Épico e aquático – A culpa é toda do inventor – Parte 2

O Stefan sabe ser bem insuportável! Parece que aconteceu tudo de novo e a Helga, sereia druida dos Desafiantes de Yuvalin, tem é coisa para contar dessa história.


Tentei acalmar o lobo que estava rosnando para Edward e entrei na sala, vendo que eram dois lobos e outro mercenário que estavam nos esperando. O Kroll simplesmente me distraiu quando atacou o lobo, quase bati no bárbaro que machucou o bichinho. Nisso, o outro lobo tentou me morder e me puxou para o chão. Só ouvi o Edward mandando o lobo ficar quietinho e o mercenário acertou a espada contra minha armadura de couro.

Pelo menos, dessa vez fechamos as portas da saleta e largamos o Stefan lá dentro da saleta. Dessa vez, seríamos atacados apenas pelo inimigo. O que aconteceu bem rápido sobre mim, mesmo caída, com um golpe covarde, o mercenário me atacou com uma espada longa. E o outro lobo também tentou me puxar, mas não conseguiu.

Com muita dificuldade, consegui me levantar e encantar o mercenário com magia. O olhar dele ficou vago e as suas expressões se suavizaram. Sua espada ainda estava apontada para mim, mas ele só me ouviu dizer “pare”.

Foi quando recebi outro banho de sangue, dessa vez vindo do último lobo que tentou me atacar. Kroll desceu o machado sobre ele e ele se entregou a Allihanna e isso me deixou estarrecida. Mesmo com o outro lobo tentando morder minha perna.

Edward gritou com o mercenário, chamando ele de esquisito. Ele acordou reclamando que não era esquisito. Toshinori também bateu no lobinho perto de mim e meu coração doeu quando ele chorou. Por isso, comecei a conversar com o lobo para que ele ficasse calmo e não me matasse. O lobo me atendeu e ficou um pouco mais dócil comigo, aceitou meu carinho, mas rosnou um pouco para o Edward. Ele tentou desarmar o mercenário e não conseguiu, então o cara me acertou mais uma vez de raspão.

Ezequias conseguiu limpar um dos meus ferimentos e eu tomei uma essência de mana, sentindo força fluindo através de mim. Nisso, Toshinori empalou o nosso inimigo e tentamos apenas acalmar o lobo, que sentiu a ausência do seu dono imediatamente. Ele tomou o animal no colo e o abraçou. O lobo se debatia, mas nós dois nos entendemos em poucas frases. Ele seria um excelente parceiro.

Ouvimos o som de um tiro na outra sala e imaginamos que o Stefan estivesse em apuros. Os meninos abriram a porta e chamaram para que eu ajudasse com ele. Fiquei um tempo em dúvida sobre o que deveria fazer: acalmar o lobo ou ajudar o Stefan. Decidi cuidar do lobo, afinal, ajudar o Stefan de novo?

O momento em que ouvimos o tiro

Minha atenção estava no lobo, então, só ouvi mais um tiro quando o Kroll abriu a porta. Aparentemente, o bárbaro e Edward estavam tentando acertar o Stefan. Não julgo. Eu faria o mesmo. E fiz.

Quando vi que o lobo estava sob controle com Toshinori e, até mesmo, amigável em relação a ele, pois o paladino curou uma de suas feridas, me juntei aos outros para dar algum tipo de solução à situação do louco. Mas não tive muito sucesso. No desespero tentar fazer algo eficiente, fiz algo totalmente ineficiente. Puxei o bordão das costas e acertei apenas o chão, entre as pernas do Stefan.

Aparentemente, o doido acordou do seu transe quando eu fiz isso. Ele olhou para mim, checou se o mosquete estava carregado e voltou a olhar para mim e perguntou se havia feito algo absurdo outra vez. Eu respondi o óbvio, inclusive com minhas feições, provavelmente, enfurecidas. Já não sabíamos mais o que fazer com ele.

Ao longe, eu só ouvia o choro do lobinho, o que fez meu coração ficar muito miúdo. Quase chorei junto. Sabia que ele estava lamentando a perda do seu humano. Não tive tempo de acudir, porque ainda estava tentando resolver os problemas com Stefan.

Edward e Kroll queriam acabar com Stefan e levantaram-no e colocaram-no contra a parede. Até Ezequias sugeriu que, da próxima vez, Kroll arrancasse a cabeça do louco. Não concordei, mas entendo a fúria da equipe. O inventor lefou pegou uma adaga entre as coisas do mercenário morto e lançou em direção ao Stefan, para que ele fosse menos letal, caso acontecesse tudo outra vez.

Os ânimos estavam muito excedidos. Não é para menos. Ele abusa demais da sorte – ou azar – que ele tem. Diante disso, resolvi retornar ao lobo para conversar e acalmar. Toshinori me viu toda machucada e suja de sangue enquanto eu me aproximava do lobo e começou a cuidar dos meus ferimentos, me dizendo que chamou o lobo, que na verdade é uma fêmea, de Noah. Uma homenagem que fez meu coração ficar mais quentinho.

Até o Stefan resolveu ajudar, me oferecendo uma essência de mana. INACREDITÁVEL. Isso me permitiu fazer uma prece a Allihanna em favor da Noah, que não parava de chorar e lamber seu humano morto. Decidi deixá-la viver seu momento de luto, depois que curei seus ferimentos, para conferir se o grupo, apesar dos pesares, estava bem.

Toshinori convocou todos para avançar. Com Stefan tomando a dianteira. Nunca se sabe o que vai acontecer à frente. Que ele seja o primeiro, então.


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Até breve!

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Épico e aquático – A culpa é toda do inventor – Parte 1

Os Desafiantes de Yuvalin estão dentro da mina anã para encontrar os anões desaparecidos. Stroka está com eles e, agora, eles começam a explorar o primeiro andar. Vamos conferir mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris.


Descendo naquele elevador, sem parar, comecei a ficar um pouco nervosa, um pouco claustrofóbica. Acendi o lampião, pois as luzes das tochas eram fracas na escuridão da caverna e começamos a andar pelo primeiro corredor, parando diante de uma porta.

Stefan nos informou que não havia armadilhas no caminho e chamou nossa atenção para pegadas recentes no chão. Toshinori forçou a entrada da porta, fazendo muito barulho. Quando ele conseguiu abrir, já ouvi sons de gritos e armas e perfuração de corpos – possivelmente o Toshinori acertou alguém.

Observei que haviam anões no final do corredor, do outro lado de onde estávamos. Edward e Kroll começaram a se posicionar em direção a eles. De repente, só vi o Stefan tentando ir até os anões também, mas com aquele olhar que era um prenúncio de problemas.

Toshinori também percebeu, fechou a porta e retornou, para acudir a equipe. Consagrei o espaço com magia e me posicionei para tentar ajudar a controlar o Stefan. Não sei o que deu na cabeça do bardo, mas ele se aproximou do louco, enquanto Edward se juntou ao Kroll contra os anões, mais afastados.

Os machados dos anões estavam bem precisos contra os dois, mas eles também não deixavam por menos. Toshinori desarmou Stefan e eu tentei colocar o inventor para dormir, mas ele louco é bem pior do que eu pensava.

Joseph começou a tocar uma música que atraiu a atenção dos anões e do Stefan, pelo menos isso. Eles ficaram, por um momento, paralisados e não reagiram. Um dos anões que ignorou o bardo começou a fugir, mas Ed e Kroll foram mais rápidos. Segui os meninos para poder ajudar, já que percebi que o crocodilo já começava e perder muito sangue. Com uma prece a Allihanna, curei Kroll.

Senti que o elevador começava a se mover vagarosamente. Um dos anões ativou a alavanca bem na hora que eu segui os meninos elevador a dentro. Foi só o tempo para que passássemos fora do elevador e já encontrássemos mais companhia.

Gritei para o anão dentro do elevador para que ele saísse também, assim, alguém poderia bater nele. Ele só se dignou a responder que não era pago para apanhar e só o vi subindo com o elevador depois disso.

Aquela má companhia que avistamos veio até mim com uma espada que bateu no teto baixo e não me acertou. Mas o companheiro dele conseguiu me acertar na lateral do meu tronco e doeu bastante. Comecei a sangrar e Ed já tentou arrancar a espada daquele imbecil que me acertou. A partir daquele momento, não tinha mais noção completa do que estava acontecendo ao meu redor. Só ouvia gritos e barulhos de armas.

O primeiro corredor da morte

O crocodilo ficou enfurecido e rasgou as costas daquele mercenário que me acertou. Eu estava flanqueada e tonta, mas tentei convencê-lo a ficar parado para que o Kroll conseguisse bater nele com calma. O outro mercenário me viu saindo da direção e veio atrás de mim e me acertou no braço.

Não sei o que o bardo fez e vi uma luz muito forte e, logo depois, ouvi um tiro. Stefan atirou no Joseph outra vez. O anão que estava entre mim e Joseph e a Ràthania ficaram felizes com a ação do inventor. Ezequias ficou desesperado.

Enquanto isso, Kroll e Toshinori me banharam com sangue dos inimigos. Menos dois na batalha. Vendo a cena em que Joseph se encontrava, fiz mais uma prece a Allihanna e o curei. Fiquei esperando que Ezequias me auxiliasse naquele momento, mas só o ouvi seguindo Joseph pra longe de mim e ativando uma engenhoca para cuidar do Stefan.

Isso foi quando tomei outro susto: Stefan atirou de novo contra a parede ao lado do Toshinori. Ele me ajudou e voltei a respirar mais tranquila, quando reparei que não haviam mais inimigos ao redor. Apenas Stefan e Ràthania acordando do transe. E Joseph não quis mais sair de perto de mim o resto do dia.

Eu simplesmente ignorei todo mundo e tudo ao meu redor, puxei o bordão preso nas costas, empurrei o Stefan contra a parede, olhei em seus olhos e fiz um longo sermão questionando o kliren sobre qual seriam as intenções dele no grupo, já que era a segunda vez que víamos a mesma cena em combate.

Juro que prometi a mim mesma que não deixaria ninguém para trás, mas o Stefan sabe ser bem insuportável. Fiquei esperando uma resposta plausível dele enquanto ainda o segurava com força contra a parede. Ele guardou o mosquete e revelou estar sob efeito de um pacto com ninguém mais, ninguém menos que Nimb o deus do caos. Já sabia, mas fiquei esperando o restante da história.

Fez um discurso sobre sorte, azar, caos e poder. Coisas que não faziam muito sentido. Edward, Toshinori e Ezequias também tentaram argumentar contra as escolhas de Stefan. E ele mudou de assunto. É impressionante do que esse cara é capaz! Ele queria continuar a missão sem dar uma resposta minimamente satisfatória ao grupo.

Ràthania, ainda, tentou defender o namorado, o que fez com que Ezequias me olhasse, como que procurando por respostas. Eu só revirei os olhos. Trazendo o grupo à consciência, Ezequias confirmou que realmente tínhamos uma missão ali nas minas e que deveríamos prosseguir. Guardei, então, o bordão outra vez nas costas e, chegando bem próximo do Stefan, outra vez disse que aquilo teria volta.

Finalmente, o inventor resolveu dar uma resposta razoável, dignando-se a dizer que queria provar ao grupo sua confiança. Eu só pedi que ele fosse rápido com isso e que não atrapalhasse mais o grupo. Era o mínimo, não é? Pena que a nossa sorte durou tão pouco.

Toshinori pediu para que Stefan começasse sua tarefa de provar seu valor para prender o elevador de volta ao nosso andar. E nem para isso ele serviu. Enquanto isso, o restante de nós procurava por espólios. Encontrei uma poção de metamorfose e ganhei 30 tibares.

Toshinori sugeriu trancar as outras portas do corredor enquanto seguiríamos pelo caminho que ele abriu. Entramos em uma sala passando por sobre um corpo, provavelmente o que ele acertou. Stefan, pelo menos, descobriu que não tinham armadilhas na porta do outro lado e seguimos adiante.

A sala do baú

Na outra sala, minúscula, os meninos decidiram abrir um baú. Stefan estava investigando o baú, mas Toshinori se adiantou e bateu com o bico de corvo no cadeado – que já estava aberto. Lá dentro, haviam papéis bem velhos e tentamos decidir quem puxaria o primeiro papel, mas Stefan foi à frente e começou a analisar os desenhos e escritos.

Toshinori não achou que devíamos perder tempo com aquilo e Edward abriu a próxima porta e caiu em uma armadilha que Stefan não viu. Talvez, porque ele estivesse prestes a ficar doidão outra vez, balbuciando palavras confusas. Ninguém merece!


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Até breve!

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Épico e aquático – Nossos dias de folga – Parte 2

Helga Iris, a sereia druida, partiu em uma aventura pessoal para descobrir mais sobre si mesma. E você acompanha o desenrolar dessa história neste post.


O Rio Villent é um velho conhecido. Meu local de nascimento, onde vivi boas e não tão boas histórias. Dei um mergulho profundo e senti ainda mais força e determinação em conquistar meus objetivos.

Zakharov. Rio Villent: Descendo a leste de Rhond

Qual não foi minha surpresa ao encontrar nadando por ali meu amigo Rei Joss. Ele estranhou eu estar por ali e eu expliquei que procurava pela minha história, minha origem, para me tornar uma líder e uma aventureira melhor. Quando ele soube que eu fui escolhida como líder dos Desafiantes de Yuvalin, ele disse que reconhecia em mim o perfil de liderança e que se sentia muito orgulhoso por isso.

Pedi alguns conselhos, pois, para mim, ele é um grande líder para nossa raça, e recebi vários, inclusive para continuar ao lado de Ezequias Heldret, pois Joss o conheceu. Apesar de parecer meio maluco, ele dizia que Ezequias tinha visão e um espírito bom e sincero de liderança. Depois de um tempo, já em terra, caminhando e conversando, nos despedimos, pois ele tinha assuntos a resolver ali no rio e eu precisava continuar minha jornada.

Precisei fazer algumas acrobacias para conseguir achar o local onde fui deixada por minha mãe biológica e encontrada por Silena. Uma espécie de gruta, com apenas uma entrada de luz no alto. Havia muitos animais e fui recebida por um grupo de castores que me levaram ao seu ancião, que soube imediatamente se tratar de Zéfiro.

O castor já tinha pelos grisalhos e estava cego, mas me recebeu como alguém da família, quando mencionei ser a criança encontrada à beira do rio. Ele falou que sempre foi um grande amigo tanto de Silena como de minha mãe biológica, que também era druida. Ela costumava contar histórias para ele e também sobre meu pai, que era um guerreiro muito belo e honesto.

Realmente, meus pais biológicos se apaixonaram de forma arrebatadora e isso era proibido, uma vez que minha mãe era casada com o rei tritão do clã. Meu pai biológico precisou ir embora antes de saber que minha mãe estava grávida e ela, sabendo que seria morta quando descoberta, me escondeu para que eu sobrevivesse.

Com muita dificuldade, Zéfiro se lembrou de um nome, o nome do meu pai: Sir Starkey, cavaleiro de Hongari. Mal sei descrever como me senti grata por receber aquelas informações do castor tão amigo da minha mãe. Com grande emoção iniciei minhas palavras de gratidão e perguntei se poderia fazer algo por eles e Zéfiro apenas me pediu que não contasse sobre aquele refúgio que estávamos a ninguém. Ele disse que viu em mim o mesmo espírito amoroso e especial que minha mãe tinha e me despediu feliz, com um abano de rabo.

Difícil descrever todas as sensações que percorriam meu corpo no retorno para Rhond, para reencontrar Edward e Toshinori. Eu estava eufórica com todas as informações. Já havia descoberto tantas coisas sobre mim nessa viagem e, ainda, existia uma possibilidade de encontrar meu pai.

Foi difícil até explicar para Ed as respostas que recebi. Primeiro, porque tomei um susto quando vi os dois imundos, isso depois de eles terem lutado um contra o outro em uma arena. Depois, por toda a emoção que eu sentia. Fui, ainda, mais faladeira no retorno para Yuvalin.

Conduzindo a carroça, aproveitei para perguntar se Edward conheceu ou ouviu falar de Sir Starkey. Ele disse não ter conhecido, mas que, talvez, seu pai conhecesse e se disponibilizou para escrever para ele pedindo informações. Mais uma vez, impossível descrever minha gratidão e ansiedade para que o retorno desta carta viesse.

Edward me alertou sobre o que aconteceu com Hongari e que, se meu pai tivesse sobrevivido, provavelmente estaria refugiado em algum lugar. Além disso, que ele deveria estar servindo a algum nobre na região naquela época. Mas eu estava confiante.

Onde ficava Hongari

Aproveitei minha passada em Rhond também para encontrar um presente especial para Goro. Por tudo o que ele fez por mim – e pela equipe, é claro -, eu precisava recompensá-lo de alguma forma. Vi uma lojinha de artesanato, com produtos de Tamu-ra. Era o que eu precisava.

Depois do nosso encontro que não foi um encontro (óbvio), em que ouvi sua história e me encantei mais ainda por ele… quer dizer, por sua trajetória de vida, achei um item que, eu esperava, seria uma forma de demonstrar meu carinho. Era um incensário com detalhes em preto, branco e vermelho e um desenho bem bonito de um dragão.

Combinamos de nos encontrar na taverna Foice e Martelo, junto com os Desafiantes, para um saquê e uma noite divertida entre amigos. Antes de ele chegar já estávamos quase todos reunidos, brindando com outros moradores da cidade e conversando sobre nosso tempo de folga.

Joseph me contou que resolveu abrir um jornal e que estava fazendo uma campanha para colocá-lo em funcionamento. E nós, Edward, Toshinori e eu, comentamos sobre a nossa jornada e descobertas. E Kroll passou seus dias de folga treinando e fez um amigo. Só quem não estava ali era Stefan, esse era um momento de muita tranquilidade, na verdade.

Eis que surge aquela maga, aliada de Zelin, que nos atacou com a bola de fogo. Todos nos agitamos e avançamos para cima dela, mas, antes que conseguíssemos, uma magia se desfez e ela não era a maga, mas outra mulher, que se apresentou como Ràthania. Logo depois, apareceu a razão de ela estar ali: Stefan.

Ele chegou tentando apaziguar a confusão – acredite se quiser – argumentando que eles queriam descobrir uma nova habilidade de ilusão. Ela chamou o Stefan de “amor” e ele a chamou de “momorada”, com um beijinho de esquimó. Eu achei aquilo impossível. Se tinha como piorar, conseguiu. Toshinori me ofereceu uma bebida mais forte, eu precisava disso.

Para não dizer que foi um infortúnio completo, dava para perceber que o Stefan estava sofrendo com a quantidade de loucura nesse relacionamento. Estranhamente, isso me encheu de certo prazer. Decidi ser melhor amiga da Ràthania, seria divertido.

Stefan e Ràthania

Do nada, as portas da taverna se abriram e entrou um minotauro muito grande que parou diante da nossa mesa e gritou “DESAFIAAANTES”, já apontando os chifres. Eu simplesmente tentei sair da reta dele, mas ele agradeceu. Bateu com a cabeça na mesa e disse que nós salvamos a fazenda de seu pai, olhos cheios de lágrimas. Assustada estava, assustada continuei.

Ele nos desafiou para um torneio de vira-caneco, que eu declinei, preferindo me manter apenas com hidromel, enquanto aguardava Goro chegar. Eles já começavam a passar vergonha e eu já deixei avisado que não curaria ninguém naquela noite. Foi um vexame e tanto para os que participaram, mas Kroll pareceu se manter intacto.

Toshinori já procurou uma parceira e, quando eu ameacei sair da mesa para procurar pelo Goro, ele entrou na taverna e me arrebatou. Sentou ao meu lado e começamos a conversar sobre nossos últimos dias animadamente. Apesar de perceber os olhos de estranhamento do restante da equipe por ver o Goro ao meu lado e tão à vontade conversando, nada mais atraiu minha atenção na noite além da conversa com meu convidado.

Depois de um tempo conversando com ele, me confidenciou que não saí dos pensamentos dele. Éramos os rostos vermelhos como a Tormenta. Ele me perguntou pelo presente quando mencionei a loja de Rhond. Entreguei, então, a caixinha preta com detalhes dracônicos e tamuranianos. Ele agradeceu na língua natal e pegou na minha mão, dizendo que gostaria de sair mais vezes comigo. Ele se virou para Toshinori que tinha voltado desanimado e abatido para a mesa e falou palavras de sabedoria para ele que também fizeram meu rosto ruborizar.

Goro me acompanha até o Distrito do Carvão, como o cavalheiro que ele é. Encantada, eu dei um beijinho na bochecha dele na despedida e, pronto, éramos quase a própria Tempestade Rubra. Ele pareceu feliz e sorridente e eu, é claro, estava radiante. Sabe-se lá quando nos veremos de novo, pois há muito trabalho agora com Ezequias, mas mal posso esperar pelo próximo encontro.


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Até breve!

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Épico e aquático – Nossos dias de folga – Parte 1

Muitas emoções mexeram com a vida da sereia druida, Helga Iris, e os Desafiantes de Yuvalin. Agora, eles podem fazer uma pausa e seguir alguns objetivos individuais. Confira mais um capítulo do diário da Helga.


Depois de toda essa loucura que foi o julgamento, merecíamos uns dias de folga. Ezequias nos recompensou pelo trabalho e todo o esforço empregado e eu aproveitei para resolver algumas pendências.

Agora que o grupo me escolheu como líder, precisava encontrar um jeito de aprender mais sobre o assunto ou descobrir mais sobre mim mesma e como isso me ajudaria a ser uma líder melhor. Então, eu decidi procurar pelo Rei Joss. Mas não o encontrei no rio próximo a Yuvalin.

Decidi, então, retornar ao Rio Villent, onde fui encontrada quando bebê. Mas, antes de partir, precisava resolver algumas questões. Para começar, precisava encontrar Goro, não sei bem o porquê, mas precisava agradecer pelo empenho dele em nos ajudar.

Ao entrar na Kanpeki, ele parou tudo para falar comigo, com seu lindo sorriso. Agradeci por tudo o que ele fez por mim e pelo grupo e ele, educadamente, disse que não poderia recusar uma missão tão honrada. Aproveitei para avisar que passaria uns dias fora da cidade e ele, simplesmente, me convidou para tomar um saquê à noite. Veja só! Acho que eu corei só com essa ideia.

Segundo ele, não era um encontro, mas para mim era, querendo ele ou não. Combinamos de nos encontrar na Pombo de Ouro e eu, ainda, prometi trazer um presente para ele.

Goro Okazaki

Saí meio tonta da Kanpeki com a possibilidade de me encontrar com o Goro fora das missões. Tão atordoada que esbarrei, sem ver, no Toshinori e no Edward. Eles olharam para mim já felizes, porque tinham uma missão para mim: eles queriam que eu os conduzisse até Rhond, em uma carroça. Aparentemente, eu era a única que sabia conduzir uma carroça. Mas, ok.

Aceitei, já que eu estava indo naquela direção mesmo. Partiríamos no dia seguinte. Viajar junto com Edward seria uma oportunidade de perguntar sobre meu pai: um cavaleiro. Vai que ele o conheceu?!

Depois desse encontrão, segui para a Pombo de Ouro, porque a curiosidade falou mais alto. Naquela manhã, eu passei pelo estábulo próximo e vi um corcel negro muito familiar. Deduzi que aquele fosse Filipe e, se ele estava ali, Zora também poderia estar. E o local mais indicado para ela estar seria a Pombo de Ouro, com certeza.

Dito e feito! A chef Rizzelena me recebeu e logo chamou por Zora, nova estagiária da Pombo de Ouro. A moreau raposa não havia mudado muito, continuava séria. Conversamos um pouco sobre os últimos acontecimentos de Yuvalin e meu papel na história, também sobre a chegada dela à cidade.

Zora West

Como ela precisava voltar ao trabalho, pedi um hidromel apenas para me preparar para meu encontro com Goro, até ele chegar. Ele estava lindo, não consigo explicar. Conversamos sobre nossa vida, nossos planos. Não preciso dizer a quantidade de vezes que, tanto eu como ele ficamos mais vermelhos que a tempestade rubra.

Ele, muito solícito e honrado, me levou até onde costumo dormir, fora da cidade. Ele se despediu com muita educação e retornou. E eu fui dormir, sonhando.

No dia seguinte, partimos para o leste e eu aproveitei para perguntar ao Ed se ele conheceu algum cavaleiro que teria ido para os lados de Villent na época que eu teria nascido. Ele não tinha muitas informações para passar além do que eu já sabia. Então, esperava descobrir algo próximo ao rio e repassar a ele, para caso tivesse novas informações.

A viagem foi tranquila, exceto por um momento que eu devo ter me distraído e ela quase perdeu o controle e quebrou. Mas Allihanna me ajudou e continuamos na estrada. Deixei-os em Rhond e segui para o Rio Villent.


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Épico e aquático – Os Desafiantes desafiam Yuvalin – Parte 2

Chegou a hora do julgamento que vai definir o futuro de Yuvalin e, consequentemente, dos Desafiantes.


Naquela manhã, nos encontramos na Guilda dos Mineradores. A área estava extremamente movimentada. Fomos recepcionados pela oficial Helena preocupada com esses aventureiros que defenderiam Ezequias. Então, nos apresentamos como esses aventureiros. Ela se assustou com isso e com o fato de acusarmos Rodford Vahrim não só de corrupção, mas de associação à Supremacia Purista.

A oficial argumentou justamente que a Guilda, comandada por Rodford, teria fornecido as armas a favor do Reinado e contra os puristas. Stefan tentou contra-argumentar com a ideia de infiltrados em Yuvalin e Joseph apresentou a carta com o selo da Guilda como prova. Mas ela parecia irredutível e o bardo nos contou, depois que ela saiu, que a oficial parecia saber mais do que queria nos contar ou que ela não queria se envolver no caso.

As testemunhas e a multidão que iria assistir ao julgamento começaram a se dirigir para o tribunal e nós fomos informados que o Ezequias já estava nos esperando. O juiz entrou no tribunal, o Conselho da Guilda também estava presente. Eram eles que deveríamos convencer com nossos argumentos.

O primeiro a falar foi Toshinori. Ele convidou Goro para ser testemunha, que contou sobre as cobranças extras que a Guilda sempre fazia e que, pela honra dele e de seu mestre, nunca se curvaram a isso, sendo importunados por bandidos, como os que enfrentamos em nossa missão na oficina. Ele e Toshinori falaram sobre a nossa honra e pediram por justiça.

A argumentação do Joseph foi profundamente emocional, dizendo que, em nossa última missão, a liderança da Guilda teria enviado puristas para nos matar e quase conseguiram ceifar a vida de Stefan, – dizia ele – um grande amigo. Apresentou como prova as cartas que encontramos com prisioneiros e na bota de Zelin.

O tribunal

Edward, imponente, se apresentou contando a razão pela qual estava em Yuvalin: veio quando soube que estavam tramando a morte de Ezequias. Ele não conhecia qualquer uma das testemunhas, mas, como nobre, ele atraiu a atenção do Conselho com seus argumentos. E, então, foi a minha vez.

Me dirigi ao centro do tribunal, diante do juiz e sobre o símbolo de Khalmyr, deus da justiça. Olhei para todos e fiz uma reverência. Me apresentei e disse estar com o coração apertado por todas as atrocidades que a Supremacia Purista tem feito no Reinado.

Minha testemunha foi ninguém mais e ninguém menos que o próprio Peter Vahrim, filho do acusado. Ele, melhor que qualquer outro, sabe o que é sofrer nas mãos de um purista dentro da própria casa. Afinal, até onde sabemos, o “Senhor P.” tem uma enorme facilidade em se apaixonar por não humanas.

Ao pedir que a testemunha falasse, argumentei sobre todo o mal que o Rodford pudesse ter feito contra o filho e – pasme – ele começou a chorar. Apenas por dizer que eu o via como uma pessoa que via seus sonhos se esvaírem por causa do pai.

Ele começou a falar sobre sua certeza de que o pai teria envolvimento com puristas e Rodford o interrompeu, brigando e gritando. Eu pedi silêncio e o juiz também pediu ordem, diante dos xingamentos que Rodford declarava sobre o próprio filho. Com muita tranquilidade, Peter se virou para o pai e disse que Rodford estava tão nervoso que parecia ter algo a esconder afinal.

Encerrei, assim, minha arguição, com muitos cochichos ouvidos por todo o salão e diversos olhares repulsivos para Rodford. E eu estava simplesmente aliviada. Exceto, é claro, porque logo depois de mim quem falaria era o Stefan. Então, um arrepio de medo passou pela minha nuca quando ele saiu do meu lado para se dirigir ao tribunal.

E ele já começou falando besteira, dizendo que Yuvalin forneceu armas para o exército purista durante as Guerras Artonianas. Meus olhos se arregalaram e eu comecei a fazer preces a Allihanna com mais fervor.

Ele também disse que as armas da cidade foram também para nos libertar da ameaça purista, mas já era tarde, Stefan já tinha falado besteira. Mas isso não foi o pior! Ele disse que a Supremacia Purista estava tentando se vingar de Yuvalin pelo fornecimento de armas para o Reinado. Além disso, para surpresa geral, argumentou que a própria mulher de capuz vermelho que teria nos atacado na viagem estava ali no tribunal, acompanhando tudo. O que foi um erro terrível, uma vez que quem estava no tribunal era a Cassandra, mulher do Drrrun e não aquela mulher. O Strefan sabe ser bem insuportável.

Como se não bastasse tudo isso, o Kroll não quis se levantar e fazer sua argumentação. Durante o recesso que o juiz declarou, até o Ezequias saiu de onde estava para vir tentar estimular o crocodilo. Mesmo assim, ele elogiou a todos que se dispuseram a falar, antes de voltar para a sala reservada.

Aproveitei para agradecer ao Goro a sua disponibilidade. Ele disse estar honrado em ajudar o nosso grupo e ter certeza e fé em Lin-Wu de que seríamos vitoriosos nessa jornada. Depois, o Joseph me pediu que eu ensaiasse com o Kroll suas falas para ele tentar falar no retorno do recesso. Enquanto isso, o bardo iria até à Pombo de Ouro, tentar convencer a chef Rizzelena a testemunhar também no tribunal.

Fui o mais didática possível com o Kroll. Toshinori – e até o Stefan – me ajudaram a ensaiar com ele para chamar o boticário Rafu para testemunhar. E, quando a sessão foi retomada, o crocodilo começou a falar sobre seu relacionamento com o Ezequias e chamou o Rafu.

O boticário atestou nossa honra e coragem, tocando seus tambores e com a fala cantante. Inclusive, disse que a cidade perderia muito se nós fôssemos expulsos. Mesmo assim, o Conselho não deu muito crédito à fala do Kroll.

Edward retornou para o centro do tribunal, argumentando que acredita que havia uma célula purista na região, uma vez que, desde que ele chegara a Yuvalin, enfrentou algumas situações contra puristas. Falou sobre sua honra como nobre e sobre os nossos prisioneiros que se identificaram como puristas. Isso gerou uma espécie de comoção no juri, até mesmo um cidadão gritou para que prendessem Rodford.

Fui chamada mais uma vez e tenho completa certeza de que não fui bem. Chamei Rizzelena para atestar a importância de haver pessoas de raças diferentes co-habitando em Yuvalin e o quanto era danoso ter puristas em nosso meio. Ela falou sobre o sofrimento do povo élfico com os puristas ser tão terrível quanto o que passaram no passado com o fim do seu reino. 

Após minha argumentação, o Conselho se reuniu para trazer o veredicto. Nesse intervalo, Toshinori saiu do tribunal e retornou com um discurso, a princípio, meio estranho. Ele elogiou a equipe – até o Stefan -, falando das habilidades de cada um que ele valorizava. E, então, o que eu temia aconteceu.

Toshinori continuou seu discurso dizendo que o grupo precisava de algo que o unisse, que o mantivesse de pé. Ele puxou de sua bolsa uma espécie de coroa de ramos, em formato de tridente, e colocou sobre a minha cabeça, falando que estava me tornando a líder dos Desafiantes de Yuvalin.

Tomei um susto tão grande. Cheguei a gaguejar argumentando que não havíamos conversado sobre isso, mas eles disseram que haviam, sim. Até o Ezequias concordou, mesmo não fazendo parte do grupo. Depois de muita insistência por parte do grupo, eu aceitei.

Ainda com o coração acelerado e a cabeça repassando milhões de pensamentos, precisei me acalmar para ouvir o veredicto, que o juiz trazia de volta à sessão. Impossível se acalmar! O último conselheiro a entrar entregou um documento ao juiz. Nesse instante, uma multidão entrou no tribunal, ansiosa para ouvir.

Silêncio absoluto.

O juiz sentenciou Rodford Vahrim a prisão perpétua pelos crimes como puristas e Ezequias foi inocentado de quaisquer acusações. A multidão foi à loucura: Rodford saindo arrastado para a prisão e soltando impropérios, o povo de Yuvalin gritava palavras de apoio aos Desafiantes de Yuvalin.

Pedindo silêncio, o juiz continuou dizendo que o Conselho decidiu colocar Ezequias Heldret como presidente da Guilda dos Mineradores. Depois disso, foi impossível se fazer silêncio no salão. Começou uma gritaria ensurdecedora e todo o povo se empurrava para fora do tribunal, gritando o nome de Ezequias.

A oficial Helena estava à espreita, na porta de sua sala, esperando para perguntar a nós se houve sucesso em nossa empreitada. O suspiro de alívio dela e, posteriormente, seu grito abafado dentro da sala, me fizeram entender que, de fato, obtivemos sucesso.

Fora da Guilda, o povo em polvorosa agitação, Ezequias iniciou um discurso sobre liberdade e sobre olhar para o futuro, olhar para o céu vermelho e combatê-lo com toda a nossa força: destruir a Tormenta. Retirou seus óculos pela primeira vez diante de todos, revelando olhos vermelhos. Ainda prometeu que Yuvalin seria uma grande produtora de aço rubi, apresentando uma pedrinha retirada das Minas Heldret, com a ajuda dos Desafiantes.

Yuvalin estava em festa. Éramos os aventureiros que conseguiram acabar com um esquema de corrupção na Guilda dos Mineradores. Bardos escreverão sobre nossas aventuras.


Alívio, é claro. Mas um frio na barriga por tudo o que pode acontecer daqui para frente, com certeza deve invadir os Desafiantes de Yuvalin.

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Os Desafiantes desafiam Yuvalin – Parte 1

O futuro de Yuvalin está nas mãos dos Desafiantes! E a sereia druida, Helga Iris, tem muito com o que se preocupar agora. Confira a primeira parte desse novo capítulo da aventura.


Talvez, fosse só um delírio coletivo. Mas o peso da liderança dos Desafiantes de Yuvalin começou a me afetar naquela noite. Nada de sono tranquilo, apenas um senso de responsabilidade, temor e um frio na barriga.

Uma coruja grande, com a penugem marrom-clara, estava no galho mais baixo da árvore onde costumo dormir, no distrito do carvão, em Yuvalin. Os olhos da coruja eram tão penetrantes, impossível desviar a atenção dela.

Então, ela falou comigo. Falou bastante, aliás. A própria deusa se materializou em meu sonho, se transformando na coruja, trazendo versos de sabedoria e iluminando minha mente para entender o que estava diante de mim. A natureza é sábia.

Algo dentro – e fora – de mim mudou. Eu estava diferente. Ao acordar, notei minhas escamas mais perceptíveis. Todos olhavam para mim, intrigados, e perguntando o que havia acontecido. Me limitei a dizer que havia sonhado com Allihanna. Ainda não me sentia preparada para dizer que aceitava o que havíamos conversado na noite anterior.

Stefan já acordou sendo insuportável, voltando à sua personalidade normal. Eu perguntei quem era o outro, porque achei mais são. Mas ele não se lembrava de nada depois que foi atingido por aquela mão gigante. Tudo o que ele lembrava era um sonho em que ele estava no meio de pessoas humanas, em uma sala, e um símbolo de um leopardo preto em algum lugar. Mas não conseguia distinguir nada.

Expliquei para ele nosso plano de voltar à Yuvalin com os prisioneiros e buscarmos possíveis testemunhas para um julgamento com Rodford como réu de corrupção, traição e posicionamento ao lado da Supremacia Purista.

Ezequias já estava com tudo pronto para partirmos no Ford. A viagem foi longa e um tanto desconfortável, apesar da boa música do Joseph, mas finalmente chegamos – fazendo barulho e atraindo a atenção de todo o povo.

Já paramos em frente à Guilda e tiramos os prisioneiros do carro. Ezequias esbravejava afrontando Rodford que apareceu a uma janela no segundo andar, pálido como uma vela. O professor acusou o presidente da Guilda a plenos pulmões, diante da cidade inteira, e o desafiou ao julgamento.

Professor Ezequias Heldret, sem os óculos, mostrando sua aparência lefou

O burburinho era muito audível, ninguém havia feito isso antes. Dentro da Guilda, acompanhando Ezequias, encontramos o juiz, cercado por guarda-costas-muros. O julgamento estava marcado para o dia seguinte e o professor parecia muito confiante, dizendo que nós éramos excelentes advogados. O juiz, já de cabelos brancos, nos analisou com o olhar e disse que deveríamos estar certos do que fazíamos, porque as consequências dos nossos atos nos custariam muito caro, como a expulsão da cidade.

Depois que o juiz saiu e o Ezequias respirou aliviado, nós colocamos Ezequias contra a parede para entender que história era aquela de expulsão. Ele inspirava confiança no nosso trabalho e, rapidamente, nos perguntou sobre as testemunhas. Enquanto isso, alguns de nós já estavam desesperados para ter dicas com Edward de como tentar convencer bem as pessoas em um tribunal, afinal, ele é um nobre.

Ezequias precisava ficar em uma sala da Guilda, enquanto corríamos atrás do tempo para convencer as testemunhas. Antes de sairmos, procuramos pela oficial Helena, mas, pelo horário, ela já tinha saído do trabalho. Stefan e Toshinori foram atrás do Galyx e também encontraram com o boticário Rafu. Enquanto isso, Joseph e Edward procuraram pelo Peter Vahrim, filho de Rodford. E Kroll e eu fomos à Kanpeki procurar pelo Goro Okazaki. Cheguei a sugerir que fôssemos até à oficina do Drrrun, mas Stefan não achou interessante.

Entrar na Kanpeki foi difícil. Mestre Muramune e Goro mantiveram o altar em homenagem ao Noah e isso me deu um nó na garganta. Depois de, rapidamente, respirar fundo, meus olhos se voltaram para o Goro e, no momento que o vi, em uma fração de segundo, parei de pensar e esqueci o que fui fazer lá na Kanpeki.

Goro Okazaki, o tamuraniano extremamente habilidoso, que fala com sotaque carregado e muito atencioso e prestativo

Com muita dificuldade, comecei a balbuciar a razão de eu estar ali. Que vergonha! Apresentei Kroll a Goro e ele, fatalmente, tomou um susto ao ver um outro jacaré andando comigo. Como em um estalo, desatei a falar, fazendo mais um pedido: para que ele testemunhasse. Ele disse se sentir honrado por fazer parte disso e elogiou os Desafiantes. Sem que eu pedisse, o próprio Goro convenceu o Mestre Muramune a testemunhar a nosso favor.

Eu corei, como na primeira vez que conversei com Goro, e agradeci, sem nem palavras para expressar minha gratidão. Ele fez um movimento de gratidão, no estilo dos tamuranianos, e nós imitamos. Bem, o Kroll tentou, mas ele quase bateu com a cabeça na mesa. Timidamente, me despedi do Goro e saímos da Kanpeki.

Como já estava tarde, saí da cidade e fui dormir. Precisava realmente descansar antes do julgamento. Seria um dia difícil e tudo poderia dar errado. Allihanna, me ajude!


Esse julgamento vai definir as coisas em Yuvalin. Não perca a segunda parte dessa história e veja como será o futuro dos Desafiantes de Yuvalin.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Informações preciosas

A batalha ainda não acabou. Helga Iris e seus companheiros têm um novo desafio desde que a rendição dos inimigos ficou incompleta.

Acompanhe o novo capítulo dessa história emocionante da sereia druida sobre os Desafiantes de Yuvalin.


Poderíamos fugir, mas não seria muito útil, com o clérigo e o soldado ali não mais rendidos – depois da ação absurda do Stefan.

Tentei chegar mais perto de nossos inimigos para usar magia e deixá-los paralisados, o que nos daria alguma vantagem. Mas o clérigo estava irredutível. E o soldado queria continuar atacando, só que, estranhamente, não conseguiu atacar Joseph.

Edward avançou feroz, assustando nossos oponentes, e Joseph começou a tocar o seu alaúde élfico, com pouco sucesso porque o clérigo de Arsenal lançou aquela mão mágica gigante outra vez em direção ao bardo, que foi lançado metros para trás. Pousei minhas mãos sobre sua cabeça e o curei, canalizando o poder de Allihanna.

Toshinori avançou para o soldado e o jogou no chão e Edward derrubou o clérigo, mas rapidamente ele se levantou e continuou a praguejar. Diante disso, conjurei uma proteção sobre Ed, uma espécie de armadura, para que ele pudesse investir sem que os nossos oponentes tivessem tanto poder sobre ele.

De trás de Edward, consegui ver o soldado acendendo uma bomba e jogando no chão. Ed, rapidamente, pegou e apagou, antes que mais fogo nos atingisse. Kroll, a distância, lançou sua adaga, que acertou o clérigo no espaço entre as partes da armadura.

O clérigo praguejou contra mim e tentou fazer novamente aquela magia, mas apesar de eu sentir uma enorme pressão sobre a minha cabeça com aquela mão translúcida, resisti. Qualquer dor foi convertida em prazer, quando vi o clérigo perdendo seu sorriso e percebendo que estava enfraquecendo diante dos Desafiantes de Yuvalin.

Kroll provocou a ira dos oponentes, errando sua machadada, mas ao ver seu estado crítico, invoquei magias de cura sobre ele. Como reação, depois de ver Toshinori e Edward derrubarem o soldado e o clérigo, o crocodilo investiu contra nossos inimigos, mas desistiu logo, ao ver as caras feias dos companheiros.

Toshinori amarrou o soldado e o clérigo, Ezequias nos elogiou e conseguiu levantar Stefan e trazer ele para perto de todos nós. O paladino ameaçou tanto Stefan quanto Kroll de atrapalharem o combate. Mas eu dei pouca atenção ao que estava acontecendo ao redor, porque estava horrorizada com o corpo de Zelin estendido e desfigurado no chão.

Fui despertada do meu transe quando Ezequias mandou amarrar Stefan também e me chamou para conversar sobre a condição estranha dele. O inventor não falava coisa com coisa, não se lembrava de nada. Comecei a cuidar dos ferimentos dele, com os itens de minha maleta, afinal, ninguém pode ficar para trás.

Já foi difícil demais perder Noah, mesmo que fosse O STEFAN, não aceitaria perder mais um do grupo. Ele estava diferente, me olhava diferente, parecia realmente outra pessoa. Esse era bem menos insuportável. Mas, ainda assim, eu sussurrava para mim mesma o que havia dito enquanto ele estava caído: isso vai ter volta.

Stefan, o inventor, mesmo sem memória, continuava com esse sorriso de quem está aprontando alguma coisa

Ezequias explicou para Stefan o que tinha acontecido e, seja lá quem fosse esse novo cara, decidiu apoiar o grupo, convencido pelos argumentos do professor. O lefou orientou, então, que desamarrássemos o Stefan e começássemos uma busca por provas contra os puristas.

Os prisioneiros também acordaram, mas, apesar de o soldado gritar impropérios, o clérigo estava quieto. Era hora de arrancar as informações daqueles puristas imundos. Como o soldado estava agitado, dividimos o grupo com Toshinori, Joseph e Kroll tratando com o soldado, enquanto o restante de nós tentou interrogar o clérigo.

Stefan encontrou uma carta assinada por Zelin, convocando aqueles capangas malditos. Nós tentamos intimidá-lo, mas ele se mostrava resistente e continuava a soltar impropérios sobre nós, mesmo com Stefan apontando uma arma para a cabeça do clérigo.

Finalmente, depois de Stefan jogar o corpo de Zelin sobre ele e Edward ameaçá-lo mais uma vez, cheio de palavras duras, ele começou a chorar e a falar. Ele disse que o Zelin o havia convocado para derrotar um nobre que estava atrapalhando os planos de alguém.

Ao chamar o outro grupo de volta, Ezequias deixou muito claro que o clérigo pegaria prisão perpétua e, se virou para o Kroll, dizendo que ele poderia executar o soldado. Kroll apenas ameaçou e o soldado já confessou que era Rodford quem estava por trás disso.

Então, voltaram a procurar por provas nas roupas de Zelin, encontrando uma carta no fundo falso da bota do purista morto. Carta assinada pelo presidente da Guilda dos Mineradores pedindo que Zelin o ajudasse a eliminar quem o atrapalhava a, como ele disse, “purificar a cidade”.

Ezequias explicou como seria quando voltássemos a Yuvalin, que haveria um julgamento. Então, eu apresentei um plano para todos descansarem para retornarmos fortes o bastante para o que nos esperava na cidade. Afinal, nossa missão ainda não havia terminado. Conversamos sobre quem aceitaria testemunhar contra Rodford e já combinamos que os encontraríamos para convencê-los.

Reparei que o novo e menos insuportável Stefan me observava fazendo os planos e ele logo me perguntou se eu era a líder do grupo. Bom, não deu nem tempo de conversarmos sobre o grupo possuir um líder. Mas, ao ouvir aquilo, todos os demais concordaram com a observação do kliren.

Obviamente, recomendei a todos que, primeiro houvesse o descanso e, depois de tudo aquilo, poderíamos conversar com mais clareza sobre uma possível liderança dos Desafiantes de Yuvalin.

Ezequias, Edward e Kroll haviam armado barracas e cada um de nós começou a se ajeitar para dormir. Eu tomei um banho e me deitei à margem do rio, olhando as estrelas, pensando em tudo o que havia acontecido e o que estava prestes a acontecer, caso esse delírio do inventor sobre a liderança do grupo não fosse apenas um delírio desse novo Stefan.


Tudo pode acontecer nessa noite e nos próximos dias, até a conclusão da missão – se ela for concluída. Por isso, não perca o próximo capítulo deste diário.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Dia de fogo

Ser um aventureiro é estar à beira da morte várias vezes a qualquer momento. E a Helga tem é história para contar neste post. Confira mais uma parte da aventura da sereia druida Helga Iris e dos Desafiantes de Yuvalin.


Sereias não gostam muito de fogo. Nada contra quem gosta, mas fogo queima, né? Você vai entender, em breve, minha reclamação.

De manhã, voltei à Minérios Maravilhosos para saber se estava tudo certo. Encontrei Edward querendo descobrir um lugar onde pudesse fazer uma boa refeição matutina. Apresentei algumas tavernas que conheço na cidade e ele gostou da ideia de ir à Pombo de Ouro, junto comigo, claro.

Apesar de ter acabado de conhecê-lo, ele despertou meu interesse, por isso, já me tornei logo a velha tagarela. Compartilhamos o café da manhã e tentamos conversar em paz, enquanto Joseph e Toshinori cantavam e dançavam no meio da taverna para ganhar uma grana.

Meu café da manhã na Pombo de Ouro

Saindo da taverna, Edward, Joseph e eu demos uma volta nas proximidades do Parque Normandia, para investigar qualquer coisa suspeita antes do pronunciamento de Ezequias. Havia muita gente falando sobre, mas nada suspeito. Então, nos posicionamentos para aguardar a chegada das pessoas e do “professor”, como Ezequias é conhecido.

De repente, o Parque lotou e vimos chegando um carro em forma pirâmide, de onde saiu Ezequias, escoltado por Kroll, enquanto todos nos posicionamos estrategicamente próximos ao palco. Durante o pronunciamento de Ezequias, observei uma mulher, com capa vermelha, apenas movendo os lábios e as mãos discretamente, provavelmente conjurando magia arcana. Sinalizei para Stefan, próximo a uma árvore, que iria segui-la, mas, depois que ela me viu, sumiu no meio da multidão nesse intervalo. Que grande erro!

Depois que a multidão se dispersou, decidimos que Kroll ficaria de guarda e nos encontraríamos na manhã seguinte atrás da loja Minérios Maravilhosos. Fui para fora da cidade, para descansar confortavelmente e me preparar para a viagem do dia seguinte, meditando e relembrando magias, depois de um mergulho, e dormindo sob as estrelas.

Acordei sorrindo para tudo e rumei para os fundos da loja, onde Ezequias já estava arrumando seu autômato ansioso para partir. Entramos no Ford e deixamos Yuvalin em direção a Zakharin. O vento que entrava pelas janelas era revigorante e me detive pouco na conversa, até Stefan desafiar Ezequias a contar sua origem. O professor estava ávido por conhecer nossas histórias, mas obviamente, não entrei em muitos detalhes.

Stefan sabe ser bem insuportável! E conseguiu arrancar informações de Ezequias quando Edward falou sobre a tempestade rubra. O professor retirou seus óculos, o que mostrou olhos vermelhos, retirou suas luvas e mostrou uma articulação a mais em cada dedo de suas mãos. O lefou também convenceu Stefan a contar parte da sua história.

Durante a longa viagem, a conversa também passou por nossa missão para o “Senhor P.”, o que me fez iniciar uma discussão com Stefan, que não participou direito da missão, só do começo e do final e não sabia os perigos que atravessamos. De acordo com Ezequias, Peter era o oposto do pai, pois não se interessava por política e só se apaixonava por não humanas.

Paramos e descemos do Ford com o cair da tarde. Ezequias preparou suas engenhocas para alarmes e aguardamos. Enquanto isso, Joseph começa a tocar seu alaúde élfico, eu consagrei nosso terreno e Ezequias puxou mais conversa com a equipe.

Um alarme soou e nos preparamos para receber nossos inimigos. Surgiram cinco silhuetas. Zelin ameaçou Ezequias, que lança bombinhas de luz em direção aos cinco. Foi quando vi aquela mulher de capa vermelha que estava no parque.

Zelin foi direto na minha direção, interceptado por Toshinori com o piqueiro, mas não foi o suficiente para pará-lo e o purista me acertou com a espada no flanco e no ombro. Depois disso, tudo o que consegui perceber foi Ed em fúria e a arcanista lançar uma bola de fogo contra nós. Eu não vi mais nada.

Allihanna me concedeu um fôlego surpreendente. Quando levantei, ainda achava que já estava nos braços da deusa, mas me deparei com uma batalha insana à minha frente. Zelin me ameaçou mais uma vez, mas a distância. Os outros aliados de Zelin atacaram Kroll e Edward, mas Toshinori conseguiu apagar um dos soldados supremacistas. E Joseph sangrava ao meu lado, então, eu o curei.

Toshinori e Kroll investiram contra os inimigos, sem muito efeito. Zelin atacou Kroll da mesma forma que fez comigo e o outro supremacista atirou em mim à distância com a besta. Enquanto isso, Edward errava feio seu golpe contra outro soldado. A arcanista, Milla, dissipou minha área consagrada e, finalmente, Stefan fez algo útil, atirando contra um soldado.

Depois de me deixarem sozinha e desprotegida no meio do fogo cruzado (literalmente), sem saber mais o que fazer, conjurei as plantas para segurar os puristas e consegui imobilizar alguns. Pode parecer covardia, mas, diante das ameaças insistentes de Zelin e da maga, minha melhor reação foi correr para a água, em um ato de desespero.

A distância, consegui ver Kroll mordendo Zelin e um soldado atirando contra Joseph, sem muito sucesso, e o bardo encantando os soldados tocando seu alaúde. Assim como Edward acertou apenas um escudo e Stefan, para variar, explodiu a própria arma na cara.

A arcanista jogou setas que se cravaram em minhas costas e, com uma dor excruciante, não consegui mais pensar em nada a não ser conjurar uma armadura arcana sobre mim, para evitar ainda mais danos.

Finalmente, Toshinori acertou Zelin e o matou. Não quis ver exatamente o que ele fez, mas, como resultado, alguns inimigos se renderam e outros fugiram, inclusive a arcanista.

Após a morte de Zelin

Stefan, o insuportável – e por que não idiota -, com um ato absurdo de alguém insano como ele, atirou contra o clérigo inimigo, devoto de Arsenal, que estava rendido, e a bala de sua pistola apenas ricocheteiou na armadura do purista. Com ódio, o soldado se virou em nossa direção e uma mão mágica gigante surgiu dele para revidar o ataque de Stefan. O impacto fez com que ele voasse para trás e começasse a se afogar, no rio ao meu lado.

Instintivamente, eu me abaixei ao lado dele e o curei, canalizando energia de Allihanna, pois prometi a mim mesma que não deixaria ninguém para trás, se tivesse a oportunidade de proteger e curar. Mas, enquanto realizava a magia, sussurrei ao pé do ouvido de Stefan que eu, com certeza, irei cobrar esse pequeno favor de volta. Ele me deve a sua vida!


Aguarde o próximo episódio do diário da Helga para descobrir como essa batalha vai terminar.

Até breve!

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Perguntei ao Kroll se ele conhecia esse tal E.H. e, com pouquíssimas palavras que não inspiraram muita confiança, decidimos ir até à Minérios Maravilhosos. Mas, antes de nos dirigirmos até lá, Stefan deu a ideia de pararmos para comer e, naquele instante, realmente senti fome.

Saindo da Guilda, quase esbarramos com um sujeito mal-encarado com um grande símbolo de Arsenal, o novo deus da Guerra, em sua armadura: um martelo de guerra e uma espada longa cruzados sobre um escudo. Ótimo jeito de começar uma missão, com alguém torcendo a cara para nós e quase vomitando ao ver o moreau.

Depois de um macarrão de Yuvalin na taverna Pombo de Ouro, seguimos em direção à Minérios Maravilhosos no distrito da Bigorna. No caminho, encontramos um casal de anões muito divertidos. Com acuidade da sabedoria concedida por meio de muita meditação e conexão com a natureza, percebi que havia algo de muito errado neles.

Grilax e Vrilax

Eles traziam um carrinho abarrotado de cacarecos – e cada vez que eles falavam seus nomes (Grilax e Vrilax), eles faziam um coração com as mãos. Meus companheiros encheram os olhos ao pensar em tudo o que poderiam adquirir do casal.

Joseph conseguiu um alaúde élfico, por meio de uma troca de uma das bombinhas do Stefan. Toshinori negociou um bico de corvo novo em troca de alguns itens antigos. Tudo o que o casal vendia, eles diziam, já pertenceu a alguém muito nobre e a grandes aventureiros.

Enquanto Joseph tentava negociar três bálsamos restauradores, Stefan interferiu a favor de Joseph (porque ele percebeu o quanto seria um péssimo negócio, finalmente). Ele perguntou a Kroll se ele não queria uma arma brilhante, já que ele tinha gostado de ver a arma dele brilhar na última missão. Eles ofereceram tinta fosforescente e, enquanto Joseph começava a analisar a tinta, acreditando ser mágica, o casal começa a se beijar e, simplesmente, se despede e vai embora.

Graças aos deuses! Menos um problema na minha vida! Toshinori não entende o porquê de eu ter dito isso e começa a testar o seu bico de corvo no ar, a ponta simplesmente se solta. É uma haste normal. O alaúde élfico do Joseph era um alaúde normal e, pior ainda, desafinado. Kroll fica triste perguntando “Então a arma não brilha?”. Finalmente, Stefan interferiu nesse momento e nos lembrou da missão.

Fomos à loja Minérios Maravilhosos. Uma loja simples e pequena, aparentemente. Entramos, Stefan, Toshinori e eu, e eu pedi que os outros ficassem do lado de fora, porque a loja era pequena demais para todo mundo. Com muitos itens e minerais espalhados pela loja, vimos uma porta no fundo e um sinete, que eu toquei. Como ninguém saiu para nos ver, Stefan deu um grito e eu perguntei se ele não gostaria de ir lá dentro. Antes que ele pudesse ir, saiu um cara com cabelos vermelhos e desgrenhados, com lentes sobre os olhos e muitos itens nos bolsos.

Ninguém mais, ninguém menos que Ezequias Heldret, conselheiro da Guilda. Dizendo ser pesquisador e interessado em destruir a tempestade rubra e querendo eliminar o que infectava a cidade, perguntou pelo seu guarda-costas, que eu entendi se tratar de Kroll. Chamei os meninos que estavam do lado de fora e ele saudou amistosamente Kroll.

Ezequias Heldret

A missão envolvia um plano para protegê-lo de Rodford Vahrim, o presidente da Guilda. Diante de todos os rumores do envolvimento dele na supremacia purista e muitas outras coisas, inclusive afastar Ezequias do Conselho, ele bolou um plano para atrair a atenção de Rodford, alegando ter documentos contra ele e ameaçando tornar público. Assim, ele pretendia que nós o protegêssemos dos capangas do seu inimigo e deixássemos um como garantia de uma troca interessante.

Foi quando entrou um guerreiro de cabelos vermelhos e escamas no pescoço, o que me deixou extremamente curiosa. Edward Branalon, de Bielefeld, filho de Thomas Branalon, o guerreiro. Muito interessante ele. Bem educado, bonito, interessante. Fiquei impactada e, por alguns instantes, esqueci o que estavam fazendo ali.

Edward Branalon

Meus devaneios foram quebrados quando Ezequias explicou seu plano de anunciar uma viagem à capital para tratar de assuntos importantes, o que levaria os capangas de Rodford atrás para atacar e matar Ezequias, inclusive aquele sujeito que usava pele de lobo que encontramos na taverna uma vez.

Em troca disso, obviamente Stefan perguntou pela recompensa, ele nos daria itens além de tibares. Joseph ganhou um alaúde élfico de verdade, transformando seu rosto triste em olhos brilhando. Toshinori ganharia também um bico de corvo de verdade. Kroll ganhou um machado de adamante. Eu ganhei um ostensório santificado canalizador com um símbolo de Allihanna gravado. Edward já tinha ganhado um presente também. Stefan ganhou munição de adamante em uma caixinha.

Combinamos de deixar Edward de guarda naquela noite e, no dia seguinte nos encontraríamos e faríamos a guarda de Ezequias no seu anúncio no Parque Normandia, às 16h.

Fui me preparar para a missão descansando no meu lugar favorito da cidade, fora dela, no campo. Vou cedo à loja de Ezequias para conferir se tudo foi tranquilo durante à noite, com Edward de guarda.

Há um ritual que eu faço todas as noites, desde que cheguei a Yuvalin: enquanto deixo a cidade, lanço sementes à beira do rio que leva para além dos muros. São sementes que os animais me trazem pela manhã e eu carrego na bolsa.

Não parece muito e sei que a maior parte dessas sementes não germinará. Mas o ar de Yuvalin é pesado e poluído, bem como seus rios. E o que eu faço pode contribuir minimamente com alguma mudança nesse sentido.

Do lado de fora, sozinha, eu realmente me conecto com quem sou. A árvore sob a qual me deito todas as noites está próxima à água e eu sinto fluir a natureza por todo meu corpo nesses momentos que passo ali.

Longe de tudo. Longe de todos. Só eu e a natureza.


Aguarde o próximo episódio do diário da Helga para descobrir como a equipe vai lidar com a missão.

Até breve!

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Stefan sabe ser insuportável. Cada hora, esse cara faz uma gracinha diferente. Dessa vez, foi no relatório para a Guilda sobre a Taverna Fim do Mundo. Uma das coisas que notamos na taverna é que ela nunca servia comida e ele disse que comemos uma comida muito boa.

Primeiro erro, porque, se a Guilda sabe o que acontece lá, não acreditaria que comemos alguma coisa. Precisei intervir no relatório e pedir para que ele tirasse essa parte. Toshinori apoiou.

Além disso, Stefan tem a grande audácia de se considerar o melhor investigador do mundo e colocou isso no relatório (não exatamente com essas palavras, mas sim). Ainda disse que eu chamo muito a atenção por aí.

Apresentamos o relatório ao Galyx. Ele aceitou e se colocou como um possível parceiro, caso precisássemos. Foi aí que eu precisei reconhecer que Stefan até que é um bom negociante: ele já pediu logo um adiantamento de uma garantia, conseguindo uma caixa com duas bombas, vinte tibares e uma balinha (meio suspeita).

Saímos de lá para voltar à Guilda e entregar o relatório. Quando chegamos, Toshinori estava tentando recrutar novos aventureiros para a equipe e Stefan e eu entramos na sala da oficial Helena. Ela estava de saída, mas recebeu o relatório, pôs sobre uma pilha de papel e nos dirigiu à palavra para apresentar um crocodilo.

Bom, ele não é um crocodilo, mas meu coração disparou, confesso. Acabamos de perder Noah, que era um trog. De repente, aparece um moreau meio crocodilo na minha frente. Ela disse que ele simplesmente apareceu ali, com ordens superiores para se juntar aos Desafiantes de Yuvalin.

Estranho? Sim. Mas começamos a conversar com Kroll e o recebemos na equipe. Nem preciso dizer o quanto eu fiquei feliz em ter alguém da raça dele no grupo. Eu sou meio peixe, então, ter um meio crocodilo, é ótimo.

Ele costumava caçar e dormir na floresta. Bônus para ele! Encontramos Toshinori e Joseph no salão principal e apresentamos Kroll. Eles também pareceram tomar um susto, mas deram boas-vindas ao novato. Toshinori me olhou com curiosidade pelo meu entusiasmo com Kroll ter chegado na equipe. Acho que eu exagerei mesmo ao me disponibilizar para apresentar o lugar onde costumo dormir.

Aproveitamos para escolher a missão que cumpriríamos no dia seguinte e decidimos comemorar a chegada do novato na Taverna Foice e Martelo. Enquanto nos acomodávamos, Stefan e eu ouvimos uma conversa sobre o presidente da Guilda, o pai do Peter, Rodford Vahrim, ter sido o responsável por colocar o Mestre Himmerzan como chefe da Forja, além dos já conhecidos rumores de que Himmerzan fosse purista.

Toshinori se empolgou um pouco e resolveu começar um campeonato de quem virava mais cervejas. Vexatório. Stefan e eu acompanhamos de longe, Joseph desapareceu, mas Toshinori e Kroll ficaram bem loucos, nem consegui apresentar nada a Kroll fora da cidade.

Felizmente, todos os membros da equipe se encontraram no horário de sempre na Guilda para seguir para a missão. Fomos bem longe, aliás. Chegamos a uma portinha no meio do nada e conhecemos o boticário Rafu, na Poções Promissoras. Ele é bem animado e fala cantando e batendo em seu tamborete preso à cintura.

Nós informamos o motivo de estarmos ali e ele, rapidamente, fechou a loja e nos levou até a floresta, onde encontraríamos aranhas gigantes. Sim, aranhas gigantes são a fonte para extrair o que era necessário para produzir suas poções.

Antes de as aranhas aparecerem

E encontramos as aranhas quando Toshinori ficou preso em uma teia gigante. Kroll já partiu pra cima, pra tirar Toshinori de lá. Eu, pra variar, tive que curar a galera que estava tomando muito dano com o ácido cuspido pela aranha. Eu, inclusive. E, então, Toshinori conseguiu matar a primeira aranha.

Eu tentei deter a outra e consegui fazer ela perder os movimentos por um tempo com magia. Acabei me prendendo a uma teia. Joseph inspirou as armas do pessoal e, depois de eu precisar curá-lo, óbvio, num disparo certeiro, Stefan fez a parte dele, com cara de insuportável, mas fez. Rafu ficou radiante quando conseguiu extrair o que precisava das aranhas gigantes. Kroll me ajudou a sair da teia e retornamos para a cidade.

Levamos o relatório da missão para a Guilda e a oficial Helena nos esperava. Com a cara mais indecifrável ela falou que leu nosso relatório sobre a Taverna Fim do Mundo e que precisava das nossas insígnias. Eu entrei em choque. Mas tirei a insígnia e entreguei.

Qual não foi minha surpresa quando ela nos entregou novas insígnias, de coríndon.

Agora, sim, somos aventureiros reconhecidos e podemos fazer missões mais interessantes. Uma pena Noah não estar conosco, ele ficaria imensamente feliz.

Antes que saíssemos da Guilda, um jovem hynne veio correndo e, esbaforido, nos entregou um bilhete. Não deu nem tempo de agradecer, ele já havia saído correndo da mesma forma que entrou. Eu li para todos: “Desafiantes de Yuvalin, vocês foram notados. Compareçam à loja Minérios Maravilhosos no Distrito da Bigorna. E.H.”

Não sei quem é esse E.H., mas Kroll teve uma leve reação de espanto ao ouvir a sigla. Suspeito, mas fazer o quê? Vamos descobrir o que isso significa. Parei para escrever meu diário enquanto ainda decidimos o que fazer com esse bilhete.


Aguarde o próximo episódio do diário da Helga para descobrir como a equipe vai lidar com as novidades.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Consolamos um galanteador

Em sequência à missão de entregar a encomendo do “Senhor P.” para a sra. Ártemis, muita coisa pode acontecer, inclusive, servir de terapeuta. Confira a segunda parte dessa aventura. Perguntamos…