Épico e aquático – Kally e Tenebra

Atendendo ao pedido do pai, Helga e os Desafiantes de Yuvalin se veem diante de uma batalha contra um temível Oni e um tenebroso necromante, além de terem de lidar com a sua grande preocupação com a maldição da sereia druida.


Stefan e Joseph investigaram a entrada daquilo que seria um templo de Kallyadranoch, o deus dos dragões, e descobriram uma armadilha no chão que faria desabar tudo em cima de quem entrasse pelo portal.

O K pediu para trocar de lugar comigo. Não caberíamos todos naquela entrada apertada. Stefan também achou uma boa ideia o golem estar junto com o bardo para fazer seu serviço de desarmar a armadilha.

Fui para o lado de fora. O céu estava fechado. Os raios de Azgher tinham muita dificuldade de furar as nuvens. Olhei para as árvores e o chão gramado, respirei fundo e proferi palavras arcanas. Com alguns movimentos leves e rápidos das mãos, me senti mais forte. Era como se uma nova armadura se colocasse sobre as minhas vestes, uma fina camada luminosa praticamente invisível cobriu todo o meu corpo.

Assim que tudo estava livre, entrei junto com os meninos. Descemos uma escadaria escura e um cheiro de lugar fechado atacou o nosso nariz. Naquela escuridão, eu acendi o lampião. Estava na retaguarda, com Edward e Hyoda liderando a fila.

A escadaria nos levou a um amplo salão com pé direito muito alto e ao encontro de uma emboscada. Quando meus olhos se acostumaram ao lugar, notei que turbas zumbis tropegavam em nossa direção, uma de cada lado. E uma estátua enorme de um dragão estava a alguns metros diante de nós.

Estátua de Dragão

O gatilho da lembrança da turba zumbi arrasou a todos que viveram a experiência anterior. Stefan que já estava deprimido pareceu ficar ainda pior ao meu lado. Dessa vez, eu não poderia deixar ninguém sucumbir, era imperioso.

Acho que o inventor também pensava assim porque levantou seu virote e lançou uma bomba na direção de uma das turbas. Aquela explosão iluminou todo o lugar e o barulho ecoou, quase destruindo meus ouvidos. Mas eu já estava mais acostumada com esses barulhos dos ataques de Stefan.

Joseph fez seus gestos arcanos e começou a tocar uma música para nos inspirar, mas parece que o Kroll ficou meio irritado com o bardo. No entanto, minha preocupação, meu desespero na real, foi ver outro jacaré/crocodilo indo em direção a uma das turbas zumbi. A cena se repetia. Eu estava enlouquecida, mas não podia fazer nada.

Felizmente, o que parece é que o Kroll descontou sua raiva do Joseph nessa turba zumbi, dizimando todos eles. Foi como se um peso saísse das minhas costas, acho que das costas de todo mundo. Suspirei. O lobo fantasmagórico do bárbaro uivou e seu machado de adamante arrancou crânios, braços e partes sobressalentes de mortos-vivos.

Ainda estávamos admirados desse extermínio quando a outra turba chegou mais perto de nós pelo outro lado. O minotauro se adiantou, suas espadas brilharam em chamas, arrancando cabeças de zumbis que voaram pegando fogo. Hyoda se preparou para chifrar mais mortos-vivos, mas atingiu o chão e não acertou ninguém.

Estava tão impactada com toda aquela cena de zumbis, tudo de novo na minha mente, as cenas se confundiam, os jacarés se confundiam. Confundi, inclusive, as magias e, quando fiz minha prece a Allihanna, tentei consagrar nossa área para atingir os zumbis em vez de tentar lançar luz sobre eles. Obviamente, em um templo de outro deus, eu não poderia consagrar a área e minha magia perdeu o efeito antes mesmo de concluir o processo.

Edward gritou algumas ordens para o grupo, orientando todos a cumprirem suas funções. Enquanto isso, mais duas turbas vinham de longe no salão e ouvimos uma voz fantasmagórica chamando pelo Hyoda. Horripilante. Stefan sacou seu mosquete, mirou e destruiu uma das turbas que chegava pelo lado direito.

