O filme Persuasão pouco persuasivo

A adaptação do clássico de Jane Austen para a Netflix passou a semana inteira nos Top 10 e, como fã de Persuasão, vou comentar minhas impressões sobre o filme.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que é uma adaptação. Provavelmente, o filme da BBC (1995), que também é uma adaptação, transmite ao expectador algo muito mais clássico e a cara dos livros de Jane Austen (óbvio, porque é a BBC). Já a versão da Netflix traz uma pegada mais moderna e no mesmo estilo de Enola Holmes, que parece ser uma tendência no serviço de streaming.

A quebra da quarta parede me causou estranheza, justamente porque eu esperava uma adaptação mais clássica. O filme se propõe a ser mais leve e moderno, até mesmo um pouco cômico, diante da tragédia romântica de Anne Elliot (Dakota Johnson) e Wentworth (Cosmo Jarvis). O que deixou o filme com mais cara de drama adolescente que de um clássico de Jane Austen.

Li muitas críticas falando sobre a falta de química entre o casal principal e, na verdade, acredito que ficou faltando um desenvolvimento para um clímax, algo que fizesse com que eu realmente ansiasse pelo relacionamento dos dois. Talvez, eu só tivesse ansiado por isso porque amo o livro e criei a expectativa, mas o filme não chegou lá.

Por outro lado, a fotografia do filme é excelente e os jogos de câmera induzem na percepção de questões sociais e na ambientação da sociedade da época. Além disso, em diversos momentos, percebi que havia imaginado as cenas do livro como nas locações e no desenvolvimento da cena em si.

A experiência dessa adaptação para algo menos clássico e fiel pode ser bem rica para uma noite de sábado, se você curte esse tipo de filme. Vale ressaltar que não é o melhor filme do ano, mas não é por isso que você precisa deixar de assistir.

Me deu vontade de reler o livro e ficar mais com a impressão que tenho dele.

Você é fã de Austen? Se assistiu ao filme, me conta o que achou?

Até breve!

Aline Gomes

Filmes que você precisa assistir – Parte 3: Ilha do medo

O que você considera um filme de terror? A primeira reação que tive quando fui apresentada à lista de filmes que ainda não tinha assistido e olhei o nome Ilha do Medo (2010) foi “Eu não vou ver isso porque não assisto a filmes de terror”. Ainda bem que eu assisti ao filme. Não apenas assisti ao filme uma única vez, mas duas.

Ilha do Medo (Martin Scorsese) não é um daqueles filmes de terror, terror, sabe? (Acho que você entende o que quero dizer). Ele tem um clima de tensão, com uma sonoplastia muito marcante e jogos de luzes e enquadramentos que criam uma atmosfera propícia para você ficar preso na narrativa do começo ao final, mesmo com medo.

A história faz você criar zilhões de teorias conspiratórias sobre o que pode realmente estar acontecendo, mas você é surpreendido a cada nova verdade – ou mentira – contada no filme. E, mesmo assistindo pela segunda vez, fiquei refletindo se era isso mesmo.

Esses jogos de câmera, luzes e cenas que mencionei completam a atuação brilhante dos atores e fornecem detalhes que você não percebe até entender tudo, lá no final do filme. Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Michelle Williams entregam TUDO!

Devo confessar que, em uma única semana, assistir a dois filmes em que o DiCaprio sonha com a mulher morta todas as noites foi too much, por isso tive que dar um tempo entre A origem (filme que você pode ler a crítica aqui) e Ilha do Medo e assistir de novo ao segundo.

Não vou dar detalhes da história, porque qualquer coisa que eu escrever aqui pode ser um big spoiler. Mas ela é a adaptação de um livro e se passa pouco após a II Guerra Mundial, na década de 1950, quando dois detetives vão investigar o desaparecimento de uma assassina em uma prisão para pacientes psiquiátricos. O agente federal Teddy Daniels (DiCaprio) precisa lidar com a investigação e com seus próprios medos e conflitos internos para conseguir sair vivo da ilha.

