Assassino por acaso e diversão garantida

Acredite se quiser, Assassino por Acaso (dirigido por Richard Linklater) é um filme baseado em um caso real. Essa crítica começa justamente apontando o espanto que eu tive quando apareceu na telona que Gary Johnson e o mundo ao redor dele realmente existiram. Mas, apesar de eu começar pelo meio do texto, os próximos parágrafos devem seguir uma linha para fazer sentido na sua cabeça – ou não.

Com lançamento em 12 de junho no Brasil, o filme conta a história de um professor universitário de filosofia, Gary Johnson (Glen Powell), que leva uma vida invisível e sem graça. Mesmo provocando seus alunos a pensarem e viverem intensamente, ele usa roupas simples, vive com seus dois gatos (ID e EGO) e dirige um carro popular. Como um passatempo bem diferente, ele presta serviços de inteligência para a polícia. Mesmo assim, sem nenhum tipo de aventura.

Poster

Tudo muda, no entanto, quando Jasper (Austin Amelio), que representa um assassino de aluguel para capturar as mentes por trás dos assassinatos e resolver os casos da polícia, é afastado de seu cargo. A única pessoa que sobrou para cobrir a ausência do colega foi Gary, que começa a ir muito bem nos disfarces. Bem até demais.

Essa é uma comédia de ação que entrega além do que foi prometido, graças a um roteiro bem feito, cheio de falas boas num timing perfeito, e à atuação impecável de Glen Powell, Adria Arjona, que interpreta Maddy Masters – a responsável por fazer Gary quebrar o protocolo como assassino de aluguel, e todo o elenco.

Além disso, a proposta do filme contextualiza muito bem as questões filosóficas levantadas pelo Gary em sala de aula e os momentos em que ele interpreta uma vida completamente diferente para a polícia na solução dos casos. Os espectadores podem acompanhar a evolução do personagem nesse encadeamento e imergir totalmente na história.

Essa evolução acontece não apenas na forma como o personagem age, mas é demonstrada também por meio do seu figurino muito bem planejado pela produção do filme. Ao longo da trama, você pode notar a transformação em cada caso e na própria vida do personagem.

Assassino por Acaso (Hit Man em inglês) é um filme que envolve quem assiste na expectativa de ver o personagem principal se desvencilhar das próprias mentiras enquanto lida com as mentiras dos outros, o que traz à tona uma pegada de agente secreto muito bem-humorada.

Ron (Gary) e Maddy

Possivelmente, esse não será um blockbuster, mas tem tudo para fazer um certo sucesso. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. São quase duas horas muito bem aproveitadas de vida em que você se envolve tanto com a história que nem nota que esse tempo passou.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/07/assassino-por-acaso-e-diversao-garantida/

Divertida Mente 2: uma grande e emocionante ideia

As emoções têm novas emoções em Divertida Mente 2 (Inside Out 2). Já os espectadores podem agendar sua próxima sessão de terapia para contar o que aprenderam com o novo filme da Pixar. Já separou o lencinho para levar para o cinema?

A Pixar parece ter acertado a mão dessa vez com as continuações de sucessos. Havia um temor real e natural de que as continuações já estavam se tornando um desperdício de energia, criatividade e dinheiro. Mas Divertida Mente 2 surpreende com uma história boa e coerente com o que milhões de pessoas já se identificaram, pelo menos, uma vez na vida.

Com estreia em 20 de junho no Brasil, o filme é da Pixar e Walt Disney Pictures, dirigido por Kelsey Mann e com roteiro de Dave Holstein e Meg LeFauve.

De forma bem-humorada, o filme é um espetáculo de realidade que ensina, mais uma vez, que cada sentimento precisa ter seu espaço e tempo. Com a Riley entrando na puberdade, todos os sentimentos ficam à flor da pele e nem eles sabem o que fazer dentro da cabeça dela. São muitas mudanças, inclusive, com a chegada de novas emoções: Ansiedade, Invej(inh)a, Vergonha e Tédio – deitado no sofá sem largar o celular um segundo sequer.

Novas emoções

No primeiro filme, temos emoções com descrições muito claras e objetivas, como a infância é. Agora, elas precisam lidar com a complexidade de um novo estágio da vida da protagonista. Além disso, os novos sentimentos chegaram para ficar e todos precisam aprender a coexistir pacificamente, ou as consequências podem ser desastrosas.

A dublagem brasileira dá um banho de contexto e memes atuais, afinal, temos uma adolescente em cena. É tão bem feito que você consegue nem se lembrar de quem são as vozes, com uma atuação que casa muito bem com cada personagem.

A animação, é claro, é um espetáculo à parte, com traços, coloração, 3D, tudo contribuindo para uma ambientação completa das cenas, trazendo sentimento para os momentos-chave do filme. A engenhosidade com que tudo é construído dentro da mente da Riley contribui para uma imersão completa nos cenários e na trajetória dos 5 personagens já conhecidos que são, simplesmente, expulsos de seus postos para dar lugar aos novos (por livre e espontâneo chute mesmo).

Com a Ansiedade no controle da mente da protagonista, tudo tem uma GRANDE chance de dar errado. O que me trouxe à clara reflexão da importância do equilíbrio entre as emoções em uma época quando todos estão extremamente ansiosos, deixando que essa personagem pequena e laranja tome conta. Os efeitos podem ser terríveis se não tratados e equilibrados com o retorno de todas as demais emoções em seus devidos lugares. Todas elas são importantes no lugar certo.

Por dentro da mente da Riley

O filme é recheado de piadas bem feitas e encaixadas também nos seus devidos lugares, algumas dão até uns sustos na gente. A evolução da história é emocionante, mas não me fez chorar como no primeiro filme. ALERTA DE SPOILER: sem mortes de personagens fofos e super apegáveis, nessa produção você se identifica mais com a história, reflete mais e tenha, talvez, um pouco de Nostalgia (outra emoção MARAVILHOSA), mas é menos chorável.

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. Me surpreendi e convido você a se divertir – MUITO -, refletindo sobre os rumos que os seus próprios sentimentos têm levado você, mas sem te deixar na deprê… talvez, só um pouco ansioso haha’ brincadeirinha.Ah! Muito importante: tem cena pós-créditos, ok? Bem divertida, aliás. Fique até o final.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/12/divertida-mente-2-uma-grande-e-emocionante-ideia/