Épico e aquático – Dragão branco

Finalmente, nossos heróis parecem ter tomado uma boa decisão: sair das minas. Se apaixone por esse capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Honra e amor se misturaram ao caos e tristeza depois que decidimos retornar para a cidade, deixando o segundo andar das Minas Heldret.

Antes de sairmos, tentei estabilizar o paladino que tinha explodido a última bomba. Me aproximei e toquei em sua fronte suja por baixo dos cabelos azulados chamuscados e senti a magia fluindo de mim para ele. Mas eu mesma já estava muito esgotada. Precisávamos retornar o mais breve possível.

Entramos num consenso de que era a melhor coisa, realmente, sair das minas. Stefan, ainda, quis ir ver sozinho se uma das portas que não conseguimos abrir já estava aberta. Ele sabe ser bem insuportável. Impressionante!

Subimos o elevador e paramos no primeiro andar, procurando por Noah, a loba. Comecei a cantar para tentar chamar sua atenção, mas ela não estava lá. Voltamos para o elevador, subimos e retornamos para Yuvalin. Eu precisava de um banho.

Entrando pelos portões da cidade, encontramos aquele menino que tive um encontro uma vez, aquele que disse querer se tornar um aventureiro também um dia, junto comigo. Ele disse que se tornaria um grande arremessador de pedras, e demonstrou isso diante de nós. Promissor!

Os meninos se divertiram com ele, tentando arremessar pedras também. Ele me perguntou se havia melhorado desde nosso último encontro. Era visível que nem tanto, mas o incentivei a continuar.

Depois de vários banhos de sangue, eu precisava relaxar. Fui para o rio e me senti em paz. Enquanto andava pela cidade, e próxima ao rio, continuei cantando para tentar encontrar Noah. Não tive sucesso, infelizmente. Então, decidi prosseguir com meus planos para a noite.

Cheguei à Kanpeki quando Goro já estava fechando a loja. Ao me ver machucada, ele me pediu para entrar e começou a cuidar das minhas feridas com bálsamos. Começamos a conversar sobre a vida dos aventureiros e ele disse que se preocupava muito comigo. Ai que lindo!

Claro que ele corrigiu depois, dizendo que se preocupava com todos nós, mas deu para perceber os olhinhos rasgados dele brilhando ao falar que não queria me deixar ir enfrentar tantos perigos, que me queria por perto. Meu coração deu uma leve acelerada nesse momento.

Com as feições tristes, ele disse que me levaria ao Distrito do Carvão, para que eu pudesse descansar. Imagino que ele estivesse imaginando que nosso encontro seria breve. Mas dei mais uma oportunidade a nós dois, jogando no ar que não tinha jantado ainda. Ele se iluminou com a possibilidade de passarmos mais tempo juntos e me chamou para comer yakisoba.

Ouvi-lo contar suas histórias era tão maravilhoso. Não me cansava de escutar sua voz. Às vezes, ele fingia esquecer uma palavra em valkar só para que a conversa se estendesse e ter mais tempo comigo. Jamais reclamaria disso. Estar com ele naquele momento era tão perfeito, ainda que estivéssemos em pé em uma barraquinha de yakisoba, depois de tudo o que aconteceu naquele dia.

Goro me acompanhou até o Distrito do Carvão, onde eu costumava dormir. Meu coração mal cabia no meu peito e eu já começava a ter arrepios no baixo-ventre. Um pouco sem jeito e cheia de vergonha, agradeci o jantar e desejei encontrá-lo ainda naquela semana.

Dei um beijo nele. Na bochecha. Parecia muito difícil dar um passo a mais nessa nossa história. Não sabia se devia continuar a tentar algo, mesmo com vergonha, ou se apenas deveria deixar acontecer (ou não acontecer).

Ele me segurou nos seus braços. É difícil descrever o que eu senti, imaginando o que poderia acontecer a seguir. No entanto, apenas me disse que ficaria feliz em me ver no dia seguinte, se possível. E beijou a minha mão.

Antes que ele se virasse para ir embora, não sei o que me deu, mas tomei algum tipo de atitude misteriosa. Quando dei por mim, já estávamos abraçados nos beijando. Um beijo envolvente e sincero, aguardado por várias luas, como se no mundo inteiro só existíssemos nós e nada mais.

Quando nossos lábios se separaram, ele estava mais vermelho que a tormenta, mas disse docemente que só teve uma mulher antes de mim e que ela não se comparava a mim. Eu fiquei, simplesmente, sem palavras. Era impossível dizer qualquer coisa depois do que finalmente aconteceu: um beijo.

O beijo. Aquele que eu esperava desde o dia que nos conhecemos na Kanpeki. À medida que nos conhecíamos melhor nas últimas semanas, eu fui me encantando mais por ele e esse beijo simbolizou o encontro entre dois corações que, mesmo tão diferentes, compartilhavam um mesmo sentimento.

Helga e Goro

Tudo o que consegui dizer foi que esperava vê-lo no dia seguinte e ele respondeu dizendo que o amanhã seria o dia mais esperado por ele. E, dessa vez, ele me puxou contra o seu corpo forte, nossos lábios se encontraram mais uma vez, mas de uma forma mais feroz e intensa.

Suas mãos deslizavam sobre minhas costas e alisavam meu corpo. Segurei firmemente seus cabelos com uma das mãos e não queria deixá-lo mais sair dali, nunca mais. Mas ele precisava ir e, por isso, nos afastamos um pouco, sem ar.

Ele sorriu para mim e, daquele jeito sem jeito que eu queria ver o resto da minha vida, ele se despediu. Enquanto se distanciava, pude ver ele fazendo alguns gestos de comemoração. Eu ri, com uma mistura de sentimentos envolvendo carinho, ternura, paixão e esperança. Eu estava nas nuvens.

Dormir seria quase impossível com toda aquela emoção aflorando. Fiquei alguns minutos deitada sobre a relva, ao lado da árvore onde costumava sempre ficar, mas dessa vez, quis observar as estrelas. Fui respirando fundo até me acalmar. Agradecia a Allihanna e a Lin-Wu por nos permitirem viver algo tão lindo como o que vivemos instantes antes.

De repente, senti um cheiro diferente. Um cheiro ferroso. Era totalmente diferente dos cheiros que eu estava acostumada. Parecia cheiro de sangue. Com o tempo, acabei pegando no sono. Mas, quando acordei, entendi do que se tratava. Os animais estavam estranhos, a cidade também. Até ouvir um trovão e a chuva começar. A tempestade rubra havia chegado a Yuvalin.


Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – O necromante

A batalha ainda significava restaurar a vida de Helga diante da maldição que ligava seu coração ao coração da amada de seu pai falecida. Se…

Épico e aquático – A maldição

Os Desafiantes de Yuvalin ainda estão na cripta onde Sir Starkey estáva enterrado e, agora, a Helga tem um baita problemão para resolver e não…

Épico e aquático – Uma nova aventura

Ezequias tem uma nova missão para os Desafiantes de Yuvalin e algo totalmente diferente e, provavelmente, perigoso está diante de Helga. Ezequias disse que sabia…

Épico e aquático – Sigam as aranhas!

Tem mais aranha no Blog Qual é a das quintas? essa semana! Além de uma resenha sobre o novo filme (Viagem animada através do AranhaVerso), você confere agora mais uma parte do diário da Helga Iris, sereia, druida e membro dos Desafiantes de Yuvalin.


Stefan sabe ser insuportável. Cada hora, esse cara faz uma gracinha diferente. Dessa vez, foi no relatório para a Guilda sobre a Taverna Fim do Mundo. Uma das coisas que notamos na taverna é que ela nunca servia comida e ele disse que comemos uma comida muito boa.

Primeiro erro, porque, se a Guilda sabe o que acontece lá, não acreditaria que comemos alguma coisa. Precisei intervir no relatório e pedir para que ele tirasse essa parte. Toshinori apoiou.

Além disso, Stefan tem a grande audácia de se considerar o melhor investigador do mundo e colocou isso no relatório (não exatamente com essas palavras, mas sim). Ainda disse que eu chamo muito a atenção por aí.

Apresentamos o relatório ao Galyx. Ele aceitou e se colocou como um possível parceiro, caso precisássemos. Foi aí que eu precisei reconhecer que Stefan até que é um bom negociante: ele já pediu logo um adiantamento de uma garantia, conseguindo uma caixa com duas bombas, vinte tibares e uma balinha (meio suspeita).

