Épico e aquático – Encontros bem aleatórios

A viagem rumo ao tal leilão continua no navio e os Desafiantes de Yuvalin têm alguns encontros bem aleatórios pela frente.


Saí correndo do quarto, me segurando para não cair com o balanço do navio, depois daquela explosão. Cheguei no convés gritando para todos para descobrir o que estava acontecendo. Aparentemente, o alarde todo era porque ladrões abordaram o barco sorrateiramente.

Tomei um susto quando uma aura translúcida em formato de lobo cobriu o Kroll, com um sorriso cheio de dentes. Ele já estava batendo – e eliminando – os bandidos. Eu podia ver bem pouco no escuro, mas a cena de um carinha sendo cortado ao meio foi bem clara para mim.

Do meu lado, tinha um outro carinha tremendo e olhando para mim em desespero. Gritei para a equipe para que eles cuidassem dos ladrões enquanto eu procurava por problemas. Com “problemas” eu quero dizer Stefan. Pelo tamanho do barulho que eu ouvi, era ele. Só que, no escuro, eu precisava encontrá-lo ainda.

Não foi tão difícil, a propósito, uma vez que o capitão gritava xingamentos contra alguém que tinha destruído parte do navio. Não foi difícil adivinhar. Eles estavam próximos ao leme. Subi correndo as escadas naquela direção e encontrei o inventor balbuciando palavras ininteligíveis, com os olhos revirados, enquanto o capitão continuava gritando impropérios.

A batalha no convés já estava animada e eu tinha que acalmar o capitão e cuidar do louco. Ouvi o alaúde do Joseph, os gritos de ordens do Edward e um uivo de lobo. Por uns instantes, gelei imaginando que a Noah estivesse no barco. Essa sensação deu um nó na minha cabeça, até eu me lembrar do Kroll.

Fumaça no navio com a batalha contra os ladrões

Ó minha deusa! Ó Allihanna, roguei por paciência enquanto tocava a testa do Stefan, purificando-o da sua loucura. Pedi paciência porque se ela me concedesse forças, eu acabaria com o inventor. Saí de perto dele para visualizar o resto da batalha no convés do navio.

Tudo estava sob controle. Desci as escadas e encontrei um ladrãozinho imobilizado, pelos menos, na proa, implorando para que não o matássemos. Então, os meninos começaram a interrogar e eu me aproximei do grupo. Como ele só foi ali para roubar a gente mesmo, a gente tomou de volta o que ele roubou e mais algumas coisinhas interessantes.

Kroll levantou o machado porque, aparentemente, ele teria sido roubado por um dos gatunos. Edward tentou controlar a situação para não matar o ladrão. Nisso, Toshinori começou a reclamar com o Stefan porque ele explodiu parte do navio. Eu cruzei os braços e fiquei assistindo a equipe decidir, primeiro, que assunto queriam priorizar e, depois, o que fazer com o prisioneiro.

Finalmente, o golem de vidro, Vitrúvio, saiu de sua cabine e perguntou o motivo de tanta algazarra, estranhamente bem-humorado. Ele não queria mais uma boca para alimentar no barco, então, eu perguntei sobre a existência de um calabouço, apenas para que o ladrão não fosse arremessado na água. Então, ele pegou o gatuno, colocou-o sobre os ombros e desceu as escadas para dentro do navio. Só ouvimos uma risada sua, bem baixinha, depois de alguns segundos.

Retornei aos meus aposentos, concluí a carta para Goro e chamaria alguns pássaros pela manhã para enviar para ele e Silena. Depois do incidente, só queria relaxar mais um pouco e li mais uma parte daquele livro que o Edward trouxe de sua viagem, aquela quando ele perdeu um olho. Fugindo das Águas de Sempre me chamou a atenção pelo título, mas, definitivamente, esse autor não conseguiu encaixar bem o enredo e ficou faltando algo relevante para tornar a história marcante. Se eu não tiver nada para fazer depois, talvez termine de ler. Naquela noite, bastou ler por cinco minutos e eu apaguei.

Pela manhã, senti que as águas por onde passávamos já eram diferentes. Deixamos o Rio Panteão e entramos em território deheoni, pelo Rio Nerull. Mesmo nascida no Reino de Deheon, não me senti em casa, porque nesse rio eu nunca nadei. Estava bem longe de Villent, aliás. É óbvio que eu não ia perder a oportunidade de conhecer mais profundamente essas águas. Antes que Azgher estivesse pouco acima do horizonte, já tinha dado um longo passeio e conhecido vários peixes e outros animais.

A divisa entre Zakharov e Deheon

Retornei ao navio completamente renovada e serena e me sentei encostada à amurada na proa, apreciando a paisagem e reverenciando Allihanna por toda sua glória e majestade. Aos poucos, um a um dos meus companheiros surgiram no convés e trocamos algumas amenidades matinais. Toshinori e Edward tinham o péssimo hábito de urinar na água sobre a ponta da proa, enquanto tinham conversas mais íntimas. Eles passaram bastante tempo juntos, não é?

Em algum momento daquela manhã, Edward me contou individualmente que ele estava tendo um sonho de forma bem corriqueira, o mesmo sonho. Ele me perguntou se eu poderia orientá-lo sobre o que fazer ou se conseguiria interpretar, já que eu estava mais ligada à sabedoria dos deuses.

Falei que sonhos não eram minha especialidade, mas que eles poderiam ter diversos significados. Expliquei que sonhos poderiam ser reflexos de sua própria mente tentando criar possibilidades de coisas que não aconteceram, ou que poderiam ser lembranças, ou que poderiam ser sinais dos deuses, uma visão, um recado enviado por alguém. Como ele estava em busca de ser um guardião da realidade, ele tinha a bênção de vários deuses, o que talvez pudesse significar um sinal. Aconselhei para que ele buscasse ter contato com os deuses, afinal, eles não estavam tão distantes que não pudessem responder a quem os buscasse.

O senhor Vitrúvio também chegou ao convés e entrou em um duelo musical com Joseph. A música foi até legal e eu solfejei uma melodia junto, mas bem baixinho, enquanto olhava a vida marinha abaixo.

Nesses dias no barco, tive que conciliar também o humor dos meus amigos, pois Toshinori estava abstêmio e Joseph nem aguentava mais tocar o próprio alaúde. Stefan sugeriu que o bardo, que também sabia criar algumas coisas, fizesse cerveja para o paladino. Mas o gnomo não entendeu o recado e não fez.

Perto das Quedas de Hynn, retornei ao navio porque o barulho era muito alto e a correnteza estava bem forte. Bem a tempo de impedir de desviarmos nosso caminho para uma caverna que TALVEZ tivessem dragões. Os meninos estavam muito empolgados para ir até lá e é óbvio que eu disse que na volta a gente passaria por lá. Estava curiosa para saber se Edward conhecia algo sobre o lugar, já que ele era meio-dragão. Mas, infelizmente, nenhum parente dele.

As águas próximas ao Bosque dos Trolls estavam meio turvas e espessas. Assim, achei melhor ficar no barco até a situação melhorar. Ao longe, numa das margens, algo se moveu de uma pedra entrando na água. Foi muito rápido! Não deu para identificar o que era, mas eu já fiquei alerta para caso tivéssemos um encontro perigoso. No entanto, não vi e nem senti mais nada.

De repente, uma criatura alaranjada com um tentáculo para frente, meio espinhoso, apareceu no convés. O carrasco de Lena era uma salamandra imensa, com couro rugoso, pernas atarracadas e cauda muito grossa. Ficava lambendo o focinho o tempo todo. Ele estava pronto para comer algo, mas desde que não fôssemos nós esse algo, estava tudo bem.


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Até breve!

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Épico e aquático – Uma nova aventura

Ezequias tem uma nova missão para os Desafiantes de Yuvalin e algo totalmente diferente e, provavelmente, perigoso está diante de Helga.


Ezequias disse que sabia o que estava fazendo nos enviando para o leilão, já tirando uma carta de crédito em branco da gaveta e colocando em minhas mãos. Estremeci igual a um bambu movido pelo vento. Ainda perguntei se ele tinha certeza do que estava fazendo. Ele respondeu que confiava na nossa capacidade de negociação.

Agradeci a confiança e disse que essa missão seria uma questão de honra. E de honra, eu agora estava um pouco mais por dentro. Só precisávamos planejar toda a viagem. O que demandou uma grande negociação entre os Desafiantes de Yuvalin, porque alguns queriam passar pela Supremacia Purista. Fora de cogitação!

Ezequias sugeriu descermos até Selentine, porque teria um comerciante da cidade que nos daria uma carona pelo rio. Dali, partiríamos para Valkaria e, de lá, para Wynlla e, pelo mar, chegaríamos a Aslothia. Eu gostei muito da ideia, porque teríamos bastante água pelo caminho e seria menos fácil sermos abatidos no caminho.

A discussão era sobre como sair de Yuvalin e chegar a Aslavi

A namorada do Kroll… digo, Leah, barbaramente rasgou o mapa que Ezequias tinha colocado sobre a mesa, de Aslothia até os Ermos Púrpuras, alegando que estariam perto de casa. Mas esse era um caminho que seria maior.

Finalmente, consegui convencer a equipe a fazer o trajeto mais rápido e menos perigoso, que também foi o que o Ezequias sugeriu. A leoa parecia que ia me comer com os olhos, mas eu estava serena e decidida. Ela também quase quebrou o braço bom do inventor – não fiquei desesperada por isso.

Stefan queria passar pela Supremacia Purista para saber mais sobre o seu passado e ir até à Caverna do Saber, dedicada a Tanna-Toh (Deusa do Conhecimento). Entretanto, decidimos ir pelo caminho mais rápido e voltarmos, talvez, por onde fosse mais interessante. Inclusive, atender o desejo dos bárbaros de fazer um favor ao mundo eliminando alguns puristas.

Depois de roteiro resolvido, precisava dar a notícia a quem dividia a vida comigo. Saí da Guilda direto para a Kanpeki, para conversar com o Goro. Edward também tinha algo a tratar com ele e, então, seguimos juntos até a loja.

Eu não gosto de atrapalhar o serviço do Goro, mas não poderia deixar para depois, então, o chamei para seu escritório. Quando falei sobre a viagem a Aslothia, ele arregalou os olhos de espanto, pois era nada mais e nada menos que a terra dos mortos. Expliquei que era uma missão do Ezequias e me comprometi a escrever para ele sempre que conseguisse.

Meu coração estava dolorido. Porque eu estaria longe não só do Goro, mas da Noah também. Sim! Ela deveria ganhar os filhotinhos nos próximos dias e o próprio Goro falou que seria um risco para ela e para nós seguir viagem assim. Mais uma vez, ele me desejou boa sorte e pediu que eu apenas retornasse para ele.

Me abraçou, me beijou e eu já quase vertia lágrimas. Desde que começamos a namorar e eu passei a ficar mais tempo em sua companhia, sabia que chegaria o momento em que precisaria ir para mais longe e para uma aventura mais perigosa. Mas era uma separação que eu confesso não estar preparada.

“Que Lin-Wu te acompanhe! E Allihanna nunca te deixe!”, Goro me disse. Também prometi trazer souvenirs para ele. Coitado do Edward pediu a um Goro triste marcar suas costas com o símbolo de mais três deuses. Fiquei na oficina até o final do expediente e fomos para casa – já que a viagem seria no dia seguinte.

Foi uma despedida doce, cheia de carinho e urgência. Jantamos juntos, à meia luz. Conversei com a Noah sobre o que aconteceria no dia seguinte e que ela ficaria em casa para ter um parto tranquilo. Ela não queria desgrudar de mim um instante, mas sossegou depois que Goro e eu fizemos carinho nela até que ela adormecesse.

Já nós dois… bom, também fizemos carinho um no outro até dormir. Acho que foi a nossa melhor noite juntos. Era tanto amor que não cabia na gente! Só queríamos que o tempo parasse e pudéssemos permanecer para sempre naquele momento.

Mas o dia da partida chegou e, para não se sentir tão sozinha, Noah foi fazer companhia a Goro na Kanpeki. Seria bom, disse ele, para que eu estivesse sempre nas suas lembranças. Como meu trajeto era para o outro lado da cidade, me despedi, finalmente, deles, na porta de casa. Aquele abraço que, acho, durou muitos minutos.

Devo ter regado várias plantas no caminho para o Porto Vahrim, onde encontrei os Desafiantes de Yuvalin. Nossa carona era um tal de Vitrúvio, um golem de vidro muito engraçado, ou metido a piadista. Informamos que éramos os enviados de Ezequias. Entrei no navio e deixei as minhas coisas em uma cabine, porém, pretendia passar parte da viagem na água. Descer o Rio Panteão seria um grande prazer.

Logo nas primeiras horas de viagem, Joseph resolveu cantar no convés e os marujos o acompanhavam. Enquanto isso, eu estava na água, brincando e cantando com os peixes, mas era muito mais uma respiração deles me acompanhando do que cantando propriamente dito.

Para minha tristeza (e raiva), o inventor quis testar como seria me chamar para o navio, em caso de necessidade. Então, ele atirou para o alto, fazendo um estrondo e espantando todos os animais. Eu pulei para o barco e dei um tapa na cara dele. O Stefan sabe ser bem insuportável!

No entanto, ele não foi o único insuportável. Toshinori e eu travamos algumas ofensas sobre a forma como ele acreditava que deveria me chamar. A tripulação achou que ia sair briga de verdade. Por fim, pedi que fossem mais criteriosos quando fossem me chamar. Assim, voltei para a água. Como sereia e não peixe, precisava retornar ao navio volta e meia para restabelecer minha temperatura corporal, me alimentar e tudo o mais humano que eu deveria fazer. Até porque as águas do Rio Panteão são extremamente geladas.

Viagem pelo Rio Panteão

Em uma das vezes que estava no convés, avistamos a Fortaleza de Destrukto, uma paisagem bem tamuraniana. Enquanto o capitão do navio discorria sobre a história da Fortaleza e falava sobre o sumo-sacerdote do antigo Deus da Guerra, meus pensamentos foram longe. Me recordei de sua filha, a sumo-sacerdotisa de Allihanna, que dispunha de algo que eu realmente almejava, como líder e aventureira.

Fiquei bastante tempo pensando sobre isso. Um artefato criado pela própria Deusa que concede algumas bênçãos especiais. Lisandra da Galrasia, porém, não é apenas a arquidruida suprema de Allihanna — é a mais poderosa entre todos os sumo-sacerdotes. Ela merece ter a Coroa de Allihanna. Por que eu mereceria ter?

O Rio Panteão naquela altura já é bem largo e o pôr do sol, apesar de gélido, foi impressionante. Aquela tarde e início de noite era um culto à minha deusa e celebrei a beleza do mundo natural e o encontro de Allihanna com Oceano. A natureza é o maior altar para cultuá-la. Entreguei nossa missão em suas mãos, louvando sua bondade em todos os momentos comigo ao longo da minha vida.

Mais tarde, tive algum tempo para ir aos meus aposentos e escrever. Escrevi no meu diário e também uma carta para Silena e outra para Goro. Não cheguei a concluir a carta para meu namorado, pois um estrondo muito forte sacudiu todo o barco.


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Épico e aquático – Notícias da família

Os Desafiantes de Yuvalin retornaram das férias e há muito o que conversar. Confira o relato da sereia druida Helga Iris deste encontro e todas as novidades dos amigos.


Nos encontramos, finalmente, na taverna Foice e Martelo para matar a saudade e saber sobre as novidades. Edward e Toshinori tinham acabado de chegar de viagem e, para nossa grande surpresa, Ed usava um tapa-olho sobre onde o olho esquerdo deveria estar.

Toshinori usava um manto do fascínio quando chegou, falando que a bênção dos deuses estava sobre nós. Stefan, que eu estava preocupada com relação aos efeitos que a traição de Ràthania lançaram sobre ele, estava entretido e fascinado com a primeira edição do jornal do Joseph, o Meia-Hora de Yuvalin.

Minha preocupação era que o Kroll não estava conosco ainda, porque, da última vez que chegamos das “férias” e alguém não estava, o que veio a seguir foi caótico. Mas o pensamento foi rapidamente afastado quando o paladino, me vendo em trajes e postura tamuranianos, se dirigiu a mim com um sotaque e cumprimentos comuns no Império de Jade.

Foice e Martelo, a taverna dos trabalhadores

Toshinori comentou que eu devia estar mais próxima de Goro agora então e eu confirmei, mas não apenas dele, mais próxima de mim mesma, de quem eu sou. Falei que passei um tempo estudando e me conhecendo, ainda ofereci um saquê. Ele quis misturar o saquê com a cerveja, o que não deu muito certo.

Então, perguntei para eles como foram os últimos três meses para cada um. Toshinori falou que ele e Edward conseguiram a bênção de mais três deuses na última viagem deles e que o olho perdido de Ed era um detalhe sem tanta importância diante de tudo o que conquistaram.

Enquanto falávamos sobre as aventuras e desventuras do nobre e do paladino, a porta da taverna se abriu para a passagem do nosso bárbaro. Mas ele não estava sozinho. Logo atrás dele entrou uma moreau leão. Era tudo o que a gente precisava! Com certeza!

A entrada deles silenciou a taverna. Todos olhavam para as criaturas imponentes que adentravam. Menos Joseph que, desde que chegamos, não parava de escrever e reclamar com seu funcionário do jornal chamado Phillip. Ele apenas se dignou a levantar os olhos e cumprimentar a estranha como “namorada do Kroll” e, depois, retomou suas tarefas de dono do jornal.

Eu fiquei atônita. Como? Ela também pareceu não gostar da ideia de receber aquele título e fechou a cara se aproximando do bardo. Já o Kroll só deu um “oi” para nós. Eu, chocada como estava, que achava ter passado por coisas bem diferentes nas minhas férias, agora percebia que meus dias foram os mais normais de todos. Que novidades eram todas essas?!

O crocodilo parecia mais assustado por me ver do que eu por vê-lo ao lado da leoa. Só porque eu estava vestindo o kimono, prendi meus cabelos em coque e tinha passado uma daquelas maquiagens tamuranianas, nada de mais. Ele disse que eu estava diferente e, bom, é o que acontece quando se passa mais tempo com as pessoas. A gente capta alguns modos delas. Foi o que aconteceu nesses três meses comigo. Expliquei o que tinha feito nas minhas férias, porque, de repente, todos estavam curiosos com a minha nova fisionomia e postura.

Mas, caramba! O Kroll arranjou uma leoa! E o Toshinori caiu no chão quando a leoa meio que empurrou o paladino ao sentar no banco. Ele contou que ela, a Leah, era uma amiga antiga e que trouxe a notícia de que seu pai tinha morrido. Bom, foi o Joseph quem deu o spoiler, o que deixou o crocodilo com raiva do bardo.

Fiquei triste pelo bárbaro. Uma notícia difícil de receber, sem dúvida. Não consigo nem me imaginar recebendo a notícia do falecimento de Silena ou Agenor, nem quero pensar nisso! Mesmo que eles nem sejam meus pais de sangue.

Leah e Kroll

Stefan, até agora, tinha falado bem pouco. Toshinori o abraçou e isso me preocupou mais do que qualquer coisa. O inventor estava bem menos abatido do que quando o vi pela última vez, trabalhando na oficina do Drrrun enquanto eu passeava com Noah há algumas semanas.

Foi então que, finalmente, o kliren começou a abrir o jogo quanto ao que aconteceu nos últimos meses. Se exibindo, como sempre, o que me fez perceber que ele estava bem, ele contou sobre ter consertado o K e adicionado uma pitada de Stefan ao golem, seja lá o que isso signifique. Também contou sobre suas novas engenhocas no braço de metal e seus óculos estranhos.

Leah estava curiosa com relação à nova aparência de Edward e quis informações sobre o que tinha acontecido. Ed contou sobre sua desventura ao trocar seu olho esquerdo pela liberdade de seus companheiros quando caiu em uma emboscada de uma bruxa. Eu também fiquei curiosa sobre o que tinha acontecido na viagem deles a Ahlen.

Já o paladino nos surpreendeu a todos quando disse que sentiu falta de Stefan por ter que conviver durante a viagem com uma criatura que o fez quebrar seus votos ao mentir. Realmente, sentir falta do Stefan é algo anormal, mas compreensível nesse caso. Toshinori me mostrou seu novo manto e que ele o ajudaria a, junto comigo, cuidar dos ferimentos das pessoas e curá-las quando necessário. Eu era toda gratidão!

Expliquei a todos que eu tinha pensado em desistir depois da nossa última aventura e minha decisão de ir aprender a sabedoria dos mestres de Tamu-ra em um lugar menos distante, ali em Nitamu-ra. Falei que eu estava disposta a ser uma líder melhor, que passei um tempo especial ao lado de Goro e trabalhando com Ezequias na Guilda. Também contei sobre a Noah que está esperando filhotinhos.

O inventor também falou sobre sua viagem a Tahafett (estremeci com essa menção) e como o Drrrun retornou de sua viagem a Rhond trazendo alguma novidade que ele queria contar para nós junto de Ezequias. Devia ser algo deveras importante! Marcamos de nos encontrarmos na Guilda dos Mineradores no dia seguinte..

Foi uma festa toda essa conversaria. Muitas novidades! E aproveitamos bem a noite na companhia uns dos outros. Finalmente, Joseph parou de escrever e o tal Phillip saiu correndo da taverna. Mas volta e meia o bardo ia procurar o Stalin, seu marido, eu acho. Toshinori, Kroll e Leah derramaram os canecos, para variar. Já tarde da noite, nos despedimos e voltei para casa para descansar com Goro e Noah.

No dia seguinte, éramos, mais uma vez, uma família feliz passeando pela cidade. Me despedi do Goro na porta da Kanpeki e segui para a Guilda com a Noah, onde nos encontramos com todos, inclusive com um K reformado. Fiquei realmente feliz por vê-lo consertado. Stefan foi bem útil para ele, afinal.

Ao entrarmos na sala do Ezequias, nos deparamos com ele, Drrrun e o terceiro braço do chefe – o Jimmy. Edward ficou estarrecido com o braço grotesco, que foi um acidente no laboratório, lidando com matéria vermelha. Foi uma conversa até meio fofa entre os dois amigos: Ezequias e Edward.

E, então, Ezequias entregou ao Edward um baú, uma caixa onde estava um espólio que era uma espada misturada com matéria vermelha – GROTESCO – e uma carta. A CARTA que devia contar sobre o paradeiro do meu pai. Eu acho que arregalei os olhos e meu coração acelerou. A Noah até começou a se enroscar nas minhas pernas. Não prestei mais atenção nas conversas até que Edward começou a ler a carta em voz alta.

A carta

Agradeci trêmula quando Edward me entregou a parte que contava sobre o meu pai: Sir Anthony Starkey, o Cavaleiro das Rosas, galanteador que portava uma espada bastarda de matéria vermelha como herança de família, serviu a Sir Lohrin Starkey e à família Lazam em Hongari. Seu paradeiro era desconhecido, mas fora visto uma última vez em Deheon em companhia de uma mulher muito bela.

Meu ouvido zumbiu por alguns minutos até que ouvi Drrrun dizer que Ràthania foi vista em Rhond e que um leiloeiro abriu passagem para ela em Aslavi, Aslothia. Aparentemente, aquilo que ela nos roubou seria leiloado lá e nós, é claro, traríamos a ferramenta artefato de volta a Yuvalin sã e salva – de acordo com Ezequias.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/D1K2TGdVNww

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Épico e aquático – Em busca de honra – Parte 1

Depois do impacto da traição de Ràthania, Helga está diante de uma pergunta: o que fazer agora?


Eu saí tão devastada da loja do Ezequias que andei pela cidade sem rumo pelo que eu acredito terem sido horas. Coitada da Noah por me aguentar nesse período. Edward só havia me dito que precisava viajar e que levaria Toshinori. Não estava em condições de argumentar, todos precisavam de um tempo para respirar, realmente.

Todos nos entendemos meio que inconscientemente de que tiraríamos umas férias, pelo menos até Ed e Toshinori retornarem. Eles estavam em busca do favor de todos os deuses do Panteão. Alguns já lhes eram favoráveis, mas outros não eram facilmente encontrados em Zacharov.

Assista à side de Toshinori e Edward no Youtube: https://youtu.be/3kPz-cwiAzU

Joseph, agora, tinha um jornal para tocar e outros instrumentos para aprender. Kroll precisava de tempo para treinar na arena, ficar mais forte e mais certeiro. Stefan, pelo olhar marejado, precisava ficar sozinho. Provavelmente, consertaria o K, como prometido, e também consertaria um pouco a própria mente (se é que isso é possível), trabalhando em invenções.

Vagando por Yuvalin, vi várias cenas bem conhecidas e comuns, como um menino que arremessa pedras e um casal de anões vendendo cacarecos. No entanto, nada me chamava a atenção ou me comovia. Eu estava alheia a tudo. Devo ter parado algumas vezes para deixar Noah descansar, dar água a ela e fazer carinho em seu pelo macio. Só que eu não sentia nada, nem cansaço, apenas culpa e desolação.

Sei que, no final daquela tarde, estava entrando na casa do Goro. Me joguei num monte de almofadas na sala. Ele me recebeu de braços abertos, o seu lindo sorriso e uma xícara de chá. Me entregou a xícara e ficou me olhando enquanto eu olhava para o nada, provavelmente com uma expressão aterradora para ele.

Tirou minhas botas e começou a fazer massagem nos meus pés. Eu só balbuciava que nada fazia sentido e que deveria ter previsto. Ele, sem entender nada, levantou e foi fazer outro chá. Disse que seria um calmante dessa vez. E me perguntou o que tinha acontecido.

Comecei a contar todo o absurdo que aconteceu na noite anterior. Falei até que eu deveria ter impedido Ràthania de andar com a gente. Então, ele me questionou sobre o que eu faria se ele próprio resolvesse participar das nossas aventuras. Fiquei reflexiva. Afinal, que espécie de líder também seria se impedisse que um membro da equipe fosse proibido de ter sua companheira por perto.

Foi então que travamos uma conversa sobre o peso da liderança e o fato de não podermos prever o que aconteceria, nem assumir sozinho a culpa. Ele falou que eu precisava de um banho e até brincou comigo sobre nunca ter visto minha cauda. Disse que deveria saber como é e como funciona para quando tivéssemos filhos.

Filhos? Cedo demais para falar sobre isso! Ele percebeu minha expressão, graças aos deuses. Percebeu, inclusive algo que eu, como druida, não tinha reparado. Ele me mostrou Noah e comentou que ela já estava formando a família dela. Eu fiquei pasma. Estava tão distraída com os acontecimentos que não reparei que ela estava esperando filhotinhos.

Tive um momento de me sentir ainda mais culpada que tudo, mas essa notícia fez toda a nuvem de tristeza e desânimo esmaecer. Simplesmente, me esqueci de todos os problemas e corri para fazer carinho nela. Ela virou de barriga para cima e ficamos ali alguns minutos nessa sintonia entre druida e companheiro animal.

Conversamos, ela e eu, sobre como foram os dias antes de nos encontrarmos naquele fatídico dia da tempestade. Bom, ela conheceu o lobo do Trovão da Tormenta antes da gente se encontrar. Ela sentia que eram mais de 2 filhotes. Estava tão feliz por ela! Meu humor mudou completamente.

Quando Goro chegou com o chá, eu ainda estava abaixada conversando com Noah. Falei que ia procurar entender o que fazer daquele momento em diante. Queria ser uma pessoa melhor, uma líder melhor. Talvez, estudar algo sobre o assunto, ler bastante. Ele me levantou e me conduziu até a banheira onde eu tomaria um banho muito relaxante e tranquilizador. Tudo o que eu precisava naquele momento!

Assim que eu entrei na banheira, ele se espantou com a forma como a cauda se formou. A ponta da cauda roxa refletia em seu rosto, porque estávamos à meia luz no quarto. Ele me perguntou se eu sentia seu toque, mas logo se afastou com o rosto ruborizado, afugentando alguma ideia que eu não consegui descobrir.

Voltou do seu escritório/biblioteca, o cômodo ao lado do quarto, trazendo alguns livros. Segundo ele, esses livros foram escritos por mestres tamuranianos que poderiam ser úteis para me ajudar a me entender melhor como líder. Afinal, Tamu-ra é conhecida por seus senseis, sua sabedoria e toda a cultura em volta.

Bom, como meu tamuraniano estava bem enferrujado, 3 dos 4 livros meio que passaram direto pelos meus olhos, porque não entendia muito. Mas eu fiquei muito feliz com as descobertas feitas naqueles livros. O quarto livro era de um exímio líder e sua trajetória de aprendizado. Eu realmente estava gostando do que lia. Minha jornada era bem parecida com a desse sensei.

