Épico e aquático – Kally e Tenebra

Atendendo ao pedido do pai, Helga e os Desafiantes de Yuvalin se veem diante de uma batalha contra um temível Oni e um tenebroso necromante, além de terem de lidar com a sua grande preocupação com a maldição da sereia druida.


Stefan e Joseph investigaram a entrada daquilo que seria um templo de Kallyadranoch, o deus dos dragões, e descobriram uma armadilha no chão que faria desabar tudo em cima de quem entrasse pelo portal.

O K pediu para trocar de lugar comigo. Não caberíamos todos naquela entrada apertada. Stefan também achou uma boa ideia o golem estar junto com o bardo para fazer seu serviço de desarmar a armadilha.

Fui para o lado de fora. O céu estava fechado. Os raios de Azgher tinham muita dificuldade de furar as nuvens. Olhei para as árvores e o chão gramado, respirei fundo e proferi palavras arcanas. Com alguns movimentos leves e rápidos das mãos, me senti mais forte. Era como se uma nova armadura se colocasse sobre as minhas vestes, uma fina camada luminosa praticamente invisível cobriu todo o meu corpo.

Assim que tudo estava livre, entrei junto com os meninos. Descemos uma escadaria escura e um cheiro de lugar fechado atacou o nosso nariz. Naquela escuridão, eu acendi o lampião. Estava na retaguarda, com Edward e Hyoda liderando a fila.

A escadaria nos levou a um amplo salão com pé direito muito alto e ao encontro de uma emboscada. Quando meus olhos se acostumaram ao lugar, notei que turbas zumbis tropegavam em nossa direção, uma de cada lado. E uma estátua enorme de um dragão estava a alguns metros diante de nós.

Estátua de Dragão

O gatilho da lembrança da turba zumbi arrasou a todos que viveram a experiência anterior. Stefan que já estava deprimido pareceu ficar ainda pior ao meu lado. Dessa vez, eu não poderia deixar ninguém sucumbir, era imperioso.

Acho que o inventor também pensava assim porque levantou seu virote e lançou uma bomba na direção de uma das turbas. Aquela explosão iluminou todo o lugar e o barulho ecoou, quase destruindo meus ouvidos. Mas eu já estava mais acostumada com esses barulhos dos ataques de Stefan.

Joseph fez seus gestos arcanos e começou a tocar uma música para nos inspirar, mas parece que o Kroll ficou meio irritado com o bardo. No entanto, minha preocupação, meu desespero na real, foi ver outro jacaré/crocodilo indo em direção a uma das turbas zumbi. A cena se repetia. Eu estava enlouquecida, mas não podia fazer nada.

Felizmente, o que parece é que o Kroll descontou sua raiva do Joseph nessa turba zumbi, dizimando todos eles. Foi como se um peso saísse das minhas costas, acho que das costas de todo mundo. Suspirei. O lobo fantasmagórico do bárbaro uivou e seu machado de adamante arrancou crânios, braços e partes sobressalentes de mortos-vivos.

Ainda estávamos admirados desse extermínio quando a outra turba chegou mais perto de nós pelo outro lado. O minotauro se adiantou, suas espadas brilharam em chamas, arrancando cabeças de zumbis que voaram pegando fogo. Hyoda se preparou para chifrar mais mortos-vivos, mas atingiu o chão e não acertou ninguém.

Estava tão impactada com toda aquela cena de zumbis, tudo de novo na minha mente, as cenas se confundiam, os jacarés se confundiam. Confundi, inclusive, as magias e, quando fiz minha prece a Allihanna, tentei consagrar nossa área para atingir os zumbis em vez de tentar lançar luz sobre eles. Obviamente, em um templo de outro deus, eu não poderia consagrar a área e minha magia perdeu o efeito antes mesmo de concluir o processo.

Edward gritou algumas ordens para o grupo, orientando todos a cumprirem suas funções. Enquanto isso, mais duas turbas vinham de longe no salão e ouvimos uma voz fantasmagórica chamando pelo Hyoda. Horripilante. Stefan sacou seu mosquete, mirou e destruiu uma das turbas que chegava pelo lado direito.

Além de tudo isso, quando Edward e Kroll passaram por uma determinada área próxima à estátua, os olhos dela se acenderam em vermelho. Isso era um péssimo sinal também.

O bardo chegou mais perto do bárbaro e, fazendo sua magia, deixou o machado do Kroll também em chamas. Ele não perdeu tempo, atravessou na nossa frente e destruiu a turba zumbi que o minotauro tinha começado a dizimar. Ele, inclusive, com aquele sorriso cheio de dentes, meio que desafiou Hyoda com sua arma brilhando, pegando fogo.

A quarta turba zumbi chegava pelo mesmo lado onde só existiam restos de outros mortos-vivos. Parecia que nada era páreo para o nosso bárbaro. Nossa alma estava lavada. Porém, uma luz como um raio atingiu o Kroll, vinda do fundo do salão, e ele pareceu mais cansado do que o normal para o tempo de batalha. Hyoda arrancou várias cabeças com suas espadas em chamas também. Parecia um duelo entre ele e o Kroll.

Eu já estava cansada daquela brincadeira. Avancei, gritei. Fui para o lado do Edward e lancei uma magia de luz sobre a turba, entregando várias daquelas criaturas para Tenebra. Aquelas centelhas ou a minha presença ali onde eu estava, no entanto, fizeram com que a estátua lançasse um raio sobre Kroll, Edward e eu.

Então, senti o coração ficando levemente mais fraco, apesar de nós não nos ferirmos gravemente. Comecei a entender o que significava compartilhar a vida com o coração. Todos os meus pensamentos se concentraram naquilo ali a partir daquele momento. Não ouvi mais tiros, nem barulhos de armas, gritos. Nada.

Despertei dos meus devaneios pré-morte quando Hyoda destroçou os zumbis restantes, então, corri até o Kroll. Ele estava cansado e ferido, como disse, mais cansado que o normal. Entendi que sua condição era fruto daquele raio que o enfraqueceu e, com um toque em seu braço, a magia de purificação deixou meu corpo e encheu o seu de luz. Imediatamente, ele retomou a postura e voltou a mostrar aquele sorriso de quem estava pronto para bater.

O tal monstro azul que eu não tinha visto antes, só escutado a voz, o Oni que Hyoda caçava, passou por trás de mim e derrubou Stefan. Ele estava bem ferido, quase morto. E eu pensava “Ah não! De novo não!”.

O Oni

Toshinori pareceu finalmente despertar de um sonho. Eu estava realmente preocupada com ele, pois o paladino andava muito estranho. Ele tinha medo, não entrava nas batalhas. Mas parecia que algo tinha mudado porque ele gritou para o inimigo, atraindo sua atenção. E a minha também. Acho que a de todo mundo, porque o Joseph também tocou na arma de Toshinori e ela brilhou.

Acostumada a tomar banhos e banhos de sangue, recebi aquela chuva vinda do corpo do Oni, graças aos golpes de machado e mordida do Kroll. Ele pulou de uma pedra e desceu o machado, atravessando o ombro da criatura. Hyoda seguiu o bárbaro e, flanqueando com Kroll, usou suas duas espadas e o chifre para machucar consideravelmente o Oni.

Entretanto, havia muito banho de sangue, inclusive o Stefan que gorfava e o coração que não era meu. Fiz uma prece à minha deusa mais uma vez, olhei para cima e senti meu corpo ficar mais quente e brilhar. Dos meus olhos e das minhas mãos emanou uma luz que tocou como uma corda cada um dos Desafiantes de Yuvalin, fechando todas as feridas dos meus companheiros e fazendo o coração voltar a bater no ritmo normal.

Saí de perto do Oni, mas não foi o suficiente. Ele parou na minha frente e não me deixou me afastar mais. Seu sorriso era macabro e ele desceu seu machado sobre meu flanco. Eu urrei de dor. Mesmo com todas as magias de proteção e de endurecimento das minhas escamas, não consegui sair ilesa.

Eu estava muito machucada, minhas forças se esvaíam e, até mesmo, minha conexão com o mundo mágico parecia se desfazer com os golpes do inimigo. Eu acreditava que aquele seria, de fato, o meu fim e que eu não conseguiria voltar para o meu pai, a quem eu tinha acabado de conhecer.


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Até breve!

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Épico e aquático – Apresento meus amigos ao meu pai

Helga, finalmente, está diante de Sir Anthony Starkey, também conhecido como seu pai e, agora, muitas coisas precisam ser ditas. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris, e dos Desafiantes de Yuvalin.


Allihanna me deu forças para agir naquele momento porque eu mesma estava completamente em choque. Sir Starkey também estava em choque, deu para notar quando ele me chamou de Liara, que era provavelmente o nome da minha mãe. Ele disse que eu me parecia muito com uma pessoa que ele conheceu. Então, né?!

Ele largou a espada, se aproximou, ficou analisando meu rosto, meus cabelos. De forma impressionante, algumas pétalas daquela rosa em seu olho direito começaram a cair, como se ele estivesse chorando. Mais alto que eu, ele me perguntou qual era meu nome e me chamou de pequena. E me pediu um abraço.

Eu fiquei meio assustada porque ele parecia ter absoluta certeza de que eu realmente era filha dele. Tudo bem que eu já cheguei falando isso, mas ele nem pestanejou – se é que isso era possível. Eu também tinha essa certeza. Ele estava de braços abertos diante de mim e eu o abracei. Eu me senti em casa, me senti segura.

Eu chorava, assim como ele perdia as pétalas da rosa. A armadura era gelada, não havia calor no abraço, mas a sensação era a mesma que eu tinha quando estava junto do Goro: lar. O perfume das rosas contribuía para que eu, que não cresci cercada de flores, apenas de ervas curativas, me sentisse plena e tivesse a confirmação de que tinha meu pai abraçado a mim.

Pétalas caíam dos olhos de Sir Starkey

Ainda abraçados, ouvi sua voz imponente, voz de cavaleiro, perguntar se os meninos eram meus amigos. Então, eu mesma quis nos apresentar como um grupo de aventureiros, só ressaltei que o minotauro havia acabado de chegar. Ele, sabiamente, disse que era para tomarmos cuidado com o caçador de Oni. Mais filha dele seria impossível com esse tipo de pensamento.

Sir Starkey me perguntou como eu soube que ele deveria ser meu pai e como havíamos chegado até ele. Expliquei que essa história era longa e comecei a narrar sobre todo o percurso: a execução de minha mãe logo após ter dado a luz por minha causa, minha criação pela minha família adotiva em Villent, a busca pela minha origem para ser uma boa líder do grupo.

Falei sobre as informações recolhidas por Edward com seu pai acerca do paradeiro de Sir Starkey, nossa missão passando pela região, nosso encontro com o Barão Lazam e seu pedido para entregarmos a espada no túmulo. Então, apesar de não conseguir parar de tagarelar quando fico nervosa, parei refletindo sobre tudo o que eu tinha dito porque estava levemente confusa com o fato de meu pai estar e não estar morto.

Ele levou uma de suas mãos apenas de ossos ao seu crânio, exatamente sobre a rachadura que havia na testa, onde, provavelmente, sofreu o golpe que o fez morrer. Ele estava confuso também sobre o tempo que havia dormido – ou morrido, sei lá. Se ele estava confuso… poxa… 

Meu pai e Edward começaram a conversar sobre a espada de matéria vermelha. Eu fiquei encantada quando o Cavaleiro das Rosas desembainhou aquela espada bastarda que a gente conhecia por causar ojeriza e que, em suas mãos, se tornava uma espada absolutamente normal e linda. Era mágica! Não era uma espada normal. Bom, a gente já sabia que não era por ser de matéria vermelha, mas era encantada, entende?

Ele agradeceu por termos levado sua filha até ele e, então, percebeu que estava falando da espada e agradeceu por termos levado até ele suas duas filhas: a espada e eu. Cavaleiros!

Recebemos também seu convite para entrarmos no casebre com a ressalva de não repararmos em sua amada morta na sala. Ok. Se eu podia lidar com meu pai na versão osteon, o que seria velar um corpo de uma desconhecida no meio da sala de casa?

Stefan perguntou pelo nome dela e qual não foi o espanto geral quando meu pai disse que o nome da sua amada de vestes vermelhas morta no meio da sala era Cassandra. Percebendo nossa expressão confusa, o cavaleiro explicou o que aconteceu. Quando ele despertou de seu sono de morte, estava nos braços da amada que chorava, ela havia entregue tudo para a deusa da noite, Tenebra, em troca dele. Ela estava morta agora e com um buraco no lugar do coração.

Opa!

Ele a protegia ali, mantendo o corpo dela dentro de uma cúpula de vidro na sala do casebre. Tudo o que sobrou para dedicar à deusa foi o corpo que mercenários tentam roubar todos os dias, enviados por um necromante.

Opa!

Ao mesmo tempo em que Stefan ainda divagava sobre acreditar que a tal Cassandra era a mesma Cassandra que nós vimos morrer no meio da tempestade rubra em Yuvalin, a que era esposa do seu amigo Drrrun, Edward foi um pouco mais sensato nesse momento e chamou a atenção de meu pai para um assunto mais sério. O kliren ainda interrompeu Ed, muito empolgado para falar sobre a meio-dragão. Stefan estava peculiarmente insuportável naquele momento e o Edward precisou silenciá-lo.

Assim como Edward sugeriu, achei por bem estarmos protegidos dos ouvidos alheios que queriam roubar o corpo de Cassandra para conversar sobre o tal assunto sério que precisávamos tratar. Então, entramos no casebre e vimos a cúpula de vidro com a Cassandra lá dentro em seus vestidos vermelhos.

E foi nesse instante que pareceu que eu tinha voltado ao início da adolescência. Joseph entrou por último na casa e acredito que ele não estava na conversa lá fora porque entrou fazendo perguntas idiotas sobre tirar a Cassandra da cúpula e reclamar que meu pai chamou ele de mascote. De repente, todos do grupo foram se apresentar de fato. Que vergonha!

Tentei intervir antes que a coisa desandasse, apresentando um por um. O Kroll estava meio emburrado, mas não sei se esse era seu natural desde que voltamos das férias ou se ele estava pior. Ele travou uma discussão que parecia infindável com meu pai sobre a pronúncia de sua raça: morrÔ ou morEAU. Graças a Toshinori, a discórdia foi interrompida quando ele disse que, apesar de ele e Edward não conseguirem enxergar mais que 5 palmos à frente, eles eram bem normais. Apresentei também o cavaleiro vindo de Bielefeld.

Stefan disse que era gente boa, fazendo um sorriso super esquisito. Então, nos entreolhamos todos e eu cochichei no que deveria ser o ouvido do meu pai dizendo que o Stefan sabe ser bem insuportável. Ele concordou, mas disse que o inventor tinha um sorriso bonito.

Apresentei Toshinori, falando sobre seus cabelos azuis e que era um paladino de Valkaria. Meu pai gostou de conhecer um companheiro de devoção e rolou aquela piadinha de que devotos de Valkaria se reconhecem também pelo fato de nunca saberem sobre tantos filhos por aí. Eu não sabia era onde me esconder depois dessa.

O Joseph fez algum comentário sobre o Toshinori não ter filhos porque ele não era muito de dar conta do recado, o que piorava, em muito, a minha situação de apresentar meus amigos para o meu pai. Percebi que o paladino começou a se desarmar, tirar a mochila e que o bardo começou a batucar em seu tambor, algo iria acontecer e eu não queria nem ver. Apresentei rapidamente o bardo e tentei mudar de assunto para me apresentar, contando o que tinha acontecido depois que eu nasci.

Os Desafiantes de Yuvalin

Meu pai falou que meus companheiros eram peculiares, mas pareciam muito bons para mim. Estávamos conversando enquanto o caos se instaurava no resto da sala, como o Joseph ser arremessado janela afora pelo Toshinori, o Stefan estava limpando o mosquete e o restante do pessoal queria beber algo envelhecido o suficiente, que fora trazido pelos mercenários.

Entretanto, meu pai e eu tínhamos assuntos a tratar. Primeiramente, ele pediu desculpas. Falou sobre sua paixão pela minha mãe, sobre como ela era bonita, sobre como ficou triste quando descobriu que minha mãe biológica era casada e que decidiu partir diante do fato, após duas semanas de romance. Seu pedido de desculpas foi porque, se ele soubesse que eu já existia no ventre de Liara, minha mãe biológica, ele jamais teria partido.

Falei que não havia o que se desculpar, a culpa não era dele, mas daquele povo que se diziam meus irmãos e que só atrapalharam minha vida. Passado é passado e nós não podemos voltar para mudar, dizia meu pai sobre tudo o que nos levou pelo caminho que trilhamos desde então. Mas podíamos aproveitar o tempo que tínhamos adiante.

Ele queria aproveitar o tempo que agora possuía para ver sua filha se tornar uma aventureira poderosa. Sir Starkey se ofereceu também para fazer parte dos Desafiantes de Yuvalin, se o aceitássemos. Ele só pedia uma coisa em troca: que acabássemos com a tramoia do tal necromante.

Foi então que eu comecei a explicar a problemada toda que nos fez chegar ao casebre: a cripta, a tumba aberta, o coração sobre o símbolo de Tenebra e… que eu estava amaldiçoada, como o insuportável do Stefan fez questão de me interromper para contar ao meu pai.


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Épico e aquático – Portas para outras portas

Onde estiverem os Desafiantes de Yuvalin, sempre pode haver perigo. Helga Iris sabe disso e está em apuros. Confira mais um capítulo desta jornada.


Eu ardia e queimava com aquelas teias emaranhadas em mim. Tentei tornar minha pele mais rígida para evitar o dano, mas só diminuiu um pouco o ferimento e a dor. Os meninos começaram a me puxar e empurrar para eu me desvencilhar, mas não deu certo e eu fiquei mais agarrada ainda pelas teias.

Eu gritava e implorava que me ajudassem e eles continuavam tentando cortar as teias. A ideia do Joseph foi absurda de tacar fogo nas teias, o que o não-tão-insuportável-ultimamente, Stefan, retrucou trazendo o bardo a um mínimo de consciência sobre o que aconteceria se ele fizesse aquilo.

Toshinori e Kroll arrancaram as teias com suas armas e, finalmente, eu estava livre. Agradeci e todos me orientaram a voltar e me curar na área que eu tinha consagrado. Sentindo o reflexo daquela dor excruciante, fiz uma prece a Allihanna e minhas feridas se fecharam e, gradualmente, a dor foi embora.

Quando voltei para o corredor, encontrei uma cena maravilhosa: Stefan estava nos braços do Toshinori porque, ao ser tocado por uma teia, ele tomou um susto e pulou em direção ao paladino para não sofrer as queimaduras. Com certeza, essa cena não vai sair nunca da minha memória.

Como sugerido pelos meninos, aqueles corpos no corredor eram de anões que ficaram presos nas teias. Descobri isso quando abaixei e comecei a analisar um por um. Alertei a todos sobre isso e para que tomassem muito cuidado para não ter o mesmo destino deles. Destino que eu quase tive. Agradeci demais a esse povo.

Stefan falou com Joseph que, agora que eu estava solta, ele poderia, enfim, lançar fogo lá dentro. Antes que ele agisse, porém, Edward quase ficou preso também às teias enquanto explicava um plano para atravessar o corredor. Finalmente, decidiram pegar um dos meus óleos com Toshinori e saímos todos do corredor, liberando espaço para Joseph.

Ele estalou os dedos e pegou fogo lá dentro. Alguns minutos depois, o fogo cessou e o inventor decidiu continuar avançando junto com o paladino iluminando o caminho. Eu fiquei por último dessa vez. Assim, Stefan contou-nos sobre como deveríamos avançar, porque as armadilhas estavam em diagonais pelo corredor.

Então, andamos, desviando das possíveis armadilhas. Chegando à porta do outro lado do corredor, Stefan viu que estava trancada e, segundo ele, precisávamos ou arrombar ou ladinar. Todos olhamos para o Joseph, que entendeu o recado, trocando de lugar com o kliren.

Ele tentou, tentou, tentou e não conseguiu. Mais uma vez. Stefan trocou de lugar com Kroll e começou a ajudar, mas falhou miseravelmente. Perdemos algum tempo nessa brincadeira. Decidimos partir para força bruta e abrimos espaço para os armários do grupo. Eles conseguiram errar a porta e a cena ficou meio esquisita ali do bárbaro com Toshinori. Prefiro não comentar. O Kroll ficou meio enfurecido com os movimentos estranhos do paladino e acertou com tudo a porta, que se abriu.

Com a abertura da porta, um gás começou a escapar lá de dentro da sala recém aberta. Edward levantou seu escudo e nos protegeu, assim, inalamos pouquíssimo veneno, mas inalamos. Em meio a tosses e olhos ardendo, avançamos pela sala. Senti um acalento em meus ombros, meus olhos pararam de arder e a garganta não arranhava mais. Olhei confusa para Toshinori e ele estava brilhando. Ele sorriu me dizendo que queria aliviar um pouco minha barra, pois sentia que todos precisariam de mim em breve para ser médica de campo do grupo. Agradeci.

A sala era um escritório, como uma sala de leitura, com livros, mesa, baú. Começamos a analisar tudo, então, Stefan entregou uns papéis para Toshinori ler. Era mais uma parte do diário da anã inventora Tallaka. Nele, ela contava sobre o tal artefato que a ajudava a moldar aço-rubi e seus experimentos com matéria orgânica.

Aqueles corpos que foram queimados lá perto do buraco, foram queimados por ela, quando seus experimentos deram errado. K ficou assustado e levou suas mãos à cabeça. Toshinori confortou-o dizendo que, em momentos de guerra, o que ela fez era o necessário. Essa observação causou assombro no golem, mas não em nós. Fez um grande discurso sobre coragem e que ele jamais fugiria de uma bomba, se atiraria sobre ela. Ele é um paladino bem peculiar.

Kroll abriu o baú e encontrou 80 peças de ouro, provavelmente, as últimas economias de Tallaka. Enquanto dividíamos o valor entre nós, Stefan também aproveitou para vasculhar alguns livros na estante. Foi quando um objeto caiu do meio dos livros no chão. Era uma chave como uma outra que o inventor havia encontrado antes, em formato piramidal na ponta.

O bardo achou que seria uma boa oportunidade de sabermos a profundidade do buraco se jogássemos a chave lá. Eu fechei os olhos, respirei fundo e balancei a cabeça. Felizmente, o inventor é inteligente e, nem tão felizmente assim, ganancioso. Pelo menos, ele proibiu o Joseph de fazer essa atrocidade, porque ele queria aço-rubi. Ponto para o Stefan!

Já Toshinori parecia ir de mal a pior, realmente, trocando de lugar com o inventor em espírito. Ele começou a puxar todos os livros da estante e, ainda, perguntou se tínhamos ouvido quando a porta abriu. Que porta? Não tinha porta alguma. Segui Stefan quando ele voltou para o corredor. Somos um bando de loucos.

Driblamos as armadilhas do corredor das teias outra vez. Eu estava no final da fila e Stefan decidiu continuar tentando acertar a charada da outra porta. Sugerimos outras palavras possíveis para uma senha de acesso. O enigma de Tenebra estava sugando algo vital no inventor e ele não queria correr o risco outra vez.

Símbolo da deusa das trevas, Tenebra

Ficamos alguns minutos discutindo. Eu tinha pensado em CONSTELAÇÃO e, então, Stefan se ligou que ele escreveu no singular ESTRELA e que poderia ser ESTRELAS, no plural. Mas não era possível! Discorremos mais um pouco e mais um pouco. É o jeito Desafiantes de Yuvalin de ser: debater eternamente sobre um assunto.

Votaram por LUA. Stefan escreveu na porta e ouvimos um estalo. De repente, o teto caiu sobre as nossas cabeças. Simplesmente desabou. Edward gritou para nos protegermos e, em menos de um segundo, consegui enrijecer minha pele e escamas, não me machucando tanto quanto se não tivesse usado esse poder.

Após o cessar do barulho das pedras rolando, ouvi um outro som terrível: o kliren balbuciando palavras ininteligíveis. Estávamos em perigo, vivos, porém com um louco a solta. Eu precisava chegar nele para que a situação não piorasse.

Atravessei o corredor correndo e toquei a testa do Stefan, que já estava começando a babar. Que nojo! Saiu magia das minhas mãos e iluminou a mente dele, que piscou algumas vezes e abriu um sorriso cheio de confiança. Ele sabia que a resposta era ESTRELAS.

K estava revoltado porque ficou confuso com tantas sugestões. O inventor me agradeceu pela ajuda – estou chocada com esse outro Stefan. Será que ele perdeu a memória de novo?

Voltei para o fundo do corredor para acudir Noah que estava lambendo algumas feridas. Fiz carinho nela, ajudando-a a se sentir melhor, principalmente, depois que Toshinori brilhou novamente com sua aura de cura.

A porta estava aberta. Começamos a avançar por mais um corredor estreito em S. Eu estava no final da fila, não via nada, mas ouvi os meninos falando sobre abrir uma outra porta. Um rugido aterrador saiu da sala. E eles já estavam em batalha lá na frente, gritando, batendo e apanhando. Apanhando bastante. Essa seria a nossa maior batalha até então. Afinal, devíamos estar bem perto agora do que estávamos procurando.


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Épico e aquático – MASMORRA

Quase sem forças, os Desafiantes de Yuvalin se viram mais uma vez diante de uma batalha. O que será que vem pela frente?


Tentei me esgueirar por algum dos lados, ou entrar na sala ou passar pelo golem no corredor, mas totalmente sem sucesso. Não tinha como sair dali. Mas eles sim, continuaram avançando.

Ouvia sons de armas, baques ocos e gritos no corredor. Ver, eu via bem pouco. Meu foco estava em não morrer pelas mãos dos construtos que me encurralaram. Os meninos gritavam para que eu ajudasse mais, mas eu simplesmente não conseguia. Era como se minha conexão divina estivesse abalada, porque eu tinha pouquíssima força para continuar.

Kroll já levantou na minha frente diferente de como estava quando eu o curei. Ele estava com os olhos vermelhos e já desceu o machado de adamante sobre o golem que estava à nossa frente. Ele também mordeu aquele monstro com fúria, deixando-o bem machucado.

Consegui ver por um canto de olho que Toshinori ia apanhar de um daqueles guardiões de aço e, instintivamente, joguei um dos meus braços para o lado onde ele estava e, tentando restabelecer minha conexão com Allihanna, um escudo protetor cobriu o paladino. Naquele momento, percebi que a deusa não havia me abandonado e fiz mais preces por todos nós ali.

Uma luz emanou de mim naquela masMORRA (literalmente) tocando cada um dos meus companheiros. Todos respiramos um ar mais natural, mais limpo, como se estivéssemos próximos a uma floresta, apesar de presos em uma caverna. Ferimentos se fecharam e o vigor retornou ao braço de todos.

Até o Joseph que estava caído levantou. Stefan tentou atirar no golem ao meu lado, mas sem sucesso. Pelo menos, não acertou nem o bardo e nem eu. Joseph já levantou inspirado e nos inspirando com suas músicas e danças. Não sei exatamente como isso pode ajudar tanto, de onde vem essa magia, mas ajuda. Então, tudo bem.

Mas não estávamos tão bem assim. Os meninos estavam apanhando, era o que eu conseguia ouvir de onde eu estava. Vi um bico de corvo surgir ao meu lado, acertando e derrubando o construto bem na minha frente. Mas não durou muito tempo no chão. Ao levantar, ele já se virou contra mim e me bateu.

Bateu com força. Mais uma vez, fiz da minha pele como pedra e o machucado que o construto causou foi mais uma dorzinha de cabeça. Do contrário, eu teria sofrido bastante e poderia ser o começo do fim ali.

Do outro lado, Kroll destruiu a criatura. Foi um susto porque ainda estava me estabilizando. E, antes que eu pudesse voltar ao normal, o bárbaro também estraçalhou o que bateu em mim. Apesar de tanto tempo com esse grupo, algumas coisas ainda me surpreendem bastante.

Com o Kroll avançando para onde o recém-destruído estava, não vi mais nada. Então, só me sobrou ouvir a briga, golpes e tiros. Além disso, decidi continuar onde estava para me manter protegida por Kroll. Em troca, curei a equipe com um pouquinho de forças que ainda me restavam.

Senti que conseguia respirar um pouco melhor logo depois de ver uma luz azul vindo da direção de Toshinori. Espero que os demais também tenham tido oportunidade de sentir isso antes de sucumbirem.

Ouvi muito barulho de metal batendo, mas não pude ver. Acredito que o paladino, o bárbaro e o nobre estavam aniquilando as criaturas. Enquanto isso, de soslaio, vi o inventor no chão outra vez. Quando não é uma coisa, é outra. O Stefan sabe ser bem insuportável.

Corri até ele para tentar curá-lo. Com aquele sentimento de isso-vai-ter-volta, que eu não queria ter, já que ele estava começando a ser mais útil na brincadeira, me abaixei ao seu lado e coloquei minhas mãos sobre a sua testa. Tentei focar no que era importante e que não deixaria ninguém para trás, porque só assim, e não com sentimento de pesar, poderia curá-lo decentemente. Então, assim aconteceu.

Reparei que, do outro lado da sala, o bardo já começava a imitar meus movimentos e a fazer outros, o que significava que ele estava copiando a magia que fluía de mim pelo meu contato com Allihanna. Ainda estou tentando entender como isso funciona. Qualquer dia, preciso me lembrar de perguntar isso a ele. A luz que emanou dele tocou Toshinori, que já bateu no construto com seu bico de corvo.

Stefan abriu os olhos, olhou para mim e para o golem na frente dele. Levantou, mirou e atirou na cabeça da criatura. O último construto caiu, com aquele estrondo do tiro. Útil. O inventor foi útil. Minha cura nele teve retorno. Ótimo.

Eu estava exausta, mas aproveitei o pouco que ainda me restava de contato com Allihanna ali naquele lugar esquecido pelos deuses para curar todos da equipe.

K não conhecia aquela parte das minhas e se questionava (em voz alta) o porquê de Tallaka o ter abandonado ali e o que, de fato, teria acontecido nesse tempo em que ele dormiu lá naquela salinha onde o encontramos.

Os meninos sugeriram descansar. Finalmente! Eu concordava. Mais que isso, eu precisava. Estávamos apenas investigando para saber onde deveria ser mais seguro armar acampamento.

Stefan chamou Joseph para um particular. Todos nós outros nos entreolhamos e eu decidi ir atrás. Não demorou muito, mas pode ser sempre um perigo, já que o inventor tem uma predileção por atirar no bardo.

Rapidamente, nos ajeitamos para dormir. Encontrei um lugar aparentemente seguro e todos nós descansamos. Não era nada confortável estar tantos e tantos metros abaixo da relva, mas foi o suficiente para continuarmos.

Após um breve desjejum, decidimos continuar nossa jornada pelas Minas Heldret. Stephan indicou o caminho e verificou se tinha alguma armadilha à frente. Com tudo tranquilo, Edward abriu a porta e pude ver, por baixo dos braços dele, que as luzes da sala se acenderam. Toshinori avançou para dentro e, imediatamente, outra porta começou a se fechar no lugar da que Edward abriu. Os meninos correram para dentro da sala, mas não deu tempo para que eu e o nobre entrássemos.

O nobre tentou encontrar uma abertura ou gritar, como ele gosta bastante de fazer, mas não funcionou. Alguns bons minutos passaram e eu sentei no chão e fiquei fazendo carinho em Noah e conversando sobre a vida. Ela estava um pouco diferente, mas, como eu estava preocupada com os meninos, não consegui reparar o que estava diferente nela. A druidisse dava lugar à liderança.

De repente, a porta começou a fazer barulho novamente e a subir, abrindo-se bem à nossa frente. Mas, depois que quase todos saíram, Toshinori, simplesmente, fechou a porta e ficou lá dentro por alguns instantes. Sei lá o que aconteceu com esse povo dentro da tal sala.

Ele saiu com os olhos negros e rindo de um modo meio macabro. Eu tive medo de perguntar. Tudo o que eu vi da sala foram desenhos de um sol e uma estrela, símbolos de Azgher (o Deus Sol) e Tenebra (a Deusa da Noite).

Símbolo de Tenebra, Deusa da Noite

O paladino encontrou um baú e o abriu. Ele estava cheio de itens interessantes. Muito interessantes. Eram joias e poções diferentes. Aquilo daria bastante dinheiro para nós. Nada mal.

Encontramos, então, mais uma porta do outro lado e eu perguntei se todos iríamos avançar. Também verifiquei se todos tinham saúde o suficiente antes de avançarmos. Stefan perguntou se podia abrir a porta e nos posicionamos. Ele avançou e investigou cada metro do corredor antes de dar um passo. O que poderia dar errado?


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/_cqjsy_IleE?si=N8sKpQvNQhcxyHe_

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Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo: