Épico e aquático – O Barão de Sangue

Tudo parecia lindo, até que… Helga não tem um dia de paz! Como ela e os Desafiantes de Yuvalin vão se livrar das mãos do Barão Lazam agora?


Caique, aquele soldado que conhecemos dois dias antes, nos abordou enquanto ainda cuidávamos do Climber. Perguntou gentilmente sobre meu pai e nossa viagem, felizmente, ele só reparou no minotauro e não no meu pai osteon.

Ele nos conduziu novamente até ao palacete do Barão Lazam. Lá, havia algo como um encontro de corte, muitas pessoas estavam reunidas e fomos muito bem recebidos. Meus companheiros e eu teríamos um banquete e uma noite bem confortável.

O Barão, então, nos perguntou sobre a urna que prometemos trazer da cripta. Dissemos que o que trouxemos não era uma urna, mas algo que, talvez, o senhor Lazam também apreciasse. Então, apresentei meu pai.

Barão Lazam

Sir Starkey retirou o capuz e uma grande comoção encheu a sala. Todos se assustaram ao vê-lo. Um morto-vivo, é claro. Acho que o choque foi tamanho, o barão estava incrédulo, perguntou se era uma brincadeira de mau gosto e se tinha provas de que aquele era o amigo dele de verdade. Meu pai começou a contar alguma história que, provavelmente, devia ser constrangedora, pois ele só começou uma frase e o barão já o interrompeu para abraçá-lo.

Aquela foi uma noite de festa, de muitas comemorações. Todos queriam conversar com meu pai, saber o que tinha acontecido. Ele também ficou feliz por rever alguns velhos amigos. Eu não sabia como ficar mais feliz. Só faltavam o Goro e a Noah comigo. Aí sim seria perfeito.

Após o banquete, os meninos foram para um aposento bem amplo e luxuoso para descansar. Meu pai e eu fomos dar uma volta sob a luz do luar, sob Tenebra. conversávamos sobre tudo e sobre como estávamos felizes.

O barão apareceu e convidou meu pai para segui-lo até uma capelinha dedicada ao Panteão. Os acompanhei, é claro. Cada minuto ao lado de Sir Starkey se tornou extremamente precioso. Lá, várias pessoas estavam sentadas nos bancos, inclusive aquele jovem, o Caique, talhando algo em um pequeno pedaço de madeira. Havia também um homem de vestes brancas à frente. O barão disse que aquele era Daniel, um biomante que desfaria o que fora feito ao meu pai.

Choque.

De repente, aquelas pessoas se levantaram com armas nas mãos, prontos para nos atacar. Todos olhavam na nossa direção com rostos ferozes. Lazam disse que meu pai não merecia estar vivo, que mortos só mereciam a morte. Para ele, o que foi feito em Hongari não poderia se repetir em nenhum outro lugar. Imediatamente, todos os mercenários avançaram sobre nós.

Eles nos prenderam e nos arrastaram para um alçapão que havia abaixo do púlpito. Tentamos nos desvencilhar, mas era inútil. O barão ainda teve a audácia de pedir desculpas. Não consegui gritar por ajuda. Também não sabia se os meninos me ouviriam. Muito menos se eles estavam dormindo em berço esplêndido ou se algo também estaria atrapalhando a noite deles (como mais mercenários).

Com a boca tampada e as mãos imobilizadas, não podia realizar qualquer tipo de magia. Os mercenários sabiam o que estavam fazendo. Fomos jogados abaixo daquele púlpito em uma caverna recente, escura e úmida.

Meu pai começou a argumentar com Lazam de que o barão estava cometendo um erro. Sir Starkey não teve escolha ao ser transformado em um morto-vivo, ele só foi transformado e ponto, mas não era como aqueles que trouxeram desgraça à sua terra natal. O barão permaneceu em silêncio.

Helga em choque e tristeza

A caverna tinha um círculo pintado no chão e um caixão no meio. Aquele senhor de mantos brancos, um humano, começou a pegar alguns itens, como água benta, para iniciar um ritual. Mandou colocar meu pai no caixão. Ele resistiu, apanhou e, por fim, foi colocado no caixão, quase desacordado. Prenderam tudo com correntes. Eu chorava e tentava gritar, mas não conseguia me libertar.

Lazam derramava lágrimas – obviamente falsas de um barão de sangue. Ele se aproximou de mim e me desamordaçou, dizendo para que eu ficasse tranquila. Mas eu estava em choque e gritando, perguntando o que ele estava fazendo. Meu pai não tinha culpa, eles eram amigos. Ele dizia apenas que mortos-vivos deviam ser expurgados de Arton.

Ele disse que a caverna fora construída para fazer isso: tornar todos os mortos-vivos apenas mortos. Meu pai não foi o primeiro a chegar até ali. Olhei ao redor e vi ossos pendurados, frascos de água benta. Uma cena aterrorizante.

Eu sei o que é ser atacado por zumbis. Eu sei o que foi sofrer com eles, perder alguém que amava. Mas isso era bem diferente. Meu pai não era um servo de Tenebra. Ele não estava agindo apenas como um morto-vivo. Ele era um osteon. Revivido. Era o mesmo Sir Anthony Starkey em ossos e rosas. Ele só não precisava mais dormir e comer, mas era o meu pai e eu o queria vivo, como fosse.

O biomante começou a entoar algumas palavras arcanas e o círculo começou a brilhar abaixo do caixão. Olhei ao redor em desespero, procurando qualquer coisa que impedisse o ritual de acontecer. Achei umas gavinhas que poderiam prender alguém, sussurrei para que elas agissem. Mas, no desespero, não vi nada direito e elas começaram a enroscar apenas nas pernas do Lazam e de um outro matador.

O barão me amordaçou de novo e eu não conseguia mais pronunciar orações implorando por milagres de Allihanna. Reconheci em um dos cantos apenas uns olhos e mechas loiras, era Caique escondido. Comecei a implorar com os olhos e a fazer movimentos mais bruscos para que ele agisse em nosso favor. Meus movimentos para tentar me desvencilhar e chamar a atenção de Caique só provocaram um soco na minha cabeça. Não me machucou muito, mas não me ajudou também a sair do lugar.

Ouvi um barulho estrondoso da direção da caverna. Sem nem olhar, eu já sabia que eram meus amigos. Os soldados de Lazam gritaram que eles estavam na cripta e que deveriam terminar logo o ritual e deter os Desafiantes.

Ouvi um tiro e todos olhamos para onde a bala deveria atingir. No entanto, ela ficou parada numa cúpula invisível ao redor do caixão. Ela só ficou parada. Foram momentos rápidos demais em silêncio, olhos esbugalhados. De repente, o biomante voltou a recitar os encantos, cada vez mais rápidos.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://www.youtube.com/watch?v=H1fvTZJNYTM

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – Respostas começam a surgir

Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.

O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.

Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.

Carrasco de Lena

Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.

O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.

Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.

Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?

Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!

Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.

Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.

Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.

Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.

Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.

No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.

O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.

Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.

Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.

Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.

A espada

Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.

Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.

No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.

Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.

Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.

Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.

Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.

Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.

Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – Notícias da família

Os Desafiantes de Yuvalin retornaram das férias e há muito o que conversar. Confira o relato da sereia druida Helga Iris deste encontro e todas as novidades dos amigos.


Nos encontramos, finalmente, na taverna Foice e Martelo para matar a saudade e saber sobre as novidades. Edward e Toshinori tinham acabado de chegar de viagem e, para nossa grande surpresa, Ed usava um tapa-olho sobre onde o olho esquerdo deveria estar.

Toshinori usava um manto do fascínio quando chegou, falando que a bênção dos deuses estava sobre nós. Stefan, que eu estava preocupada com relação aos efeitos que a traição de Ràthania lançaram sobre ele, estava entretido e fascinado com a primeira edição do jornal do Joseph, o Meia-Hora de Yuvalin.

Minha preocupação era que o Kroll não estava conosco ainda, porque, da última vez que chegamos das “férias” e alguém não estava, o que veio a seguir foi caótico. Mas o pensamento foi rapidamente afastado quando o paladino, me vendo em trajes e postura tamuranianos, se dirigiu a mim com um sotaque e cumprimentos comuns no Império de Jade.

Foice e Martelo, a taverna dos trabalhadores

Toshinori comentou que eu devia estar mais próxima de Goro agora então e eu confirmei, mas não apenas dele, mais próxima de mim mesma, de quem eu sou. Falei que passei um tempo estudando e me conhecendo, ainda ofereci um saquê. Ele quis misturar o saquê com a cerveja, o que não deu muito certo.

Então, perguntei para eles como foram os últimos três meses para cada um. Toshinori falou que ele e Edward conseguiram a bênção de mais três deuses na última viagem deles e que o olho perdido de Ed era um detalhe sem tanta importância diante de tudo o que conquistaram.

Enquanto falávamos sobre as aventuras e desventuras do nobre e do paladino, a porta da taverna se abriu para a passagem do nosso bárbaro. Mas ele não estava sozinho. Logo atrás dele entrou uma moreau leão. Era tudo o que a gente precisava! Com certeza!

A entrada deles silenciou a taverna. Todos olhavam para as criaturas imponentes que adentravam. Menos Joseph que, desde que chegamos, não parava de escrever e reclamar com seu funcionário do jornal chamado Phillip. Ele apenas se dignou a levantar os olhos e cumprimentar a estranha como “namorada do Kroll” e, depois, retomou suas tarefas de dono do jornal.

Eu fiquei atônita. Como? Ela também pareceu não gostar da ideia de receber aquele título e fechou a cara se aproximando do bardo. Já o Kroll só deu um “oi” para nós. Eu, chocada como estava, que achava ter passado por coisas bem diferentes nas minhas férias, agora percebia que meus dias foram os mais normais de todos. Que novidades eram todas essas?!

O crocodilo parecia mais assustado por me ver do que eu por vê-lo ao lado da leoa. Só porque eu estava vestindo o kimono, prendi meus cabelos em coque e tinha passado uma daquelas maquiagens tamuranianas, nada de mais. Ele disse que eu estava diferente e, bom, é o que acontece quando se passa mais tempo com as pessoas. A gente capta alguns modos delas. Foi o que aconteceu nesses três meses comigo. Expliquei o que tinha feito nas minhas férias, porque, de repente, todos estavam curiosos com a minha nova fisionomia e postura.

Mas, caramba! O Kroll arranjou uma leoa! E o Toshinori caiu no chão quando a leoa meio que empurrou o paladino ao sentar no banco. Ele contou que ela, a Leah, era uma amiga antiga e que trouxe a notícia de que seu pai tinha morrido. Bom, foi o Joseph quem deu o spoiler, o que deixou o crocodilo com raiva do bardo.

Fiquei triste pelo bárbaro. Uma notícia difícil de receber, sem dúvida. Não consigo nem me imaginar recebendo a notícia do falecimento de Silena ou Agenor, nem quero pensar nisso! Mesmo que eles nem sejam meus pais de sangue.

Leah e Kroll

Stefan, até agora, tinha falado bem pouco. Toshinori o abraçou e isso me preocupou mais do que qualquer coisa. O inventor estava bem menos abatido do que quando o vi pela última vez, trabalhando na oficina do Drrrun enquanto eu passeava com Noah há algumas semanas.

Foi então que, finalmente, o kliren começou a abrir o jogo quanto ao que aconteceu nos últimos meses. Se exibindo, como sempre, o que me fez perceber que ele estava bem, ele contou sobre ter consertado o K e adicionado uma pitada de Stefan ao golem, seja lá o que isso signifique. Também contou sobre suas novas engenhocas no braço de metal e seus óculos estranhos.