Além de tudo isso, quando Edward e Kroll passaram por uma determinada área próxima à estátua, os olhos dela se acenderam em vermelho. Isso era um péssimo sinal também.

O bardo chegou mais perto do bárbaro e, fazendo sua magia, deixou o machado do Kroll também em chamas. Ele não perdeu tempo, atravessou na nossa frente e destruiu a turba zumbi que o minotauro tinha começado a dizimar. Ele, inclusive, com aquele sorriso cheio de dentes, meio que desafiou Hyoda com sua arma brilhando, pegando fogo.

A quarta turba zumbi chegava pelo mesmo lado onde só existiam restos de outros mortos-vivos. Parecia que nada era páreo para o nosso bárbaro. Nossa alma estava lavada. Porém, uma luz como um raio atingiu o Kroll, vinda do fundo do salão, e ele pareceu mais cansado do que o normal para o tempo de batalha. Hyoda arrancou várias cabeças com suas espadas em chamas também. Parecia um duelo entre ele e o Kroll.

Eu já estava cansada daquela brincadeira. Avancei, gritei. Fui para o lado do Edward e lancei uma magia de luz sobre a turba, entregando várias daquelas criaturas para Tenebra. Aquelas centelhas ou a minha presença ali onde eu estava, no entanto, fizeram com que a estátua lançasse um raio sobre Kroll, Edward e eu.

Então, senti o coração ficando levemente mais fraco, apesar de nós não nos ferirmos gravemente. Comecei a entender o que significava compartilhar a vida com o coração. Todos os meus pensamentos se concentraram naquilo ali a partir daquele momento. Não ouvi mais tiros, nem barulhos de armas, gritos. Nada.

Despertei dos meus devaneios pré-morte quando Hyoda destroçou os zumbis restantes, então, corri até o Kroll. Ele estava cansado e ferido, como disse, mais cansado que o normal. Entendi que sua condição era fruto daquele raio que o enfraqueceu e, com um toque em seu braço, a magia de purificação deixou meu corpo e encheu o seu de luz. Imediatamente, ele retomou a postura e voltou a mostrar aquele sorriso de quem estava pronto para bater.

O tal monstro azul que eu não tinha visto antes, só escutado a voz, o Oni que Hyoda caçava, passou por trás de mim e derrubou Stefan. Ele estava bem ferido, quase morto. E eu pensava “Ah não! De novo não!”.

O Oni

Toshinori pareceu finalmente despertar de um sonho. Eu estava realmente preocupada com ele, pois o paladino andava muito estranho. Ele tinha medo, não entrava nas batalhas. Mas parecia que algo tinha mudado porque ele gritou para o inimigo, atraindo sua atenção. E a minha também. Acho que a de todo mundo, porque o Joseph também tocou na arma de Toshinori e ela brilhou.

Acostumada a tomar banhos e banhos de sangue, recebi aquela chuva vinda do corpo do Oni, graças aos golpes de machado e mordida do Kroll. Ele pulou de uma pedra e desceu o machado, atravessando o ombro da criatura. Hyoda seguiu o bárbaro e, flanqueando com Kroll, usou suas duas espadas e o chifre para machucar consideravelmente o Oni.

Entretanto, havia muito banho de sangue, inclusive o Stefan que gorfava e o coração que não era meu. Fiz uma prece à minha deusa mais uma vez, olhei para cima e senti meu corpo ficar mais quente e brilhar. Dos meus olhos e das minhas mãos emanou uma luz que tocou como uma corda cada um dos Desafiantes de Yuvalin, fechando todas as feridas dos meus companheiros e fazendo o coração voltar a bater no ritmo normal.

Saí de perto do Oni, mas não foi o suficiente. Ele parou na minha frente e não me deixou me afastar mais. Seu sorriso era macabro e ele desceu seu machado sobre meu flanco. Eu urrei de dor. Mesmo com todas as magias de proteção e de endurecimento das minhas escamas, não consegui sair ilesa.