Estava sozinha ali, na banheira, Noah e Goro me deixaram para que eu relaxasse, me entretendo com os livros. Era impressionante como ele já estava nos transformando em uma família com o casal e um animal. Ainda estou tentando me acostumar com isso. 

Durante o jantar, eu já estava bem mais animada e descansada. Acho que Goro percebeu isso e ficava olhando para mim, às vezes, com aquela cara de bobo. Eu também fazia isso de vez em quando, enquanto conversávamos sobre milhões de coisas. Parecia até que eu não tinha vivido tamanho infortúnio apenas um dia antes. 

Foi quando um pensamento me assaltou: e se eu abrisse mão de tudo para viver isso? Goro, Noah e eu, em paz, numa casinha. Desviei logo esse pensamento. No entanto, ele voltava vez ou outra durante a noite.

Noah, Helga e Goro

Goro colaborava bastante com isso, me pedindo para ficar junto dele, não viajar tão cedo em nova aventura. Era difícil não ceder a isso. Passei a noite em seus braços, desfrutando do prazer da sua companhia. Até deixar a cama na manhã seguinte foi custoso.

Tomamos o nosso café juntos e expliquei ao Goro que, depois de ler aquele livro, eu gostaria de ir para Nitamu-ra a fim de treinar com algum sensei sobre autoconhecimento e liderança. Ele sorriu para mim. O sorriso mais doce que quase me fez desistir. Me disse que apoiava minha ideia e que me esperaria de volta o mais depressa possível. Nele eu sempre encontraria um lar, ele me dizia.

Ah, eu estava lutando comigo mesma. Dei um beijo nele cheio de carinho e saudade que eu já sentia. Aquele beijo com sentimento de medo de nunca mais vê-lo e de conforto por saber que ele era um lar para mim.

Goro me contou sobre um ou outro que ele conhecia e que ainda deviam estar na cidade. Falou, inclusive, sobre um mago que poderia me ajudar a retornar. Falei que eu iria até Ezequias para pedir ajuda de alguém que me transportasse até Nitamu-ra. A viagem terrestre ou aérea seria bem longa e cansativa. Seria muito melhor, apesar de bem caro, a ajuda de um mago tanto para ir, como para voltar.

Ele sugeriu que eu deixasse a Noah, já que ela esperava filhotinhos, mas ela mesma não quis ficar, se escondendo atrás de mim. Eu não queria deixá-la, não por enquanto. Queria aproveitar mais um tempo com ela, só nós duas, antes dos bebês chegarem.

Então, saímos juntos de casa, como uma linda família feliz: o casal e a Noah toda serelepe passeando pela rua. Deixei Goro na loja e fui com Noah para a Guilda dos Mineradores.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/aL8vgoQNOSk

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Até breve!

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Épico e aquático – Portas para outras portas

Onde estiverem os Desafiantes de Yuvalin, sempre pode haver perigo. Helga Iris sabe disso e está em apuros. Confira mais um capítulo desta jornada.


Eu ardia e queimava com aquelas teias emaranhadas em mim. Tentei tornar minha pele mais rígida para evitar o dano, mas só diminuiu um pouco o ferimento e a dor. Os meninos começaram a me puxar e empurrar para eu me desvencilhar, mas não deu certo e eu fiquei mais agarrada ainda pelas teias.

Eu gritava e implorava que me ajudassem e eles continuavam tentando cortar as teias. A ideia do Joseph foi absurda de tacar fogo nas teias, o que o não-tão-insuportável-ultimamente, Stefan, retrucou trazendo o bardo a um mínimo de consciência sobre o que aconteceria se ele fizesse aquilo.

Toshinori e Kroll arrancaram as teias com suas armas e, finalmente, eu estava livre. Agradeci e todos me orientaram a voltar e me curar na área que eu tinha consagrado. Sentindo o reflexo daquela dor excruciante, fiz uma prece a Allihanna e minhas feridas se fecharam e, gradualmente, a dor foi embora.

Quando voltei para o corredor, encontrei uma cena maravilhosa: Stefan estava nos braços do Toshinori porque, ao ser tocado por uma teia, ele tomou um susto e pulou em direção ao paladino para não sofrer as queimaduras. Com certeza, essa cena não vai sair nunca da minha memória.

Como sugerido pelos meninos, aqueles corpos no corredor eram de anões que ficaram presos nas teias. Descobri isso quando abaixei e comecei a analisar um por um. Alertei a todos sobre isso e para que tomassem muito cuidado para não ter o mesmo destino deles. Destino que eu quase tive. Agradeci demais a esse povo.

Stefan falou com Joseph que, agora que eu estava solta, ele poderia, enfim, lançar fogo lá dentro. Antes que ele agisse, porém, Edward quase ficou preso também às teias enquanto explicava um plano para atravessar o corredor. Finalmente, decidiram pegar um dos meus óleos com Toshinori e saímos todos do corredor, liberando espaço para Joseph.

Ele estalou os dedos e pegou fogo lá dentro. Alguns minutos depois, o fogo cessou e o inventor decidiu continuar avançando junto com o paladino iluminando o caminho. Eu fiquei por último dessa vez. Assim, Stefan contou-nos sobre como deveríamos avançar, porque as armadilhas estavam em diagonais pelo corredor.

Então, andamos, desviando das possíveis armadilhas. Chegando à porta do outro lado do corredor, Stefan viu que estava trancada e, segundo ele, precisávamos ou arrombar ou ladinar. Todos olhamos para o Joseph, que entendeu o recado, trocando de lugar com o kliren.

Ele tentou, tentou, tentou e não conseguiu. Mais uma vez. Stefan trocou de lugar com Kroll e começou a ajudar, mas falhou miseravelmente. Perdemos algum tempo nessa brincadeira. Decidimos partir para força bruta e abrimos espaço para os armários do grupo. Eles conseguiram errar a porta e a cena ficou meio esquisita ali do bárbaro com Toshinori. Prefiro não comentar. O Kroll ficou meio enfurecido com os movimentos estranhos do paladino e acertou com tudo a porta, que se abriu.

Com a abertura da porta, um gás começou a escapar lá de dentro da sala recém aberta. Edward levantou seu escudo e nos protegeu, assim, inalamos pouquíssimo veneno, mas inalamos. Em meio a tosses e olhos ardendo, avançamos pela sala. Senti um acalento em meus ombros, meus olhos pararam de arder e a garganta não arranhava mais. Olhei confusa para Toshinori e ele estava brilhando. Ele sorriu me dizendo que queria aliviar um pouco minha barra, pois sentia que todos precisariam de mim em breve para ser médica de campo do grupo. Agradeci.

A sala era um escritório, como uma sala de leitura, com livros, mesa, baú. Começamos a analisar tudo, então, Stefan entregou uns papéis para Toshinori ler. Era mais uma parte do diário da anã inventora Tallaka. Nele, ela contava sobre o tal artefato que a ajudava a moldar aço-rubi e seus experimentos com matéria orgânica.

Aqueles corpos que foram queimados lá perto do buraco, foram queimados por ela, quando seus experimentos deram errado. K ficou assustado e levou suas mãos à cabeça. Toshinori confortou-o dizendo que, em momentos de guerra, o que ela fez era o necessário. Essa observação causou assombro no golem, mas não em nós. Fez um grande discurso sobre coragem e que ele jamais fugiria de uma bomba, se atiraria sobre ela. Ele é um paladino bem peculiar.

Kroll abriu o baú e encontrou 80 peças de ouro, provavelmente, as últimas economias de Tallaka. Enquanto dividíamos o valor entre nós, Stefan também aproveitou para vasculhar alguns livros na estante. Foi quando um objeto caiu do meio dos livros no chão. Era uma chave como uma outra que o inventor havia encontrado antes, em formato piramidal na ponta.

O bardo achou que seria uma boa oportunidade de sabermos a profundidade do buraco se jogássemos a chave lá. Eu fechei os olhos, respirei fundo e balancei a cabeça. Felizmente, o inventor é inteligente e, nem tão felizmente assim, ganancioso. Pelo menos, ele proibiu o Joseph de fazer essa atrocidade, porque ele queria aço-rubi. Ponto para o Stefan!

Já Toshinori parecia ir de mal a pior, realmente, trocando de lugar com o inventor em espírito. Ele começou a puxar todos os livros da estante e, ainda, perguntou se tínhamos ouvido quando a porta abriu. Que porta? Não tinha porta alguma. Segui Stefan quando ele voltou para o corredor. Somos um bando de loucos.

Driblamos as armadilhas do corredor das teias outra vez. Eu estava no final da fila e Stefan decidiu continuar tentando acertar a charada da outra porta. Sugerimos outras palavras possíveis para uma senha de acesso. O enigma de Tenebra estava sugando algo vital no inventor e ele não queria correr o risco outra vez.

Símbolo da deusa das trevas, Tenebra

Ficamos alguns minutos discutindo. Eu tinha pensado em CONSTELAÇÃO e, então, Stefan se ligou que ele escreveu no singular ESTRELA e que poderia ser ESTRELAS, no plural. Mas não era possível! Discorremos mais um pouco e mais um pouco. É o jeito Desafiantes de Yuvalin de ser: debater eternamente sobre um assunto.

Votaram por LUA. Stefan escreveu na porta e ouvimos um estalo. De repente, o teto caiu sobre as nossas cabeças. Simplesmente desabou. Edward gritou para nos protegermos e, em menos de um segundo, consegui enrijecer minha pele e escamas, não me machucando tanto quanto se não tivesse usado esse poder.

Após o cessar do barulho das pedras rolando, ouvi um outro som terrível: o kliren balbuciando palavras ininteligíveis. Estávamos em perigo, vivos, porém com um louco a solta. Eu precisava chegar nele para que a situação não piorasse.

Atravessei o corredor correndo e toquei a testa do Stefan, que já estava começando a babar. Que nojo! Saiu magia das minhas mãos e iluminou a mente dele, que piscou algumas vezes e abriu um sorriso cheio de confiança. Ele sabia que a resposta era ESTRELAS.

K estava revoltado porque ficou confuso com tantas sugestões. O inventor me agradeceu pela ajuda – estou chocada com esse outro Stefan. Será que ele perdeu a memória de novo?

Voltei para o fundo do corredor para acudir Noah que estava lambendo algumas feridas. Fiz carinho nela, ajudando-a a se sentir melhor, principalmente, depois que Toshinori brilhou novamente com sua aura de cura.

A porta estava aberta. Começamos a avançar por mais um corredor estreito em S. Eu estava no final da fila, não via nada, mas ouvi os meninos falando sobre abrir uma outra porta. Um rugido aterrador saiu da sala. E eles já estavam em batalha lá na frente, gritando, batendo e apanhando. Apanhando bastante. Essa seria a nossa maior batalha até então. Afinal, devíamos estar bem perto agora do que estávamos procurando.


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Épico e aquático – Indo pro buraco

Depois de mais um combate nas Minas Heldret, os Desafiantes de Yuvalin estão investigando o quarto andar e se preparando para enfrentar um dos seus piores inimigos: um buraco.


Tentei ajudar na investigação, revirando algumas coisas no escritório, mas não fui muito útil. O Joseph, por outro lado, encontrou uma manopla de aço rubi. Quando viu, K explicou que era de sua criadora. Ela usava para bater com mais força enquanto trabalhava, segundo o golem. O pobre construto tentou vestir, mas era muito pequena para ele. No entanto, serviria muito bem ao Kroll ou ao Toshinori e o bárbaro recebeu de bom grado.

Apesar de meu lampião ter se apagado, conseguimos encontrar, também, alguns frascos de itens alquímicos já ressequidos e Stefan achou escritos simples de Tallaka. Então, recomeçamos a discussão interminável sobre como ir para o outro lado do buraco no corredor, pois o inventor percebeu que precisávamos avançar. O que procurávamos deveria estar do outro lado.

O buraco era bem fundo, pois o barulho de um osso lançado demorou a ser ouvido no chão. Alguns pensaram em colocar a mesa da oficina como trampolim, outros, em prender cordas nas pessoas ou em pular, como o K fez.

De acordo com o golem, seria fácil pular por cima do buraco. No entanto, Edward nos sinalizou que devíamos estar amaldiçoados por Nimb e que a sorte não estava muito ao nosso lado, o que seria perigoso demais. Stefan tentou convencer Kroll a pular com a corda presa em si para puxar os demais.

De repente, Toshinori teve a brilhante ideia de ir ver o que tinha no fundo do buraco. Naquele instante, eu realmente acreditei que a mente do Stefan tinha trocado de corpo. O mais são de nós ali era o kliren.

Eu só balançava a cabeça e dizia o quanto isso era uma péssima ideia. Péssima, de verdade. Joseph se voluntariou para descer o buraco amarrado na corda, porque era o mais leve, mas seus argumentos eram terríveis. Eu protestava veemente. Até mesmo o Stefan dizia que não queria que o bardo morresse – o mesmo cara que atirou nele duas vezes.

Eu senti a presença de perigo por meio de magia e alertei a todos. Estava aflita e disse que precisávamos tomar muito cuidado. Ainda assim, Toshinori estava determinado a amarrar o Joseph com a corda e descer pelo buraco.

Outra pessoa sã era o Edward, que alertou a todos sobre o tamanho da corda e tudo o mais. Ele e Stefan falaram de transformar a mesa em uma escada que funcionaria como uma ponte ligando os dois lados. O inventor levaria, mais ou menos, um dia nisso. Então, poderíamos descansar e atravessar tranquilamente.

Mas, antes que pudéssemos concluir essa estratégia, Toshinori resolveu pular, como K, para o outro lado. Outra péssima ideia. Ele, obviamente, não conseguiu alcançar o outro lado e começou a despencar pelo buraco. O outro louco do Joseph tentou segurar a corda e brigou com o Kroll porque ele não estava ajudando.

Resultado: Toshinori e Joseph caindo e o bárbaro tentando, mas falhando miseravelmente, segurar a corda e aguentar o peso dos dois. Eu só via e ouvia pedras despencando e eles gritando. O bardo usava magia, eu podia ouvir. Eles discutiam entre si, mas eu não podia fazer nada. Me vi completamente sem opções. Estava em um misto de desespero e repúdio a toda aquela situação desastrosa que eles mesmos se meteram.

Joseph e Toshinori caindo no buraco

Enquanto isso, acendi novamente o lampião para que Stefan conseguisse construir a escada. Depois, voltei para tentar ajudar os novos loucos do grupo. Pensei em usar o bordão para que eles segurassem, mas o Kroll já estava fazendo isso com o machado.

Eu não podia vê-los, o corredor era apertado e Kroll estava na frente, segurando a corda. Só ouvia murmúrios de discussões absurdas sobre o que eles deveriam fazer para voltar ao topo. O brilho do símbolo sagrado do Toshinori também começava a aparecer, fazendo sombras dançantes na caverna.

Kroll ativou sua nova manopla e, finalmente, conseguiu puxar Joseph, depois de umas horas naquela brincadeira. Era até difícil contar o tempo naquele absurdo. Alguns minutos depois, Toshinori estava ao nosso lado também.

O bárbaro, alheio a tudo, achou melhor voltarmos à cidade para fazer a escada que o inventor já estava fazendo. Foi então que a melhor decisão apareceu dos meninos: dormir. Enquanto isso, Stefan continuava trabalhando. Eu tentei ajudar, mas matei o tempo, também, conversando com Noah e os meninos. Aproveitei para meditar, escrever e pensar em Goro, óbvio.

Quando a escada ficou pronta, Edward pediu que todos nós nos organizássemos para atravessar e Stefan orientou também a tirar as armaduras para ajudar na mobilidade. Aos poucos, um a um, passamos nos equilibrando sobre o buraco em cima da escada. Alguns começaram a atravessar, desistiram, voltaram e tentaram de novo. Kroll estava segurando a corda para caso algum outro desastre acontecesse.

Segurando meu bordão para me equilibrar, parecia um gato desfilando sobre a escada e, graças a Allihanna, atravessei tranquilamente para o outro lado. Por último, Kroll ignorou a escada do Stefan e pulou para onde já estávamos. Edward recolheu a escada para que pudéssemos usar depois.

Atrás de mim, tinha uma porta e aquela sensação de algo perigoso voltou. Entretanto, em vez de ir por aquela porta, Stefan decidiu investigar o corredor lateral em L e a outra porta que ele encontrou no final. Eu estava do outro lado do corredor, então, não vi o que ele descobriu da porta.

Ele leu em voz alta um enigma em língua anã que, aparentemente, brilhou na porta. Era algo como: “O que dança junto de Tenebra com graça vívida e mentiras sussurradas? Uma dança sem idade, arte cósmica, a chave para destrancar os segredos…”

Segundo ele, era para ele escrever uma senha na própria porta mágica, que deveria destrancá-la ou desarmar uma armadilha, sei lá. Ele escreveu a palavra “ESTRELA”, mas nada aconteceu. Na verdade, ele disse que uma runa mágica da porta se apagou. Bom, ao que parece, teríamos mais duas tentativas, apenas. Edward sugeriu “SOMBRA”.

Enquanto isso, Joseph ao meu lado jogou uma pedrinha no buraco e começou a calcular a altura. Impressionante. Stefan começou a gemer um pouco lá perto da porta e eu deduzi que “SOMBRA” não era a senha. Se era uma porta mágica, pelo som que eu ouvi, ela deveria estar sugando algo dele, talvez vida, talvez magia, talvez sua força para pensar.

A frase em si não era estranha para mim e tentei pensar. “ESTRELA” seria uma ótima resposta e eu não conseguia entender o porquê de não ter dado certo. Foi aí que o inventor decidiu parar enquanto, ainda, estava vivo. Ele veio para onde eu estava e investigou a porta atrás de mim. Todos nos posicionamos para proteção quando Edward ia abrir, ninguém queria correr o risco de cair no buraco outra vez. Voltei para o final da fila e ouvi ele dizer que havia daqueles cristais azuis que iluminavam o caminho, muitas teias de aranha e ossadas.

Stefan confirmou que o caminho poderia estar livre, mas que eu deveria analisar os corpos se chegasse lá. Só precisaríamos tomar bastante cuidado porque, afinal, era um corredor mágico, que poderia nos atrapalhar. Ele nos lembrou do combate que tivemos com as aranhas gigantes na floresta, porque as teias eram mais grossas ainda que as que encontramos lá.

Edward deu um passo à frente e sua armadura brilhou azul e eu avancei logo atrás dele sob suas orientações de tomar muito cuidado. Assim que eu pisei num determinado lugar, as teias se agarraram às minhas pernas e comecei a sentir como se minhas pernas estivessem sendo completamente corroídas. Uma dor excruciante me tomou física e emocionalmente naquele momento. Eu estava machucada e imobilizada pelas enormes teias de aranha.


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Épico e aquático – Um dia comum

A vida de aventureiro também tem situações cômicas, quando não se está lutando para se manter vivo, e a sereia druida, Helga Iris, pode provar isso no seu diário.


O Stefan sabe ser bem insuportável! Depois de toda aquela cena sem sentido de ele, Toshinori e Edward, simplesmente, passarem à outra sala e o inventor ficar gravemente ferido, com o silêncio do fim da batalha, me abaixei, toquei em sua testa (querendo bater na sua cara), fiz uma prece a Allihanna e o curei.

As feridas se fecharam uma a uma. Finalmente, ele se levantou e ajudou (pelo menos) a investigar a sala, junto com o restante de nós. O golem K ficou encantado porque Tallaka conseguiu fazer o construto de aço-rubi, apesar de eu não achar nada divertido.

Ele continuou falando sobre as invenções de sua mestra com Stefan e sobre uma chave que abriria o cofre de Tallaka no quarto andar. Isso interessou bastante a gente. K queria ajuda para saber o que aconteceu com a anã, ajuda de quem pudesse protegê-lo. E, bom, nós queríamos encontrar o que estava lá.

O Joseph estava com medo do golem ajudante, mas eu o mandei ficar quieto e o próprio K o colocou sobre os ombros. Conversamos sobre quem éramos e eu o convidei para ele ir conosco, inclusive para a cidade depois. Ele queria ficar mais um pouco no terceiro andar, mas adoraria ir conosco para o próximo andar, quando voltássemos e fôssemos também. Mais uma vez, Joseph soltou uma farpa dizendo que, da última vez que combinamos isso, esquecemos a Noah na mina.

Isso não foi verdade! Calúnia! Noah começou a rosnar para o Joseph e eu fiz carinho nela para acalmá-la e tranquilizá-la, dizendo que eu estava esperando por ela. O Joseph não estava totalmente errado, mas também não estava certo. Eu estava tonta naquele dia, depois de tanto problema e todo mundo, simplesmente, correu para o elevador para ir embora e nem me deixou falar sobre Noah.

A cena mais hilária do dia, que valeu o esforço de ter me preocupado, mais uma vez, com o louco, foi da Ràthania dando um tapa na cara de Stefan (que eu queria ter dado) e gritando com ele para nunca mais dar um susto como ele deu a ela. Acredita que ele teve a cara de pau de dizer que estava novo em folha e que aquilo não foi nada? Impressionante! Eu estava de longe só observando e assimilando toda a falta de noção do inventor.

Os olhos da Ràthania estavam cheios de lágrimas. Parecia muito real o que ela sentia, de verdade. Me assustei, mas senti que ela tinha sentimentos e se importava com Stefan. Apesar de tudo.

Decidimos, finalmente, voltar à superfície, deixando K para encontrá-lo no retorno. Eu precisava de um banho. Retornando à cidade, cada um foi resolver suas próprias questões e descansar. Depois do meu longo banho e de um almoço restaurador, fui até à Kanpeki. Ela estava ficando linda, diferente de antes, robusta, menos tamuraniana e mais a cara de Yuvalin.

Goro abriu um sorriso e começou a me mostrar tudo o que tinha de novo, como estava ficando, as diferenças e coisas novas para oferecer aos clientes. Ele me perguntou sobre como foi o dia e agradeceu a Lin-Wu por eu estar viva e inteira, apesar dos pesares. Ele me beijou e pediu para que eu permanecesse viva e inteira, dizendo que a reinauguração seria em dois dias. Eu disse que estaria lá pronta para, com muita alegria, dar um abraço bem apertado nele, mas que também comemoraria a sós com ele em casa.

Os olhos dele se esbugalharam e ele ficou vermelho, dizendo que mal esperava pela noite. Eu ri um pouco do desconserto dele com minha fala ao pé do seu ouvido. Pedi desculpas por atrapalhar sua concentração no trabalho e combinei de o encontrar mais tarde. Fiquei, ainda, algum tempo observando ele trabalhar, lindo como sempre!

Depois, saí para observar a cidade e procurar quem ainda precisava de ajuda depois da tempestade. Cheguei a um templo de Lena e vi que muitas pessoas padeciam com os efeitos da Tormenta. Os curativos precisavam ser trocados, usei também algumas escamas de peixe sobre as queimaduras de ácido, conversei com os doentes e tentei acalmá-los. Passei a tarde inteira ali apoiando as clérigas de Lena.

Fiz algumas compras que seriam essenciais para a próxima missão e fui para a casa do Goro, já ao anoitecer. Jantamos juntos e fiquei encantada com tudo o que ele me contou sobre a reconstrução da loja. Eu olhava para ele com ar de sonhadora, me esquecendo de todos os problemas e só me concentrando no quanto ele estava feliz.

Golens, trolls, ameaças… Quem se importa com isso quando pode se perder em uma noite de carinho? Mais uma vez, eu abri mão de dormir nos ermos para estar com meu namorado, cuidando dele e da Noah, como não havia imaginado que faria um dia. Apenas me lembrava de todo amor que minha mãe adotiva, Silena, dedicava a todos nós em casa.

Foi uma noite gloriosa. A manhã era doce como a primavera e era como se Thyatis tivesse dado a nós mais uma chance de ser feliz, apesar de toda a dor que a Tempestade Rubra nos causou. Goro estava feliz de poder voltar às obras da loja e eu estava feliz por ele. Me sentia renovada também para voltar ao trabalho. Sabia que seria difícil quando chegássemos ao quarto andar, talvez até mais do que os anteriores, mas estava disposta.

Depois do almoço, os Desafiantes nos encontramos novamente para voltar às Minas Heldret. Andando pela cidade, encontramos uma pessoa que nos parou para falar que estávamos carregando muito peso, por dentro e por fora, um discípulo de Mãos Vazias. Eu disse que estava ótima, apesar de ele achar que eu fosse uma clériga. Disse que minha aura se confundia um pouco.

Maridis, o Monge de Mãos Vazias

Ele tentou mostrar a Stefan que confiar em armas era furada. Mas como o inventor é exibido, ele fez questão de mostrar a arma. O tal discípulo, monge, ou sei lá o que era, simplesmente, pegou a arma do kliren e saiu correndo, fugindo da vista. Eu fiquei perdida sobre o que estava acontecendo, só vi Stefan e Kroll correndo atrás do ladrãozinho.

Edward puxou um baralho e chamou Toshinori para jogar na praça. Estávamos muito interessados, obviamente, no sucesso de Stefan caçando sua arma. Aproveitei também para arrumar algumas coisas na bolsa que joguei correndo dentro dela antes de sair de casa. Brinquei um pouco com a Noah, ensinei alguns truques a ela, tudo enquanto esperava os meninos retornarem, com ou sem arma do Stefan.

Alguns minutos depois, Kroll voltou sorrindo e Stefan, arfando, com a arma na mão. Eles conseguiram, então. “Prontos?” – eu perguntei. Continuamos nosso caminho. Começamos a descer naquele elevador, nos lembramos de encontrar o K no terceiro andar, e continuamos descendo, sentindo o silêncio das Minas nos amassar.

Chegando ao quarto andar, nos deparamos com um corredor dividido por um grande buraco no chão. Não sabíamos a profundidade, mas pudemos ver alguns ossos do outro lado e eu esperava que aquilo não fosse um prenúncio do que poderia acontecer com a gente ali.


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Épico e aquático – Corredor da morte

“Impossível dar errado”, disse Stefan, mas tudo pode ir por água abaixo na companhia dos Desafiantes de Yuvalin. Confira mais um capítulo do diário da sereia druida, Helga Iris, tentando fazer com que seus aliados continuem, ao menos, vivos.


O Stefan viu algo dentro daquela sala, mas a explicação dele não fez o menor sentido. Só a Ràthania parecia estar extremamente empolgada com o que quer que tivesse lá dentro. Apesar de não ser convincente, ele disse que confiava na namorada.

Eles falavam sobre um golem completamente de aço-rubi. Isso parecia divertido. “Impossível dar errado”, disse Stefan. Imediatamente, pedi que Ràthania avançasse junto com Stefan para chegar perto do tal golem. Ela puxou ele pelo braço, mas os meninos decidiram que o Kroll deveria ir à frente e nos posicionamos estrategicamente.

Antes de a equipe avançar, fiz uma prece a Allihanna e me abaixei, tocando o chão. Um fluxo de energia e luz emanou de mim e toda aquela área foi consagrada à minha deusa. Assim, sempre que usasse magia para curar meus aliados, o poder de Allihanna seria total e eles seriam contemplados com um toque de vida.

Eu não via o que se passava na sala, apenas ouvia. Joseph estava ao meu lado e Stefan à minha frente. De onde eu estava, via enfileirados Edward, Toshinori e Kroll. O nobre foi o primeiro a avançar. Naquele instante, ouvimos barulhos ensurdecedores. O construto deveria ter se ativado com a entrada do Edward na sala.

Eu confiei na ação de Edward, que ele faria um trabalho liderando o combate. Só ouvia os sons desse combate. A criatura batendo e os meninos apanhando e eles também tentando bater.

Apesar de não conseguir ver Edward e Toshinori muito bem, ouvi quando o construto atingiu Edward e que ele não conseguiria se defender com o escudo. Ergui minhas mãos e uma energia mística saiu delas em direção ao Ed, imediatamente, formando um escudo místico sobre ele no momento que o inimigo despejava sobre ele o segundo ataque. Mesmo assim, percebi que ele caiu ferido no chão.

De uma forma muito inteligente para o nosso bárbaro, Kroll puxou Edward da frente dos golens para o meu lado. O nobre estava bem ferido, sangrando, deitado. Fiz uma prece a Allihanna e a magia fluiu de mim para ele quando toquei com as minhas mãos na sua testa. Ele respirou profundamente e, apesar de continuar deitado e sangrando, vi algumas das suas feridas se fecharem.

Joseph deve ter visto a gravidade da situação, pois sua melodia ao alaúde élfico se tornou urgente e decidida. Enquanto ele tocava, percebi que, não apenas eu, mas todos nós nos sentíamos mais fortes e mais capazes.

Toshinori se muniu de tudo o que ele podia e atacou com seu bico de corvo. Ouvi um barulho forte do encontrão da arma com o aço-rubi. Ele deu um passo para trás e chegou mais para perto de todos nós, pedindo que eu tentasse ao máximo proteger a todos na equipe, principalmente aqueles que estivessem no combate.

