Épico e aquático – Um dia comum

A vida de aventureiro também tem situações cômicas, quando não se está lutando para se manter vivo, e a sereia druida, Helga Iris, pode provar isso no seu diário.


O Stefan sabe ser bem insuportável! Depois de toda aquela cena sem sentido de ele, Toshinori e Edward, simplesmente, passarem à outra sala e o inventor ficar gravemente ferido, com o silêncio do fim da batalha, me abaixei, toquei em sua testa (querendo bater na sua cara), fiz uma prece a Allihanna e o curei.

As feridas se fecharam uma a uma. Finalmente, ele se levantou e ajudou (pelo menos) a investigar a sala, junto com o restante de nós. O golem K ficou encantado porque Tallaka conseguiu fazer o construto de aço-rubi, apesar de eu não achar nada divertido.

Ele continuou falando sobre as invenções de sua mestra com Stefan e sobre uma chave que abriria o cofre de Tallaka no quarto andar. Isso interessou bastante a gente. K queria ajuda para saber o que aconteceu com a anã, ajuda de quem pudesse protegê-lo. E, bom, nós queríamos encontrar o que estava lá.

O Joseph estava com medo do golem ajudante, mas eu o mandei ficar quieto e o próprio K o colocou sobre os ombros. Conversamos sobre quem éramos e eu o convidei para ele ir conosco, inclusive para a cidade depois. Ele queria ficar mais um pouco no terceiro andar, mas adoraria ir conosco para o próximo andar, quando voltássemos e fôssemos também. Mais uma vez, Joseph soltou uma farpa dizendo que, da última vez que combinamos isso, esquecemos a Noah na mina.

Isso não foi verdade! Calúnia! Noah começou a rosnar para o Joseph e eu fiz carinho nela para acalmá-la e tranquilizá-la, dizendo que eu estava esperando por ela. O Joseph não estava totalmente errado, mas também não estava certo. Eu estava tonta naquele dia, depois de tanto problema e todo mundo, simplesmente, correu para o elevador para ir embora e nem me deixou falar sobre Noah.

A cena mais hilária do dia, que valeu o esforço de ter me preocupado, mais uma vez, com o louco, foi da Ràthania dando um tapa na cara de Stefan (que eu queria ter dado) e gritando com ele para nunca mais dar um susto como ele deu a ela. Acredita que ele teve a cara de pau de dizer que estava novo em folha e que aquilo não foi nada? Impressionante! Eu estava de longe só observando e assimilando toda a falta de noção do inventor.

Os olhos da Ràthania estavam cheios de lágrimas. Parecia muito real o que ela sentia, de verdade. Me assustei, mas senti que ela tinha sentimentos e se importava com Stefan. Apesar de tudo.

Decidimos, finalmente, voltar à superfície, deixando K para encontrá-lo no retorno. Eu precisava de um banho. Retornando à cidade, cada um foi resolver suas próprias questões e descansar. Depois do meu longo banho e de um almoço restaurador, fui até à Kanpeki. Ela estava ficando linda, diferente de antes, robusta, menos tamuraniana e mais a cara de Yuvalin.

Goro abriu um sorriso e começou a me mostrar tudo o que tinha de novo, como estava ficando, as diferenças e coisas novas para oferecer aos clientes. Ele me perguntou sobre como foi o dia e agradeceu a Lin-Wu por eu estar viva e inteira, apesar dos pesares. Ele me beijou e pediu para que eu permanecesse viva e inteira, dizendo que a reinauguração seria em dois dias. Eu disse que estaria lá pronta para, com muita alegria, dar um abraço bem apertado nele, mas que também comemoraria a sós com ele em casa.

Os olhos dele se esbugalharam e ele ficou vermelho, dizendo que mal esperava pela noite. Eu ri um pouco do desconserto dele com minha fala ao pé do seu ouvido. Pedi desculpas por atrapalhar sua concentração no trabalho e combinei de o encontrar mais tarde. Fiquei, ainda, algum tempo observando ele trabalhar, lindo como sempre!

Depois, saí para observar a cidade e procurar quem ainda precisava de ajuda depois da tempestade. Cheguei a um templo de Lena e vi que muitas pessoas padeciam com os efeitos da Tormenta. Os curativos precisavam ser trocados, usei também algumas escamas de peixe sobre as queimaduras de ácido, conversei com os doentes e tentei acalmá-los. Passei a tarde inteira ali apoiando as clérigas de Lena.

Fiz algumas compras que seriam essenciais para a próxima missão e fui para a casa do Goro, já ao anoitecer. Jantamos juntos e fiquei encantada com tudo o que ele me contou sobre a reconstrução da loja. Eu olhava para ele com ar de sonhadora, me esquecendo de todos os problemas e só me concentrando no quanto ele estava feliz.

Golens, trolls, ameaças… Quem se importa com isso quando pode se perder em uma noite de carinho? Mais uma vez, eu abri mão de dormir nos ermos para estar com meu namorado, cuidando dele e da Noah, como não havia imaginado que faria um dia. Apenas me lembrava de todo amor que minha mãe adotiva, Silena, dedicava a todos nós em casa.

Foi uma noite gloriosa. A manhã era doce como a primavera e era como se Thyatis tivesse dado a nós mais uma chance de ser feliz, apesar de toda a dor que a Tempestade Rubra nos causou. Goro estava feliz de poder voltar às obras da loja e eu estava feliz por ele. Me sentia renovada também para voltar ao trabalho. Sabia que seria difícil quando chegássemos ao quarto andar, talvez até mais do que os anteriores, mas estava disposta.

Depois do almoço, os Desafiantes nos encontramos novamente para voltar às Minas Heldret. Andando pela cidade, encontramos uma pessoa que nos parou para falar que estávamos carregando muito peso, por dentro e por fora, um discípulo de Mãos Vazias. Eu disse que estava ótima, apesar de ele achar que eu fosse uma clériga. Disse que minha aura se confundia um pouco.

Maridis, o Monge de Mãos Vazias

Ele tentou mostrar a Stefan que confiar em armas era furada. Mas como o inventor é exibido, ele fez questão de mostrar a arma. O tal discípulo, monge, ou sei lá o que era, simplesmente, pegou a arma do kliren e saiu correndo, fugindo da vista. Eu fiquei perdida sobre o que estava acontecendo, só vi Stefan e Kroll correndo atrás do ladrãozinho.

Edward puxou um baralho e chamou Toshinori para jogar na praça. Estávamos muito interessados, obviamente, no sucesso de Stefan caçando sua arma. Aproveitei também para arrumar algumas coisas na bolsa que joguei correndo dentro dela antes de sair de casa. Brinquei um pouco com a Noah, ensinei alguns truques a ela, tudo enquanto esperava os meninos retornarem, com ou sem arma do Stefan.

Alguns minutos depois, Kroll voltou sorrindo e Stefan, arfando, com a arma na mão. Eles conseguiram, então. “Prontos?” – eu perguntei. Continuamos nosso caminho. Começamos a descer naquele elevador, nos lembramos de encontrar o K no terceiro andar, e continuamos descendo, sentindo o silêncio das Minas nos amassar.

Chegando ao quarto andar, nos deparamos com um corredor dividido por um grande buraco no chão. Não sabíamos a profundidade, mas pudemos ver alguns ossos do outro lado e eu esperava que aquilo não fosse um prenúncio do que poderia acontecer com a gente ali.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/6nAMKTAR8qc

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Corredor da morte

“Impossível dar errado”, disse Stefan, mas tudo pode ir por água abaixo na companhia dos Desafiantes de Yuvalin. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, tentando fazer com que seus aliados continuem, ao menos, vivos.


O Stefan viu algo dentro daquela sala, mas a explicação dele não fez o menor sentido. Só a Ràthania parecia estar extremamente empolgada com o que quer que tivesse lá dentro. Apesar de não ser convincente, ele disse que confiava na namorada.

Eles falavam sobre um golem completamente de aço-rubi. Isso parecia divertido. “Impossível dar errado”, disse Stefan. Imediatamente, pedi que Ràthania avançasse junto com Stefan para chegar perto do tal golem. Ela puxou ele pelo braço, mas os meninos decidiram que o Kroll deveria ir à frente e nos posicionamos estrategicamente.

Antes de a equipe avançar, fiz uma prece a Allihanna e me abaixei, tocando o chão. Um fluxo de energia e luz emanou de mim e toda aquela área foi consagrada à minha deusa. Assim, sempre que usasse magia para curar meus aliados, o poder de Allihanna seria total e eles seriam contemplados com um toque de vida.