Esse filme mudou um pouco minha perspectiva de filmes de terror/suspense, apesar de eu ter fechado os olhos em alguns momentos – ou deixado semi-abertos.

Já assistiu? Conta pra mim o que achou.

Até a próxima!

Aline Gomes

O que faz a Pixar ir ao infinito e além

Nos últimos meses, tenho estado um pouco encantada pela Pixar (mais do que o normal, pelo menos). Sempre fui apaixonada pelos filmes, no entanto, desde o final de 2020, comecei a buscar mais informações sobre a empresa e como ela gera tudo aquilo e me apaixonei ainda mais.

Se você, assim como eu, tem um lugar reservado para a Pixar em seu coração, esse post é para você.

Pixar Animation Studios
Pixar Animation Studios

A ideia aqui é apresentar a você, leitor, algumas dicas para que possa conhecer um pouco mais sobre a Pixar. Se você tiver mais informações sobre a empresa, enriqueça esse post com seus comentários.

Quero começar apresentando o que me fez escrever esse post: o livro Criatividade S.A., de Ed Catmull, presidente da Pixar.

Livro Criatividade S.A.
Criatividade S.A., Ed Catmull

Basicamente, o livro é sobre liderança e como o autor lidou e lida com os desafios até chegar à Pixar e no decorrer dos anos da empresa. Entremeada com as histórias de sucesso e fracasso por onde Ed passou para contextualizar seus ideais de liderança, há diversas histórias de desenvolvimento da empresa. Ele destaca vários momentos de criação das animações.

O livro é grande e me rendeu mais de 60 destaques no Kindle (quase marcando páginas inteiras). Ele é um convite a você querer conhecer ainda mais as histórias por trás dos curtas e filmes longa-metragem. Estimula a criatividade e a liderança e, no meu caso, ainda me fez chorar de emoção em determinados momentos.

Com a chegada da Disney+, diversos curtas animados da Pixar se tornaram disponíveis para os assinantes em um lugar só. Antes, a gente esperava para ver um em uma fita de vídeo (sim, eu fazia isso) ou nos DVDs.

Catmull conta no livro que os curtas são uma oportunidade de testar ideias de roteiros, mas principalmente, tecnologia. A maior parte das inovações começavam em filmes de até 7 minutos e, depois, evoluíam para filmes com mais de 70 minutos.

Os curtas também são histórias divertidas para assistir em momentos de descontração, aqueles em que você não tem muito tempo ou não está disposto a se prender a alguma história grande. São, no geral, histórias inteligentes e, até mesmo, muito emocionantes (quem nunca se emocionou com com filmes de até 7 minutos?).

Ainda não tive a oportunidade de ver todos os documentários disponíveis sobre a Pixar na Disney+, mas indico porque quero ver. São uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre a empresa, o processo de criação e desenvolvimento de filmes e como ela se relaciona com a Disney, funcionários, fornecedores e conosco, seus clientes finais.

Em algum momento, eu volto para a gente discutir sobre as inúmeras teorias que há sobre as histórias da Pixar se entrelaçarem em uma única. Imagino que você já tenha ouvido – e até desenvolvido – várias delas e eu estou louca para conversar sobre isso com você.

Apresento a você, também, minha luminária que lembra um pouquinho a original (ênfase em “pouquinho”). A paixão me fez correr atrás até achar uma parecida o suficiente (em um preço acessível) para fazer parte do meu quarto/escritório/estúdio.

Luminária Pixar

Se você tiver souber de alguma curiosidade ou já, até mesmo, esteve nos estúdios para conhecer, deixe seu comentário e eu vou ficar muito feliz por saber ainda mais sobre a Pixar.

Até a próxima!

Aline Gomes

E se… a gente viajasse no tempo?

