O filme Persuasão pouco persuasivo

A adaptação do clássico de Jane Austen para a Netflix passou a semana inteira nos Top 10 e, como fã de Persuasão, vou comentar minhas impressões sobre o filme.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que é uma adaptação. Provavelmente, o filme da BBC (1995), que também é uma adaptação, transmite ao expectador algo muito mais clássico e a cara dos livros de Jane Austen (óbvio, porque é a BBC). Já a versão da Netflix traz uma pegada mais moderna e no mesmo estilo de Enola Holmes, que parece ser uma tendência no serviço de streaming.

A quebra da quarta parede me causou estranheza, justamente porque eu esperava uma adaptação mais clássica. O filme se propõe a ser mais leve e moderno, até mesmo um pouco cômico, diante da tragédia romântica de Anne Elliot (Dakota Johnson) e Wentworth (Cosmo Jarvis). O que deixou o filme com mais cara de drama adolescente que de um clássico de Jane Austen.

Li muitas críticas falando sobre a falta de química entre o casal principal e, na verdade, acredito que ficou faltando um desenvolvimento para um clímax, algo que fizesse com que eu realmente ansiasse pelo relacionamento dos dois. Talvez, eu só tivesse ansiado por isso porque amo o livro e criei a expectativa, mas o filme não chegou lá.

Por outro lado, a fotografia do filme é excelente e os jogos de câmera induzem na percepção de questões sociais e na ambientação da sociedade da época. Além disso, em diversos momentos, percebi que havia imaginado as cenas do livro como nas locações e no desenvolvimento da cena em si.

A experiência dessa adaptação para algo menos clássico e fiel pode ser bem rica para uma noite de sábado, se você curte esse tipo de filme. Vale ressaltar que não é o melhor filme do ano, mas não é por isso que você precisa deixar de assistir.

Me deu vontade de reler o livro e ficar mais com a impressão que tenho dele.

Você é fã de Austen? Se assistiu ao filme, me conta o que achou?

Até breve!

Aline Gomes

Tratamento de Realeza com um toque de realidade e fofura

O conto de fadas da Netflix que estreou no dia 20 de janeiro já entrou na minha lista dos Top 10 romances clichês. Assisti duas vezes para ter certeza de que contaria tudo muito bem para vocês (teria visto mais se tivesse tido tempo).

Seguindo o fofo do Mena Massoud nas redes sociais, descobri as gravações de The Royal Treatment. Eu achava que era uma série da Netflix e, por isso, planejei assistir tudo antes de contar para vocês minhas impressões. Aí eu descobri que era um filme. Assisti e, obviamente, adorei!

O enredo do filme é bem clichê mesmo: um romance fofo, leve e inocente, sem pretensões ou voltado para a sexualidade. Um conto de fadas nos dias atuais, que mostra a beleza da simplicidade e faz críticas interessantes às relações de poder e dinheiro.

Curiosamente, o príncipe Thomas é interpretado pelo Massoud, que foi Aladdin no live action da Disney de 2019. Ele vive, assim, o outro lado da história agora. Laura Marano é Izzy, uma cabeleireira descendente de italianos, que vive em Nova Iorque e luta bastante para sobreviver junto com a mãe, a avó e as amigas do salão que é dona. Exatamente no momento em que ela mais precisava, um engano fez com que ela tivesse a maior oportunidade da vida: cortar o cabelo do príncipe.

Ela tem uma visão aventureira e curiosa sobre o mundo, fazendo de tudo para tirar coisas boas até mesmo de situações ruins. Além disso, sua paixão pelas pessoas faz com que ela enxergue aquilo que poucas pessoas conseguem. Isso influencia o próprio príncipe a tomar uma postura de conhecer melhor seu próprio povo.

A história tem algumas pontas soltas, mas isso pode passar facilmente despercebido pelos espectadores. A vista de Lavania é espetacular, os cenários internos e da cidade são bem comuns, mas bem feitos.

As falas são estruturadas para fazerem você ir e voltar na história diversas vezes, o que traz humor e emoção à história. Sim, eu ri bastante, mas chorei em diversos momentos. Me identifiquei, inclusive: a descendente de italianos que sonha em viver mais do que tem… (só não tem a parte do príncipe).

Nessa primeira semana, o filme ficou na lista dos principais títulos da Netflix no Brasil. Com razão.

Já assistiu? Conta para nós o que achou do filme.

Até a próxima!

Aline Gomes