Ecos da Orla Interior

RPG rende histórias incríveis! Você já sabe disso se joga ou se apenas leu aqui o Épico e Aquático com as aventuras da sereia druida Helga Iris. E, se você acompanha o canal do Qual é a do RPG?, você também sabe que eu já mestrei algumas aventuras muito loucas e divertidas.

Recentemente, convenci uns amigos que nunca tinham jogado a montarmos uma mesa presencial. O resultado da nossa primeira aventura autoral nesse grupo é o conto que você vai ler a seguir. Espero que você se divirta tanto como nós.


Os corredores do Palácio Imperial pareciam estreitos nos intervalos das sessões de cúpula. O Secretário de Segurança e Defesa José Huyg se espremeu entre seus colegas do Conselho para conseguir passar e alcançar o Imperador Jong. Seu semblante era tão preocupado que o Imperador se assustou e pediu licença a outro conselheiro com quem conversava para chamar José ao seu gabinete.

Sentados um de frente para o outro, José revelou toda a sua inquietação. Ele não esperou o Imperador terminar de ler a carta e contou que um planeta da Orla Interior do Império, Arokk, teria sido atacado por uma praga que dizimou a população. Ninguém sabia ainda qual a origem da praga, do que se tratava, apenas que não havia mais sinais da população vindos de lá.

Como um bom secretário, trouxe o problema junto com uma solução plausível: sob a aprovação do Imperador Jong, ele contataria seu melhor gestor de assuntos especiais e secretos para enviar uma equipe até Arokk e, não apenas descobrir o que aconteceu, mas resolver o problema. Jong concordou. Não queria que o assunto se espalhasse para não gerar pânico. Também não queria que a praga se espalhasse, então, pediu cuidado redobrado.

Naquela mesma noite, o Secretário José se encontrou com o senhor Ohm, líder da agência ultra secreta Olho do Infinito, localizada dentro de uma estação de spa flutuante num lugar qualquer da galáxia. Aquele senhorzinho simpático, de olhos puxados, era mais ágil do que qualquer um podia imaginar. Imediatamente após receber ordens, começou a organizar seus melhores agentes. Por um infortúnio do destino, todos eles estavam extremamente ocupados em outras missões muito necessárias.

Lembrou-se, então, de alguns jovens promissores que ouviu falar tempos atrás e decidiu testá-los para enviar a essa missão posteriormente. Antes, porém, de chegar a Lagum para encontrar Krýus Ákro do Clã dos Olhos Azuis, levou sua nave até à principal oficina de naves da galáxia para pequenos reparos. Quando, finalmente, retornou à agência, deparou-se com um grande urso que conseguiu adentrar à nave sorrateiramente. Isso poderia ser útil.

Krýus Ákro do Clã dos Olhos Azuis

O senhor Ohm reuniu-se individualmente com cada recruta para verificar suas habilidades. Eles eram péssimos. Mas não havia muito tempo, tinha que servir. Por um tempo que os recrutas não conseguiam contar isolados em uma arena separada para eles, Ohm os manteve treinando até a hora de partir.

Quando tudo já estava pronto para a missão, Luke, Kryos, Ringo, Melkor, Onok e o urso (cujo nome foi inexplicavelmente esquecido) encontraram-se na base secreta da organização Olho do Infinito. O enigmático e sereno senhor Ohm lhes apresentou uma missão urgente: o planeta Arokk, localizado na orla interior da galáxia, havia sido dizimado por uma misteriosa doença.

O objetivo era claro: investigar o que aconteceu e impedir que a ameaça se espalhasse. Cada agente recebeu 30 pings, a moeda oficial do Império, para aquisição de equipamentos e embarcou na nave Estrela do Entardecer, comandada por Drooz, um piloto androide poético e filosófico.

A viagem atravessou uma zona de dobra conhecida como Mente de Morgoo, um espaço psicodélico onde formas, linhas e cores se distorciam em padrões quase vivos. Alguns dos agentes foram afetados por alucinações sutis, mas rapidamente se recuperaram. Os demais, que não experimentaram os efeitos, não compreenderam o que havia acontecido, gerando tensão e incerteza.

Ao chegarem a Arokk, depararam-se com um planeta de beleza alienígena e inquietante. Embora fosse noite, o céu vibrava em cores pulsantes e hipnóticas. A vegetação parecia viva, emitindo uma luminescência rítmica, como se respirasse junto ao solo. Mas não havia corpos, apenas sombras carbonizadas, gravadas nas superfícies como memórias silenciosas de uma tragédia repentina.

Logo após o pouso, Melkor e o urso foram inexplicavelmente tomados por um estado de torpor profundo. Adormeceram lado a lado, sem qualquer sinal de despertar, e foram deixados sob os cuidados de Drooz enquanto os demais seguiram em missão.

Os agentes desembarcaram e, guiados por um sinal fraco vindo do leste, caminharam pela paisagem viva e onírica de Arokk. Subitamente, foram atacados por dois seres incorpóreos, de natureza fantasmagórica. Durante o confronto, Ringo foi tomado por um impulso agressivo, chegando a atacar seus companheiros. Perceberam que ele estava sendo manipulado mentalmente, e conseguiram libertá-lo ao destruir os invasores espectrais.

Diante da dúvida entre recuar ou seguir adiante, decidiram que a presença das entidades poderia indicar a proximidade de algo importante. Seguindo o sinal, chegaram a uma formação rochosa translúcida, que escondia uma cúpula misteriosa. A entrada parecia quase um convite – ou um aviso.

Dentro, a iluminação era fraca, e o ambiente reverberava com ecos e sussurros incompreensíveis, diferentes para cada mente. Era claramente um templo, mas sua função ia além do religioso, algo entre o tecnológico e o espiritual. Lá, uma entidade se apresentou: o Guardião Mental de KELAA, uma inteligência alienígena que só conseguia se comunicar com alguns dos personagens, despertando suspeitas e fascínio.

Através de interações com o Guardião, ouviram um enigma:

“Entrar no Templo dos Sussurros ou sair vivo daqui.
O que você procura pode não ser o que você pensa que é.
Encontre as respostas nas paredes,
Mas cuidado com a sua mente: ela é traiçoeira.”

Enquanto exploravam o interior do templo, encontraram registros nas paredes, enigmas que eram mensagens deixadas por cientistas locais antes do colapso. Foi então que descobriram que a doença que devastou Arokk não era biológica. Era, na verdade, um parasita psíquico, vinculado a um artefato antigo. Compreenderam também que os habitantes do planeta não haviam sido destruídos, mas pareciam ter sido absorvidos, fundidos ao próprio pulsar vivo do planeta.

Nesse momento, uma forma corpórea do Parasita Psíquico manifestou-se. Um ser tentaculoso, de voz hipnótica e presença opressora, projetava o medo mais íntimo de cada agente. Apesar da dificuldade do confronto, o grupo reagiu com habilidade, fragmentando e eliminando sua forma material.

Após o embate, KELAA revelou que aquela era apenas uma manifestação secundária. A verdadeira entidade ainda se encontrava selada no artefato original, escondido nas profundezas do templo. As armas para enfrentá-la, porém, estariam ali também prontas para serem encontradas pelos dignos aventureiros.

Exaustos e com mais perguntas do que respostas, os personagens optaram por retornar à nave para descansar. Utilizaram magia para protegê-la durante a noite, garantindo que pudessem repousar com segurança. O próximo passo? Penetrar ainda mais fundo na mente do planeta e desvendar os segredos que dormem junto com os ecos de Arokk.

O amanhecer em Arokk, no entanto, não trouxe paz. O céu dançava em espirais nervosas. A vegetação, antes pulsante em ritmo sereno, agora vibrava com espasmos irracionais. O solo gemia, como se o próprio planeta gritasse.

Onok compreendeu que o colapso planetário estava diretamente ligado ao Parasita Psíquico. Enquanto a essência dele estivesse viva, Arokk seguiria desmoronando. Então, apesar de o urso (que ninguém lembrava o nome) e Melkor permanecerem em sono profundo, Kryos, Ringo, Onok e Luke decidiram continuar a missão, retornando ao Templo dos Sussurros.

Apesar de estar junto na missão, Luke parecia estar distante, ficava com o olhar perdido e não interagia com o grupo. Era como se não estivesse presente.

Enquanto seguiam para o leste, na direção do templo, o chão tremia. De repente, fendas se abriram sob seus pés, liberando vapores coloridos e gritos que não pertenciam a garganta alguma. Vozes… de memórias? Por uns instantes, os nobres aventureiros ficaram atordoados, mas continuaram ainda com mais vontade para resolver a questão.

Uma projeção translúcida surgiu no céu, com a voz fragmentada de KELAA dizendo “O tempo escoa… A resposta está dentro… Libertem-nos… ou perecerão”. Eles correram ao templo e tiveram aquela mesma experiência ao passar por algo que parecia uma porta maciça.

O quarteto se lembrava de que as armas para destruir o Parasita Psíquico estavam ali dentro do Templo dos Sussurros, mas não faziam ideia de como encontrá-las. A presença de KELAA, então, os guiou por corredores que se moldavam como pensamento líquido. Cada parede carregava vozes, e as sombras ecoavam sentimentos.

Ao final de um corredor, se depararam com três portas. Ringo fez uma magia para guiá-lo na escolha e proteção. Assim, entraram pelo portal mais próximo a ele e, imediatamente, todos os quatro tiveram visões tão vívidas que pareciam reais. Ouviram a voz de KELAA dizer “Uma figura conhecida. Perdida no passado. Ela está ali. Sorri para você.” e cada um precisou enfrentar sua própria fuga da realidade para conseguir se libertar do torpor. O prêmio conquistado por eles foi a Lança da Memória Viva, que Ringo empunhou.

A segunda porta também lhes despertou visões. Dessa vez, ouviram “Um futuro ideal. Tudo o que você sempre sonhou. Apenas aceite.” e tiveram que lutar para se desprender de seus sonhos e perceber que estavam em missão. O que quer que eles falassem ou fizessem enquanto tinham as visões, sem perceber, eles também faziam no mundo real. Alguns puxaram armas, outros beberam o que achavam ser poções (mas eram água). Quando, finalmente despertaram, receberam o Escudo da Clareza, que ficou sob os cuidados de Kryos.

Por fim, ouviram de KELAA que ainda faltava uma arma e entraram na última porta. A Câmara do Sacrifício lhes falou “Uma barganha. ‘Fique comigo e salve quem ama. Só isso.’” enquanto cada um precisava aceitar ou recusar a barganha em suas visões. Nem todos foram fortes o suficiente, mas Luke que, misteriosamente despertou de seus devaneios, trouxe os demais à realidade. Assim, ele garantiu a Lâmina do Eu Verdadeiro.

Assim que empunhou a espada, uma porta ao fundo da sala se abriu e os aventureiros correram por ela até um salão enorme com um pé direito muito alto. O coração do templo, escuro, sem tempo e sem chão. A única coisa que eles viam era o artefato (que se assemelhava a uma ampulheta) bem no meio, se é que havia um meio. De dentro dele o Parasita se revelou: tentacular, abstrato, com mil olhos e nenhuma forma fixa. Eles conseguiam perceber (sabe-se lá como) que cada pensamento que tinham… ele sentia.

Luke, Ringo e Kryos avançaram contra o inimigo com suas novas armas, enquanto Onok usava suas flechas à distância contra o artefato. No entanto, não demorou muito para que o templo começasse a ruir. Abaixo dos pés, tremor. Acima da cabeça, pedras caíam.

Com seu poder traiçoeiro, o Parasita Psíquico os deixava apavorados e atordoados. Em determinado momento, Kryos e Ringo pararam de lutar contra seu inimigo comum e passaram a brigar entre si, inclusive com as poderosas armas para destruição do Parasita.

Luke e Onok ouviram a voz de KELAA, mais humana, mais livre, fazendo um último pedido: “Posso fundir-me ao planeta e mantê-lo vivo. Mas preciso… de um de vocês. Um só.”.

Cada vez que Onok acertava uma de suas flechas no artefato, mesmo mundanas, o Parasita gritava e se irritava mais. Por fim, o artefato se desfez e o monstro sumiu, se desfazendo como fumaça. O Templo, então, apesar de se iluminar levemente, já estava em avançada destruição. Os jovens aventureiros precisavam tomar uma decisão: fugir ou atender aos apelos de KELAA.

Luke, o mais bravo de seu povo, ergueu a voz e se entregou à inteligência. Nesse mesmo instante, fendas começaram a se fechar e as pedras pararam de rolar. Tudo ficou calmo. Silêncio. Até Ringo e Kryos voltaram ao seu normal (exceto pelo fato de Kryos ter cegado o amigo com suas unhas durante a batalha). Feridos e cansados, permaneceram quietos por alguns minutos.

Iluminado e com olhos mais vibrantes, Luke começou a falar. No momento que decidiu permanecer em Arokk, KELAA se fundiu à sua mente. O jovem se tornou um avatar da inteligência e tudo ficou claro como a água do rio mais limpo de seu planeta. Contou, então, como tudo começou, se desenrolou e virou um caos, quase exterminando todo o planeta.

Luke Artreides

O jovem Luke contou aos companheiros que, há algum tempo, caçadores de recompensa retornaram de uma expedição para além do Império e trouxeram o artefato. Não sabendo para que servia, eles e alguns cientistas estudaram-no de diversas formas. Conforme os dias iam passando, eles e as pessoas com quem conviviam se tornaram ríspidas, depressivas e briguentas. Alguns lutavam entre si até a morte, muitas vezes, sem nem lembrar ou saber o motivo da briga.

Diante de tantas doenças mentais que surgiram, os cientistas de Arokk procuraram KELAA para auxiliar na solução do problema. Por isso, as paredes do templo continham frases e cálculos. Não houve tempo para chegar a um consenso. Todos foram tomados de rancor, ódio e tristeza… até virarem sombras e se tornarem parte do planeta. Arokk ruía enquanto o Parasita reinava, sugando todas as suas forças.

Com o Parasita Psíquico fora do planeta, agora seria possível buscar uma forma de trazer os moradores de volta à vida. Mas Luke deveria ficar e buscar essa resposta, sem nunca mais sair de Arokk provavelmente.

Um ou outro aventureiro também quis ficar, mas, por fim, Luke ficou só enquanto seus companheiros retornaram à nave e reportaram tudo isso ao Sr. Ohm por meio do andoide Drooz. Se o planeta foi completamente restaurado, e o que aconteceu a Luke, Onok, Kryos, Ringo e aos dorminhocos, só o tempo poderá dizer.


Leia o conto que eu publiquei na Iniciativa T20 da Jambô Editora

Épico e aquático – O preço de uma cidade grande

O choque cultural continua para Helga enquanto ela e os demais Desafiantes de Yuvalin atravessam Valkaria. Além disso, a desigualdade e os dramas sociais estão cada vez mais aparentes.


Mal saímos no meio daquele mundaréu de gente, de cacofonias e cheiros estranhos, passando por aquela praça que passei ontem, vozes extremamente harmoniosas e bonitas chamaram a atenção de um grupo grande de outras pessoas. E da gente também. Eram clérigas de Marah cantando e dançando no meio da praça.

Os meninos ficaram doidos. Leah começou a rosnar (?) para o Kroll quando ele viu uma outra moreau leoa no meio das clérigas. Pela primeira vez, vimos nosso amigo suar a vera. A coisa ficou, ainda, mais complicada quando, de repente, elas começaram a se despir. Isso mesmo, elas ficaram nuas no meio da praça enquanto riam, cantavam e dançavam.

Eu olhei meio confusa para os lados, pensando se isso era algo realmente comum em cidades grandes. Sei lá! Vai que as pessoas simplesmente ficam nuas nas ruas e isso é algo normal em absoluto. Eu sou uma jovem do interior, nunca vi nada parecido.

Entretanto, aparentemente, não era algo tão comum assim, porque várias pessoas que estavam assistindo ao show começaram a gritar que o que elas faziam era um absurdo e um atentado ao pudor. Eu fiquei, sinceramente, aliviada. Não queria seguir o ritual.

Não tardou para que a guarda intervisse. Eles chegaram a bater nelas com bastões de guarda para dispersar o show. As moças saíram catando as roupas e rindo, como se fossem ninfas. Foi uma cena chocante e surreal. Perguntei ao Toshinori, que estava sorridente e extasiado, se era sempre assim em Valkaria. Ele deu a resposta mais vaga possível. Era a tal da liberdade.

Puxei o cercadinho para que continuássemos a jornada. Queríamos chegar logo à fazenda da família do Toshinori. O show tinha acabado mesmo, era mais que hora de seguir.

Conforme avançamos, as casas foram ficando, digamos, mais feias. Tudo começou a ficar bem irregular, ruas começaram a ficar estreitas. Nos deparamos com um prédio enorme de pedra, a Rocha Cinzenta, prisão onde estariam reunidos os piores criminosos do Reinado.

Aos poucos, as casas deram lugar a barracos e as ruas, a vielas. Uma explosão aconteceu de um lado do caminho e me deu um susto, mas era só um goblin todo chamuscado tentando construir alguma coisa. Estávamos na Favela dos Goblins.

É até difícil descrever a Favela dos Goblins

Em alguns becos, vimos cenas deploráveis de pessoas jogadas nas ruas. Usuários de entorpecentes, provavelmente, achbuld. Muito triste ver os caminhos terríveis que a liberdade também pode levar.

A engenhosidade dos goblins, por outro lado, era cheia de itens inusitados. Vimos casas feitas inteiramente de portas, outras feitas de tudo aquilo que sobra de uma engenhoca, até mesmo uma casa que, simplesmente, ganhou rodas e saiu pela rua, quase nos atropelando. O goblinzinho teve a audácia de pronunciar alguma expressão que eu acredito ter sido um xingamento. Ao que Toshinori respondeu à altura.

Pelo que o paladino falou, a casa dele na fazenda era para apoiar os goblins que viviam na região. Então, ele mandou chamar o governante de nome engraçado que eu não gravei, empregado responsável por todo o serviço da fazenda.

O tal goblin apareceu depois de um tempo, enquanto andávamos, com as mãos nos flancos e uma cara fechada. Até ver Toshinori. Ele até chorou e gritou de emoção ao ver nosso amigo. O paladino abraçou-o bem forte e o pobrezinho quase ficou sem ar, saudando com saudade e alegria. Eles conversaram por alguns momentos e, depois, nos apresentou.

Aproveitei para perguntar, é claro, se ele sabia sobre os podres de Toshinori. Ele ia falar algo, mas o paladino não deixou o goblin continuar. E, então, eles começaram a nos conduzir à frente, rumo à fazenda. O cheiro da favela era péssimo, porém, eles disseram que o bairro melhorou muito.

Ache estranho ou não, na mesma viela onde estávamos, que devia ser uma principal da favela porque era mais larga, nos deparamos com outro grupo de aventureiros. Só que eles eram bem pouco discretos e estavam rindo de tudo e fazendo uma bagunça no lugar. Chutaram uma poça de lama para atingir uma criancinha goblin e, simplesmente, riram. Bom, a criancinha também riu deles depois.

