Uma leitura sobre Dirk Gently, o detetive

Os livros de Douglas Adams são bem interessantes. Ele tem um jeito narrativo bem específico que faz você ler e reler até ter a certeza de que leu aquilo mesmo. O Qual é a das quintas? fez um post sobre a Trilogia de Cinco do Mochileiro das Galáxias, “Meu outro carro também é um Porshe” e outras improbabilidades infinitas, em que essa ideia também é comentada. Mas neste post vamos falar sobre outro livro igualmente peculiar de Adams: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently.

A ideia do livro surgiu enquanto Douglas Adams roteirizava episódios para Doctor Who. Sim, se você não sabia disso, acabamos de informar que alguns episódios de uma das maiores séries já feitas foram escritos pelo próprio Adams. Ele escrevia para a série quando algumas características de Dirk Gently afloraram e ele resolveu escrever o livro.

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No começo da leitura, eu me perguntei várias vezes: “por que ele falando disso?”. Creio que improbabilidades infinitas fizeram parte da vida do autor inúmeras vezes e isso se refletiu em seus livros. Só depois de algum tempo lendo é que você faz aquele facepalm e diz “ah… era isso”, como na maior parte dos livros dele.

A seriedade como é narrada a história é uma espécie de cama para toda a ironia que Douglas Adams coloca no livro. Desde os mais ordinários costumes ingleses até a possibilidade de existência de vida fora da Terra, de máquinas do tempo e de fantasmas. Há momentos na narrativa, porém, que você, mais uma vez, se pergunta: “ele disse isso mesmo?” e daí você relê duas ou três páginas e responde: “é, ele disse isso”.

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Gently é um sujeito bem egocêntrico, com um jeito próprio para solucionar casos misteriosos e extorquir uma bela grana de senhoras indefesas após a perda de seus gatinhos. Um caso, entretanto, chamou muito a sua atenção: a morte de um empresário, Gordon Way, e o estranho comportamento do namorado da irmã do morto. Após descobrir detalhes da história de Richard MacDuff, por meios próprios de investigação, ele parte para solucionar um caso de algo extremamente misterioso e complexo.

Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently é uma comédia inteligente, cheia de aventura, humor, suspense e ironia. O livro ganhou um seriado de 4 episódios na BBC, entre 2010 e 2012, com o ator Stephen Mangan. A genialidade de Douglas Adams está impressa nesse livro também e vale muito a leitura. A obra é de fácil acesso, a linguagem é fácil, mas é necessária uma dose de “entender as referências” e entender das ironias marcantes de Adams.

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Aline Gomes

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Os Goonies – 30 anos de aventura

O Qual é a das quintas? já falou várias vezes sobre livros que viraram filmes e filmes que viraram livros. O que trazemos neste post é pura nostalgia para quem viveu os anos 80. Mas, como tem muita gente que nem sonhava em nascer (o filme tem mais de 30 anos) e, por incrível que pareça, nunca ouviu falar em Os Goonies. O filme virou livro recentemente e eu li. Se você não viu ou leu nada sobre o filme, sua chance de conhecer o clássico é agora. E se você já viu ou leu ou os dois, relembre essa história fantástica.

A pré-adolescência é uma fase bem dramática. Ainda mais se você tem um grupo de amigos, clã, gangue… essas coisas. Mikey, Dado, Bocão e o Gordo são aquele típico grupo de amigos que não se desgrudam por nada (nem pela morte à vista). Confusão é o que não falta quando esses engenhosos meninos estão juntos.

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O enredo envolve mistério, muita aventura, injustiça, quedas em buracos, assassinatos, confissões de pecados, respiração em bombinhas de asma, falas em espanhol… coisas que os clássicos da década de 80 souberam explorar muito bem.

Entre livro e filme? Pouca diferença tem. Afinal, o livro nada mais é que o roteiro adaptado para leitura. O narrador é o próprio Mikey que conta tudo de acordo com o que vê, cheio de gírias e um linguajar bem simples e fácil de entender. Das diferenças: como o livro é o roteiro adaptado, algumas cenas editadas ou cortadas do filme original estão no livro e não no filme. Tem uma cena inclusive que no filme você percebe que está faltando alguma coisa (depois que você vê o filme tipo umas 3 ou 4 ou 10 vezes).