Leah estava curiosa com relação à nova aparência de Edward e quis informações sobre o que tinha acontecido. Ed contou sobre sua desventura ao trocar seu olho esquerdo pela liberdade de seus companheiros quando caiu em uma emboscada de uma bruxa. Eu também fiquei curiosa sobre o que tinha acontecido na viagem deles a Ahlen.

Já o paladino nos surpreendeu a todos quando disse que sentiu falta de Stefan por ter que conviver durante a viagem com uma criatura que o fez quebrar seus votos ao mentir. Realmente, sentir falta do Stefan é algo anormal, mas compreensível nesse caso. Toshinori me mostrou seu novo manto e que ele o ajudaria a, junto comigo, cuidar dos ferimentos das pessoas e curá-las quando necessário. Eu era toda gratidão!

Expliquei a todos que eu tinha pensado em desistir depois da nossa última aventura e minha decisão de ir aprender a sabedoria dos mestres de Tamu-ra em um lugar menos distante, ali em Nitamu-ra. Falei que eu estava disposta a ser uma líder melhor, que passei um tempo especial ao lado de Goro e trabalhando com Ezequias na Guilda. Também contei sobre a Noah que está esperando filhotinhos.

O inventor também falou sobre sua viagem a Tahafett (estremeci com essa menção) e como o Drrrun retornou de sua viagem a Rhond trazendo alguma novidade que ele queria contar para nós junto de Ezequias. Devia ser algo deveras importante! Marcamos de nos encontrarmos na Guilda dos Mineradores no dia seguinte..

Foi uma festa toda essa conversaria. Muitas novidades! E aproveitamos bem a noite na companhia uns dos outros. Finalmente, Joseph parou de escrever e o tal Phillip saiu correndo da taverna. Mas volta e meia o bardo ia procurar o Stalin, seu marido, eu acho. Toshinori, Kroll e Leah derramaram os canecos, para variar. Já tarde da noite, nos despedimos e voltei para casa para descansar com Goro e Noah.

No dia seguinte, éramos, mais uma vez, uma família feliz passeando pela cidade. Me despedi do Goro na porta da Kanpeki e segui para a Guilda com a Noah, onde nos encontramos com todos, inclusive com um K reformado. Fiquei realmente feliz por vê-lo consertado. Stefan foi bem útil para ele, afinal.

Ao entrarmos na sala do Ezequias, nos deparamos com ele, Drrrun e o terceiro braço do chefe – o Jimmy. Edward ficou estarrecido com o braço grotesco, que foi um acidente no laboratório, lidando com matéria vermelha. Foi uma conversa até meio fofa entre os dois amigos: Ezequias e Edward.

E, então, Ezequias entregou ao Edward um baú, uma caixa onde estava um espólio que era uma espada misturada com matéria vermelha – GROTESCO – e uma carta. A CARTA que devia contar sobre o paradeiro do meu pai. Eu acho que arregalei os olhos e meu coração acelerou. A Noah até começou a se enroscar nas minhas pernas. Não prestei mais atenção nas conversas até que Edward começou a ler a carta em voz alta.

A carta

Agradeci trêmula quando Edward me entregou a parte que contava sobre o meu pai: Sir Anthony Starkey, o Cavaleiro das Rosas, galanteador que portava uma espada bastarda de matéria vermelha como herança de família, serviu a Sir Lohrin Starkey e à família Lazam em Hongari. Seu paradeiro era desconhecido, mas fora visto uma última vez em Deheon em companhia de uma mulher muito bela.

Meu ouvido zumbiu por alguns minutos até que ouvi Drrrun dizer que Ràthania foi vista em Rhond e que um leiloeiro abriu passagem para ela em Aslavi, Aslothia. Aparentemente, aquilo que ela nos roubou seria leiloado lá e nós, é claro, traríamos a ferramenta artefato de volta a Yuvalin sã e salva – de acordo com Ezequias.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/D1K2TGdVNww

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – Duelo vermelho

Muita coisa em jogo agora. Os Desafiantes de Yuvalin precisam defender a cidade da tempestade rubra.