Quem eles pensavam que eram? Toshinori tentou intimidá-los e, de repente, surgiram vários goblins enormes e bugbears empunhando armas e falando algo no idioma deles que eu não compreendi, mas percebi que era uma grave ameaça. Batendo sua arma no chão, o paladino gritou para que os aventureiros deixassem as coisas e partissem, para que as coisas não piorassem para o lado deles. Eu fiquei com medo.

Eles não quiseram deixar seus pertences, obviamente, apesar da ameaça. Então, Toshinori pegou a camiseta da criança goblin, suja de lama, e tentou esfregar na cara deles. Mas eles não deixaram e pediram para deixá-los apenas ir embora. A gangue de goblins enormes e outros seres gritou mais alguma coisa ininteligível e meu amigo nos incentivou a, simplesmente, deixar para lá e irmos embora, como se não tivéssemos visto nada.

Como eu não entendi do que se tratava, só aceitei a recomendação do nosso paladino e o segui. O único que parecia ter entendido também era Stefan e ele estava ansioso para sair dali. Alguns segundos depois, um barulho altíssimo de armas disparando foi ouvido e, então, entendi do que se tratava. Não me dignei nem a olhar para trás.

Estava assustada e Stefan tentou me convencer de que aquilo era natural. Definitivamente, não era. Mata-se apenas para sobreviver, para se alimentar e quando há uma ameaça com quem não se consegue resolver na conversa. Não é natural matar só porque fizeram algo de que não se gostou.

Continuamos andando, eu em reflexões. Preferia viver na pequena Yuvalin, ao lado de Goro e em situações menos absurdas que as que presenciei em Valkaria. Definitivamente, eu não servia para morar em uma cidade tão grande.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://youtu.be/tGEzr0s2uoE

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Até breve!

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Épico e aquático – A cidade barulhenta

Helga e os Desafiantes têm um desafio enorme: atravessar Valkaria. Nem eles têm noção da bagunça que pode ser isso. Mas eles têm uma missão, é bom sempre lembrar isso.


Nós fomos tapeados – para variar. Era meio óbvio que em Valkaria isso aconteceria. Me surpreendo, na verdade, por ter sido tão pouco. Dado o nosso histórico, qual a chance de não sermos tapeados, pelo menos, umas 200 vezes em apenas um dia?

Dessa vez, foram crianças. Quem suspeitaria? Tanta gente se esbarrando em mim e em todos nós, só senti minha mochila ficando mais leve, moedas estalando no chão e crianças correndo e gritando. Perdemos valores consideráveis, no entanto, era praticamente impossível alcançar os ladrões com aquela quantidade absurda de gente que eu nunca tinha visto em toda a minha vida.

O bairro Mercado da barulhenta Valkaria

Kroll e Joseph tentaram correr atrás dessas crianças benditas, mas sem muito sucesso. Ainda demorou um tempão até nos encontrarmos outra vez. Consegui colocar o pessoal de volta ao cercadinho na loja Império Bélico. Tive uma leve discussão com Stefan, também para não perder o costume, sobre as razões de ir para aquela loja e sobre nos separarmos no Mercado. Como sempre, Stefan sabendo ser bem insuportável. Ele disse querer itens, mas foi direto ao ponto quando perguntou sobre o leilão em Aslothia.

O anão ferreiro da loja não fazia ideia e não queria saber qualquer coisa sobre aquele lugar. Aproveitei para perguntar se, mesmo que ele não fizesse negócios por aquelas bandas, alguém que ele conhecia faria. O anão respondeu que um longo passeio pelo Mercado nos faria conhecer. Isso não ajudou muito.

O que não ajudou muito também foi Toshinori querendo empurrar as pedras de aço-rubi para o anão. Stefan, ainda, conseguiu ofendê-lo com a menção de que Zakharov estaria mais evoluída que o nosso anfitrião. O anão se sentiu desafiado a mostrar suas belezuras a todo o grupo e eu tentava, sem sucesso, fazer os meninos focarem na nossa missão. Não fazíamos ideia de quando aconteceria o leilão, então, não podíamos mais perder tempo.

O arsenal era, realmente, diferenciado. Fiz questão de lembrá-los sobre a total responsabilidade deles em recuperar suas armas, caso perdessem. Ainda mais sem dinheiro, depois do causo com as crianças. Joseph, inclusive, estava do lado de fora, tocando e cantando para tentar recuperar algum valor.

Nos encaminhamos para uma taverna, a Boca Cheia. Jantamos juntos e, antes de eu me alojar em algum canto, passeei por uma praça próxima, a fim de encontrar algum pássaro que pudesse levar mais uma carta para Goro. Queria contar brevemente sobre as últimas notícias: o encontro com meu pai e nossa chegada a Valkaria.

Com tantas pessoas mendigando comida nas praças, eu tive medo de dormir ao relento e precisei fazer crescer árvores frutíferas para que essas pessoas não avançassem em mim. Encontrei um pombo que me pediu apenas grãos para fazer o serviço e enviei a carta. Mas confesso que descansei um grande nada na taverna. Pensei em dormir no telhado, mas o taverneiro não deixaria. Muito barulho do lado de fora, aquela cidade nunca dormia. Me senti como se estivesse tentando dormir abraçada à forja central de Yuvalin.

Com saudade do quarto do Goro, de manhã, apesar das grandes olheiras que eu tinha no rosto, os meninos pareciam ter dormido como reis. Acredite se quiser, foi Stefan quem pagou a estadia de todos. Após o café da manhã, saímos novamente para aquela muvuca desenfreada, para chegarmos à casa dos pais de Toshinori.


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Épico e aquático – A cidade sob a deusa

Depois do susto, é hora de seguir viagem. Os Desafiantes de Yuvalin têm um longo caminho pela frente e a Helga tem um mundo todo desconhecido para descobrir.


Começamos nossa viagem em direção à cidade sob a deusa, Valkaria. Climber, o burro, me convidou, depois de um tempo, para seguir viagem sobre seus lombos. O pequeno Joseph, com suas perninhas cansadas, já estava montado há alguns quilômetros e, confesso, eu estava tão cansada que decidi aceitar. Não é muito do meu feitio fazer esse tipo de coisa, a não ser em situações extremamente necessárias.

Não demorou muito para que ele ficasse cansado, coitado. Descemos e eu cuidei dele, enquanto andávamos: fiz carinho, dei água e comida, conversei com ele. Depois de muitas subidas e descidas, avistamos uma grande mão e, quanto mais andávamos, mais a estátua de Valkaria tomava forma.

Sobre uma colina, era uma visão completamente diferente de tudo o que eu conhecia. A vista de cima de uma cidade muito maior era espetacular. Villent, Zakharin e Yuvalin, por maior que fossem, nunca se comparariam à grandiosidade daquela megalópole à nossa frente. Tudo era tão cheio, tão grande, tão desorganizadamente organizado, barulhento.

A cidade de Valkaria

Em uma descida, Toshinori, que cresceu em Valkaria, quis se exibir para nós, nos mostrando do que era feita a cidade. Bom, pelo que ele apresentou, adultos costumam quebrar carrinhos de madeira de crianças. Mais uma vergonha alheia que os Desafiantes me fazem passar em público. Já estou acostumada. Joseph quis fazer o mesmo, mas não quebrou o carrinho, apenas desceu a toda velocidade o morrinho em pé sobre o carro de madeira. As crianças amaram o bardo de cabelo rosa.

A cidade abrigava gente de todos os jeitos, etnias e raças. Algumas, eu só vira em imagens nos livros da escola em Villent. Tive que pedir para que os meninos focassem na missão, porque, quando passamos pelo estabelecimento Lua Incandescente, as sulfures, as sílfides, goblinoides, mulheres com curvas à mostra, começavam a se insinuar para eles.

O paladino falou que estava, na verdade, esperando encontrar uma outra goblinoide, que, talvez, ele tenha deixado sem avisar em Valkaria. Então, eu consegui convencer a todos a seguirmos pela cidade, de acordo com o plano. Foi nesse momento que tivemos uma grande revelação sobre Toshinori. Algo que nunca nem imaginávamos. Além de ele nos contar que tinha pai e mãe vivos, ele nos levaria até a casa deles para descansarmos. Ficamos chocados.

Depois de todo esse tempo juntos, eu me dei conta de que ainda conhecia bem pouco sobre meus companheiros. No nosso ramo de trabalho, precisamos confiar quase cegamente uns nos outros. Eles me protegem e eu cuido deles, isso basta. Entretanto, conhecê-los um pouco mais era bom. Então, enfim, nos tornávamos amigos.

Eu realmente estava muito assustada com todo aquele movimento, tanta gente indo e vindo, tanto barulho e cacofonias. Tudo isso, enquanto nem tínhamos entrado pelas muralhas da cidade. Os guardas fizeram pouco de quem éramos, de onde vinhamos e para onde íamos. De repente, estávamos vivendo aquilo: entramos em Valkaria.

Entramos no bairro da Cidade da Praia, seguindo Toshinori, que era quem conhecia o local. Como percebi que logo alguém ia querer fuxicar pela cidade e tentar descobrir tudo o que ela poderia oferecer a nós, principalmente o Stefan, fiz crescer algumas plantas que davam umas fibras bem fortes e juntei-as em uma corda, formando uma espécie de cercado para que todos andássemos juntos. Conhecendo meus amigos como eu conhecia, todo cuidado era pouco e quem se comporta como criança, às vezes, deve ser tratado como criança.

Falei logo de Stefan porque ele foi o primeiro a querer ir conhecer os druidas da Cidade da Praia. Eu briguei com ele para que ele não saísse do cercadinho e fiquei me questionando o que algas ele queria com aqueles caras. Até o Toshinori desaconselhou o inventor a ir tentar conversar com os druidas, disse que eram estranhos. Faço ideia do que ele quis dizer com isso.

Enquanto discutíamos, um hynne em uma carroça nos interpelou, dizendo que nos levaria a qualquer lugar por um valor. Só não nos disse o valor. Disse que, sabendo para onde seria, diria o valor. Nem deu tempo do moço responder quando Toshinori falou sobre a fazenda dos pais. Subitamente, parece que todos os carroceiros de Arton estavam gritando ao nosso redor que fariam o menor preço para nos levar ao nosso destino. Parecia uma feira, ou até mesmo um leilão.

O caos estava instaurado. Não conseguíamos nos desvencilhar de forma alguma daquela loucura. Devia ser pior que a mente do Stefan. Foi, então, que eu me distraí com o assunto dos burros, cavalos e trobos, fiquei conversando com eles sobre a cidade, sobre de onde eles tinham vindo, sobre o trabalho deles. Eles disseram que o trabalho era bom, davam comida boa.

Não sei exatamente o que Edward fez, mas ele conseguiu puxar a gente para fora daquele burburinho. A bagunça e gritaria ficou para trás. Aos poucos, a Cidade da Praia também ficou para trás e entramos no bairro Recomeço. Era um lugar pomposo, as luzes acendiam magicamente nos postes. Casas nobres, mansões, ladrilho. Apesar disso, as pessoas ainda eram bem diversas, não tendo apenas nobres no lugar.

Eu estava encantada com tudo aquilo. Era muito mais do que os lugares mais nobres de Yuvalin. Era lindo. Todos se vestiam tão bem. Nós vestíamos, praticamente, trapos. Aos poucos, isso começou a despertar o interesse de soldados. Eles começaram a fazer perguntas, nos revistar e a nos conduzir em direção ao Mercado.

Um senhor parou Joseph no meio do caminho prometendo torná-lo rico e famoso. O moço maltrapilho disse que ele era perfeito para uma peça. O pobre bardo já começou a sonhar e a murmurar sobre dinheiro e mulheres e iates – eu nem sei o que é um iate, imagino que nem ele. Olhei mais atentamente para o velhinho e vi suas mãos mexendo suavemente, como que conjurando uma magia arcana.

Respirei fundo e pedi por um milagre a Allihanna. Precisei dar alguns tapas na cabeça e nas costas do Joseph para que ele despertasse do torpor. O moço jurava que não estava enganando, obviamente, que queria aquele galã como principal na peça. Até olhei ao redor para verificar se havia alguém bonito por perto. Todos tentamos ajudar o bardo a desacreditar o velho, até Stefan puxou a arma e ameaçou o senhor. Não tentei impedir o inventor, mas parei para perceber se alguém fora do nosso cercadinho tinha notado aquilo.

Finalmente, conseguimos arrastar Joseph para fora daquele golpe óbvio em formato de peça super famosa. Tiramos o velho do nosso encalço e rumamos para o bairro do Mercado. Quase fiquei surda com o barulho que nos recebeu.

Se nos outros bairros tudo já era muito barulhento, ali, eu fiquei tonta com a baforada quente da multidão e toda aquela vozearia. Barraquinhas, lojas, gente anunciando produtos, tavernas. O cheiro da cidade estava se impregnando nas nossas roupas, eu estava assustada e ainda bem que eu tinha feito o tal cercadinho, do contrário teria me perdido.

Toshinori estava confiante, por outro lado. Ignorava os vendedores e pedintes. Eu estava crente que ele já estava nos levando em direção à fazenda dos seus pais, mas ele, simplesmente, entrou em uma loja de licores, beijou a careca do vendedor e nos ofereceu uma dose. Além de, é claro, cantar e dançar com os bêbados caídos na entrada da loja.

Como eu não estava acostumada com licores, cheirei o copinho, o perfume doce, além do álcool. Era bom. Eu tomei e achei uma delícia. Distraída, não notei que Stefan derramou a bebida e, como consequência, tomou foi um soco na cabeça do vendedor, para ele aprender a não desperdiçar o que é dado de graça. Toshinori ficou revoltado. Eu, é claro, como já conhecia meu grupo, fingi apenas que não era comigo e continuei tomando meu licorzinho em paz.

O inventor louco, de forma instintiva, ignorou o que quer que tenha acontecido ali na loja, apesar da dor, e só saiu andando pelo mercado. Eu tive que correr para acompanhá-lo e, ainda, arrastar todo mundo para que não nos perdêssemos. Não quero nem imaginar o que seria de nós se qualquer um dos Desafiantes de Yuvalin se perdesse no meio do Mercado de Valkaria.


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Épico e aquático – Pétalas de rosas

O ritmo de batalha dos Desafiantes de Yuvalin é sempre frenético. Principalmente, quando a vida de um dos integrantes está em risco. Ainda mais quando alguém que ela ama está morrendo pela segunda vez.


Ouvi sons como lanças caindo e atingindo alguém que caiu. Provavelmente, Stefan. Além disso, vi que o Kroll ficou preso nas plantas que eu tinha encantado para enredar nossos inimigos. Um deles atirou com um arco na direção dos meninos, mas acho que errou porque não ouvi nenhum som imediatamente. Mas o outro acertou o minotauro.

Ouvi o Toshinori gritar que eu não precisava me preocupar mais porque os Desafiantes estavam ali. Me debati e tentei me desamarrar, mas as cordas estavam muito bem amarradas, então, me arrastei pelo chão. Vi Hyoda e Kroll tentando se desvencilhar das gavinhas e, em pensamento, desfiz o encantamento, liberando as plantas e meus aliados.

O  tambor do Joseph soou e Toshinori pulou por cima do bárbaro e do minotauro, pousando diante dos nossos inimigos, bem de frente pra nós. Ao ver isso, Lazam me puxou pelo cabelo e pôs uma adaga no meu pescoço. Senti o corte doloroso e o sangue começar a escorrer. Eu suava frio e arfava. Meu pai estava morrendo e eu seria a próxima. O barão gritou para que todos se afastassem. Fechei meus olhos e fiz preces. Só ouvia os barulhos de armas e sentia o corte, os braços amarrados. E o calor de uma bola de fogo que atingiu os meninos.

Quando abri os olhos, Toshinori e Hyoda estavam no chão. No entanto, o bárbaro em fúria destruiu por completo um dos inimigos, em vez de me ajudar. Mas eu entendo, é claro. Era uma bola de fogo. O Kroll tem memórias ruins disso. Enquanto isso, outro mercenário atirou no crocodilo.

Toshinori gritou para que Kroll mordesse o biomante que estava brilhando. Mas ele mesmo não conseguiu bater no mago. Eu estava em desespero. Completo desespero. Uma adaga cortando meu pescoço, meus amigos se batendo e meu pai morrendo – DE NOVO.

Enquanto o minotauro se aproximava de mim, o barão puxou a adaga e enfiou no meu peito. Olhei o sangue brotando e, felizmente, não foi um corte profundo. Só não deu tempo de pensar em nada porque ouvi um tiro. No susto, fechei os olhos e ouvi os gritos de Lazam. Stefan poderia ter me matado, mas conseguiu acertar o barão. Momentos em que o Stefan sabe ser bem insuportável, mas é extremamente útil.

Muitos gritos pairavam no ar daquela caverna. Gritos de dor do barão, dos seus servos, dos meus amigos. De repente, o chão ao redor do caixão onde estava Sir Starkey brilhou mais forte, no entanto, sua voz cessou e a caixa parou de se sacudir.

Em fúria, Kroll desceu seu machado sobre o biomante, atravessando o campo de força ao redor do mago. O biomante caiu, jorrando sangue. Hyoda levantou suas katanas em chamas ao meu lado, jogou o Lazam na parede de trás e cortou o corpo do hynne em vários pedaços. O fogo era tão intenso que, até mesmo, as amarras que me prendiam se soltaram.

Eu gritei enlouquecida para que tirassem meu pai do caixão. Me desvencilhei das amarras e supliquei por um milagre a Allihanna e aqueles raios de luz emanaram do meu corpo ao encontro de todos os que estavam feridos na sala.

Nos preparamos para arrancar meu pai daquela caixa horrorosa que o prendia. Todos batemos juntos com nossas armas ou mãos. O campo de força se desfez, as correntes caíram e a luz no chão se apagou. Corri para tirar a tampa do caixão, abri e vi meu pai totalmente sem vida lá dentro. Ele parecia qualquer outro esqueleto dentro de uma tumba, sem nem uma rosa para presentear seu rosto.

Comecei a chorar como uma criança, gritando para que meu pai voltasse. Desespero total. Perdi alguém que não sabia que tinha logo após ter encontrado. Enquanto eu gritava, suplicante, uma rosa nasceu no lugar do olho direito de meu pai e um movimento, como de alguém que respira profundamente, alongou seu tórax por um instante.

Meu coração saltava nessa mistura de sentimentos e um sorriso dele dizendo que ainda precisava se acostumar a não respirar me fez voltar a chorar como uma criança, mas, dessa vez, de profunda alegria. Nos abraçamos, mesmo ele ainda dentro do caixão. Por longos segundos, fomos só nós dois, pai e filha, emocionados.

Meu pai saiu do caixão e caiu. Ele não conseguia ficar de pé. As pernas não funcionavam mais. Se arrastando, ele foi até o corpo estraçalhado do barão, fechou os olhos do ex-amigo e disse que não havia outro jeito, ele merecia o fim pelo que fez. Sir Starkey suspirou mais uma vez, nos agradeceu e perguntou quem iria carregá-lo a partir daquele momento.