Os Goonies

Sem muitos efeitos especiais, o filme encanta mesmo pela simpatia, pela simplicidade, pela comédia. Não é um filme cansativo. Muito pelo contrário, você fica em frente à tela sem nem perceber o tempo passando. Medo? Na verdade, você não sente medo. Percebe um suspense em torno do “monstro”. Mas logo desaparece quando você começa a conviver virtualmente com o Sloth.

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Vale a pena ler? Vale. É uma leitura que, assim como o filme, não cansa. Você tem vontade de ler, ler e ler… Quando percebe que está acabando você reduz a velocidade para não acabar tão rápido. Vale a pena ver? MUITO. Tipo, veja sempre, com a família toda. Convide aquela pessoa que adora filmes assim e que você ama ouvir a risada para sentar ao seu lado. Você vai se sentir muito mais feliz.

Aline Gomes

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Os contadores de histórias – Como começar uma grande história

Contar histórias é uma arte impressionante. Não é para qualquer um, mas alguns escrevem com uma inspiração… O Qual é a das quintas? traz algumas histórias de gente que conta histórias como ninguém.

Para contar uma boa história, é necessário ter alguns requisitos. Primeiro, ter personagens, cenário, um tempo. Porém, não é só disso que uma história sobrevive. Mas de onde vêm as inspirações para escrever?

Há quem escreva a partir de histórias que contavam para seus filhos, como é o caso de Rick Riordan, J.K. Rolling e muitos outros. São histórias que os pais contam para os filhos que são tão boas que seria maldade privar o mundo todo delas.

J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis tiveram outro tipo de inspiração. Tolkien, alguns dizem que sua inspiração inicial foi um poema cristão, a partir do qual ele destrinchou as histórias dos reis na Saga do Anel. Já Lewis, passou por uma mudança em sua vida que o influenciou, quase que cem por cento, suas histórias. Com muitos contos de fada, C.S. Lewis escreveu seus livros baseados na mitologia judaico-cristã. Não só isso, mas ele também escreveu diversos livros baseados em sua experiência com Cristo.

Um autor que deixa grandes incógnitas em nossa cabeça é Douglas Adams. Seu trabalho áureo, o Mochileiro das Galáxias (a Trilogia de Cinco, já tratada aqui no blog em “Meu outro carro também é um Porsche” e outras improbabilidades infinitas), ativa a imaginação do leitor e o leva a conhecer outros mundos. É o tipo de leitura que você volta ao início do parágrafo três ou quatro vezes para ter certeza que leu aquilo.

Star Wars teve origem em um livro, você sabia? George Lucas conta que o primeiro livro foi escrito a partir do roteiro dele do filme, por Alan Dean Foster, ghost-writer. Para Lucas, escrever as histórias da saga é retornar ao princípio. A saga no cinema superou as expectativas, de modo que ele se sentiu ainda mais empolgado para escrever.

Esses são apenas alguns exemplos de autores que fizeram e fazem diferença. As inspirações podem vir de qualquer lugar. Gostar de escrever é apenas o começo. O próximo grande autor de livros pode ser você. Que tal começar uma história ou voltar a escrever aquela que você deixou guardada, empoeirada em um caderno qualquer? O Qual é a das quintas? te dá, agora, algumas dicas de como começar uma boa história.

: Tenha uma ideia. A ideia é a inspiração. As vezes essa ideia vem de um livro que você leu, do vento batendo na janela, do cachorro latindo. A ideia pode vir de qualquer lugar.

: Pense os personagens. Um personagem principal e um vilão são essenciais para a história. Ainda que o vilão não seja aquele cara totalmente mau, que só faça o protagonista sofrer, como a madrasta da Cinderela, existe sempre alguém que não curte muito o que o personagem principal faz.