O papel de Joseph no combate era vital. Alaúde contra violino. Ele já começou desafiando o bardo da Tormenta ao contar detalhes sobre seu envolvimento com Micalatéia, a irmã de Hermanoteu. Joseph revelou diante de todos ter engravidado a moça e desaparecido em seguida. Imagino que ela não deve ter sido a única.

Hermanoteu teria se desesperado ao perder a irmã, que morreu no parto do filho de Joseph, mas disse ter encontrado em Aharadak uma nova chance. Ele se tornou um sacerdote do Deus da Tormenta. A coisa só piorava.

Hermanoteu

Eles começaram a duelar e Joseph fez um solo bem mais interessante. Tentei começar consagrando nossa área para que eu pudesse colaborar, mas com todos aqueles olhos (símbolo sagrado de Aharadak) marcados nas peles, roupas e em pingentes, a magia de Allihanna se desfez instantaneamente. A natureza pura da minha deusa não poderia estar em um ambiente tão corrompido.

Mal tive tempo para reagir e comecei a sentir a chuva de sangue causando estragos na minha pele. Além disso, os cultistas começaram a avançar sobre mim e aqueles gritos me enlouqueciam. Um dos corrompidos degolou um refém na minha frente e foi uma cena tão terrível que eu me senti um lixo completo no meio daquele combate.

Kroll estava furioso e, com o machado, dilacerou uns cinco. Toshinori se juntou a mim e a sua aura sagrada e suas palavras animadoras nos deixou mais dispostos a resistir à corrupção da Tormenta. O que quer que Stefan tenha feito também deu certo e Edward gritou palavras de incentivo para nós e para os reféns, como uma torcida, e de intimidação contra os asseclas. O Trovão da Tormenta puxou suas espadas em chamas e dilacerou outros corrompidos. Quase saía faísca do violino, mas Joseph continuava tocando poderosamente seu alaúde.

Eu continuei sendo inútil para a equipe e para a cidade. Como me envergonho do meu papel nessa batalha!

Enquanto tentava desviar dos cultistas, puxei algumas raízes e galhos da praça para tentar segurá-los, mas isso não foi o suficiente para que toda aquela turba avançasse e outros cidadãos não fossem degolados na minha frente.

Eu estava tonta, não via nada direito. Kroll, Toshinori e Trovão continuavam arrasando os cultistas ao nosso redor e Stefan subiu em um telhado, atirando e matando mais alguns. Edward berrava ordens contra os inimigos.

Eu estava desesperada. Não sabia mais o que fazer. Finalmente, ergui minhas mãos e magia fluiu de mim sobre os mortos-vivos na área e os matei. Matei bem matado. Eles não voltaram mais. Finalmente, fiz algo útil.

Além de matar novamente os mortos-vivos, ainda, curei meus amigos que estavam feridos naquele banho de sangue e corrupção. Os cultistas não apenas nos machucavam com suas carapaças e garras, mas também tentavam nos enlouquecer com seus gritos, com aquela aparência absurda e matando os cidadãos de Yuvalin na nossa frente para nos intimidar ainda mais.

Os meninos continuavam batendo e apanhando, já sem muitas forças, mas permaneciam bravamente contra os corrompidos ao nosso redor. Enquanto isso, a música era praticamente ensurdecedora e Joseph parecia fazer sua melhor apresentação. Ele brilhava! E seu alaúde também emitia uma luz. Era visível que Hermanoteu já começava a sucumbir diante da atuação do nosso bardo.

Isso chamou a minha atenção por tempo demais, porque, logo depois, falhei novamente tentando conjurar uma magia que não funcionou. Parecia que os mortos-vivos sobressalentes iam morrer de novo, no entanto, minha magia de consagração não conseguiu se sustentar. Eles, então, continuaram, mesmo se arrastando no chão, tentando me atacar.

