Brasil no Oscar: veja como foi a coletiva de imprensa de Ainda Estou Aqui

“Com certeza, [O OSCAR] foi muito melhor que o de 99” (SALLES, Walter)

Ainda sob os efeitos etéreos do resultado do Oscar 2025, Walter Salles, Fernanda Torres e Selton Mello participaram de uma coletiva de imprensa no dia seguinte, na segunda-feira (3 de março), e a gente estava lá para conferir tudo.

Coletiva de imprensa Ainda Estou Aqui – 3 de março de 2025

Eles estão muito felizes – ÓBVIO -, mas também estão muito cansados. Não foram poucas as vezes que o Selton e a Fernanda pediram um café e disseram que, depois dessa ultramaratona de divulgação do filme, eles precisam voltar para casa e dormir. Fernanda até brincou falando que, agora, quer fazer gastronomia e gravar um programa, num lugar paradisíaco, em que eles vão avaliar os pratos e não precisarão fazer mais nada.

Walter comentou que perdeu o papel com seu discurso e precisou improvisar na hora que recebeu a estatueta. No entanto, ele fez um resumo para nós e frisou que, no final, ele falaria em português BR algo como “Viva a democracia!” e “Ditadura nunca mais!”.

Reforçaram, também, a importância de filmes como esse e outros ganhadores, como No Other Land, brindando o mundo com assuntos importantes que não podem ser esquecidos. Além de realçar a importância do cinema independente que ganhou um grande destaque nesta edição do prêmio.

Infelizmente, não houve tempo para responder a pergunta que eu enviei, mas, indiretamente, Selton Mello respondeu quando contou sobre os efeitos que essa avalanche Ainda Estou Aqui trouxe para o cenário do cinema brasileiro: comentou sobre jovens sonhadores que, agora, decidiram estudar cinema porque viram que é possível seguir os seus sonhos.

É evidente o recado que tudo isso deixa para o mundo: a história da família Paiva não será esquecida, está viva, como algo que não pode mais se repetir. Em um momento tão crítico como o que vemos se desenrolando no cenário mundial, a mensagem é clara.

Para mim, particularmente, quando assisti ao filme e escrevi minha crítica aqui, sonhava com prêmios, mas não imaginava a repercussão que o longa teve no mundo todo. Minha alegria com tudo isso é imensa! Meu TCC da faculdade de jornalismo falou sobre um filme vencedor de Oscar que foi uma adaptação de livro (Spotlight) e também trazia para a luz um cenário que deveria ser combatido.

Não deixemos de falar sobre Ainda Estou Aqui, sobre histórias que precisam estar vivas para não se repetirem, sobre sonhos que também precisam estar vivos e se realizando pelos jovens e pelos velhos! Obrigada, Walter, Fernanda, Selton e todos que fizeram isso acontecer!

Texto publicado originalmente no portal Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2025/03/04/brasil-no-oscar-veja-como-foi-a-coletiva-de-imprensa-de-ainda-estou-aqui/

Ainda estou aqui – Voltando à história daqueles que nunca voltaram

O cinema brasileiro nunca foi muito prestigiado em minha casa e cresci sem grande interação com os filmes nacionais. No entanto, Ainda estou aqui (do diretor Walter Salles) mudou completamente minha concepção da cinedramaturgia brasileira. Não é à toa o que tem-se dito sobre esse filme e eu faço questão de compartilhar minhas impressões do que vi, apesar de ser difícil explicar em palavras todo o sentimento que o longa passa.

Se você se incomoda de não receber resposta de um filho, amigo ou cônjuge cinco minutos após o envio da sua mensagem no WhatsApp, você não consegue imaginar o drama de uma família que não recebeu notícias sobre alguém que um dia saiu de casa e nunca mais voltou.

O chão se abriu sob os pés de Eunice Paiva (Fernanda Torres) quando seu marido e ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello) foi convidado a dar um depoimento para os militares em 1971 e nunca mais retornou. Com o endurecimento da Ditadura Militar no Brasil, esse era o destino de quem poderia ter um mínimo de suspeita sobre associação dita criminosa, situação retratada no filme com detalhes e brilhantismo.

O drama causa um sentimento de impotência, de expectativa. Quem conhece um pouco de história sabe o final, mas você se envolve com os personagens (com as pessoas) de tal modo que é impossível não se sensibilizar com a dor de alguém que viu seu mundo desabar e precisa, sozinha, se reinventar para cuidar da família enquanto espionam, prendem e fazem perguntas.

Fernanda Torres no papel da protagonista se entrega totalmente e o resultado é o mais puro cinema, quando, sem fazer monólogos, você enxerga a alma da personagem. Vemos em cena uma mulher forte, que não desistiu de lutar por sua família quando seu grande amor desapareceu. Lutou também para que houvesse uma resposta, que conseguiu apenas mais de 20 anos depois.

Ambientado na década de 1970, o filme tem uma fotografia impecável, com um jogo de câmeras que conta a história junto com a História. Cenários e figurino retratam com fidelidade cada momento da trama e a trilha sonora liberta memórias, cheias de super hits da década e do próprio momento de perseguição política, com música original de Warren Ellis.

A produção, baseada no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva (um dos cinco filhos do casal), ressalta, ainda, a relevância de se falar sobre o assunto. Há inúmeras pessoas que passaram pelo mesmo drama e prosseguem sem informações consistentes, há algozes que nunca foram devidamente punidos. O mais importante que destaco é: não podemos repetir isso, jamais!

Chorei, sim, mas, principalmente, mergulhei na história. Esse filme faz isso com você: te prende do começo ao fim, como se alguém desabafasse para você em uma tarde. Esse é um absolute cinema brasileiro que vale uma sexta-feira no final da tarde, quando você se desliga do mundo para desfrutar de momentos que importam com quem você ama e está pronto para se emocionar com fatos e refletir sobre a vida.

Crítica publicada por mim no site do nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/10/21/critica-ainda-estou-aqui/

Tempo Suspenso – Reflexões sobre a época da pandemia no Festival do Rio 2024

Quando olhamos para o tempo suspenso que vivemos durante a pandemia, parece até brincadeira. O filme do aclamado cineasta francês Olivier Assayas traz essa ideia de retratar, com simplicidade, os momentos delicados que passamos. Tempo Suspenso (Hors du Temps) participou de dois festivais de cinema e mistura comédia e poesia na telona.

Paul e sua amada no jardim

A aproximação da história narrada no filme à história vivida por bilhões de pessoas torna o enredo do filme muito próximo ao espectador. A gente se enxerga em diversas cenas e ri delas porque “Poxa! Eu também ficava nervosa quando as pessoas se aproximavam sem máscara de mim”. Nossas neuroses estão retratadas no longa e isso, hoje, é até engraçado.

O filme autobiográfico conta a história de um cineasta, Paul (​​Vincent Macaigne), e seu irmão Etienne (Micha Lescot), um jornalista musical, que se confinaram durante o isolamento de 2020 na casa de campo da família no interior da França. Eles e suas parceiras Morgane e Carole (Nine D’Urso e Nora Hamzawi) vivem as angústias de um momento inédito da História e situações divertidas e animadas repletas de memórias da infância.

A narrativa tem um bom andamento, a atuação traz veracidade e, de fato, facilmente nos enxergamos no desespero de pessoas que não aguentavam mais estar confinadas ou que reclamavam que em um determinado mercado os funcionários não usavam máscara. Pode parecer um enredo meio pobre, mas, ao contar sobre esse momento, com cenas entremeadas de poesia, devaneios e cenários exuberantes do interior da França, o espectador é um pouco transportado para dentro da tela.

Algo que me chamou à atenção no filme, além das sequências brilhantes, foi a temática do futuro. Todos vivemos um tempo suspenso e nos perguntamos “como vamos fazer compras agora?”, “o que será do meu trabalho?”, “como serão as relações?”… Bom, eu sou jornalista e escrevo no Qual é a das quintas? desde 2013, e uma questão que, não apenas passou pela minha cabeça, mas eu escrevi no blog, foi pensando sobre o futuro do cinema (que você pode ler aqui). Era impossível eu, Aline, não me identificar tanto com Paul como com Etienne.