Quando se trata de viagem no tempo, é mais difícil me conter em um único post. Inspirada no tema da última publicação aqui do blog (Dark e algumas reflexões que vão além do tempo), continuo desbravando a ideia falando sobre um livro: A máquina do tempo, de H.G. Wells.

O livro teve sua primeira edição publicada em 1895 e é um dos primeiros do gênero. H.G. Wells é, junto com Júlio Verne, considerado um dos pais da ficção-científica no mundo. Ambos se tornaram responsáveis por iniciar o contato de muitas pessoas leigas com as possibilidades que a ciência poderia trazer para o dia a dia delas. Na mente dos autores brotou um “e se…” e as histórias foram surgindo, cheias de imaginação com uma dose de real possibilidade. Muitas das criações futurísticas de autores e roteiristas de séculos passados já se tornaram realidade e outras, não estão tão distantes mais.

Algo que me chamou a atenção no livro é que o autor não apenas narra uma história que pode acontecer um dia, mas ele faz duras críticas à sociedade em que vive o personagem principal, o Viajante no tempo. São críticas tão atuais que nos dão a ideia de que, de fato, apesar de termos evoluído tecnologicamente, como sociedade não avançamos nem um pouco.

É um livro relativamente pequeno e de fácil leitura. Além disso, se você é tão apaixonado por questões relacionadas ao tempo como eu (ou mais que eu, até), pode se encantar com a riqueza de detalhes. Não há tantos detalhes sobre a máquina em si, mas sobre a viagem, o que ver, o que sentir, as reflexões sobre o futuro da humanidade, os medos. A história é envolvente do começo ao fim e nos estimula a pensar em possibilidades para o presente e para o futuro.

O tema é tão interessante, que já virou enredo de diversos filmes, outros livros, série, como falamos em vários posts aqui do Qual é a das quintas?. Temos heróis que viajam no tempo, advogados, cientistas (claro), estudantes… será que o próximo pode ser eu ou você?

Sem spoilers, o narrador conta a experiência do Viajante (nada de nomes) que desenvolveu e construiu uma máquina que o possibilitou viajar para um futuro bem distante. O cenário, apesar de ser familiar ao personagem, está bem diferente de como ele vê na sua era e a humanidade caminhou para uma realidade de tal evolução (se posso chamar assim ao que teria ocorrido), que há uma separação extremamente clara de classes sociais com distinções físicas, culturais, linguísticas, entre outras diferenças. Não havia um objetivo de, ao viajar para tal período, ter uma visão rápida e geral e retornar, porém, algumas questões se entrepõem e dificultam seu retorno, oferecendo grandes perigos e desgastes físicos e emocionais.

“Mesmo quando a inteligência e a força houverem desaparecido, a gratidão e a ternura mútua sobreviverão no coração do homem” (H.G. Wells, A máquina do tempo).

Se você também se interessa por ficção-científica em todas as suas vertentes, eu te convido a iniciar uma conversa comigo sobre o tema. Estou desenvolvendo um projeto e a primeira fase dele é uma pesquisa bem rápida. Clique aqui para responder. Obrigada.

Aline Gomes

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A noite chegou para os Wayne de Gotham

Sabe aqueles livros que a gente compra ou pega sem ter muita certeza se vai ser uma boa ideia ler? Não porque eles não sejam bons, mas porque podem não ser a nossa cara, nosso tipo de leitura que cativa e faz a gente ir até o fim.

Essa foi a sensação que eu tive quando peguei Wayne de Gotham na prateleira da editora Leya, na Bienal do Livro de 2017, no Rio de Janeiro. Pensei: “vou ler primeiro os outros livros que acho que vou gostar mais e deixo esse por último”. Ainda fiz uma votação nos stories do Instagram para ver se leria esse ou outro primeiro. Decidi ler os dois ao mesmo tempo (recomendo a experiência pelo menos uma vez na vida). Terminei Wayne de Gotham primeiro pelos seguintes motivos.

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Primeiro, ele me surpreendeu. Tracy Hickman, o autor, soube montar a trama de um jeito que instiga você a querer saber mais sobre o submundo de Gotham, a família Wayne, os crimes e vilões. Além disso, os detalhes de cada passagem, desde o que os personagens principais pensam até a forma como socos e pontapés foram desferidos contra os antagonistas, são riquíssimos e chamam a atenção. Claro que, se você é do tipo que sofre lendo, por exemplo, O Senhor dos Anéis pela quantidade de detalhes, pode ficar levemente nervoso com isso (fique tranquilo, é bem menos que LOTR).

Segundo, é possível explorar mais que o Batman encurralando vilões e dando fim a grandes crimes na cidade. O livro fica indo e voltando na história da família Wayne que, por vezes, se confunde com a própria história de Gotham. A escuridão é parte integrante de tudo, o passado é obscuro, o presente também, as motivações. Grandes revelações são feitas, gerando aquela levantada de sobrancelha diante de cada uma. Você pode amar e odiar o personagem, mudando de opinião em questão de segundos.

Terceiro, é uma leitura inteligente. Bruce Wayne é um cara inteligente e permite, por seus pensamentos, nos fazer refletir sobre alguns assuntos da nossa própria vida e sociedade. Você pode não concordar com ele, tem total direito de fazê-lo, mas não desmereça suas considerações. Afinal, ele é o Batman! (Desculpa se isso foi um spoiler para você, mas… né?!)

Aquele livro que eu achei que ficaria acumulando poeira na estante se tornou um livrão, a medida que fui me debruçando sobre ele. Não tive muitas oportunidades para ler os quadrinhos do Batman, infelizmente. Apelei mais para o visual nas animações quando era mais nova. Ainda assim, sabendo um pouco mais que o básico, a leitura me permitiu adentrar a história do cruzado encapuzado e compreender seus medos, sua dor e sua vida.

Por isso, digo que você pode ler sem se sentir tão poser e aprender um pouco mais. Principalmente, se você admira o herói de longe, como eu. Boa leitura!

Aline Gomes

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Que bom que as pessoas ainda leem (Diário de um Livro)

Em meio ao caos diário e as ofertas tecnológicas que esse mundo nos oferece, ainda é possível encontrar pessoas que ignoram um pouco tudo isso e imergem em outros mundos. Certo dia, no trem, aproveitei para ler um pouco o livro que há muito deixara pela falta de tempo – aquela desculpa que todos acreditam que existe, mas que facilmente prova-se o contrário.

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Interessante que, apresar de estar com tantas pessoas falantes ao redor, vendedores ambulantes é aquele medo de perder a estação, não foi difícil entrar na história, estar em outro lugar e viver todas as emoções que uma boa leitura proporciona. Mais interessante ainda foi notar que eu não era a única ali, naquele vagão. Haviam muitos na minha frente, poderia ser difícil ver. Mas eu vi. Havia uma garota lendo A garota no trem – coincidência? – e um rapaz estava lendo um outro livro, bem ao lado dela.

Tinham, também, pessoas lendo seus livros ou apostilas acadêmicas no celular. O mundo digital, ao contrário do que muitos pensam, não destruiu por completo a necessidade e capacidade das pessoas se interessarem por leitura. Fato é que, se tivermos o mesmo livro nas versões impressa e digital, havendo necessidade, vamos continuar a leitura de uma na outra.

Fiquei feliz por ver pessoas que se interessam pela leitura e aproveitam seu tempo para isso. A literatura nos tira desse caos e nos leva a experimentar um dia menos chato, menos triste, menos sem imaginação. Recursos não faltam! Que tal aproveitar aquele tempo que gastamos olhando qualquer coisa nas redes sociais para ler?