Saímos de lá para voltar à Guilda e entregar o relatório. Quando chegamos, Toshinori estava tentando recrutar novos aventureiros para a equipe e Stefan e eu entramos na sala da oficial Helena. Ela estava de saída, mas recebeu o relatório, pôs sobre uma pilha de papel e nos dirigiu à palavra para apresentar um crocodilo.

Bom, ele não é um crocodilo, mas meu coração disparou, confesso. Acabamos de perder Noah, que era um trog. De repente, aparece um moreau meio crocodilo na minha frente. Ela disse que ele simplesmente apareceu ali, com ordens superiores para se juntar aos Desafiantes de Yuvalin.

Estranho? Sim. Mas começamos a conversar com Kroll e o recebemos na equipe. Nem preciso dizer o quanto eu fiquei feliz em ter alguém da raça dele no grupo. Eu sou meio peixe, então, ter um meio crocodilo, é ótimo.

Ele costumava caçar e dormir na floresta. Bônus para ele! Encontramos Toshinori e Joseph no salão principal e apresentamos Kroll. Eles também pareceram tomar um susto, mas deram boas-vindas ao novato. Toshinori me olhou com curiosidade pelo meu entusiasmo com Kroll ter chegado na equipe. Acho que eu exagerei mesmo ao me disponibilizar para apresentar o lugar onde costumo dormir.

Aproveitamos para escolher a missão que cumpriríamos no dia seguinte e decidimos comemorar a chegada do novato na Taverna Foice e Martelo. Enquanto nos acomodávamos, Stefan e eu ouvimos uma conversa sobre o presidente da Guilda, o pai do Peter, Rodford Vahrim, ter sido o responsável por colocar o Mestre Himmerzan como chefe da Forja, além dos já conhecidos rumores de que Himmerzan fosse purista.

Toshinori se empolgou um pouco e resolveu começar um campeonato de quem virava mais cervejas. Vexatório. Stefan e eu acompanhamos de longe, Joseph desapareceu, mas Toshinori e Kroll ficaram bem loucos, nem consegui apresentar nada a Kroll fora da cidade.

Felizmente, todos os membros da equipe se encontraram no horário de sempre na Guilda para seguir para a missão. Fomos bem longe, aliás. Chegamos a uma portinha no meio do nada e conhecemos o boticário Rafu, na Poções Promissoras. Ele é bem animado e fala cantando e batendo em seu tamborete preso à cintura.

Nós informamos o motivo de estarmos ali e ele, rapidamente, fechou a loja e nos levou até a floresta, onde encontraríamos aranhas gigantes. Sim, aranhas gigantes são a fonte para extrair o que era necessário para produzir suas poções.

Antes de as aranhas aparecerem

E encontramos as aranhas quando Toshinori ficou preso em uma teia gigante. Kroll já partiu pra cima, pra tirar Toshinori de lá. Eu, pra variar, tive que curar a galera que estava tomando muito dano com o ácido cuspido pela aranha. Eu, inclusive. E, então, Toshinori conseguiu matar a primeira aranha.

Eu tentei deter a outra e consegui fazer ela perder os movimentos por um tempo com magia. Acabei me prendendo a uma teia. Joseph inspirou as armas do pessoal e, depois de eu precisar curá-lo, óbvio, num disparo certeiro, Stefan fez a parte dele, com cara de insuportável, mas fez. Rafu ficou radiante quando conseguiu extrair o que precisava das aranhas gigantes. Kroll me ajudou a sair da teia e retornamos para a cidade.

Levamos o relatório da missão para a Guilda e a oficial Helena nos esperava. Com a cara mais indecifrável ela falou que leu nosso relatório sobre a Taverna Fim do Mundo e que precisava das nossas insígnias. Eu entrei em choque. Mas tirei a insígnia e entreguei.

Qual não foi minha surpresa quando ela nos entregou novas insígnias, de coríndon.

Agora, sim, somos aventureiros reconhecidos e podemos fazer missões mais interessantes. Uma pena Noah não estar conosco, ele ficaria imensamente feliz.

Antes que saíssemos da Guilda, um jovem hynne veio correndo e, esbaforido, nos entregou um bilhete. Não deu nem tempo de agradecer, ele já havia saído correndo da mesma forma que entrou. Eu li para todos: “Desafiantes de Yuvalin, vocês foram notados. Compareçam à loja Minérios Maravilhosos no Distrito da Bigorna. E.H.”

Não sei quem é esse E.H., mas Kroll teve uma leve reação de espanto ao ouvir a sigla. Suspeito, mas fazer o quê? Vamos descobrir o que isso significa. Parei para escrever meu diário enquanto ainda decidimos o que fazer com esse bilhete.


Aguarde o próximo episódio do diário da Helga para descobrir como a equipe vai lidar com as novidades.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Consolamos um galanteador

Em sequência à missão de entregar a encomendo do “Senhor P.” para a sra. Ártemis, muita coisa pode acontecer, inclusive, servir de terapeuta. Confira a segunda parte dessa aventura. Perguntamos…

Épico e aquático – Não é que viramos uma equipe?

Vamo a mais uma edição do diário de Helga Iris, a sereia druida (se você não sabe do que eu estou falando leia os posts anteriores sobre o assunto: Épico e aquático – Sou uma sereia num RPG e Épico e aquático – O primeiro dia da Helga).

Para você se ambientar melhor, veja o mapa da cidade de Yuvalin, que é onde estamos.


Épico e aquático – Não é que viramos uma equipe?

Parece insano pensar que esse bando de doidos, totalmente estranhos uns aos outros, tenha se tornado uma equipe eficaz nas missões.

Pois nos tornamos. Ainda temos nossas diferenças, como uma total desconfiança do Stephan depois de ele ter atirado no Joseph e me obrigado a usar o bordão para bater na mamãe glop. Mas eu propus dar um voto de confiança, justamente para ver se a primeira impressão seria só uma impressão mesmo.

E deu certo.

Joseph e Toshinori dão em cima de todas as mulheres que aparecem. É insano. Precisei interceder quando falamos com a Chef Rizzelena, enquanto tentávamos entender a missão que ela solicitou, porque os dois queriam conquistá-la. É de revirar os olhos.

Além de maluco, o Stephan até que manda bem em combate. Tomei um susto quando ele sacou um mosquete duplo pra usar contra aqueles bichinhos. Bom era nossa missão levar a cauda deles para a chef, mas não precisava de tamanha violência, ainda mais com armamento proibido.

Entreguei os animais a Allihanna e retirei a cauda com as minhas unhas. Fui até muito bem elogiada pela chef que nos recompensou muito bem.

Mas essa foi a terceira missão em 3 dias. Antes disso, fomos ajudar um jovem brilhante (e lindo – não acredito que estou escrevendo isso), Goro Okazaki, na forja de uma espada especial, parecia magia.

Não toquei na espada – Allihanna me livre de tocar em metal, mas auxiliei com todos os cálculos e orientações possíveis, todos os conhecimentos que adquiri tanto no meu antigo povoado, como no meio das sereias.

Goro também me elogiou pelos meus conhecimentos e inteligência (enrubesci).

Enquanto estávamos focados na forja, um grupo de arruaceiros tentou roubá-lo. Óbvio que não permitimos. Como uma equipe (olha só), continuamos fabricando a espada e, ainda, colocamos os arruaceiros para correr.

Estamos nos preparando para a próxima missão e, agora, me sinto plenamente revigorada (depois daquele desastre que foi a primeira missão).

Ainda não contei a ninguém sobre ser uma sereia. Estou me controlando para não usar encantamentos e convencer a todos a fazer o que quero. Mas consegui convencer o Noah, o trog caladão, a ir para a taverna conosco. Foi um momento que relaxei e usei os encantos com ele.

Por enquanto, estou conhecendo melhor os componentes da equipe, antes de mostrar quem sou de verdade. Poucas criaturas conseguem enxergar a sereia em mim, inclusive aquele cara chato que é o minotauro que está sempre me cantando. Eu o ignoro.

Estou ansiosa para o que teremos pela frente. Por enquanto, sucesso.


Continue acompanhando o blog para ver mais aventuras da Helga e dos Desafiantes de Yuvalin.

Até a próxima!

Épico e aquático – O primeiro dia da Helga

Aceitei o desafio de jogar RPG e, se você não leu ainda o primeiro texto sobre isso, clica aqui. Neste segundo post da série, vou trazer o diário da Helga do primeiro dia de missão.

Em resumo, para entrar na guilda de aventureiros, era necessário cumprir uma missão em grupo: encontrar o que estava perturbando a ordem na Forja dos Mineradores. Os mineradores que conseguiam sair da forja principal vivos, relatavam muitas feridas, como que por ácido.

Vamos ao relato da Helga Iris, a seria druida que interpreto nessa mesa.


O dia que eu morri

Esse foi o PIOR dia da minha vida. E eu espero que tenha sido mesmo.

Era para ter sido um dos melhores, porque eu, finalmente, entrei para a guilda.

Como sempre, tive que tentar suprimir o medo de falhar, minha mestra me daria um grande castigo por ter esse medo.

Por causa do medo, criei uma barreira de contato com qualquer pessoa, desconfiava de todos e de tudo. Além disso, tenho certeza que fui ríspida com o pessoal da equipe e da própria guilda.

Foi sem querer. Mas eu preciso ser forte e mostrar a que vim.

Foi bem ruim receber comentários apenas por ser uma sereia, sendo que ninguém observa que posso, sim, ser uma aventureira e contribuir para as missões com minhas aptidões e magias.

Allihanna que me perdoe, mas eu estava a ponto de pegar a arma de fogo daquele louco do inventor, que se virou contra a própria equipe, para abrir um buraco na cabeça dele. Ele acertou o pescoço do bardo e não fez nada pra ajudar contra a glob.

E foi aí que, num ato de desespero, fiz a única coisa que eu poderia tentar fazer: bater na mamãe glob com o bordão. Mas, como eu já disse, quando as coisas ficam pessoais, as chances de errar são infinitamente maiores que acertar.

E então eu morri. Ou quase. Não sei exatamente o que aconteceu, mas Allihanna me abençoou e eu voltei. Fui carregada para fora pelo restante da equipe e descobri que o doido tinha parado de atacar a gente para atacar o monstro.

Finalmente, entrei para a guilda e, agora, tentando respirar com dificuldade e me recuperar, preciso tentar resolver as coisas com a equipe, desse jeito que foi hoje, a gente morre na próxima missão, com certeza.


Tudo o que eu quero é um banho e uma boa noite de sono perto do rio.

Continue acompanhando aqui as cenas dos próximos capítulos!

Até breve.

Resoluções para o ano novo: ler

Fim de ano foi aquela coisa: muita comida, a gente se veste com roupa nova para ficar sentado na sala mexendo no celular, as tias fazem aqueeeelas perguntinhas, os tios fazem as piadinhas infames… Mas quando o ano começa a pergunta que não quer calar é: suas leituras estão em dia? Pensando nisso, o Qual é a das quintas? resolveu dar algumas dicas de como definir as metas de leitura para 2017.

Pense nos tipos de livro que você gosta de ler
É meio óbvio, mas se você não gosta de thrillers de jeito algum, não vai colocar um do gênero na lista. Para que seja algo realmente prazeroso, como as leituras devem ser, escolha seus gêneros favoritos.

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Pense em quantos livros ler
Apaixonados por livros sonham com livrarias e bibliotecas gigantes, mas nem sempre conseguem ler tudo ou muito. Com os dias agitados, cheios de atividades, muitos se frustram por não conseguir ler tudo o que gostariam. Por isso, pense na sua agenda, nos trajetos de transporte público, horários de almoço, intervalos, em quanto tempo você aguenta ler sem dormir à noite… e faça uma média de quantos livros são viáveis de serem lidos em 12 meses.

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A lista
Há pessoas que preferem se surpreender ao longo do ano. Mas, para não se perder, você pode optar por fazer uma lista com quantos e quais livros pode ler por semana, mês e ano. Alguns leitores organizam a lista de um jeito que sabem a quantidade de páginas que precisam ler por dia para terminar o livo no tempo “certo”.

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Importante: não deixe de anotar! Cada um desses tópicos devem ser anotados se você quiser organizar a meta de leitura. Use um diário, faça uma planilha, coloque na agenda do celular, faça post its e vá marcando suas conquistas. Alguns aplicativos/sites podem ajudar nesse plano de leitura, como o Kindle, o Google Keep e o Skoob.

E é claro… aproveite cada momento de suas leituras. Nada mais prazeroso que poder viajar por tantos lugares, conhecer tantas culturas, tantos momentos, tantos amores… Ler é tudo de bom. E aí? Vamos criar uma meta de leitura para 2017?

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E se quiser aquela forcinha para tentar ler melhor, o Qual é a das quintas? tem um post que pode te ajudar: Lendo melhor em 5 passos.

Aline Gomes

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Sobre Anne

Quinta-feira, 31 de março de 2016

Querida Kitty,

Imagino que não te escrevam há muitos anos. Desculpe-me ser intrometida, mas li o que Anne Frank te escreveu e estou comovida pelas histórias contadas por ela. Penso que você saiba o que aconteceu quando ela parou de te escrever. Uma moça tão jovem…

Quando estudamos a 2ª Guerra Mundial na escola, temos uma ideia, por vezes, superficial do que aconteceu nela. Com um estudo aprofundado, a partir de pesquisas de especialistas no assunto, podemos compreender um pouco mais. No entanto, penso que não há nada melhor que alguém que viveu a História para dizer como tudo realmente aconteceu.

Esse é o caso de Anne Frank, uma adolescente judia que contou as situações vividas na Guerra em seu diário. Dois anos após o seu fim, seu diário foi publicado em formato de livro e podemos, hoje, entender mais uma parte do quebra-cabeça.

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Anne ganha no seu 13º aniversário um caderno – diário – e resolve ali escrever quase que diariamente sobre sua vida, seus pensamentos, solidão e sentimentos. Facilmente esquecemos se tratar de uma história real, que ela realmente escreveu aquilo. Estamos tão acostumados a ler ficções que parece não passar de historinha. Kitty é a amiga a quem Anne Frank se dirige, uma personagem fictícia que existe apenas para que o discurso não seja impessoal.

Em seu diário, Anne Frank descreve em detalhes como era sua vida antes de ter de se esconder dos nazistas, e como tudo aconteceu depois, como a vida mudou. No Anexo Secreto, na Holanda, esconderijo da sua família durante a Guerra, a jovem vive as mais diversas transformações que uma adolescente passa. Lá, ela descobre seus sentimentos com relação à família, aos amigos, à liberdade, ao desejo de crescer e de amar.

prédio-anexo-secretoPrédio do Anexo Secreto, onde a família Frank ficou escondida entre 1942 e 1944.

A simplicidade com que escreve e conta seus anseios e questionamentos mais íntimos faz com que o leitor se sinta o próprio destinatário das suas cartas. A História do mundo é contada de acordo com a visão de uma adolescente que estava trancafiada, escondida, para não ser levada aos campos de concentração nazistas. A vida para ela continuava ali, ainda que ninguém além dos seus pais, os Van Daan o sr. Dussel e os amigos que os abrigaram no depósitos soubessem da existência daquele lugar.

A menina tinha sonhos, planos para o futuro. Vivia intensamente sua não-liberdade e ainda almejava o ar fresco que entrava pela janela (quando se podia abrir). Sonhava em ser jornalista ou escritora, pois amava escrever. Seu relacionamento com os confinados não era maravilhoso e eles tinham sérios problemas com mantimentos e conforto.

Apesar de tudo, Anne foi feliz e infeliz, amou e desamou, sorriu e chorou, brincou e se escondeu até o último dia de confinamento. É difícil escrever tão pouco sobre um livro tão rico. Um livro que deveria ser lido, não apenas pelos amantes de História, mas pelos amantes da vida.

“Ao olhar para fora, para a profundeza de Deus e da natureza, senti-me feliz, realmente feliz. E, Peter, enquanto eu possuir aqui esta felicidade, alegria, saúde e muito mais, tudo por acréscimo, enquanto possuir isto, acho que é sempre possível recapturar a felicidade. As riquezas podem perder-se, esta felicidade que vem do próprio coração pode velar-se, mas nunca deixará de existir enquanto a vida durar. Enquanto se puder olhar sem temor para os céus, enquanto soubermos que somos puros de coração, teremos sempre a felicidade em nós.” (Anne Frank, 1944)

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Sua Aline.