Após algum tempo de confinamento, algumas coisas se tornaram menos inconvenientes e mais normais, mas o temor ainda resistia. Sim, estou falando do filme, mas também da vida real. O final do longa me trouxe apenas a reflexão sobre tudo o que passou: momentos difíceis, com medo, mas também divertidos e junto com pessoas que amo. Talvez, essa seja mesmo a proposta do cineasta, de nos fazer relembrar e pensar que, felizmente, já passou, no entanto, o que carregamos de tudo isso?

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à tarde, numa tarde chuvosa em que você fica de moletom na sala tomando um chocolate quente assistindo na TV.

Crítica publicada por mim no site do nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/10/17/critica-tempo-suspenso/

A Grande Fuga: absolute cinema de Oliver Parker

Meu estoque de lencinhos de papel acabou! Se você não dava nada pelo filme A Grande Fuga (The Great Escaper), drama dirigido por Oliver Parker, vou me esforçar nas próximas linhas para tentar mudar sua opinião.

Drama não é meu gênero favorito de filmes, mas esse tem todos os atributos para ser um filmaço. Começo falando sobre o enredo que é baseado no caso real de Bernard Jordan (Michael Caine), um veterano da Segunda Guerra Mundial, que foge da casa de repouso onde mora com sua esposa Irene Jordan (Glenda Jackson) para participar da comemoração do 70º aniversário do desembarque do Dia D na Normandia.

Bernard Jordan

A história também é construída em cima de muitos flashbacks, trazendo algumas cenas do Dia D e o romance juvenil do casal, para situar o espectador e levar ao ápice dramático da narrativa.

Além disso, algo que eu, particularmente, gosto muito, e o filme abusa desse recurso com maestria, são as cenas tão bem escritas e dirigidas que não precisam nem de falas. A própria atuação e o jogo de ângulos e cores já traduz o sentimento e tudo o mais para quem assiste.

Os atores que, em sua maioria, já são (literalmente) veteranos entregam tudo em seus papéis. Você vê o personagem do filme em questão e não a sombra de outros no lugar dele. O que, até onde se sabe, é o último filme da carreira de Michael Caine se tornou uma despedida com chave de ouro. Excelente aposentadoria, Caine!

Glenda Jackson, John Standing, Danielle Vitalis, Victor Oshin e Wolf Kahler também se destacam pela atuação dramática – e até divertida em algumas cenas – trazendo veracidade àquilo que a história se propõe a narrar.

A mensagem do filme traduz sentimentos de quem viveu muito, perdeu muito e aproveitou cada momento de sua vida no pós-guerra, e que não esqueceu os horrores vividos. Horrores esses que atormentam e trazem lembranças difíceis à tona diversas vezes, além de serem responsáveis por comportamentos extremos nos personagens, como alcoolemia, violência, doenças e mágoas.

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite, para assistir comendo pipoca e brigadeiro no sofá, enrolado na coberta, com a caixinha de lenços do lado e abraçando uma pelúcia (ou seu pet, ou alguém que você ame abraçar).

Michael Caine e Glenda Jackson

É uma pena que muitas pessoas não se interessem por esse tipo de filme que marca tanto a experiência de vida e propõe reflexões profundas. Eu sugiro que você assista e tire suas próprias conclusões. Se você realmente gosta de cinema, não deveria esquecer obras de arte como A Grande Fuga.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/21/a-grande-fuga-absolute-cinema-de-oliver-parker/

Assassino por acaso e diversão garantida

Acredite se quiser, Assassino por Acaso (dirigido por Richard Linklater) é um filme baseado em um caso real. Essa crítica começa justamente apontando o espanto que eu tive quando apareceu na telona que Gary Johnson e o mundo ao redor dele realmente existiram. Mas, apesar de eu começar pelo meio do texto, os próximos parágrafos devem seguir uma linha para fazer sentido na sua cabeça – ou não.

Com lançamento em 12 de junho no Brasil, o filme conta a história de um professor universitário de filosofia, Gary Johnson (Glen Powell), que leva uma vida invisível e sem graça. Mesmo provocando seus alunos a pensarem e viverem intensamente, ele usa roupas simples, vive com seus dois gatos (ID e EGO) e dirige um carro popular. Como um passatempo bem diferente, ele presta serviços de inteligência para a polícia. Mesmo assim, sem nenhum tipo de aventura.

Poster

Tudo muda, no entanto, quando Jasper (Austin Amelio), que representa um assassino de aluguel para capturar as mentes por trás dos assassinatos e resolver os casos da polícia, é afastado de seu cargo. A única pessoa que sobrou para cobrir a ausência do colega foi Gary, que começa a ir muito bem nos disfarces. Bem até demais.

Essa é uma comédia de ação que entrega além do que foi prometido, graças a um roteiro bem feito, cheio de falas boas num timing perfeito, e à atuação impecável de Glen Powell, Adria Arjona, que interpreta Maddy Masters – a responsável por fazer Gary quebrar o protocolo como assassino de aluguel, e todo o elenco.

Além disso, a proposta do filme contextualiza muito bem as questões filosóficas levantadas pelo Gary em sala de aula e os momentos em que ele interpreta uma vida completamente diferente para a polícia na solução dos casos. Os espectadores podem acompanhar a evolução do personagem nesse encadeamento e imergir totalmente na história.

Essa evolução acontece não apenas na forma como o personagem age, mas é demonstrada também por meio do seu figurino muito bem planejado pela produção do filme. Ao longo da trama, você pode notar a transformação em cada caso e na própria vida do personagem.

Assassino por Acaso (Hit Man em inglês) é um filme que envolve quem assiste na expectativa de ver o personagem principal se desvencilhar das próprias mentiras enquanto lida com as mentiras dos outros, o que traz à tona uma pegada de agente secreto muito bem-humorada.

Ron (Gary) e Maddy

Possivelmente, esse não será um blockbuster, mas tem tudo para fazer um certo sucesso. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. São quase duas horas muito bem aproveitadas de vida em que você se envolve tanto com a história que nem nota que esse tempo passou.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/07/assassino-por-acaso-e-diversao-garantida/

Divertida Mente 2: uma grande e emocionante ideia

As emoções têm novas emoções em Divertida Mente 2 (Inside Out 2). Já os espectadores podem agendar sua próxima sessão de terapia para contar o que aprenderam com o novo filme da Pixar. Já separou o lencinho para levar para o cinema?

A Pixar parece ter acertado a mão dessa vez com as continuações de sucessos. Havia um temor real e natural de que as continuações já estavam se tornando um desperdício de energia, criatividade e dinheiro. Mas Divertida Mente 2 surpreende com uma história boa e coerente com o que milhões de pessoas já se identificaram, pelo menos, uma vez na vida.

Com estreia em 20 de junho no Brasil, o filme é da Pixar e Walt Disney Pictures, dirigido por Kelsey Mann e com roteiro de Dave Holstein e Meg LeFauve.

De forma bem-humorada, o filme é um espetáculo de realidade que ensina, mais uma vez, que cada sentimento precisa ter seu espaço e tempo. Com a Riley entrando na puberdade, todos os sentimentos ficam à flor da pele e nem eles sabem o que fazer dentro da cabeça dela. São muitas mudanças, inclusive, com a chegada de novas emoções: Ansiedade, Invej(inh)a, Vergonha e Tédio – deitado no sofá sem largar o celular um segundo sequer.

Novas emoções

No primeiro filme, temos emoções com descrições muito claras e objetivas, como a infância é. Agora, elas precisam lidar com a complexidade de um novo estágio da vida da protagonista. Além disso, os novos sentimentos chegaram para ficar e todos precisam aprender a coexistir pacificamente, ou as consequências podem ser desastrosas.

A dublagem brasileira dá um banho de contexto e memes atuais, afinal, temos uma adolescente em cena. É tão bem feito que você consegue nem se lembrar de quem são as vozes, com uma atuação que casa muito bem com cada personagem.

A animação, é claro, é um espetáculo à parte, com traços, coloração, 3D, tudo contribuindo para uma ambientação completa das cenas, trazendo sentimento para os momentos-chave do filme. A engenhosidade com que tudo é construído dentro da mente da Riley contribui para uma imersão completa nos cenários e na trajetória dos 5 personagens já conhecidos que são, simplesmente, expulsos de seus postos para dar lugar aos novos (por livre e espontâneo chute mesmo).

Com a Ansiedade no controle da mente da protagonista, tudo tem uma GRANDE chance de dar errado. O que me trouxe à clara reflexão da importância do equilíbrio entre as emoções em uma época quando todos estão extremamente ansiosos, deixando que essa personagem pequena e laranja tome conta. Os efeitos podem ser terríveis se não tratados e equilibrados com o retorno de todas as demais emoções em seus devidos lugares. Todas elas são importantes no lugar certo.

Por dentro da mente da Riley

O filme é recheado de piadas bem feitas e encaixadas também nos seus devidos lugares, algumas dão até uns sustos na gente. A evolução da história é emocionante, mas não me fez chorar como no primeiro filme. ALERTA DE SPOILER: sem mortes de personagens fofos e super apegáveis, nessa produção você se identifica mais com a história, reflete mais e tenha, talvez, um pouco de Nostalgia (outra emoção MARAVILHOSA), mas é menos chorável.

De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite. Me surpreendi e convido você a se divertir – MUITO -, refletindo sobre os rumos que os seus próprios sentimentos têm levado você, mas sem te deixar na deprê… talvez, só um pouco ansioso haha’ brincadeirinha.Ah! Muito importante: tem cena pós-créditos, ok? Bem divertida, aliás. Fique até o final.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/06/12/divertida-mente-2-uma-grande-e-emocionante-ideia/

O gato do sofá saiu de casa

Meu erro foi não ter levado uma lasanha ou pizza para o cinema! QUE POSER! Garfield – Fora de Casa é mais um clássico memorável, cheio de referências e muita fome. Apesar de tardia, essa crítica é para encorajar você que ainda não assistiu ao longa correr para o cinema (ou streaming, quando ele já tiver saído de cartaz).

Cartaz Garfield

A mais nova animação de um dos gatos mais divertidos dos quadrinhos, dirigida por Mark Dindal, traz muita risada e emoção. A história é envolvente, com personagens novos e os já amados vivendo uma aventura que parece ter saído de algum livro policial.

Garfield (Chris Pratt) e Odie (Gregg Berger e Harvey Guillén) se veem em apuros dignos de uma segunda-feira quando Jinx (Hannah Waddingham) os sequestra para atrair a atenção de Vic (Samuel L. Jackson), pai desaparecido do gato laranja. O que ela quer? Tem cara de vingança, cheiro de vingança, som de vingança, mas ela diz que não é vingança.

Para desespero de Jon (Nicholas Hoult), pai, filho e o cachorro saem em busca de pagar a dívida de Vic (que, por sinal, é beeeeeeeem grande): eles deveriam roubar leite da Fazenda Lactose, lugar que tem um passado para Jinx e Vic. Eles se veem, então, diante de um desafio considerável, principalmente quando falamos de um gato como Garfield, um gato doméstico acostumado aos maiores luxos que um humano pode conceder.

Uma das frases mais icônicas do filme, em relação a este blog, pelo menos, foi quando o Garfield fala que, se estava dando tudo errado, deveria ser segunda-feira, e outro responde que, na verdade, era uma quinta-feira. Qual é a das quintas?

Além de um elenco de peso, toda a equipe da produção é premiadíssima. A combinação dos fatores faz com que o filme tenha referências super atuais, um humor muito mais contextualizado com a realidade e, além disso, uma quebra de quarta parede notável. A própria animação é uma arte, trazendo um show de ambientação, iluminação, figurino, explosões e um 3D belíssimo.

Olha que fofuuuura essa carinha…

É comédia, ação, drama, é sobre família e para toda a família. De segunda a sexta, esse é um filme sexta-feira à noite, com certeza! Vale a pena dedicar minutos de vida cercado de pizza e lasanha e doces para assistir a Garfield – Fora de Casa.

E se você reencontrasse seu amigo imaginário?

Você se lembra do seu amigo imaginário da infância? Vocês brincavam juntos, comiam juntos e ele te ajudava nos momentos que você tinha medo. Não se lembra? Pois o filme Amigos Imaginários (IF), com a direção de John Krasinski, chegou aos cinemas para relembrar a gente que a imaginação não precisa se perder quando a gente cresce.

Com um elenco de peso, o longa conta a história de B (Cailey Fleming), de 12 anos, abandonando as aventuras infantis, muito por ter perdido a mãe e ver o pai internado no hospital. Mas ela se depara com algumas pessoas um tanto diferentes no prédio onde a avó mora.

Sua aventura para ajudar os amigos imaginários (MIGIs) perdidos de suas crianças a encontrar outras crianças começa quando ela descobre que pode vê-los, mesmo que ninguém mais veja. Ao lado de Cal (Ryan Reynolds), Blue (Steve Carell) e Blossom (Phoebe Waller-Bridge), B consegue voltar a se aventurar em grandes histórias no mundo fantástico dessas criaturas.

Esse é um filme com alguns pontos fortíssimos. O figurino é um espetáculo, com as roupas dos personagens mudando de acordo com o ambiente de cada cena. A condução da história faz você imaginar junto com a criança, rir e chorar bastante também. É, ao mesmo tempo, muito fofo e muito emocionante!

A trilha sonora colabora com o clima de imaginação, além de, é claro, os gráficos. Todos os personagens, imaginários porém visíveis, são muito bem desenhados e animados. Eles possuem características humanas e, ao mesmo tempo, fantasiosas e com muita expressão própria.

A aventura é divertida, mas também é reflexiva. Cada expressão dos personagens revela detalhes que vão se juntando até formar o panorama total geral num final impactante. Me fez relembrar meu amigo imaginário e querer tê-lo por perto outra vez.

De segunda a sexta, esse filme é uma sexta-feira à noite com toda certeza! Vale a pena ir ao cinema, rir, chorar, imaginar, contar histórias e ter ótimas lembranças da infância.

Já assistiu? Conta pra gente o que achou!

A matriarca está na casa

Separe o lencinho e, talvez, uns chocolates para uma dose de emoção com A Matriarca (Juniper), de Matthew J. Saville (direção e roteiro). A produção, com lançamento em março de 2024, é um drama familiar envolvente e cheio de reveses.

Ambientado na década de 1990, o longa apresenta uma família cheia de ausências e mágoas profundas entre os personagens que são obrigados a conviver quando Ruth (Charlotte Rampling), a matriarca, precisa se mudar para a casa do filho na Nova Zelândia.

Ruth

Você descobre aos poucos quem são os personagens e quais as motivações, rancores, dores e amarguras deles, o que é bem legal para dar um suspense. Ruth, por exemplo, é vista, tanto pelo filho como pelo neto, como uma velha ranzinza e alcoólatra, praticamente impossível de conviver. E, então, você vê uma senhora de gênio forte, ex-correspondente de guerra, que quer viver feliz seu último período de vida.

Sam (George Ferrier) é obrigado a cuidar da avó, que está com a perna quebrada, apesar de ela ter uma enfermeira à sua disposição. Afinal, como é difícil conviver com a matriarca, até a enfermeira precisa se abster de vez em quando. Já o jovem, em suspensão do internato, não vê sentido na própria vida após a perda da mãe.

O filme trata de mudança de perspectiva e reconciliação entre todos os personagens. Todos são obrigados a ceder algo durante aquele tempo. Finalmente, todos se conhecem de verdade, suas intenções, seus problemas passados e têm, ali, uma chance para fazer o presente ser melhor vivido do que o passado foi.

A fotografia do filme revela detalhes importantes, responsáveis por definir as situações e, em certos casos, levar o espectador a prever o que vem a seguir. Até mesmo as cenas que se repetem várias vezes, como a égua da mãe sozinha no quintal, trazem significados profundos para enriquecer a obra.

A trilha sonora também corrobora para o impacto emocional. A evolução da história é bem montada e vai se encaixando até o seu ápice, o que inclui aquele mistério inicial de você ter que descobrir o que está acontecendo ou quem são os personagens. Além disso, os objetos comuns na década de 1990, como os telefones e computador, trouxeram um ar nostálgico muito legal.

Esse filme seria uma quinta-feira à tarde. Primeiro, porque não é muito meu estilo de filme: dramas em geral. Mas é um filme que vale a pena assistir numa tarde chuvosa, sentado no sofá, comendo chocolate e com o lencinho do lado.

Eu convido você a se emocionar também com A Matriarca.

Crítica publicada por mim no site nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/03/26/a-matriarca-critica/

Mágico como o chocolate Wonka

Venha comigo e você estará em um mundo de pura imaginação! Essa não é só a letra de uma das músicas principais do soundtrack de Wonka (2023), mas também é algo que define muito o filme: IMAGINAÇÃO.

De forma leve, o longa entrega um tipo de composição que eu, particularmente, sentia saudade de ver no cinema. Sim, eu cansei um pouco da fórmula mágica de super-heróis que dominou as telonas nos últimos anos. Wonka me fez voltar para antes de tudo isso, para quando eu era criança.

Sob a direção de Paul King e estrelado por Timothée Chalamet (Willy Wonka), o filme traz uma história prévia à que conhecemos de A Fantástica Fábrica de Chocolate. No entanto, não é relacionado ao filme de Tim Burton, com Johnny Depp no papel principal, mas ao de 1971, do diretor Mel Stuart e o Willy de Gene Wilder.

Trata-se de um musical que, às vezes, casa com a história, mas às vezes não. Entretanto, as músicas são empolgantes e do tipo que ficam presas na sua cabeça. Também te levam a querer dançar um pouco.

Com um leve toque steampunk no visual, Wonka é o melhor chocolateiro do mundo e carrega sua fábrica portátil para todos os lados. Porém, precisa enfrentar muito mais desafios do que esperava para fazer seus chocolates e se tornar famoso e rico com a venda deles.

Isso acontece porque ele é inocente demais e não enxerga a maldade no mundo. Sua inteligência e resiliência o levam, mesmo assim, junto com seus novos amigos, a não desistir de seu sonho.

Essa inocência torna o filme algo leve e divertido para toda a família, exatamente do tipo que eu sentia falta há tantos anos. Me trouxe um sentimento nostálgico, de surpresa. Me levou para o tempo que eu parava à tarde para assistir à fita de vídeo da Mary Poppins.

O filme é sobre família, sonho, magia e emoção. Você vê magia em tudo e se surpreende com a naturalidade com que as coisas simplesmente acontecem em cena.

Não digo que a atuação seja impecável, mas todo esse sentimento te faz esquecer que são atores interpretando personagens na telona. Você entra na história, encontra referência, ri, se emociona e torce para que tudo dê certo, afinal, ele vai ter uma fábrica, não é?

Os personagens em si são muito simples e fáceis de entender e gostar ou desgostar. Apesar disso, você não consegue desgostar totalmente daqueles que seriam os vilões da história. O casting é sensacional e você pode ter certeza de que vai se divertir só de vê-los na tela.

Minha nota, em dias da semana, é sexta-feira à tarde, depois de fazer os deveres de casa e sentar para assistir a uma fita de vídeo que aqueça o coração.

Conta para mim o que achou do filme. Já viu?

Aline Gomes