: Imagine uma linha que essa história pode seguir. Se a sua ideia é o início ou o final da história, você pode, a partir daí, pensar todo o resto. Assim, você cria um tema e imagina como a história começa e como ela acaba. Claro que conforme você for escrevendo, muitas ideias vão surgir e aquilo que você pensou no começo pode se modificar.

Feito isso, deixe sua imaginação fluir. Leia outros livros, tire novas inspirações, converse. As ideias vêm de lugares que você nem imagina. Escreva, conte. Não deixe que algo brilhante fique apenas na sua cabeça e prive todo o mundo de conhecer sua história.

Sangue fresco… Livro novo…

Quem nunca sentiu aquele medinho ao ouvir certas histórias de terror? Pois é, quando eu comecei a ler, me tremia de medo, foi difícil até dormir depois. Mas a história foi me envolvendo de tal forma que não consegui parar de ler e, como todo bom livro que a gente lê, já sinto saudades. Estou falando do melhor Thriller sobre vampiros de toda a História. O mais conhecido e representado: O Drácula, de Bram Stoker. É uma literatura incrível! Os personagens da trama narram as situações horripilantes que viveram por causa do temido vampiro em seus diários. A história nos prende do início ao final com riqueza de detalhes, a ponto de me perguntar: como eles conseguem lembrar tantos detalhes quando vão escrever seus diários?

O milenar Drácula quer dominar o mundo. Mas ele terá de enfrentar a sapiência do doutor Abraham Van Helsing e seus amigos, revoltados com o sofrimento e morte de uma doce mocinha pelos dentes alvos e afiados do Conde D. Assim, eles se envolvem em grandes perigos e risco de terem seu sangue tomado pelo Conde para que ele continue sua morta vida. Vale muito a pena conferir essa obra prima da literatura, em que medo e coragem se misturam nessa inigualável aventura.Image

Literatura como arte: análise de Com licença poética

Adélia Luzia Prado Freitas, nascida em Divinópolis, Minas Gerais, em 1935, tornou-se professora, fez faculdade de Filosofia junto com seu marido José Assunção de Freitas. Carlos Drummond de Andrade ao tomar conhecimento de seus poemas, os sugere para Pedro Paulo de Sena Madureira para que sejam publicados em forma de livro. O seu primeiro livro é Bagagem, em 1976. Um dos primeiros poemas do livro Bagagem de Adélia Prado, Com licença poética exalta a força feminina.

O título já revela a interligação entre dois textos, logo será evidente no restante no poema. A referência inicial, em formato de paródia, ao Poema das Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade demonstra o olhar diferenciado do eu lírico de Com licença poética. O “anjo torto”, que vive nas sombras, de Drummond se transforma em “anjo esbelto”, que toca trombeta e delega um fardo pesado a uma mulher, um cargo que não era para o mundo feminino, mas exclusivo a homens.

Durante todo o poema o eu lírico feminino faz referência ao eu lírico do outro poema que é um homem triste, boêmio, enquanto ela exalta as belezas do Rio de Janeiro, se declara não ser feia que não possa casar, e diz que escreve porque foi incumbida a isso e a alegria dela vem da família e não da bebedeira.

Para finalizar, em “Mulher é desdobrável. Eu sou.”, o eu lírico afirma que a mulher, apesar de crerem os homens que o fardo é pesado, a mulher é forte o suficiente para enfrentar.

Arte é

O que a arte pode significar está além dos muros dos teatros, museus ou ateliês. Arte pode ser a paixão por algo expressado nas mãos, na voz, no corpo do artista. O que ele expressa e como ele expressa.

Arte não pode ser conceituada sem levar em consideração as primeiras formas de arte. É o caso da arte rupestre, em que seus artistas representavam o que viam e sentiam. Logo tornou-se um estilo de vida e até expressão de revolta.

Desde então, a arte tomou diferentes rumos e proporções. Hoje, a arte é escrita, falada, cantada, pintada, esculpida, dançada, além de muitas outras opções. Todas essas formas representam ideias e sentimentos dos seus artistas.

Arte pode ser resumida, por fim, em uma longa estrada com vários caminhos a partir dela. O destino é escolhido individualmente. Munido de seus ideais, o artista pode ir aonde quiser.