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Aline Gomes

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Resoluções para o ano novo: ler

Fim de ano foi aquela coisa: muita comida, a gente se veste com roupa nova para ficar sentado na sala mexendo no celular, as tias fazem aqueeeelas perguntinhas, os tios fazem as piadinhas infames… Mas quando o ano começa a pergunta que não quer calar é: suas leituras estão em dia? Pensando nisso, o Qual é a das quintas? resolveu dar algumas dicas de como definir as metas de leitura para 2017.

Pense nos tipos de livro que você gosta de ler
É meio óbvio, mas se você não gosta de thrillers de jeito algum, não vai colocar um do gênero na lista. Para que seja algo realmente prazeroso, como as leituras devem ser, escolha seus gêneros favoritos.

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Pense em quantos livros ler
Apaixonados por livros sonham com livrarias e bibliotecas gigantes, mas nem sempre conseguem ler tudo ou muito. Com os dias agitados, cheios de atividades, muitos se frustram por não conseguir ler tudo o que gostariam. Por isso, pense na sua agenda, nos trajetos de transporte público, horários de almoço, intervalos, em quanto tempo você aguenta ler sem dormir à noite… e faça uma média de quantos livros são viáveis de serem lidos em 12 meses.

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A lista
Há pessoas que preferem se surpreender ao longo do ano. Mas, para não se perder, você pode optar por fazer uma lista com quantos e quais livros pode ler por semana, mês e ano. Alguns leitores organizam a lista de um jeito que sabem a quantidade de páginas que precisam ler por dia para terminar o livo no tempo “certo”.

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Importante: não deixe de anotar! Cada um desses tópicos devem ser anotados se você quiser organizar a meta de leitura. Use um diário, faça uma planilha, coloque na agenda do celular, faça post its e vá marcando suas conquistas. Alguns aplicativos/sites podem ajudar nesse plano de leitura, como o Kindle, o Google Keep e o Skoob.

E é claro… aproveite cada momento de suas leituras. Nada mais prazeroso que poder viajar por tantos lugares, conhecer tantas culturas, tantos momentos, tantos amores… Ler é tudo de bom. E aí? Vamos criar uma meta de leitura para 2017?

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E se quiser aquela forcinha para tentar ler melhor, o Qual é a das quintas? tem um post que pode te ajudar: Lendo melhor em 5 passos.

Aline Gomes

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Uma leitura sobre Dirk Gently, o detetive

Os livros de Douglas Adams são bem interessantes. Ele tem um jeito narrativo bem específico que faz você ler e reler até ter a certeza de que leu aquilo mesmo. O Qual é a das quintas? fez um post sobre a Trilogia de Cinco do Mochileiro das Galáxias, “Meu outro carro também é um Porshe” e outras improbabilidades infinitas, em que essa ideia também é comentada. Mas neste post vamos falar sobre outro livro igualmente peculiar de Adams: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently.

A ideia do livro surgiu enquanto Douglas Adams roteirizava episódios para Doctor Who. Sim, se você não sabia disso, acabamos de informar que alguns episódios de uma das maiores séries já feitas foram escritos pelo próprio Adams. Ele escrevia para a série quando algumas características de Dirk Gently afloraram e ele resolveu escrever o livro.

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No começo da leitura, eu me perguntei várias vezes: “por que ele falando disso?”. Creio que improbabilidades infinitas fizeram parte da vida do autor inúmeras vezes e isso se refletiu em seus livros. Só depois de algum tempo lendo é que você faz aquele facepalm e diz “ah… era isso”, como na maior parte dos livros dele.

A seriedade como é narrada a história é uma espécie de cama para toda a ironia que Douglas Adams coloca no livro. Desde os mais ordinários costumes ingleses até a possibilidade de existência de vida fora da Terra, de máquinas do tempo e de fantasmas. Há momentos na narrativa, porém, que você, mais uma vez, se pergunta: “ele disse isso mesmo?” e daí você relê duas ou três páginas e responde: “é, ele disse isso”.

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Gently é um sujeito bem egocêntrico, com um jeito próprio para solucionar casos misteriosos e extorquir uma bela grana de senhoras indefesas após a perda de seus gatinhos. Um caso, entretanto, chamou muito a sua atenção: a morte de um empresário, Gordon Way, e o estranho comportamento do namorado da irmã do morto. Após descobrir detalhes da história de Richard MacDuff, por meios próprios de investigação, ele parte para solucionar um caso de algo extremamente misterioso e complexo.

Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently é uma comédia inteligente, cheia de aventura, humor, suspense e ironia. O livro ganhou um seriado de 4 episódios na BBC, entre 2010 e 2012, com o ator Stephen Mangan. A genialidade de Douglas Adams está impressa nesse livro também e vale muito a leitura. A obra é de fácil acesso, a linguagem é fácil, mas é necessária uma dose de “entender as referências” e entender das ironias marcantes de Adams.

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Aline Gomes

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Santo remédio, Batman!

Concluindo a frase do Robin, “Rir é um santo remédio!” E é mesmo. Sorrir é saudável e faz bem tanto pra quem pratica a ação quanto pra quem recebe o sorriso. E tem jeito melhor de sorrir que assistindo a alguma cena engraçada? Ou lendo um livro muito bom? O Qual é a das quintas? pesquisou sobre o sorriso e constatou que estamos muito bem servidos de filmes, séries e livros que nos fazem sorrir.

Há pesquisas que dizem que o riso auxilia no emagrecimento (MDS), melhora a autoestima, diminui o estresse e a dor e relaxa. A risada libera endorfina, o hormônio que diz “tá tudo bem”.

Eu cresci assistindo a bons seriados de comédia: Um maluco no pedaço, Eu, a patroa e as crianças, As visões da Raven, 3 é demais, Alf: o ETeimoso, Chaves, Chapolin… a lista é longa. Recentemente, o Qual é a das quintas? fez um post sobre Fuller House, a série Netflix que trouxe de volta as risadas de pessoas do mundo todo que assitiam 3 é demais na infância e juventude. Além dessas séries, há algumas um pouco mais antigas que achamos graça de tudo: roteiro, gírias da época, efeitos visuais… Tá lá em Seriados antigos – bom humor e nostalgia.

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Além dos seriados, os filmes, até os menos prováveis, têm aquela pegada de uma piadinha aqui, outra ali… Se fôssemos listar todos, seria post gigantesco. Porém, quero destacar um que realmente me surpreendeu. Batman vs Superman: a origem da justiça, apesar de toda escuridão, arranca risadas facilmente em determinadas cenas. Isso é legal, para quebrar um pouco o clima, suavizar e é um diferencial de filmes que têm piadas o tempo inteiro.

Nada contra filmes que contam piadas de 2 em 2 minutos. Alguns, porém, exageram na dose, tornando o filme sem graça. Alguns filmes da Marvel já passaram do ponto por causa disso. Entretanto, os filmes continuam sendo muito bons, pois as piadas são inteligentes e cheio de referências (adoro referências!). Como é o caso de Guardiões da Galáxia, que é um filme bem humorado e tem uma boa história.

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Os livros também sempre me fizeram sorrir. Por mínimos detalhes ou histórias realmente engraçadas. O Guia do Mochileiro das Galáxias, por exemplo, a genialidade de Douglas Adams dispensa apresentações. Os livros de Rick Riordan, principalmente para adolescentes, são um exemplo de humor leve, com uma história de fácil compreensão. Lembro (e jamais poderei esquecer) de Marley & Eu. Que livro! Você ri de gargalhar. Não leia em público, isso pode trazer algum constrangimento.

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Não há remédio melhor que sorrir! Dar boas gargalhadas é a recomendação do Qual é a das quintas? para todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Vai… pode rir em público sim. O sorriso contagia. Pode ser o que você e o que as pessoas ao seu redor precisam. Não espere para sorrir para uma câmera. Sorria mesmo sem estar sendo filmado.

Aline Gomes

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Sobre Anne

Quinta-feira, 31 de março de 2016

Querida Kitty,

Imagino que não te escrevam há muitos anos. Desculpe-me ser intrometida, mas li o que Anne Frank te escreveu e estou comovida pelas histórias contadas por ela. Penso que você saiba o que aconteceu quando ela parou de te escrever. Uma moça tão jovem…

Quando estudamos a 2ª Guerra Mundial na escola, temos uma ideia, por vezes, superficial do que aconteceu nela. Com um estudo aprofundado, a partir de pesquisas de especialistas no assunto, podemos compreender um pouco mais. No entanto, penso que não há nada melhor que alguém que viveu a História para dizer como tudo realmente aconteceu.

Esse é o caso de Anne Frank, uma adolescente judia que contou as situações vividas na Guerra em seu diário. Dois anos após o seu fim, seu diário foi publicado em formato de livro e podemos, hoje, entender mais uma parte do quebra-cabeça.

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Anne ganha no seu 13º aniversário um caderno – diário – e resolve ali escrever quase que diariamente sobre sua vida, seus pensamentos, solidão e sentimentos. Facilmente esquecemos se tratar de uma história real, que ela realmente escreveu aquilo. Estamos tão acostumados a ler ficções que parece não passar de historinha. Kitty é a amiga a quem Anne Frank se dirige, uma personagem fictícia que existe apenas para que o discurso não seja impessoal.

Em seu diário, Anne Frank descreve em detalhes como era sua vida antes de ter de se esconder dos nazistas, e como tudo aconteceu depois, como a vida mudou. No Anexo Secreto, na Holanda, esconderijo da sua família durante a Guerra, a jovem vive as mais diversas transformações que uma adolescente passa. Lá, ela descobre seus sentimentos com relação à família, aos amigos, à liberdade, ao desejo de crescer e de amar.

prédio-anexo-secretoPrédio do Anexo Secreto, onde a família Frank ficou escondida entre 1942 e 1944.

A simplicidade com que escreve e conta seus anseios e questionamentos mais íntimos faz com que o leitor se sinta o próprio destinatário das suas cartas. A História do mundo é contada de acordo com a visão de uma adolescente que estava trancafiada, escondida, para não ser levada aos campos de concentração nazistas. A vida para ela continuava ali, ainda que ninguém além dos seus pais, os Van Daan o sr. Dussel e os amigos que os abrigaram no depósitos soubessem da existência daquele lugar.

A menina tinha sonhos, planos para o futuro. Vivia intensamente sua não-liberdade e ainda almejava o ar fresco que entrava pela janela (quando se podia abrir). Sonhava em ser jornalista ou escritora, pois amava escrever. Seu relacionamento com os confinados não era maravilhoso e eles tinham sérios problemas com mantimentos e conforto.

Apesar de tudo, Anne foi feliz e infeliz, amou e desamou, sorriu e chorou, brincou e se escondeu até o último dia de confinamento. É difícil escrever tão pouco sobre um livro tão rico. Um livro que deveria ser lido, não apenas pelos amantes de História, mas pelos amantes da vida.

“Ao olhar para fora, para a profundeza de Deus e da natureza, senti-me feliz, realmente feliz. E, Peter, enquanto eu possuir aqui esta felicidade, alegria, saúde e muito mais, tudo por acréscimo, enquanto possuir isto, acho que é sempre possível recapturar a felicidade. As riquezas podem perder-se, esta felicidade que vem do próprio coração pode velar-se, mas nunca deixará de existir enquanto a vida durar. Enquanto se puder olhar sem temor para os céus, enquanto soubermos que somos puros de coração, teremos sempre a felicidade em nós.” (Anne Frank, 1944)

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Sua Aline.