Eu estava muito machucada, minhas forças se esvaíam e, até mesmo, minha conexão com o mundo mágico parecia se desfazer com os golpes do inimigo. Eu acreditava que aquele seria, de fato, o meu fim e que eu não conseguiria voltar para o meu pai, a quem eu tinha acabado de conhecer.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs e https://youtu.be/liMMQEB7PuY

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

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Pets em Ação! – A aventura não tão incrível de Gracie e Pedro

Prepare-se para uma aventura cheia de confusões, trapalhadas e, é claro, muita amizade! Entre malas extraviadas e uma jornada que parece não ter fim, esses bichinhos vão embarcar em uma viagem cheia de emoção, risadas e muita fofura. Sim! Isso tem muita cara de Sessão da Tarde porque é um típico filme para se assistir numa terça-feira à tarde.

Já comecei com a pontuação comum do Qual é a das quintas? para dizer que Pets em Ação! (Gracie and Pedro: Pets to the Rescue) é um ótimo filme para se assistir de férias no sofá quando as crianças não podem sair para brincar.

Peto em Ação!

A história gira em torno de uma família que ama seus pets e os considera muito mais que animais domésticos. Quando eles vão se mudar de cidade, o gato (Pedro) e a cadelinha (Gracie) que estão sempre brigando, criam uma grande confusão nas esteiras de bagagem, perdendo, assim, o voo que os levaria junto com os humanos ao destino. A partir daí, eles mesmos decidem encontrar a nova casa enquanto os tutores iniciam uma busca para recuperá-los.

Essa é a típica animação B, com aquele 3D que causa um pouco de estranhamento se você está acostumado com animações da Disney e da Illumination. Nota: não vá assistir ao filme achando se tratar de Pets: A vida secreta dos bichos, porque não é.

Quando a sessão acabou, uma criança que estava sentada à minha frente no cinema falou que amou o filme. Logo, eu entendo que o objetivo foi cumprido. Esse é um filme bom para crianças, pois tem bichinhos, aventura, situações cômicas, família e amizade. Além disso, destaca o protagonismo infantil, uma vez que os adultos fazem quase nada para resolver, ao passo que são as crianças que melhor solucionam os problemas.

Apesar de eu analisar como um roteiro um pouco fraco, com falas e situações previsíveis, abri um sorriso quando tudo se solucionou. É uma história divertida e mantém o ritmo. A sala de cinema também não colaborou muito porque, por duas vezes, exatamente no mesmo momento do filme, que era o ápice da história, a tela apagou e permaneceu só o áudio.

Como disse no começo, de segunda a sexta, esse é um filme terça-feira à tarde, para deixar as crianças assistindo nas férias no sofá. Não é ruim, mas deve ser assistido pelo público certo.

Crítica publicada por mim no site do nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/08/14/critica-pets-em-acao/

Épico e aquático – Noite no casebre

Helga, finalmente, encontrou seu pai na versão osteon. Agora, ela pode aproveitar o tempo que ainda resta junto dele. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris.


Comecei a falar sobre o que tinha acontecido na cripta até chegar à sala onde estava o coração que eu analisei, tocando nele, para entender do que se tratava. E, então, amaldiçoada. Como um bom grupo de aventureiros, falamos sobre nossa incrível capacidade de fazer besteira sempre, ao que Sir Starkey suspirou – OK – com ar de saudade.

Contei ao meu pai que, assim que ele falou sobre Cassandra ter um buraco no peito, suspeitei de que o coração conectado ao meu fosse o dela e mostrei a ele, tirando do bauzinho. Ele disse não saber se pertencia a ela ou não, óbvio, mas se fosse isso mesmo, elevou o crânio como se olhasse para cima com as rosas no lugar dos olhos e agradeceu a Valkaria, acreditando ser uma grande coincidência.

Também explicamos sobre nossa intenção de já querer matar o necromante. Ele nos sinalizou que era importante saber sobre como desfazer a maldição antes de matá-lo, é claro. Eu já sabia, né? Óbvio!

Tudo o que meu pai sabia sobre o necromante era que ele estava em um lugar próximo, mas não exatamente onde. Mencionei os sonhos de Edward com o casebre e o cavaleiro agradeceu ao nobre por acabar nos conduzindo até ali. Ele agradeceu mais uma vez à sua deusa após uma breve conversa sobre os desejos de Edward e Toshinori de se tornarem guardiões da realidade, protegendo o mundo da Tormenta. Meu pai falou que gostaria muito de ajudá-los a expurgar esse mal de Arton.

Eu estava encantada com a conversa que ele teve com Ed. Ele disse se sentir completo com a espada e com a filha. Fomos interrompidos pela vergonha que o Joseph me fez passar, perguntando se Sir Starkey ainda praticava amor com alguém, como nos velhos tempos. O Joseph sabe ser bem inconveniente.

Como um bom anfitrião, meu pai ofereceu as acomodações decadentes do casebre. Os meninos agradeceram e armaram suas barracas ali na sala mesmo. Eles se dividiram e foram dormir enquanto eu continuava conversando com o cavaleiro.

Casebre

Falamos sobre muitas coisas. Ele não sentia sono, nem fome, nem quaisquer dessas necessidades físicas de gente viva. Eu estava muito emocionada e empolgada por, finalmente, ter conhecido meu pai biológico. Adoraria tê-lo conhecido em vida, ter passado mais tempo com ele antes, mas parece que os deuses fizeram questão de nos encontrarmos exatamente naquele momento.

Contei a ele sobre Silena e Agenor, inclusive sobre o fato de eu ter sido uma ponte para que os dois se conhecessem e se casassem. Falei sobre meus irmãos, na verdade, os filhos de Silena e Agenor. Zian e Geni, os gêmeos, eram dois pestinhas, mas divertidos, tagarelas, muito inteligentes e parecidos com os pais.

Ele se entusiasmou quando contei sobre minha infância, quando aprendi a conversar com animais, andava muito pelas florestas próximas e comecei a aprender o ofício de Silena também, com chás e algumas magias curativas. Meu pai disse que isso o fez se lembrar ainda mais dos dias que passou com Liara. Assim como eu, ele aprendeu a reverenciar a natureza desfrutando de sua companhia no meio de animais e plantas.

Pelo que entendi, minha mãe era bem diferente dos outros da nossa espécie naquele povoado do rio Villent. Talvez, tenha sido por isso que tudo aconteceu, afinal. Ela era druida, não se comportava como a nobre que era. Ela era rainha do povo da água naquela região. Mas preferia a conexão que toda a natureza oferecia, além da água. Tinha amigos na floresta: animais, dríades, entes, espíritos da natureza. Seu vínculo com Allihanna era muito mais real que qualquer clérigo de Oceano em seu povoado.

Não hesitei em contar o episódio em que fui conhecer meus parentes sanguíneos e toda a decepção que tive. Falei sobre a tragédia iminente contida e também sobre o pouco caso que fizeram de mim no rio Villent. Assim, meu desejo de me tornar aventureira e guerreira da superfície tornou-se evidente, expliquei.

Falei sobre a viagem, meus novos amigos do rio Panteão, minha chegada a Yuvalin, a Guilda dos Mineradores, nossa primeira missão, a perda de Noah, como procurei pela minha origem e como chegamos até ali.

Meu pai gostou quando contei sobre meu relacionamento com Goro. Disse que parecia um rapaz honrado e que isso explicava o motivo de eu me vestir como eu estava. Eu ri e expliquei que tinha ido a Nitamu-ra por influência de Goro. Falei sobre como ele era bom para mim e que eu cheguei a pensar várias vezes em desistir da vida de aventureira para permanecer com ele, formar uma família e ter uma vida pacata. Sir Starkey compreendia isso, é claro.

Pai e filha

Lá pelas tantas, apoiei minha cabeça sobre as pernas de meu pai, que estava sentado em uma cadeira esfarrapada. Senti apenas armadura e ossos, entretanto, estava confortável e me sentia em casa. Estava feliz e, depois de algum tempo, acabei adormecendo em seu colo, sem ligar para uma possível dor no pescoço ou nas costas quando acordasse – o que, felizmente, não aconteceu.

Sonhei com Goro. Estávamos muito felizes juntos e eu contava a ele tudo o que tinha acontecido. A maldição nem sequer foi lembrada, só conversávamos sobre as boas notícias. Ele ficava muito contente ao saber sobre meu pai. Nos abraçávamos e ficávamos juntos. Saudade.

