Épico e aquático – Invasão vermelha

Algo de errado não está certo em Yuvalin e, agora, Helga e os Desafiantes de Yuvalin precisam lidar com um inimigo extremamente poderoso: a Tempestade Rubra.


É doloroso pensar no quanto a Tormenta é capaz de destruir sonhos e a vida em Arton. Mais do que nunca, combatê-la é uma questão de honra, de amor ao próximo e a si mesmo.

Foi como se os sonhos acabassem todos de uma vez, lavados pela chuva de céu vermelho. Chuva de sangue. Tormenta.

Os animais não estavam normais, o Distrito do Carvão estava mais silencioso que o normal e, conforme eu entrava mais na cidade, tudo estava profundamente silencioso, ninguém nas ruas. Isso não era Yuvalin. Foi quando o primeiro trovão soou no céu. Uma luz amarela deu lugar a um céu vermelho. Em seguida, veio a chuva. Ácida. Ferrosa. Sangue.

E, então, Yuvalin se tornou um caos completo.

Comecei a ouvir gritos e risos de desespero. O que era silêncio, se tornou uma cacofonia trágica. Apesar de o Distrito do Carvão ser mais calmo, eu sabia que, quanto mais próximo à forja central, mais intensa deveria estar a chuva rubra e, é claro, o caos.

Mergulhei no canal e entrei na cidade. A água parecia um filtro para aquele céu vermelho. Lembrei-me das histórias que Goro contou sobre a chegada da Tormenta em Tamu-ra e fui tentar encontrar um abrigo na cidade. O primeiro lugar que eu pensei em ir, é claro, foi a Kanpeki.

As lojas ainda estavam fechadas e eu vi o desespero, muita gente correndo e gritando. Uma senhora se jogou no rio como quem quer se afogar, gritando sobre como era lindo: “Oh Aharadak!”. Sim, o deus da Tormenta. Ela, claramente, estava se corrompendo e eu, num ato de desespero, puxei minha maleta de medicamentos e tentei fazer algo, mas era inútil. Ela já estava corrompida e nenhuma solução mundana transformaria aquele quadro.

Levantei a cabeça e senti o cheiro mais forte. Vi pessoas corrompidas, com carapaças, desfiguradas. Todas gritavam e corriam e arrastavam outras pessoas para um lado da cidade. Os olhos humanos têm muita dificuldade até de aguentar uma visão como essa.

Saí do rio e fui procurar a equipe na Guilda dos Mineradores. Nas proximidades, muitos desses seres corrompidos estavam em uma grande balbúrdia. Um deles se aproximou de mim e de Stefan, que já estava lá também procurando pela equipe. O ser montava um lobo e era difícil aguentar olhar para ele por muito tempo. Ruivo, braços vermelhos, mas ele parecia ser diferente dos outros.

Ele disse que queria acabar logo com a Tormenta. Stefan e eu conversamos com ele. Eu ainda estava confusa, perguntei suas intenções, mas nem conseguimos falar muito, pois um bando de corrompidos partiu para cima de nós. Me protegi, pois sabia que meus ataques seriam inúteis, no entanto, Stefan e o ser corrompido montado no lobo, com sua espada flamejante, lutaram contra o bando. Ele estava do nosso lado, então. Usei magia para tentar nos proteger no meio de toda aquela bagunça.

Era difícil, porque a chuva estava ficando mais forte e densa e já começava a afetar nossos corpos, menos o tal lefou montado no lobo. Trovão da Tormenta, como ele se autointitulou.

Enquanto enfrentávamos os cultistas de Aharadak, um guarda de Yuvalin, Fletcher, nos avisou para irmos à praça. As ordens eram de todos os aventureiros irem para lá, no Distrito da Bigorna. Stefan me olhou, perguntando se iríamos para a tal praça, e eu concordei, dizendo que se era onde estavam as pessoas que precisavam de ajuda, sim, deveríamos ir para lá. Lutávamos andando pelo caminho, pois não podíamos parar e muitos cultistas estavam nos atacando.

Pela bondade dos deuses, ao virar uma esquina, encontramos os demais Desafiantes de Yuvalin. Estávamos todos ali reunidos no meio daquela bagunça. Óbvio que eles estranharam nosso novo colega. Kroll já estava preparado para atacar, mas estacou quando Stefan confirmou que o Trovão estava ao nosso lado. Precisei confirmar, porque o Stefan nem sempre é confiável.

De repente, do alto de uma árvore um cultista se jogou para cima de mim com uma adaga. Só que ele foi interrompido ainda no ar e atirado e arrastado no chão por uma mancha branca e cinzenta. Era um lobo que o atacou e arrancou partes do seu corpo para me defender. Mas não era um lobo qualquer, era a Noah. Ela me encontrou e me defendeu.

Noah, minha nova companheira

Não pude esconder meu alívio e alegria em ser encontrada por ela. Comecei a fazer carinho em sua cabeça, ela sorria e arfava, se espreguiçou perto de mim, pediu mais carinho e abanou o rabo. Conversei um pouco com ela, rapidamente. Disse que a protegeria com a minha vida e ela também me protegeria. Mas precisávamos continuar o caminho.

Falei com o pessoal que deveríamos ir até a tal praça para ajudar as pessoas que estavam a caminho. Enquanto todos confirmávamos que realmente faríamos isso, Stefan foi até àquela placa que dizia apontar para o que se queria ver, ela estava a poucos metros de onde nos encontramos.

Quando a seta parou, houve um clarão e vimos uma silhueta, uma silhueta grávida com uma adaga nas mãos. Era Cassandra, a mulher do Drrrun, e ela gritava “Oh grande Aharadak! Muito obrigada!”. Ela enfiou a adaga na própria barriga e arrancou seu bebê. Em seguida, se jogou do alto onde estava.

Foi uma cena aterradora! Eu me desesperei e acho que a equipe toda. Queria curá-la, mas estava muito longe. Corremos para encontrá-la, e o bebê, e a vimos morta, estatelada no chão. A Noah cheirou e lambeu o bebê e ouvi uma tosse bem baixinha. Ela ficava olhando para o bebê e para mim para que eu fizesse algo.

Joseph chegou para me ajudar, pegou o bebê e eu identifiquei que ela só não respirava. Fiz uma prece a Allihanna e minhas mãos brilharam sobre o bebê. Imediatamente ele começou a chorar e eu chorei junto, emocionada e aliviada. Uma anã viu a cena e veio nos ajudar, levando o bebê para dentro de uma casa, enquanto os moradores daquela área apenas nos incentivavam: “Vão, Desafiantes! Vinguem-nos!”

Olhei ao redor para ver se a equipe estava toda reunida. Stefan estava afastado, analisando o local do incidente da Cassandra. Com gritos, um homem tentava proteger a própria família, gritando para que não chegássemos perto nem deles e nem de Cassandra. Então, partimos para a praça.

Quanto mais nos aproximávamos da praça, mais alto ouvíamos gritos em uníssono de um idioma muito antigo, de louvor: “Seja engrandecido, ó grande Aharadak!”. Tudo parecia um grande funeral, com música e os gritos.

A praça estava lotada. Muitas pessoas pareciam estar lá por vontade própria, mas outras estavam sob ameaça. Mais à frente, em um grandioso palco feito de matéria vermelha, estava um homem, tocando violino.

A praça

Ele emitia fumaça, sua pele era meio aberta. É até difícil descrever. Ele gritou nos desejando boas-vindas e exaltando Aharadak. Apontou para Joseph e, imediatamente, ele foi arrastado em direção ao palco, com uma pressão muito forte que todos nós pudemos sentir.

Muitos cultistas avançaram para cima do restante de nós. Pude observar em alguns deles características que se assemelhavam muito a de pessoas que eu conhecia. Percebi, depois de alguns segundos, que aquele grupo de aventureiros que desapareceu dias atrás e que não fomos procurar, eles haviam sucumbido à Tormenta. Inclusive o tal minotauro, de quem eu nunca gostei muito.

Estávamos cercados pelos asseclas da Tormenta e, enquanto isso, ainda precisávamos combater o ex-cunhado de Joseph, que estava no palco: Hermanoteu.


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Até breve!

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Épico e aquático – Dragão branco

Finalmente, nossos heróis parecem ter tomado uma boa decisão: sair das minas. Se apaixone por esse capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Honra e amor se misturaram ao caos e tristeza depois que decidimos retornar para a cidade, deixando o segundo andar das Minas Heldret.

Antes de sairmos, tentei estabilizar o paladino que tinha explodido a última bomba. Me aproximei e toquei em sua fronte suja por baixo dos cabelos azulados chamuscados e senti a magia fluindo de mim para ele. Mas eu mesma já estava muito esgotada. Precisávamos retornar o mais breve possível.

Entramos num consenso de que era a melhor coisa, realmente, sair das minas. Stefan, ainda, quis ir ver sozinho se uma das portas que não conseguimos abrir já estava aberta. Ele sabe ser bem insuportável. Impressionante!

Subimos o elevador e paramos no primeiro andar, procurando por Noah, a loba. Comecei a cantar para tentar chamar sua atenção, mas ela não estava lá. Voltamos para o elevador, subimos e retornamos para Yuvalin. Eu precisava de um banho.

Entrando pelos portões da cidade, encontramos aquele menino que tive um encontro uma vez, aquele que disse querer se tornar um aventureiro também um dia, junto comigo. Ele disse que se tornaria um grande arremessador de pedras, e demonstrou isso diante de nós. Promissor!

Os meninos se divertiram com ele, tentando arremessar pedras também. Ele me perguntou se havia melhorado desde nosso último encontro. Era visível que nem tanto, mas o incentivei a continuar.

Depois de vários banhos de sangue, eu precisava relaxar. Fui para o rio e me senti em paz. Enquanto andava pela cidade, e próxima ao rio, continuei cantando para tentar encontrar Noah. Não tive sucesso, infelizmente. Então, decidi prosseguir com meus planos para a noite.

Cheguei à Kanpeki quando Goro já estava fechando a loja. Ao me ver machucada, ele me pediu para entrar e começou a cuidar das minhas feridas com bálsamos. Começamos a conversar sobre a vida dos aventureiros e ele disse que se preocupava muito comigo. Ai que lindo!

Claro que ele corrigiu depois, dizendo que se preocupava com todos nós, mas deu para perceber os olhinhos rasgados dele brilhando ao falar que não queria me deixar ir enfrentar tantos perigos, que me queria por perto. Meu coração deu uma leve acelerada nesse momento.

Com as feições tristes, ele disse que me levaria ao Distrito do Carvão, para que eu pudesse descansar. Imagino que ele estivesse imaginando que nosso encontro seria breve. Mas dei mais uma oportunidade a nós dois, jogando no ar que não tinha jantado ainda. Ele se iluminou com a possibilidade de passarmos mais tempo juntos e me chamou para comer yakisoba.

Ouvi-lo contar suas histórias era tão maravilhoso. Não me cansava de escutar sua voz. Às vezes, ele fingia esquecer uma palavra em valkar só para que a conversa se estendesse e ter mais tempo comigo. Jamais reclamaria disso. Estar com ele naquele momento era tão perfeito, ainda que estivéssemos em pé em uma barraquinha de yakisoba, depois de tudo o que aconteceu naquele dia.

Goro me acompanhou até o Distrito do Carvão, onde eu costumava dormir. Meu coração mal cabia no meu peito e eu já começava a ter arrepios no baixo-ventre. Um pouco sem jeito e cheia de vergonha, agradeci o jantar e desejei encontrá-lo ainda naquela semana.

Dei um beijo nele. Na bochecha. Parecia muito difícil dar um passo a mais nessa nossa história. Não sabia se devia continuar a tentar algo, mesmo com vergonha, ou se apenas deveria deixar acontecer (ou não acontecer).

Ele me segurou nos seus braços. É difícil descrever o que eu senti, imaginando o que poderia acontecer a seguir. No entanto, apenas me disse que ficaria feliz em me ver no dia seguinte, se possível. E beijou a minha mão.

Antes que ele se virasse para ir embora, não sei o que me deu, mas tomei algum tipo de atitude misteriosa. Quando dei por mim, já estávamos abraçados nos beijando. Um beijo envolvente e sincero, aguardado por várias luas, como se no mundo inteiro só existíssemos nós e nada mais.

Quando nossos lábios se separaram, ele estava mais vermelho que a tormenta, mas disse docemente que só teve uma mulher antes de mim e que ela não se comparava a mim. Eu fiquei, simplesmente, sem palavras. Era impossível dizer qualquer coisa depois do que finalmente aconteceu: um beijo.

O beijo. Aquele que eu esperava desde o dia que nos conhecemos na Kanpeki. À medida que nos conhecíamos melhor nas últimas semanas, eu fui me encantando mais por ele e esse beijo simbolizou o encontro entre dois corações que, mesmo tão diferentes, compartilhavam um mesmo sentimento.

Helga e Goro

Tudo o que consegui dizer foi que esperava vê-lo no dia seguinte e ele respondeu dizendo que o amanhã seria o dia mais esperado por ele. E, dessa vez, ele me puxou contra o seu corpo forte, nossos lábios se encontraram mais uma vez, mas de uma forma mais feroz e intensa.

Suas mãos deslizavam sobre minhas costas e alisavam meu corpo. Segurei firmemente seus cabelos com uma das mãos e não queria deixá-lo mais sair dali, nunca mais. Mas ele precisava ir e, por isso, nos afastamos um pouco, sem ar.

Ele sorriu para mim e, daquele jeito sem jeito que eu queria ver o resto da minha vida, ele se despediu. Enquanto se distanciava, pude ver ele fazendo alguns gestos de comemoração. Eu ri, com uma mistura de sentimentos envolvendo carinho, ternura, paixão e esperança. Eu estava nas nuvens.

Dormir seria quase impossível com toda aquela emoção aflorando. Fiquei alguns minutos deitada sobre a relva, ao lado da árvore onde costumava sempre ficar, mas dessa vez, quis observar as estrelas. Fui respirando fundo até me acalmar. Agradecia a Allihanna e a Lin-Wu por nos permitirem viver algo tão lindo como o que vivemos instantes antes.

De repente, senti um cheiro diferente. Um cheiro ferroso. Era totalmente diferente dos cheiros que eu estava acostumada. Parecia cheiro de sangue. Com o tempo, acabei pegando no sono. Mas, quando acordei, entendi do que se tratava. Os animais estavam estranhos, a cidade também. Até ouvir um trovão e a chuva começar. A tempestade rubra havia chegado a Yuvalin.


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Até breve!

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Épico e aquático – Isso aqui é bomba

Apesar de o dia ser de Oceano, o que nossos amigos enfrentaram foi fogo. Confira mais uma etapa da jornada dos Desafiantes de Yuvalin nas Minas Heldret.


Pedimos que o Stefan fosse à frente do grupo na sequência da exploração do segundo andar das Minas Heldret. Ele estava bem cauteloso, mas explodiu uma bomba, fazendo as paredes balançarem.

O inventor e Toshinori avançaram e o restante de nós ficou um pouco para trás, apenas para que futuras explosões não atingissem a todos no vácuo do corredor. Apenas ouvimos e sentimos mais uma explosão alguns minutos depois de iniciar o trajeto outra vez.

Quando Stefan passou por mim no corredor voltando, só pensei: POR QUÊ?. Ele veio todo chamuscado e com algumas partes do corpo em carne viva. Apesar de ele dizer que tudo estava bem, fiz uma prece a Allihanna e, com as minhas mãos, toquei de leve sobre seus ombros.

Imediatamente, raios de luz emanaram de minhas mãos e notei seus ferimentos se fechando, mesmo que ele continuasse bem sujo e com as roupas em farrapos. Daí, ele simplesmente voltou à dianteira do grupo, avisando sobre uma porta e recomendando que Toshinori ou Edward abrissem.

E dessa vez, foi o paladino quem explodiu uma bomba no outro corredor, de frente para a tal porta. E, como se não bastasse, ele voltou para o meu lado e explodiu outra bomba. Me machucou consideravelmente e me deixou com raiva, obviamente. Com muita cara de pau, ele pediu que eu o curasse por magia, o que eu não quis fazer só de raiva. Mesmo ele me entregando uma essência de mana.

Que bom que com os próprios bálsamos restauradores ele, Kroll e Stefan cuidam dos seus ferimentos. Curiosamente, Stefan estava feliz e gritando a plenos pulmões que as tartarugas iriam salvar Arton. Ele é bem maluco e insuportável, mas, desde que a gente encontrou Rudigger, o Profeta que anuncia o fim, não conseguia não concordar com ele. Só não entendia o porquê de ele estar gritando aquilo ali, no meio da mina.

Corredor de bombas

Edward abriu a porta e uma luz e um calor muito fortes avançaram pelo corredor. Todos nós nos queimamos com o que deveria ser uma bola de fogo vinda da sala. Invoquei um poder que me fortaleceu e algo como escamas cobriram minha pele naquele momento e não tomei dano algum. No entanto, notei que a equipe estava bem machucada.

Pelo menos, Stefan não ficou doidão dessa vez. Aliás, os olhos dele começaram a ficar com aquela expressão esquisita, mas rapidamente ele piscou algumas vezes e ficou o que a gente chamaria de normal.