Eu não via o que se passava na sala, apenas ouvia. Joseph estava ao meu lado e Stefan à minha frente. De onde eu estava, via enfileirados Edward, Toshinori e Kroll. O nobre foi o primeiro a avançar. Naquele instante, ouvimos barulhos ensurdecedores. O construto deveria ter se ativado com a entrada do Edward na sala.

Eu confiei na ação de Edward, que ele faria um trabalho liderando o combate. Só ouvia os sons desse combate. A criatura batendo e os meninos apanhando e eles também tentando bater.

Apesar de não conseguir ver Edward e Toshinori muito bem, ouvi quando o construto atingiu Edward e que ele não conseguiria se defender com o escudo. Ergui minhas mãos e uma energia mística saiu delas em direção ao Ed, imediatamente, formando um escudo místico sobre ele no momento que o inimigo despejava sobre ele o segundo ataque. Mesmo assim, percebi que ele caiu ferido no chão.

De uma forma muito inteligente para o nosso bárbaro, Kroll puxou Edward da frente dos golens para o meu lado. O nobre estava bem ferido, sangrando, deitado. Fiz uma prece a Allihanna e a magia fluiu de mim para ele quando toquei com as minhas mãos na sua testa. Ele respirou profundamente e, apesar de continuar deitado e sangrando, vi algumas das suas feridas se fecharem.

Joseph deve ter visto a gravidade da situação, pois sua melodia ao alaúde élfico se tornou urgente e decidida. Enquanto ele tocava, percebi que, não apenas eu, mas todos nós nos sentíamos mais fortes e mais capazes.

Toshinori se muniu de tudo o que ele podia e atacou com seu bico de corvo. Ouvi um barulho forte do encontrão da arma com o aço-rubi. Ele deu um passo para trás e chegou mais para perto de todos nós, pedindo que eu tentasse ao máximo proteger a todos na equipe, principalmente aqueles que estivessem no combate.

O doido do Stefan correu para dentro da sala, mas voltou, felizmente, ileso. Difícil defender esse cara com ele fazendo tanta loucura. Não percebi se ele fez algo lá, só sei que foi rápido. Eu estava preocupada com Edward que cuspiu sangue do meu lado e tentou se levantar com certa dificuldade. Ainda assim, ele conseguiu gritar algumas ordens para o restante dos combatentes da equipe.

De repente, aquele bichão apareceu no final do corredor e eu vi o tamanho do golem. O paladino tentou bater com sua arma, mas apenas ouvimos um clangor estridente, não pareceu ter efeito algum sobre a criatura.

Golem de aço-rubi

Toquei nas costas de Toshinori e conjurei um escudo daquele, como uma aura de luz que o envolveu. Queria que ele tivesse um pouco mais de proteção por ficar bem na frente de batalha. Eu estava me sentindo mais próxima da minha deusa e apenas saí de perto de onde a luta seria mais quente, pra que eu conseguisse dar o suporte necessário à equipe.

Acho que o Joseph pensou igual, porque veio para o meu lado. Ainda preciso perguntar a ele sobre ele ter sempre as mesmas ideias que eu, sendo que a gente nem tem uma ligação assim tão forte.

Dessa vez, ouvi um barulhão com Toshinori batendo e derrubando o construto no chão. O que me distraiu desse golpe foi a Ràthania reclamando com o namorado que o inventor deu uma poção ao paladino. Ele respondeu que ele daria algo especial a ela mais tarde. Como o Stefan sabe ser bem insuportável!

Kroll trocou de lugar com Stefan, tentou bater e morder, mas não conseguiu. Acho que o Toshinori estava impressionado com o fato de Stefan ter ajudado e acabou atrapalhando o bárbaro a fazer o que ele sabe fazer de melhor.

Edward tentava ajudar como podia, liderando o combate com ordens bem sincronizadas com os movimentos dos combatentes. Porém, enquanto isso, a criatura também continuava atacando e bateu no paladino, que se feriu consideravelmente. Ele caiu de joelhos, as garras do construto puxaram ele e rasgaram sua armadura e sua pele. Seus gritos cessaram quando Toshinori caiu no chão, sem movimentos.

Juntei minhas mãos em uma oração fervorosa, as levantei e algo como um vento leve soprou ao meu redor, levando a luz da magia até cada um dos meus aliados. Todos eles foram envolvidos por essa luz e vi algumas feridas se fechando, Toshinori se levantando e até Edward ganhar mais cor.

O bardo, além de ser tocado pela minha magia, fez seus gestos arcanos para continuar curando os feridos na sala. Toshinori atravessou a criatura com seu bico de corvo e derrubou o golem.