Quando acordei pela manhã, percebi algumas pétalas em meu cabelo e kimono. Prova de que meu pai havia chorado. Não ousei perguntar ou mencionar isso, mas eu me sentia abraçada, acalorada com o amor de um pai. Acordei bem como não acontecia desde minha última noite em Yuvalin.

Nos aprontamos para partir e acabar com as investidas do necromante. Os meninos estavam particularmente animados com a possibilidade de bater e matar. Eles inspiravam luta, guerra. Meu pai, por outro lado, disse que precisava ficar no casebre guardando Cassandra, afinal, o necromante poderia mandar mercenários outra vez.

Stefan tinha um mapa, mas estava completamente abatido, o oposto do modo como ele se comportou no dia anterior. Eu agradeci, expressando como eu esperava que esse fosse o comportamento dele naquele dia, o comportamento de um louco. Num dia, o mundo é cor de rosa e, no outro, só dor e tristeza sem qualquer motivo aparente. Depois, descobri que era só dor de cotovelo mesmo.

Comecei a ler o mapa, me situei e senti que, dessa vez, conseguiria guiar o pessoal. Expliquei isso a eles, dizendo que eu estava confiante de que os deuses estariam a nosso favor naquela manhã.

Me despedi do meu pai, dizendo que esperava retornar com o grupo, assim, mostrando que cumprimos a missão e tendo a oportunidade de continuar na companhia dele. Ele me respondeu que o destino não nos teria unido para que eu morresse logo em seguida. Desejou que Valkaria estivesse conosco, eu o abracei e ele pediu que retornasse para ele. Também apelou ao grupo que me protegesse e me pediu que eu protegesse o grupo.

Partimos. Olhei para trás e vi meu pai sentado à porta do casebre, como sentinela, protegendo sua amada. Eu estava particularmente feliz, a tensão da maldição parecia tão pequena. Até brinquei com o Joseph pedindo para que ele inspirasse o Stefan mal-humorado com uma canção. Eu mesma estava quase cantando. Na verdade, cheguei a solfejar uma música que aprendi na casa de treinamento do sensei Kakashi Hatake.

Stefan, além de não ajudar, atrapalhou. Seu mau humor quase me fez perder o caminho de novo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Mas eu estava me sentindo viva e feliz naquele dia, diferente do dia anterior. As besteiras do kliren não me atravancariam.

A floresta ficou mais densa e vimos um paredão de pedra. Pelos meus cálculos ou orientação de Allihanna, entendi que era aquele lugar onde deveríamos chegar. Alertei a todos de que estávamos por perto. Me aproximei o suficiente para tentar detectar alguma ameaça. O tal paredão parecia uma cúpula, vendo melhor, e senti que naquele lugar tinha algo de divino. Fosse o que fosse, se abrigava o necromante, não devia ser um oásis.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs

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Até breve!

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Épico e aquático – Apresento meus amigos ao meu pai

Helga, finalmente, está diante de Sir Anthony Starkey, também conhecido como seu pai e, agora, muitas coisas precisam ser ditas. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris, e dos Desafiantes de Yuvalin.


Allihanna me deu forças para agir naquele momento porque eu mesma estava completamente em choque. Sir Starkey também estava em choque, deu para notar quando ele me chamou de Liara, que era provavelmente o nome da minha mãe. Ele disse que eu me parecia muito com uma pessoa que ele conheceu. Então, né?!

Ele largou a espada, se aproximou, ficou analisando meu rosto, meus cabelos. De forma impressionante, algumas pétalas daquela rosa em seu olho direito começaram a cair, como se ele estivesse chorando. Mais alto que eu, ele me perguntou qual era meu nome e me chamou de pequena. E me pediu um abraço.

Eu fiquei meio assustada porque ele parecia ter absoluta certeza de que eu realmente era filha dele. Tudo bem que eu já cheguei falando isso, mas ele nem pestanejou – se é que isso era possível. Eu também tinha essa certeza. Ele estava de braços abertos diante de mim e eu o abracei. Eu me senti em casa, me senti segura.

Eu chorava, assim como ele perdia as pétalas da rosa. A armadura era gelada, não havia calor no abraço, mas a sensação era a mesma que eu tinha quando estava junto do Goro: lar. O perfume das rosas contribuía para que eu, que não cresci cercada de flores, apenas de ervas curativas, me sentisse plena e tivesse a confirmação de que tinha meu pai abraçado a mim.

Pétalas caíam dos olhos de Sir Starkey

Ainda abraçados, ouvi sua voz imponente, voz de cavaleiro, perguntar se os meninos eram meus amigos. Então, eu mesma quis nos apresentar como um grupo de aventureiros, só ressaltei que o minotauro havia acabado de chegar. Ele, sabiamente, disse que era para tomarmos cuidado com o caçador de Oni. Mais filha dele seria impossível com esse tipo de pensamento.

Sir Starkey me perguntou como eu soube que ele deveria ser meu pai e como havíamos chegado até ele. Expliquei que essa história era longa e comecei a narrar sobre todo o percurso: a execução de minha mãe logo após ter dado a luz por minha causa, minha criação pela minha família adotiva em Villent, a busca pela minha origem para ser uma boa líder do grupo.

Falei sobre as informações recolhidas por Edward com seu pai acerca do paradeiro de Sir Starkey, nossa missão passando pela região, nosso encontro com o Barão Lazam e seu pedido para entregarmos a espada no túmulo. Então, apesar de não conseguir parar de tagarelar quando fico nervosa, parei refletindo sobre tudo o que eu tinha dito porque estava levemente confusa com o fato de meu pai estar e não estar morto.

Ele levou uma de suas mãos apenas de ossos ao seu crânio, exatamente sobre a rachadura que havia na testa, onde, provavelmente, sofreu o golpe que o fez morrer. Ele estava confuso também sobre o tempo que havia dormido – ou morrido, sei lá. Se ele estava confuso… poxa… 

Meu pai e Edward começaram a conversar sobre a espada de matéria vermelha. Eu fiquei encantada quando o Cavaleiro das Rosas desembainhou aquela espada bastarda que a gente conhecia por causar ojeriza e que, em suas mãos, se tornava uma espada absolutamente normal e linda. Era mágica! Não era uma espada normal. Bom, a gente já sabia que não era por ser de matéria vermelha, mas era encantada, entende?

Ele agradeceu por termos levado sua filha até ele e, então, percebeu que estava falando da espada e agradeceu por termos levado até ele suas duas filhas: a espada e eu. Cavaleiros!

Recebemos também seu convite para entrarmos no casebre com a ressalva de não repararmos em sua amada morta na sala. Ok. Se eu podia lidar com meu pai na versão osteon, o que seria velar um corpo de uma desconhecida no meio da sala de casa?

Stefan perguntou pelo nome dela e qual não foi o espanto geral quando meu pai disse que o nome da sua amada de vestes vermelhas morta no meio da sala era Cassandra. Percebendo nossa expressão confusa, o cavaleiro explicou o que aconteceu. Quando ele despertou de seu sono de morte, estava nos braços da amada que chorava, ela havia entregue tudo para a deusa da noite, Tenebra, em troca dele. Ela estava morta agora e com um buraco no lugar do coração.

Opa!

Ele a protegia ali, mantendo o corpo dela dentro de uma cúpula de vidro na sala do casebre. Tudo o que sobrou para dedicar à deusa foi o corpo que mercenários tentam roubar todos os dias, enviados por um necromante.

Opa!

Ao mesmo tempo em que Stefan ainda divagava sobre acreditar que a tal Cassandra era a mesma Cassandra que nós vimos morrer no meio da tempestade rubra em Yuvalin, a que era esposa do seu amigo Drrrun, Edward foi um pouco mais sensato nesse momento e chamou a atenção de meu pai para um assunto mais sério. O kliren ainda interrompeu Ed, muito empolgado para falar sobre a meio-dragão. Stefan estava peculiarmente insuportável naquele momento e o Edward precisou silenciá-lo.

Assim como Edward sugeriu, achei por bem estarmos protegidos dos ouvidos alheios que queriam roubar o corpo de Cassandra para conversar sobre o tal assunto sério que precisávamos tratar. Então, entramos no casebre e vimos a cúpula de vidro com a Cassandra lá dentro em seus vestidos vermelhos.

E foi nesse instante que pareceu que eu tinha voltado ao início da adolescência. Joseph entrou por último na casa e acredito que ele não estava na conversa lá fora porque entrou fazendo perguntas idiotas sobre tirar a Cassandra da cúpula e reclamar que meu pai chamou ele de mascote. De repente, todos do grupo foram se apresentar de fato. Que vergonha!

Tentei intervir antes que a coisa desandasse, apresentando um por um. O Kroll estava meio emburrado, mas não sei se esse era seu natural desde que voltamos das férias ou se ele estava pior. Ele travou uma discussão que parecia infindável com meu pai sobre a pronúncia de sua raça: morrÔ ou morEAU. Graças a Toshinori, a discórdia foi interrompida quando ele disse que, apesar de ele e Edward não conseguirem enxergar mais que 5 palmos à frente, eles eram bem normais. Apresentei também o cavaleiro vindo de Bielefeld.

Stefan disse que era gente boa, fazendo um sorriso super esquisito. Então, nos entreolhamos todos e eu cochichei no que deveria ser o ouvido do meu pai dizendo que o Stefan sabe ser bem insuportável. Ele concordou, mas disse que o inventor tinha um sorriso bonito.

Apresentei Toshinori, falando sobre seus cabelos azuis e que era um paladino de Valkaria. Meu pai gostou de conhecer um companheiro de devoção e rolou aquela piadinha de que devotos de Valkaria se reconhecem também pelo fato de nunca saberem sobre tantos filhos por aí. Eu não sabia era onde me esconder depois dessa.

O Joseph fez algum comentário sobre o Toshinori não ter filhos porque ele não era muito de dar conta do recado, o que piorava, em muito, a minha situação de apresentar meus amigos para o meu pai. Percebi que o paladino começou a se desarmar, tirar a mochila e que o bardo começou a batucar em seu tambor, algo iria acontecer e eu não queria nem ver. Apresentei rapidamente o bardo e tentei mudar de assunto para me apresentar, contando o que tinha acontecido depois que eu nasci.

Os Desafiantes de Yuvalin

Meu pai falou que meus companheiros eram peculiares, mas pareciam muito bons para mim. Estávamos conversando enquanto o caos se instaurava no resto da sala, como o Joseph ser arremessado janela afora pelo Toshinori, o Stefan estava limpando o mosquete e o restante do pessoal queria beber algo envelhecido o suficiente, que fora trazido pelos mercenários.

Entretanto, meu pai e eu tínhamos assuntos a tratar. Primeiramente, ele pediu desculpas. Falou sobre sua paixão pela minha mãe, sobre como ela era bonita, sobre como ficou triste quando descobriu que minha mãe biológica era casada e que decidiu partir diante do fato, após duas semanas de romance. Seu pedido de desculpas foi porque, se ele soubesse que eu já existia no ventre de Liara, minha mãe biológica, ele jamais teria partido.

Falei que não havia o que se desculpar, a culpa não era dele, mas daquele povo que se diziam meus irmãos e que só atrapalharam minha vida. Passado é passado e nós não podemos voltar para mudar, dizia meu pai sobre tudo o que nos levou pelo caminho que trilhamos desde então. Mas podíamos aproveitar o tempo que tínhamos adiante.

Ele queria aproveitar o tempo que agora possuía para ver sua filha se tornar uma aventureira poderosa. Sir Starkey se ofereceu também para fazer parte dos Desafiantes de Yuvalin, se o aceitássemos. Ele só pedia uma coisa em troca: que acabássemos com a tramoia do tal necromante.

Foi então que eu comecei a explicar a problemada toda que nos fez chegar ao casebre: a cripta, a tumba aberta, o coração sobre o símbolo de Tenebra e… que eu estava amaldiçoada, como o insuportável do Stefan fez questão de me interromper para contar ao meu pai.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs

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