O doido do Stefan correu para dentro da sala, mas voltou, felizmente, ileso. Difícil defender esse cara com ele fazendo tanta loucura. Não percebi se ele fez algo lá, só sei que foi rápido. Eu estava preocupada com Edward que cuspiu sangue do meu lado e tentou se levantar com certa dificuldade. Ainda assim, ele conseguiu gritar algumas ordens para o restante dos combatentes da equipe.

De repente, aquele bichão apareceu no final do corredor e eu vi o tamanho do golem. O paladino tentou bater com sua arma, mas apenas ouvimos um clangor estridente, não pareceu ter efeito algum sobre a criatura.

Golem de aço-rubi

Toquei nas costas de Toshinori e conjurei um escudo daquele, como uma aura de luz que o envolveu. Queria que ele tivesse um pouco mais de proteção por ficar bem na frente de batalha. Eu estava me sentindo mais próxima da minha deusa e apenas saí de perto de onde a luta seria mais quente, pra que eu conseguisse dar o suporte necessário à equipe.

Acho que o Joseph pensou igual, porque veio para o meu lado. Ainda preciso perguntar a ele sobre ele ter sempre as mesmas ideias que eu, sendo que a gente nem tem uma ligação assim tão forte.

Dessa vez, ouvi um barulhão com Toshinori batendo e derrubando o construto no chão. O que me distraiu desse golpe foi a Ràthania reclamando com o namorado que o inventor deu uma poção ao paladino. Ele respondeu que ele daria algo especial a ela mais tarde. Como o Stefan sabe ser bem insuportável!

Kroll trocou de lugar com Stefan, tentou bater e morder, mas não conseguiu. Acho que o Toshinori estava impressionado com o fato de Stefan ter ajudado e acabou atrapalhando o bárbaro a fazer o que ele sabe fazer de melhor.

Edward tentava ajudar como podia, liderando o combate com ordens bem sincronizadas com os movimentos dos combatentes. Porém, enquanto isso, a criatura também continuava atacando e bateu no paladino, que se feriu consideravelmente. Ele caiu de joelhos, as garras do construto puxaram ele e rasgaram sua armadura e sua pele. Seus gritos cessaram quando Toshinori caiu no chão, sem movimentos.

Juntei minhas mãos em uma oração fervorosa, as levantei e algo como um vento leve soprou ao meu redor, levando a luz da magia até cada um dos meus aliados. Todos eles foram envolvidos por essa luz e vi algumas feridas se fechando, Toshinori se levantando e até Edward ganhar mais cor.

O bardo, além de ser tocado pela minha magia, fez seus gestos arcanos para continuar curando os feridos na sala. Toshinori atravessou a criatura com seu bico de corvo e derrubou o golem.

Depois de Toshinori vir para mais perto de nós no final da sala, pedindo para que Edward trocasse de lugar com ele, Stefan sacou uma bomba e aquele barulho ensurdecedor me distraiu do que quer que tenha acontecido nos segundos seguintes.

Tudo o que eu sei é que aquele construto parou de funcionar, destruído, e que havia mais alguma criatura. Edward, revigorado, avançou em direção àquela criatura que rugia e que batia e rasgava.

Saí de onde estava e repeti aquele movimento, que foi seguido daquele vento vindo de lugar nenhum e levando luz de raios divinos para curar meus aliados. Joseph seguiu mais para frente também e começou a cantar e tocar, o que paralisou a criatura. Percebi que era um troll (MAIS UM TROLL NESSA MINA) e ele estava completamente fascinado pelo bardo tocando.

Não sei qual foi o objetivo, mas Toshinori, simplesmente, passou pelo troll e foi pra outra sala. O pior é que o Stefan resolveu fazer a mesma coisa. Mas eu fiquei impressionada por ter sido o paladino quem teve a ideia.

Kroll parecia só estar de saco cheio de toda aquela batalha, porque ele continuava lutando com ainda mais ferocidade. Mesmo de onde eu estava, não conseguia ver nada além do Kroll, apenas ouvia os golpes, defesas com escudo e gritos.

Kroll, brilhando em batalha

O que quer que tenha acontecido no corredor lá em cima, foi uma gritaria danada, parecia que Edward e Stefan não se entendiam (para variar um pouco). O troll veio correndo para cima de mim, passando por todos no caminho, como se fosse uma nuvem e não uma criatura enorme. Eu fiz o mesmo movimento dele, mas para o lado contrário, ocupando o lugar onde ela estava. Fiquei do lado do construto destruído. Do outro lado, estava Stefan estirado no chão e Ràthania gritando e chorando perto dele.

Uma luz muito forte, conjurada por Joseph, brilhou na sala de onde eu saí. Mas não parece ter surtido qualquer efeito. Foi quando Toshinori veio com uma cara de poucos amigos da outra sala para ficar no lugar de Joseph, que fugiu correndo quando a magia deu errado.

Finalmente, Kroll finalizou o serviço. Suas feições ficaram até mais leves, se é que isso é possível. A luta acabou.

Silêncio.


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Épico e aquático – MASMORRA

Quase sem forças, os Desafiantes de Yuvalin se viram mais uma vez diante de uma batalha. O que será que vem pela frente?


Tentei me esgueirar por algum dos lados, ou entrar na sala ou passar pelo golem no corredor, mas totalmente sem sucesso. Não tinha como sair dali. Mas eles sim, continuaram avançando.

Ouvia sons de armas, baques ocos e gritos no corredor. Ver, eu via bem pouco. Meu foco estava em não morrer pelas mãos dos construtos que me encurralaram. Os meninos gritavam para que eu ajudasse mais, mas eu simplesmente não conseguia. Era como se minha conexão divina estivesse abalada, porque eu tinha pouquíssima força para continuar.

Kroll já levantou na minha frente diferente de como estava quando eu o curei. Ele estava com os olhos vermelhos e já desceu o machado de adamante sobre o golem que estava à nossa frente. Ele também mordeu aquele monstro com fúria, deixando-o bem machucado.

Consegui ver por um canto de olho que Toshinori ia apanhar de um daqueles guardiões de aço e, instintivamente, joguei um dos meus braços para o lado onde ele estava e, tentando restabelecer minha conexão com Allihanna, um escudo protetor cobriu o paladino. Naquele momento, percebi que a deusa não havia me abandonado e fiz mais preces por todos nós ali.

Uma luz emanou de mim naquela masMORRA (literalmente) tocando cada um dos meus companheiros. Todos respiramos um ar mais natural, mais limpo, como se estivéssemos próximos a uma floresta, apesar de presos em uma caverna. Ferimentos se fecharam e o vigor retornou ao braço de todos.

Até o Joseph que estava caído levantou. Stefan tentou atirar no golem ao meu lado, mas sem sucesso. Pelo menos, não acertou nem o bardo e nem eu. Joseph já levantou inspirado e nos inspirando com suas músicas e danças. Não sei exatamente como isso pode ajudar tanto, de onde vem essa magia, mas ajuda. Então, tudo bem.

Mas não estávamos tão bem assim. Os meninos estavam apanhando, era o que eu conseguia ouvir de onde eu estava. Vi um bico de corvo surgir ao meu lado, acertando e derrubando o construto bem na minha frente. Mas não durou muito tempo no chão. Ao levantar, ele já se virou contra mim e me bateu.

Bateu com força. Mais uma vez, fiz da minha pele como pedra e o machucado que o construto causou foi mais uma dorzinha de cabeça. Do contrário, eu teria sofrido bastante e poderia ser o começo do fim ali.

Do outro lado, Kroll destruiu a criatura. Foi um susto porque ainda estava me estabilizando. E, antes que eu pudesse voltar ao normal, o bárbaro também estraçalhou o que bateu em mim. Apesar de tanto tempo com esse grupo, algumas coisas ainda me surpreendem bastante.

Com o Kroll avançando para onde o recém-destruído estava, não vi mais nada. Então, só me sobrou ouvir a briga, golpes e tiros. Além disso, decidi continuar onde estava para me manter protegida por Kroll. Em troca, curei a equipe com um pouquinho de forças que ainda me restavam.

Senti que conseguia respirar um pouco melhor logo depois de ver uma luz azul vindo da direção de Toshinori. Espero que os demais também tenham tido oportunidade de sentir isso antes de sucumbirem.

Ouvi muito barulho de metal batendo, mas não pude ver. Acredito que o paladino, o bárbaro e o nobre estavam aniquilando as criaturas. Enquanto isso, de soslaio, vi o inventor no chão outra vez. Quando não é uma coisa, é outra. O Stefan sabe ser bem insuportável.

Corri até ele para tentar curá-lo. Com aquele sentimento de isso-vai-ter-volta, que eu não queria ter, já que ele estava começando a ser mais útil na brincadeira, me abaixei ao seu lado e coloquei minhas mãos sobre a sua testa. Tentei focar no que era importante e que não deixaria ninguém para trás, porque só assim, e não com sentimento de pesar, poderia curá-lo decentemente. Então, assim aconteceu.

Reparei que, do outro lado da sala, o bardo já começava a imitar meus movimentos e a fazer outros, o que significava que ele estava copiando a magia que fluía de mim pelo meu contato com Allihanna. Ainda estou tentando entender como isso funciona. Qualquer dia, preciso me lembrar de perguntar isso a ele. A luz que emanou dele tocou Toshinori, que já bateu no construto com seu bico de corvo.

Stefan abriu os olhos, olhou para mim e para o golem na frente dele. Levantou, mirou e atirou na cabeça da criatura. O último construto caiu, com aquele estrondo do tiro. Útil. O inventor foi útil. Minha cura nele teve retorno. Ótimo.

Eu estava exausta, mas aproveitei o pouco que ainda me restava de contato com Allihanna ali naquele lugar esquecido pelos deuses para curar todos da equipe.

K não conhecia aquela parte das minhas e se questionava (em voz alta) o porquê de Tallaka o ter abandonado ali e o que, de fato, teria acontecido nesse tempo em que ele dormiu lá naquela salinha onde o encontramos.

Os meninos sugeriram descansar. Finalmente! Eu concordava. Mais que isso, eu precisava. Estávamos apenas investigando para saber onde deveria ser mais seguro armar acampamento.

Stefan chamou Joseph para um particular. Todos nós outros nos entreolhamos e eu decidi ir atrás. Não demorou muito, mas pode ser sempre um perigo, já que o inventor tem uma predileção por atirar no bardo.

Rapidamente, nos ajeitamos para dormir. Encontrei um lugar aparentemente seguro e todos nós descansamos. Não era nada confortável estar tantos e tantos metros abaixo da relva, mas foi o suficiente para continuarmos.

Após um breve desjejum, decidimos continuar nossa jornada pelas Minas Heldret. Stephan indicou o caminho e verificou se tinha alguma armadilha à frente. Com tudo tranquilo, Edward abriu a porta e pude ver, por baixo dos braços dele, que as luzes da sala se acenderam. Toshinori avançou para dentro e, imediatamente, outra porta começou a se fechar no lugar da que Edward abriu. Os meninos correram para dentro da sala, mas não deu tempo para que eu e o nobre entrássemos.

O nobre tentou encontrar uma abertura ou gritar, como ele gosta bastante de fazer, mas não funcionou. Alguns bons minutos passaram e eu sentei no chão e fiquei fazendo carinho em Noah e conversando sobre a vida. Ela estava um pouco diferente, mas, como eu estava preocupada com os meninos, não consegui reparar o que estava diferente nela. A druidisse dava lugar à liderança.

De repente, a porta começou a fazer barulho novamente e a subir, abrindo-se bem à nossa frente. Mas, depois que quase todos saíram, Toshinori, simplesmente, fechou a porta e ficou lá dentro por alguns instantes. Sei lá o que aconteceu com esse povo dentro da tal sala.

Ele saiu com os olhos negros e rindo de um modo meio macabro. Eu tive medo de perguntar. Tudo o que eu vi da sala foram desenhos de um sol e uma estrela, símbolos de Azgher (o Deus Sol) e Tenebra (a Deusa da Noite).

Símbolo de Tenebra, Deusa da Noite

O paladino encontrou um baú e o abriu. Ele estava cheio de itens interessantes. Muito interessantes. Eram joias e poções diferentes. Aquilo daria bastante dinheiro para nós. Nada mal.

Encontramos, então, mais uma porta do outro lado e eu perguntei se todos iríamos avançar. Também verifiquei se todos tinham saúde o suficiente antes de avançarmos. Stefan perguntou se podia abrir a porta e nos posicionamos. Ele avançou e investigou cada metro do corredor antes de dar um passo. O que poderia dar errado?


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/_cqjsy_IleE?si=N8sKpQvNQhcxyHe_

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

Saiba mais sobre a Helga nos posts abaixo:

Épico e aquático – 3 grandes problemas vermelhos

Os Desafiantes estão diante de uma nova ameaça e vão ter trabalho pela frente. Confira esse novo capítulo do diário da Helga.


Trolls vermelhos com enxertos de aço rubi. Era tudo o que a gente precisava, claro! 3 grandes problemas vermelhos.

Joseph já começou a tocar seu alaúde élfico e uma sensação positiva tomou conta do ambiente, apesar do que estávamos prestes a enfrentar. Stefan já se antecipou e, finalmente, fez algo útil: atirou em um dos trolls, o que estava ao nosso lado.

Mas os que estavam próximos ao Toshinori e ao Edward já começaram a bater e a tentar dilacerar os meninos. Além disso, começaram a avançar sobre o restante de nós.

O nobre Edward estava bem machucado. Cambaleando, ele gritou para que batêssemos em retirada e veio para perto de onde eu estava, ao lado da porta da sala. O bárbaro obedeceu imediatamente: agarrou o bardo e saiu correndo com ele pelo corredor para longe da sala.

Com sua cabeça quente, Toshinori já derrubou um dos trolls e esbravejou contra ele também. Ele saiu correndo também pelo corredor e ativou sua aura azul e já consegui sentir um pouco mais de energia para resistir ao que viria pela frente.

Foi só o tempo de o paladino passar e o troll ao nosso lado acertou Edward e Stefan e o nobre caiu. Imediatamente fiz uma prece a Allihanna e senti a magia de cura fluir de mim  em direção ao Edward. Quando tive certeza de que foi suficiente, saí correndo também para onde estava o resto do grupo.

Só ouvi mais um tiro do Stefan atrás enquanto corria. Quando cheguei ao lado de Joseph, ele tinha conjurado suas magias para deixar a arma do Kroll brilhando. DO JEITO QUE ELE GOSTA.

Stefan também correu para o meu lado e a briga entre os trolls e Toshinori, no meio do corredor, e Edward era bem audível. Me virei no instante que ouvi um ataque e vi que Ed seria golpeado. Levantei as mãos e lancei sobre ele uma espécie de escudo mágico, como um toque divino de Allihanna.

Vi que Joseph fez a mesma coisa quando ele viu que o troll ia tentar com o outro braço um ataque em Edward. O bardo está aprendendo a copiar as magias que eu faço. Isso pode ajudar bastante a gente, como ajudou naquele momento com Ed, que não tomou nenhum dano dos golpes do troll. Depois disso, o nobre também veio correndo para o meu lado na outra sala, do outro lado do corredor.

O bárbaro não se aguentou, claro, e correu novamente pelo corredor para tentar atingir o troll com seu machado de guerra. Ele conseguiu, aparentemente. Só ouvi os sons de cortes, Dia de Megalokk.

Foi o suficiente para que Toshinori só desse o golpe final com seu bico de corvo. Não vi muita coisa, obviamente, porque eram os três mais altos e fortes do grupo que estavam no corredor na minha frente. Só ouvia os gritos de ordens do paladino, os barulhos de batalha e armas brandindo.

No desespero, eu tentei consagrar a área onde estávamos para que a magia de cura fosse mais efetiva. O que eu não contava era que nós ainda estávamos sobre o símbolo de Khalmyr, logo atrás, na sala onde tínhamos cumprido o desafio. Foi uma medida desesperada e impensada. Não deu certo e a iluminação da magia não durou nem 10 segundos e se enfraqueceu até apagar.

Daí eu tomei um susto com o Stefan ao meu lado, simplesmente, atirando com sua arma na direção do troll que estava do outro lado do corredor. Olhei bem atravessada para ele, com cara de quem estava meio surda pelo barulho e não gostou nada disso. O Stefan sabe ser bem insuportável. Mas eu fiquei aliviada quando olhei para o Joseph e não tinha sido ele o alvo.

Joseph completou a fileira que fizemos da sala de Heredrimm pelo corredor até a entrada da outra sala. Acho que ele conjurou alguma magia sobre o Kroll. Mas o bárbaro apanhou e caiu com um estrondo. Edward ao meu lado bradava ordens de combate aos meninos e nos incentivava a continuar. Com uma luz azul, acredito que o Kroll tenha sido estabilizado pelo Toshinori, que continuava batendo na criatura.

O troll sobressalente estava resistindo e eu ouvi mais gritos. O paladino caiu e eu precisei escolher quem curar primeiro. Precisei conjurar a magia de cura e com devoção redobrada a fim de alcançar o Kroll que estava a quase 5 metros de distância de mim.

Não consegui curar Toshinori, mas percebi que Joseph me observava. Ele recitou palavras arcanas e a mesma luz que emanou de mim até o Kroll, também saiu de Joseph até o paladino. Stefan atirou mais uma vez, mas acho que ele não acertou.

Foi quando, de repente, o troll veio em nossa direção pelo corredor, como se não tivesse ninguém no caminho. A criatura entrou na sala com o símbolo de Khalmyr e tentou bater em mim e no Edward, mas ela não me acertou e houve tempo para que eu protegesse, ainda, o nobre com um escudo divino, como antes.

Nesse momento, eu não via mais nada, apenas ouvia gritos e sons de armas. Os meninos estavam de pé e nos defendendo. No entanto, no meio de todos os gritos, consegui discernir o som do bárbaro descendo seu machado sobre uma criatura que não sobreviveu ao golpe.

Fiz mais uma prece a Allihanna e abençoei os desafiantes de Yuvalin que, imediatamente, foram tocados por aquela luz que saiu das minhas mãos. Minha esperança era que meus amigos se sentissem mais fortes e capazes. Acho que consegui porque Stefan acertou uma bala no troll e Joseph deixou a criatura fascinada por ele, perdendo momentaneamente suas feições e ações hostis.

Foi quando eu reparei que a ferida que o Stefan tinha acabado de fazer na criatura simplesmente se fechou. Era só o que faltava.

Joseph queria que todos se preparassem para atacar, se recuperando enquanto a criatura estava fascinada, no entanto, Kroll estava um pouco furioso por toda aquela luta não ter acabado ainda. Ele veio correndo e desferiu golpes e mordidas. O paladino aproveitou a oportunidade para enfiar o bico de corvo no inimigo. Parecia uma coreografia entre os dois e eles, juntos, eliminaram o último troll.

Com o fim do combate, ficamos um tempo olhando para tudo em silêncio para tentar entender que tipo de criaturas eram aquelas e o que tinha acabado de acontecer. Todos os olhos se voltaram para Stefan. Ele seria muito mais insuportável se começasse a explicar, com certeza, e eu já me preparei para ouvir.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/ZGGGhkr38yM?si=CCD7he3nl66t-T2C

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