Entendemos, então, que começaríamos uma batalha com o que quer que estivesse naquela sala cuja porta Edward abriu. Eu era a penúltima da fila em um corredor que só passava um por vez. Só conseguia ver Toshinori e Stefan, no cotovelo do corredor que eu estava, e Joseph estava logo atrás de mim. Mas o barulho que ouvi era, definitivamente, de batalha.

Olhei meio desesperada para Joseph, suplicando para que ele fizesse algo, como nos inspirar com seu alaúde. Ele entendeu o recado e a melodia começou a abafar os clangores da luta. Mas, aparentemente, a coisa estava bem feia lá na frente para o Edward.

Me embrenhei pelo corredor e fui parar ao lado de Stefan. Edward estava ao lado dele e a porta em seguida. Pude ver alguém ameaçando o nobre, mas não me demorei muito, porque vi Stefan caindo e o segurei nos braços, conjurando uma magia para reanimá-lo. Ele despertou novamente, mesmo caído, vendo as luzes que emanaram das minhas mãos sobre ele.

Vi que Toshinori passou pelo corredor também e entrou na sala. Continuei ouvindo os sons da batalha, mas sem ver claramente a movimentação da equipe e dos inimigos. Uma luz azulada permeou toda a área do corredor. Imaginei que fosse a aura de Toshinori e fiquei um pouco menos aflita com tudo o que estava rolando. Só um pouco mesmo.

Eu mal via Kroll no outro corredor, mas percebi que ele estava com muita vontade de eliminar os inimigos. Seu machado praticamente brilhava e emanava frio. O bárbaro não perdia uma oportunidade de machucar o mercenário perto da porta.

Toshinori emite sua aura azulada

Toshinori parecia estar em apuros. Vi um mercenário levantar a espada sobre ele e, como reação, conjurei um escudo de proteção sobre ele, bloqueando os efeitos do golpe. Aos meus pés, Stefan apontou sua arma para um dos inimigos dentro da sala e atirou. Depois que os efeitos do barulho passaram, notei que ele acertou alguém e não era um dos nossos, finalmente.

Apesar de não ver muito bem, ouvi, como que em pensamentos, Toshinori gritando por cura. Ele estava a 6 metros de distância. Assim, os raios de luzes contendo a magia de cura concedida por Allihanna dançaram no ar e o alcançaram. Imediatamente, ele agiu bem rápido sobre um inimigo que ficou no chão gritando.

O Kroll entrou na sala gritando. Ele queria acabar com o mago que conjurou a bola de fogo, mas parece que ele havia fugido. Esbravejando de raiva, o bárbaro urrou e derrubou mais um mercenário. Acho que foi fulminante.

Joseph continuou nos ajudando com a música, o que incentivou bastante todo mundo. Exceto quando o mago reapareceu e lançou outra bola de fogo. Dessa vez, não me atingiu, mas machucou bem todo mundo. A música parou e o mercenário que estava na porta ficou bem tostado, já era para ele.

Quando vi, Stefan não estava mais ao meu lado, ele havia entrado na sala também. Não pude me preocupar com isso quando Joseph estava no chão muito machucado. Me abaixei e coloquei minhas mãos sobre seu peito. Saiu uma energia das minhas mãos e ele tornou a abrir os olhos.

Lá dentro da sala, os meninos pareciam estar se divertindo contra o mago mercenário. O crocodilo estraçalhou o mago com seus dentes bem afiados. Com o ambiente mais tranquilo, sem mais inimigos, Joseph e eu entramos na sala e começamos a observar que, visivelmente, estavam nos esperando.

Para minha surpresa, vi o bardo repetindo os gestos que faço quando Allihanna me presenteia com sua magia de cura e algumas das feridas dele se curaram. Bem na minha frente. Interessante.

Encontramos 600 tibares, que partilhamos entre o grupo, e uma essência de mana, que Ed deixou comigo. Joseph puxou uma alavanca e meu coração deu um salto, mas nada aconteceu. A não ser, é claro, quando o Toshinori simplesmente saiu andando e ativou uma última bomba no corredor. Inacreditável!


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Até breve!

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Épico e aquático – As expedições viraram casos de família – Parte 1

De volta às Minas Heldret, os Desafiantes de Yuvalin têm muito trabalho pela frente, mas têm mais desafios do que emboscadas e batalhas.


Nas Minas Heldret, descemos até o segundo andar. Foi quando finalmente lembrei que não tinha resgatado Noah no dia anterior. Meu coração doeu o mesmo tanto que fui ficando sem ar à medida que descia no elevador.

Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta, sem nenhuma cerimônia. Imediatamente ouvimos e sentimos uma explosão próxima. Parecia que toda a mina ruiria naquele instante e uma pedra rolou e caiu sobre Stefan, mas, aparentemente, sem causar dano. Menos mal, porque não estava com muita vontade de curar o maluco de cara outra vez.

Entramos pela porta em uma sala onde ocorreu uma explosão. Corpos chamuscados, caixas quebradas e fogo nos fizeram recuar para um canto da sala. Continuamos avançando e nos deparamos com outros anões pouco amistosos. Além disso, para variar, Stefan – que sempre sabe ser bem insuportável – começou a balbuciar palavras ininteligíveis.

Toshinori avançou para a sala seguinte e eu só ouvi os gritos dos anões contra ele e dele contra os anões. Fiz uma prece a Allihanna que me concedeu sua graça. Toquei o chão e um brilho roxo emanou, consagrando toda aquela área.

Vi Toshinori sofrendo nas mãos dos anões e decidi cantar para tentar atrair, quem sabe, a atenção de algum ratinho que chamaria a Noah lá fora. As pessoas pararam para me olhar… chamei a atenção e até os anões pararam de bater por um instante com seus machados.

Kroll e Edward entraram na briga com os anões na outra sala também. Como Stefan já estava doidão e arranhando a armadura de Edward com a adaga dele, o nobre avançou depois de derrubar o inventor e gritar que ele era um bobão. Não acho que Stefan tenha entendido porque continuou balbuciando.

Inesperadamente, Joseph acordou de um transe que o acometeu desde que Stefan atirou nele. Isso me assustou por um instante, já que eu estava cuidando dele desde o episódio. Ele se colocou entre o inventor e eu (não sei se era uma boa ideia) e começou a tocar e nos inspirar. Nisso, Stefan, deitado e maluco, ficou cantando junto com a Ràthania, para completar o circo.

Em formação de batalha

Entrei na sala, desviando dos meninos, e evoquei uma magia de curar ferimentos sobre Toshinori, que estava caído e sangrando. Raios roxos saíram das minhas mãos e atravessaram a sala na direção do paladino e pude ver suas feridas estancarem. Assim, ele começou a respirar mais tranquilamente. E eu continuei cantarolando para encontrar a Noah.

Kroll e os anões entraram num embate enquanto eu cantava, então, eu tomei um banho de sangue. Logo em seguida, Edward também gritou para que todos agíssemos porque, certamente, ganharíamos dos anões.

Toshinori se levantou outra vez e me deu mais um banho de sangue, quando matou o anão que estava bem na minha frente.

Ouvi uma música na outra sala, que fascinou o anão que ainda estava vivo, mas logo ela parou e ouvi gritos do Joseph, pois ele se queimou nas chamas da explosão. Assim, o anão piscou algumas vezes e voltou ao normal, olhando furiosamente para o Kroll.

Antes que os anões continuassem seus ataques, fiz mais uma prece a Allihanna a favor do crocodilo e luzes saíram das minhas mãos e fecharam as feridas do Kroll. Eles gritavam e machadavam uns aos outros.

Enquanto Toshinori tentava derrubar um dos anões de um lado, o bardo, mais uma vez, tocou seu alaúde e aquela melodia chamou a atenção dos nossos inimigos, que pararam de gritar e ficaram completamente fascinados.

De repente, ouvi um tiro. A última vez que tinha visto Stefan, ele estava doidão. Daí já imaginei que tudo tinha dado errado outra vez. Qual não foi minha surpresa quando ele acertou bem na cabeça de um dos anões, que caiu morto na minha frente.

O susto foi realmente grande, mas quando vi que era o anão que estava morto e não um membro da equipe, senti um alívio. Assim, consegui passar pelos anões fascinados e atravessar a sala para curar Toshinori outra vez. Senti a magia saindo do meu corpo e curando as feridas do paladino. Aos poucos, sentia minhas forças indo junto com minhas tentativas de cura da equipe.

Só queria que Allihanna continuasse a meu favor e que os meninos conseguissem dar conta logo dos anões.

Pelo que pude observar daquele canto da sala, Toshinori matou um dos anões que ele queria deixar vivo e mais um tiro cortou a música do bardo. Ouvir mais um tiro me deixou desesperada e eu gritei para que o anão ficasse parado e quieto, para que pudéssemos acabar com aquilo e eu tentasse entender o que estava acontecendo.

O anão esbugalhou os olhos, olhando para mim, como que pasmo. Acho que o bárbaro percebeu isso porque, quando vi que tinha dado certo, já estava toda suja de sangue e de pedaços dos órgãos internos do anão. Kroll acabou com o último.

Respirei fundo. Finalmente, apesar do ar pesado das minas. Ezequias estava arrasado, não era necessário haver tantas mortes. Ele olhava para cada um dos anões e para nós com um ar triste, apesar de conseguirmos ver pouco dos olhos vermelhos.

Quando começamos nossa lavação de roupa suja

Percebi que Stefan tinha voltado ao que seria mais ou menos normal quando ele falou sobre a Guilda dos Mineradores estar cheia de inimigos e ser necessário, sim, avançar contra eles, pois ele não costumava vacilar contra quem se mostrava inimigo. Os demais rapidamente passaram àquela discussão boba de que, se até contra os amigos ele não vacilava, que dirá contra os inimigos. Eu só observei, concordando, mas sem dizer palavra.

Edward se voltou para o grupo e disse que, a partir do momento em que o Stefan o atacou com a adaga no início ainda da nossa batalha, o nobre não considerava mais o inventor como um aliado. Aquilo me assustou, apesar de eu ter imaginado que em algum momento isso aconteceria.

Tentei apaziguar os ânimos, porque estávamos todos bem alterados por causa da batalha anterior. Pedi que ele reconsiderasse e que todos se manifestassem. Não defendi o Stefan, mas acreditava que todos deveriam ponderar, inclusive após ouvir o próprio inventor maluco.

CONTINUA…


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Até breve!

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Épico e aquático – Negociamos com anões

Helga Iris, a sereia druida, e os Desafiantes de Yuvalin estão no primeiro andar das Minas Heldret com uma missão. Nada está muito fácil por lá. Então confira mais uma parte dessa história agora.


Stefan é um péssimo investigador. Tínhamos duas portas naquela sala onde derrotamos o antigo dono da Noah. Levou séculos para descobrir que a porta era de pedra e normal. Pesada e difícil, Toshinori também não conseguiu abrir. Já o Edward simplesmente abriu a outra porta e, então, decidimos seguir por lá.

Cada passo que o inventor dava, parava e analisava o chão, para verificar se havia alguma armadilha. Formamos uma fila para passar pelo corredor com Stefan na dianteira e eu precisei ir no meio do grupo, junto com Joseph, porque eu estava com o lampião. O doido parecia lúcido – evento raro -, então chamou o grupo mais para perto. Aparentemente, ele estava ouvindo algo do outro lado de uma porta.

Alguém estava nos esperando chegar. Só ouvi as conversas quando Edward e Toshinori passaram à frente. A voz de uma mulher ressoava e todos ouvimos ela exigir nossa rendição, nossas armas, em troca dos reféns – trabalhadores anões.

Começamos a negociação. Zhura, a anã que recebeu a missão da própria Guilda dos Mineradores, queria dinheiro e começou a bater nos anões reféns. Edward, Toshinori e Stefan, usando Stroka, a mulher de Zhura, como moeda de troca também.

Tentei apaziguar os ânimos e pedi que a nossa negociação não resultasse em feridos, mas que pudéssemos fazer trocas interessantes para todos. Stefan puxou 50 tibares de ouro de sua bolsa e fez um montinho. Eu fiquei chocada, mas os anões foram rápidos e pegaram o dinheiro. Toshinori e Edward também tentaram negociar com seus preços.

Eu já estava um pouco esgotada e deu para perceber que todos consideravam o quanto seria complicado entrar em combate com Zhura e os outros anões mercenários. Estávamos abrindo mão de armas e dinheiro para que os mineradores, vítimas daquele sequestro, e nós saíssemos ilesos.

Quando Stefan ofereceu uma de suas balas de adamante, finalmente, Zhura cedeu e chamou os outros para se retirarem. Saiu dando um recado para Ezequias de que a Guilda dos Mineradores estava contra ele. Drrrun agradeceu, pois ele era um dos reféns, e disse que deveríamos correr para conseguir essa ferramenta que poderia nos ajudar contra a Tormenta e todas as ameaças puristas.

Sem os mercenários, começamos a investigar a sala e outras partes do primeiro andar da mina. Noah estava dormindo e não queria conversar. Mas, na outra porta, encontramos alguns baús com uma pistola, uma corda, uma harpa bem adornada de marfim e zircão e 20 tibares de ouro. Nada mal.

Decidimos voltar para a cidade, pois estávamos muito cansados. Eu não estava nem pensando no que estava fazendo mais, só estava seguindo o grupo. Completamente esgotada. No entanto, exploramos mais o primeiro andar da mina pelo caminho de volta.

Nas salas que entramos, encontramos armas, sacos de dormir, muita poeira e um mural com o desenho de um golem que Stefan se deteve por um tempo, analisando. Parecia ter ficado meio louco outra vez, mas um pouco diferente. Ele só não estava ali por alguns momentos.

O primeiro andar da mina

Toshinori chegou para ajudar e parece que eles chegaram a um certo consenso. Explicaram para nós que se tratava de um projeto de invenção e tecnologia para fazer golens muito bem elaborados. Enquanto isso, Kroll abriu um baú e encontrou 400 tibares. Bom, parece que perdemos um pouco na negociação e ganhamos alguns tesouros em troca.

Finalmente, saímos das minas escoltando os anões. Vimos Cassandra encontrar Drrrun e outras famílias se reencontrando. Enquanto esperávamos Ezequias cumprimentar algumas pessoas, uma jovem humana chamada Lonien veio até nós para nos perguntar sobre o irmão que pode ter ficado perdido nas minas, pois ficou muito estranho desde que foi expulso da Guilda dos Mineradores.

Eu estava tão cansada que fui tomar uma sopa de peixe antes de me retirar junto com – ACREDITE SE QUISER – Stefan e fui ajudá-lo, ainda por cima, com seus ferimentos. Deixei ele lá na oficina do Drrrun e fui até os campos, onde costumo dormir. Tomei um bom banho e já me senti bem melhor, parecia que Oceano estava me abençoando com seus cuidados sobre mim, enquanto eu tentava cuidar de todos.

Na manhã seguinte, voltamos à Guilda, onde encontramos Ezequias super animado para continuar nossa jornada nas Minas Heldret. Stefan alertou o novo presidente da Guilda que ele deveria ficar na cidade para cuidar dos assuntos da cidade enquanto nós resolveríamos as questões importantes na mina. Mas ele recusou o alerta. Disse que queria aventura e não ficar atrás de uma mesa.

Seguimos. Seguimos e encontramos Rudigger, conhecido como o Profeta que anuncia o fim, um elfo idoso de olhos e barbas brancos sobre um chafariz em uma praça. Ele esbravejava que o fim estava próximo e que precisávamos de um exército de tartarugas, pois seus cascos seriam resistentes à Tormenta. Kroll e Stefan adoraram o maluco, mas eu apenas concordei com suas ideias.

Rudigger, o Profeta que anuncia o fim

Todos ao redor gritavam apenas que ele era um velho maluco. Entretanto, eu entendi quando ele falou sobre Allihanna ter previsto a tempestade rubra e que as tartarugas seriam resistentes. E concordei. Então, ele saiu pelas ruas gritando as mesmas frases e o perdemos de vista.


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Até breve!

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Épico e aquático – A culpa é toda do inventor – Parte 1

Os Desafiantes de Yuvalin estão dentro da mina anã para encontrar os anões desaparecidos. Stroka está com eles e, agora, eles começam a explorar o primeiro andar. Vamos conferir mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris.


Descendo naquele elevador, sem parar, comecei a ficar um pouco nervosa, um pouco claustrofóbica. Acendi o lampião, pois as luzes das tochas eram fracas na escuridão da caverna e começamos a andar pelo primeiro corredor, parando diante de uma porta.

Stefan nos informou que não havia armadilhas no caminho e chamou nossa atenção para pegadas recentes no chão. Toshinori forçou a entrada da porta, fazendo muito barulho. Quando ele conseguiu abrir, já ouvi sons de gritos e armas e perfuração de corpos – possivelmente o Toshinori acertou alguém.

Observei que haviam anões no final do corredor, do outro lado de onde estávamos. Edward e Kroll começaram a se posicionar em direção a eles. De repente, só vi o Stefan tentando ir até os anões também, mas com aquele olhar que era um prenúncio de problemas.

Toshinori também percebeu, fechou a porta e retornou, para acudir a equipe. Consagrei o espaço com magia e me posicionei para tentar ajudar a controlar o Stefan. Não sei o que deu na cabeça do bardo, mas ele se aproximou do louco, enquanto Edward se juntou ao Kroll contra os anões, mais afastados.

Os machados dos anões estavam bem precisos contra os dois, mas eles também não deixavam por menos. Toshinori desarmou Stefan e eu tentei colocar o inventor para dormir, mas ele louco é bem pior do que eu pensava.

Joseph começou a tocar uma música que atraiu a atenção dos anões e do Stefan, pelo menos isso. Eles ficaram, por um momento, paralisados e não reagiram. Um dos anões que ignorou o bardo começou a fugir, mas Ed e Kroll foram mais rápidos. Segui os meninos para poder ajudar, já que percebi que o crocodilo já começava e perder muito sangue. Com uma prece a Allihanna, curei Kroll.

Senti que o elevador começava a se mover vagarosamente. Um dos anões ativou a alavanca bem na hora que eu segui os meninos elevador a dentro. Foi só o tempo para que passássemos fora do elevador e já encontrássemos mais companhia.

Gritei para o anão dentro do elevador para que ele saísse também, assim, alguém poderia bater nele. Ele só se dignou a responder que não era pago para apanhar e só o vi subindo com o elevador depois disso.

Aquela má companhia que avistamos veio até mim com uma espada que bateu no teto baixo e não me acertou. Mas o companheiro dele conseguiu me acertar na lateral do meu tronco e doeu bastante. Comecei a sangrar e Ed já tentou arrancar a espada daquele imbecil que me acertou. A partir daquele momento, não tinha mais noção completa do que estava acontecendo ao meu redor. Só ouvia gritos e barulhos de armas.

O primeiro corredor da morte

O crocodilo ficou enfurecido e rasgou as costas daquele mercenário que me acertou. Eu estava flanqueada e tonta, mas tentei convencê-lo a ficar parado para que o Kroll conseguisse bater nele com calma. O outro mercenário me viu saindo da direção e veio atrás de mim e me acertou no braço.

Não sei o que o bardo fez e vi uma luz muito forte e, logo depois, ouvi um tiro. Stefan atirou no Joseph outra vez. O anão que estava entre mim e Joseph e a Ràthania ficaram felizes com a ação do inventor. Ezequias ficou desesperado.

Enquanto isso, Kroll e Toshinori me banharam com sangue dos inimigos. Menos dois na batalha. Vendo a cena em que Joseph se encontrava, fiz mais uma prece a Allihanna e o curei. Fiquei esperando que Ezequias me auxiliasse naquele momento, mas só o ouvi seguindo Joseph pra longe de mim e ativando uma engenhoca para cuidar do Stefan.

Isso foi quando tomei outro susto: Stefan atirou de novo contra a parede ao lado do Toshinori. Ele me ajudou e voltei a respirar mais tranquila, quando reparei que não haviam mais inimigos ao redor. Apenas Stefan e Ràthania acordando do transe. E Joseph não quis mais sair de perto de mim o resto do dia.

Eu simplesmente ignorei todo mundo e tudo ao meu redor, puxei o bordão preso nas costas, empurrei o Stefan contra a parede, olhei em seus olhos e fiz um longo sermão questionando o kliren sobre qual seriam as intenções dele no grupo, já que era a segunda vez que víamos a mesma cena em combate.

Juro que prometi a mim mesma que não deixaria ninguém para trás, mas o Stefan sabe ser bem insuportável. Fiquei esperando uma resposta plausível dele enquanto ainda o segurava com força contra a parede. Ele guardou o mosquete e revelou estar sob efeito de um pacto com ninguém mais, ninguém menos que Nimb o deus do caos. Já sabia, mas fiquei esperando o restante da história.

Fez um discurso sobre sorte, azar, caos e poder. Coisas que não faziam muito sentido. Edward, Toshinori e Ezequias também tentaram argumentar contra as escolhas de Stefan. E ele mudou de assunto. É impressionante do que esse cara é capaz! Ele queria continuar a missão sem dar uma resposta minimamente satisfatória ao grupo.

Ràthania, ainda, tentou defender o namorado, o que fez com que Ezequias me olhasse, como que procurando por respostas. Eu só revirei os olhos. Trazendo o grupo à consciência, Ezequias confirmou que realmente tínhamos uma missão ali nas minas e que deveríamos prosseguir. Guardei, então, o bordão outra vez nas costas e, chegando bem próximo do Stefan, outra vez disse que aquilo teria volta.

Finalmente, o inventor resolveu dar uma resposta razoável, dignando-se a dizer que queria provar ao grupo sua confiança. Eu só pedi que ele fosse rápido com isso e que não atrapalhasse mais o grupo. Era o mínimo, não é? Pena que a nossa sorte durou tão pouco.

Toshinori pediu para que Stefan começasse sua tarefa de provar seu valor para prender o elevador de volta ao nosso andar. E nem para isso ele serviu. Enquanto isso, o restante de nós procurava por espólios. Encontrei uma poção de metamorfose e ganhei 30 tibares.

Toshinori sugeriu trancar as outras portas do corredor enquanto seguiríamos pelo caminho que ele abriu. Entramos em uma sala passando por sobre um corpo, provavelmente o que ele acertou. Stefan, pelo menos, descobriu que não tinham armadilhas na porta do outro lado e seguimos adiante.

A sala do baú

Na outra sala, minúscula, os meninos decidiram abrir um baú. Stefan estava investigando o baú, mas Toshinori se adiantou e bateu com o bico de corvo no cadeado – que já estava aberto. Lá dentro, haviam papéis bem velhos e tentamos decidir quem puxaria o primeiro papel, mas Stefan foi à frente e começou a analisar os desenhos e escritos.

Toshinori não achou que devíamos perder tempo com aquilo e Edward abriu a próxima porta e caiu em uma armadilha que Stefan não viu. Talvez, porque ele estivesse prestes a ficar doidão outra vez, balbuciando palavras confusas. Ninguém merece!


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Épico e aquático – Nós temos um lugar alto

As férias dos Desafiantes de Yuvalin acabaram e o trabalho de verdade recomeçou. Agora, as aventuras estão mais complexas e você confere mais uma parte da história aqui.


O dia estava lindo. Talvez pelo meu encontro com Goro na noite anterior, apesar de todo vexame que nós demos na Foice e Martelo no dia anterior. E foi para lá que me dirigi nessa manhã, pois tínhamos novas missões a cumprir.

Na porta da taverna, já estava Kroll à espera. De repente, a Ràthania sai pela porta de cara amarrada, abraça meu braço e suspira reclamando dos homens. Com uma risada de concordância, entendi que algo não tinha sido muito bom na noite dela e de Stefan e cochichei alto o suficiente para que todos pudessem ouvir sobre o quanto é difícil estar cercada o tempo inteiro por homens, ainda mais naquela equipe.

Perguntei por Ezequias e decidimos passar pela loja dele a caminho da Guilda, para encontrá-lo em um desses lugares. Eis que, neste trajeto, nos deparamos com uma placa diferente, com uma seta girando muito rápido.

A Placa Indicadora dizia ser tombada pela Guilda e apontar para o que mais se procura no mundo por quem colocar a mão na placa. O pessoal logo se ouriçou e quis aproveitar a oportunidade. Joseph e eu resolvemos perguntar a quem estivesse por perto sobre a veracidade das informações da placa e todos disseram que deveria ser uma brincadeira de um devoto de Hynnin. Fiquei só curiosa, vendo o pessoal descobrindo a seta girando até parar em alguma direção.

Desconfiada, olhando para os lados e para os meninos, fiquei parada por um tempo. Joseph conseguiu me convencer a colocar a mão no local indicado. A seta girou, girou e girou até parar apontando para sudeste. Bom, já esperava. Depois disso, continuamos procurando por Ezequias Heldret.

Ele estava na Minérios Maravilhosos. Tirou os óculos e nos recebeu dizendo que queria falar conosco. Colocou na minha mão uma bolsa de incentivo e contou sobre ter ficado amigo de Drrrun e, decidido a investigar melhor as runas arcanas na mineradora, enviou um grupo com ele para as minas. No entanto, eles não haviam retornado ainda depois de 3 dias. Ele estava bem preocupado, porque muitos na Guilda dos Mineradores deveriam estar contrariados, uma vez que Ezequias não aquiescia diante das vontades deles.

Deveríamos, então, cumprir duas missões para ele nas minas: descobrir o que aconteceu com o grupo que ele enviou e resgatá-los e uma investigação de uma ferramenta artefato para aço-rubi na mina anã. Ezequias já pegou sua mochila, como confirmando que nós faríamos o serviço, e começamos a nos organizar para passar um tempo nas minas.