Depois de Toshinori vir para mais perto de nós no final da sala, pedindo para que Edward trocasse de lugar com ele, Stefan sacou uma bomba e aquele barulho ensurdecedor me distraiu do que quer que tenha acontecido nos segundos seguintes.

Tudo o que eu sei é que aquele construto parou de funcionar, destruído, e que havia mais alguma criatura. Edward, revigorado, avançou em direção àquela criatura que rugia e que batia e rasgava.

Saí de onde estava e repeti aquele movimento, que foi seguido daquele vento vindo de lugar nenhum e levando luz de raios divinos para curar meus aliados. Joseph seguiu mais para frente também e começou a cantar e tocar, o que paralisou a criatura. Percebi que era um troll (MAIS UM TROLL NESSA MINA) e ele estava completamente fascinado pelo bardo tocando.

Não sei qual foi o objetivo, mas Toshinori, simplesmente, passou pelo troll e foi pra outra sala. O pior é que o Stefan resolveu fazer a mesma coisa. Mas eu fiquei impressionada por ter sido o paladino quem teve a ideia.

Kroll parecia só estar de saco cheio de toda aquela batalha, porque ele continuava lutando com ainda mais ferocidade. Mesmo de onde eu estava, não conseguia ver nada além do Kroll, apenas ouvia os golpes, defesas com escudo e gritos.

Kroll, brilhando em batalha

O que quer que tenha acontecido no corredor lá em cima, foi uma gritaria danada, parecia que Edward e Stefan não se entendiam (para variar um pouco). O troll veio correndo para cima de mim, passando por todos no caminho, como se fosse uma nuvem e não uma criatura enorme. Eu fiz o mesmo movimento dele, mas para o lado contrário, ocupando o lugar onde ela estava. Fiquei do lado do construto destruído. Do outro lado, estava Stefan estirado no chão e Ràthania gritando e chorando perto dele.

Uma luz muito forte, conjurada por Joseph, brilhou na sala de onde eu saí. Mas não parece ter surtido qualquer efeito. Foi quando Toshinori veio com uma cara de poucos amigos da outra sala para ficar no lugar de Joseph, que fugiu correndo quando a magia deu errado.

Finalmente, Kroll finalizou o serviço. Suas feições ficaram até mais leves, se é que isso é possível. A luta acabou.

Silêncio.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/6nAMKTAR8qc

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – MASMORRA

Quase sem forças, os Desafiantes de Yuvalin se viram mais uma vez diante de uma batalha. O que será que vem pela frente?


Tentei me esgueirar por algum dos lados, ou entrar na sala ou passar pelo golem no corredor, mas totalmente sem sucesso. Não tinha como sair dali. Mas eles sim, continuaram avançando.

Ouvia sons de armas, baques ocos e gritos no corredor. Ver, eu via bem pouco. Meu foco estava em não morrer pelas mãos dos construtos que me encurralaram. Os meninos gritavam para que eu ajudasse mais, mas eu simplesmente não conseguia. Era como se minha conexão divina estivesse abalada, porque eu tinha pouquíssima força para continuar.

Kroll já levantou na minha frente diferente de como estava quando eu o curei. Ele estava com os olhos vermelhos e já desceu o machado de adamante sobre o golem que estava à nossa frente. Ele também mordeu aquele monstro com fúria, deixando-o bem machucado.

Consegui ver por um canto de olho que Toshinori ia apanhar de um daqueles guardiões de aço e, instintivamente, joguei um dos meus braços para o lado onde ele estava e, tentando restabelecer minha conexão com Allihanna, um escudo protetor cobriu o paladino. Naquele momento, percebi que a deusa não havia me abandonado e fiz mais preces por todos nós ali.

Uma luz emanou de mim naquela masMORRA (literalmente) tocando cada um dos meus companheiros. Todos respiramos um ar mais natural, mais limpo, como se estivéssemos próximos a uma floresta, apesar de presos em uma caverna. Ferimentos se fecharam e o vigor retornou ao braço de todos.

Até o Joseph que estava caído levantou. Stefan tentou atirar no golem ao meu lado, mas sem sucesso. Pelo menos, não acertou nem o bardo e nem eu. Joseph já levantou inspirado e nos inspirando com suas músicas e danças. Não sei exatamente como isso pode ajudar tanto, de onde vem essa magia, mas ajuda. Então, tudo bem.

Mas não estávamos tão bem assim. Os meninos estavam apanhando, era o que eu conseguia ouvir de onde eu estava. Vi um bico de corvo surgir ao meu lado, acertando e derrubando o construto bem na minha frente. Mas não durou muito tempo no chão. Ao levantar, ele já se virou contra mim e me bateu.

Bateu com força. Mais uma vez, fiz da minha pele como pedra e o machucado que o construto causou foi mais uma dorzinha de cabeça. Do contrário, eu teria sofrido bastante e poderia ser o começo do fim ali.

Do outro lado, Kroll destruiu a criatura. Foi um susto porque ainda estava me estabilizando. E, antes que eu pudesse voltar ao normal, o bárbaro também estraçalhou o que bateu em mim. Apesar de tanto tempo com esse grupo, algumas coisas ainda me surpreendem bastante.

Com o Kroll avançando para onde o recém-destruído estava, não vi mais nada. Então, só me sobrou ouvir a briga, golpes e tiros. Além disso, decidi continuar onde estava para me manter protegida por Kroll. Em troca, curei a equipe com um pouquinho de forças que ainda me restavam.

Senti que conseguia respirar um pouco melhor logo depois de ver uma luz azul vindo da direção de Toshinori. Espero que os demais também tenham tido oportunidade de sentir isso antes de sucumbirem.

Ouvi muito barulho de metal batendo, mas não pude ver. Acredito que o paladino, o bárbaro e o nobre estavam aniquilando as criaturas. Enquanto isso, de soslaio, vi o inventor no chão outra vez. Quando não é uma coisa, é outra. O Stefan sabe ser bem insuportável.

Corri até ele para tentar curá-lo. Com aquele sentimento de isso-vai-ter-volta, que eu não queria ter, já que ele estava começando a ser mais útil na brincadeira, me abaixei ao seu lado e coloquei minhas mãos sobre a sua testa. Tentei focar no que era importante e que não deixaria ninguém para trás, porque só assim, e não com sentimento de pesar, poderia curá-lo decentemente. Então, assim aconteceu.

Reparei que, do outro lado da sala, o bardo já começava a imitar meus movimentos e a fazer outros, o que significava que ele estava copiando a magia que fluía de mim pelo meu contato com Allihanna. Ainda estou tentando entender como isso funciona. Qualquer dia, preciso me lembrar de perguntar isso a ele. A luz que emanou dele tocou Toshinori, que já bateu no construto com seu bico de corvo.

Stefan abriu os olhos, olhou para mim e para o golem na frente dele. Levantou, mirou e atirou na cabeça da criatura. O último construto caiu, com aquele estrondo do tiro. Útil. O inventor foi útil. Minha cura nele teve retorno. Ótimo.

Eu estava exausta, mas aproveitei o pouco que ainda me restava de contato com Allihanna ali naquele lugar esquecido pelos deuses para curar todos da equipe.

K não conhecia aquela parte das minhas e se questionava (em voz alta) o porquê de Tallaka o ter abandonado ali e o que, de fato, teria acontecido nesse tempo em que ele dormiu lá naquela salinha onde o encontramos.

Os meninos sugeriram descansar. Finalmente! Eu concordava. Mais que isso, eu precisava. Estávamos apenas investigando para saber onde deveria ser mais seguro armar acampamento.

Stefan chamou Joseph para um particular. Todos nós outros nos entreolhamos e eu decidi ir atrás. Não demorou muito, mas pode ser sempre um perigo, já que o inventor tem uma predileção por atirar no bardo.

Rapidamente, nos ajeitamos para dormir. Encontrei um lugar aparentemente seguro e todos nós descansamos. Não era nada confortável estar tantos e tantos metros abaixo da relva, mas foi o suficiente para continuarmos.

Após um breve desjejum, decidimos continuar nossa jornada pelas Minas Heldret. Stephan indicou o caminho e verificou se tinha alguma armadilha à frente. Com tudo tranquilo, Edward abriu a porta e pude ver, por baixo dos braços dele, que as luzes da sala se acenderam. Toshinori avançou para dentro e, imediatamente, outra porta começou a se fechar no lugar da que Edward abriu. Os meninos correram para dentro da sala, mas não deu tempo para que eu e o nobre entrássemos.

O nobre tentou encontrar uma abertura ou gritar, como ele gosta bastante de fazer, mas não funcionou. Alguns bons minutos passaram e eu sentei no chão e fiquei fazendo carinho em Noah e conversando sobre a vida. Ela estava um pouco diferente, mas, como eu estava preocupada com os meninos, não consegui reparar o que estava diferente nela. A druidisse dava lugar à liderança.

De repente, a porta começou a fazer barulho novamente e a subir, abrindo-se bem à nossa frente. Mas, depois que quase todos saíram, Toshinori, simplesmente, fechou a porta e ficou lá dentro por alguns instantes. Sei lá o que aconteceu com esse povo dentro da tal sala.

Ele saiu com os olhos negros e rindo de um modo meio macabro. Eu tive medo de perguntar. Tudo o que eu vi da sala foram desenhos de um sol e uma estrela, símbolos de Azgher (o Deus Sol) e Tenebra (a Deusa da Noite).

Símbolo de Tenebra, Deusa da Noite

O paladino encontrou um baú e o abriu. Ele estava cheio de itens interessantes. Muito interessantes. Eram joias e poções diferentes. Aquilo daria bastante dinheiro para nós. Nada mal.

Encontramos, então, mais uma porta do outro lado e eu perguntei se todos iríamos avançar. Também verifiquei se todos tinham saúde o suficiente antes de avançarmos. Stefan perguntou se podia abrir a porta e nos posicionamos. Ele avançou e investigou cada metro do corredor antes de dar um passo. O que poderia dar errado?


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/_cqjsy_IleE?si=N8sKpQvNQhcxyHe_

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – Construtos e mais construtos

O terceiro andar das Minas Heldret esconde algo importante porque perigos não faltam. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Mas o gênio não soube explicar direito. Só disse que algum armeiro muito bom deve ter feito experiências com partes de trolls e aço rubi. Bom, isso parecia meio óbvio, mas ok.

Os meninos queriam arrancar as partes dos trolls mortos (o metal, claro, mas também a carne – não pergunte) e continuamos investigando as salas. Stefan encontrou alguns papéis escritos em língua anã e pôs-se a ler. Foi, então, que entendemos que as folhas eram um diário de uma anã sobre seus experimentos entre seres vivos e objetos forjados de aço rubi.

Resolvi investigar também para saber se havia alguma ameaça. Fiz uma prece a Allihanna e uma grande paz me invadiu. Entendi que nada realmente ameaçaria o grupo ali. Então, mais aliviada, usei magia para curar os meninos feridos. Minha conexão com a deusa estava forte e senti a energia fluindo de mim para Toshinori e Kroll apenas com um toque de minhas mãos.

Depois de estudar um pouco os trolls, Stefan analisou, sorrindo, o colar com o símbolo sagrado de Valkaria, soltando um “talvez”. Notei que, não apenas eu, mas o grupo inteiro esboçou uma expressão de alívio nos rostos. Seria um vislumbre de mudança no inventor para que, finalmente, ele abandonasse sua devoção ao Deus do Caos? Que Valkaria o conduza!

Isso nos deixou mais animados, apesar da luta que travamos momentos antes. Voltamos ao corredor de entrada do andar e retomamos nossa exploração do terceiro andar. Como a porta da esquerda ainda estava fechada, avançamos pelo lado direito.

Com uma nova prece a Allihanna, solfejando palavras de louvor e súplica, tentei detectar alguma ameaça do outro lado da porta. PAZ. Edward abriu-a e entramos. As luzes que, do lado de fora, eram azuis, ali eram vermelhas. Outras folhas do diário da anã estavam sobre a escrivaninha. Havia também um baú e uma mesa de construção, com metais e engrenagens.

Toshinori abriu o baú e encontramos alguns tibares de ouro lá dentro. O paladino olhou para Edward e perguntou se era assim que o nobre se sentia todo dia. Ele respondeu que o que achamos daria para pagar o café da manhã. (ES)Nob-r-es!

Stefan avistou uma porta cuja fechadura se parecia com a chave que ele havia encontrado recentemente, bem diferente. Ela tinha uma pirâmide na ponta e o buraco da fechadura se encaixava perfeitamente. Assim, ouvimos a porta se abrindo e, do outro lado, um construto de metal, que se ativou imediatamente.