Stefan se adiantou, mas não em resposta proativa. Ele convidou o Caique para se juntar a nós – claro que com o objetivo de carregar meu pai. Mas ele respondeu que tinha uma dívida com o vilarejo. Eu não tinha dimensão do que tinha acontecido naquela noite do lado de fora, mas imaginava que, para os meninos estarem ali, o vilarejo poderia estar devastado.

O jovem Caique

Os meninos, principalmente o paladino, queriam o dinheiro do barão. UM ABSURDO. O dinheiro era do vilarejo e eu apoiava por completo que Caique se colocasse a favor do seu povo. Eu argumentei contra Stefan e, até mesmo, Toshinori que o vilarejo precisava ser bem cuidado após o ocorrido, o povo não devia pagar pelo que Lazam fez.

Meu pai analisava o jovem loiro junto de nós. Perguntou sobre a história de Caique e disse que via honra no jovem. Ele não se lembrava de onde era exatamente, mas que o próprio barão havia cuidado dele desde bem pequeno. Sir Starkey puxou sua espada para sagrá-lo cavaleiro, afinal, como Edward salientou, para reger um vilarejo, era necessário ter um título como esse.

Eu ajudei meu pai a se levantar e o segurei para que ele pudesse fazer o ritual de sagrar Caique um cavaleiro. Stefan me ajudou, fazendo uma cadeira para que meu pai sentasse. Após a bênção a Caique, o jovem se levantou e puxou sua espada em um ato pomposo de um novo cavaleiro. Imediatamente aquela espada ficou em chamas e nós olhamos espantados para aquilo. Ele nos contou depois que só sabia que todas as espadas que tocava tinham o mesmo efeito em suas mãos.

Caique nomeou Hyoda como seu auxiliar, já que, prontamente, o minotauro se disponibilizou a ajudar o vilarejo. Também aproveitei aquele momento, depois da entrega daquela cadeira, para agradecer o Stefan. Fiquei um pouco confusa com o fato de ele estar sendo bem útil ultimamente. Além disso, comentei sobre a gente conversar depois sobre algo permanente para permitir que meu pai se locomovesse.

Assim que saímos da caverna e passamos pela porta da capela, meu pai, simplesmente, caiu com a cadeira esfacelada. Hyoda começou a carregá-lo e encontramos Joseph conversando com uma criança. Estava amanhecendo e pude ver ao redor com clareza como tinha sido aquela noite. Haviam corpos e muita bagunça ao redor do castelete. Abracei meu pai e me certifiquei de que o minotauro estava dando apoio a ele. Então, comecei a conversar com as pessoas para consolá-las e a curar os feridos com pequenos milagres de Allihanna.

Também fiz nascer algumas plantas que serviram para ajudar meus aliados a tratar do enterro dos corpos, ao menos como uma homenagem a eles. Passamos todo aquele dia ajudando no que podíamos ali no vilarejo. Toshinori liderou um emocionado discurso fúnebre, mesmo que a maior parte dos mortos não fosse muito chegada aos habitantes do local.

Caique também fez um discurso emocionado e que, finalmente, despertou algum interesse dos moradores de Ermo Esquecido, uma vez que, ao que parece, a nobreza morta naquela noite se importava bem pouco com as pessoas do vilarejo. O jovem trocou o nome do vilarejo para Ermo Lembrado e anunciou que promoveria mudanças significativas ali a partir daquele momento.

É difícil explicar tudo o que eu estava sentindo. Meu pai e eu estávamos juntos agora, eu estava cumprindo minha missão como aventureira e sob a bênção da deusa. Não foi uma noite de festa, foi uma noite de alívio e de recomeços. Muitos estavam traumatizados, outros tinham esperanças de que somente agora a vida iria melhorar. Eu acreditava que a jornada estava apenas começando.

Divaguei sozinha antes de dormir por alguns minutos. Então, meu pai se juntou a mim, trazido por Edward. Dormi nos jardins, sob as estrelas. Meu pai acariciava meus cabelos e eu, que tinha chorado como criança pela possível perda dele, era consolada por ele mesmo como uma criança no colo de seu pai.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?: https://www.youtube.com/watch?v=H1fvTZJNYTM

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Épico e aquático – O Barão de Sangue

Tudo parecia lindo, até que… Helga não tem um dia de paz! Como ela e os Desafiantes de Yuvalin vão se livrar das mãos do Barão Lazam agora?


Caique, aquele soldado que conhecemos dois dias antes, nos abordou enquanto ainda cuidávamos do Climber. Perguntou gentilmente sobre meu pai e nossa viagem, felizmente, ele só reparou no minotauro e não no meu pai osteon.

Ele nos conduziu novamente até ao palacete do Barão Lazam. Lá, havia algo como um encontro de corte, muitas pessoas estavam reunidas e fomos muito bem recebidos. Meus companheiros e eu teríamos um banquete e uma noite bem confortável.

O Barão, então, nos perguntou sobre a urna que prometemos trazer da cripta. Dissemos que o que trouxemos não era uma urna, mas algo que, talvez, o senhor Lazam também apreciasse. Então, apresentei meu pai.

Barão Lazam

Sir Starkey retirou o capuz e uma grande comoção encheu a sala. Todos se assustaram ao vê-lo. Um morto-vivo, é claro. Acho que o choque foi tamanho, o barão estava incrédulo, perguntou se era uma brincadeira de mau gosto e se tinha provas de que aquele era o amigo dele de verdade. Meu pai começou a contar alguma história que, provavelmente, devia ser constrangedora, pois ele só começou uma frase e o barão já o interrompeu para abraçá-lo.

Aquela foi uma noite de festa, de muitas comemorações. Todos queriam conversar com meu pai, saber o que tinha acontecido. Ele também ficou feliz por rever alguns velhos amigos. Eu não sabia como ficar mais feliz. Só faltavam o Goro e a Noah comigo. Aí sim seria perfeito.

Após o banquete, os meninos foram para um aposento bem amplo e luxuoso para descansar. Meu pai e eu fomos dar uma volta sob a luz do luar, sob Tenebra. conversávamos sobre tudo e sobre como estávamos felizes.

O barão apareceu e convidou meu pai para segui-lo até uma capelinha dedicada ao Panteão. Os acompanhei, é claro. Cada minuto ao lado de Sir Starkey se tornou extremamente precioso. Lá, várias pessoas estavam sentadas nos bancos, inclusive aquele jovem, o Caique, talhando algo em um pequeno pedaço de madeira. Havia também um homem de vestes brancas à frente. O barão disse que aquele era Daniel, um biomante que desfaria o que fora feito ao meu pai.

Choque.

De repente, aquelas pessoas se levantaram com armas nas mãos, prontos para nos atacar. Todos olhavam na nossa direção com rostos ferozes. Lazam disse que meu pai não merecia estar vivo, que mortos só mereciam a morte. Para ele, o que foi feito em Hongari não poderia se repetir em nenhum outro lugar. Imediatamente, todos os mercenários avançaram sobre nós.

Eles nos prenderam e nos arrastaram para um alçapão que havia abaixo do púlpito. Tentamos nos desvencilhar, mas era inútil. O barão ainda teve a audácia de pedir desculpas. Não consegui gritar por ajuda. Também não sabia se os meninos me ouviriam. Muito menos se eles estavam dormindo em berço esplêndido ou se algo também estaria atrapalhando a noite deles (como mais mercenários).

Com a boca tampada e as mãos imobilizadas, não podia realizar qualquer tipo de magia. Os mercenários sabiam o que estavam fazendo. Fomos jogados abaixo daquele púlpito em uma caverna recente, escura e úmida.

Meu pai começou a argumentar com Lazam de que o barão estava cometendo um erro. Sir Starkey não teve escolha ao ser transformado em um morto-vivo, ele só foi transformado e ponto, mas não era como aqueles que trouxeram desgraça à sua terra natal. O barão permaneceu em silêncio.

Helga em choque e tristeza

A caverna tinha um círculo pintado no chão e um caixão no meio. Aquele senhor de mantos brancos, um humano, começou a pegar alguns itens, como água benta, para iniciar um ritual. Mandou colocar meu pai no caixão. Ele resistiu, apanhou e, por fim, foi colocado no caixão, quase desacordado. Prenderam tudo com correntes. Eu chorava e tentava gritar, mas não conseguia me libertar.

Lazam derramava lágrimas – obviamente falsas de um barão de sangue. Ele se aproximou de mim e me desamordaçou, dizendo para que eu ficasse tranquila. Mas eu estava em choque e gritando, perguntando o que ele estava fazendo. Meu pai não tinha culpa, eles eram amigos. Ele dizia apenas que mortos-vivos deviam ser expurgados de Arton.

Ele disse que a caverna fora construída para fazer isso: tornar todos os mortos-vivos apenas mortos. Meu pai não foi o primeiro a chegar até ali. Olhei ao redor e vi ossos pendurados, frascos de água benta. Uma cena aterrorizante.

Eu sei o que é ser atacado por zumbis. Eu sei o que foi sofrer com eles, perder alguém que amava. Mas isso era bem diferente. Meu pai não era um servo de Tenebra. Ele não estava agindo apenas como um morto-vivo. Ele era um osteon. Revivido. Era o mesmo Sir Anthony Starkey em ossos e rosas. Ele só não precisava mais dormir e comer, mas era o meu pai e eu o queria vivo, como fosse.

O biomante começou a entoar algumas palavras arcanas e o círculo começou a brilhar abaixo do caixão. Olhei ao redor em desespero, procurando qualquer coisa que impedisse o ritual de acontecer. Achei umas gavinhas que poderiam prender alguém, sussurrei para que elas agissem. Mas, no desespero, não vi nada direito e elas começaram a enroscar apenas nas pernas do Lazam e de um outro matador.

O barão me amordaçou de novo e eu não conseguia mais pronunciar orações implorando por milagres de Allihanna. Reconheci em um dos cantos apenas uns olhos e mechas loiras, era Caique escondido. Comecei a implorar com os olhos e a fazer movimentos mais bruscos para que ele agisse em nosso favor. Meus movimentos para tentar me desvencilhar e chamar a atenção de Caique só provocaram um soco na minha cabeça. Não me machucou muito, mas não me ajudou também a sair do lugar.

Ouvi um barulho estrondoso da direção da caverna. Sem nem olhar, eu já sabia que eram meus amigos. Os soldados de Lazam gritaram que eles estavam na cripta e que deveriam terminar logo o ritual e deter os Desafiantes.

Ouvi um tiro e todos olhamos para onde a bala deveria atingir. No entanto, ela ficou parada numa cúpula invisível ao redor do caixão. Ela só ficou parada. Foram momentos rápidos demais em silêncio, olhos esbugalhados. De repente, o biomante voltou a recitar os encantos, cada vez mais rápidos.


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Épico e aquático – O necromante

A batalha ainda significava restaurar a vida de Helga diante da maldição que ligava seu coração ao coração da amada de seu pai falecida. Se os Desafiantes sobrevivessem, ainda teriam que lidar com um ritual para desfazer a maldição.


Nosso paladino, em comunhão com sua deusa, trouxe um pouco de alívio à minha dor, curando alguns ferimentos, e desferiu um golpe com sua arma no Oni. Eu estava no chão, machucada, e vi que Toshinori também tomou um raio daqueles que saía dos olhos da estátua de dragão. Ele urrou de dor, mas permaneceu de pé.

De repente, ouvi mais um tiro. Senti quando a bala passou rente a mim, balançando alguns fios do meu cabelo com o deslocamento do ar. Então, tomei aquele banho de sangue misturado com pedaços de pele e órgãos do inimigo. O Oni se ajoelhou ao meu lado, com o peito aberto e arfando.

Ainda caída, machucada e com medo de uma nova ação do Oni, senti minhas forças começarem a voltar e o Kroll se aproximando. Obviamente, comecei a me preparar para mais um banho de sangue. O ângulo me permitia ver algo muito mais assombroso. O bárbaro espumava fúria e seu machado era uma arma implacável. Após alguns golpes, o inimigo começou a se desfazer, enquanto ainda gritava.

Kroll não sabia muito bem diferenciar uma expressão em fúria de uma de amizade. Com aquele sorriso furioso, me ofereceu amigavelmente três vidrinhos de essência, para que eu pudesse me recuperar mais rápido. Delicadamente, limpei um pouco a gosma sangrenta da boca de dois frascos e tomei. Guardei o outro para um momento futuro. Guardei sujo mesmo.

Um crânio voador de Vladislav veio em nossa direção. Eu consegui resistir ao ataque com um milagre, mesmo caída, mas Toshinori não. Com um grito de dor, ele foi envolvido com uma aura sagrada e correu à frente, enquanto a estátua de dragão lançava uma baforada quente onde os demais do grupo estávamos. Felizmente, o raio não chegou perto o suficiente, coisa de menos de 3 palmos nos pouparam de mais danos.

O bárbaro e o minotauro correram à frente também, sumindo da minha vista. Comecei a correr meus olhos, procurando por algum animalzinho que pudesse ajudar a gente de alguma forma, mas, deitada, não consegui encontrar. Então, levantei quando o Edward passava ao meu lado gritando algumas orientações para os meninos.

Ouvi alguns gritos do Toshinori, brigando com o Kroll, para que ele voltasse a si. O que quer que tenha acontecido depois que os meninos saíram da minha visão, deixou o bárbaro abalado. De repente, me vi sozinha na base da escada de entrada do salão. Todos estavam depois da estátua de dragão.

Andei vagarosamente, carregando o lampião, iluminando para além da estátua. Vi os meninos procurando pelo necromante. Todos tentando encontrar um lugar estratégico para atacar sem serem encontrados pelo inimigo.

Toshinori viu uma escada e, quando ele correu na direção dela, eu também consegui ver. Pelo que ele noticiou a nós, o necromante deveria ter lacaios que estavam descendo aquela escada. Em seguida, ele urrou de dor também, deve ter sido acertado.

Aos poucos, todos avançaram. A maior parte do grupo se escondeu atrás de uma outra pilastra. Eu também andei e fiquei de frente para a escada. Toshinori estava ferido ao lado e Kroll estava tentando subir. Edward estava ao meu lado, Joseph foi atingido pelo crânio também. Até o Hyoda se escondeu atrás de uma pilastra.

A aura que emanava do paladino trouxe, mais uma vez, uma tranquilidade milagrosa para a batalha. Vi que alguns dos seus ferimentos se fecharam e ele continuou sua tentativa de subir as escadas. No entanto, ele e Kroll se atrapalharam um pouco para ver quem subia primeiro.

Fiz um clamor à Allihanna para que o combate fosse logo finalizado e abençoei meus amigos. Um brilho emanou de mim e correu como linhas em direção a cada um dos meninos próximos a mim. Ouvi gritos e barulhos estranhos escada acima, estava meio apavorada, mas confiando que tudo acabaria bem.

Estávamos abaixo de uma espécie de mezanino e o necromante estava lá em cima, provavelmente. Pelos barulhos, Kroll e Toshinori estavam em uma batalha feroz. Descobrimos que era uma mulher, principalmente quando ela gritou implorando para não a matar.

Me aproximei da escada e gritei para que impedissem o Kroll de matar a necromante, pelo menos enquanto não soubéssemos como remover a maldição. Roguei mais uma vez à minha deusa para que o paladino fosse curado dos danos provocados pelos mortos-vivos lacaios da necromante. Então, ele avançou na direção dela.

A arma do Toshinori brilhava e ele derrubou a medusa necromante, batendo nela mais umas duas vezes. Os mortos-vivos se desfizeram naquele momento, o movimento no ar apagou o lampião. Entendi que ela estava desacordada e eu estava levemente desesperada com medo de ela morrer antes de nos contar sobre a dissolução da maldição.

Aparentemente, eu era a única preocupada com isso ali.

A necromante

Os meninos pareciam estar se divertindo com os despojos da batalha. Já eu estava ansiosa, preocupada e tentando equilibrar a respiração ao mesmo tempo para não disparar o coração. Edward estava aplicando um golpe no Stefan para furar uma orelha do inventor, que encontrou um brinco da sagacidade com a medusa.

Enquanto observava a brincadeira, notei uma porta em um canto do mezanino. Repeti, porém, que precisávamos resolver a questão da maldição antes de avançar. Toshinori estava preocupado mais com as suas feridas do que com quem poderia curá-lo. Ele e Stefan foram checar o quanto a medusa estava presa e desacordada enquanto eu fui tentar acalmar o Kroll, para que ele não matasse a necromante de uma vez.

Eu fazia alguns carinhos na cara dele, como se fosse a Noah, para tentar acalmá-lo. Como uma boa felina, a Leah também quis e se esfregou entre minhas mãos. Então, comecei a fazer carinho com a mão direita no Kroll e, com a esquerda, na Leah. OK.

Stefan me chamou e disse que tinha encontrado a cura. Eu fui tremendo na direção dele e peguei o livro. Antes de celebrar o ritual, no entanto, o inventor abriu a tal portinha e, lá dentro, tinha um meio dragão preso e amordaçado, era um clérigo de Kally. Ao ser solto, correu para matar a medusa, mas Kroll foi mais rápido, mais feroz e mais furioso. Desnecessária a forma de matar alguém que já estava apagada.

Toshinori e Edward foram logo pedir a bênção de Kally, mas Stefan pediu para que ele realizasse o ritual. Como o Stefan estava lúcido e prestativo. Estranho, porém, gostei. Ao contrário do nobre e do paladino, alguém se importava com a minha condição. Acredita que os dois desdenharam e disseram que o que eles precisavam era muito mais importante? Esses dois são muito mais insuportáveis que o Stefan. Pelos deuses!

O clérigo falou que só poderia conceder um dos pedidos e o outro teria que ser pago. Iniciamos um diálogo para tentar ao menos diminuir o valor: ele cobrou T$ 2.000 como uma “oferta” para a causa de seu deus. Conseguimos que ele reduzisse pela metade.

Eu olhei para todos contando moedinhas, negociando o quanto valia a quebra da maldição, e perguntei se era isso que eles estavam dispostos a fazer por mim. Toshinori pegou o coração na minha mão e ofereceu como pagamento. Que insulto à minha pessoa! Absurdo. Tomei de volta e saí andando para procurar alguém do lado de fora que fizesse mais por mim do que meu próprio grupo.

Inacreditável o quanto eu era totalmente sem importância para eles. Quando eu já estava no meio do salão de baixo, Stefan gritou algumas vezes me chamando. Voltei desconfiada e triste, e subi as escadas, olhando de soslaio para todos. Finalmente, o clérigo Arthur começou a realizar o ritual.

O meio dragão começou a desenhar símbolos arcanos no chão e me pediu para me deitar no meio. Eu estava extremamente nervosa, tremia dos pés à cabeça. Se algo desse errado, não teria mais volta. Nem as essências que ele me deu estavam me ajudando a ficar mais tranquila. Precisei de três.

Ele pegou o coração de Cassandra, começou a recitar algumas palavras e, de repente, eu senti uma dor excruciante, como se o meu próprio coração estivesse sendo arrancado. As batidas estavam mais e mais rápidas. O barulho e a dor que aquilo fazia me deixavam tonta e enjoada, até que eu vi o clérigo despedaçar o coração com uma de suas mãos.

Então, eu apaguei.


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Épico e aquático – Kally e Tenebra

Atendendo ao pedido do pai, Helga e os Desafiantes de Yuvalin se veem diante de uma batalha contra um temível Oni e um tenebroso necromante, além de terem de lidar com a sua grande preocupação com a maldição da sereia druida.


Stefan e Joseph investigaram a entrada daquilo que seria um templo de Kallyadranoch, o deus dos dragões, e descobriram uma armadilha no chão que faria desabar tudo em cima de quem entrasse pelo portal.

O K pediu para trocar de lugar comigo. Não caberíamos todos naquela entrada apertada. Stefan também achou uma boa ideia o golem estar junto com o bardo para fazer seu serviço de desarmar a armadilha.

Fui para o lado de fora. O céu estava fechado. Os raios de Azgher tinham muita dificuldade de furar as nuvens. Olhei para as árvores e o chão gramado, respirei fundo e proferi palavras arcanas. Com alguns movimentos leves e rápidos das mãos, me senti mais forte. Era como se uma nova armadura se colocasse sobre as minhas vestes, uma fina camada luminosa praticamente invisível cobriu todo o meu corpo.

Assim que tudo estava livre, entrei junto com os meninos. Descemos uma escadaria escura e um cheiro de lugar fechado atacou o nosso nariz. Naquela escuridão, eu acendi o lampião. Estava na retaguarda, com Edward e Hyoda liderando a fila.

A escadaria nos levou a um amplo salão com pé direito muito alto e ao encontro de uma emboscada. Quando meus olhos se acostumaram ao lugar, notei que turbas zumbis tropegavam em nossa direção, uma de cada lado. E uma estátua enorme de um dragão estava a alguns metros diante de nós.

Estátua de Dragão

O gatilho da lembrança da turba zumbi arrasou a todos que viveram a experiência anterior. Stefan que já estava deprimido pareceu ficar ainda pior ao meu lado. Dessa vez, eu não poderia deixar ninguém sucumbir, era imperioso.

Acho que o inventor também pensava assim porque levantou seu virote e lançou uma bomba na direção de uma das turbas. Aquela explosão iluminou todo o lugar e o barulho ecoou, quase destruindo meus ouvidos. Mas eu já estava mais acostumada com esses barulhos dos ataques de Stefan.

Joseph fez seus gestos arcanos e começou a tocar uma música para nos inspirar, mas parece que o Kroll ficou meio irritado com o bardo. No entanto, minha preocupação, meu desespero na real, foi ver outro jacaré/crocodilo indo em direção a uma das turbas zumbi. A cena se repetia. Eu estava enlouquecida, mas não podia fazer nada.

Felizmente, o que parece é que o Kroll descontou sua raiva do Joseph nessa turba zumbi, dizimando todos eles. Foi como se um peso saísse das minhas costas, acho que das costas de todo mundo. Suspirei. O lobo fantasmagórico do bárbaro uivou e seu machado de adamante arrancou crânios, braços e partes sobressalentes de mortos-vivos.

Ainda estávamos admirados desse extermínio quando a outra turba chegou mais perto de nós pelo outro lado. O minotauro se adiantou, suas espadas brilharam em chamas, arrancando cabeças de zumbis que voaram pegando fogo. Hyoda se preparou para chifrar mais mortos-vivos, mas atingiu o chão e não acertou ninguém.

Estava tão impactada com toda aquela cena de zumbis, tudo de novo na minha mente, as cenas se confundiam, os jacarés se confundiam. Confundi, inclusive, as magias e, quando fiz minha prece a Allihanna, tentei consagrar nossa área para atingir os zumbis em vez de tentar lançar luz sobre eles. Obviamente, em um templo de outro deus, eu não poderia consagrar a área e minha magia perdeu o efeito antes mesmo de concluir o processo.

Edward gritou algumas ordens para o grupo, orientando todos a cumprirem suas funções. Enquanto isso, mais duas turbas vinham de longe no salão e ouvimos uma voz fantasmagórica chamando pelo Hyoda. Horripilante. Stefan sacou seu mosquete, mirou e destruiu uma das turbas que chegava pelo lado direito.

Além de tudo isso, quando Edward e Kroll passaram por uma determinada área próxima à estátua, os olhos dela se acenderam em vermelho. Isso era um péssimo sinal também.

O bardo chegou mais perto do bárbaro e, fazendo sua magia, deixou o machado do Kroll também em chamas. Ele não perdeu tempo, atravessou na nossa frente e destruiu a turba zumbi que o minotauro tinha começado a dizimar. Ele, inclusive, com aquele sorriso cheio de dentes, meio que desafiou Hyoda com sua arma brilhando, pegando fogo.

A quarta turba zumbi chegava pelo mesmo lado onde só existiam restos de outros mortos-vivos. Parecia que nada era páreo para o nosso bárbaro. Nossa alma estava lavada. Porém, uma luz como um raio atingiu o Kroll, vinda do fundo do salão, e ele pareceu mais cansado do que o normal para o tempo de batalha. Hyoda arrancou várias cabeças com suas espadas em chamas também. Parecia um duelo entre ele e o Kroll.

Eu já estava cansada daquela brincadeira. Avancei, gritei. Fui para o lado do Edward e lancei uma magia de luz sobre a turba, entregando várias daquelas criaturas para Tenebra. Aquelas centelhas ou a minha presença ali onde eu estava, no entanto, fizeram com que a estátua lançasse um raio sobre Kroll, Edward e eu.

Então, senti o coração ficando levemente mais fraco, apesar de nós não nos ferirmos gravemente. Comecei a entender o que significava compartilhar a vida com o coração. Todos os meus pensamentos se concentraram naquilo ali a partir daquele momento. Não ouvi mais tiros, nem barulhos de armas, gritos. Nada.

Despertei dos meus devaneios pré-morte quando Hyoda destroçou os zumbis restantes, então, corri até o Kroll. Ele estava cansado e ferido, como disse, mais cansado que o normal. Entendi que sua condição era fruto daquele raio que o enfraqueceu e, com um toque em seu braço, a magia de purificação deixou meu corpo e encheu o seu de luz. Imediatamente, ele retomou a postura e voltou a mostrar aquele sorriso de quem estava pronto para bater.

O tal monstro azul que eu não tinha visto antes, só escutado a voz, o Oni que Hyoda caçava, passou por trás de mim e derrubou Stefan. Ele estava bem ferido, quase morto. E eu pensava “Ah não! De novo não!”.

O Oni

Toshinori pareceu finalmente despertar de um sonho. Eu estava realmente preocupada com ele, pois o paladino andava muito estranho. Ele tinha medo, não entrava nas batalhas. Mas parecia que algo tinha mudado porque ele gritou para o inimigo, atraindo sua atenção. E a minha também. Acho que a de todo mundo, porque o Joseph também tocou na arma de Toshinori e ela brilhou.

Acostumada a tomar banhos e banhos de sangue, recebi aquela chuva vinda do corpo do Oni, graças aos golpes de machado e mordida do Kroll. Ele pulou de uma pedra e desceu o machado, atravessando o ombro da criatura. Hyoda seguiu o bárbaro e, flanqueando com Kroll, usou suas duas espadas e o chifre para machucar consideravelmente o Oni.

Entretanto, havia muito banho de sangue, inclusive o Stefan que gorfava e o coração que não era meu. Fiz uma prece à minha deusa mais uma vez, olhei para cima e senti meu corpo ficar mais quente e brilhar. Dos meus olhos e das minhas mãos emanou uma luz que tocou como uma corda cada um dos Desafiantes de Yuvalin, fechando todas as feridas dos meus companheiros e fazendo o coração voltar a bater no ritmo normal.

Saí de perto do Oni, mas não foi o suficiente. Ele parou na minha frente e não me deixou me afastar mais. Seu sorriso era macabro e ele desceu seu machado sobre meu flanco. Eu urrei de dor. Mesmo com todas as magias de proteção e de endurecimento das minhas escamas, não consegui sair ilesa.

Eu estava muito machucada, minhas forças se esvaíam e, até mesmo, minha conexão com o mundo mágico parecia se desfazer com os golpes do inimigo. Eu acreditava que aquele seria, de fato, o meu fim e que eu não conseguiria voltar para o meu pai, a quem eu tinha acabado de conhecer.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs e https://youtu.be/liMMQEB7PuY

Continue aqui no Blog para saber o que acontece nos próximos capítulos desta jornada.

Até breve!

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Pets em Ação! – A aventura não tão incrível de Gracie e Pedro

Prepare-se para uma aventura cheia de confusões, trapalhadas e, é claro, muita amizade! Entre malas extraviadas e uma jornada que parece não ter fim, esses bichinhos vão embarcar em uma viagem cheia de emoção, risadas e muita fofura. Sim! Isso tem muita cara de Sessão da Tarde porque é um típico filme para se assistir numa terça-feira à tarde.

Já comecei com a pontuação comum do Qual é a das quintas? para dizer que Pets em Ação! (Gracie and Pedro: Pets to the Rescue) é um ótimo filme para se assistir de férias no sofá quando as crianças não podem sair para brincar.

Peto em Ação!

A história gira em torno de uma família que ama seus pets e os considera muito mais que animais domésticos. Quando eles vão se mudar de cidade, o gato (Pedro) e a cadelinha (Gracie) que estão sempre brigando, criam uma grande confusão nas esteiras de bagagem, perdendo, assim, o voo que os levaria junto com os humanos ao destino. A partir daí, eles mesmos decidem encontrar a nova casa enquanto os tutores iniciam uma busca para recuperá-los.

Essa é a típica animação B, com aquele 3D que causa um pouco de estranhamento se você está acostumado com animações da Disney e da Illumination. Nota: não vá assistir ao filme achando se tratar de Pets: A vida secreta dos bichos, porque não é.

Quando a sessão acabou, uma criança que estava sentada à minha frente no cinema falou que amou o filme. Logo, eu entendo que o objetivo foi cumprido. Esse é um filme bom para crianças, pois tem bichinhos, aventura, situações cômicas, família e amizade. Além disso, destaca o protagonismo infantil, uma vez que os adultos fazem quase nada para resolver, ao passo que são as crianças que melhor solucionam os problemas.

Apesar de eu analisar como um roteiro um pouco fraco, com falas e situações previsíveis, abri um sorriso quando tudo se solucionou. É uma história divertida e mantém o ritmo. A sala de cinema também não colaborou muito porque, por duas vezes, exatamente no mesmo momento do filme, que era o ápice da história, a tela apagou e permaneceu só o áudio.

Como disse no começo, de segunda a sexta, esse é um filme terça-feira à tarde, para deixar as crianças assistindo nas férias no sofá. Não é ruim, mas deve ser assistido pelo público certo.

Crítica publicada por mim no site do nosso parceiro Terra Nérdica: https://terranerdica.com.br/index.php/2024/08/14/critica-pets-em-acao/

Épico e aquático – Noite no casebre

Helga, finalmente, encontrou seu pai na versão osteon. Agora, ela pode aproveitar o tempo que ainda resta junto dele. Confira mais uma parte do diário da sereia druida, Helga Iris.


Comecei a falar sobre o que tinha acontecido na cripta até chegar à sala onde estava o coração que eu analisei, tocando nele, para entender do que se tratava. E, então, amaldiçoada. Como um bom grupo de aventureiros, falamos sobre nossa incrível capacidade de fazer besteira sempre, ao que Sir Starkey suspirou – OK – com ar de saudade.

Contei ao meu pai que, assim que ele falou sobre Cassandra ter um buraco no peito, suspeitei de que o coração conectado ao meu fosse o dela e mostrei a ele, tirando do bauzinho. Ele disse não saber se pertencia a ela ou não, óbvio, mas se fosse isso mesmo, elevou o crânio como se olhasse para cima com as rosas no lugar dos olhos e agradeceu a Valkaria, acreditando ser uma grande coincidência.

Também explicamos sobre nossa intenção de já querer matar o necromante. Ele nos sinalizou que era importante saber sobre como desfazer a maldição antes de matá-lo, é claro. Eu já sabia, né? Óbvio!

Tudo o que meu pai sabia sobre o necromante era que ele estava em um lugar próximo, mas não exatamente onde. Mencionei os sonhos de Edward com o casebre e o cavaleiro agradeceu ao nobre por acabar nos conduzindo até ali. Ele agradeceu mais uma vez à sua deusa após uma breve conversa sobre os desejos de Edward e Toshinori de se tornarem guardiões da realidade, protegendo o mundo da Tormenta. Meu pai falou que gostaria muito de ajudá-los a expurgar esse mal de Arton.

Eu estava encantada com a conversa que ele teve com Ed. Ele disse se sentir completo com a espada e com a filha. Fomos interrompidos pela vergonha que o Joseph me fez passar, perguntando se Sir Starkey ainda praticava amor com alguém, como nos velhos tempos. O Joseph sabe ser bem inconveniente.

Como um bom anfitrião, meu pai ofereceu as acomodações decadentes do casebre. Os meninos agradeceram e armaram suas barracas ali na sala mesmo. Eles se dividiram e foram dormir enquanto eu continuava conversando com o cavaleiro.

Casebre

Falamos sobre muitas coisas. Ele não sentia sono, nem fome, nem quaisquer dessas necessidades físicas de gente viva. Eu estava muito emocionada e empolgada por, finalmente, ter conhecido meu pai biológico. Adoraria tê-lo conhecido em vida, ter passado mais tempo com ele antes, mas parece que os deuses fizeram questão de nos encontrarmos exatamente naquele momento.

Contei a ele sobre Silena e Agenor, inclusive sobre o fato de eu ter sido uma ponte para que os dois se conhecessem e se casassem. Falei sobre meus irmãos, na verdade, os filhos de Silena e Agenor. Zian e Geni, os gêmeos, eram dois pestinhas, mas divertidos, tagarelas, muito inteligentes e parecidos com os pais.

Ele se entusiasmou quando contei sobre minha infância, quando aprendi a conversar com animais, andava muito pelas florestas próximas e comecei a aprender o ofício de Silena também, com chás e algumas magias curativas. Meu pai disse que isso o fez se lembrar ainda mais dos dias que passou com Liara. Assim como eu, ele aprendeu a reverenciar a natureza desfrutando de sua companhia no meio de animais e plantas.

Pelo que entendi, minha mãe era bem diferente dos outros da nossa espécie naquele povoado do rio Villent. Talvez, tenha sido por isso que tudo aconteceu, afinal. Ela era druida, não se comportava como a nobre que era. Ela era rainha do povo da água naquela região. Mas preferia a conexão que toda a natureza oferecia, além da água. Tinha amigos na floresta: animais, dríades, entes, espíritos da natureza. Seu vínculo com Allihanna era muito mais real que qualquer clérigo de Oceano em seu povoado.

Não hesitei em contar o episódio em que fui conhecer meus parentes sanguíneos e toda a decepção que tive. Falei sobre a tragédia iminente contida e também sobre o pouco caso que fizeram de mim no rio Villent. Assim, meu desejo de me tornar aventureira e guerreira da superfície tornou-se evidente, expliquei.

Falei sobre a viagem, meus novos amigos do rio Panteão, minha chegada a Yuvalin, a Guilda dos Mineradores, nossa primeira missão, a perda de Noah, como procurei pela minha origem e como chegamos até ali.

Meu pai gostou quando contei sobre meu relacionamento com Goro. Disse que parecia um rapaz honrado e que isso explicava o motivo de eu me vestir como eu estava. Eu ri e expliquei que tinha ido a Nitamu-ra por influência de Goro. Falei sobre como ele era bom para mim e que eu cheguei a pensar várias vezes em desistir da vida de aventureira para permanecer com ele, formar uma família e ter uma vida pacata. Sir Starkey compreendia isso, é claro.

Pai e filha

Lá pelas tantas, apoiei minha cabeça sobre as pernas de meu pai, que estava sentado em uma cadeira esfarrapada. Senti apenas armadura e ossos, entretanto, estava confortável e me sentia em casa. Estava feliz e, depois de algum tempo, acabei adormecendo em seu colo, sem ligar para uma possível dor no pescoço ou nas costas quando acordasse – o que, felizmente, não aconteceu.

Sonhei com Goro. Estávamos muito felizes juntos e eu contava a ele tudo o que tinha acontecido. A maldição nem sequer foi lembrada, só conversávamos sobre as boas notícias. Ele ficava muito contente ao saber sobre meu pai. Nos abraçávamos e ficávamos juntos. Saudade.

Quando acordei pela manhã, percebi algumas pétalas em meu cabelo e kimono. Prova de que meu pai havia chorado. Não ousei perguntar ou mencionar isso, mas eu me sentia abraçada, acalorada com o amor de um pai. Acordei bem como não acontecia desde minha última noite em Yuvalin.

Nos aprontamos para partir e acabar com as investidas do necromante. Os meninos estavam particularmente animados com a possibilidade de bater e matar. Eles inspiravam luta, guerra. Meu pai, por outro lado, disse que precisava ficar no casebre guardando Cassandra, afinal, o necromante poderia mandar mercenários outra vez.

Stefan tinha um mapa, mas estava completamente abatido, o oposto do modo como ele se comportou no dia anterior. Eu agradeci, expressando como eu esperava que esse fosse o comportamento dele naquele dia, o comportamento de um louco. Num dia, o mundo é cor de rosa e, no outro, só dor e tristeza sem qualquer motivo aparente. Depois, descobri que era só dor de cotovelo mesmo.

Comecei a ler o mapa, me situei e senti que, dessa vez, conseguiria guiar o pessoal. Expliquei isso a eles, dizendo que eu estava confiante de que os deuses estariam a nosso favor naquela manhã.

Me despedi do meu pai, dizendo que esperava retornar com o grupo, assim, mostrando que cumprimos a missão e tendo a oportunidade de continuar na companhia dele. Ele me respondeu que o destino não nos teria unido para que eu morresse logo em seguida. Desejou que Valkaria estivesse conosco, eu o abracei e ele pediu que retornasse para ele. Também apelou ao grupo que me protegesse e me pediu que eu protegesse o grupo.

Partimos. Olhei para trás e vi meu pai sentado à porta do casebre, como sentinela, protegendo sua amada. Eu estava particularmente feliz, a tensão da maldição parecia tão pequena. Até brinquei com o Joseph pedindo para que ele inspirasse o Stefan mal-humorado com uma canção. Eu mesma estava quase cantando. Na verdade, cheguei a solfejar uma música que aprendi na casa de treinamento do sensei Kakashi Hatake.

Stefan, além de não ajudar, atrapalhou. Seu mau humor quase me fez perder o caminho de novo. O Stefan sabe ser bem insuportável. Mas eu estava me sentindo viva e feliz naquele dia, diferente do dia anterior. As besteiras do kliren não me atravancariam.

A floresta ficou mais densa e vimos um paredão de pedra. Pelos meus cálculos ou orientação de Allihanna, entendi que era aquele lugar onde deveríamos chegar. Alertei a todos de que estávamos por perto. Me aproximei o suficiente para tentar detectar alguma ameaça. O tal paredão parecia uma cúpula, vendo melhor, e senti que naquele lugar tinha algo de divino. Fosse o que fosse, se abrigava o necromante, não devia ser um oásis.


Assista ao vídeo sobre essa parte da história no canal do Qual é a do RPG?https://youtu.be/2ticY712FZs

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