Caminhamos até as Minas Heldret por um local lindo, bem arbóreo, com muitas flores e animais. Mas algo estranho aconteceu: vi anões saindo de trás dos arbustos, era uma emboscada e tinha uma anã já posicionada com um escudo e martelo. Mas, acredite se quiser, Stefan atirou na anã e acertou em cheio.

Na mesma hora, ela reagiu com seu martelo de guerra contra ele. Joseph começou a tocar seu alaúde élfico e iniciamos um combate contra os anões. Usei magia para consagrar a área, mas fui atingida por um dos anões com o machado de batalha nas pernas, sentindo uma dor absurda.

Stefan atirou mais uma vez na anã líder do bando e ela começou a sangrar e a gritar, soltando impropérios contra todos nós. Edward gritou com ela também e ela recuou um pouco. Apesar de ter lá minhas questões com o Stefan, fiquei preocupada quando um dos anões acertou ele. Kroll não perdeu tempo e dividiu um dos anões ao meio, me dando um banho de sangue.

Meio atordoada com isso, tentei encantar as plantas para segurar os anões, mas eles não ficaram presos e, sim, os meninos. Saí para o lado do Stefan para curá-lo e um anão veio atrás de mim, porém, ao tentar me acertar com o machado, conjurei uma magia que bloqueou seu ataque.

Edward sofreu um ataque e Toshinori não conseguiu derrubar a líder e também foi atacado a distância. Joseph hipnotizou a anã e eu curei o Stefan, enquanto a Ràthania incentivava o namorado. Retornando para perto do restante da equipe, percebi o quão inútil havia sido conjurar as plantas e desfiz a magia.

Ao verem a líder hipnotizada e que estávamos dizimando os outros colegas, os anões que sobraram começaram a fugir. Toshinori derrubou a anã e grita para não matarmos ela, enquanto Stefan atira de novo contra um dos anões fujões.

A líder anã gritou que se rendia e Joseph a mandou se ajoelhar e começou a fazer perguntas. Imediatamente, fui ajudar e ordenei que ela ficasse parada e começasse a falar. Kroll e Ràthania queriam muito matá-la, mas o paladino e Ezequias pediram para que não a matassem, pelo menos, não enquanto a gente interrogasse.

Interrogatório da anã

Stroka, a anã, delatou que a namorada dela teria sido contratada para a emboscada. A outra anã estaria dentro das minas enquanto Stroka se encarregaria do ataque a nós. Eu perguntei o que faríamos com ela para Ezequias e Toshinori sugeriu que a levássemos para ajudar numa possível batalha dentro da mina e o grupo conseguimos convencê-la com uma certa dose de ameaça.

Só vi o Stefan guardando a pistola, quando Ràthania reclamou que ele não havia atirado na Stroka. O estranhamento geral com relação ao comportamento, digamos, de alguém normal do Stefan fez com que Toshinori rapidamente cochichasse comigo um comentário sobre o assunto. Bom, a namorada dele era pior do que ele, então, ele estava parecendo mais normal. Só não sabíamos por quanto tempo isso ia durar.

Conseguimos, então, a anã como aliada para cooperar, caso não matássemos a namorada dela, em troca de não termos problemas com a outra e alguns tibares. Aproveitei para curar os feridos e, finalmente, retomamos a nossa jornada.

As Minas Heldret apareceram no horizonte e já reconhecemos os espaços, enquanto acompanhava Ezequias numa conversa sobre o seu trabalho ali. Decidimos começar a investigar pelo nível mais alto da mina. Entramos no elevador e começamos a descer. E foi uma longa descida caverna abaixo. O que me deixou um pouco nervosa.


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Épico e aquático – Nossos dias de folga – Parte 2

Helga Iris, a sereia druida, partiu em uma aventura pessoal para descobrir mais sobre si mesma. E você acompanha o desenrolar dessa história neste post.


O Rio Villent é um velho conhecido. Meu local de nascimento, onde vivi boas e não tão boas histórias. Dei um mergulho profundo e senti ainda mais força e determinação em conquistar meus objetivos.

Zakharov. Rio Villent: Descendo a leste de Rhond

Qual não foi minha surpresa ao encontrar nadando por ali meu amigo Rei Joss. Ele estranhou eu estar por ali e eu expliquei que procurava pela minha história, minha origem, para me tornar uma líder e uma aventureira melhor. Quando ele soube que eu fui escolhida como líder dos Desafiantes de Yuvalin, ele disse que reconhecia em mim o perfil de liderança e que se sentia muito orgulhoso por isso.

Pedi alguns conselhos, pois, para mim, ele é um grande líder para nossa raça, e recebi vários, inclusive para continuar ao lado de Ezequias Heldret, pois Joss o conheceu. Apesar de parecer meio maluco, ele dizia que Ezequias tinha visão e um espírito bom e sincero de liderança. Depois de um tempo, já em terra, caminhando e conversando, nos despedimos, pois ele tinha assuntos a resolver ali no rio e eu precisava continuar minha jornada.

Precisei fazer algumas acrobacias para conseguir achar o local onde fui deixada por minha mãe biológica e encontrada por Silena. Uma espécie de gruta, com apenas uma entrada de luz no alto. Havia muitos animais e fui recebida por um grupo de castores que me levaram ao seu ancião, que soube imediatamente se tratar de Zéfiro.

O castor já tinha pelos grisalhos e estava cego, mas me recebeu como alguém da família, quando mencionei ser a criança encontrada à beira do rio. Ele falou que sempre foi um grande amigo tanto de Silena como de minha mãe biológica, que também era druida. Ela costumava contar histórias para ele e também sobre meu pai, que era um guerreiro muito belo e honesto.

Realmente, meus pais biológicos se apaixonaram de forma arrebatadora e isso era proibido, uma vez que minha mãe era casada com o rei tritão do clã. Meu pai biológico precisou ir embora antes de saber que minha mãe estava grávida e ela, sabendo que seria morta quando descoberta, me escondeu para que eu sobrevivesse.

Com muita dificuldade, Zéfiro se lembrou de um nome, o nome do meu pai: Sir Starkey, cavaleiro de Hongari. Mal sei descrever como me senti grata por receber aquelas informações do castor tão amigo da minha mãe. Com grande emoção iniciei minhas palavras de gratidão e perguntei se poderia fazer algo por eles e Zéfiro apenas me pediu que não contasse sobre aquele refúgio que estávamos a ninguém. Ele disse que viu em mim o mesmo espírito amoroso e especial que minha mãe tinha e me despediu feliz, com um abano de rabo.

Difícil descrever todas as sensações que percorriam meu corpo no retorno para Rhond, para reencontrar Edward e Toshinori. Eu estava eufórica com todas as informações. Já havia descoberto tantas coisas sobre mim nessa viagem e, ainda, existia uma possibilidade de encontrar meu pai.

Foi difícil até explicar para Ed as respostas que recebi. Primeiro, porque tomei um susto quando vi os dois imundos, isso depois de eles terem lutado um contra o outro em uma arena. Depois, por toda a emoção que eu sentia. Fui, ainda, mais faladeira no retorno para Yuvalin.

Conduzindo a carroça, aproveitei para perguntar se Edward conheceu ou ouviu falar de Sir Starkey. Ele disse não ter conhecido, mas que, talvez, seu pai conhecesse e se disponibilizou para escrever para ele pedindo informações. Mais uma vez, impossível descrever minha gratidão e ansiedade para que o retorno desta carta viesse.

Edward me alertou sobre o que aconteceu com Hongari e que, se meu pai tivesse sobrevivido, provavelmente estaria refugiado em algum lugar. Além disso, que ele deveria estar servindo a algum nobre na região naquela época. Mas eu estava confiante.

Onde ficava Hongari

Aproveitei minha passada em Rhond também para encontrar um presente especial para Goro. Por tudo o que ele fez por mim – e pela equipe, é claro -, eu precisava recompensá-lo de alguma forma. Vi uma lojinha de artesanato, com produtos de Tamu-ra. Era o que eu precisava.

Depois do nosso encontro que não foi um encontro (óbvio), em que ouvi sua história e me encantei mais ainda por ele… quer dizer, por sua trajetória de vida, achei um item que, eu esperava, seria uma forma de demonstrar meu carinho. Era um incensário com detalhes em preto, branco e vermelho e um desenho bem bonito de um dragão.

Combinamos de nos encontrar na taverna Foice e Martelo, junto com os Desafiantes, para um saquê e uma noite divertida entre amigos. Antes de ele chegar já estávamos quase todos reunidos, brindando com outros moradores da cidade e conversando sobre nosso tempo de folga.