Ouvimos o construto gritar pedindo para falar com Tallaka. Toshinori tentou interceder em nosso favor, dizendo que estávamos ali em paz. Por outro lado, aquele que estava bem na porta porque a abriu estava cantando que era um amendobobo. Independentemente do que aquilo significasse na mente do louco, eu sabia que Stefan estava, mais uma vez, confuso e que precisava de ajuda para voltar ao normal. Logo quando a gente tinha que agir em paz com o construto.

O Stefan sabe ser bem insuportável.

Supliquei para que o Kroll saísse da frente para que eu conseguisse ao menos tocar o inventor para tirá-lo desse transe. Edward e Toshinori estavam negociando com o construto. Ele, chamado de K, estava fazendo várias perguntas sobre o que tinha acontecido, sobre a guerra dos anões, em que ano estávamos. Edward entregou o diário que encontramos para o golem.

K, o golem

Enquanto isso, puxado pela camisa para o meu lado, eu coloquei minhas mãos sobre a cabeça do inventor, ainda cantando e balbuciando frases incompreensíveis. Seus olhos se desanuviaram quando eu impus-lhe as mãos. Ele piscou algumas vezes e entrou na conversa com o golem.

Diante de tantas perguntas de K, eu disse que estávamos ali para investigar as minas e encontrar um artefato. Também disse que nós poderíamos ajudá-lo e que, se ele quisesse, também nos ajudaria, já que ele conhecia melhor as minas melhor que nós. Ele aceitou e nós tínhamos um aliado dali para frente, pelo menos nas Minas Heldret.

Tallaka era a anã inventora, auxiliada por K. Ele deixou escapar que ela usava um artefato diferente para moldar o aço rubi e fazer os experimentos. Bom, era isso que procurávamos e por causa disso que estávamos explorando a caverna. Ele só não sabia que havia algo do outro lado do corredor, como se só tivesse sido construído depois de ele ser desativado. O que era estranho.

Edward tentou abrir a tal porta do lado esquerdo do corredor de entrada do andar, mas havia uma resistência. E ele e Stefan perceberam que algo pesado estava travando a porta. Assim, convocamos o mais forte do grupo, no caso o crocodilo, para que ele abrisse a porta.

De onde eu estava, não conseguia ver o que tinha lá dentro, só ouvi barulhos e uma leve iluminação vermelha. Os sons não eram amigáveis. Algo se ativou lá dentro. Quando vi Stefan sacando e acendendo uma bomba, entendi que a coisa estava ficando feia. Pelo menos, ele estava atirando contra o que deveria ser um inimigo e não contra os amigos.

O barulho foi ensurdecedor, mas, diferentemente do segundo andar, nada caiu sobre as nossas cabeças com o estrondo da bomba. O que quer que fosse nosso inimigo, atacou quem estava mais próximo, o bárbaro, que só ficou atordoado com a surpresa do ataque e apanhou bastante. Eu precisava curá-lo. Então, avancei para o lado Kroll e fiz uma prece a Allihanna. Magia fluiu de mim para curá-lo, mas não adiantou muito.

Só tive tempo de alertar o grupo sobre 3 golens de aço rubi que eu consegui ver na sala e uma das criaturas já bateu no Kroll. Joseph começou a tocar e cantar para, com sua magia, nos ajudar naquele momento. Foi então que uma das criaturas avançou e pisou em cima do Kroll e, simplesmente, tentou me bater. Desviei de um golpe mas o outro ia me atingir, quando enrijeci meu corpo e como que uma capa protetora surgiu sobre a minha pele. Ele até me acertou, mas só deixou um leve arranhão.

Toshinori pediu que todos saíssem do caminho naquele corredor para que ele pudesse ir para cima dos golens. Edward também gritou para que fizéssemos isso, só assim o paladino poderia fazer o que ele faz de melhor.

Stefan acendeu outra bomba e jogou dentro da sala. Só consegui ver um dos construtos, de fato, sofrendo, mas, ainda assim, ele avançou pelo corredor, como se eu não estivesse no caminho. Mas ele não bateu em mim, e sim, no bardo. Foi uma grande pancada e ele caiu.

Apesar de Kroll estar respirando e não estar sangrando, ainda estava caído e machucado. Outro golem avançou, mas Edward tentou bloquear com seu escudo, mas, ainda assim, se feriu um pouco.

Vi, então, que não eram 3, eram 4 construtos. Além disso, as forças já se esvaíam de nós, o que sentimos quando nem todos podiam mais usar magia. Estávamos com sérios problemas.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/_cqjsy_IleE?si=N8sKpQvNQhcxyHe_

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo: