Épico e aquático – O encontro mais que esperado

Helga Iris, a sereia druida, está quase que, literalmente, com o coração na mão e parece que isso a fez se desviar do caminho que retornava à cidade para um lugar que já preocupava consideravelmente os membros do grupo.


Um turbilhão de pensamentos me invadiu naquela caminhada pelo bosque. Muitos pensamentos e pensamento nenhum. Um vazio. Provavelmente, esse foi o motivo de eu ter guiado o grupo para tão longe e ter parado logo naquele lugar.

Minha vida em Villent com minha mãe adotiva e eu em nossa sala de estar, ela sentada na poltrona e eu no chão, bem à frente dela. O fogo crepitando na lareira e Silena contando histórias de aventuras para mim, aventuras que ela mesma deve ter tido com seu noivo Zemo, antes de ele falecer.

Meus amigos Kaito Sakurauchi e Anya Davenport que brincavam de aventureiros comigo quando éramos crianças. Zora West e seu melhor amigo Filipe, o Corcel Negro. Sylas Mooncrest e seu pai, Lord Aether Mooncrest, que tentaram matar Kaito e eu com emboscadas na saída das aulas por ele ser tamuraniano e eu, uma sereia.

Momentos engraçados, como quando tentei me transformar em uma borboleta, sem sucesso. Momentos difíceis, como quando me despedi de Silena para me tornar aventureira. Minha chegada a Yuvalin, Rei Joss e os amigos do Rio Panteão, nossa primeira missão como Desafiantes de Yuvalin, a perda do Noah para os mortos-vivos.

Meus encontros com Goro, nosso primeiro beijo, nossa primeira noite juntos, depois de ele me pedir em namoro. O resgate da Noah e meu resgate por ela, nossa convivência, nossas conversas. As descobertas sobre meus pais e sobre mim mesma, o treinamento em Nitamu-ra.

Minha vida passava diante dos meus olhos. Eu poderia morrer a qualquer momento por causa daquele coração atrelado ao meu. Como aventureira, eu estava suscetível à morte. Já era praxe. Mas, naquele instante, eu me sentia ainda mais vulnerável, muito mais próxima do Reino de Allihanna para o descanso eterno. Não via nada. Não ouvia nada.

Quando finalmente parei, foi como se tivesse despertado de um sonho ruim. Olhei para todos os lados, me perguntando como tínhamos ido parar ali. Ao me dar conta do que fiz, eu pedi desculpas ao grupo por ter guiado todos ao lugar errado. Não sabia o que fazer. Edward e eu trocamos confirmações sobre ser o tal casebre que tínhamos falado tantas vezes dos sonhos dele e das visões com a espada de matéria vermelha de Sir Starkey.

O casebre

Para o nobre, estar ali era um sinal do destino ou de alguma coisa grande. Se isso pudesse me ajudar a resolver a maldição com o coração, eu ficaria aliviada. Perguntei se iríamos entrar no casebre, fosse para investigar ou dormir, então, os meninos pediram apenas para investigar antes. Melhor evitar mais armadilhas.

Enquanto isso, Stefan me alertou sobre o ferimento grave do minotauro. Era um paradoxo bem complicado: um minotauro, que, no geral, era uma criatura estúpida e inescrupulosa, porém completamente envolto na cultura tamuraniana, não apenas pelos seus trajes, mas pelos seus modos também. Me reconectei com o mundo real e com a minha deusa, suplicando para que ela o curasse através das minhas mãos e assim aconteceu.

Reparei pegadas no chão que levavam até o casebre, pedaços de roupa rasgada presas em árvores e no chão e madeira quebrada. Além disso, senti que havia alguma ameaça dentro do casebre e, imediatamente, meus dois corações começaram a bater disparados. Algo podia dar muito errado e eu alertei o grupo. Falei que precisávamos nos preparar e esperar o pior.

Estávamos muito cansados, queríamos descansar. A ideia do Toshinori era dormir no casebre, mas se tinha alguma ameaça, não seria uma boa ideia. Stefan acreditava que poderíamos esperar o melhor. Ficamos um certo tempo discutindo sobre o que fazer, como bons Desafiantes de Yuvalin que somos. Tomamos umas essências de mana e cuidamos para que todos estivessem prontos para enfrentar o que quer que fosse encontrado no casebre.

Toshinori pediu para que Stefan usasse apenas a adaga, para não haver problemas novamente, caso ele portasse sua pistola. Até levantou a camisa do Joseph como provas de seus crimes passados. Mas eu simplesmente respondi que confiava no Stefan. O paladino quase caiu no chão depois disso.

Olha, sejamos sinceros. O Toshinori tem estado bem esquisito nos últimos dias, sentindo medo, evitando a todo custo uma briga. Muito estranho. E o maluco tem sido cada vez mais útil. Se o mundo estava de cabeça para baixo, por que eu não confiaria no kliren que não traiu a gente com a namorada maluca? Ele parecia estar querendo ajudar de verdade.

Os meninos começaram a se aproximar, fiquei um pouco atrás acompanhando. Enquanto eles retornavam, Stefan tropeçou e fez um barulho discreto, mas que pareceu ser o suficiente para atrair a atenção de quem habitava o casebre.

De repente, só ouvimos uma risada vinda de dentro e alguém tentando defender o local e sua amada de invasores e mercenários. Naturalmente, não éramos os primeiros a tentar se aproximar. Qual não foi meu maior susto, o maior da vida, maior que o do coração. Fiquei estarrecida com o que eu vi. Só ouvia o som das batidas dos corações.

Eis que saiu pela porta do casebre ninguém mais e ninguém menos que um cavaleiro em armadura e espada puídas e enferrujadas. O cavaleiro era um esqueleto com rosas em seus olhos e presas ao restante da armadura escura e um belo topete cobria seu crânio. Seria impossível não o identificar. Eu não podia acreditar! Fiquei sem ar, de boca aberta, devia estar completamente pálida.

Aquele era Sir Anthony Starkey, o meu pai.

Sir Anthony Starkey

Edward logo se apressou em chamá-lo pelo nome e dizer que trouxera alguém importante para ele conhecer e também lançou sobre a grama revirada a espada bastarda de matéria vermelha, para que não houvesse conflitos. Quando Sir Starkey viu a espada, ele ficou pasmo – como se isso fosse possível. Sua expressão deveria ser igual à minha naquele momento.

Ignorando tudo o que havia ao meu redor, qualquer fala, qualquer sinal de um dos integrantes do grupo ou fosse o que fosse, eu avancei até onde o cavaleiro pudesse me ver com mais clareza e me apressei em dizer:

– A gente veio trazer esta espada para você. Oi, pai!


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Até breve!

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Épico e aquático – Corredor da morte

“Impossível dar errado”, disse Stefan, mas tudo pode ir por água abaixo na companhia dos Desafiantes de Yuvalin. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, tentando fazer com que seus aliados continuem, ao menos, vivos.


O Stefan viu algo dentro daquela sala, mas a explicação dele não fez o menor sentido. Só a Ràthania parecia estar extremamente empolgada com o que quer que tivesse lá dentro. Apesar de não ser convincente, ele disse que confiava na namorada.

Eles falavam sobre um golem completamente de aço-rubi. Isso parecia divertido. “Impossível dar errado”, disse Stefan. Imediatamente, pedi que Ràthania avançasse junto com Stefan para chegar perto do tal golem. Ela puxou ele pelo braço, mas os meninos decidiram que o Kroll deveria ir à frente e nos posicionamos estrategicamente.

Antes de a equipe avançar, fiz uma prece a Allihanna e me abaixei, tocando o chão. Um fluxo de energia e luz emanou de mim e toda aquela área foi consagrada à minha deusa. Assim, sempre que usasse magia para curar meus aliados, o poder de Allihanna seria total e eles seriam contemplados com um toque de vida.

Eu não via o que se passava na sala, apenas ouvia. Joseph estava ao meu lado e Stefan à minha frente. De onde eu estava, via enfileirados Edward, Toshinori e Kroll. O nobre foi o primeiro a avançar. Naquele instante, ouvimos barulhos ensurdecedores. O construto deveria ter se ativado com a entrada do Edward na sala.

Eu confiei na ação de Edward, que ele faria um trabalho liderando o combate. Só ouvia os sons desse combate. A criatura batendo e os meninos apanhando e eles também tentando bater.

Apesar de não conseguir ver Edward e Toshinori muito bem, ouvi quando o construto atingiu Edward e que ele não conseguiria se defender com o escudo. Ergui minhas mãos e uma energia mística saiu delas em direção ao Ed, imediatamente, formando um escudo místico sobre ele no momento que o inimigo despejava sobre ele o segundo ataque. Mesmo assim, percebi que ele caiu ferido no chão.

De uma forma muito inteligente para o nosso bárbaro, Kroll puxou Edward da frente dos golens para o meu lado. O nobre estava bem ferido, sangrando, deitado. Fiz uma prece a Allihanna e a magia fluiu de mim para ele quando toquei com as minhas mãos na sua testa. Ele respirou profundamente e, apesar de continuar deitado e sangrando, vi algumas das suas feridas se fecharem.

Joseph deve ter visto a gravidade da situação, pois sua melodia ao alaúde élfico se tornou urgente e decidida. Enquanto ele tocava, percebi que, não apenas eu, mas todos nós nos sentíamos mais fortes e mais capazes.

Toshinori se muniu de tudo o que ele podia e atacou com seu bico de corvo. Ouvi um barulho forte do encontrão da arma com o aço-rubi. Ele deu um passo para trás e chegou mais para perto de todos nós, pedindo que eu tentasse ao máximo proteger a todos na equipe, principalmente aqueles que estivessem no combate.

O doido do Stefan correu para dentro da sala, mas voltou, felizmente, ileso. Difícil defender esse cara com ele fazendo tanta loucura. Não percebi se ele fez algo lá, só sei que foi rápido. Eu estava preocupada com Edward que cuspiu sangue do meu lado e tentou se levantar com certa dificuldade. Ainda assim, ele conseguiu gritar algumas ordens para o restante dos combatentes da equipe.

De repente, aquele bichão apareceu no final do corredor e eu vi o tamanho do golem. O paladino tentou bater com sua arma, mas apenas ouvimos um clangor estridente, não pareceu ter efeito algum sobre a criatura.

Golem de aço-rubi

Toquei nas costas de Toshinori e conjurei um escudo daquele, como uma aura de luz que o envolveu. Queria que ele tivesse um pouco mais de proteção por ficar bem na frente de batalha. Eu estava me sentindo mais próxima da minha deusa e apenas saí de perto de onde a luta seria mais quente, pra que eu conseguisse dar o suporte necessário à equipe.

Acho que o Joseph pensou igual, porque veio para o meu lado. Ainda preciso perguntar a ele sobre ele ter sempre as mesmas ideias que eu, sendo que a gente nem tem uma ligação assim tão forte.

Dessa vez, ouvi um barulhão com Toshinori batendo e derrubando o construto no chão. O que me distraiu desse golpe foi a Ràthania reclamando com o namorado que o inventor deu uma poção ao paladino. Ele respondeu que ele daria algo especial a ela mais tarde. Como o Stefan sabe ser bem insuportável!

Kroll trocou de lugar com Stefan, tentou bater e morder, mas não conseguiu. Acho que o Toshinori estava impressionado com o fato de Stefan ter ajudado e acabou atrapalhando o bárbaro a fazer o que ele sabe fazer de melhor.

Edward tentava ajudar como podia, liderando o combate com ordens bem sincronizadas com os movimentos dos combatentes. Porém, enquanto isso, a criatura também continuava atacando e bateu no paladino, que se feriu consideravelmente. Ele caiu de joelhos, as garras do construto puxaram ele e rasgaram sua armadura e sua pele. Seus gritos cessaram quando Toshinori caiu no chão, sem movimentos.

Juntei minhas mãos em uma oração fervorosa, as levantei e algo como um vento leve soprou ao meu redor, levando a luz da magia até cada um dos meus aliados. Todos eles foram envolvidos por essa luz e vi algumas feridas se fechando, Toshinori se levantando e até Edward ganhar mais cor.

O bardo, além de ser tocado pela minha magia, fez seus gestos arcanos para continuar curando os feridos na sala. Toshinori atravessou a criatura com seu bico de corvo e derrubou o golem.

Depois de Toshinori vir para mais perto de nós no final da sala, pedindo para que Edward trocasse de lugar com ele, Stefan sacou uma bomba e aquele barulho ensurdecedor me distraiu do que quer que tenha acontecido nos segundos seguintes.

Tudo o que eu sei é que aquele construto parou de funcionar, destruído, e que havia mais alguma criatura. Edward, revigorado, avançou em direção àquela criatura que rugia e que batia e rasgava.

Saí de onde estava e repeti aquele movimento, que foi seguido daquele vento vindo de lugar nenhum e levando luz de raios divinos para curar meus aliados. Joseph seguiu mais para frente também e começou a cantar e tocar, o que paralisou a criatura. Percebi que era um troll (MAIS UM TROLL NESSA MINA) e ele estava completamente fascinado pelo bardo tocando.

Não sei qual foi o objetivo, mas Toshinori, simplesmente, passou pelo troll e foi pra outra sala. O pior é que o Stefan resolveu fazer a mesma coisa. Mas eu fiquei impressionada por ter sido o paladino quem teve a ideia.

Kroll parecia só estar de saco cheio de toda aquela batalha, porque ele continuava lutando com ainda mais ferocidade. Mesmo de onde eu estava, não conseguia ver nada além do Kroll, apenas ouvia os golpes, defesas com escudo e gritos.

Kroll, brilhando em batalha

O que quer que tenha acontecido no corredor lá em cima, foi uma gritaria danada, parecia que Edward e Stefan não se entendiam (para variar um pouco). O troll veio correndo para cima de mim, passando por todos no caminho, como se fosse uma nuvem e não uma criatura enorme. Eu fiz o mesmo movimento dele, mas para o lado contrário, ocupando o lugar onde ela estava. Fiquei do lado do construto destruído. Do outro lado, estava Stefan estirado no chão e Ràthania gritando e chorando perto dele.

Uma luz muito forte, conjurada por Joseph, brilhou na sala de onde eu saí. Mas não parece ter surtido qualquer efeito. Foi quando Toshinori veio com uma cara de poucos amigos da outra sala para ficar no lugar de Joseph, que fugiu correndo quando a magia deu errado.

Finalmente, Kroll finalizou o serviço. Suas feições ficaram até mais leves, se é que isso é possível. A luta acabou.

Silêncio.


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Até breve!

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Épico e aquático – Honra e paixão

Muita emoção toma conta do dia de homenagens aos cidadãos de Yuvalin após a passagem da Tempestade Rubra. Confira mais um capítulo do diário de Helga Iris, a sereia Druida.


Respirei fundo e comecei:

Povo de Yuvalin, vocês que me receberam tão bem, vocês que nos receberam tão bem aqui, somos um povo diverso nessa cidade. Somos várias raças, fazemos coisas diferentes, trabalhamos em coisas diferentes.

Mas algo nos une: a vontade de permanecer aqui, a vontade de agirmos uns pelos outros. Isso não mudou!

Hoje, estamos tristes. Hoje, nós estamos arrasados diante de tudo o que aconteceu. Mas nós precisamos olhar para frente! Nós precisamos nos lembrar destes que foram, com carinho, com amor, com respeito.

Nós precisamos olhar para frente! Olhar para o horizonte e ver que há mais, há mais para acontecer, há mais para celebrarmos, há mais coisas para vivermos. E viver em homenagem a estes que foram.

Vamos celebrar a vida em homenagem a estes que nos deixaram! Viva por você e por este seu amigo, seu vizinho, seu líder, seu parente, seu cônjuge, seu filho. Viva por ele com amor e dedicação total.

Porque hoje nós devolvemos esses cidadãos ao coração da cidade, mas nós vamos continuar fazendo essa cidade bater com o nosso coração.

Apesar do improviso, acho que fiz uma homenagem digna aos que se foram. Logo depois de deixar o palco, a forja já estava trabalhando e tocando as batidas do coração. Choro e lamento por todo lado.

Rei Joss fez uma aparição em um dos cantos do Parque quando olhei, acenou para mim confirmando minha fala e, simplesmente, desapareceu quando uma pessoa passou na sua frente.

Edward também discursou logo em seguida e eu ouvi o Stefan gritando “Morte à Tormenta”, com coro de Toshinori.

As velas viraram balões e os cidadãos soltaram no céu. O cinzento dia de Yuvalin se tornou colorido com tantos balõezinhos. Aquele arco-íris era um símbolo de que após a tempestade viria a bonança. Era o que todos nós desejávamos ardentemente.

Balões de luzes

Senti um abraço vindo por trás enquanto eu observava o céu iluminado. Apesar do primeiro sobressalto, percebi que era Goro e ele me falou ao pé do ouvido que o seu mestre sempre havia amado o arco-íris. Ficamos abraçados em silêncio por um tempo apenas observando as luzes no céu e as cinzas que subiam da forja.

Quando já começávamos a sair, Ezequias confirmou que precisávamos encontrar o artefato, mas que ele entendia que deveria ficar pela cidade. Nós confirmamos que continuaríamos e que ele estaria conosco mesmo que não presencialmente.

Saí abraçada com Goro, tentando consolá-lo. Ele estava silencioso até chegarmos em uma casinha simples no Distrito da Bigorna. Ele morava junto com seu mestre e, apesar de não ter a arquitetura tamuraniana, a mobília da casa foi totalmente inspirada para que tivesse um pouquinho da terra deles lá. Era como se eu tivesse entrado em um portal para Tamu-ra.

Ele tinha o olhar vago, sentou-se e falou sobre a restauração da Kanpeki. A história deles se misturava à da loja. Eu disse a ele que continuar o trabalho lá seria honrar o legado de seu mestre. Ele se aproximou de mim e, segurando muito forte a minha mão, pediu encarecidamente que eu tomasse muito cuidado, que ele não aguentaria perder mais alguém importante para ele.

Depois de um tempo em silêncio eu respondi que meu trabalho de ajudar a cidade incluía correr riscos. Mas eu faria o máximo possível para mantê-lo vivo e me manter viva também. Por outro lado, ele me respondeu que não saberia se ele mesmo conseguiria se manter vivo se me perdesse.

Ruborizei, é óbvio. Principalmente, depois de ele completar dizendo que sua vida talvez perdesse total sentido já que ele perdeu seu mestre, mas que, a partir daquele momento, eu era a pessoa mais importante para ele.

E, então, de repente, ele se ajoelhou e pegou minha mão. É extremamente difícil descrever o que eu senti quando o vi fazendo aquilo. Meu coração disparou e só não suei em bicas porque isso não é muito comum para sereias, nossa troca de ar é um pouco diferente com as guelras e escamas.

Ele beijou minha mão e me pediu em namoro. Era difícil organizar todas as emoções. me limitei a responder que sim. Chamam de borboletas no estômago ou talvez eu estivesse feliz e chocada ao mesmo tempo. Sei que, dentro de mim, eu ria como uma criança ouvindo histórias de seu avô.

Ele se levantou ao ouvir minha resposta e me deu um beijo arrebatador. Um beijo molhado, sincero e de esperança. Ao nos afastarmos, ele colocou meu cabelo por trás das orelhas e disse que me deixaria descansar, mas para que eu voltasse no dia seguinte. Eu respondi algo, como sempre estaria lá por ele, nem lembro direito. Foi tanta emoção que minhas pernas estavam bambas. Meus joelhos tremiam e acho que fiquei levemente tonta.

Ele colocou a mão sobre o meu colo e disse que sempre estaria junto comigo, no meu coração. Coloquei minhas mãos sobre a dele e acenei com a cabeça, concordando. Um conflito se apoderou de mim naquele momento. Eu não queria ir embora, queria ficar ali com ele, queria que o tempo parasse para nós, ali. No entanto, não descansar, e ao ar livre, poderia comprometer tudo o que seria feito na missão no dia seguinte.

Então, eu decidi ficar.

Helga e Goro

Foi uma noite mágica. Além do misto de emoções que eu estava sentindo por todo aquele dia e tudo o que fizemos juntos ali, foi como ver um arco-íris diferente do que vimos à tarde. Eu estava eufórica, estava nas nuvens.

Era a primeira vez que me entregava a um homem e consegui notar que Goro também estava descobrindo o corpo de uma mulher. E que honra ser o meu corpo.

Nossa primeira noite juntos foi tão bela, tão carinhosa e totalmente mágica. Fomos, sem dúvida, abençoados por nossos deuses.

Mesmo que isso trouxesse consequências para meu desempenho na missão nas minas no dia seguinte, eu não mudaria absolutamente nada. Foi perfeito!


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Até breve!

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Épico e aquático – As sobras da guerra

Depois da tempestade vem a bonança? Não para os Desafiantes de Yuvalin! Confira o novo capítulo do diário de Helga Iris, a sereia druida.


Yuvalin é uma cidade forte. As garras corrompidas da Tormenta atravessaram a nossa alma, mas cá estávamos os sobreviventes para recomeçar.

Na Guilda dos Mineradores, Ezequias estava com olhos vagos e, no meio de todo o burburinho na sala, ele pediu silêncio e que ficássemos apenas ele e nós, os Desafiantes de Yuvalin. Colocou as mãos na cabeça e desabou, começou a chorar.

Ficamos em silêncio por alguns instantes e Edward se aproximou do amigo, ainda quieto, para consolá-lo. Eu estava de cabeça baixa e fazendo carinho na Noah, ela sentia a amargura em todos e também chorava baixinho. Levantei a cabeça e vi a cena. Então, a incentivei a ir tentar levar consolo também, afinal, animais têm essa incrível capacidade de nos animar.

Não adiantou muito, apesar de ele ter parado um pouco de chorar e voltado a falar. Ele fez carinho em Noah por uns instantes e desabafou. Achava que, se tivesse ficado na cidade, em vez de ir conosco para as Minas Heldret, ele poderia ter evitado algo. Tentei argumentar com ele, pois pensar nos “e se…” não levaria ninguém a lugar algum. O passado não pode ser mudado.

Edward também argumentou, falando sobre os verdadeiros culpados. O peso da liderança, que eu mal comecei a sentir, recaía dolorosamente sobre os ombros de Ezequias. Fatalmente, ele dizia, a culpa seria atribuída a ele. Em sua ausência, pequenos relatos chegaram sobre coisas estranhas por toda a cidade. Ele acreditava que poderia ter feito algo se estivesse ali.

Só venceríamos, de verdade, quando a Tormenta fosse destruída. Precisávamos encontrar a tal ferramenta-artefato. No entanto, ainda havia muito o que fazer na cidade antes de voltarmos às Minas. Sugeri que iniciássemos o mais rápido possível um plano de contingência, para a reconstrução de Yuvalin.

Nisso, eis que Peter Vahrim entra pela porta da sala de Ezequias. Eu tomei um susto, obviamente. Era a última pessoa que eu esperava ver naquele momento e situação. Mas foi ele a quem nosso chefe recorreu para designar funções para nós. Conhecendo o “Senhor P.”, achei melhor me manter focada em fazer carinho na Noah e não olhar tanto para ele.

Iríamos ajudar em diversos setores antes do funeral coletivo e do memorial em homenagem às vítimas. Peter me designou para ir até o Templo de Lena, a deusa criança, Deusa da Vida, para cuidar dos feridos. Edward, Kroll, Toshinori e Trovão da Tormenta foram para o setor de redução de danos, para encontrar sobreviventes nos escombros. Stefan e Joseph iriam para o setor de psicologia para animar aqueles que estavam sofrendo.

Só na cabeça do Peter, em uma situação delicada como essa, delegar uma função tão absurda ao Stefan. A função em si não era absurda, o Stefan sim. Ràthania ajudaria com ilusões, mas, ainda assim, não fazia o menor sentido. Joseph fez uma cara de nojo e ninguém poderia tirar a razão dele. Esperava, com toda sinceridade, que Stefan não piorasse tudo.

Yuvalin parecia um verdadeiro cenário de guerra

Cheguei ao Templo e, rapidamente, uma clériga me abordou me perguntando se eu era curandeira. Fiz que sim com a cabeça e ela me direcionou para um galpão lotado. Muita gente ferida física e, principalmente, emocionalmente. Comecei a andar pelos corredores e a conversar com algumas pessoas. Olhava nos olhos delas para checar o quanto elas precisavam de ajuda. Levei Noah para brincar com algumas crianças, tentando fazer com que houvesse mais esperança naquele cenário de guerra.

Ao cuidar de uma pessoa, percebia que outras pessoas ao redor se sentiam melhor. Vi que fazia a diferença ali. Conseguia inspirar os feridos e outros curandeiros a cuidar uns dos outros. Apesar de ainda encontrar muitas pessoas bem machucadas, mentalmente, as pessoas pareciam mais dispostas e menos tristes.

Ao final do dia de muito trabalho, Ezequias nos convocou de volta à Guilda. Ele nos informou sobre o funeral coletivo no dia seguinte pela manhã, no Parque Normandia. Também pediu que Edward e eu levássemos palavras de consolo ao povo. Prontamente, me coloquei à disposição.

Ele tinha, ainda, uma notícia bem ruim para nos passar e isso se mostrou claramente quando ele tirou os óculos e seus olhos vermelhos demonstraram cansaço. O segundo andar das Minas Heldret foi completamente explodido. Provavelmente, aquele a quem a jovem havia nos pedido para encontrar, que Ezequias expulsou da Guilda, deve ter ficado com remorso. Eu achava que Toshinori tinha explodido todas as bombas, mas não foi o caso.

O chefe nos agradeceu mais uma vez e nos dispensou até o dia seguinte. Me despedi de todos e saí acompanhada da Noah. Dei uma volta pela cidade para ver como tudo estava e, claro, fui procurar pelo Goro. Precisava saber se ele estava vivo. Passei tanto tempo cuidando de todos, que ele estava em meus pensamentos, mas não pude ir vê-lo antes.

De longe, vi que a oficina não existia mais. Eu gelei. Foi como se tivessem me dado um soco no peito. Meus joelhos já ameaçavam fraquejar quando avistei uma silhueta ajoelhada diante do antigo prédio da Kanpeki. Consegui identificar que era Goro, com seus cabelos longos e presos em um rabo de cavalo, todo machucado e com as roupas rasgadas. Ele estava fazendo preces a Lin-Wu, em total reverência.

Eu me aproximei, me mantive em silêncio e em estado de reverência também. Em apoio. Ele se assustou um pouco com a aproximação de alguém, mas, quando notou que era eu, ele começou a chorar e voltou ao que estava fazendo. Apenas sussurrou que o seu mestre não havia sobrevivido.

Imediatamente, as lágrimas também me vieram aos olhos e tentei consolá-lo com um abraço. Ele me disse que levaria o caixão de seu mestre no funeral e me perguntou se eu estaria lá. Também não quis que eu tratasse de suas feridas, ele só queria ficar sozinho e até meu abraço, ao me despedir, não foi tão bem recebido. Enquanto eu o deixava ali, fazendo suas preces, meu coração doía. Fui, então, em direção ao Distrito do Carvão, observando e ajudando como podia quem eu encontrava pelo caminho.

Lágrimas de dor e de impotência

O dia foi longo e doloroso. Precisava renovar minhas forças e, assim como fiz diante de Lin-Wu momentos antes, agora, estava diante da minha deusa, Allihanna, suplicando que houvesse descanso para corpo e alma. Não só meu, mas de todos aqueles que sofriam naquele momento. Por sua graça, adormeci.

De manhã, uma procissão se encaminhava para o Distrito da Forja. Enquanto eu andava até o Parque Normandia, começou a chover novamente. Dessa vez, pelo menos, era só chuva. Nesse momento, todos concordamos silenciosamente que aqueles que se foram não voltariam mais.

O Parque estava lotado, muito mais que quando houve o discurso de Ezequias. Parecia ter tanto tempo desde aquele episódio. Era impensável que estaríamos naquela situação agora. Rostos machucados, gente rica e gente pobre… todos estavam ali. Reconheci algumas figuras e a grande união de toda a cidade.

Ezequias discursou sobre o palco. Suas palavras eram sobre amor, sobre o luto que é o amor que perdura. Também falou sobre vingança contra a Tempestade Rubra.

Enquanto fazia seu discurso, soldados entraram carregando caixões, quase que a perder de vista. Eles e outros cidadãos levavam os caixões para a forja, o coração de Yuvalin. Havia um grande coral para homenagear os mortos naquele momento organizado por Joseph. Eles cantaram logo após o discurso de Ezequias e antes que ele me chamasse para falar.

Era minha vez de consolar o que era inconsolável.


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Épico e aquático – Duelo vermelho

Muita coisa em jogo agora. Os Desafiantes de Yuvalin precisam defender a cidade da tempestade rubra.


O papel de Joseph no combate era vital. Alaúde contra violino. Ele já começou desafiando o bardo da Tormenta ao contar detalhes sobre seu envolvimento com Micalatéia, a irmã de Hermanoteu. Joseph revelou diante de todos ter engravidado a moça e desaparecido em seguida. Imagino que ela não deve ter sido a única.

Hermanoteu teria se desesperado ao perder a irmã, que morreu no parto do filho de Joseph, mas disse ter encontrado em Aharadak uma nova chance. Ele se tornou um sacerdote do Deus da Tormenta. A coisa só piorava.

Hermanoteu

Eles começaram a duelar e Joseph fez um solo bem mais interessante. Tentei começar consagrando nossa área para que eu pudesse colaborar, mas com todos aqueles olhos (símbolo sagrado de Aharadak) marcados nas peles, roupas e em pingentes, a magia de Allihanna se desfez instantaneamente. A natureza pura da minha deusa não poderia estar em um ambiente tão corrompido.

Mal tive tempo para reagir e comecei a sentir a chuva de sangue causando estragos na minha pele. Além disso, os cultistas começaram a avançar sobre mim e aqueles gritos me enlouqueciam. Um dos corrompidos degolou um refém na minha frente e foi uma cena tão terrível que eu me senti um lixo completo no meio daquele combate.

Kroll estava furioso e, com o machado, dilacerou uns cinco. Toshinori se juntou a mim e a sua aura sagrada e suas palavras animadoras nos deixou mais dispostos a resistir à corrupção da Tormenta. O que quer que Stefan tenha feito também deu certo e Edward gritou palavras de incentivo para nós e para os reféns, como uma torcida, e de intimidação contra os asseclas. O Trovão da Tormenta puxou suas espadas em chamas e dilacerou outros corrompidos. Quase saía faísca do violino, mas Joseph continuava tocando poderosamente seu alaúde.

Eu continuei sendo inútil para a equipe e para a cidade. Como me envergonho do meu papel nessa batalha!

Enquanto tentava desviar dos cultistas, puxei algumas raízes e galhos da praça para tentar segurá-los, mas isso não foi o suficiente para que toda aquela turba avançasse e outros cidadãos não fossem degolados na minha frente.

Eu estava tonta, não via nada direito. Kroll, Toshinori e Trovão continuavam arrasando os cultistas ao nosso redor e Stefan subiu em um telhado, atirando e matando mais alguns. Edward berrava ordens contra os inimigos.

Eu estava desesperada. Não sabia mais o que fazer. Finalmente, ergui minhas mãos e magia fluiu de mim sobre os mortos-vivos na área e os matei. Matei bem matado. Eles não voltaram mais. Finalmente, fiz algo útil.

Além de matar novamente os mortos-vivos, ainda, curei meus amigos que estavam feridos naquele banho de sangue e corrupção. Os cultistas não apenas nos machucavam com suas carapaças e garras, mas também tentavam nos enlouquecer com seus gritos, com aquela aparência absurda e matando os cidadãos de Yuvalin na nossa frente para nos intimidar ainda mais.

Os meninos continuavam batendo e apanhando, já sem muitas forças, mas permaneciam bravamente contra os corrompidos ao nosso redor. Enquanto isso, a música era praticamente ensurdecedora e Joseph parecia fazer sua melhor apresentação. Ele brilhava! E seu alaúde também emitia uma luz. Era visível que Hermanoteu já começava a sucumbir diante da atuação do nosso bardo.

Isso chamou a minha atenção por tempo demais, porque, logo depois, falhei novamente tentando conjurar uma magia que não funcionou. Parecia que os mortos-vivos sobressalentes iam morrer de novo, no entanto, minha magia de consagração não conseguiu se sustentar. Eles, então, continuaram, mesmo se arrastando no chão, tentando me atacar.

Parecia até que Allihanna queria me abandonar depois de eu tentar canalizar magia com tantos símbolos de Aharadak por perto. O que me salvou foi Trovão. Ele conseguiu falar com as plantas e elas se enroscaram nos símbolos e os esconderam ou arrancaram. Assim, finalmente, toquei o chão e ele emanou um brilho, consagrando a nossa área e matando alguns mortos-vivos.

Toshinori me ajudou nesse momento, me incentivando a continuar porque estava funcionando finalmente. Stefan também tentou ajudar – ACREDITE – mas ele estava muito longe e os gritos ferozes dos nossos inimigos e a música me impediram de ouvir.

Foi então que Joseph conseguiu! Ele começou a tocar uma melodia e as notas ganharam forma física e machucaram bastante Hermanoteu, que caiu fraco demais para reagir. Se arrastando em direção ao nosso bardo, o tal sacerdote de Aharadak foi abandonado por seu deus e não aguentou dizer mais do que 10 palavras. E morreu.

Os asseclas ficaram desesperados e começaram a correr como formigas quando chega a chuva. Os meninos não deixaram, obviamente. De repente, o palco se desfez. A chuva de sangue também parou e o tempo abriu. Então, começamos a analisar os estragos.

Era avassalador ver quantas pessoas mortas ao nosso redor. Tanta gente foi afetada na cidade. Nós andávamos e eu chorava. Encontramos Cassia próxima ao corpo de Cassandra e, quando ela nos viu, começou a convulsionar. Imediatamente, corremos Joseph e eu ao encontro dela e ajudamos a aplacar suas convulsões com técnica e magia. Quando ela parou de tremer, de seus olhos vertiam lágrimas.

Assim como ela, toda a cidade cantava uma canção em uníssono: o choro.


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Até breve!

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Épico e aquático – Invasão vermelha

Algo de errado não está certo em Yuvalin e, agora, Helga e os Desafiantes de Yuvalin precisam lidar com um inimigo extremamente poderoso: a Tempestade Rubra.


É doloroso pensar no quanto a Tormenta é capaz de destruir sonhos e a vida em Arton. Mais do que nunca, combatê-la é uma questão de honra, de amor ao próximo e a si mesmo.

Foi como se os sonhos acabassem todos de uma vez, lavados pela chuva de céu vermelho. Chuva de sangue. Tormenta.

Os animais não estavam normais, o Distrito do Carvão estava mais silencioso que o normal e, conforme eu entrava mais na cidade, tudo estava profundamente silencioso, ninguém nas ruas. Isso não era Yuvalin. Foi quando o primeiro trovão soou no céu. Uma luz amarela deu lugar a um céu vermelho. Em seguida, veio a chuva. Ácida. Ferrosa. Sangue.

E, então, Yuvalin se tornou um caos completo.

Comecei a ouvir gritos e risos de desespero. O que era silêncio, se tornou uma cacofonia trágica. Apesar de o Distrito do Carvão ser mais calmo, eu sabia que, quanto mais próximo à forja central, mais intensa deveria estar a chuva rubra e, é claro, o caos.

Mergulhei no canal e entrei na cidade. A água parecia um filtro para aquele céu vermelho. Lembrei-me das histórias que Goro contou sobre a chegada da Tormenta em Tamu-ra e fui tentar encontrar um abrigo na cidade. O primeiro lugar que eu pensei em ir, é claro, foi a Kanpeki.

As lojas ainda estavam fechadas e eu vi o desespero, muita gente correndo e gritando. Uma senhora se jogou no rio como quem quer se afogar, gritando sobre como era lindo: “Oh Aharadak!”. Sim, o deus da Tormenta. Ela, claramente, estava se corrompendo e eu, num ato de desespero, puxei minha maleta de medicamentos e tentei fazer algo, mas era inútil. Ela já estava corrompida e nenhuma solução mundana transformaria aquele quadro.

Levantei a cabeça e senti o cheiro mais forte. Vi pessoas corrompidas, com carapaças, desfiguradas. Todas gritavam e corriam e arrastavam outras pessoas para um lado da cidade. Os olhos humanos têm muita dificuldade até de aguentar uma visão como essa.

Saí do rio e fui procurar a equipe na Guilda dos Mineradores. Nas proximidades, muitos desses seres corrompidos estavam em uma grande balbúrdia. Um deles se aproximou de mim e de Stefan, que já estava lá também procurando pela equipe. O ser montava um lobo e era difícil aguentar olhar para ele por muito tempo. Ruivo, braços vermelhos, mas ele parecia ser diferente dos outros.

Ele disse que queria acabar logo com a Tormenta. Stefan e eu conversamos com ele. Eu ainda estava confusa, perguntei suas intenções, mas nem conseguimos falar muito, pois um bando de corrompidos partiu para cima de nós. Me protegi, pois sabia que meus ataques seriam inúteis, no entanto, Stefan e o ser corrompido montado no lobo, com sua espada flamejante, lutaram contra o bando. Ele estava do nosso lado, então. Usei magia para tentar nos proteger no meio de toda aquela bagunça.

Era difícil, porque a chuva estava ficando mais forte e densa e já começava a afetar nossos corpos, menos o tal lefou montado no lobo. Trovão da Tormenta, como ele se autointitulou.

Enquanto enfrentávamos os cultistas de Aharadak, um guarda de Yuvalin, Fletcher, nos avisou para irmos à praça. As ordens eram de todos os aventureiros irem para lá, no Distrito da Bigorna. Stefan me olhou, perguntando se iríamos para a tal praça, e eu concordei, dizendo que se era onde estavam as pessoas que precisavam de ajuda, sim, deveríamos ir para lá. Lutávamos andando pelo caminho, pois não podíamos parar e muitos cultistas estavam nos atacando.

Pela bondade dos deuses, ao virar uma esquina, encontramos os demais Desafiantes de Yuvalin. Estávamos todos ali reunidos no meio daquela bagunça. Óbvio que eles estranharam nosso novo colega. Kroll já estava preparado para atacar, mas estacou quando Stefan confirmou que o Trovão estava ao nosso lado. Precisei confirmar, porque o Stefan nem sempre é confiável.

De repente, do alto de uma árvore um cultista se jogou para cima de mim com uma adaga. Só que ele foi interrompido ainda no ar e atirado e arrastado no chão por uma mancha branca e cinzenta. Era um lobo que o atacou e arrancou partes do seu corpo para me defender. Mas não era um lobo qualquer, era a Noah. Ela me encontrou e me defendeu.

Noah, minha nova companheira

Não pude esconder meu alívio e alegria em ser encontrada por ela. Comecei a fazer carinho em sua cabeça, ela sorria e arfava, se espreguiçou perto de mim, pediu mais carinho e abanou o rabo. Conversei um pouco com ela, rapidamente. Disse que a protegeria com a minha vida e ela também me protegeria. Mas precisávamos continuar o caminho.

Falei com o pessoal que deveríamos ir até a tal praça para ajudar as pessoas que estavam a caminho. Enquanto todos confirmávamos que realmente faríamos isso, Stefan foi até àquela placa que dizia apontar para o que se queria ver, ela estava a poucos metros de onde nos encontramos.

Quando a seta parou, houve um clarão e vimos uma silhueta, uma silhueta grávida com uma adaga nas mãos. Era Cassandra, a mulher do Drrrun, e ela gritava “Oh grande Aharadak! Muito obrigada!”. Ela enfiou a adaga na própria barriga e arrancou seu bebê. Em seguida, se jogou do alto onde estava.

Foi uma cena aterradora! Eu me desesperei e acho que a equipe toda. Queria curá-la, mas estava muito longe. Corremos para encontrá-la, e o bebê, e a vimos morta, estatelada no chão. A Noah cheirou e lambeu o bebê e ouvi uma tosse bem baixinha. Ela ficava olhando para o bebê e para mim para que eu fizesse algo.

Joseph chegou para me ajudar, pegou o bebê e eu identifiquei que ela só não respirava. Fiz uma prece a Allihanna e minhas mãos brilharam sobre o bebê. Imediatamente ele começou a chorar e eu chorei junto, emocionada e aliviada. Uma anã viu a cena e veio nos ajudar, levando o bebê para dentro de uma casa, enquanto os moradores daquela área apenas nos incentivavam: “Vão, Desafiantes! Vinguem-nos!”

Olhei ao redor para ver se a equipe estava toda reunida. Stefan estava afastado, analisando o local do incidente da Cassandra. Com gritos, um homem tentava proteger a própria família, gritando para que não chegássemos perto nem deles e nem de Cassandra. Então, partimos para a praça.

Quanto mais nos aproximávamos da praça, mais alto ouvíamos gritos em uníssono de um idioma muito antigo, de louvor: “Seja engrandecido, ó grande Aharadak!”. Tudo parecia um grande funeral, com música e os gritos.

A praça estava lotada. Muitas pessoas pareciam estar lá por vontade própria, mas outras estavam sob ameaça. Mais à frente, em um grandioso palco feito de matéria vermelha, estava um homem, tocando violino.

A praça

Ele emitia fumaça, sua pele era meio aberta. É até difícil descrever. Ele gritou nos desejando boas-vindas e exaltando Aharadak. Apontou para Joseph e, imediatamente, ele foi arrastado em direção ao palco, com uma pressão muito forte que todos nós pudemos sentir.

Muitos cultistas avançaram para cima do restante de nós. Pude observar em alguns deles características que se assemelhavam muito a de pessoas que eu conhecia. Percebi, depois de alguns segundos, que aquele grupo de aventureiros que desapareceu dias atrás e que não fomos procurar, eles haviam sucumbido à Tormenta. Inclusive o tal minotauro, de quem eu nunca gostei muito.

Estávamos cercados pelos asseclas da Tormenta e, enquanto isso, ainda precisávamos combater o ex-cunhado de Joseph, que estava no palco: Hermanoteu.


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Até breve!

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Épico e aquático – Dragão branco

Finalmente, nossos heróis parecem ter tomado uma boa decisão: sair das minas. Se apaixone por esse capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Honra e amor se misturaram ao caos e tristeza depois que decidimos retornar para a cidade, deixando o segundo andar das Minas Heldret.

Antes de sairmos, tentei estabilizar o paladino que tinha explodido a última bomba. Me aproximei e toquei em sua fronte suja por baixo dos cabelos azulados chamuscados e senti a magia fluindo de mim para ele. Mas eu mesma já estava muito esgotada. Precisávamos retornar o mais breve possível.

Entramos num consenso de que era a melhor coisa, realmente, sair das minas. Stefan, ainda, quis ir ver sozinho se uma das portas que não conseguimos abrir já estava aberta. Ele sabe ser bem insuportável. Impressionante!

Subimos o elevador e paramos no primeiro andar, procurando por Noah, a loba. Comecei a cantar para tentar chamar sua atenção, mas ela não estava lá. Voltamos para o elevador, subimos e retornamos para Yuvalin. Eu precisava de um banho.

Entrando pelos portões da cidade, encontramos aquele menino que tive um encontro uma vez, aquele que disse querer se tornar um aventureiro também um dia, junto comigo. Ele disse que se tornaria um grande arremessador de pedras, e demonstrou isso diante de nós. Promissor!

Os meninos se divertiram com ele, tentando arremessar pedras também. Ele me perguntou se havia melhorado desde nosso último encontro. Era visível que nem tanto, mas o incentivei a continuar.

Depois de vários banhos de sangue, eu precisava relaxar. Fui para o rio e me senti em paz. Enquanto andava pela cidade, e próxima ao rio, continuei cantando para tentar encontrar Noah. Não tive sucesso, infelizmente. Então, decidi prosseguir com meus planos para a noite.

Cheguei à Kanpeki quando Goro já estava fechando a loja. Ao me ver machucada, ele me pediu para entrar e começou a cuidar das minhas feridas com bálsamos. Começamos a conversar sobre a vida dos aventureiros e ele disse que se preocupava muito comigo. Ai que lindo!

Claro que ele corrigiu depois, dizendo que se preocupava com todos nós, mas deu para perceber os olhinhos rasgados dele brilhando ao falar que não queria me deixar ir enfrentar tantos perigos, que me queria por perto. Meu coração deu uma leve acelerada nesse momento.

Com as feições tristes, ele disse que me levaria ao Distrito do Carvão, para que eu pudesse descansar. Imagino que ele estivesse imaginando que nosso encontro seria breve. Mas dei mais uma oportunidade a nós dois, jogando no ar que não tinha jantado ainda. Ele se iluminou com a possibilidade de passarmos mais tempo juntos e me chamou para comer yakisoba.

Ouvi-lo contar suas histórias era tão maravilhoso. Não me cansava de escutar sua voz. Às vezes, ele fingia esquecer uma palavra em valkar só para que a conversa se estendesse e ter mais tempo comigo. Jamais reclamaria disso. Estar com ele naquele momento era tão perfeito, ainda que estivéssemos em pé em uma barraquinha de yakisoba, depois de tudo o que aconteceu naquele dia.

Goro me acompanhou até o Distrito do Carvão, onde eu costumava dormir. Meu coração mal cabia no meu peito e eu já começava a ter arrepios no baixo-ventre. Um pouco sem jeito e cheia de vergonha, agradeci o jantar e desejei encontrá-lo ainda naquela semana.

Dei um beijo nele. Na bochecha. Parecia muito difícil dar um passo a mais nessa nossa história. Não sabia se devia continuar a tentar algo, mesmo com vergonha, ou se apenas deveria deixar acontecer (ou não acontecer).

Ele me segurou nos seus braços. É difícil descrever o que eu senti, imaginando o que poderia acontecer a seguir. No entanto, apenas me disse que ficaria feliz em me ver no dia seguinte, se possível. E beijou a minha mão.

Antes que ele se virasse para ir embora, não sei o que me deu, mas tomei algum tipo de atitude misteriosa. Quando dei por mim, já estávamos abraçados nos beijando. Um beijo envolvente e sincero, aguardado por várias luas, como se no mundo inteiro só existíssemos nós e nada mais.

Quando nossos lábios se separaram, ele estava mais vermelho que a tormenta, mas disse docemente que só teve uma mulher antes de mim e que ela não se comparava a mim. Eu fiquei, simplesmente, sem palavras. Era impossível dizer qualquer coisa depois do que finalmente aconteceu: um beijo.

O beijo. Aquele que eu esperava desde o dia que nos conhecemos na Kanpeki. À medida que nos conhecíamos melhor nas últimas semanas, eu fui me encantando mais por ele e esse beijo simbolizou o encontro entre dois corações que, mesmo tão diferentes, compartilhavam um mesmo sentimento.

Helga e Goro

Tudo o que consegui dizer foi que esperava vê-lo no dia seguinte e ele respondeu dizendo que o amanhã seria o dia mais esperado por ele. E, dessa vez, ele me puxou contra o seu corpo forte, nossos lábios se encontraram mais uma vez, mas de uma forma mais feroz e intensa.

Suas mãos deslizavam sobre minhas costas e alisavam meu corpo. Segurei firmemente seus cabelos com uma das mãos e não queria deixá-lo mais sair dali, nunca mais. Mas ele precisava ir e, por isso, nos afastamos um pouco, sem ar.

Ele sorriu para mim e, daquele jeito sem jeito que eu queria ver o resto da minha vida, ele se despediu. Enquanto se distanciava, pude ver ele fazendo alguns gestos de comemoração. Eu ri, com uma mistura de sentimentos envolvendo carinho, ternura, paixão e esperança. Eu estava nas nuvens.

Dormir seria quase impossível com toda aquela emoção aflorando. Fiquei alguns minutos deitada sobre a relva, ao lado da árvore onde costumava sempre ficar, mas dessa vez, quis observar as estrelas. Fui respirando fundo até me acalmar. Agradecia a Allihanna e a Lin-Wu por nos permitirem viver algo tão lindo como o que vivemos instantes antes.

De repente, senti um cheiro diferente. Um cheiro ferroso. Era totalmente diferente dos cheiros que eu estava acostumada. Parecia cheiro de sangue. Com o tempo, acabei pegando no sono. Mas, quando acordei, entendi do que se tratava. Os animais estavam estranhos, a cidade também. Até ouvir um trovão e a chuva começar. A tempestade rubra havia chegado a Yuvalin.


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Até breve!

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Épico e aquático – Isso aqui é bomba

Apesar de o dia ser de Oceano, o que nossos amigos enfrentaram foi fogo. Confira mais uma etapa da jornada dos Desafiantes de Yuvalin nas Minas Heldret.


Pedimos que o Stefan fosse à frente do grupo na sequência da exploração do segundo andar das Minas Heldret. Ele estava bem cauteloso, mas explodiu uma bomba, fazendo as paredes balançarem.

O inventor e Toshinori avançaram e o restante de nós ficou um pouco para trás, apenas para que futuras explosões não atingissem a todos no vácuo do corredor. Apenas ouvimos e sentimos mais uma explosão alguns minutos depois de iniciar o trajeto outra vez.

Quando Stefan passou por mim no corredor voltando, só pensei: POR QUÊ?. Ele veio todo chamuscado e com algumas partes do corpo em carne viva. Apesar de ele dizer que tudo estava bem, fiz uma prece a Allihanna e, com as minhas mãos, toquei de leve sobre seus ombros.

Imediatamente, raios de luz emanaram de minhas mãos e notei seus ferimentos se fechando, mesmo que ele continuasse bem sujo e com as roupas em farrapos. Daí, ele simplesmente voltou à dianteira do grupo, avisando sobre uma porta e recomendando que Toshinori ou Edward abrissem.

E dessa vez, foi o paladino quem explodiu uma bomba no outro corredor, de frente para a tal porta. E, como se não bastasse, ele voltou para o meu lado e explodiu outra bomba. Me machucou consideravelmente e me deixou com raiva, obviamente. Com muita cara de pau, ele pediu que eu o curasse por magia, o que eu não quis fazer só de raiva. Mesmo ele me entregando uma essência de mana.

Que bom que com os próprios bálsamos restauradores ele, Kroll e Stefan cuidam dos seus ferimentos. Curiosamente, Stefan estava feliz e gritando a plenos pulmões que as tartarugas iriam salvar Arton. Ele é bem maluco e insuportável, mas, desde que a gente encontrou Rudigger, o Profeta que anuncia o fim, não conseguia não concordar com ele. Só não entendia o porquê de ele estar gritando aquilo ali, no meio da mina.

Corredor de bombas

Edward abriu a porta e uma luz e um calor muito fortes avançaram pelo corredor. Todos nós nos queimamos com o que deveria ser uma bola de fogo vinda da sala. Invoquei um poder que me fortaleceu e algo como escamas cobriram minha pele naquele momento e não tomei dano algum. No entanto, notei que a equipe estava bem machucada.

Pelo menos, Stefan não ficou doidão dessa vez. Aliás, os olhos dele começaram a ficar com aquela expressão esquisita, mas rapidamente ele piscou algumas vezes e ficou o que a gente chamaria de normal.

Entendemos, então, que começaríamos uma batalha com o que quer que estivesse naquela sala cuja porta Edward abriu. Eu era a penúltima da fila em um corredor que só passava um por vez. Só conseguia ver Toshinori e Stefan, no cotovelo do corredor que eu estava, e Joseph estava logo atrás de mim. Mas o barulho que ouvi era, definitivamente, de batalha.

Olhei meio desesperada para Joseph, suplicando para que ele fizesse algo, como nos inspirar com seu alaúde. Ele entendeu o recado e a melodia começou a abafar os clangores da luta. Mas, aparentemente, a coisa estava bem feia lá na frente para o Edward.

Me embrenhei pelo corredor e fui parar ao lado de Stefan. Edward estava ao lado dele e a porta em seguida. Pude ver alguém ameaçando o nobre, mas não me demorei muito, porque vi Stefan caindo e o segurei nos braços, conjurando uma magia para reanimá-lo. Ele despertou novamente, mesmo caído, vendo as luzes que emanaram das minhas mãos sobre ele.

Vi que Toshinori passou pelo corredor também e entrou na sala. Continuei ouvindo os sons da batalha, mas sem ver claramente a movimentação da equipe e dos inimigos. Uma luz azulada permeou toda a área do corredor. Imaginei que fosse a aura de Toshinori e fiquei um pouco menos aflita com tudo o que estava rolando. Só um pouco mesmo.

Eu mal via Kroll no outro corredor, mas percebi que ele estava com muita vontade de eliminar os inimigos. Seu machado praticamente brilhava e emanava frio. O bárbaro não perdia uma oportunidade de machucar o mercenário perto da porta.

Toshinori emite sua aura azulada

Toshinori parecia estar em apuros. Vi um mercenário levantar a espada sobre ele e, como reação, conjurei um escudo de proteção sobre ele, bloqueando os efeitos do golpe. Aos meus pés, Stefan apontou sua arma para um dos inimigos dentro da sala e atirou. Depois que os efeitos do barulho passaram, notei que ele acertou alguém e não era um dos nossos, finalmente.

Apesar de não ver muito bem, ouvi, como que em pensamentos, Toshinori gritando por cura. Ele estava a 6 metros de distância. Assim, os raios de luzes contendo a magia de cura concedida por Allihanna dançaram no ar e o alcançaram. Imediatamente, ele agiu bem rápido sobre um inimigo que ficou no chão gritando.

O Kroll entrou na sala gritando. Ele queria acabar com o mago que conjurou a bola de fogo, mas parece que ele havia fugido. Esbravejando de raiva, o bárbaro urrou e derrubou mais um mercenário. Acho que foi fulminante.

Joseph continuou nos ajudando com a música, o que incentivou bastante todo mundo. Exceto quando o mago reapareceu e lançou outra bola de fogo. Dessa vez, não me atingiu, mas machucou bem todo mundo. A música parou e o mercenário que estava na porta ficou bem tostado, já era para ele.

Quando vi, Stefan não estava mais ao meu lado, ele havia entrado na sala também. Não pude me preocupar com isso quando Joseph estava no chão muito machucado. Me abaixei e coloquei minhas mãos sobre seu peito. Saiu uma energia das minhas mãos e ele tornou a abrir os olhos.

Lá dentro da sala, os meninos pareciam estar se divertindo contra o mago mercenário. O crocodilo estraçalhou o mago com seus dentes bem afiados. Com o ambiente mais tranquilo, sem mais inimigos, Joseph e eu entramos na sala e começamos a observar que, visivelmente, estavam nos esperando.

Para minha surpresa, vi o bardo repetindo os gestos que faço quando Allihanna me presenteia com sua magia de cura e algumas das feridas dele se curaram. Bem na minha frente. Interessante.

Encontramos 600 tibares, que partilhamos entre o grupo, e uma essência de mana, que Ed deixou comigo. Joseph puxou uma alavanca e meu coração deu um salto, mas nada aconteceu. A não ser, é claro, quando o Toshinori simplesmente saiu andando e ativou uma última bomba no corredor. Inacreditável!


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Épico e aquático – As expedições viraram casos de família – Parte 2

Essa família é muito unida… mas também tem sérios problemas. Confira o embate interno dos Desafiantes de Yuvalin no segundo andar das Minas Heldret.


Sabe aquela briga de família em que todo mundo fala tanta besteira que, no final, você não lembra nem mais o motivo da briga? No caso, a gente sabia o motivo de começar. Mas, mesmo assim.

O Stefan sabe ser bem insuportável. Mas sua postura é extremamente intrigante. Ou ele sofre de psicopatia (o que eu não duvido), ou há alguma peça na história dele que ainda não se encaixou muito bem.

Provavelmente, Nimb. O Deus do Caos.

Representação do símbolo de Nimb

Quando ele está notavelmente bem (ou quando Nimb não quer só brincar com ele), eu sei que ele pode ser muito útil e que vai estar lá para planejar estratégias e atirar no momento certo, ajudando o grupo.

Inclusive, Toshinori já começou a falar na nossa pequena reunião de família sobre o inventor abandonar sua devoção a Nimb, pois aquilo só havia trazido escuridão para Stefan e para as pessoas ao redor. Ele também passaria a não considerar mais Stefan como aliado e, se ele não abrisse mão de sua devoção, deveria abrir mão de viver em equipe.

Kroll não viu qualquer motivo para duvidar de Stefan, mas o coitado do Joseph… sempre foi o que mais sofreu nas mãos do kliren. Para o bardo, o inventor não deveria nem sair de casa, que dirá estar com os Desafiantes de Yuvalin.

Eu mesma lembrei a todos sobre o que havia ocorrido no dia anterior, em que o joguei contra a parede e perguntei sobre qual era a dele. Mais uma vez fiz a pergunta a Stefan.

Nesse instante, Ràthania pegou um dos anões inimigos mortos pelos cabelos e disse que deveríamos ser gratos ao seu “pudinzinho” porque ele fazia um excelente trabalho – quando lúcido, o que o grupo reforçou rapidamente. Isso aflorou os ânimos mais uma vez e, com muito trato, pedi para que todos se acalmassem mais uma vez e deixei que Stefan começasse sua própria defesa.

Ele começou com um papo muito louco de uma visão que teve quando foi atacado por aquele soco de Arsenal, dizendo que teve um encontro com alguma entidade maravilhosa e que, ali, entregou sua sanidade. ESQUISITO.

Teceu inúmeros elogios ao bardo e disse que ajudaria Joseph a iniciar seu jornal em breve – imediatamente o bardo arregalou os olhos no que parecia, até mesmo, felicidade. Também tentou justificar suas ações à sorte e ao azar, lembrando todos nós sobre suas diversas atitudes que contribuíram para o sucesso de toda a equipe com sorte. Mas que o azar poderia ficar sob controle. Eu só não conseguia entender como.

Entre argumentos e contra-argumentos, Stefan tentou sair pela tangente. Pedi que encerrássemos logo aquela discussão com um posicionamento simples dele em relação à equipe. Como aventureira, prometi que nunca mais deixaria alguém para trás, mas, naquele momento, precisava de uma decisão. Iniciamos uma discussão sem sentido, apenas ele e eu, com o inventor falando de suas capacidades e eu pedindo apenas que ele se posicionasse.

Reunião de família

Como se não bastasse tudo isso, ele sacou a pistola. Stefan apontou para a própria cabeça e começou a descarregar a pistola, tentou atirar e não teve efeito algum. Vendo isso, Ezequias interviu.

Acreditando em Stefan mais do que qualquer um naquela sala – exceto a Ràthania, é claro -, Ezequias sugeriu que, para continuar na equipe, o inventor andasse sempre com suas armas descarregadas. Assim, nos preocuparíamos bem menos.

O pessoal voltou a uma discussão descabida e Ezequias propôs encerrarmos apenas perguntando se ainda considerávamos os Desafiantes de Yuvalin ainda um grupo e se cada um se considerava um membro da equipe.

Enfim, com a decisão de andar com a arma descarregada, Stefan continuou na equipe e continuamos nossa jornada pelo segundo andar das Minas Heldret. Mas antes de partirmos, recolhemos espólios e curamos nossos ferimentos.

Para nos ferirmos mais de novo.

O crocodilo arrombou uma porta e Ed avançou por um corredor. Eu só ouvi o barulho de uma bomba explodindo e uma luz muito forte bem na minha frente. Imaginei que ele devia estar em apuros. Todos nós estávamos, na verdade.

Então, decidimos que o inventor ia na frente para caso tivéssemos mais armadilhas pela frente. Ele desarmaria todas ou… 


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Épico e aquático – As expedições viraram casos de família – Parte 1

De volta às Minas Heldret, os Desafiantes de Yuvalin têm muito trabalho pela frente, mas têm mais desafios do que emboscadas e batalhas.


Nas Minas Heldret, descemos até o segundo andar. Foi quando finalmente lembrei que não tinha resgatado Noah no dia anterior. Meu coração doeu o mesmo tanto que fui ficando sem ar à medida que descia no elevador.

Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta, sem nenhuma cerimônia. Imediatamente ouvimos e sentimos uma explosão próxima. Parecia que toda a mina ruiria naquele instante e uma pedra rolou e caiu sobre Stefan, mas, aparentemente, sem causar dano. Menos mal, porque não estava com muita vontade de curar o maluco de cara outra vez.

Entramos pela porta em uma sala onde ocorreu uma explosão. Corpos chamuscados, caixas quebradas e fogo nos fizeram recuar para um canto da sala. Continuamos avançando e nos deparamos com outros anões pouco amistosos. Além disso, para variar, Stefan – que sempre sabe ser bem insuportável – começou a balbuciar palavras ininteligíveis.

Toshinori avançou para a sala seguinte e eu só ouvi os gritos dos anões contra ele e dele contra os anões. Fiz uma prece a Allihanna que me concedeu sua graça. Toquei o chão e um brilho roxo emanou, consagrando toda aquela área.

Vi Toshinori sofrendo nas mãos dos anões e decidi cantar para tentar atrair, quem sabe, a atenção de algum ratinho que chamaria a Noah lá fora. As pessoas pararam para me olhar… chamei a atenção e até os anões pararam de bater por um instante com seus machados.

Kroll e Edward entraram na briga com os anões na outra sala também. Como Stefan já estava doidão e arranhando a armadura de Edward com a adaga dele, o nobre avançou depois de derrubar o inventor e gritar que ele era um bobão. Não acho que Stefan tenha entendido porque continuou balbuciando.

Inesperadamente, Joseph acordou de um transe que o acometeu desde que Stefan atirou nele. Isso me assustou por um instante, já que eu estava cuidando dele desde o episódio. Ele se colocou entre o inventor e eu (não sei se era uma boa ideia) e começou a tocar e nos inspirar. Nisso, Stefan, deitado e maluco, ficou cantando junto com a Ràthania, para completar o circo.

Em formação de batalha

Entrei na sala, desviando dos meninos, e evoquei uma magia de curar ferimentos sobre Toshinori, que estava caído e sangrando. Raios roxos saíram das minhas mãos e atravessaram a sala na direção do paladino e pude ver suas feridas estancarem. Assim, ele começou a respirar mais tranquilamente. E eu continuei cantarolando para encontrar a Noah.

Kroll e os anões entraram num embate enquanto eu cantava, então, eu tomei um banho de sangue. Logo em seguida, Edward também gritou para que todos agíssemos porque, certamente, ganharíamos dos anões.

Toshinori se levantou outra vez e me deu mais um banho de sangue, quando matou o anão que estava bem na minha frente.

Ouvi uma música na outra sala, que fascinou o anão que ainda estava vivo, mas logo ela parou e ouvi gritos do Joseph, pois ele se queimou nas chamas da explosão. Assim, o anão piscou algumas vezes e voltou ao normal, olhando furiosamente para o Kroll.

Antes que os anões continuassem seus ataques, fiz mais uma prece a Allihanna a favor do crocodilo e luzes saíram das minhas mãos e fecharam as feridas do Kroll. Eles gritavam e machadavam uns aos outros.

Enquanto Toshinori tentava derrubar um dos anões de um lado, o bardo, mais uma vez, tocou seu alaúde e aquela melodia chamou a atenção dos nossos inimigos, que pararam de gritar e ficaram completamente fascinados.

De repente, ouvi um tiro. A última vez que tinha visto Stefan, ele estava doidão. Daí já imaginei que tudo tinha dado errado outra vez. Qual não foi minha surpresa quando ele acertou bem na cabeça de um dos anões, que caiu morto na minha frente.

O susto foi realmente grande, mas quando vi que era o anão que estava morto e não um membro da equipe, senti um alívio. Assim, consegui passar pelos anões fascinados e atravessar a sala para curar Toshinori outra vez. Senti a magia saindo do meu corpo e curando as feridas do paladino. Aos poucos, sentia minhas forças indo junto com minhas tentativas de cura da equipe.

Só queria que Allihanna continuasse a meu favor e que os meninos conseguissem dar conta logo dos anões.

Pelo que pude observar daquele canto da sala, Toshinori matou um dos anões que ele queria deixar vivo e mais um tiro cortou a música do bardo. Ouvir mais um tiro me deixou desesperada e eu gritei para que o anão ficasse parado e quieto, para que pudéssemos acabar com aquilo e eu tentasse entender o que estava acontecendo.

O anão esbugalhou os olhos, olhando para mim, como que pasmo. Acho que o bárbaro percebeu isso porque, quando vi que tinha dado certo, já estava toda suja de sangue e de pedaços dos órgãos internos do anão. Kroll acabou com o último.

Respirei fundo. Finalmente, apesar do ar pesado das minas. Ezequias estava arrasado, não era necessário haver tantas mortes. Ele olhava para cada um dos anões e para nós com um ar triste, apesar de conseguirmos ver pouco dos olhos vermelhos.

Quando começamos nossa lavação de roupa suja

Percebi que Stefan tinha voltado ao que seria mais ou menos normal quando ele falou sobre a Guilda dos Mineradores estar cheia de inimigos e ser necessário, sim, avançar contra eles, pois ele não costumava vacilar contra quem se mostrava inimigo. Os demais rapidamente passaram àquela discussão boba de que, se até contra os amigos ele não vacilava, que dirá contra os inimigos. Eu só observei, concordando, mas sem dizer palavra.

Edward se voltou para o grupo e disse que, a partir do momento em que o Stefan o atacou com a adaga no início ainda da nossa batalha, o nobre não considerava mais o inventor como um aliado. Aquilo me assustou, apesar de eu ter imaginado que em algum momento isso aconteceria.

Tentei apaziguar os ânimos, porque estávamos todos bem alterados por causa da batalha anterior. Pedi que ele reconsiderasse e que todos se manifestassem. Não defendi o Stefan, mas acreditava que todos deveriam ponderar, inclusive após ouvir o próprio inventor maluco.

CONTINUA…


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