Parecia até que Allihanna queria me abandonar depois de eu tentar canalizar magia com tantos símbolos de Aharadak por perto. O que me salvou foi Trovão. Ele conseguiu falar com as plantas e elas se enroscaram nos símbolos e os esconderam ou arrancaram. Assim, finalmente, toquei o chão e ele emanou um brilho, consagrando a nossa área e matando alguns mortos-vivos.

Toshinori me ajudou nesse momento, me incentivando a continuar porque estava funcionando finalmente. Stefan também tentou ajudar – ACREDITE – mas ele estava muito longe e os gritos ferozes dos nossos inimigos e a música me impediram de ouvir.

Foi então que Joseph conseguiu! Ele começou a tocar uma melodia e as notas ganharam forma física e machucaram bastante Hermanoteu, que caiu fraco demais para reagir. Se arrastando em direção ao nosso bardo, o tal sacerdote de Aharadak foi abandonado por seu deus e não aguentou dizer mais do que 10 palavras. E morreu.

Os asseclas ficaram desesperados e começaram a correr como formigas quando chega a chuva. Os meninos não deixaram, obviamente. De repente, o palco se desfez. A chuva de sangue também parou e o tempo abriu. Então, começamos a analisar os estragos.

Era avassalador ver quantas pessoas mortas ao nosso redor. Tanta gente foi afetada na cidade. Nós andávamos e eu chorava. Encontramos Cassia próxima ao corpo de Cassandra e, quando ela nos viu, começou a convulsionar. Imediatamente, corremos Joseph e eu ao encontro dela e ajudamos a aplacar suas convulsões com técnica e magia. Quando ela parou de tremer, de seus olhos vertiam lágrimas.

Assim como ela, toda a cidade cantava uma canção em uníssono: o choro.


Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Os Desafiantes desafiam Yuvalin – Parte 2

Chegou a hora do julgamento que vai definir o futuro de Yuvalin e, consequentemente, dos Desafiantes.


Naquela manhã, nos encontramos na Guilda dos Mineradores. A área estava extremamente movimentada. Fomos recepcionados pela oficial Helena preocupada com esses aventureiros que defenderiam Ezequias. Então, nos apresentamos como esses aventureiros. Ela se assustou com isso e com o fato de acusarmos Rodford Vahrim não só de corrupção, mas de associação à Supremacia Purista.

A oficial argumentou justamente que a Guilda, comandada por Rodford, teria fornecido as armas a favor do Reinado e contra os puristas. Stefan tentou contra-argumentar com a ideia de infiltrados em Yuvalin e Joseph apresentou a carta com o selo da Guilda como prova. Mas ela parecia irredutível e o bardo nos contou, depois que ela saiu, que a oficial parecia saber mais do que queria nos contar ou que ela não queria se envolver no caso.

As testemunhas e a multidão que iria assistir ao julgamento começaram a se dirigir para o tribunal e nós fomos informados que o Ezequias já estava nos esperando. O juiz entrou no tribunal, o Conselho da Guilda também estava presente. Eram eles que deveríamos convencer com nossos argumentos.

O primeiro a falar foi Toshinori. Ele convidou Goro para ser testemunha, que contou sobre as cobranças extras que a Guilda sempre fazia e que, pela honra dele e de seu mestre, nunca se curvaram a isso, sendo importunados por bandidos, como os que enfrentamos em nossa missão na oficina. Ele e Toshinori falaram sobre a nossa honra e pediram por justiça.

A argumentação do Joseph foi profundamente emocional, dizendo que, em nossa última missão, a liderança da Guilda teria enviado puristas para nos matar e quase conseguiram ceifar a vida de Stefan, – dizia ele – um grande amigo. Apresentou como prova as cartas que encontramos com prisioneiros e na bota de Zelin.

