Tudo parecia lindo, até que… Helga não tem um dia de paz! Como ela e os Desafiantes de Yuvalin vão se livrar das mãos do Barão Lazam agora?
Caique, aquele soldado que conhecemos dois dias antes, nos abordou enquanto ainda cuidávamos do Climber. Perguntou gentilmente sobre meu pai e nossa viagem, felizmente, ele só reparou no minotauro e não no meu pai osteon.
Ele nos conduziu novamente até ao palacete do Barão Lazam. Lá, havia algo como um encontro de corte, muitas pessoas estavam reunidas e fomos muito bem recebidos. Meus companheiros e eu teríamos um banquete e uma noite bem confortável.
O Barão, então, nos perguntou sobre a urna que prometemos trazer da cripta. Dissemos que o que trouxemos não era uma urna, mas algo que, talvez, o senhor Lazam também apreciasse. Então, apresentei meu pai.
Sir Starkey retirou o capuz e uma grande comoção encheu a sala. Todos se assustaram ao vê-lo. Um morto-vivo, é claro. Acho que o choque foi tamanho, o barão estava incrédulo, perguntou se era uma brincadeira de mau gosto e se tinha provas de que aquele era o amigo dele de verdade. Meu pai começou a contar alguma história que, provavelmente, devia ser constrangedora, pois ele só começou uma frase e o barão já o interrompeu para abraçá-lo.
Aquela foi uma noite de festa, de muitas comemorações. Todos queriam conversar com meu pai, saber o que tinha acontecido. Ele também ficou feliz por rever alguns velhos amigos. Eu não sabia como ficar mais feliz. Só faltavam o Goro e a Noah comigo. Aí sim seria perfeito.
Após o banquete, os meninos foram para um aposento bem amplo e luxuoso para descansar. Meu pai e eu fomos dar uma volta sob a luz do luar, sob Tenebra. conversávamos sobre tudo e sobre como estávamos felizes.
O barão apareceu e convidou meu pai para segui-lo até uma capelinha dedicada ao Panteão. Os acompanhei, é claro. Cada minuto ao lado de Sir Starkey se tornou extremamente precioso. Lá, várias pessoas estavam sentadas nos bancos, inclusive aquele jovem, o Caique, talhando algo em um pequeno pedaço de madeira. Havia também um homem de vestes brancas à frente. O barão disse que aquele era Daniel, um biomante que desfaria o que fora feito ao meu pai.
Choque.
De repente, aquelas pessoas se levantaram com armas nas mãos, prontos para nos atacar. Todos olhavam na nossa direção com rostos ferozes. Lazam disse que meu pai não merecia estar vivo, que mortos só mereciam a morte. Para ele, o que foi feito em Hongari não poderia se repetir em nenhum outro lugar. Imediatamente, todos os mercenários avançaram sobre nós.
Eles nos prenderam e nos arrastaram para um alçapão que havia abaixo do púlpito. Tentamos nos desvencilhar, mas era inútil. O barão ainda teve a audácia de pedir desculpas. Não consegui gritar por ajuda. Também não sabia se os meninos me ouviriam. Muito menos se eles estavam dormindo em berço esplêndido ou se algo também estaria atrapalhando a noite deles (como mais mercenários).
Com a boca tampada e as mãos imobilizadas, não podia realizar qualquer tipo de magia. Os mercenários sabiam o que estavam fazendo. Fomos jogados abaixo daquele púlpito em uma caverna recente, escura e úmida.
Meu pai começou a argumentar com Lazam de que o barão estava cometendo um erro. Sir Starkey não teve escolha ao ser transformado em um morto-vivo, ele só foi transformado e ponto, mas não era como aqueles que trouxeram desgraça à sua terra natal. O barão permaneceu em silêncio.
A caverna tinha um círculo pintado no chão e um caixão no meio. Aquele senhor de mantos brancos, um humano, começou a pegar alguns itens, como água benta, para iniciar um ritual. Mandou colocar meu pai no caixão. Ele resistiu, apanhou e, por fim, foi colocado no caixão, quase desacordado. Prenderam tudo com correntes. Eu chorava e tentava gritar, mas não conseguia me libertar.
Lazam derramava lágrimas – obviamente falsas de um barão de sangue. Ele se aproximou de mim e me desamordaçou, dizendo para que eu ficasse tranquila. Mas eu estava em choque e gritando, perguntando o que ele estava fazendo. Meu pai não tinha culpa, eles eram amigos. Ele dizia apenas que mortos-vivos deviam ser expurgados de Arton.
Ele disse que a caverna fora construída para fazer isso: tornar todos os mortos-vivos apenas mortos. Meu pai não foi o primeiro a chegar até ali. Olhei ao redor e vi ossos pendurados, frascos de água benta. Uma cena aterrorizante.
Eu sei o que é ser atacado por zumbis. Eu sei o que foi sofrer com eles, perder alguém que amava. Mas isso era bem diferente. Meu pai não era um servo de Tenebra. Ele não estava agindo apenas como um morto-vivo. Ele era um osteon. Revivido. Era o mesmo Sir Anthony Starkey em ossos e rosas. Ele só não precisava mais dormir e comer, mas era o meu pai e eu o queria vivo, como fosse.
O biomante começou a entoar algumas palavras arcanas e o círculo começou a brilhar abaixo do caixão. Olhei ao redor em desespero, procurando qualquer coisa que impedisse o ritual de acontecer. Achei umas gavinhas que poderiam prender alguém, sussurrei para que elas agissem. Mas, no desespero, não vi nada direito e elas começaram a enroscar apenas nas pernas do Lazam e de um outro matador.
O barão me amordaçou de novo e eu não conseguia mais pronunciar orações implorando por milagres de Allihanna. Reconheci em um dos cantos apenas uns olhos e mechas loiras, era Caique escondido. Comecei a implorar com os olhos e a fazer movimentos mais bruscos para que ele agisse em nosso favor. Meus movimentos para tentar me desvencilhar e chamar a atenção de Caique só provocaram um soco na minha cabeça. Não me machucou muito, mas não me ajudou também a sair do lugar.
Ouvi um barulho estrondoso da direção da caverna. Sem nem olhar, eu já sabia que eram meus amigos. Os soldados de Lazam gritaram que eles estavam na cripta e que deveriam terminar logo o ritual e deter os Desafiantes.
Ouvi um tiro e todos olhamos para onde a bala deveria atingir. No entanto, ela ficou parada numa cúpula invisível ao redor do caixão. Ela só ficou parada. Foram momentos rápidos demais em silêncio, olhos esbugalhados. De repente, o biomante voltou a recitar os encantos, cada vez mais rápidos.
Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://www.youtube.com/watch?v=H1fvTZJNYTM
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Até breve!
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