria ajuda dele para me transportar até Nitamu-ra. Ele disse que seria um pouco difícil encontrar um mago com esse poder, mas que ia mandar chamar um que ele conhecia em Rhond. Levaria mais ou menos uma semana para que o seu mensageiro alcançasse o mago e ele chegasse a Yuvalin.

Agradeci imensamente a disponibilidade de Ezequias e também me coloquei à disposição dele para ajudá-lo, já que ficaria na cidade pelo menos mais uma semana. Então, combinamos que eu o ajudaria em algumas tarefas simples durante aquela semana e eu poderia aproveitar meu tempo também com Goro e Noah juntos.

Ah como eu me sentia feliz e despreocupada naqueles dias! Sentia, é claro, que faltava um pouco de aventura. Era estranho ter tanta paz assim. Não vivia isso desde que deixei Villent.

Mais ou menos na hora do almoço, corri até a loja para contar a Goro sobre o combinado com Ezequias. Ele ficou radiante por saber que estaríamos juntos alguns dias mais. Fomos almoçar juntos e, ainda, brincamos um pouco com a Noah em uma praça antes de voltarmos ao trabalho.

Ao retornar à noite para casa, o pensamento de que eu poderia abandonar tudo para viver assim para sempre tentou me dominar de novo. Passei o dia em expectativa para encontrar meu namorado em sua casa aconchegante, conversarmos, jantarmos, brincarmos e dormirmos juntos. Seu carinho e aconchego, nossos momentos de intimidade. Tudo isso era bom demais.

Por ele, é claro que seria assim. Eu sei que ele tinha medo de eu sair em uma aventura e não retornar. Quanto mais tempo passávamos juntos, mais eu tinha esse medo também. Mas eu decidi afastar os pensamentos que me deixavam ansiosa com o futuro e viver cada segundo dessa vida.

A casa começou a ter um pouco mais de mim. Em um determinado momento, Goro olhou para a sala e ficou preocupado se teria espaço para nós além das plantas. Eu disse que nem eram tantas assim, mas tentei maneirar. Afinal, a casa era dele e não minha. E outra: quem cuidaria de Astrid, Julie, Sylvie, Josephine e Vix na minha ausência? Antes de viajar, levei-as para o Distrito do Carvão, para que elas vivessem sua liberdade em plenitude. E sobrevivessem sem mim.

Casa do Goro com Astrid, Julie, Sylvie, Josephine, Vix e suas crias

Finalmente, chegou o dia da viagem. Do mesmo jeito que fizemos na semana anterior, Goro apoiou sua testa na minha, segurou minhas mãos e disse que eu sempre teria um lar para retornar. Nos beijamos longamente e saímos com Noah animada à frente, como uma família feliz.

Na Guilda, encontrei um elfo bem idoso, com uma barba branca, robes, chapéu e um cajado. Ele perguntou se era eu a menina, ao que Ezequias respondeu para o senhor Nicodemus que eu era uma mulher e não uma menina. Ele se apresentou e me perguntou o que eu queria.

Quando eu expliquei o que eu queria, ele pegou um caderninho e me disse que seriam 360 tibares. Eu aceitei e ele simplesmente estalou os dedos. Foi como se eu tivesse sido sugada por um redemoinho e, quando abri os olhos, estava em uma rua cheia de arcos e casas de arquitetura tamuraniana. Por um momento, achei que estivesse no próprio Tamu-ra.

Tio Nicodemus solicitou educadamente sua parte, eu paguei e, depois de guardar minha algibeira, ao olhar para onde ele estava, notei que ele tinha desaparecido. Ele é rápido. Não precisei procurar muito. Mesmo falando valkar, todos simpatizavam muito comigo e me respondiam prontamente onde seria a casa de treinamento do sensei autor do livro que eu li, Kakashi Hatake. Rapidamente, já estava na porta da casa e entrei.

Conheci o sensei e expliquei o que eu buscava ali. Fui conduzida até um quarto, onde ficaria alojada. Noah adorou os espaços da casa de treinamento, alguns alunos tinham medo dela, mas outros amavam brincar com ela. Enquanto isso, sua barriguinha ia crescendo e nós estávamos sempre conversando sobre como ela se sentia.

As duas primeiras semanas de treinamento foram pesadas e difíceis. Principalmente, difíceis de entender. Eu limpei janela, chão, coloquei e tirei o kimono. Não parecia fazer sentido algum no começo. Mas depois eu entendi. Entendi sobre paciência e o caminho da sabedoria.

Foram vários dias de meditação e aprendizado de movimentos básicos da cultura tamuraniana. Além disso, com alguns poucos passeios junto com outros alunos, pude aprender a me vestir e me maquiar como uma nativa. Goro ia amar me ver daquele jeito.

Passei dois meses na casa de treinamento. Foi algo gratificante demais. As escolhas dos outros não me dizem respeito. Aprendi a me perdoar, aprendi a como liderar melhor minha equipe. Aprendi também a falar melhor o idioma e a ler tamuraniano.

Quando o treinamento terminou, agradeci profundamente a todos na casa, principalmente, ao sensei Kakashi por sua paciência e sabedoria. Então, saímos Noah e eu, novamente por Nitamu-ra a procura de um mago indicado pelo Goro para fazer a viagem de volta. Não foi difícil encontrar, mas no caminho, aproveitei para comprar uns presentinhos para meu namorado poder matar a saudade de casa.

Treinamento

O mago cobrou o mesmo preço e aconteceu a mesma coisa que na viagem de vinda: um estalo, redemoinho, paguei, pisquei e ele sumiu. Estava em Yuvalin novamente.

Fui ansiosa até a loja, vestida como uma verdadeira tamuraniana, e bati à porta. Quando entrei, Goro ficou extasiado, largou o martelo e disse que deveria estar sonhando. Mandou que os seus auxiliares cuidassem da oficina porque ele iria para casa comigo. Falei com ele algumas coisas em tamuraniano e ele ficou radiante, dizendo que tudo aquilo parecia muito interessante. Noah já estava bem cansadinha, mas eu a tranquilizei, dizendo que ela ficaria quietinha em casa nos próximos dias.

Goro e eu matamos a saudade um do outro com uma noite espetacular. Parece que a saudade deixou a gente com muito mais vontade e prazer pela companhia. Não queríamos nos desgrudar e nada podia atrapalhar esse momento juntos.

Ele quase chegou atrasado na loja no dia seguinte. Para garantir que ele fosse, eu mesma fui junto com ele para assisti-lo trabalhando na parte da manhã. Estávamos apaixonados e felizes. Graças à bondade de Allihanna e de Lin-Wu, pudemos desfrutar do nosso carinho, companheirismo e paixão por muitos dias antes de eu voltar a encontrar os meninos.

Meus dias nessas “férias” foram perfeitos. E, então, chegou a hora de voltar às atividades de aventureira em companhia dos Desafiantes de Yuvalin.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/aL8vgoQNOSk

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