O tribunal

Edward, imponente, se apresentou contando a razão pela qual estava em Yuvalin: veio quando soube que estavam tramando a morte de Ezequias. Ele não conhecia qualquer uma das testemunhas, mas, como nobre, ele atraiu a atenção do Conselho com seus argumentos. E, então, foi a minha vez.

Me dirigi ao centro do tribunal, diante do juiz e sobre o símbolo de Khalmyr, deus da justiça. Olhei para todos e fiz uma reverência. Me apresentei e disse estar com o coração apertado por todas as atrocidades que a Supremacia Purista tem feito no Reinado.

Minha testemunha foi ninguém mais e ninguém menos que o próprio Peter Vahrim, filho do acusado. Ele, melhor que qualquer outro, sabe o que é sofrer nas mãos de um purista dentro da própria casa. Afinal, até onde sabemos, o “Senhor P.” tem uma enorme facilidade em se apaixonar por não humanas.

Ao pedir que a testemunha falasse, argumentei sobre todo o mal que o Rodford pudesse ter feito contra o filho e – pasme – ele começou a chorar. Apenas por dizer que eu o via como uma pessoa que via seus sonhos se esvaírem por causa do pai.

Ele começou a falar sobre sua certeza de que o pai teria envolvimento com puristas e Rodford o interrompeu, brigando e gritando. Eu pedi silêncio e o juiz também pediu ordem, diante dos xingamentos que Rodford declarava sobre o próprio filho. Com muita tranquilidade, Peter se virou para o pai e disse que Rodford estava tão nervoso que parecia ter algo a esconder afinal.

Encerrei, assim, minha arguição, com muitos cochichos ouvidos por todo o salão e diversos olhares repulsivos para Rodford. E eu estava simplesmente aliviada. Exceto, é claro, porque logo depois de mim quem falaria era o Stefan. Então, um arrepio de medo passou pela minha nuca quando ele saiu do meu lado para se dirigir ao tribunal.

E ele já começou falando besteira, dizendo que Yuvalin forneceu armas para o exército purista durante as Guerras Artonianas. Meus olhos se arregalaram e eu comecei a fazer preces a Allihanna com mais fervor.

Ele também disse que as armas da cidade foram também para nos libertar da ameaça purista, mas já era tarde, Stefan já tinha falado besteira. Mas isso não foi o pior! Ele disse que a Supremacia Purista estava tentando se vingar de Yuvalin pelo fornecimento de armas para o Reinado. Além disso, para surpresa geral, argumentou que a própria mulher de capuz vermelho que teria nos atacado na viagem estava ali no tribunal, acompanhando tudo. O que foi um erro terrível, uma vez que quem estava no tribunal era a Cassandra, mulher do Drrrun e não aquela mulher. O Strefan sabe ser bem insuportável.

Como se não bastasse tudo isso, o Kroll não quis se levantar e fazer sua argumentação. Durante o recesso que o juiz declarou, até o Ezequias saiu de onde estava para vir tentar estimular o crocodilo. Mesmo assim, ele elogiou a todos que se dispuseram a falar, antes de voltar para a sala reservada.

Aproveitei para agradecer ao Goro a sua disponibilidade. Ele disse estar honrado em ajudar o nosso grupo e ter certeza e fé em Lin-Wu de que seríamos vitoriosos nessa jornada. Depois, o Joseph me pediu que eu ensaiasse com o Kroll suas falas para ele tentar falar no retorno do recesso. Enquanto isso, o bardo iria até à Pombo de Ouro, tentar convencer a chef Rizzelena a testemunhar também no tribunal.

Fui o mais didática possível com o Kroll. Toshinori – e até o Stefan – me ajudaram a ensaiar com ele para chamar o boticário Rafu para testemunhar. E, quando a sessão foi retomada, o crocodilo começou a falar sobre seu relacionamento com o Ezequias e chamou o Rafu.

O boticário atestou nossa honra e coragem, tocando seus tambores e com a fala cantante. Inclusive, disse que a cidade perderia muito se nós fôssemos expulsos. Mesmo assim, o Conselho não deu muito crédito à fala do Kroll.

Edward retornou para o centro do tribunal, argumentando que acredita que havia uma célula purista na região, uma vez que, desde que ele chegara a Yuvalin, enfrentou algumas situações contra puristas. Falou sobre sua honra como nobre e sobre os nossos prisioneiros que se identificaram como puristas. Isso gerou uma espécie de comoção no juri, até mesmo um cidadão gritou para que prendessem Rodford.

Fui chamada mais uma vez e tenho completa certeza de que não fui bem. Chamei Rizzelena para atestar a importância de haver pessoas de raças diferentes co-habitando em Yuvalin e o quanto era danoso ter puristas em nosso meio. Ela falou sobre o sofrimento do povo élfico com os puristas ser tão terrível quanto o que passaram no passado com o fim do seu reino. 

Após minha argumentação, o Conselho se reuniu para trazer o veredicto. Nesse intervalo, Toshinori saiu do tribunal e retornou com um discurso, a princípio, meio estranho. Ele elogiou a equipe – até o Stefan -, falando das habilidades de cada um que ele valorizava. E, então, o que eu temia aconteceu.

Toshinori continuou seu discurso dizendo que o grupo precisava de algo que o unisse, que o mantivesse de pé. Ele puxou de sua bolsa uma espécie de coroa de ramos, em formato de tridente, e colocou sobre a minha cabeça, falando que estava me tornando a líder dos Desafiantes de Yuvalin.

Tomei um susto tão grande. Cheguei a gaguejar argumentando que não havíamos conversado sobre isso, mas eles disseram que haviam, sim. Até o Ezequias concordou, mesmo não fazendo parte do grupo. Depois de muita insistência por parte do grupo, eu aceitei.

Ainda com o coração acelerado e a cabeça repassando milhões de pensamentos, precisei me acalmar para ouvir o veredicto, que o juiz trazia de volta à sessão. Impossível se acalmar! O último conselheiro a entrar entregou um documento ao juiz. Nesse instante, uma multidão entrou no tribunal, ansiosa para ouvir.

Silêncio absoluto.

O juiz sentenciou Rodford Vahrim a prisão perpétua pelos crimes como puristas e Ezequias foi inocentado de quaisquer acusações. A multidão foi à loucura: Rodford saindo arrastado para a prisão e soltando impropérios, o povo de Yuvalin gritava palavras de apoio aos Desafiantes de Yuvalin.

Pedindo silêncio, o juiz continuou dizendo que o Conselho decidiu colocar Ezequias Heldret como presidente da Guilda dos Mineradores. Depois disso, foi impossível se fazer silêncio no salão. Começou uma gritaria ensurdecedora e todo o povo se empurrava para fora do tribunal, gritando o nome de Ezequias.

A oficial Helena estava à espreita, na porta de sua sala, esperando para perguntar a nós se houve sucesso em nossa empreitada. O suspiro de alívio dela e, posteriormente, seu grito abafado dentro da sala, me fizeram entender que, de fato, obtivemos sucesso.

Fora da Guilda, o povo em polvorosa agitação, Ezequias iniciou um discurso sobre liberdade e sobre olhar para o futuro, olhar para o céu vermelho e combatê-lo com toda a nossa força: destruir a Tormenta. Retirou seus óculos pela primeira vez diante de todos, revelando olhos vermelhos. Ainda prometeu que Yuvalin seria uma grande produtora de aço rubi, apresentando uma pedrinha retirada das Minas Heldret, com a ajuda dos Desafiantes.

Yuvalin estava em festa. Éramos os aventureiros que conseguiram acabar com um esquema de corrupção na Guilda dos Mineradores. Bardos escreverão sobre nossas aventuras.


Alívio, é claro. Mas um frio na barriga por tudo o que pode acontecer daqui para frente, com certeza deve invadir os Desafiantes de Yuvalin.

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo: