Épico e aquático – O preço de uma cidade grande

O choque cultural continua para Helga enquanto ela e os demais Desafiantes de Yuvalin atravessam Valkaria. Além disso, a desigualdade e os dramas sociais estão cada vez mais aparentes.


Mal saímos no meio daquele mundaréu de gente, de cacofonias e cheiros estranhos, passando por aquela praça que passei ontem, vozes extremamente harmoniosas e bonitas chamaram a atenção de um grupo grande de outras pessoas. E da gente também. Eram clérigas de Marah cantando e dançando no meio da praça.

Os meninos ficaram doidos. Leah começou a rosnar (?) para o Kroll quando ele viu uma outra moreau leoa no meio das clérigas. Pela primeira vez, vimos nosso amigo suar a vera. A coisa ficou, ainda, mais complicada quando, de repente, elas começaram a se despir. Isso mesmo, elas ficaram nuas no meio da praça enquanto riam, cantavam e dançavam.

Eu olhei meio confusa para os lados, pensando se isso era algo realmente comum em cidades grandes. Sei lá! Vai que as pessoas simplesmente ficam nuas nas ruas e isso é algo normal em absoluto. Eu sou uma jovem do interior, nunca vi nada parecido.

Entretanto, aparentemente, não era algo tão comum assim, porque várias pessoas que estavam assistindo ao show começaram a gritar que o que elas faziam era um absurdo e um atentado ao pudor. Eu fiquei, sinceramente, aliviada. Não queria seguir o ritual.

Não tardou para que a guarda intervisse. Eles chegaram a bater nelas com bastões de guarda para dispersar o show. As moças saíram catando as roupas e rindo, como se fossem ninfas. Foi uma cena chocante e surreal. Perguntei ao Toshinori, que estava sorridente e extasiado, se era sempre assim em Valkaria. Ele deu a resposta mais vaga possível. Era a tal da liberdade.

Puxei o cercadinho para que continuássemos a jornada. Queríamos chegar logo à fazenda da família do Toshinori. O show tinha acabado mesmo, era mais que hora de seguir.

Conforme avançamos, as casas foram ficando, digamos, mais feias. Tudo começou a ficar bem irregular, ruas começaram a ficar estreitas. Nos deparamos com um prédio enorme de pedra, a Rocha Cinzenta, prisão onde estariam reunidos os piores criminosos do Reinado.

Aos poucos, as casas deram lugar a barracos e as ruas, a vielas. Uma explosão aconteceu de um lado do caminho e me deu um susto, mas era só um goblin todo chamuscado tentando construir alguma coisa. Estávamos na Favela dos Goblins.

É até difícil descrever a Favela dos Goblins

Em alguns becos, vimos cenas deploráveis de pessoas jogadas nas ruas. Usuários de entorpecentes, provavelmente, achbuld. Muito triste ver os caminhos terríveis que a liberdade também pode levar.

A engenhosidade dos goblins, por outro lado, era cheia de itens inusitados. Vimos casas feitas inteiramente de portas, outras feitas de tudo aquilo que sobra de uma engenhoca, até mesmo uma casa que, simplesmente, ganhou rodas e saiu pela rua, quase nos atropelando. O goblinzinho teve a audácia de pronunciar alguma expressão que eu acredito ter sido um xingamento. Ao que Toshinori respondeu à altura.

Pelo que o paladino falou, a casa dele na fazenda era para apoiar os goblins que viviam na região. Então, ele mandou chamar o governante de nome engraçado que eu não gravei, empregado responsável por todo o serviço da fazenda.

O tal goblin apareceu depois de um tempo, enquanto andávamos, com as mãos nos flancos e uma cara fechada. Até ver Toshinori. Ele até chorou e gritou de emoção ao ver nosso amigo. O paladino abraçou-o bem forte e o pobrezinho quase ficou sem ar, saudando com saudade e alegria. Eles conversaram por alguns momentos e, depois, nos apresentou.

Aproveitei para perguntar, é claro, se ele sabia sobre os podres de Toshinori. Ele ia falar algo, mas o paladino não deixou o goblin continuar. E, então, eles começaram a nos conduzir à frente, rumo à fazenda. O cheiro da favela era péssimo, porém, eles disseram que o bairro melhorou muito.

Ache estranho ou não, na mesma viela onde estávamos, que devia ser uma principal da favela porque era mais larga, nos deparamos com outro grupo de aventureiros. Só que eles eram bem pouco discretos e estavam rindo de tudo e fazendo uma bagunça no lugar. Chutaram uma poça de lama para atingir uma criancinha goblin e, simplesmente, riram. Bom, a criancinha também riu deles depois.

Quem eles pensavam que eram? Toshinori tentou intimidá-los e, de repente, surgiram vários goblins enormes e bugbears empunhando armas e falando algo no idioma deles que eu não compreendi, mas percebi que era uma grave ameaça. Batendo sua arma no chão, o paladino gritou para que os aventureiros deixassem as coisas e partissem, para que as coisas não piorassem para o lado deles. Eu fiquei com medo.

Eles não quiseram deixar seus pertences, obviamente, apesar da ameaça. Então, Toshinori pegou a camiseta da criança goblin, suja de lama, e tentou esfregar na cara deles. Mas eles não deixaram e pediram para deixá-los apenas ir embora. A gangue de goblins enormes e outros seres gritou mais alguma coisa ininteligível e meu amigo nos incentivou a, simplesmente, deixar para lá e irmos embora, como se não tivéssemos visto nada.

Como eu não entendi do que se tratava, só aceitei a recomendação do nosso paladino e o segui. O único que parecia ter entendido também era Stefan e ele estava ansioso para sair dali. Alguns segundos depois, um barulho altíssimo de armas disparando foi ouvido e, então, entendi do que se tratava. Não me dignei nem a olhar para trás.

Estava assustada e Stefan tentou me convencer de que aquilo era natural. Definitivamente, não era. Mata-se apenas para sobreviver, para se alimentar e quando há uma ameaça com quem não se consegue resolver na conversa. Não é natural matar só porque fizeram algo de que não se gostou.

Continuamos andando, eu em reflexões. Preferia viver na pequena Yuvalin, ao lado de Goro e em situações menos absurdas que as que presenciei em Valkaria. Definitivamente, eu não servia para morar em uma cidade tão grande.


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Épico e aquático – A cidade barulhenta

Helga e os Desafiantes têm um desafio enorme: atravessar Valkaria. Nem eles têm noção da bagunça que pode ser isso. Mas eles têm uma missão, é bom sempre lembrar isso.


Nós fomos tapeados – para variar. Era meio óbvio que em Valkaria isso aconteceria. Me surpreendo, na verdade, por ter sido tão pouco. Dado o nosso histórico, qual a chance de não sermos tapeados, pelo menos, umas 200 vezes em apenas um dia?

Dessa vez, foram crianças. Quem suspeitaria? Tanta gente se esbarrando em mim e em todos nós, só senti minha mochila ficando mais leve, moedas estalando no chão e crianças correndo e gritando. Perdemos valores consideráveis, no entanto, era praticamente impossível alcançar os ladrões com aquela quantidade absurda de gente que eu nunca tinha visto em toda a minha vida.

O bairro Mercado da barulhenta Valkaria

Kroll e Joseph tentaram correr atrás dessas crianças benditas, mas sem muito sucesso. Ainda demorou um tempão até nos encontrarmos outra vez. Consegui colocar o pessoal de volta ao cercadinho na loja Império Bélico. Tive uma leve discussão com Stefan, também para não perder o costume, sobre as razões de ir para aquela loja e sobre nos separarmos no Mercado. Como sempre, Stefan sabendo ser bem insuportável. Ele disse querer itens, mas foi direto ao ponto quando perguntou sobre o leilão em Aslothia.

O anão ferreiro da loja não fazia ideia e não queria saber qualquer coisa sobre aquele lugar. Aproveitei para perguntar se, mesmo que ele não fizesse negócios por aquelas bandas, alguém que ele conhecia faria. O anão respondeu que um longo passeio pelo Mercado nos faria conhecer. Isso não ajudou muito.

O que não ajudou muito também foi Toshinori querendo empurrar as pedras de aço-rubi para o anão. Stefan, ainda, conseguiu ofendê-lo com a menção de que Zakharov estaria mais evoluída que o nosso anfitrião. O anão se sentiu desafiado a mostrar suas belezuras a todo o grupo e eu tentava, sem sucesso, fazer os meninos focarem na nossa missão. Não fazíamos ideia de quando aconteceria o leilão, então, não podíamos mais perder tempo.

O arsenal era, realmente, diferenciado. Fiz questão de lembrá-los sobre a total responsabilidade deles em recuperar suas armas, caso perdessem. Ainda mais sem dinheiro, depois do causo com as crianças. Joseph, inclusive, estava do lado de fora, tocando e cantando para tentar recuperar algum valor.

Nos encaminhamos para uma taverna, a Boca Cheia. Jantamos juntos e, antes de eu me alojar em algum canto, passeei por uma praça próxima, a fim de encontrar algum pássaro que pudesse levar mais uma carta para Goro. Queria contar brevemente sobre as últimas notícias: o encontro com meu pai e nossa chegada a Valkaria.

Com tantas pessoas mendigando comida nas praças, eu tive medo de dormir ao relento e precisei fazer crescer árvores frutíferas para que essas pessoas não avançassem em mim. Encontrei um pombo que me pediu apenas grãos para fazer o serviço e enviei a carta. Mas confesso que descansei um grande nada na taverna. Pensei em dormir no telhado, mas o taverneiro não deixaria. Muito barulho do lado de fora, aquela cidade nunca dormia. Me senti como se estivesse tentando dormir abraçada à forja central de Yuvalin.

Com saudade do quarto do Goro, de manhã, apesar das grandes olheiras que eu tinha no rosto, os meninos pareciam ter dormido como reis. Acredite se quiser, foi Stefan quem pagou a estadia de todos. Após o café da manhã, saímos novamente para aquela muvuca desenfreada, para chegarmos à casa dos pais de Toshinori.


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Épico e aquático – A cidade sob a deusa

Depois do susto, é hora de seguir viagem. Os Desafiantes de Yuvalin têm um longo caminho pela frente e a Helga tem um mundo todo desconhecido para descobrir.


Começamos nossa viagem em direção à cidade sob a deusa, Valkaria. Climber, o burro, me convidou, depois de um tempo, para seguir viagem sobre seus lombos. O pequeno Joseph, com suas perninhas cansadas, já estava montado há alguns quilômetros e, confesso, eu estava tão cansada que decidi aceitar. Não é muito do meu feitio fazer esse tipo de coisa, a não ser em situações extremamente necessárias.

Não demorou muito para que ele ficasse cansado, coitado. Descemos e eu cuidei dele, enquanto andávamos: fiz carinho, dei água e comida, conversei com ele. Depois de muitas subidas e descidas, avistamos uma grande mão e, quanto mais andávamos, mais a estátua de Valkaria tomava forma.

Sobre uma colina, era uma visão completamente diferente de tudo o que eu conhecia. A vista de cima de uma cidade muito maior era espetacular. Villent, Zakharin e Yuvalin, por maior que fossem, nunca se comparariam à grandiosidade daquela megalópole à nossa frente. Tudo era tão cheio, tão grande, tão desorganizadamente organizado, barulhento.

A cidade de Valkaria

Em uma descida, Toshinori, que cresceu em Valkaria, quis se exibir para nós, nos mostrando do que era feita a cidade. Bom, pelo que ele apresentou, adultos costumam quebrar carrinhos de madeira de crianças. Mais uma vergonha alheia que os Desafiantes me fazem passar em público. Já estou acostumada. Joseph quis fazer o mesmo, mas não quebrou o carrinho, apenas desceu a toda velocidade o morrinho em pé sobre o carro de madeira. As crianças amaram o bardo de cabelo rosa.

A cidade abrigava gente de todos os jeitos, etnias e raças. Algumas, eu só vira em imagens nos livros da escola em Villent. Tive que pedir para que os meninos focassem na missão, porque, quando passamos pelo estabelecimento Lua Incandescente, as sulfures, as sílfides, goblinoides, mulheres com curvas à mostra, começavam a se insinuar para eles.

O paladino falou que estava, na verdade, esperando encontrar uma outra goblinoide, que, talvez, ele tenha deixado sem avisar em Valkaria. Então, eu consegui convencer a todos a seguirmos pela cidade, de acordo com o plano. Foi nesse momento que tivemos uma grande revelação sobre Toshinori. Algo que nunca nem imaginávamos. Além de ele nos contar que tinha pai e mãe vivos, ele nos levaria até a casa deles para descansarmos. Ficamos chocados.

Depois de todo esse tempo juntos, eu me dei conta de que ainda conhecia bem pouco sobre meus companheiros. No nosso ramo de trabalho, precisamos confiar quase cegamente uns nos outros. Eles me protegem e eu cuido deles, isso basta. Entretanto, conhecê-los um pouco mais era bom. Então, enfim, nos tornávamos amigos.

Eu realmente estava muito assustada com todo aquele movimento, tanta gente indo e vindo, tanto barulho e cacofonias. Tudo isso, enquanto nem tínhamos entrado pelas muralhas da cidade. Os guardas fizeram pouco de quem éramos, de onde vinhamos e para onde íamos. De repente, estávamos vivendo aquilo: entramos em Valkaria.

Entramos no bairro da Cidade da Praia, seguindo Toshinori, que era quem conhecia o local. Como percebi que logo alguém ia querer fuxicar pela cidade e tentar descobrir tudo o que ela poderia oferecer a nós, principalmente o Stefan, fiz crescer algumas plantas que davam umas fibras bem fortes e juntei-as em uma corda, formando uma espécie de cercado para que todos andássemos juntos. Conhecendo meus amigos como eu conhecia, todo cuidado era pouco e quem se comporta como criança, às vezes, deve ser tratado como criança.

Falei logo de Stefan porque ele foi o primeiro a querer ir conhecer os druidas da Cidade da Praia. Eu briguei com ele para que ele não saísse do cercadinho e fiquei me questionando o que algas ele queria com aqueles caras. Até o Toshinori desaconselhou o inventor a ir tentar conversar com os druidas, disse que eram estranhos. Faço ideia do que ele quis dizer com isso.

Enquanto discutíamos, um hynne em uma carroça nos interpelou, dizendo que nos levaria a qualquer lugar por um valor. Só não nos disse o valor. Disse que, sabendo para onde seria, diria o valor. Nem deu tempo do moço responder quando Toshinori falou sobre a fazenda dos pais. Subitamente, parece que todos os carroceiros de Arton estavam gritando ao nosso redor que fariam o menor preço para nos levar ao nosso destino. Parecia uma feira, ou até mesmo um leilão.

O caos estava instaurado. Não conseguíamos nos desvencilhar de forma alguma daquela loucura. Devia ser pior que a mente do Stefan. Foi, então, que eu me distraí com o assunto dos burros, cavalos e trobos, fiquei conversando com eles sobre a cidade, sobre de onde eles tinham vindo, sobre o trabalho deles. Eles disseram que o trabalho era bom, davam comida boa.

Não sei exatamente o que Edward fez, mas ele conseguiu puxar a gente para fora daquele burburinho. A bagunça e gritaria ficou para trás. Aos poucos, a Cidade da Praia também ficou para trás e entramos no bairro Recomeço. Era um lugar pomposo, as luzes acendiam magicamente nos postes. Casas nobres, mansões, ladrilho. Apesar disso, as pessoas ainda eram bem diversas, não tendo apenas nobres no lugar.

Eu estava encantada com tudo aquilo. Era muito mais do que os lugares mais nobres de Yuvalin. Era lindo. Todos se vestiam tão bem. Nós vestíamos, praticamente, trapos. Aos poucos, isso começou a despertar o interesse de soldados. Eles começaram a fazer perguntas, nos revistar e a nos conduzir em direção ao Mercado.

Um senhor parou Joseph no meio do caminho prometendo torná-lo rico e famoso. O moço maltrapilho disse que ele era perfeito para uma peça. O pobre bardo já começou a sonhar e a murmurar sobre dinheiro e mulheres e iates – eu nem sei o que é um iate, imagino que nem ele. Olhei mais atentamente para o velhinho e vi suas mãos mexendo suavemente, como que conjurando uma magia arcana.

Respirei fundo e pedi por um milagre a Allihanna. Precisei dar alguns tapas na cabeça e nas costas do Joseph para que ele despertasse do torpor. O moço jurava que não estava enganando, obviamente, que queria aquele galã como principal na peça. Até olhei ao redor para verificar se havia alguém bonito por perto. Todos tentamos ajudar o bardo a desacreditar o velho, até Stefan puxou a arma e ameaçou o senhor. Não tentei impedir o inventor, mas parei para perceber se alguém fora do nosso cercadinho tinha notado aquilo.

Finalmente, conseguimos arrastar Joseph para fora daquele golpe óbvio em formato de peça super famosa. Tiramos o velho do nosso encalço e rumamos para o bairro do Mercado. Quase fiquei surda com o barulho que nos recebeu.

Se nos outros bairros tudo já era muito barulhento, ali, eu fiquei tonta com a baforada quente da multidão e toda aquela vozearia. Barraquinhas, lojas, gente anunciando produtos, tavernas. O cheiro da cidade estava se impregnando nas nossas roupas, eu estava assustada e ainda bem que eu tinha feito o tal cercadinho, do contrário teria me perdido.

Toshinori estava confiante, por outro lado. Ignorava os vendedores e pedintes. Eu estava crente que ele já estava nos levando em direção à fazenda dos seus pais, mas ele, simplesmente, entrou em uma loja de licores, beijou a careca do vendedor e nos ofereceu uma dose. Além de, é claro, cantar e dançar com os bêbados caídos na entrada da loja.

Como eu não estava acostumada com licores, cheirei o copinho, o perfume doce, além do álcool. Era bom. Eu tomei e achei uma delícia. Distraída, não notei que Stefan derramou a bebida e, como consequência, tomou foi um soco na cabeça do vendedor, para ele aprender a não desperdiçar o que é dado de graça. Toshinori ficou revoltado. Eu, é claro, como já conhecia meu grupo, fingi apenas que não era comigo e continuei tomando meu licorzinho em paz.

O inventor louco, de forma instintiva, ignorou o que quer que tenha acontecido ali na loja, apesar da dor, e só saiu andando pelo mercado. Eu tive que correr para acompanhá-lo e, ainda, arrastar todo mundo para que não nos perdêssemos. Não quero nem imaginar o que seria de nós se qualquer um dos Desafiantes de Yuvalin se perdesse no meio do Mercado de Valkaria.


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Épico e aquático – A maldição

Os Desafiantes de Yuvalin ainda estão na cripta onde Sir Starkey estáva enterrado e, agora, a Helga tem um baita problemão para resolver e não sabe nem por onde começar.


A silhueta era um minotauro. Ele gritava pedindo ajuda. Hyoda fora preso enquanto caçava um oni, uma espécie de demônio. Stefan me pediu para que eu consagrasse a área a Allihanna, assim, aquela contenção arcana, a parede mágica profanada, se desfaria. E assim aconteceu.

Hyoda caiu de joelhos, ofegante assim que a barreira se desfez. Ele estava há muito tempo preso ali, mas não se lembrava de nada a não ser que havia um necromante junto com o oni. Stefan já ofereceu a ele participar dos Desafiantes de Yuvalin, assim, sem cerimônia, mesmo sem ter condições de fazer isso. Eu só esperava que ele estivesse em paz e não trouxesse nenhuma surpresa desagradável.

Hyoda

Decidimos avançar. Voltar para a outra sala e descer as escadas para o outro lado. Lentamente, os meninos foram à frente e tudo era escuridão, apesar do símbolo sagrado de Valkaria que Toshinori portava, enquanto descíamos. Nos deparamos com um corredor com tochas e grades dos dois lados.

Eram celas com as grades entreabertas. Analisei os ossos dos corpos espalhados em cada uma, ossos de kliren – até brinquei com o Stefan dizendo que aqueles deviam ser parentes dele e não meus – e ossos humanos. Avançamos.

No final do corredor, havia uma mesa. Um livro e um coração estavam sobre ela. Resolvi investigar o coração, ele estava sobre o símbolo de Tenebra desenhado na mesa. Todos estavam tentando entender o que significava aquilo, conjecturando e consultando seus próprios deuses.

Aquele poderia ser o coração do meu pai que, agora, estaria dedicado à deusa da Noite. Os escritos ao lado do coração estavam borrados, mas eu tinha ciência de que poderia ter uma magia muito forte envolvida ali. No ímpeto de tentar entender e descobrir se aquele coração era do meu pai ou não, fui analisar mais de perto e toquei.

Imediatamente, o coração pulsou em minhas mãos. Bateu como se estivesse vivo, dentro de um corpo vivo. Meu corpo inteiro tremeu, senti o coração sincronizar suas batidas com as do meu próprio. Assustada, larguei o coração sobre a mesa. Mas o som dos pulsos do coração retumbavam em meus ouvidos e não vi e nem ouvi mais nada depois disso.

Quando voltei a mim, vi que os meninos estavam em batalha e o Hyoda estava arfando e ferido. Me concentrei em uma oração a Allihanna e abençoei meus aliados. Como se fosse um perfume em vapor, parecia uma leve explosão emanando de mim, a bênção de Allihanna impregnou na pele dos meninos.

Depois disso, voltei minha atenção ao coração, tentando controlar meus batimentos cardíacos sincronizados a ele. De costas para os meninos, só ouvia eles lutando contra sabe-se lá o que. Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, eu precisava regularizar minha respiração e diminuir os batimentos.

Stefan, no auge da sua inteligência obtusa, teve uma péssima ideia. Ele apontou a sua arma para o coração como ameaçando, caso nossos inimigos avançassem para o grupo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Olhei para ele com uma cara de poucos amigos, dizendo e, praticamente, implorando, para que ele não fizesse essa besteira. O lembrei de que, se ele atirasse, o grupo perderia a Helga.

Claro, o coração estava sincronizado ao meu. Se acelerasse, o meu acelerava também. Eu estava ofegante e suplicando com o olhar para Stefan. Podia não saber exatamente o que tinha acontecido, mas tinha certeza que, se algo acontecesse ao coração, o meu também sofreria.

De repente, senti garras rasgando minhas costas, mas, apesar de eu enrijecer minha pele, ainda me machuquei bastante. Nesse momento, eu percebi, então, que estava me sentindo muito mais fraca do que deveria com aquele golpe. Como se o coração tivesse absorvido minha vida, talvez até a metade dela.

Eu sentia dor e o horror percorria todos os cantos do meu corpo. Precisava controlar o desespero, porque isso significava diminuir os batimentos que estavam extremamente acelerados. Meus olhos estavam embaçados, eu estava tonta e sangrando.

Quando o minotauro golpeou o tal fantasma e o mandou pelos ares, finalmente, o coração começou a se acalmar e a bater mais sincronizado e com certa harmonia ao meu. Stefan olhou para mim e me explicou o que aconteceu: um ritual. Havia um fio mágico ligando os dois corações e que, realmente, se o coração morresse, eu também morreria, a menos que o necromante, criador da maldição, informasse como desfazer. Tudo isso de acordo com o livro que ele leu.

Ele continuou falando várias coisas sobre ter um ponto positivo na maldição e que havia um mapa para um lugar onde esse tal necromante poderia ter ido. Eu estava incrédula. Era como se aquela sala fosse inundada pelo frio das uivantes. Frio, horror e dor.

Coração

A Leah, namoradinha do Kroll, se aproximou com as garras à mostra, mas, antes de tocar o coração, guardou-as. Pegou o coração com as mãos e me disse que eu deveria cuidar dele muito bem. Ela começou a se afastar e pediu para que eu me afastasse também, cada uma para um lado da sala. Então, eu desmaiei.

Acordei com a Leah dizendo que eu não deveria me afastar do coração em hipótese alguma. Peguei um baú pequeno que tinha na mochila e coloquei o coração lá dentro. Tranquei e guardei de volta na mochila. Fiz tudo isso com extremo cuidado.

Joseph chamou nossa atenção para uma corrente de ar que ele sentiu no canto da sala e, depois, me abraçou para me consolar. Quando vi, Stefan estava com uma chave de osso outra vez. Apesar de eu saber que ele tinha usado o osso da minha parente, percebi que ele estava sendo útil para o grupo. Ele abriu uma porta oculta na parede para a saída da cripta.

Hyoda pediu ajuda para derrotar o necromante, mas meio que não tínhamos muita escolha, eu precisava me ver livre da maldição. Decidimos ir de volta para o vilarejo, no entanto, eu, que guiava o grupo, levei-os para um caminho diferente. Só reparei nisso quando olhei para frente e vi uma grande rocha branca e um casebre puído logo abaixo. O mesmo casebre que me apareceu em visão quando eu toquei a espada dentro do túmulo do meu pai. O mesmo dos sonhos do Edward.


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Épico e aquático – Respostas começam a surgir

Mais dias no barco rumo à Selentine e os Desafiantes de Yuvalin precisam resistir a uma ameaça e, ainda, garantir o futuro da viagem. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Aquele bichão estava no convés do navio, desequilibrando o nível do barco. Os meninos, rapidamente, já agiram, inclusive, de forma bem diferente. Além do lobo translúcido no Kroll, Stefan fez algo diferente no braço-máquina dele, que ficou muito rápido de repente. O Joseph também tinha um tambor, colecionando mais um instrumento para inspirar a equipe, parecia até aquele boticário que a gente ajudou uma vez.

O bárbaro acertou o carrasco de Lena com seu machado e um brilho ofuscante saiu do seu couro, mas não sangue. O espinho na ponta daquele tipo de cauda frontal acertou o Kroll, o Edward, o Toshinori e o Joseph.

Quando a criatura se aproximou de mim, percebi que já tinha ouvido falar dela. Provavelmente, tinha vindo do Bosque dos Trolls e, como um ser anti-vida, não se machucaria da mesma forma que outras criaturas vivas. Era bem possível que o carrasco de Lena não se ferisse com o machado do Kroll ou com o bico de corvo do Toshinori.

Carrasco de Lena

Stefan também entendeu isso, eu acho, porque pediu para que curassem o bicho. Mas ninguém entendeu o louco, porque ele simplesmente era o louco. É duro ser a única a concordar com o inventor, porém, ele estava certo. O bárbaro só desceu seu machado sobre a criatura que brilhou. O sorriso do Kroll mostrava seu encanto por ela.

O bardo, por outro lado, parece que compreendeu o que estava acontecendo. Ele lançou um frasco aberto de bálsamo que retirou uma casca daquele couro. ESPERANÇA! Mas a criatura rodou aquele espinho outra vez e machucou todo mundo. Edward gritou para que eu terminasse logo com aquela briga sem sentido. E foi o que eu fiz.

Roguei a Allihanna para que me ajudasse no combate. Fechei os olhos e as mãos e, quando abri novamente, um brilho emanou de mim e senti a magia fluindo de mim, curando meus aliados e, é claro, a criatura em nosso meio. A casca que Kroll deixou no bicho se desfez.

Seguindo o exemplo, Toshinori tocou o carrasco de Lena, fez também sua prece a Valkaria e outro pedaço da casca se desfaz. Já o inventor fez algo realmente inusitado: fez surgir de uma das suas engenhocas uma coroa de ervas e flores, que ele me entregou e disse que me ajudaria a fazer magias. Olha, não é que ajudou mesmo?

Finalmente, alguém fez o bárbaro entender o que ele não deveria fazer (que era também o que ele mais gosta): bater. Então, ele agarrou a criatura com sua mordida. Ele, ainda, jogou uma poção de curar ferimentos sobre o carrasco de Lena. A tripulação foi à loucura. Que bárbaro, hein!

Não reparei, mas o Joseph copiou meus gestos – exceto pela língua para fora, porque não faço isso, óbvio – e a criatura se feriu mais um pouco. Ele também conjurou alguma magia que nos deixou mais fortes.

Como o crocodilo era o que mais machucava o carrasco de Lena, a criatura resolveu devolver na mesma moeda: mordeu o Kroll. Pelo que eu vi e senti só de ouvir o urro de dor do bárbaro, machucou bastante.

Diante disso, não poderia ignorar e, mais uma vez, a magia de cura fluiu de minhas mãos, eu brilhava ainda mais intensamente. O carrasco de Lena começou a queimar na nossa frente e cuidei dos ferimentos do nosso bárbaro. Toshinori seguiu o mesmo caminho, curando pelas suas mãos com o favor de Valkaria.

Kroll tentou derrubar a criatura, mas ela era grande demais e não se moveu. Enquanto isso, Joseph começou a bater no seu tamborzinho, atraindo a atenção completa do bichão. Fiz mais uma prece, pedindo que Allihanna nos socorresse, me abaixei, toquei o chão e toda a área foi consagrada à minha deusa. O paladino também tocou na criatura e a feriu mais.

Já o louco fez loucura. Acredito que ninguém nunca tenha pensado em fazer isso em toda a Arton, mas ele fez. Ele usou a poção de aumentar tamanho para aumentar a poção de curar ferimentos. Brilhando. E brilhante! Ele lançou a poção enorme naquela criatura e ela começou a derreter, minguando, como se tivéssemos lançado ácido sobre ela.

No desespero, ela tentou sair da bocarra do Kroll e se jogar na água, mas acho que nada abalava nosso bárbaro nesse combate. Todo o casco da criatura se desfez com a magia que lancei de cura sobre ela. Faltava bem pouco para que o combate terminasse e acabou quando Toshinori deu um abraço naquela criaturinha quase disforme já. Ela diminuiu até virar pó e se dissipar pelos ares.

O Vitrúvio apareceu depois do combate, dizendo que estava entediado. Bom, se ajudasse a gente, com certeza não estaria. Já eu, tomei um frasco de essência de mana. Muito necessário. Esse combate acabou comigo. Pelos deuses, finalmente, avistamos Selentine. Ao longe, bem distante, já podíamos ver partes da gigante estátua de Valkaria.

Nos despedimos da tripulação e do capitão, agradecendo por tudo. Vitrúvio perguntou se Edward havia sonhado mais uma vez e nos incentivou a visitar algumas oficinas de armeiros com trabalho em vidro na cidade.

Entramos, então, em uma dessas oficinas e ficamos fascinados com o trabalho. Espadas, escudos e diversos tipos de armas, tudo feito de vidro. Mas um vidro resistente, que não se quebrava. Por curiosidade, perguntei quanto custava ao armeiro e ele me disse que cobraria T$ 600. No entanto, para fazer negócios, ele estava disposto a receber outros itens e abater o valor.

Assim, Edward mostrou a espada feita de matéria vermelha, aquela que ele recebeu em sua viagem a Ahlen. A que tinha diversos indícios de uma forma para eu encontrar meu pai. Aquele asco natural ao ver a matéria vermelha fez com que o armeiro, chamado Douglas, não quisesse mesmo comprar (um alívio para mim), mas falou sobre um amigo dele no vilarejo próximo, Ermo Esquecido, que talvez gostasse de ver isso.

A espada

Os meninos tentaram negociar algumas coisas, inclusive uma flauta que, curiosamente, mexeu um pouco com o K. Como tudo era muito caro, a gente decidiu ir logo para o Ermo Esquecido e procurar pelo Jeferson. Compramos duas carroças e um cavalo, nos dividimos entre elas e viajamos rumo a Valkaria.

Paramos para descansar depois de quase um dia de viagem em um vilarejo que trabalhava em couro. Aproveitei para fazer minhas preces a Allihanna, cultuá-la em um bosque próximo. Conversei com plantas e animais e dormi ao relento. Já estava com sinceras saudades de vivenciar isso. Claro que estar com o Goro na casa dele é maravilhoso, é perfeito. Mas dormir no meio da natureza é a plenitude.

No dia seguinte, viajamos mais um pouco e, no entardecer, já estávamos entrando no vilarejo Ermo Esquecido. Logo próximo, já avistamos a placa que indicava a oficina do tal Jeferson. Obviamente, fomos até lá. Tomamos um susto porque o ferreiro era idêntico ao vidreiro Douglas. Ele disse que eles eram irmãos.

Ele mostrou seu estoque bem interessante com muitas armas feitas de material exótico. Então, me adiantei e disse que precisava perguntar algo. Na verdade, eu estava me consumindo há dias na expectativa de descobrir qualquer informação sobre o paradeiro do meu pai com aquela espada.

Pedi, então, que Edward mostrasse apenas a insígnia, que ele disse que provavelmente era de algum nobre e que a espada era linda, apesar de quase colocar tudo para fora ao ver a matéria vermelha. Queria informações e, daí, ele pediu para ficar com a espada para analisar e confirmar. Dei um voto de confiança, ele parecia honesto.

Nos preparamos para descansar. Eu fui para o bosque próximo, escrevi uma carta e chamei um corvo. Ouvi um gritinho do Joseph que veio correndo na minha direção com um pedaço de pergaminho, pois tinha escrito também uma carta para o seu marido. Dei alguns grãos ao corvo e ele partiu. Fiz também um culto a Allihanna como no dia anterior.

Quando acordei, no dia seguinte, encontrei Edward e Toshinori conversando com um rapaz que pediu que fôssemos à presença de um barão chamado Lazam. Edward se lembrou da carta que recebeu do pai e nos disse que esse era exatamente quem procurávamos, pois a família Lazam foi senhoria do meu pai.

Fomos até o seu palacete e o hynne, Boris Lazam, perguntou sobre onde encontramos essa espada e o Edward pediu para que eu explicasse sobre a minha história. Eu tremia dos pés à cabeça, apenas imaginando que ele poderia conhecer meu pai. Então, ele começou a contar detalhes sobre Sir Starkey e que ele havia morrido por causa de uma feiticeira, por quem se apaixonou. Estaria enterrado na cripta da família ali próximo do vilarejo, em um bosque.

Ele nos pediu para que devolvêssemos a espada na cripta ao seu verdadeiro dono, se pudéssemos e nos entregou uma caixa com mil tibares. Edward, na verdade, foi quem revelou a história toda, dizendo que a espada pertencia a mim por herança, afinal, eu sou a filha de Sir Anthony Starkey.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/uqVwn0GmeYc

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Até breve!

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Épico e aquático – Construtos e mais construtos

O terceiro andar das Minas Heldret esconde algo importante porque perigos não faltam. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris.


Mas o gênio não soube explicar direito. Só disse que algum armeiro muito bom deve ter feito experiências com partes de trolls e aço rubi. Bom, isso parecia meio óbvio, mas ok.

Os meninos queriam arrancar as partes dos trolls mortos (o metal, claro, mas também a carne – não pergunte) e continuamos investigando as salas. Stefan encontrou alguns papéis escritos em língua anã e pôs-se a ler. Foi, então, que entendemos que as folhas eram um diário de uma anã sobre seus experimentos entre seres vivos e objetos forjados de aço rubi.

Resolvi investigar também para saber se havia alguma ameaça. Fiz uma prece a Allihanna e uma grande paz me invadiu. Entendi que nada realmente ameaçaria o grupo ali. Então, mais aliviada, usei magia para curar os meninos feridos. Minha conexão com a deusa estava forte e senti a energia fluindo de mim para Toshinori e Kroll apenas com um toque de minhas mãos.

Depois de estudar um pouco os trolls, Stefan analisou, sorrindo, o colar com o símbolo sagrado de Valkaria, soltando um “talvez”. Notei que, não apenas eu, mas o grupo inteiro esboçou uma expressão de alívio nos rostos. Seria um vislumbre de mudança no inventor para que, finalmente, ele abandonasse sua devoção ao Deus do Caos? Que Valkaria o conduza!

Isso nos deixou mais animados, apesar da luta que travamos momentos antes. Voltamos ao corredor de entrada do andar e retomamos nossa exploração do terceiro andar. Como a porta da esquerda ainda estava fechada, avançamos pelo lado direito.

Com uma nova prece a Allihanna, solfejando palavras de louvor e súplica, tentei detectar alguma ameaça do outro lado da porta. PAZ. Edward abriu-a e entramos. As luzes que, do lado de fora, eram azuis, ali eram vermelhas. Outras folhas do diário da anã estavam sobre a escrivaninha. Havia também um baú e uma mesa de construção, com metais e engrenagens.

Toshinori abriu o baú e encontramos alguns tibares de ouro lá dentro. O paladino olhou para Edward e perguntou se era assim que o nobre se sentia todo dia. Ele respondeu que o que achamos daria para pagar o café da manhã. (ES)Nob-r-es!

Stefan avistou uma porta cuja fechadura se parecia com a chave que ele havia encontrado recentemente, bem diferente. Ela tinha uma pirâmide na ponta e o buraco da fechadura se encaixava perfeitamente. Assim, ouvimos a porta se abrindo e, do outro lado, um construto de metal, que se ativou imediatamente.

Ouvimos o construto gritar pedindo para falar com Tallaka. Toshinori tentou interceder em nosso favor, dizendo que estávamos ali em paz. Por outro lado, aquele que estava bem na porta porque a abriu estava cantando que era um amendobobo. Independentemente do que aquilo significasse na mente do louco, eu sabia que Stefan estava, mais uma vez, confuso e que precisava de ajuda para voltar ao normal. Logo quando a gente tinha que agir em paz com o construto.

O Stefan sabe ser bem insuportável.

Supliquei para que o Kroll saísse da frente para que eu conseguisse ao menos tocar o inventor para tirá-lo desse transe. Edward e Toshinori estavam negociando com o construto. Ele, chamado de K, estava fazendo várias perguntas sobre o que tinha acontecido, sobre a guerra dos anões, em que ano estávamos. Edward entregou o diário que encontramos para o golem.

K, o golem

Enquanto isso, puxado pela camisa para o meu lado, eu coloquei minhas mãos sobre a cabeça do inventor, ainda cantando e balbuciando frases incompreensíveis. Seus olhos se desanuviaram quando eu impus-lhe as mãos. Ele piscou algumas vezes e entrou na conversa com o golem.

Diante de tantas perguntas de K, eu disse que estávamos ali para investigar as minas e encontrar um artefato. Também disse que nós poderíamos ajudá-lo e que, se ele quisesse, também nos ajudaria, já que ele conhecia melhor as minas melhor que nós. Ele aceitou e nós tínhamos um aliado dali para frente, pelo menos nas Minas Heldret.

Tallaka era a anã inventora, auxiliada por K. Ele deixou escapar que ela usava um artefato diferente para moldar o aço rubi e fazer os experimentos. Bom, era isso que procurávamos e por causa disso que estávamos explorando a caverna. Ele só não sabia que havia algo do outro lado do corredor, como se só tivesse sido construído depois de ele ser desativado. O que era estranho.

Edward tentou abrir a tal porta do lado esquerdo do corredor de entrada do andar, mas havia uma resistência. E ele e Stefan perceberam que algo pesado estava travando a porta. Assim, convocamos o mais forte do grupo, no caso o crocodilo, para que ele abrisse a porta.

De onde eu estava, não conseguia ver o que tinha lá dentro, só ouvi barulhos e uma leve iluminação vermelha. Os sons não eram amigáveis. Algo se ativou lá dentro. Quando vi Stefan sacando e acendendo uma bomba, entendi que a coisa estava ficando feia. Pelo menos, ele estava atirando contra o que deveria ser um inimigo e não contra os amigos.

O barulho foi ensurdecedor, mas, diferentemente do segundo andar, nada caiu sobre as nossas cabeças com o estrondo da bomba. O que quer que fosse nosso inimigo, atacou quem estava mais próximo, o bárbaro, que só ficou atordoado com a surpresa do ataque e apanhou bastante. Eu precisava curá-lo. Então, avancei para o lado Kroll e fiz uma prece a Allihanna. Magia fluiu de mim para curá-lo, mas não adiantou muito.

Só tive tempo de alertar o grupo sobre 3 golens de aço rubi que eu consegui ver na sala e uma das criaturas já bateu no Kroll. Joseph começou a tocar e cantar para, com sua magia, nos ajudar naquele momento. Foi então que uma das criaturas avançou e pisou em cima do Kroll e, simplesmente, tentou me bater. Desviei de um golpe mas o outro ia me atingir, quando enrijeci meu corpo e como que uma capa protetora surgiu sobre a minha pele. Ele até me acertou, mas só deixou um leve arranhão.

Toshinori pediu que todos saíssem do caminho naquele corredor para que ele pudesse ir para cima dos golens. Edward também gritou para que fizéssemos isso, só assim o paladino poderia fazer o que ele faz de melhor.

Stefan acendeu outra bomba e jogou dentro da sala. Só consegui ver um dos construtos, de fato, sofrendo, mas, ainda assim, ele avançou pelo corredor, como se eu não estivesse no caminho. Mas ele não bateu em mim, e sim, no bardo. Foi uma grande pancada e ele caiu.

Apesar de Kroll estar respirando e não estar sangrando, ainda estava caído e machucado. Outro golem avançou, mas Edward tentou bloquear com seu escudo, mas, ainda assim, se feriu um pouco.

Vi, então, que não eram 3, eram 4 construtos. Além disso, as forças já se esvaíam de nós, o que sentimos quando nem todos podiam mais usar magia. Estávamos com sérios problemas.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/_cqjsy_IleE?si=N8sKpQvNQhcxyHe_

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Até breve!

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