Épico e aquático – Apenas nada e escuridão

Helga descobriu mais uma parte da história de seu pai, mas parece que ainda tem muita coisa para descobrir. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, na Jornada Heróica Coração de Rubi.


O espanto misturado com choro do barão me deixou até um pouco constrangida. Fiquei até com vergonha de ter contado que eu era a filha de Sir Starkey. Ele me abraçou, disse que eu era linda e que realmente tinha traços muito parecidos com meu pai. Agradeci pelas informações e lamentei não o ter conhecido antes de sua morte. Eu mesma fiz questão de levar a espada até a cripta, deixando sobre o túmulo dele.

Lazam prometeu me contar histórias sobre meu pai, pedindo apenas que fôssemos até à cripta para prestar essa homenagem e trouxéssemos, como garantia, uma urna. Ainda nos entregou dinheiro para ajudar.

Toshinori sugeriu que eu pedisse aos deuses uma oportunidade de eu ouvir as últimas palavras do meu pai, mas eu não achei uma boa ideia. Uma parte do grupo queria vender a espada, porque ela deveria valer muito dinheiro, outros acreditavam que ela poderia ser útil em batalha. Eu só queria ir prestar minha homenagem.

Falei ao grupo que, se eles não quisessem me acompanhar, tudo bem. Eu iria de qualquer forma. Então, finalmente, todos concordaram em irmos juntos. Seguimos com as carroças até certo ponto, mas, depois, o caminho se estreitou e ficou difícil seguir com elas. Só sei que, a partir de um determinado momento, eu só andei pelo meio do bosque, ignorando tudo, inclusive as discussões de uma missão normal dos Desafiantes de Yuvalin.

Sem desviar do caminho e nem prestar atenção em qualquer outra coisa

Seguindo por uma trilha na floresta, visualizei uma pedra com um brasão logo à frente. O brasão da família Lazam estava incrustado nesta pedra. Nos aproximamos, Stefan investigando para ver se encontrava armadilhas. Ele disse que poderíamos encontrar coisas que não gostaríamos e que seria interessante nos prepararmos. Pedi, então, que todos ficassem atentos, já que eu estaria focada em conhecer e me despedir do meu pai.

A grande pedra era uma porta contendo, também, um símbolo de Valkaria. Abri a porta e comecei a descer pelas escadas. Curiosamente, as tochas se acenderam assim que começamos a descer. Era uma sala com muitas zonas escuras e de penumbra, iluminada apenas pelas tochas da escada e por Toshinori, com seu símbolo sagrado. Pedi para que ele guardasse a jóia por um instante e consagrei toda a área à Allihanna para nos auxiliar em caso de ficarmos em apuros.

À frente, diversas urnas, flores mortas e teias de aranha. Provavelmente, poderíamos levar qualquer uma das urnas para o senhor Lazam, como prova do nosso serviço. Toshinori tomou a dianteira e abriu uma porta que havia do lado direito. Assim que entrei, vi cinco tumbas com os nomes de alguns parentes escritos sobre elas: Sir Lohrin Starkey, Lady Yubatel Starkey, Lady Bethaniel Starkey, Sir John Smitherin, Sir Anthony Starkey.

O que chamou a atenção, não só minha, mas de todos, é que a tumba do meu pai estava aberta. Me apavorei com o que quer que poderia ter acontecido ali. Stefan se aproximou para analisar do lado de fora e moveu a tampa bem devagar. De repente, um baque silencioso e um som de pedras caindo em profusão do lado de fora. Do lado de dentro da tumba, absolutamente nada. Estava vazia.

Eu estava estarrecida. Estava difícil pensar. Só vi Stefan se encaminhando para a tumba de Lady Yubatel, investigando e mostrando que o osso da bacia dela tinha um pedaço faltando no formato de uma chave. Depois disso, ele começou a investigar tumba por tumba. Eu só estava tentando assimilar tudo e com a mente a mil pensando o que eu poderia fazer nessa situação toda.

Pedi respeito aos meus parentes, uma vez que o inventor estava remexendo em armaduras e ossos dentro das tumbas. O Stefan sabe ser bem insuportável! Aos poucos, todos nós começamos a investigar também, com todo cuidado e, com reverência e respeito, analisei os corpos. Havia ossos faltando de costela, pés, braços, cada um de uma parte diferente. O único, porém, que tinha uma chave recortada de um dos ossos era, realmente, de Lady Yubatel.

Na tumba do meu pai só tinha poeira, teias de aranha, resquícios de fluidos de algum morto já secos, mas nenhum sinal do meu pai. Seu corpo, provavelmente, foi roubado dali. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa com o grupo, algo muito estranho aconteceu. Mais que o que já tinha acontecido naquele dia, ou em toda a minha vida. Minha mente foi sugada para algum lugar, o tempo congelou, e vi um casebre todo ruído no meio de algumas árvores. Exatamente o que Edward tinha compartilhado comigo dos seus sonhos.

Quando voltei a mim, todos me olhavam espantados. Estava com uma das mãos encostada sobre a borda do túmulo e continuava segurando a espada do meu pai. Eu olhava de Edward para o Stefan tirando a espada da minha mão e caindo dentro do túmulo. Briguei com o kliren para que ele tivesse mais respeito pelo meu pai.

Edward, então, nos perguntou sobre as visões. E compartilhei que era a mesma coisa que ele via nos seus sonhos. Logo, ele entrou também no túmulo – quanta falta de respeito desse povo – se ajoelhou e tocou na espada mais uma vez. Ele pareceu ter um ataque e me explicou o que viu: o momento em que meu pai morreu, lutando ao lado de uma mulher loira de vestes vermelhas contra mercenários.

Nosso nobre saiu do túmulo já fazendo um pedido para ficar com a espada. Eu estava muito confusa com tudo o que estava acontecendo. Só sabia que não havia motivo para deixar a espada ali sobre um túmulo vazio. No entanto, me apressei a falar meio que em coro com Toshinori: precisávamos sair daquela cripta primeiro.

Iniciamos um longo processo para tentar sair. Não havia mais escada na outra sala, só pedras e mais pedras umas sobre as outras impedindo qualquer passagem. Já estávamos perdendo o ar, Joseph corria de um lado para o outro só para ajudar a ter bastante falta de ar. Ele desmaiou, eu revirei os olhos e toquei em sua testa para acalmá-lo.

Ficamos um bom tempo discutindo sobre formas de encontrar uma saída. Stefan rodou a sala inteira apalpando as paredes, até sacar uma de suas engenhocas e transformar a cerâmica de uma das urnas em uma chave. Mas não adiantou. Ainda, tive que acalmar Toshinori que estava desesperado. Um paladino desesperado! Enquanto tentava aquietar os ânimos na sala, percebi que o inventor voltou aos túmulos e usava sua engenhoca.

Entendi tudo! Ele estava fazendo a chave com um osso de um dos meus antepassados. O Stefan sabe ser bem insuportável! O paladino, ainda, tentou argumentar dizendo ser necessário. Eu estava estarrecida. Voltei diante dos túmulos para pedir perdão pelos meus amigos.

Assim que retornei à sala, vi Stefan usando a tal chave e uma porta se abriu do outro lado. Pelo menos, foi útil. Que ser maníaco criaria por prazer uma passagem secreta que só é aberta usando uma chave feita dos ossos da bacia de alguém? Esse questionamento só passou pela minha cabeça, pelo visto, porque todos correram logo para atravessar a porta.

Uma chave feita de osso

O primeiro, é claro, foi o paladino, descobrindo armadilhas. Nada novo sob o sol – ou sob as masmorras. Seu grito de dor ecoou por todos os cantos daquela e ele desabou ao meu lado com olhar suplicante. Respirei fundo e fiz uma prece à minha deusa que me concedesse, mais uma vez, a sua graça sobre os ferimentos de Toshinori.

Sem mais armadilhas, o inventor avançou por aquele corredor que era uma escada descendo irregular até mais uma porta, que se abriu para uma câmara. Uma bacia esquisita no centro e uma escada para cada lado: uma subindo e uma descendo. Fiz uma prece a Allihanna para que me orientasse caso houvesse alguma armadilha ou ameaça por perto. Nada. Nenhum arrepio na espinha. Nada.

Para se ter uma noção de como são os Desafiantes, discutimos até sobre se deveríamos pegar a escada que subia ou a que descia. Com um ótimo argumento, Joseph convenceu-nos a subir. Aproveitei para falar que depois queria saber como ele copiava minhas magias.

Subimos e entramos em uma outra sala com uma espécie de parede mágica, brilhante com escritos arcanos. Quando Toshinori entrou, porém, sentimos algo muito estranho, como se algo abençoado guerreasse com algo profanado. Foi quando consegui ver uma silhueta escura, alta e de chifres por trás da parede bruxuleante.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/svCMxSdvJrA

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Que tal ler tudo o que já rolou nessa história em ordem cronológica? Clique no botão.

Épico e aquático – Tudo deu errado, conforme o esperado – Parte 2

Ficou na curiosidade no último post, né? Sim! Agora, você vai descobrir como essa história continua depois que a Helga Iris, a sereia druida do grupo Desafiantes de Yuvalin, consegue sair do quase coma (SERÁ?).

Mas antes, se você não faz ideia do que estamos falando, leia antes:


Senti uma força tomando todo o meu corpo e abri os olhos. Pelo que entendi, foi Toshinori quem me curou. Nesse momento, a batalha estava insana (a prova de que todos da equipe precisam estar vivos e cooperando para a coisa toda não degringolar).

Ao meu lado estava Noah, o trog, tentando controlar uma das estátuas, mas sofrendo bastante. Então, me levantei e, com um certo esforço, consegui usar magia para curá-lo. Esse esforço me custou algo muito caro: minha identidade sereia.

Enquanto canalizava magia para ajudar Noah, minhas escamas começaram a aparecer e, pelo visto, todos perceberam. Mas não me arrependo! Noah precisava de mim. E ele me ajudou. Então, criei uma capa protetora para ele com magia.

Ainda consegui criar uma capa protetora também para Toshinori e curei. Depois disso, e de várias tentativas frustradas de tiro de Stefan, Noah aplicou um golpe mortal na última estátua e a batalha acabou.

Silêncio.

Decidimos investigar o local. Tentar entender o porquê de aqueles construtos estarem ali é importante, porque, com certeza, seria algo precioso. E era. Antes, aço-rubi, mas agora, uma porta encantada nos separava do que quer que fosse. E não conseguimos abrir.

Convenci a equipe a sair logo da mina e respirar. Todos precisávamos descansar e eu precisava MUITO de um banho e uma noite de céu estrelado.

Mas antes de sairmos, como minha pele ainda tinha escamas e eu estava cansada demais para arrumar isso, Stefan insinuou que eu era um tipo de peixe. Após um breve diálogo com o contramestre da mina Haldor, acredito que tanto Stefan quanto Toshinori tenham descoberto a verdade. Mas eu desconversei.

Haldor nos levou à taverna Pombo de Ouro onde, adivinhe, Joseph e Toshinori arrumaram confusão com um sujeito muito mal encarado. Pelo menos, me alimentei e tomei duas doses de hidromel pagas pelo próprio Haldor.

Voltando para a guilda, dividimos nosso pagamento entre os cinco e decidimos nossa próxima missão, que já será amanhã ao meio-dia. Vamos nos encontrar às 8h na guilda para os detalhes. Quero ver com eles se dividimos uma essência de mana, já que sou eu que apago o incêndio da equipe usando magia.

Tudo o que eu quero é um banho de rio e um céu estrelado para dormir bem.


Continue acompanhando a aventura de Helga aqui no blog!

Até breve!

P.S.: Já ouviu o episódio do Qual é a dos podcasts? em que falamos sobre o filme Dungeons & Dragons e explicamos mais sobre RPG? Ouça agora mesmo!