Joseph me contou que resolveu abrir um jornal e que estava fazendo uma campanha para colocá-lo em funcionamento. E nós, Edward, Toshinori e eu, comentamos sobre a nossa jornada e descobertas. E Kroll passou seus dias de folga treinando e fez um amigo. Só quem não estava ali era Stefan, esse era um momento de muita tranquilidade, na verdade.

Eis que surge aquela maga, aliada de Zelin, que nos atacou com a bola de fogo. Todos nos agitamos e avançamos para cima dela, mas, antes que conseguíssemos, uma magia se desfez e ela não era a maga, mas outra mulher, que se apresentou como Ràthania. Logo depois, apareceu a razão de ela estar ali: Stefan.

Ele chegou tentando apaziguar a confusão – acredite se quiser – argumentando que eles queriam descobrir uma nova habilidade de ilusão. Ela chamou o Stefan de “amor” e ele a chamou de “momorada”, com um beijinho de esquimó. Eu achei aquilo impossível. Se tinha como piorar, conseguiu. Toshinori me ofereceu uma bebida mais forte, eu precisava disso.

Para não dizer que foi um infortúnio completo, dava para perceber que o Stefan estava sofrendo com a quantidade de loucura nesse relacionamento. Estranhamente, isso me encheu de certo prazer. Decidi ser melhor amiga da Ràthania, seria divertido.

Stefan e Ràthania

Do nada, as portas da taverna se abriram e entrou um minotauro muito grande que parou diante da nossa mesa e gritou “DESAFIAAANTES”, já apontando os chifres. Eu simplesmente tentei sair da reta dele, mas ele agradeceu. Bateu com a cabeça na mesa e disse que nós salvamos a fazenda de seu pai, olhos cheios de lágrimas. Assustada estava, assustada continuei.

Ele nos desafiou para um torneio de vira-caneco, que eu declinei, preferindo me manter apenas com hidromel, enquanto aguardava Goro chegar. Eles já começavam a passar vergonha e eu já deixei avisado que não curaria ninguém naquela noite. Foi um vexame e tanto para os que participaram, mas Kroll pareceu se manter intacto.

Toshinori já procurou uma parceira e, quando eu ameacei sair da mesa para procurar pelo Goro, ele entrou na taverna e me arrebatou. Sentou ao meu lado e começamos a conversar sobre nossos últimos dias animadamente. Apesar de perceber os olhos de estranhamento do restante da equipe por ver o Goro ao meu lado e tão à vontade conversando, nada mais atraiu minha atenção na noite além da conversa com meu convidado.

Depois de um tempo conversando com ele, me confidenciou que não saí dos pensamentos dele. Éramos os rostos vermelhos como a Tormenta. Ele me perguntou pelo presente quando mencionei a loja de Rhond. Entreguei, então, a caixinha preta com detalhes dracônicos e tamuranianos. Ele agradeceu na língua natal e pegou na minha mão, dizendo que gostaria de sair mais vezes comigo. Ele se virou para Toshinori que tinha voltado desanimado e abatido para a mesa e falou palavras de sabedoria para ele que também fizeram meu rosto ruborizar.

Goro me acompanha até o Distrito do Carvão, como o cavalheiro que ele é. Encantada, eu dei um beijinho na bochecha dele na despedida e, pronto, éramos quase a própria Tempestade Rubra. Ele pareceu feliz e sorridente e eu, é claro, estava radiante. Sabe-se lá quando nos veremos de novo, pois há muito trabalho agora com Ezequias, mas mal posso esperar pelo próximo encontro.


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Épico e aquático – Nossos dias de folga – Parte 1

Muitas emoções mexeram com a vida da sereia druida, Helga Iris, e os Desafiantes de Yuvalin. Agora, eles podem fazer uma pausa e seguir alguns objetivos individuais. Confira mais um capítulo do diário da Helga.


Depois de toda essa loucura que foi o julgamento, merecíamos uns dias de folga. Ezequias nos recompensou pelo trabalho e todo o esforço empregado e eu aproveitei para resolver algumas pendências.

Agora que o grupo me escolheu como líder, precisava encontrar um jeito de aprender mais sobre o assunto ou descobrir mais sobre mim mesma e como isso me ajudaria a ser uma líder melhor. Então, eu decidi procurar pelo Rei Joss. Mas não o encontrei no rio próximo a Yuvalin.

Decidi, então, retornar ao Rio Villent, onde fui encontrada quando bebê. Mas, antes de partir, precisava resolver algumas questões. Para começar, precisava encontrar Goro, não sei bem o porquê, mas precisava agradecer pelo empenho dele em nos ajudar.

Ao entrar na Kanpeki, ele parou tudo para falar comigo, com seu lindo sorriso. Agradeci por tudo o que ele fez por mim e pelo grupo e ele, educadamente, disse que não poderia recusar uma missão tão honrada. Aproveitei para avisar que passaria uns dias fora da cidade e ele, simplesmente, me convidou para tomar um saquê à noite. Veja só! Acho que eu corei só com essa ideia.

Segundo ele, não era um encontro, mas para mim era, querendo ele ou não. Combinamos de nos encontrar na Pombo de Ouro e eu, ainda, prometi trazer um presente para ele.

Goro Okazaki

Saí meio tonta da Kanpeki com a possibilidade de me encontrar com o Goro fora das missões. Tão atordoada que esbarrei, sem ver, no Toshinori e no Edward. Eles olharam para mim já felizes, porque tinham uma missão para mim: eles queriam que eu os conduzisse até Rhond, em uma carroça. Aparentemente, eu era a única que sabia conduzir uma carroça. Mas, ok.

Aceitei, já que eu estava indo naquela direção mesmo. Partiríamos no dia seguinte. Viajar junto com Edward seria uma oportunidade de perguntar sobre meu pai: um cavaleiro. Vai que ele o conheceu?!

Depois desse encontrão, segui para a Pombo de Ouro, porque a curiosidade falou mais alto. Naquela manhã, eu passei pelo estábulo próximo e vi um corcel negro muito familiar. Deduzi que aquele fosse Filipe e, se ele estava ali, Zora também poderia estar. E o local mais indicado para ela estar seria a Pombo de Ouro, com certeza.

Dito e feito! A chef Rizzelena me recebeu e logo chamou por Zora, nova estagiária da Pombo de Ouro. A moreau raposa não havia mudado muito, continuava séria. Conversamos um pouco sobre os últimos acontecimentos de Yuvalin e meu papel na história, também sobre a chegada dela à cidade.

Zora West

Como ela precisava voltar ao trabalho, pedi um hidromel apenas para me preparar para meu encontro com Goro, até ele chegar. Ele estava lindo, não consigo explicar. Conversamos sobre nossa vida, nossos planos. Não preciso dizer a quantidade de vezes que, tanto eu como ele ficamos mais vermelhos que a tempestade rubra.

Ele, muito solícito e honrado, me levou até onde costumo dormir, fora da cidade. Ele se despediu com muita educação e retornou. E eu fui dormir, sonhando.

No dia seguinte, partimos para o leste e eu aproveitei para perguntar ao Ed se ele conheceu algum cavaleiro que teria ido para os lados de Villent na época que eu teria nascido. Ele não tinha muitas informações para passar além do que eu já sabia. Então, esperava descobrir algo próximo ao rio e repassar a ele, para caso tivesse novas informações.

A viagem foi tranquila, exceto por um momento que eu devo ter me distraído e ela quase perdeu o controle e quebrou. Mas Allihanna me ajudou e continuamos na estrada. Deixei-os em Rhond e segui para o Rio Villent.


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Épico e aquático – Os Desafiantes desafiam Yuvalin – Parte 2

Chegou a hora do julgamento que vai definir o futuro de Yuvalin e, consequentemente, dos Desafiantes.


Naquela manhã, nos encontramos na Guilda dos Mineradores. A área estava extremamente movimentada. Fomos recepcionados pela oficial Helena preocupada com esses aventureiros que defenderiam Ezequias. Então, nos apresentamos como esses aventureiros. Ela se assustou com isso e com o fato de acusarmos Rodford Vahrim não só de corrupção, mas de associação à Supremacia Purista.

A oficial argumentou justamente que a Guilda, comandada por Rodford, teria fornecido as armas a favor do Reinado e contra os puristas. Stefan tentou contra-argumentar com a ideia de infiltrados em Yuvalin e Joseph apresentou a carta com o selo da Guilda como prova. Mas ela parecia irredutível e o bardo nos contou, depois que ela saiu, que a oficial parecia saber mais do que queria nos contar ou que ela não queria se envolver no caso.

As testemunhas e a multidão que iria assistir ao julgamento começaram a se dirigir para o tribunal e nós fomos informados que o Ezequias já estava nos esperando. O juiz entrou no tribunal, o Conselho da Guilda também estava presente. Eram eles que deveríamos convencer com nossos argumentos.

O primeiro a falar foi Toshinori. Ele convidou Goro para ser testemunha, que contou sobre as cobranças extras que a Guilda sempre fazia e que, pela honra dele e de seu mestre, nunca se curvaram a isso, sendo importunados por bandidos, como os que enfrentamos em nossa missão na oficina. Ele e Toshinori falaram sobre a nossa honra e pediram por justiça.

A argumentação do Joseph foi profundamente emocional, dizendo que, em nossa última missão, a liderança da Guilda teria enviado puristas para nos matar e quase conseguiram ceifar a vida de Stefan, – dizia ele – um grande amigo. Apresentou como prova as cartas que encontramos com prisioneiros e na bota de Zelin.

O tribunal

Edward, imponente, se apresentou contando a razão pela qual estava em Yuvalin: veio quando soube que estavam tramando a morte de Ezequias. Ele não conhecia qualquer uma das testemunhas, mas, como nobre, ele atraiu a atenção do Conselho com seus argumentos. E, então, foi a minha vez.

Me dirigi ao centro do tribunal, diante do juiz e sobre o símbolo de Khalmyr, deus da justiça. Olhei para todos e fiz uma reverência. Me apresentei e disse estar com o coração apertado por todas as atrocidades que a Supremacia Purista tem feito no Reinado.

Minha testemunha foi ninguém mais e ninguém menos que o próprio Peter Vahrim, filho do acusado. Ele, melhor que qualquer outro, sabe o que é sofrer nas mãos de um purista dentro da própria casa. Afinal, até onde sabemos, o “Senhor P.” tem uma enorme facilidade em se apaixonar por não humanas.

Ao pedir que a testemunha falasse, argumentei sobre todo o mal que o Rodford pudesse ter feito contra o filho e – pasme – ele começou a chorar. Apenas por dizer que eu o via como uma pessoa que via seus sonhos se esvaírem por causa do pai.

Ele começou a falar sobre sua certeza de que o pai teria envolvimento com puristas e Rodford o interrompeu, brigando e gritando. Eu pedi silêncio e o juiz também pediu ordem, diante dos xingamentos que Rodford declarava sobre o próprio filho. Com muita tranquilidade, Peter se virou para o pai e disse que Rodford estava tão nervoso que parecia ter algo a esconder afinal.

Encerrei, assim, minha arguição, com muitos cochichos ouvidos por todo o salão e diversos olhares repulsivos para Rodford. E eu estava simplesmente aliviada. Exceto, é claro, porque logo depois de mim quem falaria era o Stefan. Então, um arrepio de medo passou pela minha nuca quando ele saiu do meu lado para se dirigir ao tribunal.

E ele já começou falando besteira, dizendo que Yuvalin forneceu armas para o exército purista durante as Guerras Artonianas. Meus olhos se arregalaram e eu comecei a fazer preces a Allihanna com mais fervor.

Ele também disse que as armas da cidade foram também para nos libertar da ameaça purista, mas já era tarde, Stefan já tinha falado besteira. Mas isso não foi o pior! Ele disse que a Supremacia Purista estava tentando se vingar de Yuvalin pelo fornecimento de armas para o Reinado. Além disso, para surpresa geral, argumentou que a própria mulher de capuz vermelho que teria nos atacado na viagem estava ali no tribunal, acompanhando tudo. O que foi um erro terrível, uma vez que quem estava no tribunal era a Cassandra, mulher do Drrrun e não aquela mulher. O Strefan sabe ser bem insuportável.

Como se não bastasse tudo isso, o Kroll não quis se levantar e fazer sua argumentação. Durante o recesso que o juiz declarou, até o Ezequias saiu de onde estava para vir tentar estimular o crocodilo. Mesmo assim, ele elogiou a todos que se dispuseram a falar, antes de voltar para a sala reservada.

Aproveitei para agradecer ao Goro a sua disponibilidade. Ele disse estar honrado em ajudar o nosso grupo e ter certeza e fé em Lin-Wu de que seríamos vitoriosos nessa jornada. Depois, o Joseph me pediu que eu ensaiasse com o Kroll suas falas para ele tentar falar no retorno do recesso. Enquanto isso, o bardo iria até à Pombo de Ouro, tentar convencer a chef Rizzelena a testemunhar também no tribunal.

Fui o mais didática possível com o Kroll. Toshinori – e até o Stefan – me ajudaram a ensaiar com ele para chamar o boticário Rafu para testemunhar. E, quando a sessão foi retomada, o crocodilo começou a falar sobre seu relacionamento com o Ezequias e chamou o Rafu.

O boticário atestou nossa honra e coragem, tocando seus tambores e com a fala cantante. Inclusive, disse que a cidade perderia muito se nós fôssemos expulsos. Mesmo assim, o Conselho não deu muito crédito à fala do Kroll.

Edward retornou para o centro do tribunal, argumentando que acredita que havia uma célula purista na região, uma vez que, desde que ele chegara a Yuvalin, enfrentou algumas situações contra puristas. Falou sobre sua honra como nobre e sobre os nossos prisioneiros que se identificaram como puristas. Isso gerou uma espécie de comoção no juri, até mesmo um cidadão gritou para que prendessem Rodford.

Fui chamada mais uma vez e tenho completa certeza de que não fui bem. Chamei Rizzelena para atestar a importância de haver pessoas de raças diferentes co-habitando em Yuvalin e o quanto era danoso ter puristas em nosso meio. Ela falou sobre o sofrimento do povo élfico com os puristas ser tão terrível quanto o que passaram no passado com o fim do seu reino. 

Após minha argumentação, o Conselho se reuniu para trazer o veredicto. Nesse intervalo, Toshinori saiu do tribunal e retornou com um discurso, a princípio, meio estranho. Ele elogiou a equipe – até o Stefan -, falando das habilidades de cada um que ele valorizava. E, então, o que eu temia aconteceu.

Toshinori continuou seu discurso dizendo que o grupo precisava de algo que o unisse, que o mantivesse de pé. Ele puxou de sua bolsa uma espécie de coroa de ramos, em formato de tridente, e colocou sobre a minha cabeça, falando que estava me tornando a líder dos Desafiantes de Yuvalin.

Tomei um susto tão grande. Cheguei a gaguejar argumentando que não havíamos conversado sobre isso, mas eles disseram que haviam, sim. Até o Ezequias concordou, mesmo não fazendo parte do grupo. Depois de muita insistência por parte do grupo, eu aceitei.

Ainda com o coração acelerado e a cabeça repassando milhões de pensamentos, precisei me acalmar para ouvir o veredicto, que o juiz trazia de volta à sessão. Impossível se acalmar! O último conselheiro a entrar entregou um documento ao juiz. Nesse instante, uma multidão entrou no tribunal, ansiosa para ouvir.

Silêncio absoluto.

O juiz sentenciou Rodford Vahrim a prisão perpétua pelos crimes como puristas e Ezequias foi inocentado de quaisquer acusações. A multidão foi à loucura: Rodford saindo arrastado para a prisão e soltando impropérios, o povo de Yuvalin gritava palavras de apoio aos Desafiantes de Yuvalin.

Pedindo silêncio, o juiz continuou dizendo que o Conselho decidiu colocar Ezequias Heldret como presidente da Guilda dos Mineradores. Depois disso, foi impossível se fazer silêncio no salão. Começou uma gritaria ensurdecedora e todo o povo se empurrava para fora do tribunal, gritando o nome de Ezequias.

A oficial Helena estava à espreita, na porta de sua sala, esperando para perguntar a nós se houve sucesso em nossa empreitada. O suspiro de alívio dela e, posteriormente, seu grito abafado dentro da sala, me fizeram entender que, de fato, obtivemos sucesso.

Fora da Guilda, o povo em polvorosa agitação, Ezequias iniciou um discurso sobre liberdade e sobre olhar para o futuro, olhar para o céu vermelho e combatê-lo com toda a nossa força: destruir a Tormenta. Retirou seus óculos pela primeira vez diante de todos, revelando olhos vermelhos. Ainda prometeu que Yuvalin seria uma grande produtora de aço rubi, apresentando uma pedrinha retirada das Minas Heldret, com a ajuda dos Desafiantes.

Yuvalin estava em festa. Éramos os aventureiros que conseguiram acabar com um esquema de corrupção na Guilda dos Mineradores. Bardos escreverão sobre nossas aventuras.


Alívio, é claro. Mas um frio na barriga por tudo o que pode acontecer daqui para frente, com certeza deve invadir os Desafiantes de Yuvalin.

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

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